Orto Questões

Questões de quadril comentadas

Quadril concentra dois blocos que caem sempre: a artroplastia — vias de acesso, biomateriais, par tribológico, soltura, luxação, revisão, classificação de Paprosky — e as fraturas do fêmur proximal, com a discussão entre osteossíntese e artroplastia. Somam-se o impacto femoroacetabular, a displasia do desenvolvimento do adulto, a osteonecrose da cabeça femoral e as classificações de Ficat, Steinberg e Crowe.

O acervo tem 645 questões de quadril, e 643 têm página própria com gabarito e conceito-chave. Abaixo, 25 delas com o comentário completo e, no fim, a lista de todas.

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As questões são transcritas das provas originais, sem reescrita, e o gabarito é o da própria banca. Os comentários se baseiam na bibliografia de referência da especialidade. Quando resta dúvida sobre o gabarito, o comentário registra a dúvida em vez de escondê-la. As questões marcadas como OrtoQuestões Simulados são autorais do site, elaboradas a partir da bibliografia de referência e inspiradas no padrão da prova indicada; não são questões oficiais nem têm vínculo com as instituições organizadoras.

25 questões comentadas

Na artroscopia do quadril, a lesão do nervo cutâneo femoral lateral é uma complicação que ocorre com a:

  1. medialização do portal anterior
  2. lateralização do portal anterior
  3. medialização do portal anterolateral
  4. lateralização do portal anterolateral

Gabarito: A

Conceito-chave

Na artroscopia do quadril, a câmera e os instrumentos entram por pequenos cortes na pele, os portais. Cada portal tem uma estrutura que corre perto dele e pode ser lesada:

Portal anterolateral: fica na borda de cima e da frente do trocânter maior (a saliência óssea do lado de fora do quadril). A estrutura em risco é o nervo glúteo superior, que passa alguns centímetros acima.

Portal anterior: fica no cruzamento de uma linha vertical que desce da espinha ilíaca anterossuperior (EIAS, a saliência óssea da frente da bacia) com uma linha horizontal na altura do trocânter. A estrutura em risco é o nervo cutâneo femoral lateral. Mais para dentro ainda fica o feixe femoral (artéria, veia e nervo femorais).

Portal posterolateral: na borda de trás do trocânter. A estrutura em risco é o nervo ciático.

Por que mexer o portal anterior para dentro lesa o nervo? O cutâneo femoral lateral é um nervo só de sensibilidade. Ele sai da bacia junto da EIAS e logo se divide em ramos sob a pele da frente e do lado da coxa. Esses ramos ficam mediais (por dentro) ao portal anterior. Quanto mais medial for a punção, mais perto deles.

A lesão causa dormência ou queimação na frente e do lado da coxa, quadro chamado de meralgia parestésica. É a lesão de nervo mais comum na artroscopia do quadril.

Como prevenir: fazer o portal anterior um pouco mais lateral (ou usar uma variante, o portal mediotrocantérico anterior), cortar só a pele e afastar o tecido de baixo com uma pinça de ponta romba. E nunca passar da linha vertical da EIAS para dentro, onde está o feixe femoral.

Na prova: a lesão do nervo cutâneo femoral lateral ocorre com a medialização do portal anterior.

A · medialização do portal anterior

Medialização do portal anterior. Os ramos do cutâneo femoral lateral ficam por dentro desse portal, e levar a punção para medial a aproxima deles.

B · lateralização do portal anterior

Lateralizar o portal anterior o afasta dos ramos do nervo. É, inclusive, uma das formas de prevenir a lesão.

C · medialização do portal anterolateral

O portal anterolateral fica sobre o trocânter maior, longe do cutâneo femoral lateral. O nervo que preocupa nesse portal é o glúteo superior.

D · lateralização do portal anterolateral

Mexer na posição do portal anterolateral não o aproxima do cutâneo femoral lateral. O risco desse portal é o nervo glúteo superior.

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Na artroplastia total do quadril, a jump distance é a distância necessária para a cabeça femoral:

  1. sair do acetábulo e equivale à metade do seu diâmetro
  2. sair do acetábulo e equivale ao dobro do seu diâmetro
  3. percorrer até a borda do componente acetabular e equivale à metade do seu diâmetro
  4. percorrer até a borda do componente acetabular e equivale ao dobro do seu diâmetro

Gabarito: C

Conceito-chave

Na artroplastia total do quadril, a articulação é trocada por uma prótese: uma taça (o componente acetabular, com um forro de plástico ou cerâmica chamado inserto) e uma haste no fêmur com uma cabeça esférica que gira dentro da taça.

A luxação (a cabeça sair da taça) é uma das complicações mais temidas. Para entender o que protege contra ela, existe o conceito de jump distance, ou "distância de salto".

O que é: o quanto a cabeça precisa se deslocar para o lado, dentro do componente acetabular, até chegar à borda dele. Ao passar dessa borda, ela luxa.

Quanto vale: numa taça que é uma meia esfera, essa distância é igual ao raio da cabeça, ou seja, metade do diâmetro. Uma cabeça de 28 mm tem jump distance de cerca de 14 mm; uma de 36 mm, de cerca de 18 mm.

Daí vem uma regra importante: cabeças maiores são mais estáveis, porque precisam se deslocar mais antes de luxar. Além disso, uma cabeça maior em relação ao colo da haste demora mais para o colo bater na borda da taça, o que aumenta o arco de movimento antes do impacto.

O que diminui a jump distance: taças com cobertura menor que meia esfera, insertos com borda baixa, ou a taça colocada muito vertical. Insertos com uma borda elevada de um lado aumentam a distância naquele lado, mas podem facilitar o impacto do lado oposto.

Outros fatores também contam para a estabilidade: a posição correta dos componentes, o comprimento do membro, a tensão dos músculos e o reparo da cápsula.

Na prova: jump distance é o percurso da cabeça até a borda do componente acetabular, e equivale à metade do diâmetro da cabeça.

C · percorrer até a borda do componente acetabular e equivale à metade do seu diâmetro

Percorrer até a borda do componente acetabular e equivale à metade do seu diâmetro. Numa taça em meia esfera, a cabeça percorre o próprio raio até a borda, onde a estabilidade acaba.

A · sair do acetábulo e equivale à metade do seu diâmetro

A medida (metade do diâmetro) está certa, mas a referência é a borda do componente acetabular, e não "sair do acetábulo".

B · sair do acetábulo e equivale ao dobro do seu diâmetro

Erra as duas partes: a referência não é sair do acetábulo, e a distância é o raio, e não o dobro do diâmetro.

D · percorrer até a borda do componente acetabular e equivale ao dobro do seu diâmetro

A referência (a borda do componente) está certa, mas a distância é a metade do diâmetro, e não o dobro.

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Na síndrome dolorosa do quadril, no impacto femoroacetabular extra-articular posterior, frequentemente encontra-se:

  1. aumento da anteversão e aumento da rotação externa
  2. aumento da anteversão e diminuição da rotação externa
  3. diminuição da anteversão e aumento da rotação externa
  4. diminuição da anteversão e diminuição da rotação externa

Gabarito: B

Conceito-chave

O impacto no quadril acontece quando duas partes de osso se encostam de forma anormal durante o movimento, causando dor. Ele pode ser intra-articular (dentro da articulação, como o impacto femoroacetabular clássico) ou extra-articular (fora dela).

No impacto extra-articular posterior, o choque é na parte de trás do quadril. A forma mais conhecida é o impacto isquiofemoral: o pequeno trocânter (uma saliência na face interna e de trás do fêmur) ou o colo encostam no ísquio (o osso em que nos sentamos). O choque acontece principalmente quando o quadril está em extensão, adução e rotação externa.

Por que a anteversão aumentada favorece esse impacto? A anteversão femoral é o quanto o colo do fêmur aponta para a frente em relação ao resto do osso. Quando ela está aumentada, o colo já vem "girado para a frente". Assim, basta uma pequena rotação externa para a parte de trás do fêmur encostar no ísquio.

