Joelho é o assunto da instabilidade ligamentar — cruzado anterior e posterior, canto posterolateral, exame físico e escolha de enxerto —, das lesões meniscais e condrais, da artroplastia total e unicompartimental, das osteotomias ao redor do joelho e das fraturas do planalto tibial. Aparecem também a instabilidade femoropatelar e a osteocondrite dissecante.
O acervo tem 300 questões de joelho, e 299 têm página própria com gabarito e conceito-chave. Abaixo, 25 delas com o comentário completo e, no fim, a lista de todas.
As questões são transcritas das provas originais, sem reescrita, e o gabarito é o da própria banca. Os comentários se baseiam na bibliografia de referência da especialidade. Quando resta dúvida sobre o gabarito, o comentário registra a dúvida em vez de escondê-la. As questões marcadas como OrtoQuestões Simulados são autorais do site, elaboradas a partir da bibliografia de referência e inspiradas no padrão da prova indicada; não são questões oficiais nem têm vínculo com as instituições organizadoras.
25 questões comentadas
Na semiologia do joelho, a avaliação da retração da musculatura isquiotibial em decúbito dorsal é iniciada com o joelho em:
45° e o quadril em 45°
45° e o quadril em 90°
90° e o quadril em 45°
90° e o quadril em 90°
Gabarito: D
Conceito-chave
O que se mede. O ângulo poplíteo é uma forma de avaliar o comprimento dos isquiotibiais, músculos que atravessam o quadril e o joelho. Com o paciente em decúbito dorsal, flexionam-se quadril e joelho a 90 graus. Mantém-se a coxa nessa posição e estende-se o joelho passivamente até a primeira resistência, sem permitir que a pelve rode para compensar.
Por que essa posição. A flexão do quadril já alonga os isquiotibiais na sua origem isquiática; estender o joelho aumenta a tensão no outro extremo. Quanto mais extensão faltar, maior a limitação atribuível a esses músculos. O examinador deve comparar os lados e distinguir encurtamento muscular de uma contratura fixa do próprio joelho. A forma de expressar o ângulo varia entre protocolos, por isso vale registrar também a posição final observada.
D · 90° e o quadril em 90°
Quadril e joelho começam a 90 graus. Essa posição padroniza a avaliação antes da extensão passiva do joelho.
A · 45° e o quadril em 45°
Ambas as articulações estão pouco fletidas. Com quadril e joelho a 45 graus, a posição inicial não corresponde ao teste descrito.
B · 45° e o quadril em 90°
O quadril está certo, mas o joelho não. O joelho parte de 90 graus de flexão e só então é estendido.
C · 90° e o quadril em 45°
O joelho está certo, mas o quadril não. A flexão do quadril a 90 graus tensiona a origem dos isquiotibiais.
Na instabilidade patelar, o ângulo Q aumentado determina vetor de força:
lateral à articulação femoropatelar à medida que o joelho é fletido
medial à articulação femoropatelar à medida que o joelho é fletido
lateral à articulação femoropatelar à medida que o joelho é estendido
medial à articulação femoropatelar à medida que o joelho é estendido
Gabarito: C
Conceito-chave
De onde vem o vetor. O ângulo Q relaciona a linha da espinha ilíaca anterossuperior até o centro da patela com a linha da patela até a tuberosidade tibial. Ele representa, de modo simplificado, a direção resultante da tração do quadríceps e do tendão patelar. Quando aumenta, a componente lateral da força sobre a patela também tende a aumentar; isoladamente, porém, o ângulo Q não diagnostica instabilidade.
A fase vulnerável. Perto da extensão completa, a patela ainda tem pouco contato e pouca contenção óssea na tróclea. Nos primeiros graus de flexão ela começa a se encaixar no sulco; por volta de 20 a 30 graus, esse apoio melhora. Assim, o vetor lateral se torna clinicamente mais relevante quando o joelho se aproxima da extensão. Displasia troclear, patela alta, lateralização da tuberosidade e lesão do ligamento patelofemoral medial modificam esse equilíbrio.
C · lateral à articulação femoropatelar à medida que o joelho é estendido
Lateral durante a extensão. A tração lateral encontra menor contenção troclear quando a patela sai progressivamente do sulco.
A · lateral à articulação femoropatelar à medida que o joelho é fletido
A direção é lateral, mas a fase não é a melhor resposta. Ao fletir o joelho, a patela tende a ganhar contenção óssea na tróclea.
B · medial à articulação femoropatelar à medida que o joelho é fletido
O sentido do vetor está invertido. Um ângulo Q aumentado não produz tração medial, mesmo durante a flexão.
D · medial à articulação femoropatelar à medida que o joelho é estendido
A fase está certa, mas o sentido não. Próximo da extensão, a preocupação é com a lateralização patelar.
Na lesão do ligamento cruzado anterior, a reconstrução com enxerto quádruplo de tendões flexores do joelho apresenta:
maior taxa de rotura e pior posicionamento anatômico no fêmur
menor taxa de rotura e melhor posicionamento anatômico no fêmur
menor taxa de rotura e pior posicionamento anatômico no fêmur
maior taxa de rotura e melhor posicionamento anatômico no fêmur
Gabarito: D
Conceito-chave
Duas decisões diferentes. A reconstrução do LCA exige escolher um enxerto e posicionar seus túneis nos locais anatômicos de inserção. O enxerto quádruplo de flexores usa, em geral, semitendíneo e grácil dobrados. O patelar osso-tendão-osso incorpora blocos ósseos nas extremidades. Ambos podem ser colocados anatomicamente quando o cirurgião perfura e confere adequadamente os túneis; a técnica de perfuração femoral é uma variável própria.
O compromisso entre enxertos. Os flexores evitam parte da dor anterior e do desconforto para ajoelhar associados à retirada do tendão patelar, mas o diâmetro pode variar e a fixação depende da integração de tecido mole ao osso. Em alguns estudos, especialmente com pacientes jovens e esportes de pivô, o patelar apresenta menos falhas; essa tendência não autoriza afirmar que todo enxerto de flexores rompe mais. Idade, atividade, diâmetro, lesões associadas, fixação e reabilitação também contam.
Como ler esta questão. A banca atribuiu aos flexores maior taxa de rotura e melhor posicionamento femoral, provavelmente contrastando técnicas tradicionais de reconstrução. Para raciocinar na prática, não confunda essa comparação histórica com uma regra anatômica: um túnel mal posicionado continua mal posicionado com qualquer enxerto.
D · maior taxa de rotura e melhor posicionamento anatômico no fêmur
Maior rotura e melhor posição femoral, segundo o gabarito. A primeira parte é uma tendência descrita em determinados grupos; a segunda depende da técnica de perfuração, não do enxerto isoladamente.
