Ombro e cotovelo reúne o manguito rotador em toda a sua extensão — exame físico, classificação das roturas, reparo e transferências —, a instabilidade glenoumeral com lesão de Bankart e Hill-Sachs, a capsulite adesiva, as fraturas da extremidade proximal do úmero e da clavícula, a luxação acromioclavicular, a epicondilite e, do lado do cotovelo, a tríade terrível, as fraturas da cabeça do rádio e do olécrano e a rigidez pós-traumática.
O acervo tem 567 questões de ombro e cotovelo, e 566 têm página própria com gabarito e conceito-chave. Abaixo, 25 delas com o comentário completo e, no fim, a lista de todas.
As questões são transcritas das provas originais, sem reescrita, e o gabarito é o da própria banca. Os comentários se baseiam na bibliografia de referência da especialidade. Quando resta dúvida sobre o gabarito, o comentário registra a dúvida em vez de escondê-la. As questões marcadas como OrtoQuestões Simulados são autorais do site, elaboradas a partir da bibliografia de referência e inspiradas no padrão da prova indicada; não são questões oficiais nem têm vínculo com as instituições organizadoras.
25 questões comentadas
Na lesão SLAP aguda do ombro, é um achado artroscópico de instabilidade bíceps-labral:
a presença de hemorragia
a laceração do tendão do bíceps
o deslocamento de 3 mm com a tração do tendão do bíceps
a ausência de tecido de granulação na inserção do tendão do bíceps
Gabarito: A
Conceito-chave
O problema do lábio superior. O complexo bíceps-labral superior é a região do ombro com mais variantes anatômicas normais, e todas elas imitam lesão na artroscopia. O recesso sublabral é um sulco liso entre o lábio superior e a glenoide; o forame sublabral é um descolamento do lábio anterossuperior com a glenoide coberta de cartilagem por baixo; e o complexo de Buford combina ausência do lábio anterossuperior com um ligamento glenoumeral médio espesso, em cordão. Reinserir qualquer uma dessas variantes como se fosse lesão rígida o ombro e é um erro clássico de iniciante.
Como separar variante de lesão verdadeira. A variante tem bordas lisas, cartilagem articular íntegra por baixo do lábio e nenhuma reação inflamatória. A lesão SLAP verdadeira mostra sinais de trauma e de tentativa de reparo: bordas desfiadas, osso subcondral exposto no colo superior da glenoide, tecido de granulação na inserção do bíceps nas lesões mais antigas e, na lesão aguda, hemorragia, com sangue e imbibição do tecido na âncora do bíceps. É esse o achado que a questão pede: na fase aguda, hemorragia significa descolamento recente e traumático, não variante.
A instabilidade da âncora. Além do aspecto, testa-se a estabilidade. Com o artroscópio, traciona-se o bíceps com o probe: se a âncora se afasta mais de cerca de 5 mm da glenoide, há instabilidade bíceps-labral. O sinal do peel-back é o equivalente dinâmico: com o braço em abdução e rotação externa, a torção do bíceps descasca o lábio superior da borda da glenoide, mecanismo proposto para as lesões dos arremessadores.
A classificação de Snyder. O tipo I é o desgaste do lábio superior com âncora firme; o tipo II, o mais comum e o que costuma ser reparado, é o descolamento da âncora do bíceps; o tipo III é a alça de balde do lábio superior com bíceps íntegro; e o tipo IV é a alça de balde que se estende para dentro do tendão do bíceps. Maffet ampliou a classificação com os tipos V a VII, que associam a SLAP a lesões do lábio anterior e do ligamento glenoumeral médio, lembrando que ela raramente vem sozinha. No paciente mais velho, a tendência atual é tratar a SLAP tipo II com tenodese do bíceps em vez de reparo labral.
Na prova: na lesão SLAP aguda, o achado que indica instabilidade real da âncora do bíceps é a hemorragia; granulação indica lesão antiga, e deslocamento à tração só conta acima de cerca de 5 mm.
A · a presença de hemorragia
A presença de hemorragia. Na lesão aguda, sangue e imbibição hemorrágica na inserção do bíceps mostram que o descolamento é recente e traumático. É o que separa a lesão verdadeira das variantes anatômicas do lábio superior, que têm bordas lisas e nenhum sinal de trauma.
B · a laceração do tendão do bíceps
Laceração do tendão do bíceps é outro achado. Quando a lesão do lábio se estende para dentro do tendão, o que existe é a SLAP tipo IV de Snyder. Ela é uma lesão real, mas não é o critério de instabilidade da âncora que a questão pergunta.
C · o deslocamento de 3 mm com a tração do tendão do bíceps
O limiar é maior que 3 mm. Um pouco de mobilidade da âncora à tração do bíceps é fisiológico. O critério habitual de instabilidade é o afastamento acima de cerca de 5 mm da borda da glenoide; 3 mm cabem na variação normal.
D · a ausência de tecido de granulação na inserção do tendão do bíceps
É o raciocínio invertido. A presença de tecido de granulação indica lesão em processo de cicatrização, portanto lesão verdadeira. Sua ausência, com bordas lisas e cartilagem íntegra, fala mais a favor de variante anatômica do que de lesão.
Na luxação traumática anterior do ombro, o nervo e a artéria mais frequentemente acometidos são, respectivamente, o nervo:
axilar e a artéria axilar
musculocutâneo e a artéria axilar
axilar e a artéria circunflexa posterior do úmero
musculocutâneo e a artéria circunflexa posterior do úmero
Gabarito: A
Conceito-chave
Na luxação anterior do ombro, a cabeça do úmero sai da glenoide (a "cavidade" da escápula onde ela se encaixa) e vai para a frente e para baixo. Nesse caminho, ela estica as estruturas que passam logo abaixo e à frente da articulação: o plexo braquial e os vasos axilares.
O nervo mais lesado é o nervo axilar. Ele nasce do fascículo posterior do plexo braquial, com fibras de C5 e C6, passa por baixo da articulação e contorna o colo do úmero por trás, através de uma passagem entre músculos chamada espaço quadrangular, para chegar ao deltoide. Nesse trajeto ele fica preso, sem folga. Quando a cabeça do úmero desce e vai para a frente, o nervo é esticado diretamente. A lesão é frequente, ainda mais em pacientes acima dos 50 anos, e quase sempre é uma neuropraxia, um "atordoamento" do nervo que se recupera em semanas a meses.
Examinar o axilar antes e depois da redução é obrigatório. Como testar a força do deltoide é impossível com o ombro luxado e doendo, o exame que funciona é a sensibilidade da parte lateral do ombro, sobre o deltoide, a região do "emblema militar".
O vaso lesado é a artéria axilar, o tronco principal que leva sangue para o braço. A lesão é rara, mas grave, e acontece mais em idosos, cujas artérias são endurecidas pela aterosclerose e não se esticam, principalmente em luxações antigas ou em manobras de redução feitas com força. Inchaço que cresce na axila, pulso do punho fraco ou ausente e mão pálida exigem avaliação vascular de urgência.
A · axilar e a artéria axilar
Nervo axilar e artéria axilar. O nervo axilar, preso no espaço quadrangular, é esticado pela cabeça luxada; a artéria axilar é o vaso que pode romper, sobretudo em idosos.
B · musculocutâneo e a artéria axilar
O nervo musculocutâneo pode ser lesado na luxação, mas bem menos que o axilar. A artéria está certa.
C · axilar e a artéria circunflexa posterior do úmero
A artéria circunflexa posterior do úmero acompanha o nervo axilar no espaço quadrangular, mas a lesão vascular descrita na luxação anterior é a do tronco da artéria axilar.
D · musculocutâneo e a artéria circunflexa posterior do úmero
Erra os dois: o nervo mais lesado é o axilar e o vaso é a artéria axilar.
Nas lesões irreparáveis do manguito rotador, o uso da prótese reversa de ombro tem como princípio biomecânico a:
lateralização do offset umeral e a ascensão do centro de rotação da cabeça umeral
medialização do offset umeral e a ascensão do centro de rotação da cabeça umeral
lateralização do offset umeral e o abaixamento do centro de rotação da cabeça umeral
medialização do offset umeral e o abaixamento do centro de rotação da cabeça umeral
Gabarito: D
Conceito-chave
No ombro normal, o manguito rotador (quatro tendões que abraçam a cabeça do úmero) tem uma função que passa despercebida: ele segura a cabeça centrada na glenoide enquanto o deltoide levanta o braço. Quando o manguito rompe de forma grande e sem conserto, o deltoide puxa e a cabeça simplesmente sobe, em vez de girar. O paciente não consegue elevar o braço, a chamada pseudoparalisia.
A prótese reversa resolve isso invertendo as peças: a "bola" (glenosfera) é presa na escápula e o "copo" fica no úmero. Os princípios dessa prótese foram definidos por Grammont, e são dois:
Medializar o centro de rotação, trazendo-o para junto da glenoide, mais para dentro. Com o centro de giro mais longe do deltoide, o braço de alavanca do músculo aumenta, e ele passa a conseguir elevar o braço sozinho, sem o manguito. De quebra, a força que tenta soltar a peça da escápula diminui.
Abaixar o úmero, alongando o deltoide. Um músculo um pouco esticado gera mais força e recruta mais fibras, e essa tensão também mantém a prótese estável, já que não há manguito para centrá-la.
Esses princípios têm um preço. Com o úmero mais perto da escápula, a borda da peça umeral bate na borda inferior da escápula e vai desgastando o osso, o chamado *notching* escapular. Além disso, os rotadores externos que sobraram perdem alavanca, e a rotação externa fica limitada. Por isso, desenhos mais recentes lateralizam parcialmente os componentes, um refinamento posterior ao conceito original.
D · medialização do offset umeral e o abaixamento do centro de rotação da cabeça umeral
Medialização do offset e abaixamento do centro de rotação. Medializar aumenta a alavanca do deltoide; abaixar o úmero tensiona o deltoide e estabiliza a prótese.