Isso também muda o exame físico. Um fêmur com anteversão aumentada tem muita rotação interna e pouca rotação externa, porque o arco de rotação se desloca. O inverso acontece quando a anteversão está diminuída (ou o colo está retrovertido): sobra rotação externa, falta rotação interna, e o que se favorece é o impacto anterior.

Outros fatores do impacto isquiofemoral: espaço estreito entre o ísquio e o fêmur na ressonância, coxa valga e sexo feminino. A ressonância costuma mostrar edema do músculo quadrado femoral, que fica espremido entre os ossos.

Na prova: impacto extra-articular posterior combina anteversão aumentada com rotação externa diminuída.

B · aumento da anteversão e diminuição da rotação externa

Aumento da anteversão e diminuição da rotação externa. O colo já girado para a frente faz a parte de trás do fêmur bater no ísquio com pouca rotação externa, que fica limitada no exame.

A · aumento da anteversão e aumento da rotação externa

A anteversão aumentada está certa, mas ela reduz a rotação externa e aumenta a interna, e não o contrário.

C · diminuição da anteversão e aumento da rotação externa

Anteversão diminuída com rotação externa aumentada é o padrão que favorece o impacto anterior, oposto ao posterior.

D · diminuição da anteversão e diminuição da rotação externa

A rotação externa diminuída está certa, mas ela é consequência do excesso de anteversão, e não da falta dela.

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Na lesão do músculo do iliopsoas, a manobra de LUDLOFF é realizada com:

  1. flexão do quadril contra resistência e joelhos fletidos
  2. extensão do quadril contra resistência e joelhos fletidos
  3. flexão do quadril contra resistência e joelhos estendidos
  4. extensão do quadril contra resistência e joelhos estendidos

Gabarito: A

Conceito-chave

O iliopsoas é o principal músculo que dobra o quadril (flexão), levantando a coxa em direção ao tronco. Ele se prende no pequeno trocânter, uma saliência na face interna do fêmur.

O problema para testá-lo é que outro músculo também ajuda a dobrar o quadril: o reto femoral, uma das quatro partes do quadríceps. O reto femoral cruza duas articulações, o quadril e o joelho.

A manobra de Ludloff usa um truque para tirar o reto femoral da jogada:

o paciente fica sentado, com os joelhos dobrados e as pernas pendentes;

pede-se que ele levante a coxa contra resistência (flexão do quadril).

Com o joelho dobrado, o reto femoral já está encurtado e perde força para dobrar o quadril. Assim, a flexão depende quase só do iliopsoas. Se o paciente sente dor ou não consegue levantar a coxa, o iliopsoas está lesado.

Onde o teste é útil:

na avulsão do pequeno trocânter no adolescente (o tendão arranca o pedaço de osso onde se prende), em que a incapacidade de levantar a coxa sentado é o sinal clássico;

nas lesões e tendinopatias do iliopsoas no adulto.

Um alerta: no adulto, uma avulsão do pequeno trocânter sem trauma importante deve fazer pensar em tumor, principalmente metástase, e precisa ser investigada.

Na prova: Ludloff é flexão do quadril contra resistência, com o paciente sentado e os joelhos fletidos.

A · flexão do quadril contra resistência e joelhos fletidos

Flexão do quadril contra resistência e joelhos fletidos. Com o joelho dobrado, o reto femoral perde eficiência e o teste isola o iliopsoas.

B · extensão do quadril contra resistência e joelhos fletidos

A extensão contra resistência testa os músculos de trás, como o glúteo máximo e os isquiotibiais. O iliopsoas é flexor.

C · flexão do quadril contra resistência e joelhos estendidos

A flexão está certa, mas com o joelho esticado o reto femoral ajuda a dobrar o quadril, e o teste deixa de isolar o iliopsoas.

D · extensão do quadril contra resistência e joelhos estendidos

Os dois componentes estão errados: a extensão não testa o iliopsoas, e o joelho esticado ainda deixa o reto femoral participar.

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A osteotomia periacetabular de Bernesse é indicada no tratamento da displasia congruente do quadril com ângulo centro borda:

  1. inferior a 20° e Tönnis grau 0
  2. superior a 20° e Tönnis grau 0
  3. inferior a 20° e Tönnis grau 2
  4. superior a 20° e Tönnis grau 2

Gabarito: A

Conceito-chave

A displasia do quadril é um acetábulo (o "soquete" da bacia) raso, que cobre mal a cabeça do fêmur. Com pouca superfície de contato, a carga fica concentrada na borda, e a cartilagem se desgasta cedo. No adulto jovem, uma forma de tratamento é reposicionar o acetábulo para que ele cubra melhor a cabeça.

A osteotomia periacetabular de Ganz, também chamada de osteotomia de Berna (a questão grafa "Bernesse"), faz exatamente isso. O cirurgião corta o osso ao redor do acetábulo e o gira, aumentando a cobertura na frente e no lado. Uma vantagem da técnica é preservar a coluna posterior da bacia, o que mantém a pelve estável.

Um ponto essencial: a osteotomia redistribui a cartilagem que o paciente já tem, mas não cria cartilagem nova. Por isso, ela só funciona quando a cartilagem ainda está boa. As indicações são:

displasia de verdade, medida pelo ângulo centro-borda de Wiberg (o ângulo que mostra quanto o teto do acetábulo cobre a cabeça) menor que 20°;

sem artrose, ou seja, Tönnis grau 0 (no máximo grau 1);

articulação congruente (a cabeça e o acetábulo se encaixam bem);

esqueleto maduro (a cartilagem de crescimento do acetábulo já fechada).

A classificação de Tönnis gradua a artrose na radiografia: 0 sem sinais; 1 pequena esclerose e discreto estreitamento; 2 pequenos cistos e estreitamento moderado; 3 cistos grandes, estreitamento acentuado e cabeça deformada. A partir do grau 2, a osteotomia rende pouco, e o caminho costuma ser a artroplastia.

Na prova: osteotomia de Ganz é para displasia (centro-borda menor que 20°) sem artrose (Tönnis 0).

A · inferior a 20° e Tönnis grau 0

Inferior a 20° e Tönnis grau 0. O ângulo baixo confirma a cobertura insuficiente, e o Tönnis 0 garante cartilagem boa para ser redistribuída.

B · superior a 20° e Tönnis grau 0

Um ângulo centro-borda acima de 20° não caracteriza displasia, então não há cobertura a corrigir.

C · inferior a 20° e Tönnis grau 2

O ângulo está certo, mas Tönnis 2 significa artrose já instalada. Girar o acetábulo não devolve a cartilagem perdida.

D · superior a 20° e Tönnis grau 2

Sem displasia e com artrose, a osteotomia não tem o que oferecer. Esse cenário costuma levar à artroplastia.

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Na anatomia da coxa, são estruturas do compartimento medial, o músculo:

  1. grácil, a artéria femoral superficial e o nervo femoral
  2. grácil, a artéria femoral profunda e o nervo obturatório
  3. adutor curto, a artéria femoral profunda e o nervo femoral
  4. adutor curto, a artéria femoral superficial e o nervo obturatório

Gabarito: B

Conceito-chave

A coxa é dividida por lâminas de tecido fibroso (as fáscias) em três compartimentos, e cada um tem seus músculos, seu nervo principal e seus vasos:

Compartimento anterior: o quadríceps (que estica o joelho) e o sartório. Nervo: femoral. O vaso que passa por ele é a artéria femoral (chamada de superficial), que desce pelo canal dos adutores.

Compartimento medial: os músculos adutores (longo, curto e magno), que aproximam a coxa da linha média, mais o grácil, o obturador externo e o pectíneo. Nervo: obturatório. Vaso principal: a artéria femoral profunda, que corre entre os adutores, além da artéria obturatória.

Compartimento posterior: os isquiotibiais (que dobram o joelho e estendem o quadril). Nervo: ciático. Recebe sangue dos ramos perfurantes da femoral profunda.