A · maior taxa de rotura e pior posicionamento anatômico no fêmur
Acerta a tendência de falha, mas erra a comparação cobrada para o túnel. Pela lógica da banca, o posicionamento femoral seria melhor com flexores; na prática ele depende da técnica.
B · menor taxa de rotura e melhor posicionamento anatômico no fêmur
Inverte a comparação de falha adotada pela banca. Algumas séries com flexores mostram mais falhas do que com patelar, sobretudo entre jovens de alta demanda.
C · menor taxa de rotura e pior posicionamento anatômico no fêmur
Inverte os dois atributos do gabarito. Além disso, não se pode deduzir o posicionamento femoral apenas pelo tecido escolhido para o enxerto.
A ruptura do tendão quadricipital e patelar está associado ao uso de:
esteroides
miorrelaxantes
anticoagulantes
anti-inflamatórios não esteroidais
Gabarito: A
Conceito-chave
Um tendão que perdeu resistência. A ruptura do mecanismo extensor pode atingir o tendão quadricipital, acima da patela, ou o patelar, abaixo dela. Uma contração excêntrica intensa pode romper um tendão previamente degenerado; se a ruptura for bilateral ou ocorrer após trauma mínimo, investigue fatores sistêmicos. Entre os medicamentos, corticoides sistêmicos ou infiltrados e esteroides anabolizantes são associações conhecidas. Fluoroquinolonas também merecem atenção, embora não apareçam nas alternativas.
Reconhecer muda a conduta. Incapacidade de estender ativamente o joelho ou elevar a perna estendida, defeito palpável e alteração da altura patelar sugerem ruptura completa. A patela tende a ficar baixa na ruptura quadricipital e alta na patelar. Diabetes, doença renal crônica, hiperparatireoidismo e doenças inflamatórias podem comprometer a qualidade tendínea. A ruptura completa geralmente exige reparo cirúrgico precoce; uma lesão parcial com extensão preservada pode seguir tratamento conservador selecionado.
A · esteroides
Esteroides. Corticoides e anabolizantes se associam a enfraquecimento tendíneo e ruptura do aparelho extensor.
B · miorrelaxantes
Miorrelaxantes não são o fator clássico. Eles podem produzir efeitos neurológicos ou sedativos, não a degeneração tendínea associada aos esteroides.
C · anticoagulantes
Anticoagulantes se relacionam a sangramento. Um hematoma pode dificultar a avaliação do joelho, mas não é o fator de risco tendíneo pedido.
D · anti-inflamatórios não esteroidais
Anti-inflamatórios não esteroidais não são a associação cobrada. O contraste importante é com os corticoides e, entre antibióticos, as fluoroquinolonas.
Na osteocondrite dissecante do joelho da criança, é uma indicação de tratamento cirúrgico:
o acometimento bilateral
a presença de fise aberta
a dor e a persistência do quadro por 3 meses
a persistência do quadro após fechamento da fise
Gabarito: D
Conceito-chave
A fise muda o prognóstico. A osteocondrite dissecante compromete o osso subcondral e pode desestabilizar a cartilagem que o recobre. No joelho, a localização clássica é a face lateral do côndilo femoral medial. Uma lesão estável em criança com fise aberta tem maior potencial de cicatrização: costuma-se iniciar com redução do impacto, ajuste de carga conforme o caso e acompanhamento clínico e por imagem.
Quando operar. Fragmento instável ou solto, corpo livre e sintomas persistentes apesar de tratamento conservador adequado são motivos para considerar cirurgia mesmo antes do fechamento da fise. Se a lesão persiste depois que a fise fecha, perde-se a vantagem biológica da osteocondrite juvenil e a indicação operatória se fortalece. Três meses de dor, isoladamente, não provam falha terapêutica; lesões estáveis com fise aberta frequentemente recebem observação por cerca de três a seis meses, conforme evolução.
O procedimento segue a estabilidade. Uma lesão estável persistente pode ser perfurada para estimular revascularização. Quando o fragmento é instável mas viável, procura-se reduzi-lo e fixá-lo. Perda de fragmento ou superfície inviável exige estratégia de restauração osteocondral, escolhida segundo tamanho, localização e maturidade esquelética.
D · a persistência do quadro após fechamento da fise
Persistência depois do fechamento da fise. A chance de cicatrização espontânea cai com a maturidade esquelética, tornando a cirurgia mais provável.
A · o acometimento bilateral
Bilateralidade não define cirurgia. Cada lesão é avaliada por sintomas, estabilidade e potencial de cicatrização.
B · a presença de fise aberta
Fise aberta favorece observação inicial. Ela aumenta o potencial de reparo de uma lesão estável, embora não impeça cirurgia se houver instabilidade.
C · a dor e a persistência do quadro por 3 meses
Três meses, por si só, não bastam. A duração deve ser interpretada junto à estabilidade, à resposta ao tratamento e à evolução nas imagens.
Na osteocondrite dissecante da patela, a lesão frequentemente é:
bilateral e apresenta hipocaptação na cintilografia óssea
bilateral e apresenta hipercaptação na cintilografia óssea
unilateral e apresenta hipocaptação na cintilografia óssea
unilateral e apresenta hipercaptação na cintilografia óssea
Gabarito: D
Conceito-chave
Uma localização incomum. A osteocondrite dissecante costuma atingir o côndilo femoral medial; a patela é uma sede bem menos frequente. O paciente pode apresentar dor anterior, derrame e sintomas mecânicos se o fragmento se tornar instável. A doença aparece em apenas um joelho na maior parte dos casos, mas examinar e investigar o lado oposto faz sentido quando há sintomas ou suspeita clínica.
O que a cintilografia mostra. O radiofármaco se acumula onde há maior metabolismo e remodelação do osso. Por isso a região de osteocondrite costuma apresentar hipercaptação, inclusive quando a lesão está na patela. A cintilografia não demonstra bem a integridade da superfície cartilaginosa; radiografias e, sobretudo, ressonância ajudam a definir tamanho, localização e estabilidade do fragmento, que são decisivos para a conduta.
Conduta pelo fragmento. Uma lesão estável em paciente imaturo pode ser acompanhada com restrição de impacto. Instabilidade, corpo livre ou persistência sintomática justificam discussão cirúrgica, com perfuração, fixação ou restauração osteocondral conforme a viabilidade do fragmento.
D · unilateral e apresenta hipercaptação na cintilografia óssea
Unilateral e hipercaptante é a combinação mais provável. A maioria dos casos é unilateral, e a lesão ativa tende a concentrar o traçador ósseo.
