Na artroplastia total anatômica do ombro, a fim de evitar soltura e desgaste precoce do componente glenoidal, seu raio de curvatura deve ser
- igual ao do componente cefálico da prótese.
- maior que o do componente cefálico da prótese.
- menor que o do componente cefálico da prótese.
- menor ou igual que o do componente cefálico da prótese.
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Conceito-chave
No ombro, a cabeça do úmero é uma esfera e a glenoide é uma concavidade rasa. Elas não se encaixam perfeitamente: a curva da glenoide é um pouco mais aberta (tem raio de curvatura maior) que a da cabeça. Essa folga permite que a cabeça deslize alguns milímetros durante o movimento, e a carga fica no centro da glenoide, sem concentrar nas bordas.
A prótese anatômica do ombro reproduz isso de propósito. O componente da glenoide, de polietileno, é feito com raio de curvatura maior que o da cabeça protética. Essa diferença tem nome: *radial mismatch*, ou descompasso de raios.
Se o componente da glenoide tivesse exatamente o mesmo raio da cabeça, o encaixe seria perfeito e muito constrito, sem folga. Mas a cabeça sempre se desloca um pouco, puxada pelos músculos. Num encaixe sem folga, esse deslocamento joga a carga direto na borda do polietileno. A peça é empurrada de um lado, levanta do outro, e vai balançando a cada movimento, o efeito cavalo de balanço (*rocking horse*). Com o tempo, o cimento cede e o componente da glenoide se solta, uma das principais causas de falha dessa prótese.
Com o raio um pouco maior, a cabeça pode deslizar sem carregar a borda. Mas a diferença não pode ser exagerada: se o componente for plano demais, a área de contato fica pequena, a pressão se concentra num ponto e o polietileno se desgasta mais rápido. Por isso existe uma faixa ideal de diferença entre os raios.
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