Orto Questões

Questões de tumores ósseos e de partes moles comentadas

Tumores é o tema em que a resposta quase sempre está no cruzamento de idade, localização e padrão radiográfico. Caem o osteossarcoma, o sarcoma de Ewing, o condrossarcoma, o tumor de células gigantes, o osteoma osteoide, o osteocondroma, o cisto ósseo simples e o aneurismático, a displasia fibrosa, as metástases ósseas e os sarcomas de partes moles — com o estadiamento de Enneking e os princípios de biópsia e de margem cirúrgica.

O acervo tem 303 questões de tumores ósseos e de partes moles, e 302 têm página própria com gabarito e conceito-chave. Abaixo, 25 delas com o comentário completo e, no fim, a lista de todas.

Treinar tumores ósseos e de partes moles no site

As questões são transcritas das provas originais, sem reescrita, e o gabarito é o da própria banca. Os comentários se baseiam na bibliografia de referência da especialidade. Quando resta dúvida sobre o gabarito, o comentário registra a dúvida em vez de escondê-la. As questões marcadas como OrtoQuestões Simulados são autorais do site, elaboradas a partir da bibliografia de referência e inspiradas no padrão da prova indicada; não são questões oficiais nem têm vínculo com as instituições organizadoras.

25 questões comentadas

A doença de Ollier é uma condição de caráter:

  1. hereditário e predominância bilateral
  2. hereditário e predominância unilateral
  3. não hereditário e predominância bilateral
  4. não hereditário e predominância unilateral

Gabarito: D

Conceito-chave

Doença de Ollier é a encondromatose múltipla: encondromas em vários ossos, sobretudo nos tubulares de mãos e pés e nas metáfises dos ossos longos. Não é hereditária: vem de uma mutação pós-zigótica em mosaico, em IDH1 ou IDH2, e só a linhagem de células mutadas forma encondromas, o que explica a distribuição assimétrica e predominantemente unilateral. As consequências são deformidades angulares pelas fises acometidas, discrepância de membros por encurtamento do lado afetado e risco de condrossarcoma de 25 a 30% ao longo da vida.

Não confundir com a síndrome de Maffucci, que soma encondromas e hemangiomas, também esporádica e com malignização ainda maior, inclusive gliomas e adenocarcinomas, nem com as exostoses múltiplas, de osteocondromas, herança autossômica dominante (EXT1 e EXT2) e malignização de 1 a 5%.

Na prova: Ollier é não hereditária e unilateral.

D · não hereditário e predominância unilateral

Não hereditário e de predominância unilateral. O mosaicismo pós-zigótico deixa encondromas só na linhagem mutada, com assimetria.

A · hereditário e predominância bilateral

Duplamente errada. A doença não é hereditária nem bilateral simétrica.

B · hereditário e predominância unilateral

Herança errada. A lateralidade está certa, mas a doença é esporádica.

C · não hereditário e predominância bilateral

Lateralidade errada. Acerta a ausência de herança, mas o mosaicismo torna a distribuição assimétrica.

Página desta questão · Responder no site

A condromatose sinovial é uma:

  1. neoplasia mais frequente no joelho do adulto
  2. neoplasia mais frequente no joelho da criança
  3. metaplasia mais frequente no joelho do adulto
  4. metaplasia mais frequente no joelho da criança

Gabarito: C

Conceito-chave

A descrição clássica. A condromatose sinovial é uma metaplasia condroide da sinovial: nódulos cartilaginosos se formam, se soltam como corpos livres, calcificam e ossificam. Acomete sobretudo o joelho, em mais da metade dos casos, seguido de quadril, cotovelo e ombro, em adultos de 30 a 50 anos, com dor, derrame, crepitação e bloqueio. As fases de Milgram descrevem a evolução: sinovial ativa sem corpos livres, fase de transição com corpos livres e sinovial quiescente com corpos livres.

O tratamento é a retirada dos corpos livres com sinovectomia nas fases ativas, aberta ou artroscópica; a recidiva é possível, e a malignização para condrossarcoma é rara. O rearranjo FN1-ACVR2A sugere natureza neoplásica, e a OMS inclui a lesão entre os tumores condrogênicos, mas em prova a resposta clássica continua sendo metaplasia.

Na prova: condromatose sinovial é metaplasia no joelho do adulto.

C · metaplasia mais frequente no joelho do adulto

Metaplasia mais frequente no joelho do adulto. É a descrição clássica cobrada em prova, em adultos de 30 a 50 anos.

A · neoplasia mais frequente no joelho do adulto

Neoplasia. Contraria a descrição clássica, ainda que a genética recente aponte nessa direção.

B · neoplasia mais frequente no joelho da criança

Neoplasia e idade errada. Além de não ser a descrição clássica, é doença de adulto.

D · metaplasia mais frequente no joelho da criança

Idade errada. A metaplasia está certa, mas a condromatose sinovial é rara em crianças.

Página desta questão · Responder no site

O tumor benigno mais prevalente do sacro é o:

  1. cordoma
  2. osteoblastoma
  3. granuloma eosinofílico
  4. tumor de células gigantes

Gabarito: D

Conceito-chave

Tumores do sacro. O benigno mais comum é o tumor de células gigantes, em adultos de 20 a 40 anos, excêntrico, no sacro alto, podendo cruzar a sacroilíaca; o sacro é o segundo sítio mais comum do TGC, depois do joelho. O maligno primário mais comum é o cordoma, em 50 a 70 anos, na linha média, no sacro distal e no cóccix, e expressa brachyury, marcador de origem notocordal. Nos idosos, metástase e mieloma lideram. Outras lesões possíveis são cisto ósseo aneurismático, osteoblastoma, granuloma eosinofílico, plasmocitoma e linfoma.

O TGC do sacro é de curetagem difícil pelas raízes nervosas, e o denosumabe, a embolização e a radioterapia entram em casos selecionados.

Na prova: o tumor benigno mais comum do sacro é o tumor de células gigantes.

D · tumor de células gigantes

Tumor de células gigantes. O sacro é seu segundo sítio mais comum, depois do joelho, em adultos jovens e em posição excêntrica e alta.

A · cordoma

É maligno. O cordoma é o tumor primário maligno mais comum do sacro, mas a questão pede o benigno.

B · osteoblastoma

Menos frequente. O osteoblastoma prefere os elementos posteriores das vértebras.

C · granuloma eosinofílico

Criança e outros sítios. O granuloma eosinofílico acomete crânio, fêmur, costelas e dá a vértebra plana.

