Orto Questões

Lesões do anel pélvico

Trauma adultoResumo do capítulo66 min de leitura

YOUNG e BURGESS e TILE, livro aberto e os 2,5 cm, zonas de DENIS, cinta nos trocânteres, embolização pelo extravasamento de contraste, tamponamento pré-peritoneal, lesão urológica, parafuso iliossacral e a raiz de L5.

Atualizado em 28/10/2026 · 66 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 50 · Pelvic Ring Injuries, em Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025). Autores do capítulo: Reza Firoozabadi.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de trauma adulto do Rockwood adulto, capítulo 50, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo foi escrito a partir do capítulo 50 do Rockwood and Green (10ª edição), escrito por Reza Firoozabadi, e segue a ordem em que as provas cobram o tema, não o índice do livro. Ele reorganiza as ideias em português, explica o porquê de cada regra e mostra, no meio do texto, as questões reais do acervo sobre cada ponto. Os números são os do capítulo; quando a banca cobra um dado que o capítulo não traz, o texto avisa.

O anel pélvico cai em quase toda prova de trauma, e a banca gira em torno de poucos blocos: a classificação de YOUNG e BURGESS (com a de TILE ao lado), o livro aberto e o limite de 2,5 cm da sínfise, as zonas de DENIS do sacro, o controle da hemorragia (cinta, artérias que sangram, embolização, fixador e clampe), as lesões associadas e urológicas e, nos últimos anos, a técnica do parafuso iliossacral com a raiz de L5 em risco. Tudo nasce de uma ideia de anatomia: a pelve é um anel, e quem segura o anel é a parte de trás.

Anatomia e biomecânica do anel

Cobrança confirmada · 3 questões

A pelve tem três ossos: o sacro e os dois ossos do quadril (inominados). Cada inominado é a fusão do ílio, do ísquio e do púbis, que se encontram na cartilagem trirradiada, onde se forma o acetábulo. A cabeça femoral passa a carga ao acetábulo, e o ílio a leva até a coluna por duas colunas de osso: uma do túber isquiático à sacroilíaca (a carga sentado) e outra do teto do acetábulo à sacroilíaca (a carga em pé). Entre elas fica o pilar isquiático (sciatic buttress), um osso muito denso que o cirurgião usa para pinos e parafusos. Na frente, as hemipelves se unem na sínfise púbica; atrás, o sacro se liga a cada uma pelas sacroilíacas e, em cima, a L5 pelo disco e pelas facetas: é a junção espinopélvica.

O sacro nasce da fusão de cinco vértebras e por isso tem anomalias de segmentação (sacralização de L5, lombarização de S1, completas ou incompletas), que mudam os corredores de fixação. Ele é convexo atrás e côncavo na frente, com graus variados de cifose.

Quem segura o anel

As articulações do anel (as duas sacroilíacas e a sínfise) são inerentemente instáveis como osso; quem mantém tudo no lugar são os ligamentos.

Ligamentos do anel pélvico e o que cada um contém
EstruturaOndeFunção na estabilidade
Ligamentos sacroilíacos posteriores e interósseosatrás da sacroilíacaa principal sustentação do anel; seguram o deslocamento vertical e posterior
Ligamentos sacroilíacos anterioresface anterior da sacroilíacaresistem à rotação externa; rompem na CAP II
Sacroespinhososacro e cóccix até a espinha isquiáticaestabilidade posterior acessória; separa os forames isquiáticos maior e menor
Sacrotuberososacro, cóccix e espinha ilíaca posteroinferior até o túber isquiáticoestabilidade posterior acessória, mais superficial e largo
Iliolombarprocesso transverso de L5 até a crista ilíacaliga a coluna à pelve; sua tração explica a avulsão do processo transverso de L5
Ligamentos da sínfiseentre os púbisestabilidade anterior; só cerca de 15% da estabilidade do anel

A frase que decide muitas questões é esta: as estruturas posteriores respondem pela maior parte da estabilidade, e a sínfise, só por cerca de 15%. Por isso a lesão posterior é a que manda no tratamento.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 50-26. Ligamentos da pelve em vista anterior e posterior, com a hemipelve esquerda transparente: sacroespinhoso, iliolombar, sacrotuberoso, sacroilíacos anteriores, posteriores (longos e curtos) e interósseos. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Como o anel trabalha

Como o eixo da coluna fica fora do eixo das sacroilíacas e dos acetábulos, as forças mudam com o apoio. Em pé sobre as duas pernas, a sínfise e a parte inferior das sacroilíacas trabalham em tensão e a parte superior das sacroilíacas em compressão. No apoio unipodal, a sínfise passa a sofrer compressão e cisalhamento vertical, e as forças nas sacroilíacas se invertem (compressão embaixo, tensão em cima).

Disso sai uma regra de tratamento. Se só a sínfise se rompe e o complexo posterior está íntegro, as forças de compressão prevalecem e a sínfise fecha sozinha com a mobilização: é a base do tratamento não operatório da CAP I. Quando os sacroilíacos anteriores também se rompem, a sínfise continua sob tensão e abre mais com a carga: aí a cirurgia é indicada.

Vasos, nervos e vísceras: o que a fratura ameaça

  • Plexo venoso: está quase sempre lesado em algum grau quando o anel se rompe. Os vasos correm colados aos ligamentos, e é por isso que a ruptura ligamentar sangra.
  • Ilíaca interna e seus troncos: passam à frente das sacroilíacas e saem pela incisura isquiática maior, pela menor e pelo forame obturatório. A glútea superior sai pela incisura isquiática maior e é lesada com frequência.
  • Bexiga e uretra: ficam logo atrás da sínfise, daí as lesões urológicas da fratura anterior; escroto e vagina, pela proximidade, também se machucam. O reto fica logo à frente do sacro.
  • Raiz de L5: repousa na face anterior da asa do sacro. A distância entre a raiz e a sacroilíaca é maior no forame intervertebral e diminui à medida que se chega ao estreito superior, na parte mais anterior da articulação; o lugar mais seguro para afastadores e implantes no sacro é no nível do promontório ou atrás dele.
  • Raízes sacrais: saem pelos cinco forames e formam o plexo sacral; são lesadas nas fraturas do sacro e, na zona II, podem precisar de descompressão.
  • Pela incisura isquiática maior saem o ciático, os glúteos superior e inferior e o pudendo; pelo forame obturatório, o obturatório.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 50-27. Estruturas neurovasculares dentro da pelve: os ramos da ilíaca interna à frente da sacroilíaca, a bexiga e a uretra atrás da sínfise e a raiz de L5 sobre a asa do sacro. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

As lesões associadas neurológicas, torácicas e abdominais predizem mais a mortalidade e o resultado funcional do que a própria fratura do anel; daí a insistência do capítulo em chamar cedo o urologista e o cirurgião geral.

Classificação de YOUNG e BURGESS

Cobrança confirmada · 7 questões

A classificação mais usada hoje é a de YOUNG e BURGESS, baseada no mecanismo, isto é, na direção da força que bateu na pelve. Ela tem quatro grupos: compressão lateral (CL I a III), compressão anteroposterior (CAP I a III), cisalhamento vertical (CV) e mecanismo combinado. O valor dela, para o capítulo, é prever as lesões associadas e a necessidade de sangue.

YOUNG e BURGESS: a lesão posterior define o grau
TipoLesão anteriorLesão posteriorEstabilidade
CL Ifratura dos ramos (traço oblíquo ou horizontal)impacção do sacro no lado do impactoestável na maioria
CL IIramosfratura em crescente (fratura-luxação da sacroilíaca pela asa do ilíaco) no lado do impactoinstável na rotação
CL IIIramosCL I ou II no lado do impacto e livro aberto do outro lado (pelve "varrida pelo vento")instável
CAP Idiástase da sínfise, abertura discreta da sacroilíaca na frentesacroilíacos anteriores estiradosestável
CAP IIdiástase maior que 2,5 cmabertura anterior da sacroilíaca; sacroilíacos posteriores íntegrosinstável na rotação, estável na vertical
CAP IIIdiástaseruptura completa da sacroilíaca (também os posteriores)instável na rotação e na vertical
CVdiástase ou fratura dos ramossacroilíaca luxada, sacro ou ilíaco fraturado, com hemipelve subidainstável em tudo
Combinadomisturamisturadepende

Compressão lateral

É o padrão mais comum. Vem do impacto de lado, como a batida em T no carro. A hemipelve do lado do impacto roda para dentro, e o osso esponjoso da parte anterior da asa do sacro é esmagado contra o resto do sacro: é a impacção do sacro, a marca da CL I. Na frente, quebram os ramos (às vezes há a "sínfise travada"). São lesões que podem ser instáveis na rotação, mas são estáveis na vertical (TILE B), e algumas têm deformidade em flexão da hemipelve.

O capítulo chama atenção para dois pontos novos. A CL é um grupo heterogêneo, porque a morfologia da fratura do sacro varia muito nas lesões de baixo grau; e a CL II foi subdividida em terços, de anterior para posterior, conforme o nível em que o traço entra na sacroilíaca (a classificação de DAY, vista adiante).

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 50-14. Compressão lateral tipo I: fratura por impacção da asa do sacro e fratura do ramo superior em rotação interna, com o exame sob estresse e a correção por fixador de distração. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Compressão anteroposterior: o livro aberto

A CAP é, na maioria das vezes, causada pela rotação externa forte de uma hemipelve, como a perna torcida para fora no acidente de moto. A força vai de frente para trás, a hemipelve gira para fora e a dobradiça fica atrás, nas sacroilíacas ou no sacro. Os ligamentos falham em dominó, de frente para trás:

1. A sínfise falha primeiro: só ela rompida é a CAP I. 2. Seguem, sob tensão, o sacrotuberoso, o sacroespinhoso e os sacroilíacos anteriores: é a CAP II. A diástase da sínfise maior que 2,5 cm indicava, classicamente, que tudo isso estava roto, e é o número que separa a CAP I da II. 3. Se a rotação externa continua, rompem os ligamentos intra-articulares e sacroilíacos posteriores, e a sacroilíaca fica completamente instável: é a CAP III. Nessa fase, em cadáver, todo o suporte ligamentar, inclusive o assoalho pélvico e a musculatura perineal, está rompido.

