Paciente do sexo feminino, 30 anos, magra, praticante de musculação, destra, vítima de queda de moto com trauma sobre o ombro direito. Procurou atendimento de urgência em razão de intensa dor, e exames primários não evidenciaram fratura ou luxação do ombro. O exame a seguir foi solicitado, e as setas brancas e vermelha denotam as principais alterações. Os diagnósticos são:

- lesão do supraespinal com luxação medial da cabeça longa do bíceps.
- lesão do subescapular com luxação medial da cabeça longa do bíceps.
- lesão do supraespinal com luxação anterior da cabeça longa do bíceps.
- lesão do subescapular com luxação anterior da cabeça longa do bíceps.
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Conceito-chave
A polia do bíceps. Na entrada do sulco intertubercular, o tendão da cabeça longa do bíceps é mantido no lugar por uma polia (pulley): o ligamento coracoumeral, o ligamento glenoumeral superior e as fibras superiores do subescapular, que formam a parede medial e o assoalho da entrada do sulco. O supraespinal forma o teto lateral.
Para onde o bíceps escapa. Quando a parede medial falha, por lesão do subescapular ou do complexo coracoumeral e glenoumeral superior, o tendão escorrega medialmente para fora do sulco. Pode ficar sobre o subescapular (extra-articular), quando o subescapular está íntegro e só a polia rompeu, ou dentro da articulação, através do subescapular rompido. Na ressonância axial, vê-se o sulco vazio e o tendão medial à entrada, junto ou sobre o tubérculo menor. A luxação medial do bíceps é praticamente um marcador de lesão do subescapular até prova em contrário.
O exame. Lesão do subescapular: lift-off, belly-press (Napoleão) e bear-hug positivos, e aumento da rotação externa passiva. O bíceps instável pode dar estalido doloroso no sulco com rotação. Na artroscopia, procura-se o sinal do "comma": a banda do coracoumeral e glenoumeral superior que continua presa à borda superolateral do subescapular retraído, como uma vírgula, e serve de guia para achá-lo.
O tratamento. No jovem ativo, com lesão traumática, reparo do subescapular e tenodese do bíceps (não se deve recentrar o bíceps no sulco, pois ele volta a luxar). Em idosos pouco ativos, a tenotomia do bíceps pode bastar.
Na prova: bíceps luxado medialmente = lesão da polia, quase sempre com lesão do subescapular.
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