Um paciente de 65 anos, com história de osteoporose, apresenta dor súbita e incapacidade de movimentar o quadril após uma queda da própria altura. Ao exame físico, nota-se rotação externa e encurtamento do membro inferior direito. A radiografia confirma fratura do colo do fêmur Garden II. O tratamento definitivo mais indicado para esse paciente é:
- imobilização com tração cutânea;
- uso de órtese de abdução;
- fixação interna com parafusos canulados;
- artroplastia total do quadril;
- artroplastia parcial do quadril.
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Conceito-chave
O enunciado traz duas pistas que apontam em direções diferentes: descreve encurtamento e rotação externa, característicos da fratura desviada, mas informa na radiografia Garden II, que é completa e sem desvio. A banca marcou D, artroplastia total. O resumo consultado recomenda fixação para a maioria das fraturas sem desvio, correspondente a C. Não é possível apagar essa divergência mudando mentalmente a classificação.
Garden II não quer dizer fratura pequena ou incompleta: o traço é completo, mas os fragmentos mantêm o alinhamento. Garden I é o padrão incompleto/impactado em valgo; III e IV têm desvio. Essa divisão é decisiva porque modifica o risco e a estratégia. Na fratura intracapsular, a cabeça depende de vasos junto ao colo e a união ocorre sem a contribuição de uma camada cambial periosteal. Evitar deslocamento e manter o foco estável importa mesmo quando a primeira imagem parece bem alinhada (resumo do Rockwood, 10ª ed., cap. 53, “Garden” e “Anatomia aplicada”).
Para a maioria das Garden I/II, os autores propõem fixação interna, em qualquer idade. Os parafusos canulados, guiados por fios e conferidos em AP e perfil, estabilizam o foco enquanto preservam a cabeça. O parafuso deslizante é outra opção descrita. Tratamento não cirúrgico fica para situações selecionadas, pois a fratura pode desviar secundariamente; o resumo cita 19% a 46% nos estudos de tratamento conservador. Assim, reconhecer que a fratura não desviou não conduz automaticamente nem à observação nem à prótese (mesmo resumo, “Fratura sem desvio”).
A artroplastia ganha outro peso quando a fratura está desviada no idoso, porque a fixação tem maior risco de falha e pseudartrose. Ainda assim, escolher total em vez de hemiartroplastia exige avaliar função anterior, cognição, horizonte de independência e doença acetabular. A total é uma operação mais longa e tem mais luxação; nos estudos discutidos, seu benefício funcional médio foi pequeno. A idade de 65 anos não fornece sozinha esse conjunto de critérios.
A osteoporose ajuda a explicar por que ocorreu a fratura, mas não reclassifica Garden II em III/IV. Da mesma forma, o exame clínico discrepante deve motivar conferência da imagem e do diagnóstico na prática, não permitir que um comentário troque o dado radiográfico para tornar a letra oficial convincente. Não foi informada artrose sintomática prévia nem uma avaliação funcional que resolva a indicação de total.
Portanto, há duas informações a conservar: D é o gabarito registrado; C é a conduta sustentada pelo resumo para a Garden II tal como escrita. A ressalva é parte do ensino. Leia na Biblioteca os tratamentos sem desvio e com desvio lado a lado para reconhecer a diferença que deveria decidir esse caso.
Por que cada alternativa está certa ou errada? O comentário completo, alternativa por alternativa, está no site, junto com revisão espaçada e desempenho por tema.
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