O número de 2,5 cm foi questionado em cadáver: em alguns casos os sacroilíacos anteriores só romperam com 4,5 cm, mas a média em que romperam foi de cerca de 2,2 cm, o que sustenta o valor original. Nesse mesmo estudo, o sacroespinhoso e o sacrotuberoso só romperam em 15% das vezes, enquanto os sacroilíacos anteriores romperam sempre, ao contrário da sequência clássica.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 50-16. CAP I: sínfise alargada, com medida menor que 2,5 cm na tomografia. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 50-17. CAP II: abertura da sacroilíaca direita na tomografia e mais de 5,7 cm de alargamento anterior. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 50-18. CAP III: luxação completa da sacroilíaca esquerda. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Cisalhamento vertical e mecanismo combinado

No cisalhamento vertical, o vetor principal é para cima. A hemipelve lesada sobe, e na radiografia a crista ilíaca fica mais alta que a do outro lado. Classicamente, a fratura do processo transverso de L5, arrancado pelo ligamento iliolombar, indicava hemipelve instável na vertical. O capítulo mostra que esse sinal foi contestado: numa revisão de 54 pacientes, só 19% das fraturas instáveis na vertical tinham a fratura de L5, e os autores acharam que ela indica fratura da pelve de qualquer tipo. A conclusão do capítulo é equilibrada: a fratura do processo transverso de L5 deve alertar para lesão do anel com potencial de instabilidade vertical.

No mecanismo combinado, vários vetores atuam juntos e a lesão mistura traços dos outros tipos.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 50-19. Cisalhamento vertical: subida da hemipelve direita por fratura completa do sacro, com avulsão do processo transverso de L5 (seta). Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Classificação de TILE e as outras

Cobrança confirmada · 3 questões

TILE (a partir do trabalho de PENNAL e TILE) organiza as lesões pela estabilidade, que é o que decide o tratamento. MALGAIGNE, em 1859, foi o primeiro a descrever uma fratura do anel, a "fratura vertical dupla" (ramos superior e inferior na frente e fratura ou luxação atrás).

Classificação de TILE
TipoEstabilidadeSubtipos
Aanel estávelA1 fora do anel (avulsões, asa ou crista do ilíaco); A2 fraturas estáveis do anel, pouco desviadas
Binstável na rotação, estável na verticalB1 livro aberto; B2 compressão lateral ipsilateral; B3 compressão lateral contralateral ("alça de balde")
Cinstável na rotação e na verticalC1 unilateral; C2 bilateral; C3 associada a fratura do acetábulo

O tipo A é tratado sem cirurgia; o B, conforme a rotação; o C quase sempre precisa de fixação posterior. As lesões tipo C têm os piores resultados, sobretudo pelas lesões neurológicas associadas, e a maior mortalidade.

OTA/AO, comparação e confiabilidade

A classificação OTA/AO (tipos A, B e C, do menos ao mais grave) é usada principalmente para coleta de dados e pesquisa; segundo o capítulo, nenhuma das classificações ajuda de verdade a planejar a via, a fixação ou o resultado de um paciente.

A concordância entre observadores de TILE/AO e de YOUNG e BURGESS é baixa. Comparadas em 285 pacientes, as duas não tiveram diferença clinicamente relevante para prever mortalidade, transfusão e lesões associadas: os padrões instáveis (TILE B e C; CAP III, CL III e CV) pediram mais sangue, e o livro aberto, nas duas, se associou a lesões mais graves do abdome, da coluna e dos membros. A única diferença: YOUNG e BURGESS, separada em parcialmente estáveis e instáveis, mostrou maior mortalidade nos instáveis (CL II e III, CAP II e III, CV e combinado). Noutro estudo, a necessidade de embolização foi maior nas lesões TILE C, na ruptura da sínfise, nas fraturas da asa do ilíaco e nas fraturas transforaminais do sacro.

Fraturas por fragilidade: ROMMENS e HOFMANN

Com o envelhecimento da população, as fraturas de baixa energia da pelve ficaram comuns, e a morfologia delas é diferente da do jovem. ROMMENS e HOFMANN criaram a classificação FFP (fragility fractures of the pelvis), com quatro tipos:

  • FFP I: só o anel anterior (Ia unilateral, Ib bilateral).
  • FFP II: lesão posterior sem desvio, com graus variados de lesão anterior (IIa a IIc).
  • FFP III: lesão posterior desviada unilateral (IIIa a IIIc).
  • FFP IV: lesão posterior bilateral (IVa a IVc).

O tipo I costuma ser tratado sem cirurgia; para os tipos II a IV recomenda-se cirurgia, de preferência com técnicas menos invasivas que a redução aberta, sempre com abordagem multiprofissional (família, geriatra, endocrinologista, fisioterapia).

Lesões associadas e mortalidade

Cobrança confirmada · 4 questões

As lesões do anel têm distribuição bimodal: alta energia no jovem (moto, carro, atropelamento; menos comum, queda, acidente com cavalo e esmagamento) e baixa energia no idoso. O impacto lateral continua sendo um grande fator de morte e morbidade, apesar de airbag e de console central, assim como a diferença de tamanho entre veículos. Num estudo de 10 anos, a faixa mais atingida foi de 18 a 44 anos (média de 45), com idosos em cerca de 22%, homens em 56% e incidência de 0,82 por 100.000 pessoas.

O que vem junto

A fratura do anel quase nunca vem sozinha, e o mesmo impacto atinge o tronco e a cabeça. As lesões associadas mais encontradas são:

  • tórax: 63% (a mais comum);
  • ossos longos: 50%;
  • cabeça: 40%;
  • órgão sólido: 40%;
  • coluna: 25%;
  • intestino: até 14%.

Cada mecanismo tem o seu perfil:

Lesões associadas por mecanismo (YOUNG e BURGESS)
MecanismoO que esperar
CAPoito vezes mais lesão da aorta torácica que no trauma fechado sem fratura pélvica
CAP IIIchoque circulatório em 67%, mais sangue e transfusão; nos instáveis hemodinâmicos, SDRA 18,5%, sepse 59% e morte 37%
CLtraumatismo cranioencefálico em 50%
CL III (capotamento)lesão de alça em 20%, fratura do membro inferior em 40%, hematoma retroperitoneal em 60%
CVchoque hipovolêmico 63%, mortalidade 25%, TCE 56,2%, pulmão 23%, baço 25%

Mortalidade

A mortalidade geral da CAP é cerca de duas a três vezes a da CL. Nos bancos americanos, a mortalidade hospitalar foi de 7% em mais de 41 mil casos; nos que chegaram estáveis, de 2,7%, mas a fratura pélvica dobrou a mortalidade no adulto de meia-idade e a quadruplicou no idoso acima de 70 anos. Pioram o prognóstico a gravidade do trauma (ISS), o Glasgow baixo, a ventilação prolongada, o volume de sangue e a idade; o tratamento num centro de trauma nível 1 reduz a mortalidade das lesões instáveis.

A diferença que mais impressiona é a da pressão na chegada: 3% de mortalidade no paciente estável contra 38% no hipotenso. Num estudo prospectivo de 1.339 pacientes em 11 centros nível 1, a mortalidade hospitalar foi de 9%, e os 13,3% que chegaram em choque morreram em 32%. Mesmo assim, a maioria das mortes não vem da pelve, e sim do crânio, do tórax ou do abdome.

Exame físico, fratura exposta e lesão de partes moles

Cobrança confirmada · 4 questões

O atendimento começa pelo ATLS: via aérea, respiração e, sobretudo no paciente instável (pressão sistólica abaixo de 90 mmHg), achar a fonte do sangramento. A escolha entre TC, FAST e lavado peritoneal depende do cirurgião, da instituição e da apresentação. O paciente que chega estável pode descompensar depressa, e o politraumatizado fica em UTI nas primeiras 24 a 48 horas. Se a TC afastou tórax e abdome, a hipotensão persistente é pélvica até prova em contrário; um hematoma pélvico maior que 500 cm³ aumenta em 4,8 vezes o risco de lesão arterial e de precisar de angiografia.

O que o exame mostra

  • Deformidade do membro: o CV encurta e roda para fora; a CL instável roda para dentro; a CAP dá edema de escroto no homem.
  • Sinal de DESTOT: hematoma palpável no períneo, acima do ligamento inguinal ou na raiz da coxa, sinal de fratura com sangramento.
  • Sinal de GREY TURNER: equimose nos flancos, sinal de hemorragia retroperitoneal.
  • No paciente acordado e colaborativo, o exame tem 90% de sensibilidade para a fratura do anel, e a palpação posterior direta é muito sensível e específica para a lesão posterior.
  • Manobra de compressão: na asa do ilíaco, uma vez só, porque dói e porque repetida desloca coágulos. Não precisa ser feita quando a imagem já mostra ruptura grosseira.
  • Pele e partes moles: procurar feridas e áreas flutuantes de desenluvamento fechado (lesão de MOREL-LAVALLÉE).
  • Períneo, reto e vagina: sangue no reto ou na uretra indica lesão subjacente; na mulher antes da menopausa o sangue vaginal pode ser menstruação, mas o exame vaginal é obrigatório para afastar laceração. A próstata alta no toque já não é considerada sinal confiável de lesão da uretra.