A · lateralização do offset umeral e a ascensão do centro de rotação da cabeça umeral
Lateralizar e subir o centro de rotação faria o contrário do que se busca: diminuiria a alavanca do deltoide e deixaria o músculo frouxo.
B · medialização do offset umeral e a ascensão do centro de rotação da cabeça umeral
A medialização está certa, mas o úmero é abaixado, não elevado. Subir o centro de rotação afrouxaria o deltoide.
C · lateralização do offset umeral e o abaixamento do centro de rotação da cabeça umeral
O abaixamento está certo, mas a lateralização não é o princípio original de Grammont. É uma modificação posterior, feita para reduzir o notching e melhorar a rotação.
A artrose primária de cotovelo normalmente se inicia na:
articulação radioulnar
articulação capitulorradial
porção anterior da articulação umeroulnar
porção posterior da articulação umeroulnar
Gabarito: B
Conceito-chave
Uma artrose diferente das outras. A artrose primária do cotovelo é rara, cerca de 2% das artroses, e tem um perfil próprio: acomete homens de meia-idade, trabalhadores braçais, halterofilistas e atletas de arremesso, quase sempre no membro dominante. Diferente do joelho e do quadril, a cartilagem da articulação umeroulnar costuma ficar relativamente preservada por muito tempo; o que domina o quadro é a formação de osteófitos e de corpos livres.
Onde começa e como progride. O processo começa na articulação capitulorradial, por onde passa a maior parte da carga compressiva do cotovelo, cerca de 60% em extensão. Dali evolui para os osteófitos nas pontas do processo coronoide e do olécrano, que crescem para dentro das fossas coronoide e olecraniana e as preenchem. A radioulnar proximal e a umeroulnar são acometidas depois, como parte da progressão.
Por que o paciente se queixa como se queixa. A dor aparece nos extremos do movimento, quando os osteófitos batem nas fossas: dor na extensão terminal pelo olécrano e na flexão máxima pelo coronoide. O arco médio costuma ser indolor, e a perda de movimento é progressiva, principalmente da extensão. Corpos livres dão travamento, e os osteófitos mediais podem comprimir o nervo ulnar, que deve ser examinado sempre.
O tratamento segue essa lógica. Como o arco médio é preservado, o objetivo cirúrgico é tirar o que bloqueia, não trocar a articulação. A artroplastia de desbridamento remove osteófitos e corpos livres; na técnica de Outerbridge-Kashiwagi abre-se uma janela na fossa olecraniana que dá acesso aos compartimentos anterior e posterior pela mesma via, hoje também feita por artroscopia. A artroplastia total fica para a artrose inflamatória e para o paciente idoso de baixa demanda, porque o jovem trabalhador soltaria a prótese.
Na prova: artrose primária do cotovelo começa na capitulorradial, dá dor nos extremos com arco médio indolor e se trata com desbridamento (Outerbridge-Kashiwagi), não com prótese.
B · articulação capitulorradial
Articulação capitulorradial. É o compartimento que recebe a maior parte da carga compressiva e o primeiro a degenerar na artrose primária. Os osteófitos do coronoide e do olécrano e os corpos livres vêm depois, na evolução.
A · articulação radioulnar
A radioulnar proximal sofre depois. Ela participa da pronossupinação e degenera como parte da progressão da doença, mas não é o ponto de partida da artrose primária do cotovelo.
C · porção anterior da articulação umeroulnar
Porção anterior da umeroulnar: osteófito do coronoide. O osteófito na ponta do coronoide, batendo na fossa coronoide, explica a dor na flexão máxima. É um achado típico da doença já estabelecida, não o seu início.
D · porção posterior da articulação umeroulnar
Porção posterior da umeroulnar: osteófito do olécrano. Ali se acumulam o osteófito olecraniano e os corpos livres que causam dor e bloqueio na extensão terminal. Também é evolução, e não o local onde a doença começa.
A instabilidade anterossuperior do ombro que ocorre na fase tardia da artropatia do manguito rotador decorre da insuficiência final do ligamento:
coracoumeral
coracoacromial
glenoumeral médio
glenoumeral superior
Gabarito: B
Conceito-chave
Quando o manguito rotador rompe por completo e não é reparado, a cabeça do úmero perde quem a segura centrada e vai subindo com o tempo. Ela passa a se apoiar num "teto" formado pelo acrômio, pelo processo coracoide e pelo ligamento coracoacromial, que liga um ao outro. Esse conjunto é o arco coracoacromial, e nesse estágio ele vira o último freio que impede a cabeça de escapar para cima.
Com os anos, a cabeça desgasta a articulação, num quadro chamado artropatia do manguito rotador. Na fase final, se o ligamento coracoacromial se rompe ou desgasta, não sobra mais nada para conter a cabeça. Ela escapa para cima e para a frente, a instabilidade (ou escape) anterossuperior: o paciente tenta elevar o braço e a cabeça do úmero salta para a frente, visível debaixo da pele, sem conseguir levantar o membro.
Essa sequência traz uma lição prática importante. No ombro com rotura do manguito grande e irreparável, não se deve ressecar o ligamento coracoacromial nem fazer uma acromioplastia extensa (retirar osso do acrômio para "abrir espaço"). Fazer isso remove o último freio e pode provocar o escape anterossuperior. Quando o escape já existe, o tratamento costuma ser a prótese reversa.
Os outros ligamentos da questão são estabilizadores da cápsula da articulação, com outras funções.
B · coracoacromial
Ligamento coracoacromial. Com o manguito ausente, ele forma o teto que contém a cabeça; quando falha, a cabeça escapa para cima e para a frente.
A · coracoumeral
O ligamento coracoumeral, do coracoide ao úmero, reforça a cápsula na região do intervalo rotador e limita a rotação externa com o braço junto ao corpo. Sua retração é o que trava a rotação externa no ombro congelado.
C · glenoumeral médio
O ligamento glenoumeral médio limita a translação anterior com o braço em abdução moderada. Tem papel na instabilidade anterior traumática, não no escape do manguito.
D · glenoumeral superior
O ligamento glenoumeral superior limita a descida da cabeça com o braço junto ao corpo. Não é o freio contra a subida da cabeça.
Na semiologia do cotovelo, para investigação da compressão do nervo ulnar, a flexão máxima do cotovelo com o punho em extensão tensiona:
a arcada de Frohse
o ligamento de Struthers
o músculo flexor ulnar do carpo
a aponeurose posterior do tríceps e o ligamento epicôndilo-olecraniano
Gabarito: D
Conceito-chave
O Phalen do nervo ulnar. O teste de flexão do cotovelo é para o túnel cubital o que o teste de Phalen é para o túnel do carpo. O paciente mantém o cotovelo em flexão máxima, o punho em extensão e o ombro abduzido por cerca de 60 segundos; o teste é positivo quando aparecem parestesia e dor no território ulnar, no quarto e quinto dedos. Associado à percussão do nervo (Tinel) e à compressão direta sobre o túnel, aumenta a sensibilidade do exame.
O que a manobra faz com o túnel. O túnel cubital fica atrás do epicôndilo medial. Seu assoalho é a cápsula e o ligamento colateral medial, e seu teto é o ligamento epicôndilo-olecraniano, também chamado ligamento de Osborne ou retináculo do túnel cubital, contínuo com a aponeurose entre as duas cabeças do flexor ulnar do carpo e com a fáscia posterior do tríceps. Na flexão, o epicôndilo e o olécrano se afastam, esse teto fibroso se estira e achata o túnel: a área cai cerca de metade e a pressão dentro dele sobe várias vezes. Somado ao estiramento do próprio nervo, que se alonga alguns milímetros na flexão, isso reproduz os sintomas.
Os cinco pontos de compressão do ulnar. De proximal para distal: a arcada de Struthers, uma faixa fascial cerca de 8 cm acima do epicôndilo, que não deve ser confundida com o ligamento de Struthers do processo supracondilar, este ponto de compressão do nervo mediano; o septo intermuscular medial; o epicôndilo medial; o ligamento de Osborne; e a aponeurose profunda do flexor ulnar do carpo, na saída do túnel. Na cirurgia, todos precisam ser verificados, e esquecer o septo é causa clássica de falha da transposição.
Tratamento em uma linha. Casos leves melhoram evitando flexão prolongada, inclusive com órtese noturna em extensão. Na falha ou com déficit motor, a descompressão in situ é a primeira escolha na maioria; a transposição anterior (subcutânea, intramuscular ou submuscular) entra quando o nervo subluxa sobre o epicôndilo ou na recidiva.
Na prova: a flexão máxima do cotovelo com o punho estendido tensiona o teto do túnel cubital: ligamento epicôndilo-olecraniano (Osborne) e aponeurose posterior. Arcada de Frohse é do interósseo posterior.
D · a aponeurose posterior do tríceps e o ligamento epicôndilo-olecraniano
A aponeurose posterior do tríceps e o ligamento epicôndilo-olecraniano. São o teto do túnel cubital. Na flexão máxima eles se estiram, achatam o túnel e comprimem o nervo ulnar, reproduzindo os sintomas.
A · a arcada de Frohse
Arcada de Frohse é de outro nervo. É a borda proximal fibrosa do músculo supinador, onde o nervo interósseo posterior, ramo profundo do radial, entra no músculo. É o ponto clássico da síndrome do interósseo posterior e da síndrome do túnel radial.
B · o ligamento de Struthers
Struthers fica longe do cotovelo. A arcada de Struthers comprime o ulnar cerca de 8 cm acima do epicôndilo medial e não é a estrutura tensionada pela flexão máxima. Cuidado com o nome: o ligamento de Struthers, ligado ao processo supracondilar do úmero, comprime o mediano.
C · o músculo flexor ulnar do carpo
O músculo não, a aponeurose sim. O flexor ulnar do carpo participa pela aponeurose que une suas duas cabeças, na saída do túnel. O ventre muscular em si não é o que a manobra tensiona.
