Uma criança de 7 anos de idade foi levada a consulta por dor e edema em joelho esquerdo há dois dias, sem história de trauma. Apresenta Tax = 38,5 oC, VHS = 47 mm/h, PCR = 7 mg/dL, contagem global de leucócitos de 12.500 células/mm e radiografia do joelho sem diferença da distância no espaço articular. Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue os itens a seguir. Julgue o item: O pico de elevação da VHS ocorre entre três e cinco dias após o início da infecção, retornando ao normal em aproximadamente três semanas após o início do tratamento.
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Conceito-chave
Cinética da VHS nas infecções osteoarticulares. A velocidade de hemossedimentação mede a rapidez com que as hemácias sedimentam, o que depende das proteínas de fase aguda (principalmente o fibrinogênio) que favorecem o empilhamento das hemácias. Por isso, reage com atraso e se normaliza devagar.
Comportamento típico.
- Começa a subir nos primeiros dias da infecção.
- Pico entre 3 e 5 dias após o início.
- Normalização lenta, em cerca de 3 semanas (às vezes mais) após o início de um tratamento eficaz.
Comparação com a PCR.
| Marcador | Início da elevação | Pico | Normalização com tratamento |
|---|---|---|---|
| PCR | Cerca de 6 horas | Cerca de 2 dias | Cerca de 1 semana |
| VHS | Primeiros dias | 3 a 5 dias | Cerca de 3 semanas |
Fatores que alteram a VHS. Anemia, gravidez, doenças renais e inflamatórias crônicas elevam; policitemia e alterações das hemácias diminuem. A VHS também pode subir após cirurgia, o que dificulta a interpretação no pós-operatório.
Utilidade. Ajuda no diagnóstico (critério de Kocher, VHS acima de 40 mm/h) e na confirmação da cura no fim do tratamento, mas é ruim para o acompanhamento precoce, papel que cabe à PCR.
Por que a VHS é lenta: o mecanismo. As hemácias têm carga negativa na superfície e se repelem. Proteínas de fase aguda grandes e assimétricas, sobretudo o fibrinogênio, neutralizam essa carga e fazem as hemácias se empilharem (formação de rouleaux). Pilhas são mais pesadas e sedimentam mais rápido. O fibrinogênio sobe em alguns dias e tem meia-vida de cerca de 4 dias, e as hemácias recobertas continuam circulando; por isso a VHS sobe depois da PCR e demora muito mais para voltar ao normal.
O que o caso do enunciado sugere. Criança de 7 anos com febre, joelho doloroso e inchado, VHS de 47 mm/h, PCR alta e leucocitose discreta: pelos critérios de Kocher modificados (febre acima de 38,5 °C, recusa de apoio, VHS acima de 40, leucócitos acima de 12.000, e PCR acima de 2 mg/dL na versão de Caird), o quadro tem alta probabilidade de artrite séptica, e a punção articular é obrigatória.
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