Exame neurológico

Pela proximidade do plexo lombossacral, o exame neurológico precisa ser feito na chegada, antes da sedação e da intubação, e documentado (inclusive a impossibilidade de fazê-lo, por razão médico-legal). No toque retal avaliam-se o tônus e o reflexo bulbocavernoso (na mulher, puxando de leve a sonda vesical). Atenção especial às raízes de L5 e S1, as mais envolvidas nas fraturas do sacro: L5 repousa na asa e as raízes sacrais são lesadas nas fraturas transforaminais. A sensibilidade perineal testa as raízes sacrais baixas.

Teste motor dos membros inferiores
RaizMovimento
L1 e L2flexão do quadril
L3 e L4extensão do joelho (quadríceps)
L4 e L5dorsiflexão do tornozelo e dos dedos
L5abdução do tornozelo
S1flexão plantar do tornozelo
S2 e S3flexão plantar dos dedos

Fratura exposta da pelve

A fratura do anel é exposta em até 5% dos casos. Os fragmentos podem furar as partes moles ou as vísceras, e a CAP pode abrir a pele na linha média por tensão. Feridas pequenas no períneo passam despercebidas no politrauma; procurar ar extraluminal na TC com janela de pulmão ajuda a achar a exposição oculta. Essas lesões se comunicam muitas vezes com a vagina ou o reto, com contaminação, osteomielite, infecção pélvica profunda e alta mortalidade.

JONES classificou as fraturas expostas do anel em três classes:

  • Classe 1: anel estável.
  • Classe 2: anel instável na rotação ou na vertical, sem ferida retal ou perineal.
  • Classe 3: anel instável com ferida retal ou perineal e potencial de contaminação fecal; muitos evoluíram com sepse, e a mortalidade foi de 44%.

A fratura exposta com contaminação fecal chega a 50% de mortalidade. A lesão do esfíncter anal ou do intestino pede colostomia de derivação com lavagem distal, idealmente nas primeiras 6 a 8 horas, posicionada o mais alto possível e longe das futuras vias de acesso (inclusive a janela lateral). Sem risco fecal, a exposta é tratada com desbridamentos e antibiótico venoso; a comunicação com a vagina, com desbridamentos seriados, tamponamento e fechamento sobre dreno quando limpa.

Lesão de MOREL-LAVALLÉE

É o desenluvamento interno: pele e gordura descolam da fáscia, e o espaço morto se enche de sangue e linfa. É comum nos atropelamentos, nos acidentes com cavalo e nos esmagamentos, e complica o tratamento porque aumenta as complicações da ferida quando é preciso operar. O manejo não está bem estabelecido: drenagem, desbridamento e lavagem, de preferência por incisões pequenas acima e abaixo da lesão, e não sobre ela, porque a pele descolada só recebe sangue dos colaterais da periferia e pode necrosar inteira; terapia por pressão negativa ou drenagem percutânea são opções. Depois da cicatrização, o autor usa bermuda de compressão por 4 a 6 semanas.

Lesões urológicas

Cobrança confirmada · 1 questão

As lesões da bexiga e da uretra aparecem em 6% a 15% das fraturas do anel, conforme a gravidade. O homem tem mais lesão da uretra (cerca de 2% nas séries atuais): a uretra feminina é curta e fica ao lado da vagina, que a protege, e a própria vagina quase não se lesa (0% a 5%). A uretra masculina, longa, se divide em anterior e posterior, e a posterior é a mais lesada, por cisalhamento e não por laceração direta pelo fragmento. Na lesão da uretra posterior, há ruptura da bexiga associada em 10% a 20%.

Bexiga: extraperitoneal e intraperitoneal

A bexiga fica atrás da sínfise; cheia, rompe com facilidade.

  • Ruptura extraperitoneal (cerca de 60%): a mais comum; a urina se comunica com a zona da fratura anterior.
  • Ruptura intraperitoneal (cerca de 30%): a compressão da bexiga distendida rompe o teto, que se comunica com o peritônio; não molha a fratura, mas exige reparo urgente.
  • As duas (cerca de 10%).

As lesões da bexiga aparecem em até 10% das fraturas do anel e, pela energia necessária para romper uma víscera oca, têm mortalidade de 22% a 34%.

Como diagnosticar

A maioria tem hematúria macroscópica; uma parte tem só mais de 30 a 50 hemácias por campo, o que também indica lesão e pede urologista e cistografia. No homem, o melhor exame para a uretra é a uretrografia retrógrada dinâmica: sonda na uretra peniana com o balão insuflado com 1 a 2 mL de soro, 25 mL de contraste hidrossolúvel, radiografia em AP ou, de preferência, em oblíqua de 30 a 45 graus. Sem contraste na bexiga, em geral há ruptura da uretra. Se a uretra está íntegra, passa-se a sonda e faz-se a cistografia (radiografia ou TC) com mais 300 a 400 mL de contraste; muitos centros preferem a cistografia por TC.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 50-2. Uretrografia retrógrada dinâmica: lesão parcial da uretra, com extravasamento do contraste, e lesão completa. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Como tratar e o que isso muda para o ortopedista

  • Intraperitoneal: laparotomia e sutura, com drenagem de preferência por sonda vesical; se for preciso cateter suprapúbico, ele deve ficar longe da incisão. A fixação anterior pode ser feita no mesmo ato, ou com fixador externo se o padrão pedir.
  • Extraperitoneal: pode ser tratada sem cirurgia, com sonda vesical e antibiótico. Mas, se a pelve vai ser fixada por dentro, bexiga e anel são reparados no mesmo tempo, pela mesma incisão. Se a extraperitoneal não for reparada (ou o reparo for contraindicado), pense no fixador externo como fixação definitiva da frente, porque a urina pode contaminar o implante. O tratamento não operatório da extraperitoneal teve até 26% de complicações, contra 0% no reparo.
  • Cateter suprapúbico: mal posicionado, cai bem no caminho da incisão de PFANNENSTIEL; deve ficar bem acima do umbigo. Só 8% dos urologistas reconstrutivos acham que ele aumenta a infecção do implante, contra 92% dos cirurgiões da OTA, e por isso a conversa entre as equipes é obrigatória.
  • Uretra: o tratamento é controverso, do realinhamento endoscópico à derivação suprapúbica com reconstrução tardia. O realinhamento reduz a estenose (14% a 45%, contra quase 100% na reconstrução tardia). Em qualquer caso, a bexiga tem de estar bem drenada para a urina não vazar sobre a fixação interna.

Imagem

Cobrança confirmada · 2 questões

Radiografias

O ATLS (10ª edição) ainda recomenda a radiografia AP da pelve cedo, para o politraumatizado sem alteração hemodinâmica e sem fonte de sangramento identificada. A AP mostra bem o anel anterior e as fraturas do processo transverso de L5, mas não é confiável para a lesão posterior: qualquer fratura vista no anel pede TC. Muitos centros já fazem a TC direto, e a TC de corpo inteiro precoce se associou a maior sobrevida (com a ressalva da radiação e do contraste).

A AP precisa estar centrada: a sínfise na linha média e alinhada com os processos espinhosos do sacro, ou, com mais confiança no trauma, os processos espinhosos lombares no meio dos pedículos (cuidado com a escoliose discreta). Assimetria da sacroilíaca ou dos forames sacrais sugere luxação ou fratura do sacro.

Inlet e outlet. São obtidas inclinando o feixe (não o paciente): caudal na entrada (inlet) e cefálico na saída (outlet). Os ângulos eram de 45 graus para cada lado; um estudo por TC definiu os ângulos ideais em 25 graus para a inlet (para perfilar o sacro anterior) e 60 graus para a outlet (para os forames), sem diferença de sexo nem de dismorfismo. Como o feixe muda e o paciente não, imagens "fantasma" reconstruídas da TC servem e até ficam melhores.

O que cada incidência mostra
IncidênciaFeixeO que mostra melhor
Inlet (entrada)caudal, cerca de 25 grausrotação interna ou externa de cada hemipelve, abertura da sacroilíaca, impacção da asa do sacro, deslocamento anterior ou posterior
Outlet (saída)cefálica, cerca de 60 grausfraturas do sacro em relação aos forames (que devem aparecer redondos), sacroilíacas, altura relativa dos púbis e dos ísquios, deformidade em flexão ou extensão
APperpendicularvisão geral; triagem

O deslocamento real é sempre a soma de dois vetores: o "vertical" da outlet vem junto com a translação anterior ou posterior que a inlet mostra, e uma incidência só se interpreta com a outra. A radiografia em apoio unipodal ("flamingo") revela instabilidade oculta, sabendo que até 5 mm de movimento da sínfise é fisiológico na mulher, sobretudo após parto.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 50-10. Direção do feixe nas incidências de entrada (inlet) e de saída (outlet) do anel pélvico. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

O sacro dismórfico

Toda AP deve ser examinada atrás de sacro dismórfico, porque ele muda a fixação posterior. Os sinais na AP e na TC:

  • sacro superior alinhado com a crista ilíaca;
  • processos mamilares na asa;
  • forames superiores maiores, irregulares e deformados;
  • disco residual entre o primeiro e o segundo segmentos;
  • inclinação da asa mais aguda no perfil, sem coincidir com a densidade cortical do ilíaco;
  • sacroilíaca em "macho e fêmea" na TC;
  • endentação cortical anterior na asa.

Num estudo de TC, o dismorfismo apareceu em 41% das pelves; quanto maior o escore de dismorfismo, menor a chance de passar um parafuso transsacral com segurança, e no sacro dismórfico recomenda-se o parafuso no nível de S2.

