Sobre a relação entre o desgaste do polietileno e a osteólise periprotética, segundo Callaghan, é correto afirmar que:
- os componentes acetabulares cimentados geram mais partículas que os não cimentados, por abrasão no manto.
- a penetração da cabeça no polietileno tende a ser exponencial, com média aproximada de 0,5 mm por ano.
- em artroplastias de Charnley por osteonecrose, só o desgaste acima de 1 mm por ano elevou o risco de revisão.
- dez anos após a cirurgia, todos os pacientes com penetração média acima de 0,3 mm por ano tinham osteólise.
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Conceito-chave
Do desgaste à soltura
A ligação entre detritos de desgaste, osteólise e soltura asséptica foi estabelecida por Willert, na década de 1980: a histologia de artroplastias falhadas mostrou que a maior parte das partículas era de polietileno de ultra-alto peso molecular. Hoje se reconhece que a maioria das osteólises periprotéticas decorre dessas partículas. Centenas de milhares delas podem ser produzidas em um único ciclo de marcha.
Onde as partículas nascem
- Na articulação propriamente dita, entre cabeça e componente acetabular.
- Em interfaces modulares, como cone e cabeça ou inserto e concha.
- Em áreas de impacto entre colo e bordo do componente.
- Em interfaces não articulantes, por abrasão contra osso ou cimento.
Os limiares que caem
| Dado | Valor |
|---|---|
| Penetração média da cabeça | linear, cerca de 0,2 mm por ano |
| Osteólise radiográfica universal em 10 anos | penetração média acima de 0,3 mm por ano |
| Maior risco de revisão por soltura (122 Charnley por osteonecrose) | desgaste linear acima de 0,1 mm por ano |
| Cimentado contra não cimentado | o não cimentado pode gerar mais partículas |
| Osteólise femoral em 503 híbridas | até 24% em 10 anos, mais em pacientes ativos |
A osteólise fica silenciosa até se associar a sinovite dolorosa, fratura, falha estrutural ou soltura. Por isso o seguimento radiográfico seriado é obrigatório mesmo no paciente sem queixa.
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