Na capsulite adesiva do ombro, a sequência para manipulação sob anestesia é:
flexão e extensão; abdução e adução; rotação externa e interna
flexão e extensão; rotação externa e interna; abdução e adução
rotação interna e externa; flexão e extensão; abdução e adução
rotação interna e externa; abdução e adução; flexão e extensão
Gabarito: A
Conceito-chave
O que é a capsulite adesiva. É a inflamação seguida de fibrose da cápsula glenoumeral, com espessamento do intervalo rotador e do ligamento coracoumeral e perda da prega axilar. O resultado é a perda global do movimento, ativo e passivo, com a rotação externa como a mais atingida. É mais comum em mulheres de 40 a 60 anos e tem forte associação com diabetes e com doenças da tireoide; no diabético, é mais frequente, mais bilateral e mais resistente ao tratamento.
A evolução natural. Classicamente passa por três fases: a dolorosa (congelante), com dor noturna e perda progressiva do movimento; a rígida (congelada), com menos dor e o ombro travado; e a de descongelamento, com recuperação lenta do movimento ao longo de meses. A maioria melhora com tempo, analgesia, infiltração intra-articular de corticoide na fase dolorosa e fisioterapia, mas uma parte fica com rigidez residual e vai para procedimento.
A manipulação sob anestesia e a sua sequência. Quando se manipula, a ordem segue o risco. Começa-se por flexão e extensão, depois abdução e adução e só por último as rotações externa e interna, que são as manobras de maior torque sobre a diáfise do úmero e as que mais produzem fratura espiral, sobretudo no osso osteopênico. O cirurgião segura o braço perto da axila, nunca pelo punho ou pelo cotovelo, para encurtar o braço de alavanca, e usa força progressiva e sustentada, sentindo a cápsula ceder.
Riscos e alternativas. As complicações conhecidas são fratura do úmero, luxação, lesão do manguito, do lábio e do plexo braquial. Por isso muitos serviços preferem a liberação capsular artroscópica, que corta o intervalo rotador e a cápsula sob visão, com menos força; em qualquer caso, a fisioterapia começa no mesmo dia, porque o ganho se perde em poucos dias sem movimento.
Na prova: sequência da manipulação: flexão/extensão, abdução/adução e, por último, rotações, sempre segurando o braço junto à axila.
A · flexão e extensão; abdução e adução; rotação externa e interna
Flexão e extensão; abdução e adução; rotação externa e interna. A ordem vai dos movimentos de menor para os de maior torque sobre o úmero. As rotações ficam por último porque são as que mais causam fratura espiral quando a cápsula ainda está travada.
B · flexão e extensão; rotação externa e interna; abdução e adução
As rotações vieram cedo demais. Rodar o úmero antes de liberar a abdução aplica torque alto sobre uma articulação ainda presa, justamente a situação que mais produz fratura espiral da diáfise.
C · rotação interna e externa; flexão e extensão; abdução e adução
Começar pelas rotações é o inverso do seguro. As rotações são as manobras de maior risco e devem ser as últimas, depois que flexão, extensão, abdução e adução já soltaram a cápsula.
D · rotação interna e externa; abdução e adução; flexão e extensão
Mesma inversão. Iniciar pela rotação interna e externa concentra o maior torque no começo, quando a resistência capsular é máxima. A sequência correta deixa as rotações para o fim.
A tendinite calcárea do ombro acomete principalmente o tendão do:
supraespinal, em homens e bilateralmente
infraespinal, em homens e unilateralmente
infraespinal, em mulheres e bilateralmente
supraespinal, em mulheres e unilateralmente
Gabarito: D
Conceito-chave
O depósito e quem ele acomete. A tendinite calcária é o depósito de cristais de hidroxiapatita dentro do tendão do manguito rotador, sem relação com degeneração ou com idade avançada. O tendão mais acometido é o supraespinal, em cerca de 80% dos casos, tipicamente a 1,5 a 2 cm da sua inserção, seguido de longe pelo infraespinal e pelo subescapular. Predomina em mulheres de 30 a 50 anos, é unilateral na maioria (o acometimento bilateral aparece em uma parcela menor, cerca de 10 a 20%) e tem associação com diabetes e com doenças da tireoide.
As fases de Uhthoff. A doença é um ciclo que, na maioria, se resolve sozinho. Na fase formativa, o depósito é denso, bem delimitado e homogêneo na radiografia, com dor crônica moderada. Pode seguir-se uma fase de repouso, sem sintomas. Na fase reabsortiva, o depósito vira uma pasta com aspecto de creme dental, fica mal delimitado e nebuloso na radiografia, e a reação inflamatória com aumento da pressão dentro do tendão produz a dor mais intensa da patologia do ombro, aguda e incapacitante, que imita artrite séptica. Depois o tendão se remodela.
O paradoxo que cai na prova. A fase mais dolorosa é a de resolução: o corpo está absorvendo o cálcio. Por isso o tratamento é sintomático, e os procedimentos funcionam melhor justamente aí, quando o depósito está mole: a barbotagem (punção e lavagem guiada por ultrassom) aspira o material, e as ondas de choque ajudam a fragmentar depósitos formativos.
Quando operar. A cirurgia artroscópica fica para a dor persistente após seis meses a um ano de tratamento conservador bem feito. Remove-se o depósito com uma incisão longitudinal no tendão; não é preciso retirar todo o cálcio para aliviar a dor, e a acromioplastia associada não mostrou benefício consistente.
Na prova: tendinite calcária é supraespinal, mulher de 30 a 50 anos, unilateral; a fase reabsortiva é a mais dolorosa e a de melhor resposta à barbotagem.
D · supraespinal, em mulheres e unilateralmente
Supraespinal, em mulheres e unilateralmente. É o perfil típico: o supraespinal responde por cerca de 80% dos depósitos, o predomínio é feminino entre 30 e 50 anos e a maioria dos casos acomete um ombro só.
A · supraespinal, em homens e bilateralmente
Tendão certo, perfil errado. O supraespinal é mesmo o mais acometido, mas a doença predomina em mulheres e costuma ser unilateral; o acometimento bilateral existe, porém é minoria.
B · infraespinal, em homens e unilateralmente
O infraespinal é o segundo. Ele é a segunda sede em frequência, bem atrás do supraespinal. E o predomínio é feminino, não masculino.
C · infraespinal, em mulheres e bilateralmente
Só o sexo está certo. A doença predomina em mulheres, mas o tendão típico é o supraespinal e a apresentação habitual é unilateral.
Na luxação do ombro, durante a cirurgia de Latarjet, a estrutura em risco é o nervo:
axilar
radial
supraescapular
musculocutâneo
Gabarito: D
Conceito-chave
O que a cirurgia faz. Na cirurgia de Latarjet, o processo coracoide é osteotomizado na sua base e transferido, com o tendão conjunto (cabeça curta do bíceps e coracobraquial) ainda inserido, para a borda anteroinferior da glenoide, onde é fixado com dois parafusos. O enxerto passa por uma divisão horizontal do subescapular. A indicação clássica é a instabilidade anterior recidivante com perda óssea da glenoide significativa, lesão de Hill-Sachs que engata, atleta de contato ou falha de reparo artroscópico.
O efeito triplo. A estabilidade vem de três mecanismos: o efeito ósseo, que aumenta a superfície anteroinferior da glenoide; o efeito de rede (sling effect), em que o tendão conjunto transferido cruza a frente da articulação e segura a porção inferior do subescapular e a cápsula quando o braço está em abdução e rotação externa, a posição de luxação; e o efeito de reparo capsular, quando a cápsula é suturada ao ligamento coracoacromial remanescente.
Por que o musculocutâneo é o nervo em risco. O nervo musculocutâneo entra no músculo coracobraquial em média cerca de 5 cm abaixo da ponta do coracoide, às vezes bem mais perto. Ou seja, ele vem preso ao bloco que está sendo mobilizado. A tração do tendão conjunto e os afastadores colocados medialmente estiram o nervo, e a neuropraxia do musculocutâneo, com perda de flexão do cotovelo e hipoestesia na face lateral do antebraço, é a lesão nervosa mais associada à cirurgia. Manter o braço em rotação externa e evitar afastadores mediais reduzem o risco.
Os outros nervos a lembrar. O axilar passa logo abaixo do subescapular e é ameaçado na divisão do músculo e na dissecção inferior. O supraescapular corre pelo colo posterior da glenoide e pode ser atingido por parafusos longos demais. A maioria das lesões é neuropraxia transitória.
Na prova: na Latarjet o nervo em risco é o musculocutâneo, que entra no coracobraquial poucos centímetros abaixo do coracoide; axilar e supraescapular vêm depois.
D · musculocutâneo
Nervo musculocutâneo. Ele penetra no coracobraquial, parte do tendão conjunto, poucos centímetros abaixo da ponta do coracoide. Ao mobilizar e transferir o coracoide com o tendão conjunto, o nervo é tracionado junto, e a neuropraxia do musculocutâneo é a lesão nervosa mais associada à cirurgia.
A · axilar
O axilar corre risco, mas em outro tempo. Ele passa logo abaixo do subescapular e pode ser lesado na divisão do músculo e na dissecção inferior. É o segundo nervo a lembrar, não o mais ligado à mobilização do tendão conjunto.
B · radial
O radial está longe do campo. Ele desce pelo sulco espiral na face posterior do úmero, distante da região do coracoide e da glenoide anterior. É o nervo em risco nas fraturas da diáfise umeral e nas vias posteriores do braço.
C · supraescapular
O supraescapular é risco do parafuso. Ele corre pelo colo posterior da glenoide e pode ser atingido por parafusos longos demais que ultrapassam a cortical posterior, mas não pela mobilização do coracoide.