A · bilateral e apresenta hipocaptação na cintilografia óssea
Bilateralidade e hipocaptação não são o padrão pedido. Lesões bilaterais existem, mas a cintilografia da osteocondrite ativa costuma mostrar aumento, não redução, da captação.
B · bilateral e apresenta hipercaptação na cintilografia óssea
A captação está coerente, a lateralidade não é a predominante. Doença bilateral pode ocorrer e merece avaliação quando há sintomas nos dois joelhos.
C · unilateral e apresenta hipocaptação na cintilografia óssea
A lateralidade é plausível, a captação está invertida. Hipocaptação isolada não é o padrão cintilográfico ensinado para a lesão ativa.
O lado importa mais que o nome. O menisco discoide é uma variante de formato e espessura que acomete predominantemente o menisco lateral. Sua cobertura ampliada do platô e suas alterações estruturais favorecem fissuras e instabilidade. Pode ser assintomático ou causar estalido, dor, derrame e bloqueio, especialmente na infância.
Classificação de Watanabe. O tipo I é completo e recobre praticamente todo o platô lateral. O tipo II é incompleto e ocupa parte maior do platô do que um menisco habitual. Ambos conservam fixação periférica posterior. O tipo III, chamado variante de Wrisberg, perde as fixações posteriores usuais e fica preso essencialmente pelo ligamento meniscofemoral de Wrisberg; sua hipermobilidade produz o ressalto característico. Em uma revisão sistemática recente de joelhos operados e classificados, o completo foi o subtipo mais frequente, mas a distribuição pode variar com a população examinada.
Preservar tecido. Um menisco discoide assintomático não precisa de meniscectomia. Se houver sintomas, a artroscopia pode remodelar a porção central e suturar uma periferia instável. Retirar o menisco inteiro aumenta a sobrecarga e o risco de artrose lateral.
A · lateral e do tipo completo
Lateral e completo. O lado lateral é o mais acometido, e o tipo completo predomina em grandes séries de casos tratados cirurgicamente.
B · medial e do tipo completo
O formato completo é possível, mas o lado está errado. Menisco discoide medial existe, porém é muito menos frequente.
C · lateral e do tipo Wrisberg
O lado está certo, o subtipo não. A variante de Wrisberg é rara e costuma chamar atenção pela instabilidade e pelo estalido.
D · medial e do tipo Wrisberg
Combina o lado raro com um subtipo raro. Wrisberg designa a fixação posterior anômala, mais associada ao menisco lateral.
A ruptura do tendão quadríceps femoral ocorre frequentemente no idoso e no jovem, respectivamente, nas regiões:
osteotendínea e osteotendínea
osteotendínea e musculotendínea
musculotendínea e osteotendínea
musculotendínea e musculotendínea
Gabarito: B
Conceito-chave
O tendão tem pontos vulneráveis. O quadríceps converge para o polo superior da patela, compondo a metade proximal do aparelho extensor. Com envelhecimento, tendinopatia e doenças metabólicas, a região distal próxima da inserção patelar perde resistência e pode romper após uma contração excêntrica relativamente pequena. Na classificação didática desta questão, essa é a ruptura osteotendínea do idoso; no jovem, uma carga mais intensa pode lesar a junção musculotendínea.
Não confundir com o tendão patelar. Rupturas quadricipitais são mais comuns depois dos 40 anos, enquanto as do tendão patelar são mais típicas de adultos jovens ativos. Em ambos os casos, a incapacidade de estender ativamente o joelho ou de elevar o membro estendido sugere interrupção completa do aparelho extensor. Gap acima da patela e patela baixa apontam para lesão quadricipital; gap abaixo e patela alta, para lesão patelar.
A idade não dispensa exame. O local definitivo da ruptura deve ser identificado clinicamente e por imagem quando necessário. Rupturas completas geralmente recebem reparo precoce, enquanto lesões parciais com extensão preservada podem ser tratadas sem cirurgia em casos selecionados.
B · osteotendínea e musculotendínea
Osteotendínea no idoso e musculotendínea no jovem, segundo a banca. A comparação resume degeneração distal associada à idade e trauma mais intenso no jovem, sem constituir regra absoluta.
A · osteotendínea e osteotendínea
Repete a localização distal para as duas idades. A banca contrasta essa região no idoso com a junção musculotendínea no jovem; uma lesão distal em jovem, porém, não é impossível.
C · musculotendínea e osteotendínea
Inverte a associação ensinada. A região distal degenerada é o padrão atribuído ao idoso nesta questão.
D · musculotendínea e musculotendínea
Generaliza a junção musculotendínea. Ela pode ser lesada, mas a resposta oficial situa a ruptura típica do idoso perto da inserção patelar.
No tratamento das instabilidades ligamentares é indicação para osteotomia valgizante da tíbia a:
lesão recorrente do ligamento colateral lateral
lesão meniscal combinada associada a duplo ou triplo varo
insuficiência do cruzado posterior associada a duplo ou triplo varo
frouxidão ligamentar lateral ou posterolateral associada a joelho varo
Gabarito: D
Conceito-chave
Corrigir o eixo para proteger os ligamentos. Quando o joelho varo também apresenta frouxidão lateral ou posterolateral, cada passo pode abrir o compartimento lateral. Esse impulso em varo, visível durante a marcha, sobrecarrega tanto os ligamentos remanescentes quanto uma eventual reconstrução. A osteotomia tibial valgizante desloca o eixo de carga e reduz essa força; pode ser feita antes da reconstrução ligamentar ou combinada a ela, conforme a deformidade e a instabilidade residual.
Duplo e triplo varo. Na descrição clássica, o varo simples é predominantemente ósseo. O duplo acrescenta abertura lateral por insuficiência de partes moles. O triplo soma hiperextensão e rotação associadas à lesão posterolateral mais extensa. Lesões do LCP podem coexistir com esse quadro; por isso é preciso avaliar o eixo em pé, o impulso durante a marcha e as estruturas ligamentares, em vez de decidir pela osteotomia apenas pelo nome do ligamento roto.
O plano sagital também conta. A inclinação posterior do platô tibial influencia a translação tibial e pode precisar de ajuste em deformidades combinadas. A correção planejada depende do padrão de instabilidade e não se resume a abrir uma cunha medial em todos os casos.
D · frouxidão ligamentar lateral ou posterolateral associada a joelho varo
Frouxidão lateral ou posterolateral com varo. A osteotomia valgizante reduz o impulso em varo que perpetua a abertura lateral e ameaça a reconstrução.
A · lesão recorrente do ligamento colateral lateral
Recorrência isolada não define osteotomia. É preciso demonstrar varo mecânico ou funcional relevante; sem ele, a indicação principal é reavaliar e tratar a lesão ligamentar.
