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Questão de Paralisia cerebral (TARO 2006)

Ortopedia pediátricaParalisia cerebralTARO 2006

Na paralisia cerebral espástica tetraplégica, com limitação da abdução em 20 graus e quadris subluxados (menos de 50%), o tratamento recomendado é a liberação dos músculos adutores e psoas.

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Gabarito: –

Conceito-chave

O quadril na paralisia cerebral. Nas crianças com paralisia cerebral não deambuladoras (GMFCS IV e V, em geral tetraplégicas), o quadril tende a se deslocar progressivamente. Os mecanismos:

  • desequilíbrio muscular: adutores e flexores (iliopsoas) espásticos e fortes, contra abdutores e extensores fracos;
  • ausência de carga, que não estimula o desenvolvimento do acetábulo;
  • coxa valga e anteversão femoral persistentes.

A cabeça migra para lateral e posterior, o acetábulo fica displásico, e o quadril pode luxar, causando dor, dificuldade para sentar e higiene, e escoliose.

Como se mede: o índice de migração de Reimers. Na radiografia em AP, é a porcentagem da largura da cabeça femoral que fica fora da linha de Perkin (fora do acetábulo).

Índice de migraçãoSituação
Menos de 33%Normal ou em risco leve
33 a 40%Em risco, vigiar
40 a 90%Subluxação
Mais de 90%Luxação

A vigilância. Crianças com paralisia cerebral, especialmente GMFCS III a V, fazem radiografia periódica da bacia (a cada 6 a 12 meses), porque a migração é silenciosa no início.

O tratamento conforme a fase.

  • Quadril em risco ou subluxação inicial (índice de migração até cerca de 40 a 60%), com abdução limitada (menos de 30 a 45°), em criança pequena: liberação de partes moles, ou seja, tenotomia dos adutores (adutor longo, grácil, às vezes adutor curto) e do iliopsoas (psoas no tendão, na borda da pelve). O objetivo é equilibrar as forças e permitir que o quadril se recentralize.
  • Subluxação maior (acima de 50 a 60%) ou criança mais velha: osteotomia varizante e derrotativa do fêmur proximal, frequentemente com osteotomia do acetábulo (Dega, San Diego).
  • Luxação crônica dolorosa com destruição da cabeça: cirurgias de salvamento (ressecção da cabeça e colo, osteotomia valgizante de McHale, artroplastia).

O caso da questão. Tetraplégico com abdução limitada a 20° e quadris subluxados com menos de 50% de migração: indicação clássica de liberação dos adutores e do psoas.

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