Página desta questão · Responder no site

Na propedêutica do tumor glômico, o teste de Love é caracterizado pela presença de dor:

  1. à pressão direta no hiponíquio
  2. ao mergulho do dedo em água gelada
  3. à transluminação ungueal com lâmpada incandescente
  4. à pressão direta sobre o tumor com um objeto pequeno e firme

Gabarito: D

Conceito-chave

Tumor glômico é um hamartoma do glomo neuromioarterial, a estrutura de termorregulação da pele. Mais da metade está no leito ungueal da mão, em mulheres de 30 a 50 anos, com a tríade de dor intensa, dor ao frio e hipersensibilidade pontual. No teste de Love, uma pressão pontual com objeto pequeno e firme, como a ponta de um lápis ou alfinete, provoca dor exuberante exatamente no ponto do tumor e o localiza para a excisão. No teste de Hildreth, um manguito acima da pressão sistólica faz a dor sumir com a isquemia; a imersão em água gelada reproduz a dor, e a transiluminação mostra uma mancha escura sob a unha.

Na imagem, a ressonância mostra nódulo com hipersinal em T2 e realce intenso, e a radiografia às vezes mostra erosão da falange. O tratamento é a excisão completa, por via transungueal ou lateral, com recidiva quando incompleta; a forma múltipla tem associação familiar.

Na prova: teste de Love é pressão pontual com objeto firme.

D · à pressão direta sobre o tumor com um objeto pequeno e firme

Pressão direta sobre o tumor com objeto pequeno e firme. Provoca dor exuberante e localizada, que marca o ponto exato da lesão.

A · à pressão direta no hiponíquio

Não é o teste. A dor do glômico é pontual, e o teste de Love localiza esse ponto, não o hiponíquio.

B · ao mergulho do dedo em água gelada

É o teste do frio. A dor ao mergulho em água gelada é verdadeira no glômico, mas não é o teste de Love.

C · à transluminação ungueal com lâmpada incandescente

É inspeção. A transiluminação mostra uma mancha escura, mas não é teste de dor.

Página desta questão · Responder no site

No estadiamento dos sarcomas ósseos pela American Joint Committee on Cancer (AJCC), o estágio III é caracterizado por:

  1. metástases saltitantes
  2. ausência de metástases
  3. metástases pulmonares
  4. metástases extrapulmonares

Gabarito: A

Conceito-chave

Para que serve estadiar. O estadiamento resume a extensão do tumor e o seu comportamento biológico, e orienta o tratamento e o prognóstico. Nos sarcomas ósseos, os dois sistemas mais usados são o de Enneking (MSTS), cirúrgico, e o do AJCC.

O estadiamento do AJCC para os sarcomas ósseos (apendiculares). Combina o tamanho do tumor, o grau histológico, a presença de metástases e de focos descontínuos.

EstágioCaracterísticas
I (IA, IB)Baixo grau; IA com tumor de até 8 cm, IB maior que 8 cm
II (IIA, IIB)Alto grau; IIA até 8 cm, IIB maior que 8 cm
IIITumores descontínuos no mesmo osso: as metástases saltitantes (skip metastases)
IVAMetástases pulmonares
IVBMetástases extrapulmonares (outros ossos) ou em linfonodos

As metástases saltitantes. São focos tumorais no mesmo osso do tumor principal (ou do outro lado da articulação vizinha), separados dele por osso normal. Elas acontecem sobretudo no osteossarcoma. Têm prognóstico ruim, próximo ao da doença metastática. Por isso:

  • a ressonância de estadiamento deve incluir o osso inteiro, de uma articulação à outra;
  • a ressecção deve englobar os focos saltitantes.

Por que as metástases pulmonares têm estágio próprio. O pulmão é o local mais comum de metástase dos sarcomas, e a metástase pulmonar isolada e ressecável tem prognóstico melhor que as extrapulmonares. Por isso o AJCC separa a IVA (pulmonar) da IVB (óssea ou linfonodal).

O estadiamento de Enneking, para comparar.

  • I: baixo grau (IA intracompartimental, IB extracompartimental).
  • II: alto grau (IIA intracompartimental, IIB extracompartimental).
  • III: metástase à distância.
  • Para os tumores benignos: 1 (latente), 2 (ativo) e 3 (agressivo).

Os exames de estadiamento. Ressonância do osso inteiro, tomografia de tórax, cintilografia óssea ou PET-CT e, no Ewing, biópsia de medula óssea.

A · metástases saltitantes

Correta: A (metástases saltitantes). No estadiamento do AJCC para os sarcomas ósseos, o estágio III corresponde aos tumores descontínuos no mesmo osso, as metástases saltitantes (skip metastases). As metástases pulmonares são o estágio IVA, e as extrapulmonares, o IVB.

B · ausência de metástases

A ausência de metástases corresponde aos estágios I e II, separados pelo grau histológico e pelo tamanho.

C · metástases pulmonares

As metástases pulmonares correspondem ao estágio IVA.

D · metástases extrapulmonares

As metástases extrapulmonares (outros ossos, linfonodos) correspondem ao estágio IVB.

Página desta questão · Responder no site

Na fratura patológica do fêmur em adolescentes, na vigência de quimioterapia para osteossarcoma, o tratamento melhor indicado é:

  1. cirúrgico e suspensão da quimioterapia
  2. cirúrgico e manutenção da quimioterapia
  3. conservador e suspensão da quimioterapia
  4. conservador e manutenção da quimioterapia

Gabarito: D

Conceito-chave

Fratura patológica no osteossarcoma. No passado, a fratura indicava amputação, porque o hematoma contamina os compartimentos vizinhos. Hoje a preservação do membro é possível, com sobrevida comparável, desde que a ressecção inclua todo o hematoma. Durante a quimioterapia neoadjuvante, a fratura é tratada de forma conservadora, com imobilização, órtese ou tração: a osteossíntese espalharia tumor pelo canal medular e por novos compartimentos, além do risco de infecção no paciente neutropênico. A quimioterapia é mantida, porque o controle sistêmico pesa mais no prognóstico.

Depois, faz-se a ressecção ampla com reconstrução, e a necrose tumoral de 90% ou mais (bom respondedor, pelo critério de Huvos) é forte preditor de sobrevida.

Na prova: fratura patológica durante a quimioterapia é tratamento conservador, mantendo a quimioterapia.

D · conservador e manutenção da quimioterapia

Conservador, mantendo a quimioterapia. Fixar espalha o tumor e compromete a ressecção, e suspender a quimioterapia libera a doença sistêmica.

A · cirúrgico e suspensão da quimioterapia

Duplamente errada. Fixa a fratura, contaminando o campo, e ainda suspende a quimioterapia.

B · cirúrgico e manutenção da quimioterapia

Fixar é o erro. Manter a quimioterapia está certo, mas a osteossíntese compromete o controle local.

C · conservador e suspensão da quimioterapia

Suspender é o erro maior. O tratamento conservador está certo, mas o prognóstico depende do controle sistêmico.