Tomografia, ressonância e exame sob estresse

A TC virou peça central: cortes de 1 a 2 mm (cortes grossos perdem traços no plano axial e pioram as reconstruções), reconstruções 3D para planejar a via e reconstruções sagitais do sacro para ver a cifose, que denuncia fratura-luxação do sacro, fratura em U ou dissociação espinopélvica. O planejamento do parafuso iliossacral na TC reduz tempo de sala e radiação. Atenção: TC feita com cinta ou lençol pode mascarar a lesão ou subestimar o desvio, nos dois sentidos.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 50-8. Lesões em compressão lateral que pareciam muito desviadas com o lençol ou a cinta e melhoraram ao retirá-los; o contrário também acontece, com a cinta escondendo uma CAP. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

No idoso, a radiografia engana: em 233 idosos com trauma fechado, ela mostrou fratura do sacro em 6, e a TC em 56 (sensibilidade da radiografia de 10,5%). Num grupo com fratura anterior, a RM achou lesão posterior em 80%, e a TC deixou passar 17%. O autor pede RM no idoso com dor posterior, dificuldade de andar e TC negativa, para afastar fratura por insuficiência (algoritmo 50-1). A RM não tem papel na fase aguda do jovem, salvo na dissociação lombopélvica ou na fratura do sacro com déficit, para mostrar a compressão neural.

Exame sob estresse. Radiografias e TC são estáticas e não mostram o desvio do momento do impacto. SAGI popularizou o exame sob anestesia com radioscopia: de 34 lesões tidas como estáveis (CAP I ou CL I), 41% mostraram instabilidade suficiente para fixar. Outros descreveram o exame no pronto-socorro na CL I (positivo com mais de 10 mm de sobreposição dos ramos) e a radiografia em decúbito lateral sem sedação. Sem valor validado, muitos cirurgiões fixam se a fratura cruza a linha média sob rotação interna ou se há mais de 1 cm de sobreposição no anel anterior.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 50-13. CL I sob exame com anestesia: inlet sem estresse e com estresse em rotação interna pelas asas do ilíaco, mostrando encurtamento anterior. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Controle da hemorragia

Cobrança confirmada · 4 questões

O manejo inicial gira em torno de duas coisas que andam juntas: a instabilidade do esqueleto e a hemorragia. Algumas medidas tratam uma delas; outras, as duas. Protocolos de transfusão maciça e sangue sem prova cruzada podem ser necessários antes de qualquer gesto ortopédico.

De onde vem o sangue

  • Venoso: classicamente a fonte mais frequente, do plexo venoso e das superfícies de fratura; pode ser contido pelo tamponamento do retroperitônio. Mas muito sangue cabe na pelve e no retroperitônio, mesmo depois de fechar o livro.
  • Arterial: quando existe, vence o tamponamento, e a morte por hemorragia pélvica costuma vir de uma ou mais lacerações arteriais. As fontes são os ramos da ilíaca interna, sobretudo a glútea superior e a pudenda. Na angiografia, os ramos mais envolvidos são glútea superior, sacral lateral, pudenda interna, glútea inferior e obturatória, e há mais de um ponto sangrando em até 40%.

O padrão da fratura ajuda, mas não decide

A CAP III tem choque em 67% e gasta mais sangue; no primeiro dia, as CL usaram 5,8 unidades contra 28,4 nas CAP, e a CAP III recebeu em média 12,6 unidades contra 4,0 na CL III. Num estudo de 163 pacientes em choque (mortalidade hospitalar de 30%), a CAP III e o CV precisaram de mais intervenções hemostáticas, e a CL I e II, em geral, de nenhuma; CAP III, fratura exposta e idade acima de 45 anos foram preditores independentes de precisar controlar o sangramento pélvico. Mas a radiografia é estática, e sangramento grave pode ocorrer em qualquer padrão: decide o quadro clínico. Paciente que segue hipotenso após reposição adequada tem sangramento arterial pélvico ou coagulopatia.

Cinta e lençol

Fechar o livro reduz o volume da pelve para o sangue, ajuda o tamponamento e a formação do coágulo. A compressão externa tem três finalidades:

1. fechar a lesão em livro aberto e reduzir o volume, para o tamponamento; 2. estabilizar o anel, para o coágulo se formar; 3. permitir a autotransfusão, devolvendo o sangue dos membros inferiores à circulação.

O que o capítulo diz sobre o uso:

  • Onde: na altura dos trocânteres maiores, para a melhor redução da CAP; adução e rotação interna dos membros (se não estiverem lesados) ajudam a fechar o anel. Enfaixar os membros em rotação interna (IRTOTLE) também reduz a pelve.
  • Força: cerca de 180 N fecham o anel em cadáver.
  • Lençol ou cinta: em cadáver, o lençol dobrado controla o movimento tão bem quanto a cinta comercial e custa menos; no registro alemão, porém, o lençol se associou a mais sangramento letal (23%, contra 4% da cinta e 8% do clampe), com viés de seleção provável.
  • Vantagem clínica clara: é rápida e segura, colocada no local do acidente ou na sala de trauma por quem não sabe montar fixador; em alguns estudos reduziu transfusão e tempo de internação em comparação com o fixador.
  • Riscos: pode mascarar a lesão na imagem; na CL há a preocupação teórica de que espículas dos ramos cruzem a linha média e lesem bexiga ou vasos (sem dado clínico que confirme); a pressão na pele passa de 9,3 kPa, limiar de lesão cutânea, e o uso prolongado, sobretudo sobre prancha, causa úlcera e necrose. A recomendação é tirar assim que o paciente estabilizar (pode ficar até 24 horas sem grandes problemas); o autor já usou lençol por dias, inspecionando a pele duas vezes ao dia e acolchoando e mudando de lugar as pinças.

As antigas calças pneumáticas antichoque (MAST, PASG) caíram em desuso: davam síndrome compartimental e necrose de pele e impediam o acesso ao abdome.

Angiografia e embolização

A angiografia como primeira medida no instável é controversa, porque o sangramento arterial que precisa de embolização é pouco frequente. Mas há bons dados de que a embolização seletiva ajuda e deve ser feita rápido quando o sangramento continua apesar da reposição, depois de afastar outras fontes e quando a cinta não estabilizou o paciente (pressão sistólica abaixo de 90), em vez de esperar o fixador de emergência. Embolizar em até 60 minutos da chegada reduziu a mortalidade.

O extravasamento de contraste na TC é o que mais pesa: é sinal de sangramento arterial e deve levar à angiografia. A diretriz da EAST dá recomendação nível 1 para angiografia e embolização independentemente da hemodinâmica quando há extravasamento na TC, e essa é a única indicação clara de arteriografia segundo o capítulo. Num estudo de 497 pacientes, o extravasamento teve sensibilidade e valor preditivo negativo de 100%, especificidade de 87,9% e valor preditivo positivo de 22,7%: a ausência de extravasamento praticamente afasta a pelve como fonte arterial. Outros preditores de sangramento arterial: déficit de base, queda do déficit de base em 4 horas, pressão sistólica abaixo de 104 mmHg e transfusão no pronto-socorro; a hipotensão relativa vale mesmo com TC negativa.

  • Por que embolizar e não ligar: as lesões estão na ilíaca interna e seus ramos; explorar e ligar não funciona e pode causar sangramento incontrolável.
  • Seletiva (ramos distais) ou não seletiva (a ilíaca interna): prefere-se a seletiva, porque a não seletiva teve mais complicações tromboembólicas e compromete o fluxo de uma área maior.
  • Sucesso: acima de 95%.
  • Complicações (0% a 6%): necrose do fígado, da pele, da bexiga e da cabeça femoral, lesão de nervo, reação ao contraste e disfunção sexual. A necrose glútea preocupa, sobretudo na embolização bilateral, mas parece vir mais da imobilização prolongada ou do trauma direto da região.
  • Variáveis: quem emboliza (radiologista intervencionista é mais seletivo), o material (gelfoam é reversível; mola, irreversível) e o nível.

Tamponamento pélvico

Muito usado fora da América do Norte, o tamponamento pélvico ganhou espaço nos Estados Unidos. É feito em geral junto com a laparotomia, e por isso combina com o paciente instável que já vai para a sala. A ideia é tratar a fonte mais comum (veias e superfícies de fratura) diretamente, deixando a embolização como segundo tempo.

  • Condição para funcionar: a pelve tem de estar estabilizada (clampe ou fixador externo), para haver uma parede firme contra a qual comprimir.
  • Técnica: pré-peritoneal, sem violar o peritônio, com compressas dos dois lados, das sacroilíacas para a frente até a sínfise.
  • Resultados: num ensaio de 56 pacientes, o tamponamento foi mais rápido que a angiografia, e a mortalidade foi menor sem significância (13,8% contra 18,5%); numa série, a mortalidade caiu para 21%, contra mais de 30% na literatura; numa revisão de 15 anos, a mortalidade em 30 dias foi de 63,5% antes da angiografia, 42,1% com ela e 30,6% com o tamponamento.
  • Recomendação: a EAST dá nível 3, como técnica de resgate após a embolização e dentro de um fluxo multiprofissional.
  • Complicação: num grande banco de dados, o tamponamento se associou a mais tromboembolismo venoso que a embolização (9,8% a mais em risco absoluto).

Fixador externo de emergência e clampe pélvico

Cinta e lençol suplantaram a fixação externa de emergência, mas ela continua válida, inclusive como fixação definitiva da frente quando as partes moles ou a lesão urológica impedem a placa. O fixador anterior roda cada hemipelve para dentro e fecha o livro, usando a parte de trás como dobradiça; quando os ligamentos posteriores estão rotos, a redução perfeita fica difícil e o fixador anterior não trata a lesão posterior em definitivo. Os pinos iam na crista ilíaca e, mais recentemente, na região supra-acetabular, e a montagem deve deixar acesso ao abdome para laparotomia.