Na rigidez do cotovelo, a localização da ossificação heterotópica pós-traumática e pós-queimadura é, respectivamente:
anterolateral e anteromedial
anterolateral e posterolateral
posterolateral e anteromedial
posterolateral e posteromedial
Gabarito: D
Conceito-chave
O que é e por que o cotovelo é tão sensível. Ossificação heterotópica é a formação de osso lamelar maduro fora do esqueleto, nas partes moles ao redor da articulação. O cotovelo é uma das articulações mais propensas a ela e das que mais sofrem com ela, porque poucos milímetros de osso na cápsula já bloqueiam flexão, extensão ou pronossupinação. Os fatores de risco clássicos são a fratura-luxação, o trauma craniencefálico associado, as queimaduras extensas, a cirurgia com dissecção ampla e a imobilização prolongada.
A topografia depende da causa. Depois de trauma, o osso heterotópico se forma tipicamente na região posterolateral, na cápsula posterior e em torno do compartimento lateral, e limita sobretudo a extensão. Depois de queimadura, ele aparece caracteristicamente na região posteromedial, junto ao trajeto do nervo ulnar. Essa vizinhança explica por que a neuropatia ulnar por englobamento é frequente no queimado e por que a transposição do nervo costuma ser feita no mesmo tempo da ressecção.
Quando e como ressecar. A indicação é a perda funcional de movimento, em geral um arco inferior a cerca de 100 graus, que é o arco funcional do cotovelo (de 30 a 130 de flexão e 50 de pronação e supinação). Esperava-se a maturação completa do osso, com radiografia estável e cintilografia com captação em queda, por 6 a 12 meses; hoje muitos autores ressecam mais cedo, assim que o osso está bem demarcado, porque a rigidez prolongada também cobra seu preço. A ressecção é feita pela via que dá acesso à ossificação e ao nervo em risco.
Profilaxia. Nos pacientes de alto risco, usa-se indometacina por algumas semanas ou radioterapia em dose única, aplicada pouco antes ou logo depois da cirurgia. Ambas reduzem a recidiva após ressecção, ao custo de efeitos gastrointestinais e, no caso da indometacina, de possível prejuízo à consolidação de fraturas.
Na prova: ossificação heterotópica pós-traumática é posterolateral; pós-queimadura é posteromedial, junto ao nervo ulnar.
D · posterolateral e posteromedial
Posterolateral e posteromedial. A ossificação que segue o trauma se forma na região posterolateral e limita a extensão. A que segue a queimadura se forma na região posteromedial, ao redor do nervo ulnar, por isso o nervo costuma precisar de transposição na ressecção.
A · anterolateral e anteromedial
Nenhuma das duas é anterior. A ossificação heterotópica do cotovelo pode ocorrer anteriormente, sobretudo junto ao braquial, mas o padrão característico cobrado para trauma e queimadura é posterior: posterolateral e posteromedial.
B · anterolateral e posterolateral
A queimadura é medial. A primeira parte até lembra o padrão posterior do trauma, mas a ossificação após queimadura é posteromedial, junto ao ulnar, e não posterolateral.
C · posterolateral e anteromedial
Acerta a queimadura, erra o trauma. A pós-queimadura é mesmo posteromedial, mas a pós-traumática é posterolateral, não anteromedial.
Na luxação posterolateral do cotovelo, a sequência das lesões é ligamento colateral:
lateral, cápsula e ligamento colateral medial
lateral, ligamento colateral medial e cápsula
medial, cápsula e ligamento colateral lateral
medial, ligamento colateral lateral e cápsula
Gabarito: A
Conceito-chave
A sequência clássica descreve a perda progressiva das contenções do cotovelo. Numa queda sobre a mão, carga axial, valgo e rotação posterolateral do antebraço podem produzir uma lesão em anel. No modelo de O'Driscoll, também conhecido nas provas como círculo de Horii, a falha começa no complexo colateral lateral, atravessa a cápsula e chega ao colateral medial.
O lado lateral controla varo e rotação posterolateral. Quando ele cede, rádio e ulna podem girar juntos em relação ao úmero. A progressão capsular amplia a perda de contenção; a chegada ao lado medial representa uma etapa mais extensa do modelo. O medial pode permanecer íntegro em algumas luxações, portanto “é o último” não significa “rompe obrigatoriamente em toda luxação”.
Essa lógica tem consequência no tratamento: um cotovelo reduzido não precisa automaticamente de reparo de todos os ligamentos. Primeiro se confirma congruência e estabilidade. Quando há indicação cirúrgica, o capítulo começa pelo reparo lateral e só avança para o medial se a articulação continuar instável.
O modelo clássico tem limites. O resumo também apresenta estudos de imagem e vídeo com lesões mediais predominantes e lateral preservado em alguns casos, sugerindo início medial em determinados traumas. Isso impede ensinar a sequência como uma lei universal. Nesta questão, entretanto, a sequência pedida é a descrição clássica da luxação posterolateral.
Na Biblioteca, leia “Mecanismo: de lateral para medial” e seu parágrafo de ressalva. A leitura ajuda a guardar tanto a ordem cobrada quanto o motivo de nem todo padrão de lesão observado na clínica obedecer ao mesmo roteiro.
A · lateral, cápsula e ligamento colateral medial
A: lateral, cápsula e medial. O complexo lateral é a primeira contenção a falhar no modelo clássico; a lesão progride pela cápsula antes de atingir o colateral medial. Essa ordem mantém a relação entre a rotação posterolateral inicial e a extensão da lesão em anel.
O ponto importante não é decorar três nomes soltos. A falha lateral explica a instabilidade rotatória, a progressão capsular amplia a perda de contenção e a lesão medial fica no final do modelo. A sequência não exige que o medial esteja roto em toda luxação.
B · lateral, ligamento colateral medial e cápsula
O início lateral foi acertado, mas as duas etapas seguintes foram invertidas. No modelo de O'Driscoll, a progressão atravessa a cápsula antes de alcançar o colateral medial. Antecipar o medial faz perder a ideia de lesão em anel. A possibilidade de ele permanecer íntegro em algumas luxações também mostra por que não deve ser colocado como segunda etapa obrigatória.
C · medial, cápsula e ligamento colateral lateral
Esta é a inversão do sentido clássico. A opção começa pelo medial e termina no lateral, enquanto a sequência cobrada começa no complexo lateral. Estudos recentes admitem que certas lesões podem iniciar medialmente, mas isso não transforma automaticamente a alternativa na descrição do círculo clássico. É preciso distinguir a ressalva clínica apresentada pelo livro do modelo específico solicitado.
D · medial, ligamento colateral lateral e cápsula
Além de iniciar pelo lado oposto ao modelo, deixa a cápsula para depois dos dois colaterais. A cápsula participa da progressão entre o lado lateral e o medial; não é uma etapa final acrescentada quando ambos já romperam. A opção perde tanto o ponto de partida como a organização em anel que explica a sequência.
Na semiologia do ombro, o teste de Yocum consiste em:
elevar o braço e realizar flexão contra resistência
elevar o braço e realizar rotação externa contra resistência
colocar a mão no ombro oposto e realizar adução ativamente
colocar a mão no ombro oposto e elevar ativamente o cotovelo
Gabarito: D
Conceito-chave
A manobra. No teste de Yocum, o paciente coloca a mão sobre o ombro oposto e eleva ativamente o cotovelo, sem levantar o ombro. A dor sugere impacto subacromial. A posição de adução horizontal com elevação ativa aproxima o tubérculo maior e o manguito do arco coracoacromial, e como o movimento é feito pelo próprio paciente, o manguito se contrai durante o teste.
A bateria do impacto. O Neer é passivo: o examinador estabiliza a escápula e eleva o braço em rotação interna; a dor aparece entre 90 e 130 graus. O Hawkins-Kennedy posiciona ombro e cotovelo a 90 graus e força a rotação interna passiva, levando o tubérculo maior para baixo do ligamento coracoacromial. O Yocum é a versão ativa. Todos são sensíveis e pouco específicos: doem também na rotura do manguito, na artrose acromioclavicular e na capsulite.
Testes que as bancas misturam com esses. Para o bíceps, o Speed (flexão anterior resistida com cotovelo estendido e antebraço supinado) e o Yergason (supinação resistida com cotovelo a 90 graus). Para a lesão SLAP, o O'Brien (flexão de 90 graus, adução de 10 a 15 graus, resistência com o polegar para baixo que dói e alivia com a palma para cima). Para a acromioclavicular, o cross-body, adução horizontal passiva máxima. Para a força do manguito, o Jobe (supraespinal), a rotação externa resistida (infraespinal e redondo menor) e o lift-off e o belly-press (subescapular).
Como usar. Nenhum teste isolado fecha diagnóstico. A combinação de vários testes positivos com a história clínica e a força do manguito aumenta muito a probabilidade de uma lesão específica, e a infiltração subacromial com anestésico (teste de Neer) ajuda a confirmar a origem da dor.
Na prova: Yocum é mão no ombro oposto e elevação ativa do cotovelo; Neer é passivo, Hawkins é rotação interna forçada a 90 graus.
D · colocar a mão no ombro oposto e elevar ativamente o cotovelo
Colocar a mão no ombro oposto e elevar ativamente o cotovelo. É a descrição do teste de Yocum, a manobra ativa da bateria de impacto subacromial.
A · elevar o braço e realizar flexão contra resistência
Flexão contra resistência é outro teste. Elevar o braço contra resistência lembra o teste de Speed, feito com cotovelo estendido e antebraço supinado, que avalia a cabeça longa do bíceps, ou testes de força do manguito como o de Jobe.
B · elevar o braço e realizar rotação externa contra resistência
Rotação externa resistida testa força. Ela avalia o infraespinal e o redondo menor, e sua fraqueza sugere rotura desses tendões. Não é manobra de impacto.
C · colocar a mão no ombro oposto e realizar adução ativamente
Adução sem elevar o cotovelo é cross-body. A adução horizontal com a mão indo para o ombro oposto avalia a articulação acromioclavicular. O que define o Yocum é elevar o cotovelo a partir dessa posição.
