Orto Questões

Doença de KIENBÖCK

Mão e punhoResumo do capítulo38 min de leitura

Homem de 15 a 40 anos, punho dominante, trabalhador manual; padrão vascular em I (vaso único) é o de maior risco; ulna minus em 78% (HULTÉN), mas a relação é controversa; RM com T1 baixo em todo o semilunar; LICHTMAN I RM, II esclerose sem colapso, IIIA colapso com carpo alinhado, IIIB capitato migrado e escafoide fletido (rotação fixa, ângulo radioescafoide maior que 60°), IV artrose; BAIN e BEGG conta superfícies articulares não funcionais; ulna minus sem colapso = encurtar o rádio 2 a 3 mm; ulna neutra = encurtamento do capitato de ALMQUIST, cunha radial ou revascularização (4ª e 5ª ACE); IIIB = carpectomia proximal, STT ou escafocapitato; IV = artrodese do punho ou carpectomia.

Atualizado em 03/11/2026 · 38 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 16 · Fractures of the Carpal Bones, em Green's Operative Hand Surgery, 7ª edição (2017). Autores do capítulo: Steve K. Lee.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de mão e punho do Green, capítulo 16, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

Ler no leitor do Orto QuestõesCriar conta grátis

No leitor: marcações, notas e as questões no meio do texto, que abrem sem perder o lugar da leitura.

Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado na seção de osteonecrose do semilunar do capítulo 16 (Fractures of the Carpal Bones) do Green's Operative Hand Surgery, 7ª edição (2017), escrito por Steve K. LEE, e foi completado pelo capítulo 74 (Wrist Disorders) do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., por trechos dos capítulos 12, 13 e 17 do próprio Green e por duas menções pediátricas. As páginas citadas são as impressas.

A doença de KIENBÖCK é a necrose avascular do semilunar. O osso morre, perde resistência, fratura, colapsa e arrasta o carpo inteiro: o capitato sobe, o escafoide se dobra, a altura do carpo cai e, no fim, aparece artrose radiocárpica e mediocárpica. Todo o raciocínio de tratamento nasce de duas perguntas que o próprio LEE faz no Green (p. 647): o semilunar ainda pode ser salvo? e qual é a variância ulnar? Se o osso é salvável e a ulna é curta, nivela-se a articulação encurtando o rádio; se é salvável e a ulna é neutra ou longa, descarrega-se o semilunar por outro caminho (capitato, cunha radial, descompressão) ou leva-se sangue novo até ele; se o osso não é salvável, parte-se para o salvamento (carpectomia da fileira proximal, artrodeses intercárpicas ou artrodese total).

A prova cobra este tema de forma muito previsível. Pouco mais da metade das questões gira em torno da classificação de LICHTMAN, em especial a fronteira entre II, IIIA e IIIB e a carpectomia proximal no IIIB. O resto se divide entre epidemiologia (homem jovem, punho dominante, trabalhador braçal), padrão vascular em I, variância ulnar negativa, a técnica de ALMQUIST, a classificação artroscópica de BAIN e BEGG, o quanto encurtar o rádio e o papel dos enxertos vascularizados.

Quem adoece

Cobrança confirmada · 3 questões

O retrato do paciente

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 74, p. 3309), traz o retrato que as provas copiam quase literalmente: a doença de KIENBÖCK é um distúrbio doloroso do punho, de causa desconhecida, que ocorre mais frequentemente entre 15 e 40 anos e no punho dominante de homens que fazem trabalho manual. O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 16, p. 640), diz a mesma coisa com outras palavras: o diagnóstico é suspeitado particularmente em homens jovens com dor e rigidez no punho dominante.

Vale entender por que esse perfil faz sentido. O semilunar é a pedra central da coluna média do carpo; ele recebe a cabeça do capitato por cima e se apoia na fossa semilunar do rádio por baixo. Quem usa o punho com força e repetição, em extensão e carga axial, comprime o semilunar entre o capitato e o rádio. O Green (p. 640) cita o estudo de SCHILTENWOLF: a pressão intraóssea do semilunar sobe 40 mmHg acima da do capitato quando o punho passa da posição neutra para a extensão. Um osso com circulação precária, que sofre picos de pressão a cada extensão carregada, é o candidato natural à necrose. Por isso o punho dominante e o trabalho braçal aparecem juntos.

Por que a idade acima de 50, o sexo feminino e a ulna plus caem como distratores

Os distratores clássicos dessas questões são o inverso do retrato: mulher, punho não dominante, idade acima de 50 anos e ulna plus. Nenhum dos dois livros sustenta qualquer um deles como fator de risco. A ulna plus, em particular, é o oposto do que se descreve: no estudo de HULTÉN, citado pelo Campbell (p. 3312), nenhum paciente com KIENBÖCK tinha a ulna mais longa que o rádio, enquanto 16% dos controles tinham ulna plus. A ulna longa é a variância do impacto ulnar, outra doença, que também mexe com o semilunar, mas pelo lado ulnar e de forma focal.

A causa ainda é incerta

O Green (p. 640) admite que, depois de anos de experiência clínica, a origem e a história natural continuam obscuras. Já se atribuiu a perda de circulação a problemas circulatórios primários, trauma, lesão ligamentar com colapso e fraturas únicas ou múltiplas que comprometem a circulação. A doença foi associada a esclerodermia, anemia falciforme, lúpus eritematoso sistêmico e uso de corticoide, mas sem correlação consistente com nenhuma delas. A conclusão do autor é que a causa é multifatorial. Uma nota histórica que às vezes cai: PESTE descreveu em 1843 o semilunar colapsado em dissecções de cadáver, e Robert KIENBÖCK, que era radiologista, descreveu as alterações radiográficas da lunatomalácia que levam o seu nome (Green, p. 639).