O clampe pélvico (C-clamp) é diferente: ele translada a hemipelve para medial, comprimindo a região posterior, e por isso era considerado superior quando há ruptura posterior; também pode tratar o anel anterior. As pontas iam na fossa ilíaca externa, sem radioscopia, e houve lesões viscerais iatrogênicas; colocá-las mais à frente, na crista glútea, foi eficaz na CAP II. Com a popularização dos pinos supra-acetabulares, que podem ser dirigidos até perto da espinha ilíaca posterossuperior e controlam melhor a parte de trás, o uso do clampe diminuiu. Clampe e fixador de emergência devem ser postos com técnica estéril e radioscopia, e o clampe não serve como tratamento definitivo. Complicações do fixador: infecção e soltura dos pinos, secreção e necrose da pele, piores no obeso com avental abdominal.

O que vem por aí

  • Tromboelastografia (TEG): avalia todas as fases da formação do coágulo e guia a reposição na coagulopatia do trauma.
  • Ácido tranexâmico: antifibrinolítico; resultados mistos sobre perda de sangue na pelve e no acetábulo, sem aumento consistente de tromboembolismo.
  • REBOA (balão endovascular na aorta): medida temporária no choque, alternativa à toracotomia de reanimação; complicações como amputação, hematoma e pseudoaneurisma, e ainda sem indicação clara para uso amplo.

Os algoritmos devem ser institucionais (o que cada hospital tem disponível); no registro alemão, a mortalidade diretamente pela pelve caiu de 11% para 7% com um protocolo.

Fraturas do sacro

Cobrança confirmada · 10 questões

DENIS: as três zonas

A classificação mais usada é a de DENIS, que olha a orientação e o lugar do traço em relação aos forames sacrais. Quanto mais medial, mais rara a fratura e maior o risco neurológico.

Zonas de DENIS
ZonaOnde passa o traçoFrequênciaLesão neurológica
Ilateral aos forames (asa)a mais comum, quase 50%baixa
IIpelos foramescerca de um terçocerca de 30%
IIImedial aos forames, entrando no canal (vertical, oblíquo ou horizontal)a menos comum, 16%até 60% (raízes e cauda equina)
  • A zona III é a mais heterogênea: inclui traços verticais, oblíquos e horizontais. As fraturas horizontais passam despercebidas sem TC de cortes finos e reconstrução sagital; abaixo das sacroilíacas são estáveis para o anel, mas podem lesar raízes e cauda equina, com fragmentos ocluindo o canal, em geral de S3 para baixo.
  • A estabilidade do anel fica comprometida nas fraturas completas do sacro, em que o traço vai da cortical anterior à posterior no corte axial. MOED descreveu a fenda vertical na linha média associada à CAP instável.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 50-21. Fratura do sacro na zona I de DENIS, lateral ao forame. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 50-22. Fratura na zona II, pelo forame, com fragmento no forame de S1 (seta) e déficit neurológico. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 50-23. Fratura na zona III: pelo corpo de S1 e lateral ao forame com extensão ao canal. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

AO Spine: a faceta L5-S1

A classificação da AO Spine para o sacro começa pela morfologia (tipos A, B e C), depois o estado neurológico e por fim os modificadores (partes moles, doença osteometabólica, lesão anterior do anel e lesão da sacroilíaca). Ela separa as fraturas verticais com e sem envolvimento da faceta L5-S1: as que pegam a faceta podem comprometer a estabilidade espinopélvica e entram como C1.

A dissociação espinopélvica: U, H e ROY-CAMILLE

Quando um traço horizontal atravessa o sacro no nível das sacroilíacas, costuma haver traços verticais transforaminais bilaterais, formando a fratura em U ou em H (também T e Y). Ela nasce da hiperflexão aguda da pelve e da transição lombossacra e produz a dissociação lombopélvica: a coluna e o sacro superior perdem a continuidade com a pelve, com cifose, impacção e possível compressão do canal sacral. A cifose se vê melhor na reconstrução sagital da TC. A lesão é muito instável, resulta de cisalhamento vertical ou de forças rotacionais, e a estabilidade da coluna fica afetada se o traço sobe e rompe a articulação L5-S1.

ROY-CAMILLE modificada por STRANGE-VOGNSEN (traço transverso)
TipoO que se vê
Icifose (flexão anterior) sem translação
IIcifose com translação posterior do fragmento cefálico
IIItranslação completa, em geral com o fragmento cefálico à frente do caudal
IVcominuição completa sem desvio do fragmento cefálico

Clinicamente, é uma fratura-luxação do sacro, bimodal (jovem em alta energia e idoso em baixa energia), que ocorre pelo disco vestigial, com cifose e translação posterior do segmento de cima. Passa despercebida na radiografia e no corte axial: suspeitar quando há fraturas transforaminais bilaterais, fratura do processo transverso de L5 ou forames superiores alterados; com cifose importante, o sacro superior aparece na AP como se fosse uma inlet ("sinal da escada" das bordas anteriores dos forames). A sagital da TC fecha o diagnóstico, e a RM mostra a compressão neural. Algumas séries mostram 100% de disfunção da bexiga e do intestino e perda do tônus anal; a cauda equina dá bexiga neurogênica, tônus retal baixo e anestesia em sela.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 50-12. Dissociação espinopélvica: fraturas bilaterais do sacro no corte axial, cifose na reconstrução sagital e a reconstrução 3D. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Tratamento não operatório

Relevância clínica

Quem pode ser tratado sem cirurgia
IndicaçõesContraindicações relativas
lesão estável do anel (CAP I, muitas CL I e FFP I)lesão instável (CAP II e III, CL II e III, CV, combinado, FFP II a IV)
fratura do sacro estável ou incompletafratura do sacro instável ou completa
paciente doente demais para operar

A lesão estável mais comum é a CL I, classicamente tratada sem cirurgia, e a CAP I também. Mas a CL I é um grupo heterogêneo:

  • Fratura sacral incompleta com ramos do mesmo lado: raramente desvia.
  • Fratura sacral completa (as duas corticais) com ramos bilaterais: desviou em 68%; com ramos de um lado só, em 33%.
  • Mesmo assim, uma série tratou sem cirurgia fraturas sacrais completas com menos de 1 cm de desvio, com sucesso (MAJEED médio de 85,5 e 94% de resultados razoáveis a excelentes).
  • Os cirurgiões discordam muito: em 27 casos de CL I, só houve concordância substancial em 33%; havia consenso de operar quando a fratura do sacro era completa (zona II de DENIS).
  • Pistas de instabilidade usadas pelo autor: hematoma na parte posterior da sacroilíaca, avulsão cortical nas inserções dos ligamentos posteriores, dor posterior forte à compressão lateral, ramos cominutos ou segmentares, asa cominuta com fragmento cortical expulso para a frente e incapacidade de deitar sobre o lado lesado. Com essas pistas, ele faz o exame sob anestesia. Dor anterior não é marcador confiável, e sem fratura do ramo inferior nenhuma lesão desviou numa série.

Como fazer. Na CL I, a carga era limitada a toque do pé por 6 a 12 semanas; hoje se progride para carga conforme a dor. Na CAP I, carga conforme tolerado de imediato (rodar os membros para dentro alivia em pé). Radiografia depois de mobilizar, antes da alta, e de novo com 1 a 2 semanas, para pegar a instabilidade oculta.

O idoso. Na FFP I sem desvio, tratamento conservador. O paratormônio ajuda: num ensaio, 100 µg diários de PTH 1-84 melhoraram dor e mobilidade e a consolidação (100% contra 9,1%). Quem segue com dor posterior e dificuldade de andar pode se beneficiar do parafuso percutâneo.

Na fratura unilateral do sacro com pouco desvio, os operados tiveram menos dor em 24 horas, mas mais dor posterior em 3 meses (4,0 contra 2,9).

Tratamento cirúrgico: indicações e princípios

Cobrança confirmada · 1 questão

Indicações de estabilização
Anel anteriorAnel posterior
diástase da sínfise maior que 2,5 cm (estática ou sob anestesia)ruptura completa da sacroilíaca, com instabilidade multiplanar
reforço da fixação posterior nas lesões com desvio vertical ou completamente instáveisqualquer lesão posterior com desvio vertical ou tendência a ele
reforço da fixação posterior ruim no osso osteopênicocrescente desviado (asa que entra e sai na crista e na incisura ou na sacroilíaca)
ramos muito desviados; sínfise travada; fratura em cavaleiro (quatro ramos)fratura do sacro completa com potencial de desvio, ou desviada
dor e incapacidade de mobilizar (relativa)dissociação lombopélvica; reforço da fixação anterior na CAP II

O capítulo dá ainda as indicações próprias da fixação do sacro: fratura vertical do sacro com lesão anterior; asa cominuta com rotação externa da hemipelve; dissociação lombopélvica; CL com impacção do sacro e rotação interna excessiva. As fraturas desviadas das zonas I e II devem ser fixadas.

Os princípios

  • A lesão posterior é a mais crítica: precisa de redução precisa e fixação estável.
  • Com instabilidade posterior completa (sacroilíaca ligamentar ou sacro desviado), a fixação anterior sozinha não mantém nem restabelece o posterior; isso vale para a placa e ainda mais para o fixador externo.
  • Com subida da hemipelve e instabilidade posterior completa, a fixação posterior deve ser complementada pela anterior; fixar a sínfise é crítico para devolver a carga normal, embora ela dê só 10% a 15% da estabilidade do anel intacto.
  • Ordem: há quem fixe primeiro o posterior, pela importância; mas reduzir e fixar primeiro uma lesão anterior muito desviada ajuda muito a reduzir a de trás. O ideal é deixar a fixação anterior relativamente flexível enquanto se reduz o posterior; placas ortogonais na frente são contraindicadas nessa fase.
  • Se a frente de uma CAP for tratada com fixador externo, ponha dois pontos de fixação através da sacroilíaca para controlar a rotação.
  • Antes da fixação anterior, as feridas contaminadas, o cateter suprapúbico, as rupturas complexas da bexiga e as grandes hérnias podem contraindicar o implante interno e fazer do fixador a escolha.