B · lesão meniscal combinada associada a duplo ou triplo varo
A lesão meniscal não é a razão principal. O duplo ou triplo varo pode exigir correção do eixo, mas o menisco associado não é o critério que melhor expressa a indicação ligamentar.
C · insuficiência do cruzado posterior associada a duplo ou triplo varo
Pode ser verdadeira em um joelho combinado. O LCP insuficiente com duplo ou triplo varo frequentemente envolve instabilidade posterolateral; a banca preferiu a descrição explícita da frouxidão lateral da alternativa D.
Na instabilidade patelar, o esporão supratroclear com tróclea plana é classificada por DEJOUR como:
tipo A
tipo B
tipo C
tipo D
Gabarito: B
Conceito-chave
O que o perfil mostra. A classificação de Dejour descreve a displasia da tróclea femoral, fator anatômico importante para luxação lateral da patela. Na radiografia em perfil verdadeiro, o sinal do cruzamento indica que o fundo troclear encontra a linha anterior dos côndilos. O esporão supratroclear é uma proeminência proximal que pode dificultar o encaixe da patela; o duplo contorno revela assimetria das facetas.
Os quatro tipos. No tipo A, há tróclea rasa com sinal do cruzamento, mas sem esporão ou duplo contorno característicos. No tipo B, a tróclea é plana ou convexa e existe esporão supratroclear. O tipo C reúne sinal do cruzamento e duplo contorno, com faceta medial hipoplásica e faceta lateral convexa, sem o esporão típico. O tipo D combina cruzamento, esporão e duplo contorno, produzindo o aspecto de penhasco na imagem axial.
Aplicação clínica. Os tipos B e D representam displasia de alto grau com esporão, mas a indicação de trocleoplastia não decorre apenas da letra: depende de instabilidade recorrente, maturidade esquelética, cartilagem e outros fatores anatômicos.
B · tipo B
Tipo B. Tróclea plana associada a esporão supratroclear compõe a descrição clássica desse tipo.
A · tipo A
Tróclea rasa, sem esporão característico. O tipo A tem sinal do cruzamento, mas não a combinação indicada no enunciado.
C · tipo C
Predomina o duplo contorno. O tipo C indica assimetria das facetas, não a tróclea plana com esporão isolado.
D · tipo D
Faltou o duplo contorno e o penhasco. O tipo D inclui esporão, mas soma essas alterações à morfologia do tipo B.
A ruptura espontânea do tendão do quadríceps femoral ocorre mais frequentemente na região hipovascular situada:
a 5 cm da patela
na inserção da patela
entre 1 e 2 cm da patela
na inserção do retináculo medial
Gabarito: C
Conceito-chave
Onde procurar a lesão. O tendão quadricipital termina no polo superior da patela. Um estudo anatômico que se tornou referência descreveu menor suprimento vascular cerca de 1 a 2 cm proximal a esse polo, região frequentemente citada ao explicar rupturas espontâneas ou de baixa energia. Degeneração tendínea, idade e doenças sistêmicas também participam, e a ruptura pode ocorrer em outros níveis.
Mecanismo e exame. Ao tropeçar, a pessoa contrai o quadríceps enquanto o joelho flexiona, impondo carga excêntrica ao tendão. Incapacidade de manter a perna elevada, falha palpável acima da patela e patela baixa sugerem interrupção completa. Diabetes, doença renal, hiperparatireoidismo e exposição a corticoides elevam a suspeita de fragilidade tendínea; ruptura bilateral exige atenção especial a esses fatores.
Conduta. A lesão completa costuma requerer reparo precoce. Em lesão parcial com extensão ativa preservada, o tratamento pode ser não operatório após avaliar a extensão da rotura e as demandas do paciente.
C · entre 1 e 2 cm da patela
Entre 1 e 2 cm da patela. É a localização da zona de menor vascularização descrita no estudo clássico, medida a partir do polo superior.
A · a 5 cm da patela
Distância maior que a citada na descrição clássica. Cinco centímetros acima da patela não correspondem à faixa perguntada.
B · na inserção da patela
A inserção é distal à faixa descrita. A referência anatômica tradicional situa a zona 1 a 2 cm acima do polo superior, não exatamente nele.
D · na inserção do retináculo medial
O retináculo é outra estrutura. Sua inserção não define a região do tendão quadricipital cobrada pela questão.
A meniscectomia total medial e lateral aumenta a força de contato nos respectivos compartimentos em torno de:
50% e 100%
100% e 50%
100% e 200%
200% e 100%
Gabarito: C
Conceito-chave
O menisco distribui, não cria, carga. O menisco aumenta a área de contato entre fêmur e tíbia e transforma parte da compressão axial em tensão circunferencial nas fibras periféricas. Sem ele, uma área menor recebe a carga articular e o pico de pressão sobe. O compartimento lateral depende especialmente dessa função por sua geometria menos congruente; por isso a meniscectomia lateral tende a ser biomecanicamente mais prejudicial.
Os números da banca. A comparação tradicional ensinada nesta questão é aumento aproximado de 100% da pressão no compartimento medial e 200% no lateral depois da retirada total dos respectivos meniscos. Eles não são constantes fisiológicas. Estudos cadavéricos e modelos mecânicos encontram variações relevantes conforme posição do joelho, método de medição e extensão da ressecção.
Consequência prática. Sempre que a lesão permitir, preservar ou reparar o menisco mantém área de contato e ajuda a proteger a cartilagem. Uma lesão de raiz ou radial completa pode abolir a transmissão circunferencial de carga e se aproximar funcionalmente da meniscectomia, mesmo sem remoção de tecido.
C · 100% e 200%
Cerca de 100% medial e 200% lateral, no esquema da banca. O aumento maior no lado lateral reflete sua maior dependência do menisco para distribuir a carga.
A · 50% e 100%
Subestima os aumentos ensinados. Esses números poderiam aparecer em outro ensaio ou condição de carga, mas não correspondem à aproximação adotada aqui.
B · 100% e 50%
Além de menores, invertem a relação. O compartimento lateral tende a sofrer maior aumento de pressão após meniscectomia total.
D · 200% e 100%
Inverte os lados. A comparação clássica coloca o aumento maior no compartimento lateral, não no medial.
Na lesão do ligamento cruzado posterior, a complicação pós-operatória mais comum é a:
lesão vascular
lesão neurológica
redução do arco de movimento
necrose do côndilo femoral medial
Gabarito: C
Conceito-chave
Reconstruir não encerra o tratamento. Após reconstrução do LCP, imobilização, dor, edema e fibrose podem reduzir o arco de movimento, sobretudo a flexão. A reabilitação precisa recuperar mobilidade sem deixar a tíbia cair posteriormente nem sobrecarregar o enxerto. Rigidez importante pode exigir mobilização ou liberação de aderências.