Perfil e fatores associados (Green 7ª, cap. 16, p. 639 e 640; Campbell 15ª, cap. 74, p. 3309 e 3312)
ItemO que os livros dizemComentário para a prova
Idade15 a 40 anos (Campbell)Adulto jovem; acima de 50 é distrator
SexoHomens (Campbell); homens jovens (Green)Sexo feminino é distrator
LadoPunho dominante (os dois livros)O lado não dominante é distrator
AtividadeTrabalho manual (Campbell)Carga axial em extensão
Variância ulnarUlna minus em 78% dos doentes contra 23% dos normais (HULTÉN)Relação contestada por D'HOORE, NAKAMURA e RING
Ulna plusNenhum doente com ulna plus no estudo de HULTÉNUlna plus é do impacto ulnar
Pressão intraóssea40 mmHg acima do capitato em extensão (SCHILTENWOLF)Explica a predisposição do semilunar
Inclinação radialMenor nos doentes (TSUGE e NAKAMURA)Base da osteotomia em cunha
Doenças associadasEsclerodermia, falciforme, LES, corticoideSem correlação consistente

Vascularização do semilunar

Cobrança confirmada · 2 questões

O desenho dos vasos

O semilunar é quase todo coberto por cartilagem. Sobram para a entrada de vasos apenas as superfícies palmar e dorsal, e é aí que mora a vulnerabilidade. O Green (p. 638) resume os estudos de injeção: suprimento palmar e dorsal está presente em 74% a 100% dos semilunares, e cerca de 7% têm um suprimento vascular único. Entre os que têm duplo suprimento, 33% recebem um vaso palmar e um dorsal que se anastomosam, 66% formam uma anastomose de três vasos e 10% uma anastomose de quatro vasos.

Do lado palmar, os ramos radial, ulnar e palmar da artéria interóssea anterior formam três arcos transversos que nutrem o semilunar. Do lado dorsal, os ramos radial, ulnar e dorsal da interóssea anterior também formam três arcos, e o semilunar recebe sangue dos dois arcos transversos proximais, sobre as articulações radiocárpica e intercárpica. O detalhe importante é que o suprimento palmar é constante e o dorsal é frequentemente inconsistente. O Green também registra que 20% dos semilunares só têm artéria nutrícia palmar dentro do osso.

Os padrões Y, X e I

A figura 16.57 do Green (p. 640) traz a frase que as provas cobram: foram identificados três padrões vasculares maiores, chamados Y, X e I. O padrão I é o único com um só vaso entrando no semilunar e é considerado o de maior risco para necrose avascular.

O raciocínio é simples e vale mais que decorar a letra. Nos padrões Y e X há anastomoses internas; para o osso morrer, seria preciso interromper o fluxo palmar e o dorsal ao mesmo tempo. O Green diz exatamente isso: por causa das anastomoses internas, os dois fluxos precisam ser interrompidos para o semilunar perder a circulação, e fraturas que dividem o osso em metades dorsal e palmar, ou luxações que deixam uma dobradiça dorsal, não devem levar à necrose. No padrão I não há rede de segurança: interromper o único vaso nutrício pode necrosar o osso inteiro, e uma fratura coronal pode deixar avascular o polo oposto.

O Campbell (p. 3309) chega à mesma conclusão com outro número: GELBERMAN descreveu três padrões de entrada de vasos, e os semilunares de maior risco são os que têm um só vaso ou uma só superfície exposta ao suprimento, o que corresponde a cerca de 20% dos semilunares.

Padrões vasculares do semilunar (Green 7ª, cap. 16, p. 638 e 640; Campbell 15ª, cap. 74, p. 3309)
PadrãoNúmero de vasos que entramRede internaRisco de necrose
YMais de um, convergindoAnastomoseMenor
XMais de um, cruzandoAnastomoseMenor
IUm único vasoSem rede de segurançaMaior (o único de vaso único)
Suprimento só palmar dentro do ossoUm ladoDepende do palmar20% dos semilunares (Green, Box 16.7)
Vaso único ou uma superfície exposta (GELBERMAN)UmAusenteCerca de 20% (Campbell)

Variância ulnar e a forma do semilunar

Cobrança confirmada · 1 questão

A ulna minus: associação forte, causalidade discutível

A variância ulnar é a diferença de altura entre a superfície articular da ulna distal e a do rádio. Com a ulna curta (ulna minus, variância negativa), o semilunar fica apoiado quase só no rádio e recebe mais carga e mais cisalhamento, porque a parte ulnar dele fica sobre o complexo fibrocartilaginoso, mais complacente. É a base racional dos procedimentos de nivelamento.

O Campbell (p. 3312) cita HULTÉN, que descreveu a variante ulna minus em 78% dos pacientes com KIENBÖCK, contra 23% dos punhos normais; nenhum paciente com a doença tinha ulna plus, contra 16% dos controles. Mas o mesmo Campbell traz o contraponto: RING e colaboradores compararam 166 punhos com KIENBÖCK a um número semelhante de controles e encontraram prevalência alta de ulna minus nos dois grupos. A conclusão é que o papel exato da ulna minus é desconhecido: há doentes com variância positiva e negativa, há muita ulna minus na população, e o KIENBÖCK é raro.

O Green (p. 640) é ainda mais cético. GELBERMAN encontrou relação significativa; D'HOORE, ao estudar 125 punhos normais e 52 pacientes, não encontrou relação estatística; e o argumento lógico é forte: se a ulna curta causasse a doença, a incidência de KIENBÖCK deveria ser maior em quem fez ressecção de DARRACH ou encurtamento ulnar, o que não se vê. NAKAMURA, estudando japoneses, achou ulna minus com a mesma frequência na população geral e nos doentes. O Green resume: a relação é controversa. Para a prova, a resposta-padrão continua sendo que a ulna minus está associada ao KIENBÖCK, e o detalhe do debate serve para as questões que pedem a afirmação incorreta.

A geometria do rádio

O Green (p. 640) acrescenta que a inclinação do rádio distal também foi estudada: TSUGE e NAKAMURA encontraram inclinação radial menor nos pacientes com KIENBÖCK, e outros autores viram que a inclinação no plano AP afeta as forças transmitidas ao semilunar e a idade de início da doença. É daqui que nasce a osteotomia em cunha do rádio, que muda a inclinação para tirar carga do semilunar.

A forma do semilunar: ZAPICO e VIEGAS

Algumas provas perguntam qual forma do semilunar é fator de risco, usando as classificações de ZAPICO (forma no perfil) e de VIEGAS (tipo I sem faceta para o hamato, tipo II com faceta). Esse assunto não aparece no Green 7ª nem no Campbell 15ª: a busca pelos dois nomes nos capítulos de KIENBÖCK, de instabilidade do carpo e de exame do punho foi negativa. O gabarito oficial das duas questões que cobram o tema é a combinação tipo I de ZAPICO e tipo I de VIEGAS, e é ele que fica valendo. Para raciocinar sem decorar, ligue o fato ao que os livros explicam: o semilunar mais exposto é aquele que concentra a carga do capitato num só ponto, sem dividir com o hamato, do mesmo modo que o semilunar com vaso único tem menos margem de segurança.

