O tipo de maus-tratos mais frequente nas crianças é:
- o físico
- o sexual
- o emocional
- a negligência
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Conceito-chave
Os maus-tratos na criança e as fraturas. As fraturas são a segunda manifestação mais comum dos maus-tratos, depois das lesões de pele. Cerca de 80% das fraturas por maus-tratos ocorrem em crianças menores de 18 meses, e muitas vezes a criança ainda não anda. Reconhecer o padrão é responsabilidade do ortopedista: a criança que volta para o mesmo ambiente tem alto risco de nova lesão e de morte.
A especificidade das lesões (Kleinman).
| Especificidade | Lesões |
|---|---|
| Alta | Lesões metafisárias clássicas (fratura em "canto" e em "alça de balde"), fraturas de costelas posteriores, escápula, processos espinhosos e esterno |
| Moderada | Fraturas múltiplas (sobretudo bilaterais), fraturas em estágios diferentes de consolidação, descolamentos epifisários, fraturas de corpos vertebrais, de dedos e do crânio complexas |
| Baixa (comuns) | Formação de periósteo novo, fraturas de clavícula, fraturas da diáfise de ossos longos, fraturas lineares do crânio |
Por que alta especificidade. Essas lesões exigem mecanismos que quase não ocorrem em acidentes:
- a lesão metafisária clássica vem da sacudida ou tração e torção dos membros;
- as costelas posteriores fraturam pela compressão do tórax entre as mãos do agressor;
- a escápula, o esterno e os processos espinhosos exigem trauma direto de grande energia, raro em quedas domésticas.
As lesões de baixa especificidade são comuns também em acidentes, mas ganham importância quando a história não é compatível com a lesão ou com o desenvolvimento da criança (por exemplo, fratura de fêmur em bebê que não anda).
A investigação. Inventário esquelético completo em menores de 2 anos, repetido em 2 semanas; fundoscopia (hemorragia retiniana), avaliação neurológica e de imagem do crânio; exclusão de doenças que fragilizam o osso (osteogênese imperfeita, raquitismo); e notificação obrigatória ao conselho tutelar.
Os tipos de maus-tratos.
| Tipo | Comentário |
|---|---|
| Negligência | Deixar de dar o cuidado básico (alimentação, higiene, saúde, proteção, escola): o tipo mais frequente nos registros dos serviços de proteção, embora o menos visível |
| Abuso físico | O que o ortopedista mais vê, por causa das fraturas |
| Abuso emocional (psicológico) | Frequente e quase sempre presente junto com os outros |
| Abuso sexual | Grave e subnotificado |
A negligência responde por cerca de três quartos dos casos confirmados nos registros norte-americanos e é a forma mais comum também nos dados da OMS. Ela também aparece na ortopedia: atraso na procura de atendimento, fraturas não tratadas, falta de adesão ao tratamento.
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