Na fratura transcervical do fêmur, a taxa de necrose avascular é mais alta na criança do que no adulto.
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Conceito-chave
As fraturas do colo do fêmur na criança. São raras (menos de 1% das fraturas pediátricas) e, ao contrário do idoso, resultam de trauma de alta energia (atropelamento, queda de altura), ou de lesões patológicas (cisto ósseo). O osso jovem é muito resistente, e a energia necessária para quebrá-lo também lesa os tecidos ao redor, incluindo os vasos.
A classificação de Delbet.
| Tipo | Local | Risco de necrose avascular |
|---|---|---|
| I | Transepifisária (pela fise) | O mais alto, até 80 a 100% (especialmente com luxação) |
| II | Transcervical (meio do colo) | Alto, cerca de 40 a 50% |
| III | Cervicotrocantérica (base do colo) | Cerca de 20 a 30% |
| IV | Intertrocantérica | Menor, cerca de 10% |
Por que a criança tem tanto risco. A cabeça femoral da criança depende quase exclusivamente dos vasos retinaculares (ramos da artéria circunflexa femoral medial) que sobem pela superfície do colo:
- a fise funciona como barreira, impedindo a irrigação a partir da metáfise;
- a contribuição da artéria do ligamento redondo é pequena até a adolescência;
- o hematoma intracapsular sob tensão pode comprimir os vasos.
No adulto, a cabeça recebe também irrigação intraóssea através da fise fechada.
Por isso, as séries mostram taxas de necrose nas fraturas desviadas do colo mais altas na criança, sobretudo nos tipos I e II.
Outras complicações. Coxa vara, pseudartrose, fechamento prematuro da fise e discrepância de comprimento.
Tratamento. Redução anatômica e precoce (urgente) e fixação estável, poupando a fise quando possível; muitos autores fazem descompressão do hematoma (capsulotomia). Imobilização com gesso pelvipodálico em crianças pequenas.
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