Sobre a femoral profunda: ela nasce da artéria femoral comum, alguns centímetros abaixo do ligamento inguinal (na virilha), e dá ramos importantes: as artérias circunflexas (medial e lateral), que contornam o colo do fêmur, e as perfurantes, que atravessam para o compartimento de trás. A circunflexa femoral medial é a principal fonte de sangue da cabeça do fêmur.

Duas exceções que caem em prova: o adutor magno tem dupla inervação (a parte adutora pelo obturatório e a parte de trás pelo ciático), e o pectíneo pode receber ramos do nervo femoral.

Na prova: no compartimento medial estão o grácil, a artéria femoral profunda e o nervo obturatório.

B · grácil, a artéria femoral profunda e o nervo obturatório

Grácil, a artéria femoral profunda e o nervo obturatório. São o músculo, o vaso e o nervo do compartimento medial.

A · grácil, a artéria femoral superficial e o nervo femoral

O grácil está certo, mas a artéria femoral superficial e o nervo femoral pertencem ao compartimento anterior.

C · adutor curto, a artéria femoral profunda e o nervo femoral

O adutor curto e a femoral profunda são do compartimento medial, mas o nervo desse compartimento é o obturatório, e não o femoral.

D · adutor curto, a artéria femoral superficial e o nervo obturatório

O adutor curto e o nervo obturatório estão certos, mas a artéria femoral superficial pertence ao compartimento anterior.

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Na biomecânica do quadril, a carga na cabeça do fêmur é diminuída com a:

  1. lateralização da cabeça femoral
  2. medialização da cabeça femoral
  3. anteriorização da cabeça femoral
  4. posteriorização da cabeça femoral

Gabarito: B

Conceito-chave

Para entender a carga sobre a cabeça do fêmur, imagine o quadril como uma gangorra quando você está apoiado numa perna só (como acontece a cada passo). Esse modelo foi descrito por Pauwels.

O ponto de apoio da gangorra é a cabeça do fêmur. De um lado está o peso do corpo, que tenta fazer a bacia cair para o lado da perna que está no ar. Do outro lado estão os músculos abdutores (principalmente o glúteo médio), que se prendem no trocânter maior e puxam para manter a bacia nivelada.

O problema é que os braços dessa gangorra são desiguais. A distância do peso do corpo até a cabeça é cerca de três vezes maior que a distância dos abdutores até a cabeça. Para equilibrar, os abdutores precisam fazer uma força grande, e a cabeça do fêmur recebe a soma das duas forças: cerca de três vezes o peso do corpo.

O que diminui a carga na cabeça:

medializar a cabeça (trazer o centro de rotação para dentro): encurta o braço do peso do corpo, os abdutores precisam de menos força e a carga cai;

aumentar o offset femoral (a distância lateral entre a cabeça e o eixo do fêmur): alonga o braço dos abdutores, que ficam mais eficientes;

usar bengala na mão do lado oposto ao quadril doente: ajuda a sustentar a bacia e reduz muito a carga.

Lateralizar a cabeça faz o contrário: alonga o braço do peso e aumenta a carga.

Isso explica práticas cirúrgicas: na artroplastia, o cirurgião procura medializar a taça e preservar o offset; algumas osteotomias da bacia também medializam o centro de rotação. E explica a marcha de quem tem dor no quadril: o paciente inclina o tronco sobre o lado doente, trazendo o peso do corpo para perto da cabeça.

Na prova: a carga na cabeça do fêmur diminui com a medialização da cabeça.

B · medialização da cabeça femoral

Medialização da cabeça femoral. Com a cabeça mais para dentro, o braço do peso do corpo encurta, os abdutores precisam de menos força e a carga na cabeça cai.

A · lateralização da cabeça femoral

Lateralizar a cabeça alonga o braço do peso do corpo, os abdutores fazem mais força e a carga na cabeça aumenta.

C · anteriorização da cabeça femoral

A gangorra que define a carga em apoio numa perna só está no plano frontal. Deslocar a cabeça para a frente não muda essa relação de forma importante.

D · posteriorização da cabeça femoral

Deslocar a cabeça para trás também não altera os braços da gangorra no plano frontal, e não reduz a carga como a medialização.

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Na artroplastia total do quadril, o uso de cabeças com diâmetros maiores:

  1. reduz o arco de movimento e a estabilidade
  2. amplia o arco de movimento e a estabilidade
  3. amplia o arco de movimento e reduz a estabilidade
  4. reduz o arco de movimento e aumenta a estabilidade

Gabarito: B

Conceito-chave

Na artroplastia total do quadril, a escolha do diâmetro da cabeça da prótese influencia duas coisas importantes, por mecanismos diferentes:

Arco de movimento: depende da relação cabeça-colo, ou seja, do tamanho da cabeça em comparação com a espessura do colo da haste. Com uma cabeça maior, o colo demora mais para bater na borda da taça quando o quadril se move. Assim, o quadril consegue se mover mais antes do impacto. Isso é importante porque, quando o colo bate na borda, ele funciona como uma alavanca que pode empurrar a cabeça para fora.

Estabilidade: depende da jump distance, a distância que a cabeça precisa percorrer dentro da taça até chegar à borda e luxar. Essa distância é igual ao raio da cabeça. Uma cabeça de 28 mm precisa percorrer cerca de 14 mm; uma de 36 mm, cerca de 18 mm. Quanto maior a cabeça, mais difícil luxar.

Portanto, a cabeça maior amplia o arco de movimento e aumenta a estabilidade.

Mas há um preço:

o forro de plástico (polietileno) dentro da taça fica mais fino, porque a cabeça ocupa mais espaço;

a superfície que desliza é maior, o que aumentava o desgaste nos polietilenos antigos. Com os polietilenos modernos (altamente reticulados) e cabeças de cerâmica, esse problema diminuiu muito;

nas próteses metal com metal de cabeça grande, o desgaste liberou íons metálicos e causou reações nos tecidos, e elas foram abandonadas;

cabeças grandes de metal podem causar corrosão na junção entre a cabeça e o colo (a chamada trunionose).

Na prova: cabeça maior amplia o arco de movimento e aumenta a estabilidade.

B · amplia o arco de movimento e a estabilidade

Amplia o arco de movimento e a estabilidade. A relação cabeça-colo maior adia o impacto do colo na borda, e a jump distance maior exige mais deslocamento para luxar.

A · reduz o arco de movimento e a estabilidade

É o contrário: a cabeça maior amplia o arco de movimento e aumenta a estabilidade. O que ela pode piorar é a espessura do inserto e o desgaste.

C · amplia o arco de movimento e reduz a estabilidade

O arco de movimento aumenta, mas a estabilidade também aumenta, pela jump distance maior.

D · reduz o arco de movimento e aumenta a estabilidade

A estabilidade aumenta, mas o arco de movimento também aumenta, pela melhor relação entre a cabeça e o colo.

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Na infecção pós-artroplastia, a formação do biofilme ocorre na maioria dos casos a partir de

  1. 3 dias
  2. 1 semana
  3. 2 semanas
  4. 1 mês

Gabarito: A

Conceito-chave

A infecção de uma prótese é uma das complicações mais graves da artroplastia, e o grande vilão é o biofilme. O biofilme é uma espécie de "cidade" de bactérias grudada na superfície do implante, protegida por uma camada de muco (uma matriz de açúcares) que as próprias bactérias produzem.

Como ele se forma, passo a passo:

em minutos a horas, a bactéria gruda na superfície do metal ou do plástico;

em cerca de três dias (72 horas), ela já produziu a matriz protetora: o biofilme está formado;

nas semanas seguintes, o biofilme amadurece e fica ainda mais resistente.

Por que o biofilme é tão difícil de tratar? Dentro dele, as bactérias ficam quase "dormindo", com metabolismo lento, e os antibióticos agem mal sobre bactérias paradas. A matriz também dificulta a entrada do antibiótico e impede que as células de defesa do corpo alcancem as bactérias.

