Uma criança de 7 anos sofreu queda da própria altura com fratura da extremidade proximal do fêmur, sendo tratada cirurgicamente com redução incruenta, fixação percutânea e gesso pelvipodálico. Segundo a Classificação de Delbet e Colona, o tipo de fratura em que há o menor risco de complicação vascular para a cabeça do fêmur (Osteonecrose) é o tipo:
- I;
- II;
- III;
- IV;
- V.
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Conceito-chave
Fraturas do colo do fêmur na criança: classificação de Delbet. São raras e geralmente causadas por trauma de alta energia (uma queda da própria altura sugere osso patológico ou fragilidade, que deve ser investigada). A principal complicação é a osteonecrose da cabeça femoral, cujo risco depende da localização do traço.
| Tipo | Localização | Risco de osteonecrose |
|---|---|---|
| I | Transepifisária (com ou sem luxação da epífise) | Muito alto (até cerca de 80% a 100% se luxada) |
| II | Transcervical (a mais comum) | Cerca de 50% |
| III | Cervicotrocantérica (basocervical) | Cerca de 25% |
| IV | Intertrocantérica | Menor, cerca de 10% |
Por que o risco diminui do tipo I ao IV. Quanto mais proximal o traço, mais perto dos vasos retinaculares que sobem pelo colo até a epífise, e maior a chance de lesioná-los. A fratura intertrocantérica fica distal à entrada desses vasos.
Outras complicações. Coxa vara, pseudoartrose, fechamento prematuro da fise e discrepância de membros.
Tratamento. Redução anatômica (fechada ou aberta) e fixação estável, frequentemente com descompressão capsular para reduzir o tamponamento; gesso pelvipodálico em crianças pequenas.
O detalhe do enunciado: queda da própria altura. O colo do fêmur da criança é muito resistente, e fraturá-lo exige energia alta (acidente de trânsito, queda de altura). Uma fratura do fêmur proximal após queda banal levanta a suspeita de fratura patológica: cisto ósseo simples, displasia fibrosa, osteogênese imperfeita, tumor. Vale rever a radiografia procurando a lesão de base.
A anatomia vascular que explica o gradiente de risco. Na criança, a epífise femoral depende quase inteiramente dos vasos retinaculares posterossuperiores, ramos da circunflexa femoral medial, que sobem pela superfície do colo dentro da cápsula. A artéria do ligamento redondo contribui pouco, e a fise impede que vasos da metáfise atravessem para a epífise. Uma fratura transepifisária ou transcervical rompe ou comprime esses vasos; uma fratura intertrocantérica fica fora da cápsula, abaixo de onde eles entram.
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