Na epicondilite lateral do cotovelo, a análise microscópica mostra uma substituição de tecido normal por hiperplasia:
lipomatosa
calcinomatosa
angiofibroblástica
angiocondroblástica
Gabarito: C
Conceito-chave
Não é inflamação. A epicondilite lateral, o cotovelo do tenista, tem um nome enganoso. A histologia descrita por Nirschl mostra hiperplasia angiofibroblástica: fibroblastos em excesso, vasos neoformados imaturos, colágeno desorganizado e degeneração mucoide, com ausência de células inflamatórias. É uma falha crônica de cicatrização por microtraumas repetidos, por isso o termo mais correto é tendinose.
Onde está a lesão. O tendão acometido é o extensor radial curto do carpo, na sua origem no epicôndilo lateral, logo abaixo do extensor radial longo; o extensor comum dos dedos participa em parte dos casos. A doença aparece entre 35 e 50 anos, no membro dominante, em quem faz movimentos repetidos de preensão e extensão do punho, mais em trabalhadores do que em tenistas.
Clínica e diagnóstico diferencial. Há dor sobre o epicôndilo lateral e 1 a 2 cm distal a ele, piora com extensão resistida do punho (teste de Cozen), com extensão resistida do terceiro dedo, que tensiona o radial curto (teste de Maudsley), e com o estiramento passivo dos extensores (teste de Mill). O diagnóstico é clínico. O diferencial mais importante é a síndrome do túnel radial, compressão do interósseo posterior na arcada de Frohse, com dor cerca de 4 cm distal ao epicôndilo e piora com supinação resistida; as duas podem coexistir.
O tratamento decorre da histologia. Como não há inflamação, o anti-inflamatório só alivia sintomas. O corticoide infiltrado melhora a curto prazo, mas os estudos mostram resultados piores em um ano do que a conduta expectante, porque inibe a cicatrização já deficiente. O que funciona é modificar a atividade, usar órtese de contrapressão e fazer exercício excêntrico. Cerca de 80 a 90% resolvem em um ano; a cirurgia, com ressecção do tecido angiofibroblástico do radial curto, fica para os refratários após 6 a 12 meses.
Na prova: epicondilite lateral é hiperplasia angiofibroblástica do extensor radial curto do carpo, sem células inflamatórias; corticoide piora o resultado a médio prazo.
C · angiofibroblástica
Hiperplasia angiofibroblástica. É o achado descrito por Nirschl: tecido de reparo imaturo, com fibroblastos e vasos neoformados desorganizados, sem células inflamatórias. Por isso a epicondilite é uma tendinose, e não uma tendinite.
A · lipomatosa
Tecido adiposo não faz parte. Hiperplasia lipomatosa seria a substituição do tendão por gordura, achado que não pertence à epicondilite.
B · calcinomatosa
Não existe esse termo. Cálcio dentro do tendão é a marca da tendinite calcária do manguito rotador, uma doença diferente, de depósito de hidroxiapatita.
D · angiocondroblástica
Não há cartilagem. O tecido de reparo da epicondilite é fibroso e vascular. Metaplasia condroide pode aparecer em tendinopatias muito crônicas, mas não define a lesão, que é angiofibroblástica.
Na semiologia do ombro, o teste de mobilização passiva para avaliar o manguito rotador é o de:
Neer
Speed
Yocum
O’Brien
Gabarito: A
Conceito-chave
Como se faz o Neer. O teste de Neer é passivo. O examinador fica atrás do paciente, estabiliza a escápula com uma das mãos, impedindo que ela báscule, e com a outra eleva o braço em rotação interna até o máximo. A dor, geralmente entre 90 e 130 graus, indica impacto: o tubérculo maior, o supraespinal e a bursa são comprimidos contra a face anteroinferior do acrômio e o ligamento coracoacromial. Sem estabilizar a escápula, o paciente compensa com a báscula e o teste perde sensibilidade.
O teste de infiltração de Neer. Para confirmar que a dor vem do espaço subacromial, injeta-se anestésico na bursa subacromial e repete-se a manobra. Se a dor some, a origem é subacromial. Se persiste, pense em outra causa, como a acromioclavicular ou a glenoumeral.
Ativo, passivo ou resistido. A diferença entre os testes que a banca mistura está no tipo de movimento. Neer e Hawkins-Kennedy são passivos. O Yocum é ativo: mão no ombro oposto e elevação do cotovelo. O Speed é resistido: flexão anterior contra resistência com cotovelo estendido e antebraço supinado, para a cabeça longa do bíceps. O O'Brien é ativo contra resistência, em duas posições do antebraço, para lesão SLAP e acromioclavicular. O Jobe (lata vazia) e a rotação externa resistida testam a força do manguito.
O limite dos testes de impacto. São sensíveis e pouco específicos: dor ao Neer aparece também na rotura do manguito, na capsulite adesiva e na artrose acromioclavicular. O valor diagnóstico cresce quando se combinam os testes com a história (idade, esforço acima da cabeça, dor noturna) e com a avaliação de força.
Na prova: o teste passivo de avaliação do manguito e do impacto é o de Neer: escápula estabilizada e elevação passiva do braço em rotação interna.
A · Neer
Teste de Neer. É a elevação passiva do braço em rotação interna com a escápula estabilizada, que comprime o manguito e a bursa contra o arco coracoacromial. A dor positiva sugere impacto subacromial.
B · Speed
Speed é resistido. A flexão anterior do braço contra resistência, com cotovelo estendido e antebraço supinado, avalia a cabeça longa do bíceps no sulco intertubercular.
C · Yocum
Yocum é ativo. O próprio paciente eleva o cotovelo com a mão apoiada no ombro oposto. Também é manobra de impacto, mas não é passiva.
D · O’Brien
O'Brien é ativo contra resistência. Com o braço a 90 graus de flexão e leve adução, o paciente resiste à força para baixo com o polegar para baixo e depois com a palma para cima. Avalia lesão SLAP e articulação acromioclavicular.
o processo coronoide e o ligamento colateral lateral
Gabarito: D
Conceito-chave
A estabilidade depende do encaixe ósseo e das partes moles. O resumo organiza as contenções estáticas em dois grupos. Entre os primários estão o processo coronoide e os ligamentos colaterais medial e lateral. Entre os secundários, a cápsula, a articulação radiocapitelar e as origens comuns dos flexores e extensores.
Essa divisão expressa hierarquia funcional, não uma separação entre estruturas úteis e inúteis. O coronoide participa da contenção contra varo e cargas axiais e rotatórias. O colateral medial, sobretudo seu feixe anterior, é fundamental contra o valgo; o complexo lateral controla varo e rotação posterolateral. A cabeça do rádio resiste secundariamente ao valgo e ganha importância quando outra contenção está lesada.
A tróclea faz parte do encaixe ulnoumeral e não deve ser ensinada como irrelevante. O ponto da alternativa é que, na lista usada pelo resumo, o componente ósseo nominalmente destacado entre os três primários é o coronoide. O único par de alternativas formado por dois integrantes dessa lista é coronoide e colateral lateral.
As estruturas secundárias podem se tornar decisivas em uma combinação de lesões. É por isso que retirar a cabeça radial sem repor seu apoio pode ser problemático quando os ligamentos ou outras contenções também falharam. Classificar como secundário não autoriza desprezar o elemento na decisão clínica.
Leia “Quem segura o cotovelo” na Biblioteca, incluindo os parágrafos sobre as direções de força. Associar cada estrutura a valgo, varo e rotação ajuda a usar a classificação em outras questões e na interpretação das fraturas-luxações.
D · o processo coronoide e o ligamento colateral lateral
D: processo coronoide e ligamento colateral lateral. Ambos pertencem ao grupo primário explicitamente apresentado no resumo. O coronoide fornece contenção óssea; o complexo lateral é uma contenção ligamentar importante para varo e rotação posterolateral.
A alternativa reúne dois mecanismos complementares da estabilidade. Sua escolha não significa que a articulação possa ser entendida apenas por essas duas peças: o colateral medial completa o grupo primário, e os estabilizadores secundários e dinâmicos também participam do equilíbrio.
A · a tróclea e a cápsula articular
O par inclui a cápsula, classificada como secundária. A tróclea participa do encaixe ósseo do cotovelo, mas não torna a cápsula um componente primário na organização adotada. O erro não deve ser explicado dizendo que ambas “não estabilizam”; a distinção é a hierarquia da lista pedida. A cápsula contribui e pode estar lesada, sem ocupar o mesmo grupo dos colaterais e do coronoide.
B · a tróclea e o ligamento colateral lateral
O colateral lateral é primário; a troca do coronoide pela tróclea afasta o par da lista da fonte. A superfície troclear é parte essencial do encaixe, mas o resumo nomeia o coronoide como sua peça óssea primária na classificação utilizada. Esse cuidado evita transformar a resposta da prova em uma afirmação falsa de que a tróclea não tem importância biomecânica.
C · o processo coronoide e a cápsula articular
O coronoide foi reconhecido corretamente, mas a cápsula continua sendo secundária. O primeiro oferece contenção óssea importante; a segunda integra as partes moles de apoio e participa da lesão da luxação. Colocá-los no mesmo grupo confunde participação na estabilidade com o nível atribuído a cada estrutura pela classificação.
Na instabilidade do ombro, o tratamento cirúrgico da lesão de HILL-SACHS reversa com comprometimento da superfície articular de 25% é a:
hemiartroplastia
transferência do coracoide
reinserção da cápsula posterior
transferência do m. subescapular
Gabarito: D
Conceito-chave
A luxação que passa despercebida. A luxação posterior do ombro é rara, cerca de 2 a 4% das luxações, e é a mais perdida da ortopedia. Os mecanismos típicos são a crise convulsiva, o choque elétrico e a queda com o braço em adução e rotação interna. O paciente chega com o ombro travado em rotação interna, sem conseguir rodar externamente, com o processo coracoide proeminente e o ombro achatado na frente. No AP simples a cabeça pode parecer quase normal (o sinal da "lâmpada" e a perda da sobreposição com a glenoide são pistas discretas); o diagnóstico se fecha no perfil axilar ou na tomografia.