Consequência para o tratamento: só é possível salvar a prótese quando a infecção é recente, antes que o biofilme amadureça. Nesse caso faz-se o DAIR (do inglês: limpeza cirúrgica, antibiótico e manutenção do implante), trocando apenas as peças que se soltam, como a cabeça e o forro de plástico. Isso vale para infecções precoces depois da cirurgia ou infecções agudas que chegaram pelo sangue, com o implante bem fixo.

Nas infecções crônicas, com biofilme maduro, é preciso retirar a prótese e colocar uma nova, numa cirurgia só ou em duas etapas (com um espaçador de cimento com antibiótico no intervalo). Alguns antibióticos agem melhor no biofilme, como a rifampicina para estafilococos, sempre associada a outro antibiótico.

Na prova: o biofilme se forma em cerca de 3 dias.

A · 3 dias

3 dias. A matriz que protege as bactérias está formada em cerca de 72 horas, o que limita o sucesso de manter a prótese às infecções muito recentes.

B · 1 semana

Em uma semana, o biofilme já está formado há alguns dias. A formação acontece antes.

C · 2 semanas

Duas semanas corresponde mais ao amadurecimento do biofilme do que à sua formação inicial.

D · 1 mês

Com um mês, o biofilme está totalmente estabelecido. É o cenário de infecção crônica, que exige retirar a prótese.

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Na necrose asséptica da cabeça do fêmur, a osteotomia proximal do fêmur tem melhor indicação:

  1. nas lesões pós traumáticas
  2. nos estágios 1 e 2 de FICAT e ARLET
  3. nos pacientes com idade inferior a 65 anos
  4. nas lesões menores que 50% da cabeça femoral

Gabarito: D

Conceito-chave

A necrose avascular (ou osteonecrose) da cabeça do fêmur é a morte de uma parte do osso da cabeça por falta de sangue. A área morta perde resistência e, com o tempo, afunda (colapso), deformando a cabeça e levando à artrose. Acontece sobretudo em adultos jovens, associada a uso de corticoide, álcool e traumas.

Uma das opções para pacientes jovens é a osteotomia do fêmur proximal. A ideia é girar ou inclinar a parte de cima do fêmur para que a área necrosada saia da região que recebe peso, e uma área de osso sadio passe a sustentar a carga. Existem osteotomias que mudam o ângulo (flexão, varo ou valgo) e outras que giram a cabeça (como a de Sugioka).

Para isso funcionar, a lesão precisa ser pequena. Se a necrose ocupa mais da metade da cabeça, não sobra osso sadio suficiente para colocar na área de carga, e a osteotomia falha. Por isso a melhor indicação é a lesão menor que 50% da cabeça.

Outros critérios do bom candidato: paciente jovem (geralmente abaixo de 40 a 45 anos), colapso ausente ou pequeno, sem artrose, e uma causa que não continue agindo (por exemplo, quem não vai precisar manter o corticoide).

Como se escolhe o tratamento:

antes do colapso, com lesão pequena: descompressão do núcleo (perfurar a cabeça para aliviar a pressão e estimular a reparação), às vezes com enxerto;

colapso pequeno, lesão menor que metade da cabeça, paciente jovem: osteotomia ou enxerto vascularizado de fíbula;

colapso extenso ou artrose: artroplastia.

Na prova: a osteotomia na osteonecrose da cabeça femoral é mais bem indicada nas lesões menores que 50% da cabeça.

D · nas lesões menores que 50% da cabeça femoral

Nas lesões menores que 50% da cabeça femoral. Só uma lesão pequena pode ser girada para fora da área de carga, deixando osso sadio no lugar.

A · nas lesões pós traumáticas

As lesões pós-traumáticas somam dano à circulação e deformidades, e a osteotomia costuma ter resultados piores nelas.

B · nos estágios 1 e 2 de FICAT e ARLET

Nos estágios iniciais, antes do colapso, o tratamento habitual é a descompressão do núcleo, e não a osteotomia.

C · nos pacientes com idade inferior a 65 anos

A osteotomia é uma cirurgia de paciente jovem, bem abaixo de 65 anos. Em pacientes mais velhos, a artroplastia dá resultados melhores.

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Na fratura periprotética intra-operatória do fêmur após artroplastia total do quadril, a classificação de VANCOUVER tipo B1 significa:

  1. fratura sem desvio da diáfise
  2. perfuração cortical da diáfise
  3. perfuração cortical da metáfise
  4. fratura sem desvio da metáfise

Gabarito: B

Conceito-chave

Uma fratura periprotética é uma fratura do osso ao redor de uma prótese. No fêmur, ela pode acontecer durante a cirurgia, principalmente quando o cirurgião encaixa uma haste sem cimento, que precisa entrar sob pressão no canal do osso. O risco é maior com osso fraco (osteoporose), em revisões e quando o fêmur já tem alguma deformidade.

A classificação de Vancouver tem duas versões: uma para as fraturas que aparecem depois da cirurgia, e outra para as que acontecem durante ela (a classificação intraoperatória, de Masri e Duncan). A questão trata desta última.

Ela combina uma letra e um número:

A letra diz onde:

A: na metáfise proximal, a parte de cima do fêmur, alargada;

B: na diáfise, o corpo do osso, ao longo da haste;

C: abaixo da ponta da haste.

O número diz o tipo de dano:

1: perfuração da cortical (a parede do osso);

2: fratura sem desvio;

3: fratura desviada ou instável.

Assim, B1 é uma perfuração cortical na diáfise.

A conduta acompanha a gravidade: nas perfurações, coloca-se enxerto no orifício e usa-se uma haste que passe além dele; nas fraturas sem desvio, amarra-se o osso com cerclagens (fios ou cabos em volta); nas desviadas, reduz-se e fixa-se a fratura, geralmente com haste longa.

Na prova: Vancouver intraoperatória B1 é perfuração cortical da diáfise.

B · perfuração cortical da diáfise

Perfuração cortical da diáfise. A letra B indica a diáfise, e o número 1 indica perfuração da cortical.

A · fratura sem desvio da diáfise

A fratura sem desvio da diáfise é o tipo B2.

C · perfuração cortical da metáfise

A perfuração cortical na metáfise é o tipo A1.

D · fratura sem desvio da metáfise

A fratura sem desvio na metáfise é o tipo A2.

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Na osteotomia valgizante do fêmur proximal, a radiografia em AP necessária para seu planejamento deve ser realizada em

  1. adução máxima, para verificar a extrusão da cabeça.
  2. abdução máxima, para verificar a extrusão da cabeça.
  3. adução máxima, para verificar a centralização da cabeça.
  4. abdução máxima, para verificar a centralização da cabeça.

Gabarito: C

Conceito-chave

As osteotomias do fêmur proximal mudam o ângulo entre o colo e o corpo do fêmur, chamado de ângulo cervicodiafisário. Na valgizante, esse ângulo aumenta (o colo fica mais "em pé"); na varizante, ele diminui (o colo fica mais "deitado").

Antes de operar, o cirurgião quer saber se a mudança vai realmente ajudar. Para isso, faz uma radiografia de frente (AP) com a coxa numa posição que imita o efeito da cirurgia, e observa como a cabeça fica dentro do acetábulo.

Por que a adução imita a valgização? Quando a coxa é levada para dentro (adução), o corpo do fêmur se inclina em relação à cabeça, como se o ângulo entre o colo e a diáfise tivesse aumentado. É o mesmo efeito da osteotomia valgizante. Do mesmo modo, a abdução (coxa para fora) imita a varização.

O que se procura na radiografia? Que a cabeça fique centralizada no acetábulo e que as superfícies se encaixem melhor (melhor congruência), com o espaço articular mais uniforme. Se isso acontece na posição de teste, a osteotomia tende a funcionar.

