Sobre o acesso anterior para artroplastia total do quadril em mesa de fraturas descrito no Callaghan, é correto afirmar que:
- Judet realizou a primeira artroplastia pela via anterior em 1947, em decúbito lateral, pelo intervalo de Watson-Jones.
- Usa o intervalo entre sartório (nervo femoral) e tensor da fáscia lata (nervo glúteo superior), preservando músculos.
- Usa o intervalo entre tensor da fáscia lata e glúteo médio, ambos inervados pelo nervo glúteo superior.
- Está contraindicado na ossificação heterotópica pré-operatória, inclusive na predominantemente anterior.
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Conceito-chave
Um plano entre dois nervos
O grande atrativo do acesso anterior é chegar à articulação sem cortar nem desnervar músculos. Para isso, ele usa um plano internervoso: o espaço entre dois músculos inervados por nervos diferentes.
| Músculo | Nervo |
|---|---|
| Sartório (medial) | femoral |
| Tensor da fáscia lata (lateral) | glúteo superior |
Como cada lado tem seu nervo, abrir esse espaço não desnerva nenhum músculo. Abdutores e rotadores externos ficam intactos, o que promete menos claudicação e menos luxação.
Comparação com o Watson-Jones
| Acesso | Intervalo | Plano internervoso? |
|---|---|---|
| Anterior | sartório e tensor da fáscia lata | sim |
| Watson-Jones | tensor da fáscia lata e glúteo médio | não: ambos são do glúteo superior |
História
Robert Judet fez a primeira artroplastia por essa via em 1947, em Paris, em decúbito dorsal na sua mesa ortopédica. Na época chamava-se acesso de Hueter; hoje é o intervalo de Smith-Petersen. Matta retomou a técnica em 1996, com mesa de fraturas e fluoroscopia.
Quando preferir outra via
Grande defeito posterior do acetábulo e ossificação heterotópica importante pré-operatória, exceto quando ela é predominantemente anterior, caso em que a via anterior continua adequada porque dá acesso direto a ela.
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