Orto Questões

Plexo braquial e paralisia obstétrica

Mão e punhoResumo do capítulo31 min de leitura

Divisões posteriores formam o fascículo posterior (toracodorsal, axilar, radial); escapular dorsal de C5 e torácico longo de C5 a C7; HORNER, romboide e serrátil paralisados e diafragma elevado indicam avulsão; pan-plexo é o padrão traumático mais comum; cotovelo antes do ombro; OBERLIN (ulnar para bíceps com C8-T1 íntegros), acessório para supraescapular, LEECHAVENGVONGS (cabeça longa do tríceps para o axilar); obstétrica: distocia de ombro, lado direito, NARAKAS I a IV, bíceps antigravitacional decide a microcirurgia; contratura em RI com displasia de WATERS, L'EPISCOPO para RE e osteotomia derrotativa no ombro incongruente.

Atualizado em 03/11/2026 · 31 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 34 · Traumatic Brachial Plexus Injury (com o capítulo 40, Pediatric Brachial Plexus Palsy), em Green's Operative Hand Surgery, 7ª edição (2017), com o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 12) e o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 36). Autores do capítulo: Robert J. Spinner, Alexander Y. Shin, Bassem T. Elhassan e Allen T. Bishop (cap. 34); Roger Cornwall e Peter M. Waters (cap. 40).

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de mão e punho do Green, capítulo 34, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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No leitor: marcações, notas e as questões no meio do texto, que abrem sem perder o lugar da leitura.

Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo junta dois capítulos do Green's Operative Hand Surgery, 7ª edição (2017): o capítulo 34 (Traumatic Brachial Plexus Injury), sobre a lesão do adulto, e o capítulo 40 (Pediatric Brachial Plexus Palsy), sobre a paralisia obstétrica. Onde o Green é curto, entram o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 12), e o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 36). As páginas citadas são as impressas.

A prova cobra quatro raciocínios. Anatomia: de onde sai cada nervo, para deduzir o nível pelo músculo que falta. O gânglio da raiz dorsal: a lesão pré-ganglionar (avulsão) não se recupera nem se enxerta, e o exame a denuncia. Estratégia: quando operar, o que reconstruir primeiro e qual doador usar. A criança: fatores do parto, NARAKAS, o bíceps como relógio da decisão e o ombro que luxa para trás.

A anatomia que localiza a lesão

Cobrança confirmada · 16 questões

Raízes e troncos

O Green (cap. 34, p. 1146) descreve o plexo formado pelos ramos ventrais de C5 a T1, em cinco segmentos: raízes, troncos, divisões, fascículos e ramos terminais. O gânglio da raiz dorsal (corpos dos neurônios sensitivos) fica dentro do canal e do forame, e cada nervo espinal manda um pequeno ramo dorsal aos paraespinais. Toda a semiologia do pré-ganglionar sai desses dois detalhes.

C5 e C6 formam o tronco superior, C7 continua como tronco médio e C8 e T1 formam o tronco inferior. A junção de C5 com C6 é o ponto de ERB, exatamente onde emerge o nervo supraescapular. Nervos espinais e troncos ficam acima da clavícula (plexo supraclavicular), entre os escalenos anterior e médio (cap. 40, p. 1391).

Antes de chegar aos troncos, as raízes já soltam ramos de enorme valor clínico (cap. 34, p. 1146): uma contribuição de C5 para o frênico, o nervo escapular dorsal, de C5, que inerva o romboide, e o nervo torácico longo, de C5, C6 e C7, que inerva o serrátil anterior. Os únicos ramos de tronco são o supraescapular e o nervo do subclávio, ambos do tronco superior. Das divisões não sai nenhum ramo muscular.

Variações caem em prova: o plexo pré-fixado recebe C4 (22%) e o pós-fixado, T2 (1%) (cap. 34, p. 1151; cap. 40, p. 1391); o escapular dorsal às vezes recebe C4, e o romboide pode funcionar com C5 avulsionada.

Ramos que saem antes dos fascículos (Green, cap. 34, p. 1146; cap. 40, p. 1391)
OrigemNervoMúsculo ou funçãoPor que importa
C5 (com C3 e C4)contribuição ao frênicodiafragmadiafragma elevado = lesão muito proximal
C5escapular dorsalromboideromboide paralisado = lesão proximal ou pré-ganglionar
C5, C6, C7torácico longoserrátil anteriorescápula alada = lesão proximal ou pré-ganglionar
tronco superior (ponto de ERB)supraescapularsupraespinal e infraespinalabdução inicial e rotação externa
tronco superiornervo do subcláviosubclávioúnico outro ramo de tronco
divisõesnenhum ramo muscularsegmento retroclavicular "mudo"

Divisões e fascículos

Atrás da clavícula, cada tronco se divide em divisão anterior e divisão posterior (plexo retroclavicular). A regra é simples e é a questão mais clássica do tema (cap. 34, p. 1146): todas as divisões posteriores formam o fascículo posterior; as divisões anteriores dos troncos superior e médio formam o fascículo lateral; a divisão anterior do tronco inferior continua como fascículo medial. Por isso não existe "fascículo anterior", e o fascículo medial não recebe nenhuma divisão posterior.