Variância ulnar no KIENBÖCK (Green 7ª, cap. 16, p. 640 e 642; Campbell 15ª, cap. 74, p. 3312)
EstudoAchadoImplicação
HULTÉNUlna minus em 78% dos doentes e 23% dos normais; nenhum doente com ulna plusBase histórica da associação
GELBERMANRelação significativa com variância negativaA favor
D'HOORE52 pacientes, 125 punhos normais, sem relação estatísticaContra
NAKAMURAUlna minus igual na população japonesa geral e nos doentesContra
RING166 punhos: ulna minus alta nos doentes e nos controlesPapel desconhecido
Argumento clínico (Green)DARRACH e encurtamento ulnar não aumentam o KIENBÖCKContra causalidade
Consequência terapêuticaUlna minus permite nivelar encurtando o rádioUlna neutra ou plus arrisca impacto ulnar

Fraturas do semilunar e a fratura do KIENBÖCK

Cobrança confirmada · 1 questão

Fratura aguda ou fratura patológica

A fratura aguda do semilunar é rara: 1% de todas as fraturas do carpo (Green, p. 637). O problema é que fica difícil saber se a fratura é aguda ou se é patológica, resultado de trauma repetitivo num osso já enfraquecido pela necrose. Por isso, o Box 16.7 do Green (p. 637) manda que o primeiro passo diante de uma fratura do semilunar seja decidir se o processo é doença de KIENBÖCK, semilunar bipartido congênito ou fratura traumática aguda.

O mecanismo habitual é a compressão axial: a cabeça do capitato é empurrada para dentro do semilunar com o punho em dorsiflexão e desvio ulnar, e pequenas variações de posição produzem padrões diferentes. TEISEN e HJARBAEK, a partir de 17 casos em 31 anos, propuseram cinco grupos de fraturas frescas: polo palmar (que envolve as artérias nutrícias palmares), lasca osteocondral da superfície proximal, polo dorsal, fratura sagital do corpo e fratura transversa do corpo; o Box do Green acrescenta a cominutiva como sexto tipo. Os mesmos autores observaram, num seguimento longo, que fraturas do semilunar não evoluíram para necrose, embora metade dos pacientes tivesse variância ulnar negativa (Green, p. 639).

O Green (p. 638) dá uma pista de imagem: fraturas que separam a superfície articular proximal do corpo do semilunar costumam ser KIENBÖCK, e aparece uma linha em crescente paralela ao contorno proximal. Diante de dor persistente após fratura, a RM ajuda: a necrose é perda de sinal homogênea no semilunar inteiro, e não de uma parte só, como na fratura.

O polo anterior

O Campbell (p. 3309, figuras 74.50 e 74.52) descreve o padrão comum de fratura dentro da doença de KIENBÖCK: o chamado tipo polo anterior, que isola o polo anterior (palmar) do restante do osso. A compressão exercida pelo capitato distrai a fratura e reduz a chance de consolidação. O traço costuma ser invisível nas radiografias de rotina, porque o estiloide radial se sobrepõe ao intervalo da fratura. Com o colapso progressivo da porção dorsal, o polo anterior pode ser extruído para volar. ARMISTEAD e colaboradores mostraram, com tomografia, fraturas ocultas do semilunar em parte desses pacientes.

O Green (p. 640) acrescenta que a fragmentação do semilunar ocorre sobretudo no plano sagital, o que casa com a ideia de um traço coronal que separa um polo anterior de um corpo dorsal que afunda.

Fraturas do semilunar de TEISEN e HJARBAEK (Green 7ª, cap. 16, Box 16.7, p. 637)
TipoTraçoMecanismoConduta resumida
IPolo palmarHiperextensão, avulsão ligamentarPequeno e estável: gesso 4 a 6 semanas; grande ou com VISI: RAFI
IILasca osteocondralCisalhamentoGesso; desbridamento artroscópico se persistir a dor
IIIPolo dorsalCisalhamento pelo capitato ou avulsão escafossemilunarPequeno e estável: gesso; grande ou com DISI: RAFI
IVSagital do corpoCisalhamento na fratura-luxação radiocárpicaRAFI se desviada
VTransversa do corpoHiperextensão: capitato estende a metade dorsalRAFI se desviada ou instável
VICominutivaCompressão axial entre rádio e capitatoGrave ou crônica: carpectomia proximal

Clínica e imagem

Cobrança confirmada · 1 questão

O que o paciente conta e o que se encontra

O quadro típico é de dor surda, de início insidioso, centrada sobre a articulação radiossemilunar, que piora com a atividade e melhora com repouso e imobilização (Green, p. 640). Alguns pacientes lembram de uma hiperextensão recente. O ponto doloroso fica sobre o dorso do semilunar, logo distal ao lábio dorsal do rádio, em linha com o terceiro raio. Pode haver derrame radiocárpico com sinovite, a amplitude de movimento cai e a força de preensão fica menor que a do outro lado. O Campbell (p. 3309) adiciona um dado útil: os sintomas podem surgir até 18 meses antes de a radiografia mostrar a doença.

No enunciado das provas, a localização costuma aparecer como dor "abaixo do quarto compartimento extensor": é o dorso do punho, no centro, exatamente onde o semilunar fica sob os extensores dos dedos.

Radiografia

O Green (p. 640) pede PA e perfil com o punho em rotação neutra. O sinal precoce de avascularidade na radiografia é o aumento de densidade do semilunar. Os achados seguem o estágio: esclerose, perda progressiva da altura do semilunar, fragmentação (sobretudo sagital), perda progressiva da altura do carpo à medida que o capitato migra para proximal e, no fim, artrose ligada à rotação do escafoide e ao colapso do carpo. A altura do carpo se mede pelo índice de altura do carpo: altura do carpo dividida pela altura do terceiro metacarpo (Green, figura 16.58). O Campbell (p. 3309) dá o valor normal dessa razão: 0,54 ± 0,03.

Ressonância magnética

A RM é o exame mais sensível para o KIENBÖCK (Green, p. 640). Ela mostra diminuição uniforme do sinal em T1 pela queda da vascularização, e o diagnóstico exige que a alteração de sinal ocupe o semilunar inteiro: é o sinal do semilunar negro. No estágio I, sinal baixo em T1 e em T2 sugere necrose avascular (Green, p. 640). O autor insiste num erro frequente de laudo: impacto ulnar costuma ser diagnosticado como KIENBÖCK. No impacto ulnar, a alteração fica restrita ao lado ulnar do semilunar. Fraturas, gânglios intraósseos e encondromas também alteram o sinal, mas de forma focal, e não no osso todo.