Página desta questão · Responder no site

O Adamantinoma tem como principal diagnóstico diferencial a displasia:

  1. fibrosa da tíbia
  2. fibrosa do fêmur
  3. osteofibrosa da tíbia
  4. osteofibrosa do fêmur

Gabarito: C

Conceito-chave

Mesmo endereço, mesma imagem. O adamantinoma e a displasia osteofibrosa, de Campanacci, vivem na cortical anterior da tíbia e aparecem como lesão lítica multiloculada, em bolhas de sabão, com arqueamento anterior. A displasia osteofibrosa é benigna, da primeira década, e mostra trabéculas com rimming osteoblástico; o tratamento é observação ou curetagem. O adamantinoma é maligno de baixo grau, da segunda à quinta década, com ninhos epiteliais positivos para citoqueratina, exige ressecção ampla e pode dar metástase pulmonar tardia, o que pede seguimento prolongado. Entre os dois existe a forma intermediária, a displasia osteofibrosa tipo adamantinoma.

Não confundir com a displasia fibrosa, que é medular, tem aspecto em vidro fosco, mutação do GNAS e acomete qualquer osso.

Na prova: o diferencial do adamantinoma é a displasia osteofibrosa da tíbia.

C · osteofibrosa da tíbia

Displasia osteofibrosa da tíbia. Mesmo local e mesma imagem na cortical anterior; a separação é histológica, pelos ninhos epiteliais do adamantinoma.

A · fibrosa da tíbia

Outra doença. A displasia fibrosa é medular, com vidro fosco, e não imita o adamantinoma cortical.

B · fibrosa do fêmur

Doença e osso errados. Nem é a displasia osteofibrosa nem o fêmur é o sítio típico.

D · osteofibrosa do fêmur

Osso errado. A displasia osteofibrosa acomete a tíbia (e a fíbula), não o fêmur.

Página desta questão · Responder no site

No osteossarcoma, o subtipo com pior prognóstico é o:

  1. primário superficial
  2. primário de alto grau
  3. secundário à radiação
  4. secundário à doença de Paget

Gabarito: D

Conceito-chave

O prognóstico varia muito entre os osteossarcomas. O parosteal, de baixo grau, na face posterior do fêmur distal, tem sobrevida acima de 90%; o periosteal, de grau intermediário, de 75 a 85%; o clássico intramedular e o telangiectásico, de alto grau, de 60 a 70% com quimioterapia; o secundário à radiação tem sobrevida baixa; e o secundário ao Paget é o pior, com 5 a 10% em 5 anos.

Por que o pagético é o pior. O paciente é idoso e tolera mal a quimioterapia, o tumor é com frequência multicêntrico e já disseminado ao diagnóstico, e a dor num osso que já doía atrasa a suspeita. Por isso, mudança no padrão de dor em osso pagético é sarcoma até prova em contrário. A transformação ocorre em menos de 1% dos casos de Paget, mas é a principal causa de morte ligada à doença.

Na prova: o pior prognóstico é o do osteossarcoma secundário ao Paget.

D · secundário à doença de Paget

Secundário à doença de Paget. Sobrevida de 5 a 10% em 5 anos, em idosos, com tumor multicêntrico e diagnóstico tardio.

A · primário superficial

É o melhor. O osteossarcoma de superfície parosteal, de baixo grau, tem sobrevida acima de 90%.

B · primário de alto grau

Intermediário. O primário de alto grau chega a 60 a 70% de sobrevida com quimioterapia.

C · secundário à radiação

Ruim, mas menos. O pós-radiação tem prognóstico pior que o clássico, mas melhor que o pagético.

Página desta questão · Responder no site

Na histologia dos tumores ósseos, o mieloma múltiplo apresenta células:

  1. redondas com produção de amiloide
  2. redondas sem produção de amiloide
  3. fusiformes com produção de amiloide
  4. fusiformes sem produção de amiloide

Gabarito: A

Conceito-chave

Mieloma múltiplo é a neoplasia primária maligna mais comum do osso, em idosos. A histologia mostra células redondas, plasmócitos monoclonais com núcleo excêntrico em roda de carroça, halo perinuclear e citoplasma basofílico, que produzem amiloide AL de cadeias leves, corado pelo vermelho-congo com birrefringência verde-maçã. O amiloide explica manifestações como túnel do carpo bilateral, macroglossia, cardiomiopatia restritiva e nefropatia.

Entre os tumores de pequenas células redondas e azuis, o mieloma se marca pelo CD138 e pela restrição de cadeia leve; o Ewing, pelo CD99 e pela translocação EWSR1-FLI1; o linfoma, pelo CD45 e CD20; e o neuroblastoma metastático, pela sinaptofisina e pelas catecolaminas. Na clínica vale o CRAB: hipercalcemia, insuficiência renal, anemia e lesões líticas em saca-bocado, com cintilografia muitas vezes normal, pela pouca atividade osteoblástica.

Na prova: mieloma tem células redondas com amiloide.

A · redondas com produção de amiloide

Redondas, com produção de amiloide. São plasmócitos monoclonais cujas cadeias leves depositam amiloide AL.

B · redondas sem produção de amiloide

O amiloide está presente. É ele que explica as manifestações extraósseas do mieloma.

C · fusiformes com produção de amiloide

Fusiformes não. Células fusiformes são de tumores fibroblásticos.

D · fusiformes sem produção de amiloide

Duplamente errada. Erra a morfologia e nega o amiloide.

Página desta questão · Responder no site

A forma clássica da doença de Hand-Schuller-Christian caracteriza-se por lesão óssea:

  1. única, enoftalmia e diabetes insipidus
  2. múltipla, exoftalmia e diabetes insipidus
  3. única, exoftalmia e dermatite seborreica
  4. múltipla, enoftalmia e dermatite seborreica

Gabarito: B

Conceito-chave

Histiocitose de células de Langerhans tem três formas clássicas. O granuloma eosinofílico é a forma de foco único ou poucos focos, só ósseos, entre 5 e 15 anos, com vértebra plana de Calvé e lesões cranianas em saca-bocado. A Hand-Schüller-Christian é a forma crônica multifocal, entre 2 e 5 anos, com a tríade lesões ósseas múltiplas, exoftalmia e diabetes insipidus: a infiltração da órbita empurra o globo, e a da haste hipofisária causa o diabetes insipidus. A Letterer-Siwe é a forma disseminada do lactente, a de pior prognóstico, com febre, hepatoesplenomegalia, pancitopenia e lesões cutâneas semelhantes à dermatite seborreica.

Na histologia, as células de Langerhans são CD1a e langerina (CD207) positivas, com grânulos de Birbeck, e a mutação BRAF V600E é frequente.

Na prova: Hand-Schüller-Christian é lesões múltiplas, exoftalmia e diabetes insipidus.

B · múltipla, exoftalmia e diabetes insipidus

Múltipla, exoftalmia e diabetes insipidus. É a tríade da forma crônica multifocal, pela infiltração da órbita e da haste hipofisária.

A · única, enoftalmia e diabetes insipidus

É o granuloma eosinofílico. Lesão única não é Hand-Schüller-Christian, e a enoftalmia é o oposto do que ocorre.

C · única, exoftalmia e dermatite seborreica

Única e dermatite. Lesão única é do granuloma, e a dermatite é da Letterer-Siwe.