Os fascículos recebem o nome pela relação com a artéria axilar (cap. 40, p. 1392). Na via infraclavicular (cap. 34, p. 1157), o fascículo lateral é superficial e lateral à artéria; o posterior fica levemente lateral e profundo (posterior) a ela; o medial fica medial e profundo. Quando o enunciado pergunta a posição do fascículo posterior em relação à artéria, a resposta do Green é posterior e lateral.

Ramos terminais e colaterais dos fascículos

O lateral dá o musculocutâneo e a contribuição lateral do mediano; o posterior, o subescapular superior, o toracodorsal, o subescapular inferior, o axilar e o radial; o medial, o peitoral medial, os cutâneos mediais do braço e do antebraço, a contribuição medial do mediano e o ulnar (cap. 34, p. 1146). O peitoral lateral sai do fascículo lateral no capítulo pediátrico (cap. 40, p. 1391); o capítulo 34 o põe no nível das divisões.

Daí a localização (cap. 34, p. 1151): perda do grande dorsal indica lesão no fascículo posterior; do peitoral esternal, no medial; do peitoral clavicular, no lateral. O musculocutâneo perfura o coracobraquial e termina como cutâneo lateral do antebraço (pp. 1157 e 1165): a lesão do fascículo lateral tira a sensibilidade da borda radial do antebraço. O Green devolve a sensibilidade da mão reinervando o fascículo lateral (C6-C7) e a contribuição lateral do mediano (pp. 1159 e 1160): a parte sensitiva do mediano vem sobretudo do lateral. Intrínsecos e flexores dos dedos dependem do fascículo medial.

Fascículos, ramos e o que a lesão de cada um tira (Green, cap. 34, pp. 1146, 1151 e 1157)
FascículoFormado porPosição na artéria axilarRamosPerda típica
lateraldivisões anteriores dos troncos superior e médiosuperficial e lateralmusculocutâneo, contribuição lateral do mediano, peitoral lateralflexão do cotovelo, peitoral clavicular, sensibilidade radial do antebraço e da mão
posterioras três divisões posterioreslevemente lateral e profundosubescapular superior, toracodorsal, subescapular inferior, axilar, radialgrande dorsal, deltoide, extensores
medialdivisão anterior do tronco inferiormedial e profundopeitoral medial, cutâneo medial do braço e do antebraço, contribuição medial do mediano, ulnarintrínsecos, flexores dos dedos, peitoral esternal

Relações cirúrgicas e variações

Na via supraclavicular (cap. 34, p. 1156) divide-se o omo-hióideo; o primeiro elemento visto é o tronco superior; o frênico corre sobre o escaleno anterior e leva à raiz C5; C7 fica entre os escalenos; C8 e T1 ficam atrás da subclávia. Na via infraclavicular (p. 1157), pelo deltopeitoral, desinsere-se o peitoral menor do coracoide para expor os fascículos; o subclávio é dividido para chegar às divisões.

Como o plexo se rompe no adulto

Cobrança confirmada · 3 questões

O mecanismo de tração

A maioria das lesões é por tração (cap. 34, p. 1148). Abrir à força o ângulo ombro-pescoço (ombro para baixo, cabeça para o outro lado, a queda de moto) lesa primeiro C5 a C7; abrir o ângulo escapuloumeral lesa primeiro C8 e T1. Como o tecido que ancora C5 e C6 ao forame é mais forte que o de C8 e T1 (pp. 1148 e 1149), C8-T1 tendem a avulsionar e C5-C6 a romper fora do forame. Por isso, mesmo no pan-plexo, é comum C5 rota (enxertável) com as demais avulsionadas (p. 1150).

Dois terços das lesões são supraclaviculares. Cerca de 75% têm lesões associadas (crânio, tórax, coluna cervical, membro) e 20% têm lesão vascular (p. 1149). Projétil: observar (elementos em continuidade); corte: explorar.

Os padrões

Padrões da lesão traumática supraclavicular (Green, cap. 34, pp. 1149 e 1150)
PadrãoFrequênciaO que se perdeO que ficaNome
C5-C6cerca de 15%estabilidade, abdução, RE e RI do ombro; flexão do cotovelo; supinação; sensibilidade C5-C6extensão do cotovelo, punho e mãoERB, ERB-DUCHENNE
C5-C720% a 35%o anterior mais extensão variável do cotovelo, punho e dedos; sensibilidade de polegar, indicador e médioflexão dos dedos e intrínsecosERB-plus
C8-T1cerca de 10% (menos na experiência dos autores)intrínsecos, extrínsecos variáveis, sensibilidade ulnar e medial do antebraço, HORNERombro e cotoveloKLUMPKE, DEJERINE-KLUMPKE
C5-T1 (pan-plexo)50% a 75% das supraclavicularesmembro flácido e mão insensívelquase nadatotal

No adulto, o padrão mais comum é o total, seguido do C5-C7; o KLUMPKE isolado é raro. O motociclista que não abduz, não flete o cotovelo, não supina e perdeu a sensibilidade lateral do braço, com mão normal, tem lesão do plexo superior.