Outra sequela frequente. A frouxidão posterior residual pode persistir apesar de melhora funcional. Túnel mal posicionado, lesão posterolateral não tratada, fixação e alongamento do enxerto contribuem. A curva aguda do enxerto no túnel tibial transtibial, chamada de killer turn, é um dos problemas biomecânicos discutidos; técnicas de fixação posterior direta procuram evitá-la.
O que é raro e grave. Artéria poplítea e nervos ficam próximos do trabalho na face posterior da tíbia. Lesão neurovascular é potencialmente devastadora, mas menos frequente que perda de movimento ou frouxidão residual. Osteonecrose do côndilo femoral medial não é a complicação pós-operatória típica que orienta esta escolha.
C · redução do arco de movimento
Redução do arco de movimento, entre as opções. A rigidez é uma complicação relevante e mais comum que as lesões neurovasculares e a osteonecrose listadas.
A · lesão vascular
Grave, porém rara. A lesão da artéria poplítea é um risco anatômico durante a passagem do túnel tibial, não a complicação mais frequente.
B · lesão neurológica
Também é rara. Déficit neurológico pode ocorrer por lesão ou tração, mas não predomina sobre rigidez e frouxidão residual.
D · necrose do côndilo femoral medial
Não é a sequela característica. Osteonecrose femoral pode ocorrer em contextos específicos, mas não define o pós-operatório usual da reconstrução do LCP.
A osteocondrite dissecante do joelho é mais frequente em:
meninos e no côndilo femoral medial
meninos e no côndilo femoral lateral
meninas e no côndilo femoral medial
meninas e no côndilo femoral lateral
Gabarito: A
Conceito-chave
Perfil epidemiológico. A osteocondrite dissecante do joelho aparece com mais frequência em meninos e adolescentes ativos, embora meninas também sejam afetadas. A lesão envolve osso subcondral e pode comprometer a cartilagem sobrejacente. O côndilo femoral medial é o local mais comum, frequentemente em sua face lateral, próxima à incisura intercondilar; o côndilo lateral e a articulação patelofemoral são localizações menos frequentes.
Como suspeitar. Dor relacionada a atividade, derrame e, quando há fragmento instável, travamento ou sensação de corpo livre podem aparecer. Radiografias com incidência intercondilar ajudam a mostrar a lesão; ressonância avalia o fragmento e a cartilagem. O sinal de Wilson, dor ao estender o joelho com a tíbia rodada internamente que melhora com rotação externa, é clássico, mas sua ausência não exclui o diagnóstico.
Maturidade e estabilidade orientam o tratamento. Lesões estáveis com fise aberta têm maior chance de cicatrizar com redução do impacto e seguimento. Instabilidade, corpo livre ou falha de tratamento conservador sustentado levam à discussão de perfuração, fixação ou restauração da superfície, conforme o fragmento.
A · meninos e no côndilo femoral medial
Meninos e côndilo femoral medial. Essa combinação reúne o grupo e a localização mais frequentes.
B · meninos e no côndilo femoral lateral
O sexo corresponde ao predomínio, o côndilo não. Lesões laterais ocorrem, mas são menos comuns que as mediais.
C · meninas e no côndilo femoral medial
A localização está certa, o grupo não é o predominante. Meninas também podem ter a doença, porém a frequência descrita costuma ser maior em meninos.
D · meninas e no côndilo femoral lateral
Troca os dois elementos predominantes. Nem o sexo feminino nem o côndilo lateral representam a combinação epidemiológica mais frequente.
A atividade de vida diária que mais exige flexão do joelho é:
correr
caminhar
subir escadas
descer escadas
Gabarito: D
Conceito-chave
Flexão não é a mesma coisa que esforço. A amplitude máxima do joelho e o momento exigido do quadríceps são medidas diferentes. Caminhar em plano costuma precisar de menos flexão que negociar degraus. Na descida, o membro de apoio flexiona enquanto o quadríceps freia o corpo de forma excêntrica; isso ajuda a explicar por que a tarefa costuma ser difícil para quem tem dor femoropatelar, fraqueza ou rigidez após cirurgia.
A resposta depende do cenário. Ao comparar atividades, considere tamanho do degrau, cadência, fase de apoio ou balanço e se o estudo relata pico de flexão ou carga articular. Numa avaliação funcional, anotar apenas que o paciente consegue caminhar pode ocultar dificuldade importante para descer escadas. A banca escolheu essa atividade como a de maior flexão entre as quatro, mas a literatura não permite generalizar essa ordem a toda execução.
D · descer escadas
Descer escadas, no enquadramento da banca. A descida combina flexão sob carga e controle excêntrico, sendo uma tarefa funcional exigente.
A · correr
Correr pode exigir muita flexão, sobretudo no balanço. O pico depende da velocidade e da técnica; não é seguro afirmar que sempre fica abaixo da descida.
B · caminhar
Caminhar em plano geralmente exige menos flexão. É a comparação mais estável entre as atividades listadas.
C · subir escadas
Subir escadas também exige flexão considerável. A diferença em relação à descida varia com a altura do degrau e a forma de medir o movimento.
Na gonartrose unicompartimental medial, preconiza-se para o paciente de 50 anos de idade com joelho varo de 25°
artroplastia total do joelho.
osteotomia tibial de adição medial.
artroplastia unicompartimental medial.
osteotomia femoral de cunha de subtração lateral.
Gabarito: A
Conceito-chave
Um varo de 25 graus muda a escolha. A osteotomia tibial valgizante e a artroplastia unicompartimental funcionam melhor quando a artrose é realmente isolada e a deformidade é limitada e corrigível. Um varo de 25 graus é grande para ambas: tentar compensá-lo inteiramente numa osteotomia tibial pode produzir obliquidade excessiva da interlinha, enquanto uma prótese unicompartimental não foi concebida para corrigir deformidade fixa tão acentuada.
Por que artroplastia total apesar dos 50 anos. A idade isolada favorece preservação articular quando possível, mas não supera uma deformidade severa. A artroplastia total permite tratar a superfície comprometida e balancear o joelho durante a correção. O planejamento deve identificar quanto do varo vem da tíbia, do fêmur ou da frouxidão ligamentar, avaliar se a deformidade é redutível e verificar o estado dos outros compartimentos. Em casos selecionados, há estratégias combinadas, mas não são a resposta padrão apresentada aqui.
A · artroplastia total do joelho.
Artroplastia total do joelho. O varo de 25 graus ultrapassa o cenário habitual da osteotomia isolada e da prótese unicompartimental, mesmo num paciente de 50 anos.