D · múltipla, enoftalmia e dermatite seborreica

Enoftalmia e dermatite. Só a multiplicidade está certa; o globo é empurrado para fora, e a dermatite é da Letterer-Siwe.

Página desta questão · Responder no site

Na fratura patológica da criança secundaria à displasia fibrosa, a consolidação é:

  1. lenta, com calo endosteal normal
  2. lenta, com calo endosteal pobre
  3. rápida, com calo endosteal pobre
  4. rápida, com calo endosteal normal

Gabarito: C

Conceito-chave

Displasia fibrosa vem de uma mutação ativadora do GNAS (Gs-alfa), que mantém os osteoblastos imaturos produzindo osso fibroso, woven, que não amadurece. Pode ser monostótica, a mais comum, poliostótica, parte da síndrome de McCune-Albright (manchas café-com-leite de bordas irregulares e puberdade precoce) ou de Mazabraud (com mixomas). A radiografia mostra vidro fosco, cortical afilada e, no fêmur, a deformidade em cajado de pastor.

Na fratura patológica, a consolidação é rápida, porque o tecido é celular e vascular, mas o calo é pobre, feito do mesmo osso displásico, o que leva a refratura e deformidade progressiva, como a coxa vara. Curetagem e enxerto falham, porque o enxerto vira displasia; a fixação preferida é a haste intramedular profilática, evitando placas, cujos parafusos se soltam. O bisfosfonato ajuda na dor.

Na prova: fratura na displasia fibrosa tem consolidação rápida com calo pobre.

C · rápida, com calo endosteal pobre

Rápida, com calo endosteal pobre. O tecido hipervascular consolida no prazo, mas o calo de osso fibroso não tem resistência.

A · lenta, com calo endosteal normal

Duplamente errada. A consolidação não é lenta, e o calo não é normal.

B · lenta, com calo endosteal pobre

Velocidade errada. O calo pobre está certo, mas a fratura consolida no prazo.

D · rápida, com calo endosteal normal

Calo errado. A rapidez está certa, mas um calo normal contradiz a doença.

Página desta questão · Responder no site

Na neurofribromatose tipo 1, o sinal de Crowe representa:

  1. o glioma óptico
  2. o hamartoma da íris
  3. a displasia do esfenoide
  4. as sardas cutâneas axilares

Gabarito: D

Conceito-chave

Os critérios da NF1 exigem dois ou mais: seis ou mais manchas café-com-leite (acima de 5 mm antes da puberdade e de 15 mm depois), dois ou mais neurofibromas ou um plexiforme, sardas axilares ou inguinais, que são o sinal de Crowe, dois ou mais nódulos de Lisch (hamartomas da íris), glioma óptico, lesão óssea típica (displasia da asa do esfenoide, afilamento cortical com ou sem pseudartrose) e parente de primeiro grau afetado ou variante do gene NF1.

Na ortopedia, a NF1 traz a escoliose distrófica, de curva curta, angulada e progressiva, a pseudartrose congênita da tíbia, com arqueamento anterolateral, a hipertrofia de membro e o risco de tumor maligno da bainha de nervo periférico, de 8 a 13% ao longo da vida, suspeitado diante de dor ou crescimento de um neurofibroma plexiforme.

Na prova: sinal de Crowe são as sardas axilares e inguinais.

D · as sardas cutâneas axilares

As sardas cutâneas axilares. Pequenas manchas nas dobras, fora da exposição solar, muito sugestivas de NF1.

A · o glioma óptico

Outro critério. O glioma óptico também entra nos critérios, mas não é o sinal de Crowe.

B · o hamartoma da íris

São os nódulos de Lisch. Os hamartomas da íris têm outro nome.

C · a displasia do esfenoide

Lesão óssea. A displasia do esfenoide é critério, mas não o sinal de Crowe.

Página desta questão · Responder no site

No cisto ósseo aneurismático, a recorrência após curetagem está associada a idade:

  1. superior a 15 anos e cistos centrais
  2. inferior a 15 anos e cistos centrais
  3. superior a 15 anos e cistos excêntricos
  4. inferior a 15 anos e cistos excêntricos

Gabarito: B

Conceito-chave

Cisto ósseo aneurismático é uma lesão lítica expansiva, septada, com níveis líquido-líquido na ressonância. O primário é uma neoplasia verdadeira, com rearranjo do USP6; o secundário surge sobre outra lesão, como tumor de células gigantes, condroblastoma ou osteossarcoma telangiectásico, por isso todo o material deve ir ao patologista. A recidiva após curetagem fica entre 20 e 30%, e os fatores de risco são a idade abaixo de 15 anos, pela lesão mais celular e pela curetagem tímida perto da fise, e a localização central, pela janela estreita e pelos ângulos mortos.

A técnica pede janela cortical ampla, fresa de alta rotação e adjuvante, como fenol, nitrogênio, cimento ou argônio; alternativas são a escleroterapia com polidocanol, a embolização e o denosumabe. O diferencial a lembrar é o osteossarcoma telangiectásico, com níveis líquidos, septos espessos e nódulos sólidos.

Na prova: recidiva do cisto ósseo aneurismático se liga a menos de 15 anos e cisto central.

B · inferior a 15 anos e cistos centrais

Inferior a 15 anos e cistos centrais. A lesão é mais agressiva no esqueleto imaturo, e o cisto central esconde tecido nos ângulos mortos.

A · superior a 15 anos e cistos centrais

Idade invertida. O paciente jovem é que recidiva mais.

C · superior a 15 anos e cistos excêntricos

Duplamente errada. Erra a idade e a posição do cisto.

D · inferior a 15 anos e cistos excêntricos

Excêntrico é menor risco. A idade está certa, mas o cisto excêntrico permite janela ampla e curetagem completa.

Página desta questão · Responder no site

Nos tumores benignos, o uso de denosumab sistêmico é indicado no tratamento do:

  1. encondroma
  2. condroblastoma
  3. fibroma condromixoide
  4. tumor de células gigantes

Gabarito: D

Conceito-chave

Tumor de células gigantes e RANKL. A célula neoplásica do TGC é a estromal mononuclear, com mutação H3F3A G34W, que expressa RANKL; as células gigantes são osteoclastos recrutados, que fazem a lise. O denosumabe, anti-RANKL, faz as células gigantes sumirem e a lesão ossificar. É indicado nos tumores irressecáveis, como os de sacro, coluna e pelve, nas recidivas e como neoadjuvante, para converter uma ressecção em curetagem.

Os cuidados são o efeito apenas supressivo, com recidiva ao suspender, a casca ossificada que pode esconder tumor viável na curetagem e os efeitos adversos, como hipocalcemia, osteonecrose de mandíbula e fratura atípica. O tratamento padrão do TGC continua sendo a curetagem estendida com adjuvante, como fenol, nitrogênio ou cimento.

Na prova: denosumabe em tumor benigno é para o tumor de células gigantes.