Pré ou pós-ganglionar: o exame que decide o prognóstico

Cobrança confirmada · 10 questões

Por que o gânglio importa

A lesão pré-ganglionar arranca a raiz da medula, onde está o neurônio motor: não se recupera e não pode ser reparada nem enxertada (cap. 34, p. 1150); só a transferência traz axônios. A pós-ganglionar deixa um coto proximal com axônios viáveis, que pode ser enxertado. Para saber sem abrir, examinam-se os nervos que saem colados à medula (cap. 40, p. 1394).

Os sinais

O Green (cap. 34, pp. 1151 e 1152) lista: romboide e serrátil paralisados (saem da raiz antes do tronco) indicam lesão proximal das raízes altas; HORNER correlaciona-se com avulsão de C8-T1, porque o gânglio simpático de T1 fica junto da raiz; sem TINEL nem dor à percussão no pescoço (não há neuroma); paraespinais atróficos, com a cabeça desviada para longe do lado lesado. Na radiografia, diafragma elevado indica lesão proximal, porque o frênico vem de C3 a C5: no C5-C6, é sinal de gravidade. Já dor à percussão, anidrose no território do nervo e TINEL que avança apontam pós-ganglionar.

Sinais que apontam o nível da lesão (Green, cap. 34, pp. 1151 a 1153; cap. 40, p. 1394; Campbell, p. 1310)
AchadoEstruturaLeitura
romboide paralisadoescapular dorsal (C5)pré-ganglionar alta
escápula aladatorácico longo (C5 a C7)pré-ganglionar alta
hemidiafragma elevadofrênico (C3 a C5)lesão proximal, provável pré-ganglionar
HORNERsimpático junto de T1avulsão C8-T1, mau prognóstico
paraespinais atróficos, cabeça desviada para o lado opostoramo dorsalavulsão
sem TINEL nem dor à percussão no pescoçoausência de neuromapré-ganglionar
SNAP preservado com pele anestesiadagânglio íntegropatognomônico de avulsão
pseudomeningoceledura e aracnoide arrancadasavulsão
dor à percussão, anidrose no território, TINEL que avançaneuroma periféricopós-ganglionar

A síndrome de HORNER

No Green (cap. 34, pp. 1150 e 1152) são quatro: miose, ptose, anidrose e enoftalmia; o Tachdjian (p. 405) cita ptose, miose e enoftalmia, por lesão dos simpáticos de T1. A pupila é pequena (midríase não entra) e a anidrose é falta de suor. O prognóstico é ruim: avulsão das raízes inferiores (Green, cap. 40, p. 1393), forte indicador de mau resultado (Campbell, p. 1311). É o HORNER que separa NARAKAS III de IV.

Imagem e eletrodiagnóstico

Fundamento

Mielografia, mielo-TC e RM

A mielografia e a mielo-TC são os métodos mais confiáveis para avulsão (Green, cap. 34, p. 1152): a dura arrancada deixa uma pseudomeningocele. Faz-se 3 a 4 semanas após o trauma, quando o coágulo se dissolve. A RM vem substituindo a mielo-TC. Na criança (cap. 40, pp. 1395 e 1396), a mielo-TC acerta 94%; divertículo grande ou meningocele é diagnóstico; a RM acerta parecido e exige só sedação; a decisão final é cirúrgica.

A ENMG basal é feita 3 a 4 semanas após a lesão (cap. 34, p. 1153). O detalhe elegante é o SNAP: na avulsão, o gânglio continua ligado ao axônio periférico, que não degenera; o potencial sensitivo persiste, mas o paciente não sente. SNAP preservado em pele anestesiada é patognomônico de avulsão; na pós-ganglionar, ele some; a condução motora some nas duas. Na criança, a EMG superestima a recuperação (plasticidade), e a decisão é pelo exame físico seriado (cap. 40, p. 1396).

Quando operar e o que reconstruir primeiro

Cobrança confirmada · 2 questões

O tempo

O resultado cai com o tempo entre lesão e cirurgia (Green, cap. 34, p. 1154). Corte limpo: reparo imediato; corte rombo: 3 a 4 semanas; tração ou projétil: observar. Pan-plexo com avulsão na imagem: 2 a 3 meses; sem suspeita de avulsão: 3 a 6 meses; raramente mais de 6. Após 1 ano, a reconstrução primária é contraindicada, mas transferências distais vão até 18 meses; o C8-T1 isolado não se enxerta (distância longa), preferindo-se transferências distais ou tendinosas (pp. 1153 e 1154).

As prioridades

O Green (cap. 34, p. 1159) escolhe pelo valor funcional, pela chance de recuperar (proximal reinerva melhor que distal) e pela dificuldade de substituir depois. No pan-plexo:

1. flexão do cotovelo (bíceps e braquial); 2. estabilidade, abdução e rotação externa do ombro (supraescapular e axilar); 3. sensibilidade da mão, pelo fascículo lateral (território C6-C7); 4. flexão do punho e dos dedos (com o tríceps como antagonista que potencializa o músculo livre); 5. extensão do punho e dos dedos; 6. função intrínseca.

No C5-C6, as metas são as duas primeiras; a flexão do cotovelo, que leva a mão à boca, combina com a transferência de OBERLIN.

