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Questão de Pé torto congênito (TARO 2020)

Ortopedia pediátricaPé torto congênitoTARO 2020

No pé torto congênito, a transposição da inserção do tendão do músculo tibial anterior para o cuneiforme lateral ou cuboide está indicada para a correção da deformidade em:

  1. equino valgo fixo do retropé
  2. equino valgo dinâmico do retropé
  3. inversão ou supinação fixa do mediopé
  4. inversão ou supinação dinâmica do mediopé
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Gabarito: D · inversão ou supinação dinâmica do mediopé

Conceito-chave

O pé torto congênito e o método de Ponseti. O pé torto idiopático tem quatro componentes, lembrados pela sigla CAVE: cavo, aduto (do antepé), varo (do retropé) e equino. O método de Ponseti os corrige nessa ordem, com manipulações semanais seguidas de gesso cruropodálico.

Por que começar pelo cavo. No pé torto, o antepé está pronado em relação ao retropé: o 1º metatarso está mais flexionado plantarmente que os outros, e isso aprofunda o arco (o cavo). Parece paradoxal, porque o pé todo está supinado; mas o antepé está menos supinado que o retropé. A primeira manobra supina o antepé e eleva (dorsiflete) o 1º metatarso, alinhando o antepé com o retropé. Pronar o antepé seria o erro clássico: aumenta o cavo e cria o pé em feijão (pé complexo).

A sequência completa.

EtapaManobra
1º gessoCorreção do cavo: supinação do antepé com elevação do 1º metatarso
Gessos seguintesAbdução do pé em supinação, com contrapressão na cabeça do tálus (nunca no calcâneo); o varo do retropé se corrige junto
FimAbdução de cerca de 60° a 70°
Tenotomia do AquilesPara o equino residual (dorsiflexão menor que 15°), necessária em cerca de 80% a 90%
Órtese de abdução (Denis Browne)23 horas por dia por 3 meses e depois à noite até 4 a 5 anos

O erro de Kite. Apoiar o polegar na articulação calcaneocuboide bloqueia a abdução do calcâneo e impede a correção do varo. O ponto de apoio correto é a face lateral da cabeça do tálus.

A recidiva. Ligada sobretudo à má adesão à órtese. Pode exigir novos gessos e, depois dos 3 anos, a transferência do tibial anterior para o cuneiforme lateral.

A transferência do tibial anterior. É indicada na recidiva dinâmica do pé torto, após os 2,5 a 3 anos: a criança anda com o antepé em supinação (inversão) na fase de balanço, porque o tibial anterior é forte e não tem oposição suficiente dos fibulares. O exame mostra o pé que se corrige passivamente (a deformidade é dinâmica, e não fixa), e a sola gasta na borda lateral. A transferência do tendão inteiro para o cuneiforme lateral (ou o terceiro cuneiforme, na linha do 3º metatarso) equilibra o pé. Se houver deformidade fixa, ela deve ser corrigida antes com gessos de Ponseti; a transferência sobre um pé rígido não funciona.

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