Na redução da fratura vertical do sacro, a tração longitudinal ajuda; confira na AP se as cristas, os tetos acetabulares e os túberes estão na mesma altura, e depois translade para medial. Frente simples com boa leitura cortical: a redução anatômica anterior reduz o posterior. Pseudartrose pode vir da distração residual; a máxima estabilidade vem da redução anatômica.

Osso osteoporótico. As mesmas estratégias, com pega pior: a placa foi biomecanicamente superior ao parafuso retrógrado do ramo; o fixador externo é desencorajado por alguns pela soltura dos pinos; cimento aumenta a rigidez e a resistência do parafuso iliossacral (uma série com fosfato de cálcio consolidou todos os 24 casos); parafusos de grande calibre (até 13,5 mm), com superfície porosa, são opção de resgate.

As vias

  • Anel anterior: PFANNENSTIEL é a via de trabalho para a sínfise; a incisão mediana serve quando há laparotomia ou tamponamento; a de STOPPA ajuda nos ramos altos e no acetábulo; técnicas percutâneas para os ramos.
  • Anel posterior: as fraturas do sacro que precisam de redução aberta são sempre por via posterior (pela frente, o sacro anterior é inacessível sem risco às raízes lombossacrais e aos vasos ilíacos). A sacroilíaca se vê melhor pela janela lateral da via ilioinguinal; a via posterior é mais direta, mas mostra mal a superfície articular, e ganha quando há fratura lateral do sacro ou impacção junto da luxação. Com fratura da asa associada, se o traço está 2,5 cm lateral à pegada anterior do iliolombar, via anterior; se medial, posterior.

Fixação do anel anterior

Cobrança confirmada · 2 questões

Fixador externo: crista ilíaca ou supra-acetabular

O fixador anterior serve para a lesão anterior isolada (como a fratura em cavaleiro), para as lesões instáveis na rotação, como medida de emergência, para reduzir parcialmente o posterior antes de fixá-lo ou para neutralizar a fixação posterior. Sozinho nas lesões instáveis, teve muita perda de redução e consolidação viciosa, mas numa série de CAP o resultado em médio prazo (MAJEED) foi parecido com o da placa.

Os dois fixadores anteriores
Crista ilíacaSupra-acetabular (espinha ilíaca anteroinferior)
Entrada3 a 5 cm atrás da espinha anterossuperior, no pilar do glúteo médio (osso mais grosso e longe do cutâneo femoral lateral)cerca de dois dedos abaixo da espinha anterossuperior, pelo menos 2 cm acima da articulação (pino intracapsular infectado dá artrite séptica)
Pinosdois de 5 mm por lado (ou um por lado com duas barras)um por lado, rumo ao pilar isquiático, acima da incisura isquiática, ou à espinha ilíaca posteroinferior
Radioscopiapalpação da tábua internaoblíqua obturadora com saída ("sinal da lágrima"), oblíqua ilíaca e oblíqua obturadora com entrada
Vantagensfácil, menos dependente da radioscopiafora do caminho do abdome, pega excelente, fecha o livro no mesmo plano, mais resistente à rotação e igual à crista na flexão e extensão
Desvantagempinos que saem pela cortical lateral falham cedodepende da radioscopia; perto do cutâneo femoral lateral

Na técnica supra-acetabular, a vista oblíqua obturadora com saída (cada uma com 25 a 35 graus) forma a "lágrima" (o "teepee") com as tábuas do ílio: a saída leva a ponta de baixo da lágrima para o teto acetabular, e a obturadora acerta os ramos verticais. Um fio de 2 mm dobrado marca a entrada, uma broca canulada de 4,5 mm corrige o trajeto nos primeiros 2 a 3 cm, e o pino de 5 mm avança alternando a oblíqua ilíaca (para ficar acima da incisura isquiática) e a obturadora com entrada (para ficar entre as tábuas). A ponta deve parar no osso do pilar, sem atravessar a cortical oposta, para não lesar o que sai pela incisura isquiática maior. Entrada mais alta e ponta mais baixa deixam o paciente sentar.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 50-39. Pino supra-acetabular: vista oblíqua obturadora com saída e fio de 2 mm sobre a pele, oblíqua ilíaca, broca canulada entre as tábuas na obturadora com entrada e o pino no pilar isquiático. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

O mesmo fixador, com um distrator, corrige a rotação interna da CL; o quadro oblíquo de EVANS (um pino na crista e outro supra-acetabular) corrige rotação interna e flexão, sempre com a lesão posterior incompleta servindo de dobradiça. Cuidados com os pinos: gaze seca enrolada, sem soro ou água oxigenada; banho depois de 2 semanas; infecção superficial, 10 a 14 dias de antibiótico oral; infecção profunda, desbridamento e troca dos pinos.

INFIX: o fixador interno

O INFIX, descrito por VAIDYA, adapta material de coluna à pelve (uso fora da bula): parafusos pediculares no corredor supra-acetabular unidos por uma haste subcutânea. Serve para as lesões instáveis na vertical depois da fixação posterior, para a CL III, para distrair a CL, para livros abertos em que a placa é pouco desejável e para converter o fixador temporário; começou no obeso. Desvantagem: exige nova cirurgia para retirar.

  • Complicações (revisão de 619 pacientes): irritação do cutâneo femoral lateral em 25,3%, ossificação heterotópica em 24,7%, infecção em 3% e paralisia do femoral em 1,6%.
  • Prevenção: cortar a haste o mais curta possível no lado lateral; manter as cabeças dos parafusos acima da fáscia, pelo menos 1,5 cm (de preferência 30 a 40 mm) acima da espinha ilíaca anteroinferior, para a haste não comprimir a artéria e o nervo femorais (nem a alça intestinal).
  • Biomecânica: os parafusos monoaxiais foram mais rígidos que os poliaxiais e até que o fixador tradicional; houve falhas com poliaxiais na CAP III.
  • Pós-operatório: sem cuidado de pino; manter pelo menos 3 meses (tempo da cicatrização ligamentar) e retirar; toque do pé do lado lesado por 6 a 12 semanas.

A placa na sínfise

Quando uma CAP II ou III precisa de redução aberta, boa parte da redução vem já do posicionamento (lençol nos trocânteres, rotação interna dos membros). A via é a de PFANNENSTIEL: incisão transversa de 6 a 8 cm cerca de 2 cm (dois dedos) acima da sínfise, abertura da linha alba de cranial para caudal e afastamento da bexiga no espaço de Retzius, protegida por um afastador maleável (sem forçar para baixo, para poupar o colo vesical e a uretra). Na laparotomia mediana que desce abaixo do umbigo, prolonga-se a incisão até a sínfise; se ela termina no umbigo ou acima, faz-se uma PFANNENSTIEL separada.

  • Redução: pinças de WEBER e o clampe de JUNGBLUTH (preferido nas deformidades multiplanares, com dois parafusos de 3,5 mm nos corpos do púbis); fios de 2 mm cruzando a sínfise seguram a redução antes da placa. Cuidado com o cordão espermático perto dos tubérculos púbicos. A redução se lê pela borda superior e pela face posterior da sínfise, e na AP pela simetria dos ramos inferiores.
  • Placa: a de dois furos falha muito e deixa consolidação viciosa (não controla a rotação); usam-se placas com pelo menos dois parafusos de cada lado ou duas placas. O autor prefere a placa específica de sínfise, com três parafusos bicorticais de 3,5 mm de cada lado. A placa bloqueada não trouxe vantagem biomecânica e teve falhas; fica para o osso muito ruim.
  • Fechamento: dreno no espaço de Retzius (saindo perto da linha alba, porque lateral demais lesa os vasos ilíacos externos) e no subcutâneo.
  • Pós-operatório: toque do pé do lado posterior lesado por 12 semanas na ruptura completa da sínfise; profilaxia de trombose por pelo menos 6 semanas.

A placa que solta. A falha do implante é comum: numa série, 75% tiveram soltura ou quebra de parafuso, com reabertura da sínfise frequente, mas revisão raramente necessária; noutra, a falha (30%) não piorou o SF-36. A falha não se correlaciona com o resultado funcional, e por isso a placa não é retirada de rotina, nem na mulher em idade fértil (o parto vaginal foi bem-sucedido com o implante; a decisão da cesárea é do obstetra). A falha precoce vem da carga prematura ou de lesão posterior subestimada: numa série de CAP II, os que tiveram só fixação anterior falharam mais e consolidaram mais viciosamente (69% tinham fixação posterior).

Resultados. KELLAM mostrou que, com redução da sínfise abaixo de 2 cm nas lesões instáveis na rotação, 100% voltaram à função normal; com lesão posterior associada, só 31%. Nas lesões instáveis na rotação e estáveis na vertical, a fixação anterior sozinha é suficiente.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 50-46. Como conferir a redução da sínfise: simetria dos ramos inferiores ao triângulo isósceles na AP e alinhamento das bordas posteriores na TC; a assimetria indica má rotação. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Ramos púbicos e a corona mortis

Muitas fraturas dos ramos são tratadas sem cirurgia: não são rupturas ligamentares, o periósteo dá o ambiente biológico, e o ligamento inguinal estabiliza a fratura lateral à sua inserção. A fratura medial se comporta como uma ruptura da sínfise, abre e pode precisar de cirurgia. Fixa-se o ramo no CV com muito dano anterior, para reforçar a fixação posterior e nas fraturas muito desviadas.