O que fazer em cada achado

Na cirurgia (cap. 34, pp. 1158 a 1161), o NAP através do neuroma decide: presente, neurólise; ausente, ressecar e enxertar. A lógica das raízes: C5 para o ombro, C6 para a flexão do cotovelo, C7 para a extensão; o enxerto padrão é o sural (35 a 40 cm por perna). No C5-C6 tardio (mais de 6 a 9 meses) ou sem coto, os autores fazem acessório para supraescapular e tríceps para axilar; no pan-plexo, intercostais para o bíceps com gracilis livre (pp. 1159 e 1160).

As transferências nervosas

Cobrança confirmada · 10 questões

Por que transferir

Transferência (neurotização) liga um ramo normal e dispensável a um nervo sem ligação proximal (cap. 34, p. 1163): indica-se na avulsão pré-ganglionar, em pós-ganglionares selecionadas e para músculos livres. A sutura fica perto da placa motora, com axônios motores puros, fora da cicatriz e sem as duas suturas do enxerto.

OBERLIN: ulnar para o bíceps

O fascículo do ulnar para o ramo do bíceps, fácil e confiável, substituiu os intercostais no C5-C6 (cap. 34, p. 1166). Exige C8 e T1 preservados; alguns o evitam no C5-C7 (o ulnar também recebe C7), mas os autores o usam sem sequela. Pela topografia de SUNDERLAND, os fascículos posteromediais vão ao antebraço e os anterolaterais aos intrínsecos: escolhe-se o que flete o punho (flexor ulnar do carpo) sem acionar a mão (p. 1167). Um fascículo do mediano pode ir ao braquial, sem ganho estatístico (p. 1159). Contraindicação: fraqueza ou déficit prévio no território do ulnar. Mais de 90% chegam a M3 ou M4; ideal antes de 6 a 9 meses, resgate até 9 a 15 meses (p. 1169).

Intercostais para o musculocutâneo

Os intercostais (3º ao 6º, por incisão inframamária) servem sobretudo à flexão do cotovelo no pan-plexo (cap. 34, pp. 1169 a 1172): três ou quatro vão ao musculocutâneo, dissecados até a junção costocondral para dispensar enxerto, porque sem enxerto 72% chegam a M3 e com enxerto só 47%. Fratura de costela inutiliza o intercostal em cerca de 10%. A flexão antigravitacional surge entre 12 e 18 meses, no início ligada à respiração.

Acessório para supraescapular

O acessório (XI) inerva esternocleidomastóideo e trapézio (cap. 34, pp. 1163 e 1164). É achado na face anterior do trapézio, acima da clavícula; preserva-se o ramo proximal do trapézio superior (lesá-lo dá ombro caído) e usam-se os ramos médio e distal. O supraescapular sai do tronco superior, passa pela incisura escapular sob o ligamento transverso superior e contorna a espinha até a fossa infraespinal: inerva supraespinal e infraespinal, e a transferência devolve abdução e rotação externa (92% com alguma abdução antigravitacional, p. 1165; melhor no C5-C6).

A via posterior serve quando se suspeita de lesão na incisura (p. 1164): o supraescapular fica a meio caminho entre o ângulo superior da escápula e o acrômio, liberando-se o ligamento transverso superior, e o acessório fica a 40% da distância entre os processos espinhosos e o acrômio, sob o trapézio. O Green pediátrico usa essa via (cap. 40, pp. 1404 a 1406).

LEECHAVENGVONGS: tríceps para o axilar

Por incisão posterior, acha-se o axilar no espaço quadrilateral e o radial entre as cabeças longa e lateral do tríceps (cap. 34, p. 1172). A técnica original de LEECHAVENGVONGS liga o ramo da cabeça longa do tríceps diretamente à divisão anterior do axilar. Contraindicação: tríceps abaixo de M4; com o acessório para supraescapular, o arco chegou a 124 graus. No lactente, o Green costuma usar o ramo da cabeça medial (cap. 40, p. 1405).

Transferências nervosas que caem na prova (Green, cap. 34, pp. 1159 a 1172; cap. 40, pp. 1398 e 1404 a 1406)
NomeDoadorReceptorFunçãoCondição
OBERLINfascículo do ulnar (flexor ulnar do carpo)ramo do bícepsflexão do cotoveloC8-T1 preservados, ulnar sem déficit
dupla para o cotovelofascículo do mediano (flexor radial do carpo)ramo do braquialflexão do cotovelomediano sem déficit
LEECHAVENGVONGSramo da cabeça longa do trícepsdivisão anterior do axilarabduçãotríceps M4 ou mais
acessório para supraescapularramos médio e distal do XIsupraescapularabdução e rotação externatrapézio funcionante, ramo superior poupado
intercostais3º a 6º intercostaismusculocutâneo ou ramo do bícepsflexão do cotovelo no pan-plexosem enxerto, costelas íntegras
acessório para musculocutâneoXImusculocutâneoflexão do cotoveloexige enxerto, pior
C7 contralateralC7 sadio do outro ladoalvos variadoscontroversopouco usado

Quando o nervo não basta: o músculo livre

Cobrança confirmada · 1 questão

No pan-plexo, nervos extraplexuais podem inervar um músculo livre (cap. 34, pp. 1160 e 1179). O gracilis é o mais usado: ótima excursão, pouca força, e pedículo neurovascular proximal, que o acessório ou os intercostais reinervam rápido. O ramo do obturatório entra 6 a 12 cm da origem; a artéria vem da femoral profunda, 8 a 12 cm da origem; o pedículo é dissecado entre o adutor magno (posterior) e o adutor longo (anterior).