Na rotina do autor (Green, p. 641), a RM serve para documentar a ausência de vascularidade em todas as sequências, e a RM com sequência sensível à cartilagem informa o estado da cartilagem e a artrose. O Campbell (p. 3309) também recomenda correlacionar clínica, radiografia e RM para separar KIENBÖCK de impacto ulnar.

Tomografia e cintilografia

A TC com reconstruções sagitais e coronais é a ferramenta do autor para avaliar colapso, alinhamento do carpo e reconstrutibilidade do semilunar, ou seja, a chance de salvar o osso (Green, p. 640 e 641). A cintilografia pode mostrar captação aumentada na fase inicial, mas foi suplantada pela RM e hoje é pouco usada.

Imagem no KIENBÖCK e nos diagnósticos que o imitam (Green 7ª, cap. 16, p. 639 a 641; Campbell 15ª, cap. 74, p. 3309)
Exame ou condiçãoO que mostraPonto de prova
Radiografia no inícioNormal ou fratura linear; depois aumento de densidadeEstágio I tem radiografia normal
RM no KIENBÖCKT1 uniformemente baixo no semilunar inteiroSemilunar negro; exame mais sensível
RM no estágio IT1 e T2 baixos sugerem necroseDiagnóstico do estágio I é pela RM
Impacto ulnarAlteração só no lado ulnar do semilunarUlna plus; não é KIENBÖCK
Fratura, gânglio, encondromaAlteração focalNão ocupa o osso todo
TCColapso, fragmentação, alinhamentoDecide se o semilunar é salvável
CintilografiaCaptação aumentada no inícioSuplantada pela RM
Índice de altura do carpoAltura do carpo / 3º metacarpo; normal 0,54 ± 0,03Cai no IIIB

Classificação de LICHTMAN

Cobrança confirmada · 6 questões

De STAHL a LICHTMAN

O sistema mais usado para estadiar a doença foi descrito por STAHL em 1947 e modificado por LICHTMAN e colaboradores em 1977 (Green, p. 640). A classificação usa radiografias e RM, e o tratamento se baseia no estágio. Ela é, na prática, uma linha do tempo da morte do osso: primeiro o osso morre sem mudar de aparência (I), depois fica denso e se trinca (II), depois afunda (IIIA), depois deixa o carpo cair (IIIB) e por fim desgasta as articulações vizinhas (IV).

Estágio I

A radiografia é normal ou mostra uma fratura linear (de compressão) através do semilunar. Não há colapso. O diagnóstico costuma ser feito pela RM, com sinal difusamente baixo em T1; a cintilografia é positiva. O paciente tem dor dorsal intermitente (Green, p. 640 e Tabela 16.7).

Estágio II

Há esclerose do semilunar na radiografia e fratura, que pode ter múltiplas linhas, sem mudança de tamanho ou forma do osso: o semilunar não colapsou (Green, p. 640 e Tabela 16.7). Clinicamente há dor, inchaço persistente e rigidez. O Campbell (Tabela 74.2, p. 3311) resume o estágio II numa palavra: esclerose do semilunar. Esse é o critério que as provas pedem: esclerose, com ou sem traços de fratura, mas com altura preservada.

Estágio III: a divisão em A e B

O estágio III é o do colapso, e foi dividido em A e B (Green, p. 641).

No IIIA, o semilunar colapsou, mas o carpo continua alinhado e com altura normal. No perfil, o semilunar fica mais largo no sentido anteroposterior, como uma bolacha que foi esmagada.

No IIIB, o capitato migrou para proximal e o escafoide assumiu posição fletida (hiperfletida, na Tabela 16.7). À medida que a razão de altura do carpo cai, o semilunar colapsa e o capitato sobe; a rotação do escafoide produz um padrão de instabilidade DISI. O paciente refere rigidez progressiva e perda de força, e pode haver um clunk nos desvios radial e ulnar. O Campbell (Tabela 74.2) define o IIIB como rotação fixa do escafoide.

O capítulo 13 do Green (p. 464), sobre instabilidades do carpo, explica a mecânica dessa passagem. A fragmentação do semilunar tira a resistência mecânica da coluna central e afrouxa a ligação cinemática da fileira proximal, porque os ligamentos escafossemilunar e semilunopiramidal ficam frouxos. O escafoide carregado segue sua tendência natural e cai em flexão e pronação, enquanto o piramidal migra para proximal. O autor classifica conceitualmente esse desalinhamento como um padrão CID, e o semilunar pode ficar neutro, em VISI ou em DISI conforme a parte mais destruída. A ausência (3A) ou presença (3B) dessa flexão e pronação do escafoide é fator prognóstico: no 3A o carpo é relativamente estável; no 3B ele colapsou.

O ângulo radioescafoide

A separação entre IIIA e IIIB tem concordância ruim entre observadores. GOLDFARB mostrou que, com radiografias, a reprodutibilidade era fraca; ao acrescentar o critério de que o ângulo radioescafoide precisa ser maior que 60° para chamar de IIIB, o kappa subiu para 0,75 (Green, p. 641). CONDIT viu que o ângulo radioescafoide pré-operatório é o que melhor se correlaciona com o resultado: punhos com ângulo acima de 60° vão mal com qualquer cirurgia que tente salvar o semilunar. Em contrapartida, nos estágios I, II e IIIA o ângulo fica abaixo de 60°, e é por isso que o Green usa esse número como fronteira para indicar os procedimentos de preservação (p. 641 e 642). Outros dados de concordância: JENSEN, kappa entre 0,45 e 0,52; JAFARNIA, 0,71 entre quatro observadores.

Estágio IV

No estágio IV, o colapso continua e surgem alterações artrósicas nas articulações radiocárpica e mediocárpica: esclerose subcondral, estreitamento do espaço, osteófitos e cistos degenerativos. O paciente tem dor constante, inchaço e perda de movimento (Green, p. 641). O Campbell (Tabela 74.2) fala em degeneração das articulações intercárpicas adjacentes.

Onde os livros divergem

Há uma divergência que precisa ser conhecida. O Green (Tabela 16.7) põe a fragmentação dentro do estágio II (múltiplas linhas de fratura sem colapso) e define o IIIA pelo colapso com carpo alinhado. O Campbell (Tabela 74.2), numa tabela de uma palavra por estágio, chama o IIIA de fragmentação do semilunar. Nas questões que perguntam "esclerose e linhas de fratura sem colapso", a resposta é II, como no Green. Nas que perguntam o que caracteriza o IIIB, os dois livros concordam: migração proximal do capitato e rotação (flexão) fixa do escafoide. Nenhum dos dois livros descreve um estágio IIIC; a classificação vai de I a IV, com o III dividido em A e B.