D · tumor de células gigantes

Tumor de células gigantes. O estroma neoplásico expressa RANKL, e o bloqueio remove os osteoclastos e ossifica a lesão.

A · encondroma

É cartilaginoso. O encondroma não depende do RANKL; em geral só se observa.

B · condroblastoma

Trata-se com curetagem. O condroblastoma tem células gigantes, mas o denosumabe não tem papel nele.

C · fibroma condromixoide

Curetagem ou ressecção. O fibroma condromixoide não responde a esse alvo.

Página desta questão · Responder no site

Nos tumores malignos, a localização mais frequente do osteossarcoma parosteal e do periosteal é, respectivamente:

  1. diáfise do fêmur e diáfise da tíbia
  2. diáfise do fêmur e metáfise da tíbia
  3. extremidade distal do fêmur e diáfise da tíbia
  4. extremidade distal do fêmur e metáfise da tíbia

Gabarito: C

Conceito-chave

Os osteossarcomas de superfície têm endereços próprios. O parosteal é de baixo grau, nasce na face posterior da metáfise distal do fêmur, aparece como massa densa e lobulada, às vezes com uma linha radiolucente entre ela e a cortical (string sign), e é tratado com ressecção ampla, sem quimioterapia. O periosteal é de grau intermediário, prefere a diáfise da tíbia, e também o fêmur, com base larga e espículas em raios de sol, e costuma receber ressecção com quimioterapia. O osteossarcoma de superfície de alto grau tem localização variável e é tratado como o clássico.

Os diferenciais são a miosite ossificante, com maturação periférica, zonal, e separada do osso, e o osteocondroma, que tem continuidade cortical e medular com o osso de origem.

Na prova: parosteal é fêmur distal posterior, e periosteal é diáfise da tíbia.

C · extremidade distal do fêmur e diáfise da tíbia

Extremidade distal do fêmur e diáfise da tíbia. O parosteal fica na metáfise posterior do fêmur, e o periosteal é diafisário, na tíbia.

A · diáfise do fêmur e diáfise da tíbia

Parosteal não é diafisário. Acerta o periosteal, mas o parosteal está na metáfise posterior do fêmur distal.

B · diáfise do fêmur e metáfise da tíbia

Duplamente errada. Erra as duas localizações.

D · extremidade distal do fêmur e metáfise da tíbia

Periosteal é diafisário. Acerta o parosteal, mas o periosteal não é metafisário.

Página desta questão · Responder no site

Na fratura patológica secundária a osteossarcoma da extremidade distal do fêmur de um adolescente, na vigência de quimioterapia, o tratamento da fratura deve ser:

  1. imobilização e suspensão da quimioterapia
  2. imobilização e manutenção da quimioterapia
  3. fixação interna e suspensão da quimioterapia
  4. fixação interna e manutenção da quimioterapia

Gabarito: B

Conceito-chave

Fratura patológica no osteossarcoma. No passado, a fratura indicava amputação, porque o hematoma contamina os compartimentos vizinhos. Hoje a preservação do membro é possível, com sobrevida comparável, desde que a ressecção inclua todo o hematoma. Durante a quimioterapia neoadjuvante, a fratura é tratada de forma conservadora, com imobilização, órtese ou tração: a osteossíntese espalharia tumor pelo canal medular e por novos compartimentos, além do risco de infecção no paciente neutropênico. A quimioterapia é mantida, porque o controle sistêmico pesa mais no prognóstico.

Depois, faz-se a ressecção ampla com reconstrução, e a necrose tumoral de 90% ou mais (bom respondedor, pelo critério de Huvos) é forte preditor de sobrevida.

Na prova: fratura patológica durante a quimioterapia é tratamento conservador, mantendo a quimioterapia.

B · imobilização e manutenção da quimioterapia

Imobilização e manutenção da quimioterapia. Fixar espalha o tumor, e suspender a quimioterapia libera a doença sistêmica.

A · imobilização e suspensão da quimioterapia

Suspender é o erro. A imobilização está certa, mas a quimioterapia não deve parar.

C · fixação interna e suspensão da quimioterapia

Duplamente errada. Fixa a fratura e ainda suspende a quimioterapia.

D · fixação interna e manutenção da quimioterapia

Fixar é o erro. Manter a quimioterapia está certo, mas a osteossíntese contamina o campo.

Página desta questão · Responder no site

Nos sarcomas de tecidos moles, o rabdomiossarcoma é mais frequente:

  1. na criança e responde ao tratamento quimioterápico
  2. na criança e não responde ao tratamento quimioterápico
  3. no adulto e responde ao tratamento quimioterápico
  4. no adulto e não responde ao tratamento quimioterápico

Gabarito: A

Conceito-chave

Rabdomiossarcoma é o sarcoma de partes moles mais comum da criança e do adolescente e, ao contrário da maioria dos sarcomas do adulto, é quimiossensível, com o esquema VAC (vincristina, actinomicina D e ciclofosfamida). O tratamento é multimodal, com quimioterapia, cirurgia e radioterapia, e a sobrevida chega a 70% ou mais nas formas localizadas. O subtipo embrionário é o da criança pequena, em cabeça, pescoço e trato geniturinário, e tem melhor prognóstico; o alveolar é do adolescente, prefere as extremidades, tem as fusões PAX3 ou PAX7 com FOXO1 e prognóstico pior; o pleomórfico, raro e agressivo, é do adulto.

Nos sarcomas de partes moles do adulto, como o pleomórfico indiferenciado, o lipossarcoma, o leiomiossarcoma e o sinovial, a resposta à quimioterapia é limitada, e a base do tratamento é a cirurgia com margem ampla e a radioterapia.

Na prova: rabdomiossarcoma é da criança e quimiossensível.

A · na criança e responde ao tratamento quimioterápico

Na criança e responde à quimioterapia. É o sarcoma de partes moles mais comum da infância, e a quimiossensibilidade mudou seu prognóstico.

B · na criança e não responde ao tratamento quimioterápico

Responde. A idade está certa, e a quimiossensibilidade é justamente a marca do rabdomiossarcoma.

C · no adulto e responde ao tratamento quimioterápico

Raro no adulto. O rabdomiossarcoma é da infância, e os sarcomas do adulto respondem mal à quimioterapia.

D · no adulto e não responde ao tratamento quimioterápico

Duplamente errada. Erra a faixa etária e a resposta ao tratamento.

Página desta questão · Responder no site

Na histologia dos tumores benignos, as lesões que apresentam células gigantes são:

  1. osteoblastoma e encondroma
  2. condroblastoma e encondroma
  3. osteoblastoma e cisto ósseo aneurismático
  4. condroblastoma e cisto ósseo aneurismático

Gabarito: D

Conceito-chave

Lesões com células gigantes formam um grupo que o patologista precisa separar: o tumor de células gigantes, em que elas dominam; o cisto ósseo aneurismático, com septos de fibroblastos, osteoide e células gigantes; o condroblastoma, com condroblastos em calçamento, calcificação em arame de galinheiro e células gigantes esparsas; o tumor marrom do hiperparatireoidismo, que obriga a dosar cálcio e PTH; o granuloma reparativo de células gigantes de mãos, pés e mandíbula; o fibroma não ossificante, com estroma em redemoinho; e o condrossarcoma de células claras, epifisário no adulto.