Paralisia obstétrica: quem tem e por quê

Cobrança confirmada · 3 questões

Incidência e mecanismo

O Green pediátrico (cap. 40, p. 1392) dá incidência de 0,38 a 1,56 por 1000 nascidos vivos; o Tachdjian (p. 404) e o Campbell (p. 1310) citam 0,9 por 1000 nos dados mais recentes, em queda. O mecanismo é estiramento do plexo durante o parto. Na apresentação cefálica (vértice), a tração lateral do pescoço concentra a força no plexo superior; daí a ruptura extraforaminal do tronco superior ser típica da distocia de ombro (Green, p. 1392; Campbell, p. 1310).

O lado direito é o mais acometido (Green, p. 1392): a apresentação occipito anterior esquerda, mais frequente, deixa o ombro direito preso sob a sínfise púbica.

Fatores de risco

Fatores de risco nos três livros (Green, cap. 40, p. 1392; Tachdjian, p. 404; Campbell, p. 1310)
FatorGreenTachdjianCampbell
macrossomia ou peso altosimsim (acima de ~3500 g os ombros superam a cabeça)sim
distocia de ombrosimsim, o de maior riscosim (lesão do tronco superior)
diabetes materno ou gestacionalsimsim
apresentação pélvicasimsimsim
parto anterior com paralisiasimsimsim
trabalho de parto prolongadosimsegundo período prolongadosim
parto assistido (fórceps, vácuo)simmanobras de extraçãosim
ocitocina, taquissistoliasimsim
cesáreareduz 100 vezes, não eliminaprotege, casos rarosreduz de 0,2% para 0,02%

O Tachdjian (p. 404) e o Campbell (p. 1310) lembram que a maioria das crianças não tem fator de risco identificável, e o Tachdjian considera gemelaridade e cesárea protetores. O fator é o segundo período prolongado, não o primeiro; baixo peso não é fator, ao contrário.

A divergência sobre o parto pélvico

Aqui os livros discordam. O Green (cap. 40, pp. 1392 e 1394) diz que o parto pélvico produz avulsões pré-ganglionares de C5-C6, às vezes bilaterais, a exceção à regra de que a lesão alta é pós-ganglionar. O Tachdjian (p. 404) e o Campbell (p. 1310) dizem que a tração do tronco com o braço abduzido no parto pélvico concentra o estiramento no plexo inferior. Nas questões, o pélvico aparece como fator de risco nos três, sem conflito.

O quadro clínico e a classificação de NARAKAS

Cobrança confirmada · 5 questões

Como o bebê se apresenta

No ERB-DUCHENNE (Tachdjian, p. 405), o membro fica em adução e rotação interna, cotovelo estendido e punho fletido, com fraqueza de abdutores e rotadores externos e sem flexores do cotovelo; com C7, os extensores do cotovelo enfraquecem e o cotovelo fica em posição intermediária; no global, a mão é fria, supinada e intrínseco-minus. A radiografia afasta pseudoparalisia por fratura (Green, cap. 40, p. 1393); fratura de clavícula coexiste em 10% a 15% (Campbell, p. 1311).

NARAKAS

Classificação de NARAKAS (Green, cap. 40, pp. 1393 e 1394; Tachdjian, p. 404; Campbell, p. 1310)
GrupoRaízesClínicaPrognóstico
IC5-C6 (ERB)sem abdução, RE, flexão do cotovelo e supinação; punho e dedos intactosaté 90% recuperam; recuperação completa ou quase em 1 a 8 semanas (Campbell)
IIC5-C7 (ERB estendido)o anterior mais perda da extensão do punho e dos dedos; postura em "gorjeta de garçom"pior; bom se o bíceps volta por completo até 4 meses
IIIC5-T1membro flácido, sem HORNERdificilmente função plena sem cirurgia
IVC5-T1membro flácido com HORNER; pode haver diafragma elevadoo pior; pouca chance de recuperação espontânea

O Tachdjian (p. 404) põe no grupo 2 também a falta de extensão do cotovelo; o Campbell (p. 1310) acrescenta um tipo V, o KLUMPKE isolado (C8-T1), raro (menos de 1%). Na criança, C5-C6 é 46% e C5-C7, 29%, em geral pós-ganglionares; o global é o menos comum, com avulsões de C8-T1 (Green, cap. 40, p. 1394). O HORNER vem dos simpáticos de T1 (Tachdjian, p. 405), não de C4, C6 e C7.