O que é a Hill-Sachs reversa. Na luxação posterior, a face anteromedial da cabeça do úmero bate contra a borda posterior da glenoide e afunda, formando a lesão de Hill-Sachs reversa, também chamada lesão de McLaughlin. Quanto maior o defeito, mais facilmente a cabeça volta a engatar na glenoide e luxa de novo, sobretudo em rotação interna.
A conduta pelo tamanho do defeito. Com menos de cerca de 20 a 25% da superfície articular, reduz-se e imobiliza-se em rotação externa, ou faz-se reparo capsular posterior quando há instabilidade. Entre 25 e 50%, preenche-se o defeito com a transferência do subescapular: na técnica de McLaughlin o tendão é levado para dentro da lesão; na modificação de Neer, transfere-se o subescapular junto com o tubérculo menor osteotomizado, que dá fixação óssea mais firme. O princípio é o mesmo do remplissage da instabilidade anterior: o defeito deixa de ser articular e para de engatar. Acima de 50%, ou com cartilagem inviável e luxação antiga, entram o enxerto osteocondral (aloenxerto de cabeça femoral) e a artroplastia.
Onde as alternativas se encaixam. A Latarjet trata a perda óssea da glenoide na instabilidade anterior; o reparo capsular posterior sozinho não resolve um defeito de 25% na cabeça; e a hemiartroplastia fica para os defeitos maiores ou para a cabeça destruída.
Na prova: Hill-Sachs reversa de 25 a 50%: transferência do subescapular (McLaughlin, ou Neer com o tubérculo menor); acima de 50%, enxerto ou prótese.
D · transferência do m. subescapular
Transferência do músculo subescapular. É o procedimento de McLaughlin, ou a variante de Neer com o tubérculo menor. O tendão preenche o defeito anteromedial da cabeça, que deixa de engatar na borda posterior da glenoide. É a indicação para defeitos de cerca de 25 a 50% da superfície articular.
A · hemiartroplastia
Prótese é para defeito maior. A hemiartroplastia entra quando o defeito passa de cerca de 50% da superfície, quando a cartilagem está inviável ou na luxação posterior antiga, em que a cabeça já está destruída.
B · transferência do coracoide
Latarjet é da instabilidade anterior. A transferência do coracoide repõe a perda óssea da borda anteroinferior da glenoide. Na luxação posterior, o problema está na cabeça do úmero, e o coracoide não o alcança.
C · reinserção da cápsula posterior
Tecido mole sozinho não basta. Reinserir a cápsula posterior não corrige um defeito ósseo de 25% da cabeça; ela continuaria engatando na glenoide em rotação interna.
Na instabilidade de ombro, a técnica de remplissage é
a plicatura capsular.
a sutura da lesão labral.
o fechamento do intervalo rotador.
a tenodese do tendão infraespinhoso.
Gabarito: D
Conceito-chave
Na luxação anterior do ombro, duas lesões costumam acontecer ao mesmo tempo. Na frente, o lábio da glenoide (o anel de cartilagem que aprofunda a cavidade) se solta: é a lesão de Bankart. Atrás, a cabeça do úmero, ao bater na borda da glenoide, ganha um afundamento: é a lesão de Hill-Sachs.
Se o Hill-Sachs é grande e está numa posição desfavorável, ele engata na borda da glenoide quando o paciente abre e roda o braço para fora, como ao arremessar. A cabeça "cai" no buraco e luxa de novo, mesmo com o lábio reparado. Para saber se isso vai acontecer, usa-se o conceito de glenoid track: mede-se a faixa da cabeça umeral que fica em contato com a glenoide durante o movimento. Se o Hill-Sachs fica dentro dessa faixa (*on-track*), ele não engata; se passa dela (*off-track*), engata.
O remplissage, palavra francesa que significa "preenchimento", é a cirurgia que resolve o Hill-Sachs que engata. O cirurgião coloca âncoras dentro do afundamento e prende ali o tendão do infraespinhal junto com a cápsula de trás. É uma tenodese: fixar um tendão ao osso. O buraco passa a ficar "fora" da articulação, preenchido por tecido, e não engata mais. O procedimento é feito junto com o reparo de Bankart, quando a perda de osso da glenoide é pequena.
O custo é uma perda de alguns graus de rotação externa, em geral bem tolerada. Quando a glenoide perdeu muito osso, a escolha passa a ser uma cirurgia óssea, como o Latarjet, que transfere o processo coracoide para a frente da glenoide.
D · a tenodese do tendão infraespinhoso.
A tenodese do tendão infraespinhoso. O tendão e a cápsula posterior são fixados dentro do defeito de Hill-Sachs, que deixa de engatar na glenoide.
A · a plicatura capsular.
A plicatura capsular dobra e costura a cápsula para reduzir seu volume. É usada na instabilidade com cápsula frouxa, como a multidirecional, e não preenche defeito ósseo.
B · a sutura da lesão labral.
A sutura do lábio é o reparo de Bankart. O remplissage é feito junto com ele, como complemento, mas é outro gesto.
C · o fechamento do intervalo rotador.
O fechamento do intervalo rotador costura o espaço entre os tendões do supraespinhal e do subescapular. É um gesto acessório na instabilidade inferior e multidirecional.
Os campos visuais gerados por óticas artroscópicas de 2,7 mm e 4,0 mm são, respectivamente,
45 graus e 65 graus.
45 graus e 90 graus.
65 graus e 90 graus.
90 graus e 115 graus.
Gabarito: D
Conceito-chave
Dois ângulos diferentes na mesma ótica. Toda ótica artroscópica é descrita por dois números, e a questão cobra justamente a confusão entre eles. O ângulo de inclinação da lente, 0, 30, 45 ou 70 graus, diz para onde a ótica olha em relação ao eixo do artroscópio. O campo de visão é a abertura do cone que a lente enxerga de uma vez, e depende principalmente do calibre da ótica.
Calibre e campo. Óticas mais grossas enxergam um campo maior. As de 4,0 mm, padrão para ombro e joelho, têm campo de visão em torno de 115 graus. As de 2,7 mm, usadas em articulações pequenas como punho, cotovelo e tornozelo, ou no ombro de criança, ficam em torno de 90 graus. As mais finas, de 1,9 mm, têm campo ainda menor. Ao descer de calibre, ganha-se acesso a espaços apertados e perde-se campo, luz e fluxo de soro.
A rotação multiplica o que se vê. Com uma ótica de 30 graus, girar o artroscópio em torno do próprio eixo faz o cone de visão varrer um círculo muito maior do que o campo fixo da lente, o que permite inspecionar quase toda a articulação por um mesmo portal. A ótica de 70 graus é reservada para olhar recessos periféricos ou "por cima" de estruturas, como o sulco do bíceps ou o recesso axilar, e exige mais treino porque a orientação espacial é menos intuitiva.
Por que isso importa no ombro. O portal posterior padrão com ótica de 4,0 mm e 30 graus mostra a glenoide, o lábio, o bíceps, o intervalo rotador e a face articular do manguito. Trocar para o portal anterior ou lateral e usar a ótica de 70 graus ajuda a ver a borda anterior da glenoide e a face bursal do manguito sem criar portais extras.
Na prova: campo de visão: ótica de 2,7 mm, cerca de 90 graus; de 4,0 mm, cerca de 115 graus. Não confunda com o ângulo de inclinação da lente (30 e 70 graus).
D · 90 graus e 115 graus.
90 e 115 graus. O campo de visão cresce com o calibre: a ótica de 2,7 mm enxerga um cone de cerca de 90 graus e a de 4,0 mm, cerca de 115 graus. É por isso que se aceita a perda de visão ao usar a ótica fina em articulações apertadas.
A · 45 graus e 65 graus.
Valores baixos demais. 45 e 65 graus não correspondem ao campo de visão dessas óticas. O número 45 lembra um ângulo de inclinação de lente, não uma abertura de campo, que é exatamente a confusão que a questão explora.
B · 45 graus e 90 graus.
O 90 é da ótica fina. Noventa graus é o campo da ótica de 2,7 mm, não o da de 4,0 mm. E 45 graus não é o campo de nenhuma ótica de uso corrente.
C · 65 graus e 90 graus.
Tudo deslocado uma casa para baixo. A relação está no sentido certo (a ótica maior enxerga mais), mas 90 graus pertence à de 2,7 mm, e a de 4,0 mm chega a cerca de 115.
Na luxação de cotovelo, o complexo ligamentar lateral insuficiente pode ser parcialmente compensado pela estabilização dinâmica na
flexão.
extensão.
pronação.
supinação.
Gabarito: C
Conceito-chave
O lateral insuficiente deixa o antebraço vulnerável à rotação posterolateral. O complexo colateral lateral, especialmente seu componente ulnar lateral, ajuda a manter rádio e ulna relacionados ao úmero. Quando essa contenção falha, rádio e ulna podem girar juntos em supinação, com subluxação posterior da cabeça radial em relação ao capítulo.
A pronação oferece compensação parcial: tensiona estruturas mediais e extensores e favorece o fechamento do lado lateral, segundo a explicação do resumo. A supinação reproduz o sentido da instabilidade e tende a desestabilizar. É uma proteção posicional e dinâmica; não equivale a afirmar que o ligamento cicatrizou ou que qualquer cotovelo instável fica seguro apenas ao pronar.
A regra aparece no teste após reduzir, no posicionamento da tala, no reparo ligamentar e na reabilitação. Com medial íntegro e lateral a proteger, o protocolo favorece o antebraço pronado e limita a rotação a posições com o cotovelo a 90 graus ou mais. Se o lateral está competente e o medial é o lado lesado, a posição pode mudar para supinação; com ambos lesados, para neutro. Assim, não existe uma rotação universal que proteja todas as lesões.
A flexão também costuma ajudar a manter a redução, mas a questão procura a rotação que compensa especificamente a deficiência lateral. Na Biblioteca, leia “A pronação protege o lado lateral” e compare com o parágrafo final de reabilitação da luxação simples. O contraste entre lateral e medial é o que permite aplicar a regra corretamente.
