Em adultos com fratura desviada da cabeça do rádio (Mason II ou III), o que os estudos com RM e o exame sob anestesia mostram sobre as lesões ligamentares associadas do cotovelo?
- Limitam-se ao colateral medial, porque o mecanismo em valgo poupa o complexo lateral
- Só ocorrem quando há luxação associada, situação que corresponde ao tipo IV
- A lesão associada mais comum é a da membrana interóssea, com migração proximal do rádio
- São frequentes nos complexos colaterais lateral e medial, mesmo em cotovelos que não luxaram
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Conceito-chave
A cabeça do rádio raramente quebra sozinha. A fratura da cabeça do rádio vem de uma queda com o cotovelo em extensão e o antebraço carregado: a cabeça bate no capítulo, e a mesma energia tende a romper ligamentos. Quanto mais desviada a fratura, mais provável a lesão de partes moles, e isso muda a conduta, porque ressecar uma cabeça cujo cotovelo depende dela pode desestabilizar o membro.
O que os estudos mostram. O Green reúne os dados (cap. 19, p. 900). Em fraturas mínimas ou sem desvio, nenhum paciente teve lesão do colateral medial sob estresse; em fraturas por cisalhamento desviadas ou impactadas do colo, 71% tinham lesão do colateral medial; e todos os pacientes com fratura cominutiva tinham ruptura do colateral medial ou da membrana interóssea, 91% e 9%. Johansson, com artrografia, encontrou lesão do colateral medial ou da cápsula em 4%, 21% e 85% das fraturas Mason I, II e III. E, num estudo com RM de fraturas Mason II e III: colateral medial rompido em 54%, colateral lateral em 80%, os dois em 50%, defeitos osteocondrais do capítulo em 29%, edema ósseo do capítulo em 96% e corpos livres em 92% (p. 900).
A lição. As lesões ligamentares são frequentes nos dois lados, inclusive em cotovelos que não luxaram, e crescem com o grau da fratura. O Green lembra a conta que se paga por ignorar isso: numa série de lesões de Essex-Lopresti que chegaram para reconstrução, 15 de 20 tinham tido a cabeça do rádio ressecada sem que a lesão fosse reconhecida (cap. 19, p. 900).
| Estudo (Green, cap. 19, p. 900) | Achado |
|---|---|
| Estresse radiográfico | Colateral medial: 0% sem desvio, 71% desviadas, 91% cominutivas |
| Artrografia (Johansson) | Colateral medial ou cápsula: 4%, 21% e 85% em Mason I, II e III |
| RM em Mason II e III | Colateral lateral 80%, medial 54%, ambos 50% |
Por que esta questão foi criada. Inspirada na questão 25 do SIMÃO 2026, que cobrou as lesões ligamentares associadas à fratura desviada da cabeça do rádio.
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