O bíceps como relógio da microcirurgia

Cobrança confirmada · 3 questões

A história natural

O Green (cap. 40, p. 1397) lembra que a história natural, antes vista como benigna, deixa déficit em 20% a 30% das crianças, até 40% em algumas séries. Mesmo sem estudo perfeito, há conclusões firmes:

  • quem recupera força antigravitacional parcial do tronco superior nos 2 primeiros meses costuma ter recuperação completa em 1 a 2 anos;
  • quem não recupera o bíceps antigravitacional até 5 a 6 meses deve fazer microcirurgia;
  • quem recupera parcialmente entre 3 e 6 meses fica com limitação permanente e risco de contratura;
  • global e avulsão do tronco inferior têm o pior prognóstico.

O Campbell (p. 1312) dá recuperação espontânea de 66% a 92%, com a maior parte nos 3 primeiros meses.

Quando operar

GILBERT e TASSIN adotaram 3 meses e o bíceps antigravitacional como indicador (Green, cap. 40, p. 1394). O critério mais comum (p. 1398) é a ausência de bíceps com lesão total e HORNER aos 2 a 3 meses, ou com lesão do tronco superior aos 5 a 6 meses; opera-se entre 3 e 9 meses. Dos 49 bebês de WATERS sem bíceps aos 3 meses, 42 recuperaram até os 6 meses, com MALLET pior quanto mais tarde (p. 1400). CLARKE usa o teste do biscoito aos 9 meses. O protocolo do Green (pp. 1406 e 1407):

Conduta do Green na paralisia obstétrica (cap. 40, pp. 1398 e 1406 a 1407; Campbell, pp. 1312 e 1313)
SituaçãoConduta
bíceps antigravitacional nos 3 primeiros mesesobservar, fisioterapia para manter RE e abdução passivas
HORNER e sem bíceps aos 3 mesesmicrocirurgia aos 3 meses; prioridade mão e punho, cotovelo, ombro
sem HORNER, extensão de punho e dedos voltandoesperar até 5 a 6 meses pelo bíceps; sem bíceps, operar
teste do biscoito positivo aos 9 mesestransferência nervosa para o bíceps
escore de TORONTO 3,5 ou menos aos 3 meses ou maisindicação de microcirurgia (Campbell)
C5-C6 ou C5-C7 sem bíceps aos 6 mesestripla transferência (Campbell)

O Tachdjian (p. 406) dá janela de 5 a 12 meses; o Campbell (p. 1313), 3 meses no global com HORNER e 3 a 9 meses nas rupturas.

As escalas

O escore de TORONTO (Green, cap. 40, pp. 1394 e 1396; Campbell, p. 1312) soma cinco funções, cada uma de 0 a 2: flexão do cotovelo, extensão do cotovelo, extensão do punho, extensão dos dedos e extensão do polegar (total 0 a 10). Serve só no lactente, para indicar cirurgia; 3,5 ou menos aos 3 meses ou mais indica microcirurgia. Uma criança de 6 meses com escore 3 tem resultado limitado se não for operada.

A escala de movimento ativo do Hospital for Sick Children (AMS) vai de 0 a 7: 0 a 4 sem gravidade, 5 a 7 contra a gravidade. O MRC modificado por GILBERT e TASSIN vai de 0 a 3 no lactente.

A reconstrução nervosa no lactente

Cobrança confirmada · 2 questões

Diferenças em relação ao adulto

A neurólise isolada foi praticamente abandonada (Green, cap. 40, pp. 1397 e 1401): não muda a história natural no total e parece inferior ao enxerto. O padrão é ressecar o neuroma e enxertar com sural as rupturas extraforaminais; as transferências ganham espaço. A grande diferença é a mão: no lactente, a distância curta permite reinervar a mão, e enxertar o tronco inferior é prioridade, ao contrário do adulto (pp. 1398 e 1401). Num estudo, RAIMONDI 3 ou mais foi obtido em 9 de 13 crianças com tronco inferior reconstruído contra 1 de 3 sem (p. 1420).

O Green (p. 1403) dá os cenários de avulsão:

  • C5, C6 e C7 rotos, C8 e T1 avulsionados: três raízes para enxertar; C5 e C6 são enxertados com sural para o supraescapular e os fascículos medial, lateral e posterior.
  • C5 e C6 rotos, C7 a T1 avulsionados: menos axônios; a mão tem prioridade, com enxertos de C5 ou C6 para os fascículos medial e lateral; o supraescapular vai pelo acessório; o posterior pode ser abandonado ou feito com intercostais.
  • Só C5 viável: prioridade da mão, com acessório e intercostais para supraescapular, musculocutâneo e mediano.

Nas avulsões totais, só sobram transferências: intercostais, acessório, C7 contralateral e até o hipoglosso (p. 1398). Os intercostais usados no bebê são T2 a T4, transferidos diretamente ao ramo do bíceps (p. 1406). A tripla transferência (acessório para supraescapular, radial para axilar, ulnar ou mediano para o musculocutâneo) entre 10 e 18 meses deu resultado equivalente ao enxerto (p. 1400), e a flexão do cotovelo por transferência funciona até 18 meses.