Indicações clássicas:

valgizante: coxa vara (congênita ou depois da doença de Perthes) e pseudartrose do colo do fêmur. Nesta última, a valgização deixa o traço da fratura mais horizontal, transformando forças de cisalhamento em compressão, o que favorece a consolidação (princípio de Pauwels);

varizante: displasia com coxa valga e doença de Perthes, para "conter" a cabeça dentro do acetábulo.

Na prova: para a osteotomia valgizante, faz-se a radiografia em adução máxima para ver a centralização da cabeça.

C · adução máxima, para verificar a centralização da cabeça.

Adução máxima, para verificar a centralização da cabeça. A adução imita a valgização, e o que se busca é a cabeça centralizada e bem encaixada.

A · adução máxima, para verificar a extrusão da cabeça.

A posição está certa, mas o objetivo é ver a centralização da cabeça, e não a extrusão (a cabeça saindo para fora).

B · abdução máxima, para verificar a extrusão da cabeça.

A abdução imita a osteotomia oposta, a varizante, e o objetivo também não é ver a extrusão.

D · abdução máxima, para verificar a centralização da cabeça.

O objetivo de ver a centralização está certo, mas a abdução simula a varização, e não a valgização.

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No acesso posterior ao quadril, a estrutura vascular que deve ser preservada para manutenção da viabilidade da cabeça femoral é o ramo

  1. transverso da artéria circunflexa lateral.
  2. transverso da artéria circunflexa medial.
  3. ascendente da artéria circunflexa medial.
  4. descendente da artéria circunflexa lateral.

Gabarito: C

Conceito-chave

A cabeça do fêmur recebe sangue por poucos caminhos, e o principal deles corre justamente pela parte de trás do quadril. Por isso, quem opera pelo acesso posterior precisa conhecer esse vaso.

A principal artéria da cabeça femoral no adulto é o ramo profundo, ou ascendente, da artéria circunflexa femoral medial. Seu trajeto:

ela contorna o fêmur por trás, passando entre o músculo obturador externo e o quadrado femoral;

sobe por trás do colo, ficando atrás do tendão do obturador externo e à frente dos pequenos músculos rotadores (gêmeos e obturador interno);

entra na cápsula na parte de cima e de trás do colo e se divide nos vasos retinaculares, que correm sobre o colo até a cabeça.

Há outras fontes menores: a artéria do ligamento redondo (que vem da obturatória), ramos da circunflexa lateral e da glútea inferior. Mas elas não sustentam a cabeça sozinhas.

Regras para proteger o vaso no acesso posterior:

não soltar o quadrado femoral, porque o vaso corre junto dele;

cortar os rotadores curtos a mais de 1,5 cm de sua inserção no trocânter;

preservar o tendão do obturador externo, que protege o vaso.

Toda a técnica de luxação cirúrgica do quadril de Ganz foi desenhada para preservar essa artéria.

Na prova: no acesso posterior, preserva-se o ramo ascendente (profundo) da circunflexa femoral medial.

C · ascendente da artéria circunflexa medial.

Ascendente da artéria circunflexa medial. É a principal fonte de sangue da cabeça femoral no adulto e corre pela região posterior do quadril.

A · transverso da artéria circunflexa lateral.

A circunflexa lateral irriga principalmente o trocânter e a parte da frente do fêmur. Seu ramo transverso não é o responsável pela cabeça.

B · transverso da artéria circunflexa medial.

A artéria (circunflexa medial) está certa, mas o ramo que sobe para formar os vasos da cabeça é o ascendente (profundo), e não o transverso.

D · descendente da artéria circunflexa lateral.

O ramo descendente da circunflexa lateral desce pela coxa e irriga o músculo vasto lateral, e não a cabeça femoral.

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Na osteíte púbica, o sinal de fenda (cleft signal) observado na ressonância magnética decorre da

  1. aderência na parede média por mioma uterino.
  2. tendinose insercional do músculo reto do abdome.
  3. tendinose insercional do músculo adutor magno no púbis.
  4. lesão do ligamento capsular que envolve o disco fibrocartilaginoso.

Gabarito: D

Conceito-chave

A sínfise púbica é a articulação da frente da bacia, onde os dois ossos púbicos se encontram. Entre eles existe um disco de fibrocartilagem, parecido com um disco da coluna, envolvido por ligamentos e por uma cápsula fibrosa. Sobre a sínfise se prendem dois grupos de músculos que puxam em sentidos opostos: o reto do abdome, por cima, e o adutor longo (um músculo da parte de dentro da coxa), por baixo. Os dois formam uma aponeurose comum, uma lâmina fibrosa contínua.

Em atletas que chutam, correm e mudam de direção com frequência (como jogadores de futebol), essa região sofre sobrecarga repetida. Isso causa a pubalgia e a osteíte púbica, que é a inflamação do osso ao lado da sínfise.

Na ressonância magnética, um achado característico é o sinal da fenda (cleft sign). Ele aparece quando o ligamento capsular que envolve o disco se rompe. O líquido então penetra entre o disco e o envoltório, formando uma linha brilhante na imagem.

Primário: a fenda fica dentro do disco, na linha média.

Secundário: ela se estende para baixo e para o lado, em direção à origem dos adutores, indicando lesão da aponeurose entre o reto do abdome e o adutor longo.

Outros achados da pubalgia na ressonância são o edema do osso ao lado da sínfise (a osteíte púbica) e a lesão ou tendinopatia do adutor longo.

Na prova: o sinal da fenda resulta da lesão do ligamento capsular que envolve o disco fibrocartilaginoso.

D · lesão do ligamento capsular que envolve o disco fibrocartilaginoso.

Lesão do ligamento capsular que envolve o disco fibrocartilaginoso. Com o envoltório rompido, o líquido entra entre ele e o disco, e a ressonância mostra a fenda.

A · aderência na parede média por mioma uterino.

O mioma uterino é uma doença ginecológica e não produz alterações no disco da sínfise púbica.

B · tendinose insercional do músculo reto do abdome.

A tendinose do reto do abdome faz parte do quadro da pubalgia do atleta, mas o sinal da fenda depende da ruptura capsular.

C · tendinose insercional do músculo adutor magno no púbis.

O adutor que se prende junto à sínfise é o longo, e não o magno. E a tendinose não é o que forma o sinal da fenda.

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Na artroplastia total do quadril, durante a cimentação, a complicação que diminuiu consideravelmente com a melhora das técnicas de anestesia foi

  1. o broncoespasmo.
  2. a queda da pressão arterial.
  3. a trombose venosa profunda.
  4. o tromboembolismo pulmonar.

Gabarito: B

Conceito-chave

Nas artroplastias com haste cimentada, o cimento ósseo é empurrado sob pressão para dentro do canal do fêmur, e depois a haste é introduzida. Nesse momento pode acontecer a síndrome da implantação do cimento.

O que acontece: a pressão empurra gordura, medula e ar do canal para dentro das veias, e esses pequenos êmbolos vão para o pulmão. Além disso, são liberadas substâncias inflamatórias. O resultado é:

queda da pressão arterial (hipotensão), a manifestação central;

queda da oxigenação;

arritmias e, nos casos graves, parada cardíaca.

O risco é maior em idosos, em pacientes operados por fratura do colo do fêmur e em quem já tem doença do coração ou do pulmão.

O que reduziu essa complicação:

condutas anestésicas: deixar o paciente bem hidratado antes da cimentação, monitorar de perto e aumentar a oferta de oxigênio;

comunicação: o cirurgião avisa o anestesista no momento exato da cimentação;

técnica cirúrgica: lavar bem o canal com jato pulsátil, secá-lo e aliviar a pressão dentro do osso.

Vale não confundir com a trombose venosa profunda e a embolia pulmonar, que são outras complicações da artroplastia, mas diminuíram por outro motivo: o uso de remédios anticoagulantes de profilaxia e a mobilização precoce do paciente.

Na prova: a queda da pressão arterial durante a cimentação diminuiu com a melhora das técnicas de anestesia.