As opções são placa, fixador e parafuso percutâneo, anterógrado ou retrógrado; o retrógrado é biomecanicamente comparável à placa. A redução tem de vir antes do fio-guia.

  • Classificação de NAKATANI e a perda de redução: STARR viu 15% de perda de redução no percutâneo, mais nos idosos, nas mulheres e nos parafusos retrógrados, e sobretudo nas fraturas mediais à borda lateral do forame obturatório (zona II de NAKATANI). A perda anterior sempre vinha com perda posterior. A falha do anterógrado foi de só 2,5%; noutra série, 4,5%.
  • Qual direção: anterógrado para fratura lateral, perto da raiz do púbis ou no meio do ramo, e no obeso; retrógrado para as mediais (parassinfisárias).
  • Vistas: oblíqua obturadora com saída (vasos ilíacos externos em cima e acetábulo embaixo) e entrada (bexiga e corona mortis atrás).
  • Parafusos: pelo menos 4,5 mm (os de 3,5 mm entortam e falham); parafusos curtos de 80 mm tiveram carga de falha igual à do ramo não fixado, contra os longos de 140 mm; o ideal é ancorar na cortical distante do pilar do glúteo médio. O caminho ideal é superior e posterior no ramo, para não sair no sulco por onde passam a artéria e a veia femorais.
  • Retrógrado e o cordão espermático: a distância média entre o cordão e o implante é de 18,2 mm; hérnia ou lipoma do cordão (5,7%) aproximam o risco, e a TC pré-operatória com janela de partes moles deve procurá-los.

A corona mortis é a anastomose entre os vasos obturatórios e os ilíacos externos (ou epigástricos inferiores), na face interna do ramo superior, cerca de 6 cm da sínfise. Rompida, sangra muito e depressa. Na exposição lateral dos ramos, como na de STOPPA, ela deve ser identificada, isolada e ligada antes de seguir; na PFANNENSTIEL da sínfise, o cuidado é limitar a dissecção lateral. Se sangrar sem controle, tamponamento, fechamento e embolização.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 50-47. A corona mortis na face interna do ramo púbico superior, a cerca de 6 cm da sínfise: anastomose entre a artéria obturatória e a ilíaca externa. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Fixação do anel posterior

Cobrança confirmada · 3 questões

O parafuso iliossacral

O parafuso iliossacral virou o procedimento mais comum para fixar a sacroilíaca instável e as fraturas do sacro que permitem a técnica. Ele depende de redução fechada boa (às vezes obtida pelo próprio parafuso) ou de redução aberta seguida do parafuso percutâneo. Usam-se parafusos canulados de 6,5 mm ou mais, idealmente perpendiculares ao traço ou à articulação.

As três vistas e o que cada uma protege.

  • Saída (outlet): mostra os forames de frente e a placa terminal superior de S1.
  • Entrada (inlet): mostra a cortical anterior de S1 e S2; confirma-se sub e sobrecorrigindo a inclinação.
  • Perfil do sacro: é a única vista que mostra todos os limites do corredor seguro. Exige a sobreposição das densidades corticais do ilíaco e das incisuras isquiáticas dos dois lados. A instrumentação deve ficar atrás (caudal) da densidade cortical do ilíaco, que corresponde à asa onde repousa a raiz de L5, e à frente do túnel de S1 (o canal da raiz de S1); a face posterior do corpo de S1 é a parede anterior do canal sacral, e à frente do promontório estão os grandes vasos.

O perfil deve ser feito antes de avançar além da borda lateral do forame de S1, ponto que corresponde à parte caudal da asa; no parafuso transsacral, de novo antes do forame do outro lado.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 50-66. Perfil do sacro com a zona segura: a instrumentação fica atrás da densidade cortical do ilíaco (seta azul) e à frente da borda cranial do túnel de S1 (setas pretas); a seta vermelha marca a incisura isquiática. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Sacro normal e dismórfico. No sacro normal, o primeiro segmento fica centrado entre as asas, com corredor reto através de S1 (cabe o transsacral). No dismórfico, ele fica à frente e acima da asa: em S1 só cabe o parafuso iliossacral, oblíquo para cima; quase sempre há um corredor transsacral em S2, e em geral maior. O dismorfismo aparece em até 44% em várias séries.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 50-63. Sacro normal e dismórfico no corte axial por S1: no normal há corredor bilateral; no dismórfico, só se fixa no corpo de S1, sem cruzar a linha média. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

A raiz de L5. Repousa na face anterossuperior da asa e pode ser lesada pelo parafuso do lado da fixação ou do outro lado, se o parafuso sair do corpo à frente da asa oposta. Ponto de entrada e trajeto corretos e a troca constante entre inlet e outlet evitam a lesão das estruturas anteriores e a entrada no canal.

Mais de um parafuso e o vetor

Um ou mais parafusos dependem do tamanho dos corredores, do padrão, do osso e da experiência. Na ruptura completa da sacroilíaca, um segundo parafuso em S1 (se couber) ou em S2; o segundo em S2 foi superior ao segundo em S1. Se o primeiro, de compressão, reduziu bem, os seguintes podem ser totalmente rosqueados. Arruela ajuda a comprimir sem afundar a cabeça no ilíaco. Na CAP tratada na frente com fixador externo, ponha parafusos adicionais atrás.

O vetor é a chave da redução fechada da sacroilíaca: se a articulação abre mais na frente e a hemipelve não está transladada para trás, o parafuso entra mais anterior e mais "sacral" (de lateral para medial); se abre por inteiro, com a hemipelve para trás e para baixo, o parafuso vai de trás para a frente e de baixo para cima.

Nas fraturas do sacro, o parafuso fica perpendicular ao traço, de lateral para medial e mais paralelo à placa terminal de S1. Na zona II cominuta, recomendam-se parafusos totalmente rosqueados para não comprimir demais e lesar as raízes; numa série de 90 fraturas da zona II, porém, o parafuso parcialmente rosqueado (81 casos) não causou lesão iatrogênica e evitou pseudartrose, e o autor só viu lesão com compressão excessiva por vários parafusos. O transsacral (transilíaco-transsacral) pega o ilíaco do outro lado, resiste melhor à subida e é útil nas fraturas bilaterais e no osso fraco; em cadáver, não superou dois iliossacrais, mas o modo de falha mudou (entorta em vez de cortar). Antes do parafuso, a fratura tem de estar reduzida, porque o sacro mal reduzido aumenta lesão nervosa e vascular, e fragmentos no forame pedem descompressão antes.

Redução aberta da sacroilíaca

  • Pela frente (janela lateral): incisão começando 1 a 2 cm atrás da espinha ilíaca anterossuperior, para poupar o cutâneo femoral lateral; desinserção do oblíquo externo com manguito para fechar; subperiosteal do ilíaco; joelho e quadril fletidos para relaxar o iliopsoas. A raiz de L5 fica cerca de 1 cm medial à sacroilíaca, colada ao osso: dissecção subperiosteal e afastador maleável, nunca um Hohmann pontiagudo no meio ou atrás da asa. Redução com pinos de Schanz como joysticks e as pinças de FARABEUF (o vetor depende da posição dos parafusos), JUNGBLUTH (multiplanar) ou "Goose". Placa de três furos com só um furo medial à articulação, colocada o mais posterior possível; duas placas equivalem biomecanicamente a dois parafusos.
  • Por trás: incisão paramediana, medial à espinha posterossuperior; a redução é indireta (só a parte inferior da articulação se vê), conferida pelo dedo na incisura isquiática maior e pela radioscopia; uma pinça vai do ílio aos processos espinhosos e outra, pela incisura, à face anterior da asa, palpando para não ferir forames e raízes. Na mesa em decúbito ventral, a pelve tem de ficar livre: apoiar nas espinhas anterossuperiores empurra a hemipelve para trás.

Resultados. Nas luxações puras da sacroilíaca, a redução anatômica foi o único preditor de bom resultado, e a anquilose da articulação não mudou o resultado. Pela frente, numa série, 80% de redução anatômica e 100% de consolidação, com duas paralisias leves.

Fratura em crescente e asa do ilíaco

A fratura em crescente é a fratura da asa do ilíaco que sai na sacroilíaca, com luxação da articulação: a lesão posterior da CL II. O fragmento em crescente (com as espinhas posterossuperior e posteroinferior) fica preso ao sacro pelos ligamentos posteriores; o ílio é a parte que desvia, porque os anteriores romperam. DAY dividiu a sacroilíaca em terços, de anterior para posterior:

Classificação de DAY para o crescente
TipoFragmento em crescenteComo tratar
Igrande; pouca articulação envolvidacomo fratura da asa: via anterior, parafusos de compressão e placa; o parafuso iliossacral não estabiliza o ílio
IImédio (terço médio da articulação)redução aberta por via posterior
IIIpequeno; o traço passa atrás da entrada habitual do parafusotratado como luxação da sacroilíaca: reduzir a asa ao fragmento e pôr o parafuso iliossacral

Numa série de 100 CL II, 60% puderam ser tratadas com parafusos iliossacrais (68% dos tipos II e III operados); o percutâneo funciona se a cortical posterolateral do segmento instável estiver íntegra. Errar o tamanho do fragmento tem custo nos dois sentidos: se ele parece maior, deixa-se a sacroilíaca instável sem fixar; se parece menor, o parafuso entra justo no traço. A redução é difícil em decúbito ventral, porque é preciso rodar o ílio para fora (espaçador de lâmina no traço e impactador com sapata, ou a perna preparada para manobrar).

