Em relação ao risco neurológico da via de acesso anterior ao quadril, é correto afirmar que
- a neuropraxia do nervo cutâneo femoral lateral é a complicação neurológica mais comumente descrita; o nervo glúteo superior está teoricamente em risco, por integrar o intervalo internervoso dessa via junto ao nervo femoral, ao passo que o nervo glúteo inferior não está nesse intervalo e não é considerado em risco direto por essa exposição.
- o nervo glúteo inferior é o mais frequentemente lesado nessa via, por estar diretamente no intervalo internervoso utilizado.
- a via anterior não apresenta qualquer risco neurológico documentado, sendo considerada uma via totalmente segura.
- o nervo isquiático é a estrutura em maior risco na via anterior, pela sua proximidade ao intervalo internervoso utilizado.
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Conceito-chave
A via anterior do quadril passa entre o sartório e o tensor da fáscia lata, e mais fundo entre o reto femoral e o glúteo médio. É uma via internervosa: de um lado, músculos do nervo femoral; do outro, músculos do nervo glúteo superior. Mesmo assim, tem riscos neurológicos:
Nervo cutâneo femoral lateral: é a complicação neurológica mais comum. Esse nervo de sensibilidade passa logo para dentro da espinha ilíaca anterossuperior, no campo da incisão. Muitos pacientes ficam com dormência na frente e do lado da coxa, geralmente transitória.
Nervo femoral: pode ser comprimido por um afastador mal posicionado na borda da frente do acetábulo. É raro.
Nervo glúteo superior: tem risco teórico, porque inerva o tensor da fáscia lata, um dos músculos que formam o intervalo da via. Seu ramo para o tensor pode ser atingido.
Nervo glúteo inferior: inerva o glúteo máximo, que fica atrás. Ele não faz parte do intervalo da via anterior e não está em risco direto.
Nervo isquiático: fica atrás, fora do campo. A lesão é rara, por tração ou pela posição do membro.
Prevenção: fazer a incisão um pouco mais para fora, sobre o músculo tensor, e abrir a fáscia do tensor (e não a do sartório), além de posicionar bem os afastadores.
Outras complicações da via anterior direta: fratura do trocânter maior e do fêmur (pela dificuldade de elevar o fêmur) e problemas de cicatrização da ferida na prega da virilha em pacientes obesos.
Na prova: na via anterior, a lesão mais comum é do cutâneo femoral lateral; o glúteo superior tem risco teórico, e o glúteo inferior não está em risco direto.
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