C · pronação.
C: pronação. Essa rotação é a compensação parcial descrita para o complexo lateral insuficiente. Ela se opõe ao padrão de supinação associado à instabilidade posterolateral e integra o posicionamento protetor após reduzir ou reparar.
“Parcialmente” é uma palavra decisiva. A posição não substitui confirmar a redução concêntrica e avaliar se o cotovelo mantém um arco estável. Instabilidade persistente pode exigir outro tratamento mesmo que a pronação melhore o comportamento da articulação.
A · flexão.
Flexão pode ajudar, mas não responde ao componente rotatório específico. A posição de maior estabilidade após uma luxação posterolateral frequentemente combina flexão e pronação. Escolher apenas flexão deixa sem resposta qual rotação protege o complexo lateral deficiente. Ela não é uma afirmação de que flexionar sempre piora; é uma opção incompleta para o mecanismo perguntado.
B · extensão.
A extensão pode expor a instabilidade residual em vez de compensá-la. O capítulo testa o cotovelo ao longo do arco e usa bloqueio de extensão na recuperação, ampliando-o progressivamente. Isso mostra por que não basta estender para obter a proteção dinâmica pedida. A rotação protetora específica da deficiência lateral é a pronação, avaliada no contexto de um arco seguro.
D · supinação.
Supinação é a rotação que favorece a instabilidade posterolateral. Ela aparece no teste do reparo lateral justamente como uma posição de desafio, não como a proteção padrão desse lado. Pode ser usada para proteger um cotovelo com lateral competente e medial lesado, mas esse é outro padrão. Transferir a regra medial para uma deficiência lateral inverte a indicação.
Na capsulite adesiva do ombro é fator de pior prognóstico a associação com
diabetes tipo I.
hipotireoidismo.
hiperparatireoidismo.
doença de Dupuytren.
Gabarito: A
Conceito-chave
Uma doença ligada ao metabolismo. A capsulite adesiva é a fibrose da cápsula glenoumeral com perda global do movimento, ativo e passivo, principalmente da rotação externa. Na população geral acomete cerca de 2 a 5% das pessoas; entre os diabéticos a frequência sobe muito, chegando a cerca de 1 em cada 5, com as maiores taxas no diabetes tipo 1.
Por que o diabetes piora tanto. No diabético, os produtos finais de glicação avançada criam ligações cruzadas anômalas entre as fibras de colágeno da cápsula, que fica mais rígida e menos capaz de remodelar. Na prática, isso significa acometimento bilateral mais frequente, evolução mais longa, maior rigidez residual e pior resposta tanto ao tratamento conservador quanto à manipulação sob anestesia e à liberação artroscópica. Por isso o diabetes tipo 1 é o fator de pior prognóstico, e é também o que tem mais risco de recidiva e de necessidade de novos procedimentos.
As outras associações. Hipotireoidismo e hipertireoidismo, doença de Dupuytren (com quem a capsulite compartilha a biologia fibroproliferativa, com miofibroblastos), doença de Parkinson, dislipidemia, doenças cardiovasculares, imobilização prolongada e cirurgia ou trauma recentes do ombro. Algumas associações aumentam a chance de ter a doença sem necessariamente piorar o prognóstico tanto quanto o diabetes.
O que isso muda no consultório. Todo paciente com capsulite deve ser rastreado para diabetes e disfunção tireoidiana. A expectativa comunicada ao paciente muda: no não diabético, a maioria melhora em um a três anos passando pelas fases dolorosa, rígida e de descongelamento; no diabético tipo 1, a evolução é mais lenta, e a infiltração de corticoide deve considerar o aumento transitório da glicemia.
Na prova: capsulite adesiva com diabetes tipo 1 tem o pior prognóstico: mais bilateral, mais rígida e mais refratária.
A · diabetes tipo I.
Diabetes tipo 1. É a associação de pior prognóstico: maior frequência de acometimento bilateral, evolução mais arrastada, mais rigidez residual e pior resposta a todos os tratamentos, pela glicação do colágeno da cápsula.
B · hipotireoidismo.
Associação real, prognóstico menos grave. O hipotireoidismo aumenta o risco de capsulite e deve ser rastreado, mas não confere o pior prognóstico, que é do diabetes, sobretudo o tipo 1.
C · hiperparatireoidismo.
Sem associação estabelecida. O hiperparatireoidismo não está entre as condições classicamente ligadas à capsulite adesiva.
D · doença de Dupuytren.
Parente fibroproliferativo, não o pior fator. A doença de Dupuytren se associa à capsulite pela biologia semelhante, com miofibroblastos e fibrose, mas o fator de pior prognóstico cobrado é o diabetes tipo 1.
Na epicondilite lateral, as alterações características visualizadas na ressonância magnética são o
hipossinal em T1 e T2.
hipersinal em T1 e T2.
hipersinal em T2 e hipossinal em T1.
hipersinal em T1 e hipossinal em T2.
Gabarito: B
Conceito-chave
O tendão normal é escuro. Tendões são feitos de colágeno denso, organizado e pobre em água livre. Por isso, na ressonância, o tendão extensor comum normal aparece hipointenso, escuro, em todas as sequências, como uma faixa fina e bem definida saindo do epicôndilo lateral.
O que a tendinose faz com o sinal. A epicondilite lateral é uma tendinose: degeneração com hiperplasia angiofibroblástica e degeneração mucoide no extensor radial curto do carpo, sem inflamação. Esse tecido de reparo imaturo tem mais água e mais mucopolissacarídeos que o tendão normal, e o resultado é o aumento de sinal em T1 e em T2, com espessamento do tendão. Na prática, o sinal em T1 fica intermediário e o de T2, claramente alto.
Como separar degeneração de líquido. O raciocínio é útil para toda a musculoesquelética. Líquido e edema puro (bursite, paratendinite, derrame, ruptura aguda com hematoma) dão hipersinal em T2 e hipossinal em T1. A degeneração mucoide, por ter material proteico e não só água, eleva o sinal nas duas sequências. Por isso, o hipersinal em T1 fala a favor de tendinose crônica.
O que mais procurar no exame. Nos casos avançados aparecem descontinuidade parcial ou completa das fibras, edema ósseo no epicôndilo e, principalmente, lesão do complexo colateral lateral logo abaixo do tendão. Esse último achado muda a cirurgia: além de desbridar o tendão doente, é preciso reparar o ligamento, sob risco de deixar instabilidade rotatória posterolateral. Lembre também que a ressonância não é necessária para o diagnóstico, que é clínico; ela serve para os casos refratários, para planejar cirurgia e para excluir outras causas.
Na prova: epicondilite lateral na ressonância: tendão espessado com hipersinal em T1 e T2 (degeneração mucoide); hipersinal só em T2 é líquido.
B · hipersinal em T1 e T2.
Hipersinal em T1 e em T2. A degeneração mucoide e o tecido angiofibroblástico têm mais água e material proteico que o tendão normal, e o sinal sobe nas duas sequências, com espessamento do tendão extensor comum.
A · hipossinal em T1 e T2.
É o tendão normal. O hipossinal em T1 e T2 é o aspecto do tendão sadio, de colágeno denso e organizado. Na epicondilite, esse sinal escuro se perde.
C · hipersinal em T2 e hipossinal em T1.
É o padrão do líquido. Hipersinal em T2 com hipossinal em T1 indica edema ou líquido puro, como em bursite, derrame ou ruptura aguda, e não a degeneração mucoide crônica da tendinose.
D · hipersinal em T1 e hipossinal em T2.
Combinação que não descreve a tendinose. Hipersinal em T1 com hipossinal em T2 não é o padrão da degeneração mucoide do tendão, que eleva o sinal nas duas sequências.
A estrutura mais importante para garantir a estabilidade do cotovelo no estresse em valgo a 90° de flexão é
a cabeça do rádio.
a cápsula articular.
o ligamento colateral lateral.
o ligamento colateral medial.
Gabarito: D
Conceito-chave
O estresse em valgo abre o lado medial do cotovelo. A contenção ligamentar principal nessa direção é o colateral medial, em especial seu feixe anterior. Ele liga a face anteroinferior do epicôndilo medial ao tubérculo sublime da ulna e é o estabilizador-chave contra esse esforço na organização apresentada pelo resumo.
A cabeça do rádio também ajuda contra valgo, mas como estabilizadora secundária. Essa reserva óssea ganha importância quando a contenção medial foi lesionada. O complexo lateral tem outra função predominante: resistir a varo e à rotação posterolateral. Já a cápsula integra o grupo secundário e não substitui o papel do medial no estresse descrito.
A distinção tem consequência prática. Uma fratura da cabeça radial com colateral medial roto não deve ser pensada como simples fragmento a retirar: remover o apoio ósseo secundário justamente quando o primário falhou pode agravar a instabilidade. A necessidade de preservar ou reconstruir esse apoio depende do conjunto de lesões.
O enunciado fixa o cotovelo a 90 graus e pergunta pela estrutura mais importante; o resumo sustenta a hierarquia do colateral medial, sem que seja necessário inventar percentuais de resistência ou arcos exatos que não foram apresentados. Leia “O lado medial” e os dois níveis de estabilizadores em “Quem segura o cotovelo”, na Biblioteca. Use a direção da força para distinguir o medial do lateral, e a hierarquia para distingui-lo da cabeça radial.
D · o ligamento colateral medial.
D: ligamento colateral medial. Seu feixe anterior é o principal restritor ligamentar ao valgo. A inserção entre epicôndilo medial e tubérculo sublime ajuda a visualizar a contenção do lado que tende a abrir com essa força.
A pergunta não quer apenas uma estrutura que participe da estabilidade. Cabeça radial e cápsula também contribuem, mas não ocupam o papel primário destacado para o medial no esforço em valgo.
A · a cabeça do rádio.
