Na paralisia cerebral, a marcha agachada (crouch gait) é caracterizada, na fase de apoio, pelo flexo do joelho,
- flexão do quadril e excessivo equino do tornozelo.
- flexão do quadril e excessiva dorsiflexão do tornozelo.
- extensão do quadril e excessivo equino do tornozelo.
- extensão do quadril e excessiva dorsiflexão do tornozelo
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Conceito-chave
O equino na paralisia cerebral. O pé equino é a deformidade mais comum na paralisia cerebral espástica. Antes da cirurgia, a toxina botulínica, o gesso seriado e as órteses tratam o componente dinâmico. Quando há contratura fixa, o alongamento cirúrgico é indicado, e a escolha depende de qual músculo está curto: o gastrocnêmio (biarticular, cruza o joelho) ou o sóleo (monoarticular).
O teste de Silfverskiöld. Mede a dorsiflexão do tornozelo com o joelho estendido e fletido. Se a dorsiflexão melhora com o joelho fletido, o curto é só o gastrocnêmio; se não melhora, o sóleo também está curto.
As zonas de alongamento (Shore e colaboradores).
| Zona | Local | Técnicas |
|---|---|---|
| I | Gastrocnêmio isolado, acima da junção com o sóleo | Strayer, Baumann, recessão do gastrocnêmio |
| II | Aponeurose conjunta gastrocnêmio-sóleo | Vulpius, Baker |
| III | Tendão calcâneo | Alongamento em Z, técnica de Hoke (percutânea) |
A regra. Quanto mais distal o alongamento, maior o ganho de dorsiflexão, mas maior a perda de força de flexão plantar e o risco de hiperalongamento, com marcha em agachamento (crouch) e pé calcâneo, uma complicação grave e difícil de reverter. Quanto mais proximal, menor o ganho, porém mais seguro, porque preserva o sóleo, que é o principal estabilizador da tíbia na fase de apoio.
O procedimento de Strayer. Secciona a aponeurose do gastrocnêmio (zona I) e deixa a fáscia deslizar e cicatrizar em posição alongada. Indicado quando o teste de Silfverskiöld mostra contratura isolada do gastrocnêmio, preserva o sóleo e causa menor perda de força. Na diplegia, o alongamento do tendão calcâneo (zona III) é evitado pelo risco de crouch.
A nomenclatura. Algumas descrições (como a de Firth) colocam o Strayer na zona II, porque ele é feito no ponto em que os ventres do gastrocnêmio terminam; a lógica funcional é a mesma.
A marcha agachada (crouch gait). É a marcha com flexão excessiva do joelho durante todo o apoio, acompanhada de flexão do quadril e de dorsiflexão excessiva do tornozelo (o tornozelo "cai" para a frente). É típica da diplegia espástica e piora com o crescimento.
As causas.
- Insuficiência do tríceps sural (sobretudo após alongamento excessivo do tendão calcâneo, na zona III): sem o sóleo controlando o avanço da tíbia, ela tomba para a frente, e o joelho dobra;
- isquiotibiais curtos e espásticos;
- contratura em flexão do quadril (psoas);
- disfunção do braço de alavanca (pés planos valgos, torções), que tira a eficiência do pé.
As consequências. Gasto de energia muito alto, dor anterior do joelho, patela alta e fraturas de estresse do polo inferior da patela; com o tempo, a criança pode perder a marcha.
O tratamento. Prevenção (evitar o alongamento excessivo do tendão calcâneo); órteses de reação ao solo (GRAFO); cirurgia em vários níveis num só tempo: alongamento dos isquiotibiais, osteotomia de extensão do fêmur distal e avanço do tendão patelar, correção das torções e dos pés.
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