B · osteotomia tibial de adição medial.
A correção tibial isolada seria grande demais. Osteotomia de abertura medial é útil em varo moderado com artrose medial, não como escolha automática para 25 graus.
C · artroplastia unicompartimental medial.
A deformidade limita a unicompartimental. Ela requer seleção cuidadosa e varo corrigível, não uma correção extensa por meio do implante.
D · osteotomia femoral de cunha de subtração lateral.
É uma osteotomia para outro padrão. A subtração lateral femoral é empregada tipicamente para corrigir valgo de origem femoral e sobrecarga lateral.
Na ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho, a fratura de SEGOND corresponde à avulsão da
margem lateral da tíbia.
margem medial da tíbia.
eminência intercondilar.
ápice da cabeça da fíbula.
Gabarito: A
Conceito-chave
O fragmento de Segond fica na margem lateral da tíbia. O ponto decisivo não é simplesmente haver um pequeno fragmento perto do joelho, mas de qual osso e de qual margem ele se desprendeu.
O resumo relaciona a avulsão de Segond ao ligamento anterolateral e à cápsula anterolateral. Assim, o fragmento é uma pista óssea de lesão de partes moles: procurar apenas uma grande fratura e ignorar a pequena avulsão pode deixar escapar o padrão ligamentar associado (Rockwood, 10ª ed., cap. 61, “Radiografias”).
É especialmente útil comparar com o sinal arqueado: nele, a avulsão é da cabeça da fíbula, e a suspeita recai sobre o canto posterolateral. O canto reúne colateral fibular, tendão do poplíteo e ligamento popliteofibular. Segond e sinal arqueado são laterais, mas não são o mesmo fragmento nem apontam para o mesmo conjunto anatômico.
A eminência intercondilar ocupa outra região da tíbia, entre os planaltos; a margem medial está do lado oposto ao anterolateral. Localizar o fragmento antes de nomear a lesão evita tratar toda avulsão como sinônimo de Segond. A avaliação ligamentar e a RM completam a investigação quando indicada.
A · margem lateral da tíbia.
A: margem lateral da tíbia. A avulsão acompanha a inserção do complexo anterolateral descrita no capítulo. O pequeno fragmento deve levar à investigação da lesão ligamentar, não ser lido apenas como uma fratura isolada.
B · margem medial da tíbia.
Troca a lateralidade da lesão. A margem medial da tíbia não é o local da avulsão anterolateral de Segond. Reconhecer o lado é indispensável antes de relacionar o fragmento às estruturas ligamentares.
C · eminência intercondilar.
Confunde a borda com a região entre os planaltos. A eminência intercondilar é central, enquanto Segond é marginal e lateral. A proximidade no mesmo osso não torna as duas avulsões equivalentes.
D · ápice da cabeça da fíbula.
Aponta para o sinal arqueado, não para Segond. A avulsão da cabeça da fíbula é uma pista de lesão do canto posterolateral. O osso de origem já separa os dois achados: fíbula em D, tíbia na resposta correta.
No menisco discoide, segundo a classificação de WATANABE, o tipo que mais comumente se apresenta com ressalto lateral (snapping) em uma criança de 2 a 3 anos é o
I.
II.
III.
IV.
Gabarito: C
Conceito-chave
Formato e fixação são perguntas distintas. Na classificação de Watanabe, o tipo I é discoide completo e cobre praticamente todo o platô lateral. O tipo II é incompleto, com aumento parcial da cobertura. O tipo III é a variante de Wrisberg: faltam fixações posteriores usuais do menisco lateral, que fica hipermóvel, mesmo que seu formato não seja um disco completo. A classificação original não contém tipo IV.
O joelho que estala. No tipo III, o segmento posterior pode deslocar-se durante a flexão e reduzir durante a extensão, produzindo ressalto lateral perceptível numa criança pequena. Tipos I e II também podem causar dor, estalidos ou bloqueio quando se rompem ou apresentam instabilidade periférica, mas a associação clássica entre ressalto espontâneo e menisco hipermóvel é a variante de Wrisberg.
Tratar sintomas preservando menisco. Um achado assintomático pode ser observado. Para sintomas persistentes, a artroscopia permite estabilizar a periferia e, se houver excesso de tecido central, remodelar o menisco. Meniscectomia total sacrifica proteção cartilaginosa e deve ser evitada.
C · III.
Tipo III, variante de Wrisberg. A falta de fixação posterior torna o menisco hipermóvel e explica o ressalto lateral característico.
A · I.
Tipo I é completo. Seu formato pode predispor a problemas, mas não define a hipermobilidade posterior clássica do ressalto descrito.
B · II.
Tipo II é incompleto. A cobertura parcial do platô não explica, por si só, o mecanismo típico de subluxação do tipo III.
D · IV.
Não integra a classificação original. Watanabe descreve os tipos I, II e III.
Na luxação patelar intra-articular, a superfície articular da patela está comumente
horizontalizada e voltada para a tíbia.
horizontalizada e voltada para o fêmur.
verticalizada e voltada para o côndilo lateral.
verticalizada e voltada para o côndilo medial.
Gabarito: A
Conceito-chave
Uma luxação rara e bloqueada. A luxação patelar intra-articular não é a luxação lateral habitual. Na variedade horizontal, a patela gira em torno do eixo transversal e um dos seus polos fica impactado na articulação. A superfície articular se horizontaliza; conforme o sentido da rotação, pode olhar para a tíbia ou para o fêmur. O joelho costuma ficar doloroso e bloqueado, e a radiografia de perfil ajuda a reconhecer a patela deitada.
Não confundir os eixos. Na variedade vertical, a patela roda em torno de seu eixo longitudinal e fica de lado, com uma borda encravada. Dizer que a superfície está voltada para um dos côndilos laterais ou mediais não descreve a orientação inferior que a banca quer nesta pergunta.
Conduta individualizada. Tentativa cuidadosa de redução fechada sob analgesia ou anestesia pode ser possível. Encarceramento, fratura osteocondral ou lesão do tendão quadricipital podem exigir redução aberta e reparo; manobras forçadas sem entender a orientação aumentam o risco de dano cartilaginoso.
A · horizontalizada e voltada para a tíbia.
Horizontalizada e voltada para a tíbia, conforme o gabarito. É uma orientação possível na luxação intra-articular horizontal, embora não seja a única descrita.
B · horizontalizada e voltada para o fêmur.
Também pode ocorrer após rotação no sentido oposto. Superfície horizontal voltada para o fêmur não é necessariamente posição normal; por isso a questão é ambígua.
C · verticalizada e voltada para o côndilo lateral.
