A restauração da anatomia escápulo-umeral é essencial para um bom resultado funcional das lesões do ombro. Estudos anatômicos têm definido melhor a geometria do úmero, sendo aplicados aos modelos de implantes e às técnicas cirúrgicas de artroplastia do ombro. Em relação às características anatômicas da articulação escapulo umeral, é correto afirmar que
- o raio de curvatura da superfície articular da glenoide é 5 a 7 mm maior que o da cabeça umeral.
- o raio de curvatura da cabeça umeral é de aproximadamente 35 mm e é um pouco maior nas mulheres que nos homens.
- a margem superior da superfície articular da cabeça umeral normalmente é 8 a 10 mm superior ao topo do tubérculo maior.
- a superfície articular da cabeça umeral é essencialmente esférica, com um arco de aproximadamente 130 graus coberta por cartilagem articular.
- estudos demonstram que a posição normal da superfície da glenoide em relação ao eixo do corpo da escápula varia de 10 graus de antevesão a 15 graus de retroversão.
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Conceito-chave
A geometria da cabeça do úmero. A superfície articular é quase esférica, com raio de curvatura em torno de 22 a 25 mm, maior nos homens. A cartilagem cobre um arco de cerca de 150 a 160 graus. A cabeça tem inclinação (ângulo cervicodiafisário) de cerca de 130 a 140 graus e retroversão média de 20 a 30 graus em relação ao eixo transepicondilar, com grande variação individual. O topo da cabeça fica em média 8 mm (cerca de 8 a 10 mm) acima do topo do tubérculo maior. O centro da cabeça é deslocado (offset) medial e posteriormente em relação ao eixo da diáfise.
A glenoide. É piriforme, mais larga embaixo, com raio de curvatura alguns milímetros maior que o da cabeça: essa pequena incongruência (mismatch) permite translação e rolamento. A versão normal fica próxima de neutro, em média alguns graus de retroversão (faixa aproximada de 2 graus de anteversão a cerca de 9 de retroversão). A inclinação é discretamente superior. O lábio aprofunda a cavidade.
Por que isso importa na artroplastia. Na prótese anatômica, reproduzir a altura da cabeça em relação ao tubérculo maior evita o overstuffing (cabeça alta e grande, que tensiona o manguito, limita o movimento e desgasta a glenoide) e o impacto do tubérculo. Uma cabeça 8 mm alta demais reduz o movimento e sobrecarrega o supraespinal. O mismatch entre os raios da cabeça e do componente glenoidal (em torno de 4 a 7 mm nos implantes modernos) reduz a carga excêntrica e a soltura glenoidal, mas isso é escolha de implante, e não a anatomia nativa.
Os erros das outras opções. Raio de 35 mm é grande demais para a cabeça. Arco de 130 graus subestima a cartilagem. Versão de 10 de anteversão a 15 de retroversão é uma faixa larga demais para o normal.
Na prova: topo da cabeça 8 a 10 mm acima do tubérculo maior; raio da cabeça em torno de 22 a 25 mm; glenoide perto do neutro, levemente retrovertida.
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