O resultado da mão: RAIMONDI

A escala de RAIMONDI (Green, cap. 40, pp. 1407 e 1408) gradua a mão de 0 a V. Grau 0: paralisia completa; I: flexão limitada dos dedos, sem extensão; II: extensão ativa do punho com flexão passiva dos dedos por tenodese; III: flexão ativa completa de punho e dedos, polegar móvel, boa sensibilidade; IV: soma extensão ativa do punho e oponência; V: IV mais extensão dos dedos e prono-supinação quase completas. Graus III, IV e V são considerados bons resultados após a cirurgia. As médias foram 4,57 no C5-C6, 4,26 no C5-C7 e 2,16 no total.

O ombro da criança: contratura, rotação externa e sinais

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Por que o ombro trava em rotação interna

A contratura mais evidente é a em rotação interna (Green, cap. 40, p. 1408): rotadores internos ativos contra externos paralisados (a paralisia do supraescapular tira a RE, Tachdjian, p. 406), somados ao encurtamento do músculo denervado que não cresce (atrofia do subescapular). Empurrada em RI, a cabeça carrega a glenoide posterior: a glenoide retroverte e a cabeça subluxa e luxa para trás, com perda da rotação externa passiva (Green, p. 1408; Tachdjian, p. 408). Quase 10% luxam no primeiro ano (p. 1409). Para levar a mão à boca sem rodar para fora, a criança abduz e roda internamente: o corneteiro (pp. 1417 e 1419).

O exame se faz com a escápula estabilizada, medindo RI e RE em adução e a 90 graus de abdução, e observando o winging: para trás na RI, para cima na adução completa (Green, p. 1410).

MALLET modificado

O MALLET modificado gradua cinco tarefas de 1 (sem função) a 5 (normal): abdução global, rotação externa global, mão na nuca, mão na coluna e mão na boca (Green, cap. 40, p. 1394; Campbell, p. 1312). Por ser muito pesado em rotação externa, acrescentou-se uma sexta categoria de rotação interna (no Green) ou mão no umbigo, de ABZUG (no Campbell). Adução não faz parte.

MALLET modificado (Green, cap. 40, p. 1394; Campbell, p. 1312)
ItemGrau IIGrau IIIGrau IV
abdução globalmenos de 30 graus30 a 90 grausmais de 90 graus
rotação externa globalmenos de 0 grau0 a 20 grausmais de 20 graus
mão na nucaimpossíveldifícilfácil
mão na colunaimpossívelS1T12
mão na bocacorneteiro acentuadocorneteiro parcialmenos de 40 graus de abdução
sexta categoriarotação interna (Green) ou mão no umbigo (ABZUG, Campbell)

O grau I é sem função e o V é normal. A soma vai até 25 nos cinco itens clássicos; transferências levam a média de 13 para 18 (Green, p. 1416).

O sinal de PUTTI: os livros discordam

O Green (cap. 40, p. 1408) define o PUTTI como a protrusão superior do ângulo superomedial da escápula ao aduzir o braço: com contratura em abdução, a glenoumeral não aduz e a escápula roda no tórax. O Tachdjian (p. 406), na deformidade em RE e abdução de ZANCOLLI, chama de PUTTI a escápula alada nas tentativas de rotação interna. É o mesmo ombro visto em movimentos diferentes; guarde as duas formulações.

A displasia glenoumeral de WATERS e as cirurgias do ombro

Cobrança confirmada · 6 questões

A classificação

WATERS adaptou a classificação de SEVERIN do quadril à glenoumeral, medida na RM ou TC pela versão da glenoide e pela porcentagem da cabeça anterior à linha da escápula (Green, cap. 40, p. 1409; Campbell, p. 1314). A deformidade é progressiva e começa no primeiro ano.

Classificação de WATERS da deformidade glenoumeral (Green, cap. 40, pp. 1409 e 1411; Campbell, p. 1314)
TipoAchadoTratamento preferido
Inormal (menos de 5 graus de diferença na versão)manter RE passiva
IIretroversão aumentada, sem subluxaçãoliberação do subescapular (ou alongamento) + grande dorsal e redondo maior
IIIsubluxação posterior (menos de 35% da cabeça anterior à linha escapular)redução da articulação + transferências
IVfalsa glenoideredução + transferências se reconstruível; avançado: osteotomia
Vachatamento da cabeça e da glenoideosteotomia derrotativa externa do úmero
VIdeformidade infantil verdadeira (luxação no lactente)redução precoce

No lactente, a ultrassonografia avalia a articulação sem sedação (Green, p. 1411); a RM avalia a cartilagem.

A lógica das cirurgias

A regra é a congruência (Tachdjian, p. 406): ombro reduzido e cabeça redonda pedem reequilíbrio muscular; ombro "congruentemente incongruente" só melhora com procedimentos extra-articulares.

Liberações. GILBERT, BROCKMAN e CARLIOZ alongavam o subescapular se a RE passiva não voltava aos 6 a 12 meses (Green, p. 1413); o Tachdjian (p. 409) libera o subescapular na origem, como CARLIOZ. Liberar demais dá contratura em RE e perda da linha média.

Transferências. L'EPISCOPO usou o redondo maior e depois redondo maior e grande dorsal (Green, pp. 1411 e 1412). No SEVER-L'EPISCOPO (GREEN) do Campbell (pp. 1315 e 1316), alongam-se peitoral maior e subescapular e os tendões do grande dorsal e do redondo maior vão para a face lateral do úmero; HOFFER os leva ao manguito posterior. O objetivo é a rotação lateral (externa), com algum ganho de abdução se a inserção for alta na tuberosidade maior (Green, pp. 1412 e 1415).