A cabeça do rádio resiste ao valgo, mas é secundária nessa hierarquia. Por isso a opção é plausível e não deve ser explicada como uma estrutura que “não estabiliza”. Com o colateral medial lesado, sua contribuição ganha relevância clínica, o que pesa contra ressecção isolada. No cotovelo descrito apenas pelo estresse em valgo, entretanto, a contenção ligamentar principal é medial.
B · a cápsula articular.
A cápsula participa da estabilidade, porém é classificada entre os secundários. Sua presença no anel de lesão da luxação não a torna o principal restritor ao valgo a 90 graus. A alternativa confunde uma contenção que pode estar lesionada com aquela que lidera a resistência à direção de força perguntada.
C · o ligamento colateral lateral.
O colateral lateral é primário, mas para outro padrão predominante de esforço. O complexo controla varo e rotação posterolateral; o estresse em valgo destaca o colateral medial. Dizer apenas “é um ligamento primário” não resolve a pergunta, porque a direção e o mecanismo determinam qual contenção está sendo exigida.
O principal estabilizador estático da articulação glenoumeral é o ligamento
coracoumeral.
glenoumeral médio.
glenoumeral inferior.
glenoumeral superior.
Gabarito: C
Conceito-chave
Estático e dinâmico. A glenoumeral troca estabilidade por mobilidade: a cabeça é grande e a glenoide, rasa. Quem a mantém centrada são os estabilizadores estáticos (osso, lábio, cápsula e ligamentos, pressão negativa intra-articular) e os dinâmicos (manguito rotador, cabeça longa do bíceps e músculos escapulotorácicos). Entre os estáticos, o mais importante é o ligamento glenoumeral inferior.
Por que o inferior. O complexo glenoumeral inferior é uma rede em forma de rede de dormir, com uma banda anterior, uma banda posterior e o recesso axilar entre elas. Com o braço em abdução de 90 graus e rotação externa, a banda anterior se estica por baixo da cabeça e é o restritor primário à translação anterior e inferior. Essa é a posição de apreensão e a posição em que o ombro luxa. Quando a banda anterior se desprende da glenoide junto com o lábio, forma-se a lesão de Bankart; quando se desprende do úmero, a lesão HAGL.
Os outros ligamentos, cada um em sua posição. O glenoumeral superior, com o coracoumeral, restringe a translação inferior com o braço ao lado do corpo; sua insuficiência dá o sinal do sulco. O coracoumeral também limita a rotação externa em adução e é a estrutura contraída na capsulite adesiva, no intervalo rotador. O glenoumeral médio restringe a translação anterior em abdução intermediária, de 45 a 60 graus; é variável e pode estar ausente ou em forma de cordão (complexo de Buford).
Onde isso vira conduta. O reparo de Bankart reinsere na glenoide o lábio com a banda anterior do glenoumeral inferior e retensiona a cápsula. Quando há perda óssea significativa da glenoide ou Hill-Sachs que engata, a estabilidade ligamentar sozinha não basta, e entram os procedimentos ósseos, como a Latarjet.
Na prova: o principal estabilizador estático da glenoumeral é o ligamento glenoumeral inferior (banda anterior), que age em abdução e rotação externa.
C · glenoumeral inferior.
Ligamento glenoumeral inferior. Sua banda anterior é o restritor primário à translação anteroinferior com o braço em abdução e rotação externa, a posição de luxação. É a estrutura reinserida no reparo de Bankart.
A · coracoumeral.
Age com o braço ao lado do corpo. O coracoumeral, no intervalo rotador, restringe a translação inferior e a rotação externa em adução. Sua contratura explica a perda de rotação externa na capsulite adesiva.
B · glenoumeral médio.
Age em abdução intermediária. O glenoumeral médio restringe a translação anterior entre cerca de 45 e 60 graus de abdução, posição menos crítica para a luxação, e é variável, às vezes ausente.
D · glenoumeral superior.
Responsável pelo sinal do sulco. O glenoumeral superior, com o coracoumeral, impede a translação inferior com o braço aduzido. Não é o principal estabilizador na posição de luxação.
Na ruptura da porção distal do bíceps braquial, o diagnóstico pelo “teste do gancho” é feito com a tentativa de palpar o tendão em sua face
lateral, com flexão ativa do cotovelo.
medial, com flexão ativa do cotovelo.
lateral, com flexão passiva do cotovelo.
medial, com flexão passiva do cotovelo.
Gabarito: A
Conceito-chave
A lesão. A ruptura do bíceps distal é típica de homens de 40 a 60 anos, no membro dominante, por uma contração excêntrica súbita: o cotovelo em flexão é forçado para a extensão contra carga. O paciente sente um estalo na fossa antecubital, aparece equimose e o ventre do bíceps sobe (deformidade de Popeye reversa). Tabagismo e uso de anabolizantes aumentam o risco. A perda funcional mais importante é de supinação, cerca de 40 a 50% da força, e de flexão, cerca de 30%.
O teste do gancho. Descrito por O'Driscoll, é o exame clínico mais confiável para a ruptura completa. Com o cotovelo a 90 graus e o paciente fazendo flexão e supinação ativas, o examinador introduz o indicador pela face lateral da fossa antecubital e tenta enganchar o tendão de lateral para medial. Com o tendão íntegro, o dedo passa por baixo de uma corda tensa; com o tendão roto, não há o que enganchar.
Por que pela face lateral e com contração ativa. O lacertus fibrosus, a aponeurose bicipital, costuma ficar íntegro em parte das rupturas e é palpável pelo lado medial como uma faixa tensa: palpar por ali gera falso-negativo. E o tendão só vira uma corda palpável quando está sob contração ativa; na flexão passiva, ele fica frouxo mesmo íntegro.
Tratamento. No paciente ativo, a reinserção anatômica na tuberosidade do rádio deve ser feita cedo, em geral nas primeiras duas a três semanas, antes da retração. Pode ser por uma incisão anterior, com botão cortical, âncoras ou parafuso de interferência, sob risco de lesão do nervo cutâneo lateral do antebraço, ou por duas incisões, com risco de ossificação heterotópica e sinostose radioulnar. Nas lesões crônicas retraídas, reconstrói-se com enxerto.
Na prova: teste do gancho: dedo pela face lateral da fossa antecubital, com flexão e supinação ativas; pela face medial, o lacertus engana.
A · lateral, com flexão ativa do cotovelo.
Face lateral, com flexão ativa do cotovelo. O indicador entra pelo lado lateral e engancha o tendão sob contração ativa, com o antebraço supinado. Se não há corda para enganchar, a ruptura é completa.
B · medial, com flexão ativa do cotovelo.
O lado que engana. Pelo lado medial, o lacertus fibrosus íntegro pode ser palpado como uma faixa tensa e confundido com o tendão, gerando falso-negativo.
C · lateral, com flexão passiva do cotovelo.
Tendão frouxo não se palpa. O lado está certo, mas sem contração ativa o tendão não fica tenso, e o teste perde a validade mesmo com o tendão íntegro.
D · medial, com flexão passiva do cotovelo.
Lado e contração errados. Palpar pelo lado medial com o cotovelo passivo soma as duas fontes de erro do teste.
O índice de gravidade da instabilidade glenoumeral (ISIS) inclui
gênero e idade no ato da cirurgia.
gênero e idade no primeiro episódio.
esporte de contato e idade no ato da cirurgia.
esporte de contato e idade no primeiro episódio.
Gabarito: C
Conceito-chave
Para que serve o ISIS. O Instability Severity Index Score, de Balg e Boileau, foi criado para responder a uma pergunta de consultório: este paciente com instabilidade anterior recidivante pode ser tratado com reparo de Bankart artroscópico, ou o risco de recidiva é alto demais e ele precisa de um procedimento ósseo como a Latarjet?
Os seis itens, em 10 pontos. Idade no momento da cirurgia de até 20 anos (2 pontos); prática esportiva competitiva (2 pontos); esporte de contato ou com o braço forçado acima da cabeça (1 ponto); hiperfrouxidão do ombro, com rotação externa acima de 85 graus ou hiperabdução (1 ponto); lesão de Hill-Sachs visível na radiografia AP em rotação externa (2 pontos); e perda do contorno esclerótico inferior da glenoide no AP (2 pontos). Repare que sexo não entra e que a idade é a da cirurgia, não a do primeiro episódio: são os distratores clássicos.
Como ler o resultado. Acima de 6 pontos, a recidiva após Bankart artroscópico chegou a cerca de 70% na série original, e a indicação passa a ser a Latarjet. Até 6 pontos, o reparo artroscópico é razoável, com recidiva baixa. Os dois itens ósseos somam 4 dos 10 pontos, mostrando o peso da perda óssea no prognóstico.
Onde o ISIS falha e o que veio depois. O escore usa só radiografias e subestima perdas ósseas moderadas. Hoje ele é complementado pela tomografia, que mede a perda da glenoide (acima de cerca de 20 a 25% indica procedimento ósseo) e pelo conceito de glenoid track, que avalia se a Hill-Sachs sai da faixa de contato da glenoide e engata. Os dois caminhos levam ao mesmo princípio: quanto mais perda óssea, menos o tecido mole resolve sozinho.
Na prova: o ISIS inclui esporte de contato e idade no ato da cirurgia; não inclui sexo nem idade no primeiro episódio. Acima de 6 pontos, Latarjet.
C · esporte de contato e idade no ato da cirurgia.
Esporte de contato e idade no ato da cirurgia. Ambos são itens do ISIS: idade de até 20 anos na cirurgia soma 2 pontos, e esporte de contato ou com braço forçado acima da cabeça soma 1 ponto.
A · gênero e idade no ato da cirurgia.
Sexo não entra. A idade na cirurgia está certa, mas o escore não considera o sexo do paciente.
B · gênero e idade no primeiro episódio.
Os dois itens estão errados. Sexo não faz parte do escore, e a idade que conta é a do momento da cirurgia, não a do primeiro episódio.
D · esporte de contato e idade no primeiro episódio.
A idade é a da cirurgia. O esporte de contato está certo, mas o ISIS pontua a idade no ato cirúrgico, e não a idade da primeira luxação.