B · a queda da pressão arterial.

A queda da pressão arterial. É o evento central da síndrome da implantação do cimento, e o preparo do anestesista reduziu muito sua frequência e gravidade.

A · o broncoespasmo.

O broncoespasmo não é a manifestação típica da cimentação. A síndrome causa sobretudo hipotensão e queda da oxigenação.

C · a trombose venosa profunda.

A trombose venosa profunda diminuiu graças à profilaxia com anticoagulantes e à mobilização precoce, e não a condutas anestésicas na cimentação.

D · o tromboembolismo pulmonar.

O tromboembolismo pulmonar também diminuiu pela profilaxia, e não é o evento da cimentação que a anestesia controlou.

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O músculo vasto lateral é inervado e vascularizado, respectivamente, pelo nervo

  1. femoral e artéria femoral profunda.
  2. obturador e artéria femoral profunda.
  3. femoral e artéria femoral superficial.
  4. obturador e artéria femoral superficial.

Gabarito: A

Conceito-chave

O vasto lateral é a parte do quadríceps que fica do lado de fora da coxa. O quadríceps é o grande músculo da frente da coxa, formado por quatro partes (reto femoral, vasto lateral, vasto medial e vasto intermédio), e sua função é esticar o joelho.

Inervação: todo o quadríceps é inervado pelo nervo femoral, o nervo do compartimento anterior da coxa.

Irrigação: o vasto lateral recebe sangue principalmente do ramo descendente da artéria circunflexa femoral lateral, que nasce da artéria femoral profunda.

Vale entender a divisão de trabalho entre as duas artérias da coxa:

a femoral profunda é a que irriga os músculos da coxa. Dela saem as circunflexas (medial e lateral) e as perfurantes;

a femoral superficial é uma artéria de passagem. Ela desce pela coxa, atravessa o canal dos adutores praticamente sem dar ramos para os músculos e, atrás do joelho, vira a artéria poplítea, que vai irrigar a perna.

Esses detalhes têm uso prático. O ramo descendente da circunflexa lateral é o vaso do retalho anterolateral da coxa, muito usado em cirurgia reconstrutiva. E nos acessos ao fêmur pelo lado de fora, os ramos perfurantes atravessam o vasto lateral e precisam ser ligados ou cauterizados para não sangrar.

O nervo obturatório, citado em algumas alternativas, inerva o compartimento medial (os adutores e o grácil), e não o quadríceps.

Na prova: o vasto lateral é inervado pelo nervo femoral e irrigado pela femoral profunda.

A · femoral e artéria femoral profunda.

Femoral e artéria femoral profunda. O nervo femoral inerva todo o quadríceps, e o sangue chega pelo ramo descendente da circunflexa lateral, ramo da femoral profunda.

B · obturador e artéria femoral profunda.

A artéria está certa, mas o nervo obturatório inerva os adutores e o grácil, no compartimento medial, e não o quadríceps.

C · femoral e artéria femoral superficial.

O nervo está certo, mas a femoral superficial atravessa a coxa quase sem ramos para os músculos e vai irrigar a perna.

D · obturador e artéria femoral superficial.

Os dois estão errados: o obturatório não inerva o quadríceps, e a femoral superficial não é a artéria do vasto lateral.

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Na osteotomia de CHIARI do quadril, a complicação hemorrágica mais frequente ocorre por lesão da artéria

  1. glútea inferior.
  2. glútea superior.
  3. circunflexa femoral lateral.
  4. circunflexa femoral medial.

Gabarito: B

Conceito-chave

A osteotomia de Chiari é uma cirurgia da bacia usada em quadris com displasia (acetábulo raso) quando não é mais possível simplesmente girar o acetábulo para cobrir a cabeça. O cirurgião faz um corte no osso ilíaco logo acima do acetábulo e empurra para dentro (medializa) a parte de baixo, onde está a cabeça. Assim, o osso ilíaco de cima passa a funcionar como um teto sobre a cabeça, com a cápsula da articulação entre os dois. Com o tempo, essa cápsula se transforma em um tecido parecido com cartilagem. É considerada uma cirurgia de salvação.

Onde está o perigo? O corte atravessa o ilíaco de fora para dentro e termina na incisura isquiática maior, uma abertura grande na parte de trás da bacia por onde várias estruturas saem da pelve para a nádega. Elas se organizam em relação a um músculo, o piriforme:

acima do piriforme saem a artéria glútea superior e o nervo glúteo superior;

abaixo do piriforme saem a artéria e o nervo glúteos inferiores, o nervo ciático, o nervo pudendo e outros.

Como o corte da Chiari chega justamente à borda de cima da incisura, a estrutura em risco é a artéria glútea superior. Se a serra avança demais, o vaso é cortado e o coto se retrai para dentro da pelve, com um sangramento difícil de controlar. O nervo glúteo superior, que acompanha a artéria, também pode ser lesado, enfraquecendo os músculos abdutores.

Na prova: na osteotomia de Chiari, a lesão hemorrágica mais frequente é da artéria glútea superior.

B · glútea superior.

Glútea superior. O corte termina na incisura isquiática maior, por onde essa artéria sai da pelve acima do piriforme.

A · glútea inferior.

A artéria glútea inferior sai da pelve abaixo do piriforme, longe do trajeto do corte acima do acetábulo.

C · circunflexa femoral lateral.

A circunflexa femoral lateral irriga o trocânter e a parte da frente do fêmur, e não está no caminho de um corte no osso ilíaco.

D · circunflexa femoral medial.

A circunflexa femoral medial irriga a cabeça do fêmur pela parte de trás do colo, e não tem relação com a osteotomia do ilíaco.

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A ruptura do tendão do glúteo médio é mais frequente em

  1. Homens acima de 50 anos de idade
  2. mulheres acima de 50 anos de idade
  3. homens abaixo de 50 anos de idade
  4. mulheres abaixo de 50 anos de idade

Gabarito: B

Conceito-chave

O glúteo médio e o glúteo mínimo são os principais abdutores do quadril, os músculos que afastam a coxa da linha média e, mais importante, mantêm a bacia nivelada quando apoiamos numa perna só. Seus tendões se prendem no trocânter maior, a saliência do lado de fora do quadril.

Esses tendões funcionam de forma muito parecida com o manguito rotador do ombro, e por isso o conjunto é chamado de "manguito rotador do quadril". Assim como no ombro, as lesões são principalmente degenerativas: o tendão vai se desgastando com os anos até se romper.

Quem tem: principalmente mulheres acima de 50 anos, numa proporção bem maior que a dos homens. Algumas explicações: a bacia feminina é mais larga, o que aumenta a carga sobre os abdutores, e a queda dos hormônios femininos na menopausa parece afetar a qualidade do tendão.

Quadro clínico:

dor do lado de fora do quadril, que piora ao deitar sobre aquele lado e ao subir escadas;

fraqueza para afastar a coxa;

nas lesões grandes, a bacia cai para o lado oposto ao andar (sinal de Trendelenburg).

Por muitos anos esses pacientes são tratados como "bursite trocantérica", mas na maioria das vezes o problema está no tendão. A ultrassonografia ou a ressonância confirmam.

Tratamento: fisioterapia com fortalecimento e perda de peso. Infiltrações repetidas de corticoide devem ser evitadas, porque enfraquecem o tendão. Nas rupturas com sintomas que não melhoram, faz-se o reparo cirúrgico, aberto ou por endoscopia.

Na prova: a ruptura do glúteo médio é mais frequente em mulheres acima de 50 anos.

B · mulheres acima de 50 anos de idade

Mulheres acima de 50 anos de idade. É o perfil da lesão degenerativa dos tendões abdutores, como no manguito rotador do ombro.

A · Homens acima de 50 anos de idade

A faixa etária está certa, mas a lesão predomina claramente nas mulheres.

C · homens abaixo de 50 anos de idade

Abaixo dos 50 anos a ruptura degenerativa é incomum, e a lesão predomina nas mulheres.

