Na paralisia cerebral espástica tetraplégica, com limitação da abdução em 20 graus e quadris subluxados (menos de 50%), o tratamento recomendado é a liberação dos músculos adutores e psoas.
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Conceito-chave
O quadril na paralisia cerebral. Nas crianças com paralisia cerebral não deambuladoras (GMFCS IV e V, em geral tetraplégicas), o quadril tende a se deslocar progressivamente. Os mecanismos:
- desequilíbrio muscular: adutores e flexores (iliopsoas) espásticos e fortes, contra abdutores e extensores fracos;
- ausência de carga, que não estimula o desenvolvimento do acetábulo;
- coxa valga e anteversão femoral persistentes.
A cabeça migra para lateral e posterior, o acetábulo fica displásico, e o quadril pode luxar, causando dor, dificuldade para sentar e higiene, e escoliose.
Como se mede: o índice de migração de Reimers. Na radiografia em AP, é a porcentagem da largura da cabeça femoral que fica fora da linha de Perkin (fora do acetábulo).
| Índice de migração | Situação |
|---|---|
| Menos de 33% | Normal ou em risco leve |
| 33 a 40% | Em risco, vigiar |
| 40 a 90% | Subluxação |
| Mais de 90% | Luxação |
A vigilância. Crianças com paralisia cerebral, especialmente GMFCS III a V, fazem radiografia periódica da bacia (a cada 6 a 12 meses), porque a migração é silenciosa no início.
O tratamento conforme a fase.
- Quadril em risco ou subluxação inicial (índice de migração até cerca de 40 a 60%), com abdução limitada (menos de 30 a 45°), em criança pequena: liberação de partes moles, ou seja, tenotomia dos adutores (adutor longo, grácil, às vezes adutor curto) e do iliopsoas (psoas no tendão, na borda da pelve). O objetivo é equilibrar as forças e permitir que o quadril se recentralize.
- Subluxação maior (acima de 50 a 60%) ou criança mais velha: osteotomia varizante e derrotativa do fêmur proximal, frequentemente com osteotomia do acetábulo (Dega, San Diego).
- Luxação crônica dolorosa com destruição da cabeça: cirurgias de salvamento (ressecção da cabeça e colo, osteotomia valgizante de McHale, artroplastia).
O caso da questão. Tetraplégico com abdução limitada a 20° e quadris subluxados com menos de 50% de migração: indicação clássica de liberação dos adutores e do psoas.
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