Classificação de LICHTMAN nos dois livros (Green 7ª, cap. 16, Tabela 16.7, p. 641; Campbell 15ª, cap. 74, Tabela 74.2, p. 3311)
EstágioGreen 7ªCampbell 15ªPalavra-chave da prova
IRadiografia normal ou fratura linear; RM com T1 difusamente baixo; cintilografia positivaSem alteração na radiografia, alterações na RMRM alterada, radiografia normal
IIEsclerose; pode haver múltiplas linhas de fratura; sem colapsoEsclerose do semilunarEsclerose sem colapso
IIIAColapso do semilunar com altura e alinhamento do carpo mantidosFragmentação do semilunarColapso com carpo estável
IIIBColapso, capitato migrado para proximal, escafoide hiperfletido; ângulo radioescafoide maior que 60°Rotação fixa do escafoideCapitato sobe, escafoide gira
IVIIIB com artrose radiocárpica e/ou mediocárpicaDegeneração das intercárpicas adjacentesArtrose

A questão com imagem

Quando a prova mostra radiografia e RM e pede o estágio, o caminho é sempre o mesmo: primeiro olhar a forma do semilunar (tem altura normal ou afundou?), depois a posição do capitato e do escafoide (o capitato subiu? o escafoide está fletido?) e por último as articulações vizinhas (há artrose?). Semilunar denso, com altura preservada e carpo normal, é estágio II, mesmo que a RM mostre todo o osso escuro.

Classificação artroscópica de BAIN e BEGG

Cobrança confirmada · 1 questão

A lógica das superfícies

A radiografia mostra osso; a artroscopia mostra cartilagem. MENTH-CHIARI e colaboradores foram os primeiros, em 1999, a usar a artroscopia no KIENBÖCK, em sete pacientes nos estágios IIIA e IIIB, para avaliar as superfícies, desbridar o semilunar e fazer sinovectomia (Green, cap. 17, p. 691). Em 2006, BAIN e BEGG propuseram uma classificação artroscópica baseada no número de superfícies articulares não funcionais.

A articulação em jogo tem quatro superfícies: a faceta semilunar do rádio, a superfície proximal do semilunar, a superfície distal do semilunar e a cabeça do capitato. Uma superfície é normal quando tem aspecto brilhante ou fibrilação mínima com osso subcondral firme à palpação; é não funcional quando há fibrilação extensa, fissuras, perda localizada ou extensa da cartilagem, cartilagem flutuante ou fratura (Green, cap. 17, p. 691).

O achado mais didático de BAIN e BEGG é a sequência: as alterações começam sempre na superfície proximal do semilunar. Nos casos mais graves aparece fratura subcondral e, depois, lesão secundária na faceta do rádio que se opõe a ela. O envolvimento da superfície distal do semilunar é raro, exceto em casos crônicos com fratura coronal que chega até ela. A sinovite acompanha o grau de lesão articular; a radiografia subestima a lesão da cartilagem, e a artroscopia frequentemente muda o plano de tratamento. Eles também encontraram casos com o envelope cartilaginoso intacto sobre osso subcondral colapsado, sugerindo revascularização espontânea (Green, cap. 17, p. 692). TATEBE, examinando 57 pacientes, viu que o número de superfícies acometidas não se correlaciona com o estágio de LICHTMAN, mas a perda de superfícies adicionais aumenta com a idade.

Grau a grau e o tratamento de cada um

A regra de BAIN e DURRANT é remover apenas as superfícies que não funcionam e preservar o movimento.

No grau 0, todas as superfícies funcionam: faz-se sinovectomia e um procedimento extra-articular, isto é, encurtamento do rádio se a variância é negativa, encurtamento do capitato se é neutra ou positiva, revascularização, descompressão ou enxerto. A descompressão artroscópica só é recomendada com variância neutra ou positiva (Green, cap. 17, p. 692).

No grau 1, só a superfície proximal do semilunar é não funcional: carpectomia da fileira proximal ou artrodese radioescafossemilunar.

No grau 2A, estão perdidas a superfície proximal do semilunar e a faceta semilunar do rádio: a artrodese radioescafossemilunar remove as duas superfícies doentes e preserva a cinemática mediocárpica.

No grau 2B, estão perdidas as superfícies proximal e distal do semilunar: a carpectomia proximal é a escolha, desde que a faceta do rádio esteja íntegra.

No grau 3, três superfícies estão perdidas (faceta do rádio e as duas do semilunar), com o capitato preservado: artrodese total, artroplastia ou hemiartroplastia de recobrimento do rádio distal articulada com a cabeça do capitato.

No grau 4, as quatro superfícies estão perdidas: artrodese total do punho ou artroplastia.

Classificação de BAIN e BEGG (Green 7ª, cap. 17, Tabela 17.3, p. 691 e 692; Campbell 15ª, cap. 74, Tabela 74.3, p. 3311)
GrauSuperfícies não funcionaisTratamento recomendado
0NenhumaExtra-articular: encurtar o rádio (ulna negativa), encurtar o capitato (neutra ou positiva), revascularizar
1Proximal do semilunarCarpectomia proximal ou artrodese radioescafossemilunar
2AProximal do semilunar e faceta semilunar do rádioArtrodese radioescafossemilunar
2BProximal e distal do semilunarCarpectomia proximal (faceta do rádio íntegra)
3Faceta do rádio, proximal e distal do semilunar; capitato preservadoHemiartroplastia, artrodese total ou artroplastia
4As quatro superfíciesArtrodese total ou artroplastia

O Campbell (p. 3314) registra o resultado do algoritmo em 27 pacientes com 10 anos: dor de 5 para 2 e nenhuma artrodese total.

História natural e tratamento conservador

Cobrança confirmada · 1 questão

O que acontece sem cirurgia

Os livros mostram que a história natural é menos catastrófica do que a radiografia sugere, e isso explica a dificuldade de comparar tratamentos. STAHL recomendava imobilização prolongada. TAJIMA revisou 80 pacientes com 42 anos de seguimento e não encontrou diferença apreciável entre tratamento conservador e cirúrgico. KRISTENSEN seguiu 46 pacientes tratados sem cirurgia por, em média, 20 anos: 66% tinham artrose, mas só 25% tinham dor significativa. TANIGUCHI viu piora radiográfica em 70% de 20 pacientes seguidos por 35 anos, com apenas 20% de sintomas limitantes (Green, p. 641).