Redução. Nos tipos III e IV reconstruível, redução com transferências (Green, p. 1416): a redução remodela a glenoide, a transferência isolada não (Campbell, p. 1314).

Osteotomia derrotativa externa do úmero. Para IV avançado e V, em criança maior (Green, pp. 1415 a 1417). Exige arco passivo de pelo menos 90 graus e protege o radial. O ganho é de posição: função equivalente às transferências, sem aumento do arco nem RE ativa.

Osteotomia da glenoide. O Green (p. 1416) faz cunha de abertura posterior no tipo IV reconstruível, ainda em investigação; o Campbell (p. 1318) a indica (DODWELL) acima de 4 anos em WATERS IV ou V.

Escolha do procedimento no ombro (Green, cap. 40, pp. 1411 a 1417; Tachdjian, pp. 406 a 409; Campbell, pp. 1314 a 1318)
SituaçãoProcedimentoO que se ganhaO que não se ganha
lactente com RI passiva perdendofisioterapia, toxina botulínica, gesso em REreduz e mantém
luxação infantilredução (aberta ou artroscópica), idealmente 3 a 12 mesesremodelação
contratura em RI, articulação congruente (I e II)liberação ou alongamento do subescapular e peitoral + grande dorsal e redondo maiorRE e abdução ativas
subluxação (III, IV reconstruível)redução + transferênciasremodelação e RE
IV avançado, V, adolescenteosteotomia derrotativa externa do úmeroposição da mãoRE ativa, arco total
displasia grave, mais de 4 anososteotomia de anteversão da glenoide (DODWELL)congruênciapapel ainda em estudo

Cotovelo, antebraço e mão

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Cotovelo

A falta de bíceps pode ser cocontração (toxina no tríceps resolve) ou real; aí há transferência nervosa tardia, STEINDLER, grande dorsal, peitoral maior ou gracilis livre (Green, cap. 40, p. 1417). A contratura em flexão atinge 62% a 89% e é paradoxal, atribuída ao crescimento deficiente do braquial denervado (p. 1418).

Antebraço

Lesões globais e baixas deixam flexão do cotovelo e supinação, porque o bíceps age sem oposição (Campbell, p. 1314). Com pronação passiva preservada, o tendão do bíceps é alongado em Z e redirecionado em torno do colo do rádio, passando a pronar (Green, p. 1419; Tachdjian, p. 410). Supinação fixa pede membrana interóssea ou osteotomias, com o antebraço em leve pronação.

Sequelas distais e soluções (Green, cap. 40, pp. 1417 a 1420; Tachdjian, pp. 406 e 410; Campbell, p. 1314)
SequelaCausaSolução
sem flexão do cotovelobíceps não recuperoutransferência nervosa tardia; STEINDLER, grande dorsal, peitoral maior, gracilis livre
cocontraçãoreinervação aberrantetoxina botulínica no tríceps
contratura em flexão do cotovelocrescimento deficiente do braquialgesso, órtese; cirurgia acima de 60 graus
supinação com pronação passivabíceps sem oposição (lesão global ou baixa)redirecionar o bíceps em torno do rádio
supinação fixacontratura e deformidade ósseamembrana interóssea, osteotomia do rádio e da ulna
desvio ulnar do punhoextensor ou flexor ulnar do carpo sem oposiçãotransferir para o extensor radial curto
extensão fraca dos dedosC7 incompletoflexor ulnar do carpo para os extensores

Mão

No ERB a mão é normal; na lesão baixa há poucos doadores, e por isso o tronco inferior deve ser reinervado já na microcirurgia (Green, p. 1419).

Fechamento

Fundamento

O plexo é uma árvore com regras fixas: C5 e C6 formam o tronco superior, todas as divisões posteriores formam o fascículo posterior, os fascículos se nomeiam pela artéria axilar, e os ramos que saem antes dos troncos (escapular dorsal, torácico longo, contribuição ao frênico) são os delatores da lesão pré-ganglionar. O gânglio da raiz dorsal separa o reparável do irreparável: antes dele, só transferência; depois dele, enxerto ou transferência.

No adulto, a lesão total é a mais comum, C8-T1 avulsionam e C5 costuma romper fora do forame. Explora-se o ferimento cortante na hora, o pan-plexo com avulsão aos 2 a 3 meses e o restante entre 3 e 6 meses. Reconstrói-se primeiro a flexão do cotovelo, depois o ombro, depois a sensibilidade da mão, e cada alvo tem seu doador: OBERLIN para o bíceps, acessório para o supraescapular, tríceps para o axilar, intercostais quando não há mais nada.

Na criança, a distocia de ombro no bebê grande lesa o tronco superior, mais à direita; NARAKAS gradua de C5-C6 (que quase sempre recupera) até o membro flácido com HORNER; o bíceps decide a microcirurgia; e o ombro, se a rotação externa não volta, trava em rotação interna, retroverte a glenoide e luxa para trás. Enquanto a articulação é congruente, liberar e transferir; quando já não é, osteotomizar.

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