Descreve uma orientação lateral. Ela sugere rotação em eixo longitudinal, não a apresentação horizontal escolhida pela banca.
D · verticalizada e voltada para o côndilo medial.
Também desloca a discussão para o eixo longitudinal. A superfície voltada para o côndilo medial não expressa a face inferior pedida no gabarito.
No exame físico do joelho, são manobras indicadas para a avaliação de lesões meniscais os testes de
GODFREY e CLARKE.
STEINMANN e CLARKE.
MCMURRAY e GODFREY.
STEINMANN e MCMURRAY.
Gabarito: D
Conceito-chave
Dois testes para o menisco. McMurray combina flexão, rotação da tíbia e extensão progressiva enquanto o examinador observa dor ou ressalto na interlinha. No Steinmann I, a rotação tibial com o joelho fletido provoca dor na interlinha correspondente; no Steinmann II, o ponto de dor à palpação migra posteriormente com a flexão. Nenhum teste isolado confirma ou exclui ruptura, então mecanismo, derrame, sintomas mecânicos e exame conjunto importam.
O sentido da rotação. Na descrição clássica, rotação externa da tíbia tensiona o menisco medial, enquanto rotação interna explora o lateral. Apley e Thessaly são outras manobras meniscais. A escolha de uma delas depende da tolerância do paciente, especialmente em lesão aguda dolorosa.
Dois distratores de outros diagnósticos. Godfrey observa a queda posterior da tíbia com quadril e joelho fletidos a 90 graus, um sinal de insuficiência do LCP. Clarke comprime a patela durante a contração do quadríceps para provocar dor femoropatelar, mas tem baixa especificidade e pode ser positivo sem doença patelar relevante.
D · STEINMANN e MCMURRAY.
Steinmann e McMurray. Ambos exploram sintomas na interlinha durante movimentos que solicitam os meniscos.
A · GODFREY e CLARKE.
Nenhum dos dois é teste meniscal principal. Godfrey avalia queda tibial posterior no LCP; Clarke provoca dor femoropatelar.
B · STEINMANN e CLARKE.
Steinmann é meniscal, Clarke não. O segundo teste investiga dor femoropatelar, com interpretação clínica cautelosa.
C · MCMURRAY e GODFREY.
McMurray é meniscal, Godfrey não. Godfrey mostra o afundamento posterior da tíbia na lesão do LCP.
A localização clássica da osteocondrite dissecante do joelho do adolescente é a área
medial do côndilo femoral lateral.
medial do côndilo femoral medial.
lateral do côndilo femoral lateral.
lateral do côndilo femoral medial.
Gabarito: D
Conceito-chave
Dois lados na mesma frase. A localização clássica da osteocondrite dissecante do joelho é a face lateral do côndilo femoral medial, perto da incisura intercondilar. O primeiro adjetivo indica a face do côndilo; o segundo, qual côndilo. Essa distinção evita confundir a lesão medial clássica com uma lesão do côndilo femoral lateral.
O que acontece ali. A osteocondrite compromete o osso subcondral e pode desestabilizar o fragmento osteocondral. Sua causa não está fechada: microtrauma repetido, características da ossificação e da vascularização são hipóteses. A localização próxima à espinha tibial ajuda a entender o sinal de Wilson, dor durante a extensão com rotação interna da tíbia que pode aliviar com rotação externa, mas o teste isolado não confirma nem exclui a doença.
Imagem e conduta. Radiografias incluem a incidência intercondilar, que expõe melhor a região posterior dos côndilos. A ressonância ajuda a avaliar tamanho e estabilidade. Em adolescentes com fise aberta e lesão estável, há potencial de cicatrização com redução de impacto e acompanhamento; fragmento instável ou persistência após tratamento adequado pode exigir cirurgia.
D · lateral do côndilo femoral medial.
Área lateral do côndilo femoral medial. É a região intercondilar que concentra a apresentação clássica.
A · medial do côndilo femoral lateral.
Troca o côndilo. A face medial do côndilo lateral pode ter lesões, mas não é o local clássico descrito.
B · medial do côndilo femoral medial.
Escolhe o côndilo certo e a face errada. A área predominante fica na face lateral do côndilo medial, próxima à incisura.
C · lateral do côndilo femoral lateral.
Troca côndilo e face. A superfície lateral do côndilo lateral não corresponde à topografia tradicional da osteocondrite juvenil.
Ler a direção da fissura. A ruptura longitudinal segue o contorno do menisco e as fibras circunferenciais. Se um fragmento longitudinal se desloca para a incisura, forma a alça de balde e pode bloquear o joelho. É um padrão importante após trauma, especialmente em paciente jovem com lesão do LCA, e uma ruptura periférica bem vascularizada pode ser candidata à sutura.
Outros padrões e seus efeitos. A ruptura radial, ou transversal, atravessa as fibras circunferenciais; quando completa, reduz fortemente a capacidade de transmitir carga, semelhante à perda funcional do menisco. A oblíqua pode produzir um retalho móvel. A horizontal separa folhas superior e inferior e aparece com frequência em degeneração. Lesões complexas combinam direções e são comuns em tecido degenerado. A lesão de raiz compromete a fixação do menisco e também prejudica a transmissão da carga.
Frequência depende de quem se examina. Em um conjunto de lesões traumáticas, a longitudinal pode predominar; em uma população idosa com artrose e achados de ressonância, o perfil muda. Para tratar, localização, estabilidade, vascularização, sintomas e qualidade do tecido são mais úteis do que decorar uma única ordem de frequência.
D · Longitudinal
Longitudinal, no contexto traumático pressuposto pela banca. Esse padrão é clássico no jovem e pode evoluir para alça de balde.
A · Oblíqua
Oblíqua é uma ruptura em retalho. Pode ser frequente, sobretudo em degeneração, mas não é a resposta tradicional adotada pela banca para o cenário traumático.
B · Transversa
Transversa equivale à direção radial. Sua importância é romper fibras circunferenciais, não representar o padrão escolhido como mais comum nesta questão.
C · Combinada
Combinada descreve padrão complexo. É particularmente relevante em meniscos degenerados, o que mostra a limitação do enunciado sem faixa etária.
Na reconstrução do LCP, a complicação mais comum é a
lesão nervosa
perda da flexão
dor patelofemoral
instabilidade residual
Gabarito: D
Conceito-chave
Depois de reconstruir o LCP, o joelho pode melhorar e ainda conservar frouxidão posterior. Entre as complicações listadas, a instabilidade residual é a resposta D. Recuperação clínica e normalização de todos os testes não são a mesma coisa.