A visão oposta vem de KEITH, que revisou 33 pacientes tratados sem cirurgia e encontrou deterioração previsível de movimento, força de preensão e escore DASH (Green, p. 641). O Campbell (p. 3314) lembra ainda que, nos tratamentos cirúrgicos, as mudanças radiográficas promissoras do início muitas vezes não se mantêm.

Imobilização: quando e por quanto tempo

O Campbell (p. 3310 e Tabela 74.2) recomenda imobilização gessada quando a doença é considerada muito precoce, estágio I ou II antes de esclerose, fragmentação ou colapso, com radiografias repetidas em busca de fratura oculta ou de outro diagnóstico (como fratura do escafoide não vista). A Tabela 74.2 é explícita: no estágio I, imobilização e anti-inflamatório; se não houver melhora, tratar como estágio II. O mesmo Campbell (p. 3312) faz a ressalva que pesa nas questões de "certo ou errado": esse tratamento é difícil de aceitar porque exige 4 meses ou mais de imobilização, com resultado incerto, e os relatos de tratamento conservador são difíceis de avaliar porque o estágio no diagnóstico muitas vezes não é especificado.

O Green não traz um protocolo de imobilização. Ele lista o conservador entre as opções históricas e, na preferência do autor, raciocina sempre em termos de semilunar salvável ou não salvável.

Nivelamento articular: encurtar o rádio

Cobrança confirmada · 1 questão

A ideia

Os tratamentos cirúrgicos se dividem em três grupos (Green, p. 641): descarregar o semilunar, revascularizar o semilunar necrótico e salvamento, quando o osso não é reconstruível ou já há artrose. O nivelamento articular é o protótipo do primeiro grupo. Se a ulna é curta, o semilunar fica apoiado no rádio; encurtando o rádio (ou alongando a ulna), a carga se redistribui e o semilunar passa a sofrer menos.

Indicações

O Green (p. 641 e 642) indica o nivelamento no paciente sintomático, em estágio I, II ou IIIA, com variância ulnar negativa, em que o carpo ainda não colapsou (ângulo radioescafoide menor que 60°) e o semilunar pode ser salvo. Os critérios completos para o encurtamento do rádio são: variância negativa, semilunar salvável, sem colapso do carpo e sem artrose nas articulações intercárpicas e radiocárpica. Alguns autores viram benefício mesmo no IIIB. O Campbell (p. 3312) dá a mesma indicação: LICHTMAN I a IIIA, ulna minus, sem alterações degenerativas nas articulações radiossemilunar e capitossemilunar. Em quem tem variância neutra ou positiva, encurtar o rádio arrisca impacto ulnar.

Por que 2 a 3 milímetros

A pergunta de quantos milímetros encurtar vem dos estudos biomecânicos resumidos no Green (p. 642). TRUMBLE mostrou que alongar a ulna, encurtar o rádio ou fazer artrodese STT reduz em 70% a deformação do semilunar, enquanto a artrodese capitato-hamato não reduziu significativamente. Mais importante: 90% da redução da deformação ocorre nos primeiros 2 mm de mudança de comprimento; a redução ainda aumenta até 3 mm; acima de 4 mm não há ganho e cresce o risco de incongruência da radioulnar distal. Daí a regra do Green: o objetivo é encurtar o rádio cerca de 2 a 3 mm, e não simplesmente obter variância neutra. Ao mesmo tempo, a meta prática é deixar o paciente com variância neutra ou levemente positiva.

O Campbell (p. 3312) descreve o encurtamento com uma osteotomia transversa cerca de 3 polegadas (7,6 cm) proximal à superfície articular, encurtando o rádio 2 mm e fixando com placa de compressão; na técnica 74.22 (p. 3313), fala em encurtar geralmente 2 a 3 mm, medindo antes na radiografia. É por isso que, quando a prova pede um número único, a resposta esperada é 2 mm.

HORII, com um modelo matemático (Green, p. 642), mostrou que alongar a ulna e encurtar o rádio são equivalentes: a força radiossemilunar cai 45%, e a carga migra para as articulações ulnossemilunar (+50%) e ulnopiramidal (+78%), com pequeno aumento radioescafoide (+6%) e semilunocapitato (+13%). Nesse modelo, a artrodese escafocapitato reduziu a força radiossemilunar em 12%, a capitato-hamato não mudou nada e o encurtamento do capitato com artrodese capitato-hamato reduziu 66%.

Efeito dos procedimentos na carga do semilunar (Green 7ª, cap. 16, p. 642)
ProcedimentoTRUMBLE (deformação do semilunar)HORII (força radiossemilunar)
Encurtamento do rádioQueda de 70%Queda de 45%
Alongamento da ulnaQueda de 70%Queda de 45%
Artrodese STTQueda de 70%Não avaliada
Artrodese capitato-hamatoSem redução significativaSem mudança
Artrodese escafocapitatoNão avaliadaQueda de 12%
Encurtamento do capitato com artrodese capitato-hamatoNão avaliadoQueda de 66%
Quanto encurtar90% do efeito nos primeiros 2 mm; nada além de 4 mmObjetivo de 2 a 3 mm

A técnica e os resultados

A via volar é a mais usada (Green, p. 642): incisão sobre a borda radial do flexor radial do carpo, que é afastado para ulnar para proteger o nervo mediano, e desinserção do pronador quadrado. Usa-se uma placa volar (há sistemas próprios de encurtamento) ou placa de compressão dinâmica com dispositivo de compressão. Se a osteotomia é oblíqua, retira-se uma fatia de 2 mm, por causa da geometria da compressão; se é transversa, uma fatia de cerca de 3 mm. O gesso fica até a consolidação, por volta de 6 semanas. A osteotomia metafisária consolida melhor, mas é mais difícil de comprimir; a placa dorsal pode incomodar e exigir retirada.

A vantagem do nivelamento sobre os procedimentos intra-articulares é que ele não reduz o arco final de movimento do punho; a artrodese STT limita desvio radial e extensão. O alongamento da ulna (PERSSON, 1945; ARMISTEAD, 1982, com três pseudartroses em 20 casos) exige duas osteotomias e enxerto e é pouco usado hoje (Green, p. 642; Campbell, p. 3312).

Os resultados (Green, p. 643): WEISS, 29 pacientes de I a IIIB, 87% com menos dor, movimento 32% maior e sem progressão do colapso, mas sem melhora radiográfica do semilunar; ROCK, 13 de 16 sem dor; ALMQUIST e BURNS, alívio em 11 de 12, sem nenhum paciente totalmente livre de dor.