Não pertencem ao grupo o encondroma, que é cartilagem hialina lobulada madura, e o osteoblastoma, feito de osteoide com osteoblastos ativos, em que células gigantes ocasionais não o caracterizam.

Na prova: entre as opções, as lesões com células gigantes são o condroblastoma e o cisto ósseo aneurismático.

D · condroblastoma e cisto ósseo aneurismático

Condroblastoma e cisto ósseo aneurismático. Os dois pertencem ao grupo das lesões com células gigantes; diante delas, vale dosar cálcio e PTH.

A · osteoblastoma e encondroma

Nenhum dos dois. O encondroma não tem células gigantes, e o osteoblastoma não é caracterizado por elas.

B · condroblastoma e encondroma

Encondroma não. O condroblastoma está certo, mas o encondroma é só cartilagem.

C · osteoblastoma e cisto ósseo aneurismático

Osteoblastoma não. O cisto ósseo aneurismático está certo, mas o osteoblastoma não pertence ao grupo.

Página desta questão · Responder no site

O tumor ósseo de localização epifisária na criança é sugestivo de:

  1. osteoblastoma
  2. condroblastoma
  3. tumor de Ewing
  4. tumor de células gigantes

Gabarito: B

Conceito-chave

A epífise restringe o diagnóstico. Na criança, com fise aberta, a lesão epifisária típica é o condroblastoma; no adulto, com fise fechada, é o tumor de células gigantes; o condrossarcoma de células claras é a opção rara no adulto, e o abscesso de Brodie e a osteomielite aparecem em qualquer idade. O condroblastoma ocorre entre 10 e 20 anos, com dor articular que pode simular lesão meniscal, e aparece como lesão lítica bem delimitada, com esclerose fina e calcificações puntiformes, no fêmur distal, na tíbia proximal e no úmero proximal. O tratamento é curetagem com enxerto, com cuidado com a fise.

As outras localizações também orientam: na metáfise, osteossarcoma, osteocondroma e cisto simples; na diáfise, Ewing, adamantinoma e displasia osteofibrosa; nos elementos posteriores da coluna, osteoblastoma, osteoma osteoide e cisto ósseo aneurismático.

Na prova: epífise na criança é condroblastoma.

B · condroblastoma

Condroblastoma. É a lesão epifisária típica com a fise aberta, com dor articular e calcificações puntiformes.

A · osteoblastoma

Coluna posterior. O osteoblastoma prefere os elementos posteriores da coluna e a diáfise, não a epífise.

C · tumor de Ewing

Diafisário. O Ewing dá lesão em casca de cebola e grande massa de partes moles na diáfise.

D · tumor de células gigantes

Fise fechada. O tumor de células gigantes é epifisário, mas do adulto jovem.

Página desta questão · Responder no site

De acordo com ENNEKING, um osteossarcoma central e extra-compartimental é classificado como:

  1. I A
  2. I B
  3. II A
  4. II B

Gabarito: D

Conceito-chave

Para que serve estadiar. O estadiamento resume a extensão do tumor e o seu comportamento biológico, e orienta o tratamento e o prognóstico. Nos sarcomas ósseos, os dois sistemas mais usados são o de Enneking (MSTS), cirúrgico, e o do AJCC.

O estadiamento do AJCC para os sarcomas ósseos (apendiculares). Combina o tamanho do tumor, o grau histológico, a presença de metástases e de focos descontínuos.

EstágioCaracterísticas
I (IA, IB)Baixo grau; IA com tumor de até 8 cm, IB maior que 8 cm
II (IIA, IIB)Alto grau; IIA até 8 cm, IIB maior que 8 cm
IIITumores descontínuos no mesmo osso: as metástases saltitantes (skip metastases)
IVAMetástases pulmonares
IVBMetástases extrapulmonares (outros ossos) ou em linfonodos

As metástases saltitantes. São focos tumorais no mesmo osso do tumor principal (ou do outro lado da articulação vizinha), separados dele por osso normal. Elas acontecem sobretudo no osteossarcoma. Têm prognóstico ruim, próximo ao da doença metastática. Por isso:

  • a ressonância de estadiamento deve incluir o osso inteiro, de uma articulação à outra;
  • a ressecção deve englobar os focos saltitantes.

Por que as metástases pulmonares têm estágio próprio. O pulmão é o local mais comum de metástase dos sarcomas, e a metástase pulmonar isolada e ressecável tem prognóstico melhor que as extrapulmonares. Por isso o AJCC separa a IVA (pulmonar) da IVB (óssea ou linfonodal).

O estadiamento de Enneking, para comparar.

  • I: baixo grau (IA intracompartimental, IB extracompartimental).
  • II: alto grau (IIA intracompartimental, IIB extracompartimental).
  • III: metástase à distância.
  • Para os tumores benignos: 1 (latente), 2 (ativo) e 3 (agressivo).

Os exames de estadiamento. Ressonância do osso inteiro, tomografia de tórax, cintilografia óssea ou PET-CT e, no Ewing, biópsia de medula óssea.

O estadiamento de Enneking em detalhe. Enneking (MSTS) combina três elementos: o grau histológico (G1 baixo; G2 alto), a localização em relação ao compartimento (T1 intracompartimental; T2 extracompartimental) e as metástases (M0; M1).

EstágioGrauCompartimento
IABaixoIntracompartimental
IBBaixoExtracompartimental
IIAAltoIntracompartimental
IIBAltoExtracompartimental
IIIQualquer grau, com metástaseQualquer

O osteossarcoma central (convencional). É um tumor de alto grau. Quando rompe a cortical e invade as partes moles, torna-se extracompartimental. A maioria dos osteossarcomas convencionais já é IIB ao diagnóstico.

D · II B

Correta: D (II B). No estadiamento de Enneking, o osteossarcoma central (convencional) é de alto grau (estágio II), e a extensão extracompartimental (rompendo a cortical para as partes moles) corresponde ao subtipo B. A maioria dos osteossarcomas convencionais é IIB ao diagnóstico.

A · I A

O estágio IA é de tumores de baixo grau e intracompartimentais, como alguns osteossarcomas parosteais.

B · I B

O estágio IB é de tumores de baixo grau extracompartimentais. O osteossarcoma central é de alto grau.

C · II A

O estágio IIA é de alto grau, mas intracompartimental, contido no osso.

