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Questão de Genuvaro, genuvalgo e torções (TARO 2018)

Ortopedia pediátricaGenuvaro, genuvalgo e torçõesTARO 2018

A deformidade congênita posteromedial da tíbia associa-se com:

  1. piora da deformidade angular e pseudoartrose
  2. correção da deformidade angular e pseudoartrose
  3. piora da deformidade angular e discrepância de comprimento
  4. correção da deformidade angular e discrepância de comprimento
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Gabarito: D · correção da deformidade angular e discrepância de comprimento

Conceito-chave

A pseudoartrose congênita da tíbia (PCT). É uma doença rara em que um segmento da tíbia, geralmente na junção do terço médio com o distal, é displásico e fraco. A tíbia se encurva e, cedo ou tarde, fratura e não consolida. A neurofibromatose tipo 1 está presente em cerca de metade ou mais dos casos. Por outro lado, só uma pequena parcela dos pacientes com NF1 tem PCT.

O tecido doente. Ao redor do foco há um periósteo espessado e um hamartoma fibroso que estrangula o osso e impede a consolidação. A ressecção completa desse tecido é parte fundamental da cirurgia.

O encurvamento da tíbia na criança: a direção diz o diagnóstico.

DireçãoDiagnósticoPrognóstico
AnterolateralPseudoartrose congênita da tíbia (NF1)Ruim: tende a fraturar e não consolidar
PosteromedialEncurvamento fisiológico congênito, com pé calcaneovalgoBom: corrige espontaneamente; deixa discrepância
AnteromedialHemimelia fibular (deficiência da fíbula)Discrepância importante; deformidade do pé e tornozelo

Como lembrar. Anterolateral é a ruim (a pseudoartrose). Posteromedial é a "boa", que só deixa a perna mais curta. Anteromedial acompanha a ausência da fíbula, com covinha cutânea sobre a tíbia.

Tratamento.

  • Antes da fratura: proteger a tíbia com uma órtese (tipo concha, AFO/KAFO) para evitar a fratura. Não se faz osteotomia corretiva para endireitar, porque ela vira pseudoartrose.
  • Depois da fratura: a cirurgia é desafiadora. Ela inclui:
  • ressecção do tecido hamartomatoso;
  • estabilização com haste intramedular (de Williams, por exemplo) ou fixador circular de Ilizarov;
  • enxerto ósseo autólogo; o enxerto vascularizado de fíbula é uma opção;
  • a técnica de cross-union (união entre tíbia e fíbula) tem mostrado bons resultados.
  • A recidiva de fratura é comum, e a haste costuma ser mantida até a maturidade.
  • Após várias falhas, a amputação de Syme com prótese é uma opção funcional legítima.

O encurvamento posteromedial em detalhe. Ao nascer, a tíbia é curva para trás e para dentro, e o pé fica em calcaneovalgo acentuado, encostado na face anterior da perna. A causa é atribuída à posição intrauterina.

  • A angulação se corrige espontaneamente, sobretudo nos primeiros 2 anos.
  • A discrepância de comprimento persiste e costuma aumentar com o crescimento. Ao final, chega em média a 3 a 4 cm, com variação ampla.
  • O tratamento é a observação, o acompanhamento da discrepância e, no momento certo, epifisiodese contralateral ou alongamento. A osteotomia para a angulação residual raramente é necessária.
  • Não há pseudoartrose: o osso é normal.

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