Paciente do sexo masculino, 5 anos de idade, sofreu, em decorrência de trauma de alta energia, fratura transfisária da fise proximal do fêmur com luxação da epífise femoral. Segundo a classificação de Delbet, trata-se de uma fratura do tipo
- I A.
- I B.
- II B.
- III A.
- IV B.
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Conceito-chave
A fratura do colo do fêmur na criança é rara e perigosa. Representa menos de 1% das fraturas da criança e exige trauma de alta energia, como atropelamento ou queda de altura. Quando ocorre com trauma mínimo, deve-se pensar em osso patológico (cisto ósseo, displasia fibrosa). Em lactentes, deve-se pensar em maus-tratos.
Por que é perigosa: a irrigação da cabeça. Na criança, a cabeça femoral depende quase só dos vasos retinaculares (ramos da artéria circunflexa femoral medial), que sobem pela face posterossuperior do colo. A artéria do ligamento redondo contribui pouco, e a fise funciona como barreira aos vasos metafisários. Uma fratura desviada do colo rompe esses vasos. A tamponada do hematoma dentro da cápsula também piora a perfusão.
A classificação de Delbet (modificada por Colonna).
| Tipo | Local | Necrose avascular |
|---|---|---|
| I | Transepifisário: descolamento pela fise, com ou sem luxação da cabeça | Altíssima (até quase 100% se houver luxação) |
| II | Transcervical: no meio do colo | Alta, cerca de 50% |
| III | Cervicotrocantérico (basocervical) | Cerca de 25% |
| IV | Intertrocantérico | Baixa, cerca de 10% ou menos |
Qual é o mais frequente. O tipo II, transcervical, responde por cerca de 40 a 50% dos casos. O tipo III vem em seguida, com cerca de 30 a 35%. O IV é menos frequente, e o I é o mais raro, abaixo de 10%.
A regra do risco. Quanto mais proximal a fratura, maior o risco de necrose avascular.
Complicações.
- Necrose avascular: a mais temida, de pior prognóstico; aparece nos primeiros 1 a 2 anos.
- Coxa vara.
- Pseudoartrose.
- Fechamento precoce da fise, com discrepância.
Tratamento. Na fratura desviada:
- redução anatômica urgente, fechada ou aberta;
- descompressão da cápsula (capsulotomia ou aspiração), que reduz a tamponada;
- fixação interna, com parafusos que podem cruzar a fise nos tipos I e II se necessário, porque a estabilidade é prioritária.
O tipo I subdividido. O tipo I de Delbet (transepifisário, um descolamento através da fise) é subdividido pela posição da epífise:
- IA: a epífise permanece no acetábulo.
- IB: a epífise se luxa para fora do acetábulo. É a forma com o maior risco de necrose avascular, próximo de 100%.
O tipo IB geralmente exige redução aberta e fixação. Em lactentes e crianças pequenas, o descolamento epifisário do fêmur proximal pode ocorrer no parto ou por maus-tratos.
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