Página desta questão · Responder no site

As metástases ósseas decorrentes dos tumores de rim, tireoide e próstata apresentam, respectivamente, padrão:

  1. blástico, lítico, lítico
  2. lítico, lítico, blástico
  3. blástico, blástico, lítico
  4. lítico, blástico, blástico

Gabarito: B

Conceito-chave

As metástases ósseas. São os tumores malignos mais comuns do osso, muito mais que os primários. No adulto acima de 40 anos com uma lesão óssea destrutiva, a primeira hipótese é metástase (ou mieloma). Elas se instalam sobretudo no esqueleto axial e nos ossos proximais dos membros (coluna, pelve, costelas, fêmur e úmero proximais), onde há medula vermelha e rica irrigação.

Os cinco tumores que mais dão metástase óssea. Mama, próstata, pulmão, rim e tireoide. Uma forma de lembrar: "PT Barnum Loves Kids" (próstata, tireoide, mama, pulmão e rim).

O padrão radiográfico depende do tumor. O padrão reflete o equilíbrio entre destruição (osteoclastos) e formação (osteoblastos) que o tumor provoca.

Tumor primárioPadrão
RimLítico, frequentemente expansivo e muito vascularizado ("soprado")
TireoideLítico, expansivo e vascularizado
PróstataBlástico (osteoesclerótico)
MamaMisto (lítico e blástico); pode ser predominantemente lítico ou blástico
PulmãoGeralmente lítico (o carcinoma de pequenas células pode ser blástico)
Outros blásticosCarcinoide, meduloblastoma, alguns de bexiga

Por que o padrão importa.

  • As lesões líticas enfraquecem mais o osso e causam mais fraturas patológicas.
  • As metástases de rim e tireoide são muito vascularizadas: sangram muito na cirurgia, e por isso se indica a embolização pré-operatória.
  • A metástase solitária de rim pode ser ressecada com margem ampla, com melhora da sobrevida.
  • O hipernefroma pode imitar um tumor primário expansivo.

A investigação do paciente com lesão óssea e primário desconhecido. História e exame (mama, próstata, tireoide), exames laboratoriais (eletroforese de proteínas para mieloma, PSA), tomografia de tórax, abdome e pelve, cintilografia ou PET e biópsia da lesão. A biópsia deve ser feita antes de fixar uma fratura patológica, para não perder a chance de um diagnóstico de tumor primário.

O risco de fratura: escore de Mirels. Soma local, dor, tipo (lítica, mista, blástica) e tamanho. A partir de 9 pontos, indica-se a fixação profilática.

B · lítico, lítico, blástico

Correta: B (lítico, lítico, blástico). As metástases de rim e de tireoide são líticas (frequentemente expansivas e muito vascularizadas), e as de próstata são tipicamente blásticas.

A · blástico, lítico, lítico

A metástase de rim é lítica, e não blástica, e a de próstata é blástica.

C · blástico, blástico, lítico

Inverte os padrões: rim e tireoide são líticos, e a próstata é blástica.

D · lítico, blástico, blástico

O rim está certo (lítico), mas a metástase de tireoide é lítica, e não blástica.

Página desta questão · Responder no site

O tumor de células gigantes apresenta transformação maligna em aproximadamente:

  1. 10% e metástase pulmonar entre 0,1% e 0,4 % dos pacientes
  2. 10% e metástase pulmonar entre 1% e 4 % dos pacientes
  3. 25% e metástase pulmonar entre 0,1% e 0,4 % dos pacientes
  4. 25% e metástase pulmonar entre 1% e 4 % dos pacientes

Gabarito: B

Conceito-chave

O comportamento do tumor de células gigantes. Apesar de benigno, o TGC é localmente agressivo: a recidiva após curetagem fica entre 10 e 25% mesmo com adjuvante. A transformação maligna ocorre em cerca de 10% nas séries usadas pela banca, com números menores, em torno de 5%, em outras, sobretudo após radioterapia. As metástases pulmonares, em 1 a 4%, são peculiares: têm histologia idêntica à do tumor benigno, são indolentes e muitas vezes tratáveis com ressecção.

A biologia explica o tratamento: a célula neoplásica é a estromal, que expressa RANKL e recruta osteoclastos, o que torna o denosumabe útil em lesões irressecáveis, recidivas e como neoadjuvante. O padrão continua sendo a curetagem estendida com adjuvante.

Na prova: no TGC, transformação maligna em cerca de 10% e metástase pulmonar em 1 a 4%.

B · 10% e metástase pulmonar entre 1% e 4 % dos pacientes

10% e metástase pulmonar entre 1% e 4%. A malignização ocorre sobretudo após radioterapia, e os implantes pulmonares são benignos e indolentes.

A · 10% e metástase pulmonar entre 0,1% e 0,4 % dos pacientes

Metástase subestimada. A transformação está certa, mas 0,1 a 0,4% é dez vezes menos que a frequência real.

C · 25% e metástase pulmonar entre 0,1% e 0,4 % dos pacientes

Duplamente errada. Superestima a transformação e subestima a metástase.

D · 25% e metástase pulmonar entre 1% e 4 % dos pacientes

Transformação errada. A metástase está certa, mas 25% superestima a malignização.

Página desta questão · Responder no site

A displasia fibrosa é mais frequente no padrão:

  1. poliostótico e acomete mais os homens
  2. monostótico e acomete mais os homens
  3. poliostótico, com distribuição semelhante entre gêneros
  4. monostótico, com distribuição semelhante entre gêneros

Gabarito: D

Conceito-chave

Displasia fibrosa vem de uma mutação ativadora do GNAS, pós-zigótica em mosaico, que mantém os osteoblastos imaturos produzindo osso fibroso. Por isso a forma monostótica é a mais comum, com 70 a 80% dos casos, e se distribui de forma semelhante entre os sexos, assim como a poliostótica. O predomínio feminino aparece só na síndrome de McCune-Albright, com manchas café-com-leite de bordas irregulares e puberdade precoce; a de Mazabraud associa mixomas.

Na imagem, a lesão tem aspecto em vidro fosco, com cortical afilada e, no fêmur, cajado de pastor. As fraturas consolidam rápido, mas com calo pobre, e a fixação preferida é a haste intramedular, porque curetagem e enxerto falham.

Na prova: displasia fibrosa é monostótica, sem predileção de sexo.

D · monostótico, com distribuição semelhante entre gêneros

Monostótico, com distribuição semelhante entre gêneros. O mosaicismo explica o predomínio monostótico, e só o McCune-Albright predomina em mulheres.

A · poliostótico e acomete mais os homens

Duplamente errada. A poliostótica é minoria, e não há predomínio masculino.

B · monostótico e acomete mais os homens

Sexo errado. A forma monostótica está certa, mas não há predileção por homens.

C · poliostótico, com distribuição semelhante entre gêneros

Padrão errado. A distribuição entre os sexos está certa, mas a monostótica é a mais comum.

