Segundo Charnley, a pseudartrose trocantérica decorre da falha em obter e manter a fixação durante um período crítico pós-operatório de:
- 72 horas, em duas fases: necrose sob os fios e tração vertical dos abdutores.
- 6 meses, em duas fases: fadiga dos fios e migração proximal do fragmento.
- 3 semanas, em duas fases: separação pelos abdutores e cisalhamento em flexão.
- 3 meses, em duas fases: reabsorção do leito e rotação externa do fragmento.
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Conceito-chave
Por que o trocânter não consolidava
Charnley usava a osteotomia trocantérica de rotina e estudou a fundo a pseudartrose do trocânter. Concluiu que tudo se decide num período crítico de 3 semanas após a cirurgia, em duas fases.
| Fase | O que acontece | Consequência |
|---|---|---|
| 1. Separação | os fios comprimem as partes moles contra o osso; esse tecido necrosa e se desfaz | o fio fica frouxo na espessura do tecido perdido, e a tração dos abdutores separa a osteotomia |
| 2. Cisalhamento | o paciente começa a fletir o quadril | glúteos médio e mínimo, inseridos nas margens superior e anterior do trocânter, passam a puxar o fragmento para a frente: deslizamento para frente e para trás |
O desfecho
O movimento repetido de vaivém desgasta a superfície de osso esponjoso e, com o tempo, provoca fratura por fadiga dos fios. O trocânter migra e não consolida. A fadiga dos fios, portanto, é a consequência final, e não uma das duas fases.
Um detalhe histórico revelador
No início, Charnley imobilizava os pacientes em gesso pelvipodálico e não tinha pseudartrose. O problema surgiu quando passou a mobilizá-los cedo. Sua taxa de pseudartrose radiográfica foi de cerca de 5%.
A lição vale para qualquer fixação: nas primeiras semanas, o implante sozinho segura o fragmento contra forças musculares grandes; depois, a consolidação divide a carga.
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