Paciente do sexo masculino, 25 anos, praticante de futebol recreacional, com histórico de três episódios de luxação anterior do ombro direito. Ao exame físico, apresenta teste da apreensão, relocation e sulco positivos. Radiografias sem alterações e tomografia computadorizada evidenciou perda óssea de 12,5% da borda anterior da glenoide e lesão de Hill-Sachs on-track. A conduta cirúrgica mais adequada é o:
- Procedimento de LATARJET.
- Reparo artroscópico de BANKART.
- Procedimento de EDEN-HYBINETTE.
- Reparo artroscópico de BANKART associado ao remplissage.
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Conceito-chave
Para escolher a cirurgia na luxação anterior recidivante do ombro, duas medidas da tomografia são decisivas, e as duas apontam para o mesmo lado neste caso.
Perda óssea da glenoide de 12,5%. Com as luxações repetidas, a borda da frente da glenoide pode se desgastar. Quando a perda é grande (classicamente acima de 20 a 25%), costurar o lábio não basta, e é preciso repor osso, como no Latarjet. Estudos mais recentes mostraram que, mesmo abaixo disso, a partir de cerca de 13,5% os resultados do reparo isolado começam a piorar. Aqui a perda está abaixo desses limites.
Hill-Sachs on-track. O Hill-Sachs é um afundamento na parte de trás da cabeça do úmero, causado pela batida contra a borda da glenoide. O conceito de glenoid track verifica se esse afundamento fica dentro da faixa de contato com a glenoide durante o movimento (*on-track*, não engata) ou se passa dela (*off-track*, engata e favorece nova luxação). Aqui é on-track, então não precisa ser tratado.
Somando o perfil do paciente (futebol recreativo, sem esporte de contato competitivo), a escolha é o reparo artroscópico de Bankart: recolocar o lábio e a cápsula na borda da glenoide com âncoras. É anatômico, menos agressivo e deixa caminhos abertos se for preciso revisar.
O sulco positivo sugere alguma frouxidão inferior. Isso não muda a escolha, mas pode levar o cirurgião a apertar também a cápsula de baixo durante o reparo.
Um detalhe: a radiografia normal não exclui perda óssea. Ela subestima a perda da glenoide, por isso a tomografia é obrigatória antes de operar.
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