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Questão de Maus-tratos (TEOT 2025)

Ortopedia pediátricaMaus-tratosTEOT 2025

A imagem identificada pela seta na radiografia a seguir é altamente sugestiva de:

Figura da questão pediatria-0327
  1. Infecção.
  2. Maus tratos.
  3. Tumor ósseo.
  4. Osteogênese imperfeita.
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Gabarito: B · Maus tratos.

Conceito-chave

Os maus-tratos na criança e as fraturas. As fraturas são a segunda manifestação mais comum dos maus-tratos, depois das lesões de pele. Cerca de 80% das fraturas por maus-tratos ocorrem em crianças menores de 18 meses, e muitas vezes a criança ainda não anda. Reconhecer o padrão é responsabilidade do ortopedista: a criança que volta para o mesmo ambiente tem alto risco de nova lesão e de morte.

A especificidade das lesões (Kleinman).

EspecificidadeLesões
AltaLesões metafisárias clássicas (fratura em "canto" e em "alça de balde"), fraturas de costelas posteriores, escápula, processos espinhosos e esterno
ModeradaFraturas múltiplas (sobretudo bilaterais), fraturas em estágios diferentes de consolidação, descolamentos epifisários, fraturas de corpos vertebrais, de dedos e do crânio complexas
Baixa (comuns)Formação de periósteo novo, fraturas de clavícula, fraturas da diáfise de ossos longos, fraturas lineares do crânio

Por que alta especificidade. Essas lesões exigem mecanismos que quase não ocorrem em acidentes:

  • a lesão metafisária clássica vem da sacudida ou tração e torção dos membros;
  • as costelas posteriores fraturam pela compressão do tórax entre as mãos do agressor;
  • a escápula, o esterno e os processos espinhosos exigem trauma direto de grande energia, raro em quedas domésticas.

As lesões de baixa especificidade são comuns também em acidentes, mas ganham importância quando a história não é compatível com a lesão ou com o desenvolvimento da criança (por exemplo, fratura de fêmur em bebê que não anda).

A investigação. Inventário esquelético completo em menores de 2 anos, repetido em 2 semanas; fundoscopia (hemorragia retiniana), avaliação neurológica e de imagem do crânio; exclusão de doenças que fragilizam o osso (osteogênese imperfeita, raquitismo); e notificação obrigatória ao conselho tutelar.

A lesão metafisária clássica. É a lesão de maior especificidade para maus-tratos. Ocorre pela sacudida ou pela tração e torção dos membros, que cisalham a zona mais frágil da metáfise primária, junto à fise. Na radiografia, aparece como:

  • fratura em canto (corner fracture): um pequeno fragmento triangular na borda da metáfise, quando o raio incide de lado;
  • fratura em alça de balde (bucket handle): um arco de osso metafisário, quando o raio incide em ângulo.

A imagem. A seta aponta um pequeno fragmento na borda da metáfise distal do fêmur, junto à fise: é a fratura em canto, característica dos maus-tratos. Ela raramente aparece em acidentes e deve levar ao inventário esquelético e à avaliação de proteção.

Por que cada alternativa está certa ou errada? O comentário completo, alternativa por alternativa, está no site, junto com revisão espaçada e desempenho por tema.

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