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Questão de Pseudartrose congênita da tíbia e deformidades da perna (TEOT 2025)

Ortopedia pediátricaPseudartrose congênita da tíbia e deformidades da pernaTEOT 2025

Uma criança recém nascida é encaminhada para consulta ortopédica por deformidade bilateral nas pernas desde o nascimento. As deformidades identificadas nas radiografias a seguir podem estar associadas à:

Figura da questão pediatria-0330
  1. Neurofibromatose tipo 1 e doença de STREETER.
  2. Neurofibromatose tipo 1 e pseudoartrose congênita de tíbia.
  3. Neurofibromatose tipo 2 e doença de STREETER.
  4. Neurofibromatose tipo 2 e pseudoartrose congênita de tíbia.
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Gabarito: B · Neurofibromatose tipo 1 e pseudoartrose congênita de tíbia.

Conceito-chave

A pseudoartrose congênita da tíbia (PCT). É uma doença rara em que um segmento da tíbia, geralmente na junção do terço médio com o distal, é displásico e fraco. A tíbia se encurva e, cedo ou tarde, fratura e não consolida. A neurofibromatose tipo 1 está presente em cerca de metade ou mais dos casos. Por outro lado, só uma pequena parcela dos pacientes com NF1 tem PCT.

O tecido doente. Ao redor do foco há um periósteo espessado e um hamartoma fibroso que estrangula o osso e impede a consolidação. A ressecção completa desse tecido é parte fundamental da cirurgia.

O encurvamento da tíbia na criança: a direção diz o diagnóstico.

DireçãoDiagnósticoPrognóstico
AnterolateralPseudoartrose congênita da tíbia (NF1)Ruim: tende a fraturar e não consolidar
PosteromedialEncurvamento fisiológico congênito, com pé calcaneovalgoBom: corrige espontaneamente; deixa discrepância
AnteromedialHemimelia fibular (deficiência da fíbula)Discrepância importante; deformidade do pé e tornozelo

Como lembrar. Anterolateral é a ruim (a pseudoartrose). Posteromedial é a "boa", que só deixa a perna mais curta. Anteromedial acompanha a ausência da fíbula, com covinha cutânea sobre a tíbia.

Tratamento.

  • Antes da fratura: proteger a tíbia com uma órtese (tipo concha, AFO/KAFO) para evitar a fratura. Não se faz osteotomia corretiva para endireitar, porque ela vira pseudoartrose.
  • Depois da fratura: a cirurgia é desafiadora. Ela inclui:
  • ressecção do tecido hamartomatoso;
  • estabilização com haste intramedular (de Williams, por exemplo) ou fixador circular de Ilizarov;
  • enxerto ósseo autólogo; o enxerto vascularizado de fíbula é uma opção;
  • a técnica de cross-union (união entre tíbia e fíbula) tem mostrado bons resultados.
  • A recidiva de fratura é comum, e a haste costuma ser mantida até a maturidade.
  • Após várias falhas, a amputação de Syme com prótese é uma opção funcional legítima.

Os tipos de encurvamento da tíbia. A direção do arqueamento é a chave diagnóstica:

DireçãoDiagnósticoEvolução
AnterolateralPseudoartrose congênita (NF1)Grave: tende a fraturar e não consolidar
PosteromedialEncurvamento fisiológico congênitoBenigno: corrige espontaneamente, mas deixa discrepância
AnteromedialDeficiência longitudinal da fíbula (hemimelia fibular)Associada a encurtamento e pé em equinovalgo

A imagem. As radiografias mostram as duas pernas de um recém-nascido com arqueamento anterolateral das tíbias, com estreitamento (aspecto em ampulheta) e esclerose: é o quadro da pseudartrose congênita da tíbia (ou do arqueamento que a precede), que se associa à neurofibromatose tipo 1 em cerca de metade dos casos.

NF1 ou NF2. A NF1 (periférica, cromossomo 17) tem manifestações ortopédicas frequentes, incluindo o arqueamento anterolateral e a pseudartrose da tíbia. A NF2 (central, cromossomo 22) se manifesta por schwannomas vestibulares bilaterais e tem poucas manifestações ósseas. A doença de Streeter (bridas amnióticas) causa anéis de constrição, amputações e pseudossindactilia, mas não o arqueamento anterolateral.

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