Página desta questão · Responder no site

No tumor maligno, a ressecção marginal é realizada:

  1. no plano da zona reativa
  2. com margem mínima de segurança de 1 cm
  3. com margem mínima de segurança de 5 cm
  4. pela remoção do compartimento comprometido

Gabarito: A

Conceito-chave

As margens de Enneking. Em cirurgia oncológica ortopédica, a margem descreve por qual plano a ressecção passou em relação ao tumor e às suas camadas. Ela não é uma distância fixa em centímetros, mas uma relação anatômica.

O que envolve um tumor maligno.

  • O tumor propriamente dito.
  • Uma pseudocápsula: camada de tecido comprimido e reativo ao redor do tumor.
  • A zona reativa: tecido inflamatório e edematoso em volta, que contém lesões satélites microscópicas (no sarcoma de alto grau).
  • Às vezes, skip metástases à distância, no mesmo osso ou compartimento.

Os quatro tipos de margem.

MargemPlano de ressecçãoRecidiva local (sarcoma de alto grau)
IntralesionalDentro do tumorMuito alta (quase 100%)
MarginalPela zona reativa (pseudocápsula)Alta, pelas lesões satélites
AmplaPor tecido normal, fora da zona reativa, dentro do compartimentoBaixa
RadicalRemove todo o compartimentoMuito baixa

A ressecção marginal. Passa pela zona reativa, com a pseudocápsula. Como deixa células satélites no leito, só é aceitável em tumores benignos ou de baixa agressividade, ou como margem planejada em tumores malignos quando se associa radioterapia (por exemplo, para preservar um feixe neurovascular).

O que garante a margem. Nos sarcomas de alto grau, a meta é a margem ampla, combinada com quimioterapia e/ou radioterapia conforme o tipo. A distância de tecido normal recomendada varia, mas o conceito de Enneking é anatômico: o que importa é estar fora da zona reativa, com uma camada de tecido normal ou uma barreira anatômica (fáscia, periósteo) entre o tumor e a superfície da ressecção.

A · no plano da zona reativa

Correta: A (no plano da zona reativa). Na classificação de Enneking, a ressecção marginal passa pela zona reativa que envolve o tumor (a pseudocápsula), o que deixa o risco de células satélites no leito.

B · com margem mínima de segurança de 1 cm

Uma distância de 1 cm não define a margem marginal; a classificação de Enneking é anatômica, pelo plano de ressecção.

C · com margem mínima de segurança de 5 cm

5 cm de tecido normal descreve, se tanto, uma margem ampla, fora da zona reativa.

D · pela remoção do compartimento comprometido

A remoção do compartimento inteiro é a margem radical.

Página desta questão · Responder no site

A síndrome de MAFFUCCI corresponde a presença de encondromatose associada a:

  1. hemangiomas e apresenta baixa taxa de degeneração sarcomatosa
  2. hemangiomas e apresenta alta taxa de degeneração sarcomatosa
  3. hipoplasia renal e apresenta baixa taxa de degeneração sarcomatosa
  4. hipoplasia renal e apresenta alta taxa de degeneração sarcomatosa

Gabarito: B

Conceito-chave

As encondromatoses múltiplas. O encondroma é um tumor benigno de cartilagem hialina dentro do osso, geralmente solitário e nas falanges da mão. Quando há múltiplos encondromas, fala-se em encondromatose. As duas formas principais estão ligadas a mutações somáticas (em mosaico) nos genes IDH1 e IDH2, e não são hereditárias.

CaracterísticaDoença de OllierSíndrome de Maffucci
Lesões ósseasEncondromas múltiplos, muitas vezes de predomínio unilateralEncondromas múltiplos
Lesões de partes molesNenhumaHemangiomas de partes moles (com flebólitos visíveis na radiografia)
DeformidadesEncurtamento, encurvamento, discrepância de membrosSemelhantes
Transformação malignaAlta (cerca de 25 a 40% ao longo da vida)Ainda maior (pode passar de 50%); também outros tumores malignos

A síndrome de Maffucci. Combina os encondromas múltiplos com hemangiomas de partes moles (malformações vasculares, que aparecem como nódulos azulados e flebólitos calcificados na radiografia). Tem alta taxa de degeneração sarcomatosa, principalmente para condrossarcoma, e também risco de outros tumores malignos (gliomas, tumores do ovário, do pâncreas e outros). O seguimento deve ser feito por toda a vida.

A doença de Ollier. Os encondromas múltiplos, frequentemente com predomínio de um lado do corpo, causam deformidades e discrepâncias de membros durante o crescimento. A transformação maligna para condrossarcoma também é frequente.

Os sinais de alerta para transformação maligna.

  • Dor nova, sem fratura.
  • Aumento de volume após o fim do crescimento.
  • Destruição cortical, massa de partes moles, reabsorção da matriz calcificada.
  • Em pacientes com encondromatose, qualquer mudança deve ser investigada com ressonância e biópsia.

O tratamento. As deformidades e discrepâncias são tratadas com osteotomias, alongamentos e epifisiodeses. Os condrossarcomas são tratados com ressecção com margens (resistentes à quimioterapia e à radioterapia).

B · hemangiomas e apresenta alta taxa de degeneração sarcomatosa

Correta: B (hemangiomas e apresenta alta taxa de degeneração sarcomatosa). A síndrome de Maffucci associa a encondromatose múltipla a hemangiomas de partes moles e tem alta taxa de degeneração sarcomatosa, sobretudo para condrossarcoma, além de risco de outros tumores malignos.

A · hemangiomas e apresenta baixa taxa de degeneração sarcomatosa

A associação com hemangiomas está certa, mas a taxa de degeneração sarcomatosa na síndrome de Maffucci é alta, e não baixa.

C · hipoplasia renal e apresenta baixa taxa de degeneração sarcomatosa

A síndrome de Maffucci se associa a hemangiomas, e não à hipoplasia renal. E a degeneração sarcomatosa é alta.

D · hipoplasia renal e apresenta alta taxa de degeneração sarcomatosa

A degeneração sarcomatosa é alta, mas a associação é com hemangiomas, e não com hipoplasia renal.

Página desta questão · Responder no site

Todas as questões de tumores ósseos e de partes moles

Cisto ósseo aneurismático · 2

Cisto ósseo simples · 14

Condroblastoma · 3

Condrossarcoma · 22

Cordoma · 5

Displasia fibrosa · 20

Displasia osteofibrosa e adamantinoma · 5

Displasias esqueléticas e síndromes · 1

Doença de Paget · 12

Encondroma e encondromatoses · 7

Estadiamento, biópsia e margens · 33

Histiocitose de células de Langerhans · 11

Metástases ósseas · 45

Mieloma múltiplo e plasmocitoma · 16

Osteoblastoma · 2

Osteocondroma e exostoses múltiplas · 6

Osteoma osteoide · 5

Osteossarcoma · 23

Outras lesões pseudotumorais · 8

Sarcoma de Ewing · 15

Sarcomas de partes moles · 6

Tumor de células gigantes · 23

Tumores benignos de partes moles · 18

Outros assuntos

Todos os assuntos do acervo