O LCP é o principal restritor da posteriorização da tíbia. Reconstruí-lo exige restaurar sua posição e tensão, mas também reconhecer o que mais rompeu. Se o canto posterolateral permanece insuficiente, a reconstrução isolada do LCP deixa mais translação posterior residual. O enxerto não consegue substituir sozinho toda a contenção perdida (Rockwood, 10ª ed., cap. 61, “O que costuma sobrar depois”).
Na série de 35 reconstruções combinadas dos cruzados citada pelo resumo, Lachman e pivot shift normalizaram em 94%, enquanto a gaveta posterior normalizou em apenas 46%. São resultados dessa série combinada, não uma taxa universal de falha de toda reconstrução isolada do LCP.
Rigidez também merece prevenção e tratamento. O capítulo pondera que um joelho um pouco frouxo, mas móvel, pode funcionar melhor que um firme com artrofibrose. Isso não é licença para aceitar instabilidade grosseira: é motivo para equilibrar estabilidade, movimento e reabilitação.
D · instabilidade residual
D: instabilidade residual. A translação posterior pode persistir apesar da reconstrução e se agrava se uma lesão associada do canto não for tratada. O exame posterior deve ser acompanhado separadamente da estabilidade anterior.
A · lesão nervosa
É um risco anatômico, não o problema residual destacado. A perfuração tibial do LCP exige proteção do feixe neurovascular. Uma lesão nervosa pode ser grave, mas não explica o padrão frequente de gaveta posterior que não normaliza.
B · perda da flexão
Rigidez é relevante e deve ser evitada. Imobilização e artrofibrose podem reduzir a flexão, justificando movimento protegido conforme a montagem. Entre as opções desta pergunta, porém, a persistência de instabilidade é o achado que o resumo salienta após a reconstrução do LCP.
C · dor patelofemoral
Dor e frouxidão precisam de avaliações distintas. O joelho pode doer e perder movimento após lesão multiligamentar, mas dor patelofemoral não é apresentada como o principal problema residual dessa reconstrução. Não se deve usá-la como substituto de avaliação da translação posterior.
A ruptura do ligamento patelar é mais comum em pacientes
acima de 40 anos, na tuberosidade da tíbia
abaixo de 40 anos, na tuberosidade da tíbia
acima de 40 anos, no polo inferior da patela
abaixo de 40 anos, no polo inferior da patela
Gabarito: D
Conceito-chave
O tendão patelar rompe mais frequentemente abaixo dos 40 anos e na inserção no polo inferior da patela. É a alternativa D. Idade e localização formam duas pistas independentes; reconhecer apenas uma delas deixa metade da pergunta sem resposta.
O tendão liga o ápice da patela à tuberosidade da tíbia. A ruptura proximal é a mais comum na descrição, como avulsão, associada à menor rigidez das fibras na inserção e à maior deformação no polo inferior. A ruptura distal na tuberosidade é a menos comum (resumo do Rockwood, 10ª ed., cap. 60, “Rupturas tendíneas” e “Tendão patelar agudo”).
A comparação com o quadricipital ajuda: ele rompe mais acima dos 40 anos, em degeneração ou doença sistêmica. São distribuições habituais, não barreiras que impeçam uma ruptura patelar num paciente mais velho. A frequência deve orientar a hipótese, enquanto o exame confirma onde o mecanismo perdeu continuidade.
Na ruptura completa do patelar, os retináculos costumam também se romper e a extensão ativa se perde. O quadríceps pode puxar a patela para cima sem a oposição do tendão, produzindo patela alta na radiografia. Localização da dor, defeito, extensão e imagem precisam ser relacionados, em vez de usar idade como diagnóstico.
No resumo da Biblioteca, compare os dois tendões e depois a inserção patelar. A diferença anatômica explica tanto o local de falha quanto a direção da alteração da altura.
D · abaixo de 40 anos, no polo inferior da patela
D: abaixo de 40 anos; polo inferior da patela. É a associação habitual de idade e inserção proximal descrita.
Ela deve ser confirmada pelo exame do aparelho extensor e pela imagem, sem excluir apresentações fora da faixa mais comum.
A · acima de 40 anos, na tuberosidade da tíbia
Troca a distribuição etária e o local predominante. Mais de 40 anos remete ao padrão quadricipital; a tuberosidade é o local distal menos comum da ruptura patelar.
A opção combina duas pistas que não caracterizam a apresentação habitual perguntada.
B · abaixo de 40 anos, na tuberosidade da tíbia
Acerta a idade e desloca a ruptura para a extremidade menos comum. O tendão patelar pode romper junto da tíbia, mas predomina no polo inferior da patela.
Possibilidade anatômica não equivale à frequência solicitada.
C · acima de 40 anos, no polo inferior da patela
Reconhece a inserção proximal e usa a faixa etária mais ligada ao quadricipital. O patelar é mais comum abaixo dos 40.
O local correto não deve levar a aceitar automaticamente a outra metade do par.
Na instabilidade patelar o sinal do cruzamento é observado na tróclea do tipo.
I
II
III
IV
Gabarito: B
Conceito-chave
O que é o cruzamento. Na radiografia de perfil verdadeiro, a linha que representa o fundo da tróclea cruza o contorno anterior dos côndilos femorais. Isso indica perda da profundidade normal do sulco proximal e é uma pista de displasia troclear, importante fator anatômico de instabilidade patelar. O alinhamento radiográfico deve ser adequado, porque um perfil rodado pode dificultar a leitura das linhas.
Uma classificação depende de mais sinais. Na versão atual de Dejour, o tipo A tem cruzamento e tróclea rasa; o B acrescenta esporão supratroclear e tróclea plana; o C acrescenta duplo contorno por assimetria das facetas; o D reúne esporão, duplo contorno e aspecto de penhasco. Assim, todos podem apresentar cruzamento. Versões antigas numeradas classificavam a tróclea por outra lógica, o que impede traduzir automaticamente "tipo II" para "tipo B".
Na clínica. Além da forma troclear, avaliam-se patela alta, distância entre tuberosidade tibial e sulco troclear, eixo, torção e integridade do ligamento patelofemoral medial. O tratamento não é escolhido por um sinal isolado na radiografia.
B · II
Tipo II, conforme o gabarito oficial. O enunciado não traz sinais suficientes para sustentar essa identificação de forma independente.
A · I
Tipo I pode conter o cruzamento na classificação antiga. Na classificação atual, a apresentação com cruzamento isolado é tipo A, mostrando a ambiguidade da questão.
C · III
Tipo III não é excluído apenas pelo cruzamento. Seriam necessários os outros achados da classificação numerada adotada pela banca.
D · IV
O cruzamento não distingue este tipo. Mesmo displasias graves podem apresentá-lo; os sinais adicionais é que separam os subtipos.