D · mulheres abaixo de 50 anos de idade

O sexo está certo, mas abaixo dos 50 anos a lesão degenerativa não é a apresentação típica.

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Na biomecânica do quadril, o ligamento isquiofemoral controla a:

  1. adução
  2. abdução
  3. rotação lateral
  4. rotação medial

Gabarito: D

Conceito-chave

A cápsula do quadril é reforçada por três ligamentos principais, cada um num lado da articulação e cada um limitando um movimento:

Iliofemoral (em forma de Y, também chamado de ligamento de Bigelow): fica na frente. É o ligamento mais forte do corpo. Limita a extensão e a rotação externa.

Pubofemoral: fica na frente e embaixo. Limita a abdução (afastar a coxa) e a rotação externa.

Isquiofemoral: é o único que fica na parte de trás. Vai do ísquio (o osso em que nos sentamos) até o colo do fêmur, passando por trás. Quando o fêmur gira para dentro, ele se estica. Por isso limita a rotação medial (interna).

Existe ainda a zona orbicular, um anel de fibras em volta do colo que resiste a que a cabeça seja puxada para fora.

Uma curiosidade útil: os três ligamentos se enrolam em espiral ao redor do colo. Quando o quadril está esticado (extensão), todos ficam tensos ao mesmo tempo. Essa é a posição mais estável do quadril. É por isso que conseguimos ficar em pé "pendurados" no iliofemoral, quase sem esforço dos músculos.

A consequência clínica é o inverso: a posição mais instável é a de flexão, adução e rotação interna. É a posição do joelho batendo no painel do carro num acidente, que causa a luxação posterior do quadril. Na artroplastia feita pela via posterior, reparar a cápsula de trás (onde está o isquiofemoral) ajuda a evitar que a prótese luxe.

Na prova: o ligamento isquiofemoral, posterior, controla a rotação medial.

D · rotação medial

Rotação medial. O isquiofemoral passa por trás do colo e se estica quando o fêmur gira para dentro, limitando esse movimento.

A · adução

A adução é limitada principalmente pelo contato ósseo e pelas partes moles do lado de fora. O isquiofemoral só ajuda com o quadril dobrado.

B · abdução

A abdução é limitada principalmente pelo ligamento pubofemoral, que fica na frente e embaixo.

C · rotação lateral

A rotação lateral é freada pelos ligamentos da frente, o iliofemoral e o pubofemoral. O isquiofemoral relaxa nesse movimento.

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A OTTO pelvis é caracterizada por ser:

  1. primária e bilateral.
  2. primária e unilateral.
  3. secundária e bilateral.
  4. secundária e unilateral.

Gabarito: A

Conceito-chave

A protrusão acetabular é uma condição em que o fundo do acetábulo (o "soquete" da bacia) afunda para dentro da pelve, levando a cabeça do fêmur junto. Na radiografia, o fundo do acetábulo ultrapassa uma linha de referência chamada linha ilioisquiática.

Ela pode ser de dois tipos:

Primária: sem uma causa identificável (idiopática). É a chamada pelve de Otto. É caracteristicamente bilateral, ou seja, acontece nos dois quadris, e é mais comum em mulheres jovens.

Secundária: tem uma doença por trás que enfraquece o osso ou a articulação, como a artrite reumatoide, as espondiloartrites, a doença de Paget, a osteomalácia (osso mole por falta de vitamina D), a síndrome de Marfan, traumas e infecções. Ela acompanha o lado doente e pode ser de um lado só.

Evolução: o quadril vai perdendo a rotação e a abdução (afastar a coxa) e desenvolve artrose cedo.

Tratamento: na criança, é possível frear a protrusão fechando a cartilagem de crescimento do fundo do acetábulo (a cartilagem trirradiada). No adulto com artrose, faz-se a artroplastia, colocando enxerto ósseo no fundo do acetábulo para reconstruí-lo e trazer o centro de rotação de volta ao lugar, às vezes com anéis de reforço.

Na prova: a pelve de Otto é a protrusão acetabular primária e bilateral.

A · primária e bilateral.

Primária e bilateral. A pelve de Otto é a protrusão acetabular sem causa definida, que acomete os dois quadris.

B · primária e unilateral.

A forma primária não costuma ser de um lado só. Protrusão unilateral sugere uma causa secundária, como trauma, infecção ou doença localizada.

C · secundária e bilateral.

A bilateralidade está certa, mas a pelve de Otto é primária por definição. Protrusão com causa identificada é secundária.

D · secundária e unilateral.

As duas características estão erradas: a pelve de Otto é primária e bilateral.

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O quadril em ressalto interno decorre do atrito entre a eminência iliopectínea e o tendão do:

  1. iliopsoas
  2. pectíneo
  3. adutor longo
  4. obturador interno

Gabarito: A

Conceito-chave

O quadril em ressalto (o "quadril que estala") é a sensação de um estalo durante o movimento do quadril. Existem dois tipos principais, conforme o tendão envolvido:

Ressalto externo: a banda iliotibial (uma faixa fibrosa grossa do lado de fora da coxa) ou a borda do glúteo máximo escorrega sobre o trocânter maior. O estalo é visível e palpável do lado de fora do quadril.

Ressalto interno: o tendão do iliopsoas (o principal músculo que dobra o quadril) salta sobre a eminência iliopectínea, uma saliência óssea na frente da bacia, ou sobre a cabeça do fêmur. O estalo costuma ser ouvido e sentido na virilha. A manobra que o reproduz é levar o quadril da posição dobrada, aberta e girada para fora até a posição esticada, fechada e girada para dentro.

O ressalto interno é comum em bailarinos e atletas e muitas vezes não dói. A ultrassonografia feita com o quadril em movimento mostra o tendão saltando.

Tratamento: alongamento e fortalecimento. Nos casos dolorosos que não melhoram, faz-se o alongamento ou a liberação do tendão do iliopsoas por endoscopia.

Há ainda o ressalto intra-articular, de dentro da articulação, causado por lesão do lábio ou por fragmentos soltos. Ele costuma vir com dor e sensação de travamento, diferente dos outros dois.

Na prova: o ressalto interno é o atrito do iliopsoas sobre a eminência iliopectínea.

A · iliopsoas

Iliopsoas. Seu tendão passa sobre a eminência iliopectínea e salta sobre ela ao sair da flexão para a extensão, com estalo na virilha.

B · pectíneo

O pectíneo não tem um tendão longo que cruze a eminência iliopectínea, e não causa o ressalto interno.

C · adutor longo

O adutor longo se prende no púbis e no fêmur e não passa sobre a eminência iliopectínea.

D · obturador interno

O obturador interno é um rotador externo profundo, na parte de trás do quadril, e não participa do ressalto da frente.

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As fraturas periprotéticas do fêmur classificadas como B2 (VANCOUVER) têm como tratamento preferencial a:

  1. imobilização e repouso
  2. fixação in situ com fios ou cabos de cerclagem
  3. redução aberta e osteossíntese com placa bloqueada
  4. revisão com troca por componente femoral mais longo

Gabarito: D

Conceito-chave

As fraturas periprotéticas do fêmur que acontecem depois de uma artroplastia do quadril são classificadas pela classificação de Vancouver. O tipo B é a fratura ao redor da haste, e é dividido conforme duas perguntas: a haste está firme ou solta? E como está o osso?

B1: haste firme, osso bom. Basta fixar a fratura, geralmente com placa bloqueada e cabos em volta do osso (cerclagens).

B2: haste solta, mas osso ainda bom. O problema principal não é só a fratura: a haste perdeu a fixação. Por isso o tratamento é a revisão, trocando a haste por outra mais longa, que passe além da fratura e se fixe na parte de baixo do fêmur, que está íntegra.

B3: haste solta e osso ruim, com muita perda óssea. Precisa de revisão com enxertos, às vezes com osso de banco ou com próteses especiais.