Ulna neutra ou positiva: capitato, cunha e descompressão

Cobrança confirmada · 1 questão

Por que outra estratégia

Quando a variância é neutra ou positiva, o rádio já está tão curto quanto a ulna, e encurtá-lo mais não diminui a carga no semilunar; como o semilunar ainda não colapsou, o salvamento não se justifica (Green, p. 646). O descarregamento tem de vir de outro ponto: do capitato, que empurra o semilunar por cima, ou da inclinação do rádio.

O encurtamento do capitato de ALMQUIST

O encurtamento do capitato, isolado ou combinado com artrodese capitato-hamato, foi descrito por ALMQUIST em 1993, com taxas de revascularização do semilunar de até 83% (Green, p. 646; Campbell, p. 3312). O estágio IV contraindica a técnica. O Campbell acrescenta que ela pode ser associada à artrodese carpometacarpal da parte distal do capitato, para uso em punhos com variância neutra.

A técnica (Green, p. 646; Campbell, técnica 74.20, p. 3312 e 3313) usa incisão dorsal da base do terceiro metacarpo ao tubérculo de LISTER, abertura do quinto compartimento e afastamento dos tendões do quarto compartimento sem descolá-lo, para não lesar a vascularização. A osteotomia é feita na cintura do capitato, no nível do polo distal do escafoide, com osteótomo fino para não romper a cápsula volar, que leva sangue. Comprime-se a cabeça do capitato contra o fragmento distal e fixa-se com dois fios de 0,062 polegada (1,6 mm) cruzados ou parafusos sem cabeça. VIOLA notou que a ponta do hamato fica proeminente e impede o descarregamento; a solução é ressecá-la ou fazer a osteotomia atravessando capitato e hamato juntos. ALMQUIST relatou força de preensão de 80% do lado oposto e 83% de satisfação.

O Campbell (p. 3312) traz o contrapeso: MANSOUR e HEGAZY viram que o encurtamento do capitato funciona melhor no estágio II; no IIIA não evitou o colapso e não melhorou dor, força ou função, e eles recomendam não usá-lo no IIIA.

Há uma armadilha de nomes: ALMQUIST também assina, com BURNS, uma série clássica de encurtamento do rádio (Green, p. 643; Campbell, técnica 74.22). Quando a questão fala na "técnica descrita por ALMQUIST", o que ela quer é o encurtamento do capitato.

Osteotomia em cunha do rádio

A osteotomia de fechamento radial reduz a inclinação radial (Green, p. 646). No modelo de WATANABE, a carga radiossemilunar passa para a radioescafoide sem aumentar a carga ulnocárpica. É extra-articular, preserva o movimento, mas é tecnicamente exigente e não é indicada com colapso avançado. Remove-se uma cunha trapezoidal mais larga do lado radial, pela via volar. O exemplo do Green (figura 16.69) é uma mulher de 23 anos com inclinação radial aumentada. O Campbell (p. 3313) a propõe para estágios II ou III com ulna neutra e registra relatos em IIIB e IV, sem consenso; os estudos biomecânicos são contraditórios.

Descompressão do rádio

ILLARRAMENDI teve a ideia ao ver o KIENBÖCK regredir em pacientes que sofreram fratura do rádio distal. A descompressão metafisária do rádio (e da ulna, na descrição original) consiste em curetar e impactar o osso esponjoso por uma pequena janela cortical, criando uma resposta vascular local (Green, p. 646; Campbell, p. 3313). Em 22 pacientes seguidos por 10 anos, 16 ficaram sem dor e ninguém foi reoperado. SHERMAN mostrou que ela não altera a carga na fossa semilunar: o efeito é vascular, com aumento da drenagem venosa e redução da congestão intraóssea. As vantagens são a simplicidade, não invadir a articulação e não precisar de implante; ILLARRAMENDI relatou 90% de resultados satisfatórios (43 de 48), e DE CARLI viu progressão radiográfica em só 2 de 15 punhos IIIA em 13 anos. A técnica do Campbell (74.21) faz uma janela de cerca de 2,0 por 0,5 cm, a 2 cm do estiloide, com gesso por 2 semanas. MEHRPOUR descomprimiu o próprio semilunar, com 18 bons resultados em 20.

Revascularização: enxertos vascularizados

Cobrança confirmada · 1 questão

Indicação

O enxerto ósseo vascularizado é útil nos estágios I, II e IIIA, embora as indicações precisas não sejam claras (Green, p. 643). A lógica é levar osso vivo com pedículo para dentro de um semilunar que ainda tem forma, retirando a necrose. Na preferência do autor (Green, p. 647), é a escolha para o semilunar salvável com variância neutra ou positiva. O Campbell (Tabela 74.2) diz que os procedimentos de revascularização são promissores, sem resultado de longo prazo, e que costumam exigir proteção do semilunar com pino escafocapitato, pino STT ou fixador externo (p. 3312).

As fontes

A vascularização dorsal do rádio distal é constante. Há arcos dorsais (do carpo, radiocárpico e suprarretinacular) e artérias intercompartimentais (entre compartimentos extensores) e compartimentais (dentro deles); as que ficam sobre o retináculo são chamadas suprarretinaculares (Green, p. 643).

As artérias do quarto e do quinto compartimentos extensores (4ª e 5ª ACE) são as mais úteis para o KIENBÖCK. Prefere-se o enxerto da 4ª ACE alimentado pela 5ª, pela origem comum, porque a 5ª ACE tem calibre maior, e o pedículo alcança qualquer ponto do carpo. A 5ª ACE é achada no assoalho radial do quinto compartimento e seguida até a origem na interóssea anterior; o enxerto é centrado cerca de 11 mm proximal à radiocárpica, sobre a 4ª ACE; liga-se a interóssea anterior proximalmente. Depois, capsulotomia dorsal que poupa ligamentos, janela dorsal no semilunar, retirada do osso necrótico, fio escafocapitato com o punho distraído para descarregar o semilunar, enxerto esponjoso e inserção do enxerto com o pedículo vertical e a cortical em orientação proximodistal, para manter a altura (Green, p. 643 e 644). MORAN, em 26 pacientes: 92% com melhora da dor, força de 50% para 89% do lado oposto e revascularização na RM em 71%.

O enxerto da 2,3 ACSR (artéria intercompartimental suprarretinacular do segundo e terceiro compartimentos) corre sobre o tubérculo de LISTER, é fácil de colher e alcança toda a fileira proximal (Green, p. 644). Outra opção usa a base do segundo ou do terceiro metacarpo, pelo arco vascular metacarpal dorsal, por uma única incisão mediana (Green, p. 644, figura 16.65, que identifica a artéria metacarpal dorsal do segundo espaço).