A asa do ilíaco é osso fino no centro: placas e parafusos vão no rebordo pélvico e na crista, com parafusos de compressão entre as tábuas, nunca no meio da asa; as pinças também ficam na crista, no rebordo e no pilar isquiático. A asa é subcutânea e pode estar exposta, às vezes com ferida longe (galho de árvore na coxa no esqui) ou com alça intestinal presa: a TC deve ser lida atrás de ar. A indicação operatória mais comum é a exposição. Pela janela lateral, o cutâneo femoral lateral pode ser lesado (meralgia parestésica).

Osteossíntese triangular e fixação lombopélvica

Fraturas do sacro cominutas e desviadas pedem pelo menos dois parafusos (de preferência transsacrais). Quando não cabem, ou na cominuição grave com corredores comprometidos, no osso muito osteoporótico e na ruptura da faceta L5-S1, entra a fixação complementar. O autor prefere a fixação espinopélvica à placa: na osteossíntese triangular (KÄCH e TRENTZ), a carga passa do ilíaco à coluna sem passar pelo sacro. O ponto na coluna costuma ser o pedículo de L5 (L4 se o pedículo de L5 estiver fraturado; S1 do outro lado numa variante); no ilíaco, um parafuso logo abaixo da espinha posterossuperior, 10 a 20 graus da vertical, rumo à espinha ilíaca anteroinferior, acima do pilar isquiático. Os parafusos iliossacrais vão antes do parafuso ilíaco, para não terem o caminho bloqueado.

  • Resultados: SAGI (40 pacientes) manteve a redução em 95% e permitiu carga com 6 semanas, mas todos tiveram inclinação de L5 com distração da faceta e precisaram tirar o material, e 13% tiveram lesão nervosa iatrogênica; outra série teve 100% de consolidação sem falhas e 82% de volta ao trabalho.
  • Infecção: era muito alta pela via aberta; a inserção subcutânea do parafuso ilíaco reduziu muito as complicações da ferida.
  • Descompressão das raízes: indicada na radiculopatia com fragmento no forame na TC, ou no paciente sem déficit com fragmento que vai ser comprimido na redução; faz-se pelo próprio traço, sem laminectomia.

A dissociação espinopélvica é melhor tratada por cirurgia, por equipe com cirurgião de pelve e de coluna. Sem cifose e sem déficit, parafusos percutâneos bilaterais (dois transsacrais acima do traço transverso, ou um transsacral e dois iliossacrais); com déficit e cifose importante, redução, descompressão, parafuso iliossacral e fixação lombopélvica bilateral. O autor não trata sem cirurgia nenhum paciente com cifose na sagital, porque operar antes do desvio é mais fácil e evita a piora neurológica. A distração pela haste espinopélvica aumenta o traço e deve ser evitada. A melhora neurológica chega a 80%, com ou sem cirurgia; 86% dos que tinham disfunção da bexiga e do intestino com raízes íntegras recuperaram, contra 36% com uma raiz sacral seccionada; com secção bilateral, a chance é mínima.

Pós-operatório, resultados e complicações

Relevância clínica

Carga e mobilização

  • Levantar para a cadeira no dia seguinte e treinar marcha no outro, salvo outras lesões.
  • Lesão unilateral com ruptura posterior completa: sem carga ou com toque do pé por 6 a 12 semanas do lado lesado, carga livre do outro lado.
  • Lesões bilaterais graves: sem carga dos dois lados por 6 a 12 semanas (cadeira de rodas).
  • Lesões estáveis (incompletas, CL impactada estável, CAP I): carga total imediata, com radiografia após mobilizar.
  • Quem rola na cama com facilidade costuma ter fratura estável; quem não consegue nem rolar de dor costuma ter padrão instável e pede exame sob anestesia.

Resultados

Os resultados são difíceis de interpretar pela heterogeneidade dos estudos e pelas lesões associadas. Alguns pontos firmes:

  • A redução do anel posterior a menos de 1 cm do anatômico melhora o resultado em longo prazo.
  • Fratura do anel posterior evolui melhor que luxação pura da sacroilíaca: o osso consolida e devolve a estabilidade; a luxação depende só de cicatriz ligamentar. HOLDSWORTH, em 1948, já mostrou que a luxação pura voltava menos ao trabalho.
  • As lesões completamente instáveis têm mais morbidade, incapacidade e mortalidade, e foram melhor tratadas com fixação interna na frente e atrás do que com fixador anterior e fixação posterior.
  • Quando o anel posterior está envolvido, o resultado em 10 anos é bem pior que nas lesões só anteriores.
  • Escores específicos: MAJEED (1989; dor 30, trabalho 20, sentar 10, relação sexual 4 e ficar em pé 36 pontos), IOWA, ORLANDO (avaliado pelo médico) e HANNOVER.
  • Homens referem disfunção erétil; mulheres, dispareunia, problema urinário e mais cesáreas, por viés da paciente e do obstetra, sem efeito da fixação no desfecho da gravidez.
  • A TILE C teve aumento significativo de mortalidade; sexo masculino também se associou a mortalidade maior.

Complicações

  • Obesidade: aumenta as complicações quase sete vezes e as reoperações quase cinco vezes.
  • Hemorragia na cirurgia: a glútea superior pode ser lesada na redução e no parafuso iliossacral, e o controle direto é quase impossível: tamponar e levar à angiografia. A corona mortis, na via anterior: identificar e ligar.
  • Perda da redução: radiografias (AP, inlet e outlet) com 6 semanas; o CV e os padrões muito instáveis têm mais consolidação viciosa, e a consolidação viciosa da pelve dá desequilíbrio ao sentar, alteração da marcha, dispareunia, discrepância e dor em 97%.
  • Infecção: a via posterior tem deiscência e infecção de até 16%; a infecção aguda (até 3 semanas) costuma ser tratada com desbridamento e retenção do implante; o autor usa antibiótico tópico (vancomicina e tobramicina em massa) nos de alto risco.
  • Déficit neurológico novo: TC (a RM pouco ajuda com o metal; mielotomografia se preciso); déficit motor correspondente a parafuso ou fragmento comprimindo a raiz pede reoperação.
  • Dor na sacroilíaca fixada: 1% a 7%. Parafusos através da sacroilíaca aumentaram a força na faceta L5-S1 (55% com o iliossacral e 100% com o transsacral), o que pode explicar dor confundida com a da sacroilíaca; o autor espera 1 ano antes de pensar em retirar, e a retirada aliviou a dor em dois estudos.

Tromboembolismo

A fratura do anel é fator de risco independente de tromboembolismo venoso (registro alemão). O capítulo recomenda:

  • compressão pneumática intermitente em todo politraumatizado que possa usá-la;
  • profilaxia química (heparina de baixo peso ou não fracionada) começando em 12 a 24 horas da lesão; o autor usa compressão e heparina de baixo peso internado e, depois da cirurgia, heparina de baixo peso ou AAS 81 mg duas vezes ao dia por pelo menos 6 semanas;
  • duração: 4 a 6 semanas nos operados com outros fatores de risco, cerca de 2 semanas na fratura estável com carga livre e até 12 semanas quando nenhum dos lados pode apoiar;
  • o filtro de veia cava não é primeira linha: reduz embolia, mas não melhorou a sobrevida nem a embolia fatal; fica para quem não pode anticoagular e para a trombose já confirmada antes da cirurgia;
  • o rastreamento com Doppler sem sinal clínico não é recomendado.

O algoritmo do autor

Fundamento

O capítulo termina com a preferência do autor, que junta tudo o que veio antes num roteiro de decisão.

Anel anterior.

  • Sínfise: placa de seis furos quando a abertura passa de 2,5 cm ou há instabilidade vertical; a redução anatômica da sínfise ajuda a reduzir o posterior. Fixação interna no obeso e no não obeso; na obesidade grave (IMC acima de 40) com avental, INFIX, e sem avental, fixador. Com fixador anterior na CAP III, pelo menos dois parafusos através da sacroilíaca. Pensar no fixador na mulher jovem em idade fértil; na menina, sutura com fio de alta resistência. Ruptura da bexiga com cateter suprapúbico definitivo, fixador; bexiga reparada a tempo, placa no mesmo ato.
  • Ramos: parafuso anterógrado para a fratura alta, perto da raiz do púbis; retrógrado para a parassinfisária; redução aberta se o ramo não cominuto estiver muito desviado. Na fratura em cavaleiro, de preferência redução fechada e parafusos; se não der, placa nos dois ramos ou fixador.

Anel posterior.

  • Luxação da sacroilíaca: redução fechada e parafusos iliossacrais, com ajuda da redução anatômica da frente e da tração femoral distal; se não reduzir, aberta pela janela lateral, salvo asa do sacro fraturada e impactada até a articulação (aí, via posterior). Vários parafusos na ruptura completa, sobretudo com fixador na frente.
  • Crescente: pelo tipo de DAY (I anterior, II posterior, III posterior com parafuso iliossacral se preciso); pouco desviado, fechada e percutânea.
  • Asa do ilíaco: redução aberta por via anterior; a indicação mais comum é a exposição.
  • Sacro: completo sem desvio ou redutível, parafuso iliossacral percutâneo (com ou sem transsacral); desviado com boa leitura, redução aberta por trás e, em geral, dois parafusos; osteossíntese triangular para reforço ou quando a faceta L5-S1 está envolvida; déficit com fragmento no forame ou raiz de L5 presa na asa, descompressão antes do parafuso; usar o corredor de S2 quando S1 é pequeno.
  • Dissociação espinopélvica: sem cifose, parafusos percutâneos para mobilizar cedo; com cifose, redução e parafusos, com ou sem fixação lombopélvica percutânea; descompressão e redução aberta se houver déficit.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 50-75. Placa anterior da sacroilíaca e o trajeto da raiz de L5: dois furos mediais ou a placa na parte mais anterior da articulação põem a raiz em risco; o furo número 2 deve ficar centrado na articulação, atrás do promontório. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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