Por que não basta fixar a fratura no B2? Porque a haste continuaria solta dentro do osso, e o conjunto voltaria a falhar. A haste nova deve ultrapassar o traço da fratura em pelo menos duas vezes a largura do osso.

Como saber se a haste está solta? Pelas radiografias antigas (afundamento da haste ou uma linha escura ao redor dela), por dor na coxa antes da queda, por um traço de fratura que passa pela interface entre o osso e o implante, e pelo teste da estabilidade durante a cirurgia.

Na prova: Vancouver B2 se trata com revisão por uma haste mais longa.

D · revisão com troca por componente femoral mais longo

Revisão com troca por componente femoral mais longo. No B2 a haste está solta; a haste longa ultrapassa a fratura e se fixa no osso íntegro, resolvendo o implante e a fratura juntos.

A · imobilização e repouso

Imobilização e repouso não resolvem uma haste solta dentro de um fêmur fraturado. O resultado seria dor, falta de consolidação e perda de função.

B · fixação in situ com fios ou cabos de cerclagem

Os cabos isolados servem para fraturas sem desvio ao redor de uma haste firme. Com a haste solta, não bastam.

C · redução aberta e osteossíntese com placa bloqueada

A placa fixa a fratura, mas a haste continua solta. É a conduta do tipo B1, com a haste firme.

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No impacto femoroacetabular do tipo CAM, a lesão em contragolpe é mais comumente encontrada nas regiões:

  1. anterior da cabeça do fêmur e anterior do acetábulo
  2. lateral da cabeça do fêmur e anterolateral do acetábulo
  3. lateral da cabeça do fêmur e posterolateral do acetábulo
  4. posterior da cabeça do fêmur e posteroinferior do acetábulo

Gabarito: D

Conceito-chave

O impacto femoroacetabular é um conflito entre o fêmur e a borda do acetábulo, que acontece quando o quadril dobra e gira. Ele tem dois tipos principais:

Tipo came (cam): a junção entre a cabeça e o colo do fêmur não é redonda; existe uma "giba", um ressalto de osso na parte da frente e de cima. Quando o quadril dobra, essa giba entra no acetábulo e machuca a cartilagem. É mais comum em homens jovens e atletas.

Tipo pincer (pinça): o acetábulo cobre demais a cabeça, por ser muito fundo ou estar virado para trás. A borda do acetábulo bate no colo. É mais comum em mulheres de meia-idade.

O que é a lesão em contragolpe? Quando o colo bate na borda da frente e de cima do acetábulo, essa borda funciona como um ponto de apoio de alavanca. A cabeça é então alavancada para trás e para baixo, e sofre um choque do lado oposto ao do impacto. Por isso a cartilagem se lesa na parte de trás da cabeça e na região posteroinferior do acetábulo (atrás e embaixo).

Esse mecanismo foi descrito principalmente no tipo pincer, mas a localização da lesão em contragolpe é a mesma.

Diagnóstico: o teste FADIR (flexão, adução e rotação interna do quadril) provoca dor. Na imagem, o tipo came mostra um aumento do ângulo alfa (que mede a giba), e o tipo pincer mostra sinais de cobertura excessiva.

Na prova: a lesão em contragolpe fica na parte posterior da cabeça e na região posteroinferior do acetábulo.

D · posterior da cabeça do fêmur e posteroinferior do acetábulo

Posterior da cabeça do fêmur e posteroinferior do acetábulo. O impacto é na frente e em cima; a cabeça é alavancada e se lesa do lado oposto, atrás e embaixo.

A · anterior da cabeça do fêmur e anterior do acetábulo

A frente da cabeça e a frente do acetábulo são a zona do próprio impacto, e não do contragolpe, que fica do lado oposto.

B · lateral da cabeça do fêmur e anterolateral do acetábulo

A parte lateral da cabeça e a anterolateral do acetábulo também correspondem à região do choque principal.

C · lateral da cabeça do fêmur e posterolateral do acetábulo

No contragolpe, a parte da cabeça lesada é a de trás, e não a lateral, e a região do acetábulo é a posteroinferior.

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Na osteonecrose da cabeça do fêmur classificada segundo STEINBERG, o sinal do crescente acometendo 20% da superfície articular corresponde ao estágio:

  1. IIB
  2. IIC
  3. IIIB
  4. IIIC

Gabarito: C

Conceito-chave

A osteonecrose da cabeça do fêmur é a morte de uma parte do osso da cabeça por falta de sangue. A classificação de Steinberg (da Universidade da Pensilvânia) gradua a doença combinando dois dados independentes: a fase da doença (um número romano) e o tamanho da área afetada (uma letra). Por separar os dois, ela ajuda bastante a prever a evolução.

As fases (números):

0: todos os exames normais;

I: radiografia normal, mas a ressonância ou a cintilografia já mostram a lesão;

II: a radiografia mostra áreas mais densas (esclerose) e cistos, mas o osso ainda não afundou;

III: aparece o sinal do crescente, uma linha escura em forma de lua crescente logo abaixo da cartilagem. Ela é uma fratura do osso de baixo da cartilagem, mas a cabeça ainda não está achatada;

IV: a cabeça está achatada;

V: o espaço da articulação diminui, às vezes com alterações no acetábulo;

VI: artrose avançada.

O tamanho (letras):

A: menos de 15%;

B: entre 15% e 30%;

C: mais de 30%.

Aplicando à questão: sinal do crescente é a fase III; acometimento de 20% fica entre 15% e 30%, ou seja, B. O resultado é IIIB.

Por que o crescente importa? Ele marca a fratura abaixo da cartilagem. A partir daí, a perfuração da cabeça para aliviar a pressão (descompressão) funciona pouco, e a cabeça tende a afundar.

Na prova: sinal do crescente com 20% da superfície é Steinberg IIIB.

C · IIIB

IIIB. O sinal do crescente define a fase III, e o acometimento de 20% corresponde à letra B (15% a 30%).

A · IIB

A fase II tem esclerose e cistos, mas ainda sem a fratura abaixo da cartilagem. O crescente já coloca a lesão na fase III.

B · IIC

A fase está errada, porque o crescente não é fase II, e a letra também, porque 20% corresponde a B, e não a C.

D · IIIC

A fase III está certa, mas a letra C é para mais de 30%, e a lesão tem 20%.

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Na osteíte do pubis, um dos achados na imagem da ressonância magnética é a tendinose do:

  1. grácil
  2. pectíneo
  3. adutor magno
  4. reto abdominal

Gabarito: D

Conceito-chave

A sínfise púbica como ponto de encontro

  • Reto do abdome puxa o púbis para cima.
  • Adutor longo puxa para baixo.
  • Os dois se unem por uma aponeurose comum (placa reto-adutora) inserida no púbis.
  • Aceleração, chute e mudança de direção sobrecarregam esse ponto.

Achados na RM da osteíte púbica / pubalgia

  • Edema ósseo parassinfisário.
  • Sinal da fenda (ruptura capsular em torno do disco).
  • Tendinose insercional do reto do abdome e do adutor longo.
  • Lesão da aponeurose reto-adutora.

Por que isso importa no tratamento

  • Tratar só os adutores costuma não resolver: o desequilíbrio envolve os abdominais.
  • Reabilitação trabalha core e adutores juntos; cirurgia (reparo da aponeurose, tenotomia do adutor longo) nos refratários.

D · reto abdominal

Metade do par reto-adutor.

  • O reto do abdome forma, com o adutor longo, a aponeurose que se insere no púbis.
  • A sobrecarga repetida produz tendinose insercional visível na RM.

A · grácil

Fora do complexo.

  • O grácil se origina no ramo do púbis, mas não compõe a aponeurose reto-adutora.

B · pectíneo

Sem participação.

  • O pectíneo é flexor e adutor, mas não integra o complexo típico da osteíte púbica.

C · adutor magno

Adutor errado.

  • O adutor envolvido é o longo, que converge para a sínfise.
  • O magno se origina no ísquio e no ramo isquiopúbico.

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