HORI descreveu o implante de feixe vascular da segunda artéria metacarpal dorsal (intermetacarpal), entre o indicador e o médio, com 5 a 6 cm de pedículo passado por um furo de 2,7 mm no semilunar, de dorsal para volar. Exige arco do carpo relativamente normal e descarga do semilunar (fixador, encurtamento do capitato ou pino escafocapitato). Houve melhora em 8 de 9 casos (Green, p. 644 e 645).

O pisiforme vascularizado (BOCHUD e BÜCHLER, 32 pacientes) restaurou a anatomia inicialmente em 95%, mas só 33% mantiveram a correção. Na série maior de MORAN (48 pacientes, 10 anos), 98% tiveram alívio, a força melhorou, o movimento não, e 60% revascularizaram (Green, p. 645 e 646). O Campbell (p. 3313 e 3314) lista ainda o rádio distal com o pronador quadrado e resume: restauração da arquitetura e revascularização em 60% a 95%, alívio em cerca de 90%, mas as melhoras radiográficas iniciais podem não persistir. A novidade é o retalho osteocondral livre do côndilo femoral medial, usado por PET em IIIA e IIIB, que pareceu frear o colapso a curto prazo.

Enxertos vascularizados para o semilunar (Green 7ª, cap. 16, p. 643 a 646; Campbell 15ª, cap. 74, p. 3313 e 3314)
FonteVasoDetalheResultado citado
Rádio distal dorsal4ª ACE alimentada pela 5ª (origem na interóssea anterior)Preferido; enxerto a 11 mm da radiocárpicaMORAN: 92% menos dor, 71% revascularizam
Rádio distal dorsal2,3 ACSR sobre o tubérculo de LISTERFácil de colher; alcança a fileira proximalNão detalhado
Base do 2º ou 3º metacarpoArco metacarpal dorsalIncisão única medianaNão detalhado
Feixe vascular (HORI)2ª artéria metacarpal dorsalPedículo de 5 a 6 cm; exige descarga8 de 9 melhoraram
PisiformePedículo próprioRestauração inicial altaSó 33% mantêm a correção
Rádio distal palmarPronador quadradoOpção citada no Campbell60% a 95% de revascularização (grupo)
Côndilo femoral medialRetalho livre osteocondralIIIA e IIIB (PET)Freou o colapso a curto prazo

Salvamento: IIIB e IV

Cobrança confirmada · 5 questões

Quando o capitato já subiu e o escafoide rodou (IIIB), salvar o semilunar deixa de ser o objetivo: é preciso tratar o colapso do carpo (Green, p. 646; Campbell, Tabela 74.2). As opções são a carpectomia da fileira proximal e as artrodeses intercárpicas STT e escafocapitato, que mantêm o escafoide fora da flexão e tiram carga do semilunar (Green, cap. 13, p. 464). WATSON fez 71 artrodeses STT: 46% de resultados excelentes e 32% bons, altura do carpo mantida em 35 de 36 e só 5,6% de novo salvamento; a prótese de silicone associada foi abandonada pela sinovite particulada. A escafocapitato é tecnicamente mais fácil, sem diferença de carga em relação à STT (Green, cap. 12, p. 380). NAKAMURA teve melhores resultados com a carpectomia proximal do que com as artrodeses limitadas e a recomenda no lugar da STT (Green, p. 647, figura 16.70: carpectomia para IIIB). O Campbell (p. 3314) lembra as artrodeses escafocapitato, capitato-hamato e hamato-piramidal, e que a excisão simples do semilunar é controversa e inadequada para trabalho pesado.

No estágio IV, com artrose radiocárpica e mediocárpica, a carpectomia ainda é possível se a cabeça do capitato e a fossa do semilunar estiverem preservadas; na maioria, indica-se a artrodese total do punho (Green, p. 647). Na preferência de LEE (p. 647 e 648): semilunar não salvável com cartilagem preservada = carpectomia proximal com neurectomia do interósseo posterior; sem cartilagem = carpectomia com interposição capsular ou artrodese total.

A técnica de GRANER, cobrada com imagem, só aparece nos livros como referência: o artigo de 1966 sobre artrodese dos ossos do carpo no KIENBÖCK (Green, cap. 12) e um estudo anatômico sobre a "fusão intercárpica de GRANER" (Green, cap. 44).

Estágio a estágio

Cobrança confirmada · 1 questão

Tratamento por estágio (Green 7ª, cap. 16, p. 641 a 648; Campbell 15ª, cap. 74, Tabela 74.2, p. 3311)
EstágioUlna minusUlna neutra ou plus
IImobilização e AINE (Campbell); se sintomático, nivelar (Green)Imobilização; capitato, cunha, descompressão
II e IIIAEncurtar o rádio 2 a 3 mmEncurtar o capitato, cunha radial, enxerto vascularizado
IIIBCarpectomia proximal, STT ou escafocapitatoIdem
IVArtrodese total; carpectomia se capitato e fossa preservadosIdem

Criança, PREISER e capitato

Fundamento

O KIENBÖCK é relativamente incomum em crianças (Rockwood and Wilkins' Fractures in Children, 10ª ed.), e o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (p. 358), associa a necrose do semilunar à deformidade de MADELUNG, ao contrário da associação habitual com ulna curta.

A doença de PREISER é a osteonecrose do escafoide (Green, p. 648 e 649). KALAINOV dividiu em tipo 1 (osso inteiro, que fragmenta e colapsa) e tipo 2 (parcial, que mantém a arquitetura). Causas: colagenoses, corticoide, trauma repetitivo ou idiopática; pode ocorrer em crianças. Sem tratamento padronizado: revascularização como no KIENBÖCK (Campbell, p. 3293 aprox.), cunha radial ou excisão do escafoide com artrodese mediocárpica ou carpectomia. A necrose do capitato ameaça o polo proximal, intra-articular, por fluxo retrógrado como no escafoide (Green, p. 649).

Fechamento

Fundamento

Decida em duas perguntas: o semilunar é salvável (sem colapso do carpo, ângulo radioescafoide abaixo de 60°)? E qual é a variância ulnar? A partir delas, nivelamento, capitato, revascularização ou salvamento.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

Abrir no leitorCriar conta grátis

No leitor do aplicativo, quem não tem conta lê as 6 primeiras partes; a leitura completa é grátis com a conta.

Continue estudando