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Fraturas por estresse

Trauma adultoResumo do capítulo37 min de leitura

Tensão contra compressão, sítios de alto e baixo risco, KAEDING-MILLER (IV acima de 2 mm), tríade da atleta, cintilografia focal nas três fases, colo do fêmur superior fixa, linha negra da tíbia anterior, navicular sagital central e a zona do quinto metatarso.

Atualizado em 28/10/2026 · 37 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 24 · Stress Fractures, em Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025). Autores do capítulo: Brandon R. Hull, John M. Yingling e David C. Teague.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de trauma adulto do Rockwood adulto, capítulo 24, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo foi escrito a partir do capítulo 24 do Rockwood and Green (10ª edição), um capítulo curto e muito cobrado, na ordem em que as provas exploram o tema. Ele reorganiza as ideias em português, explica o porquê de cada regra e mostra, no meio do texto, as questões reais do acervo sobre cada ponto. Os números são os do capítulo; quando a banca cobrou algo que o capítulo não traz, o texto avisa.

A fratura por estresse cai quase todo ano no TARO e no TEOT, e a banca gira em torno de poucos blocos: a tríade da mulher atleta, a lista dos sítios de alto e de baixo risco, a classificação de KAEDING-MILLER, o lado do colo do fêmur que se opera, a cortical da tíbia que mais quebra e o pé (navicular, base do quinto metatarso e a fratura de marcha). Tudo nasce de uma única ideia mecânica: o osso que quebra por fadiga quebra mais e pior do lado em que é tracionado.

Fisiopatologia: fadiga, reparo e insuficiência

Cobrança confirmada · 2 questões

Uma falha por fadiga do material

O capítulo define a fratura por estresse como falha por fadiga do osso, consequência de uso excessivo. A primeira descrição foi de BREITHAUPT, em 1855, em recrutas prussianos sem condicionamento, e até hoje o militar em treinamento básico é o paciente-modelo das pesquisas, porque a carga e a dieta dele são controladas e medidas.

A fadiga tem três estágios:

  • Iniciação da fissura: acontece nos pontos de concentração de tensão, onde a consistência do osso muda (lacunas e canalículos). Iniciar uma microfissura não é doença: acoplada a uma boa resposta de reparo, é o primeiro passo da remodelação e torna o osso mais forte.
  • Propagação: se a carga continua numa frequência ou intensidade acima do que o osso consegue repor, a fissura cresce, em geral ao longo das linhas cimentantes. Ela corre mais rápido quando é paralela às linhas cimentantes do que quando é perpendicular. Fissuras que se juntam produzem a fratura sintomática; acredita-se que 1 a 3 mm de propagação já bastem para dar sintoma.
  • Fratura completa: se nada muda (nem a carga, nem a capacidade de reparo), a falha estrutural acontece.

Por que o osso vivo não quebra sempre? In vitro, o osso não tem limite de resistência à fadiga (um nível de deformação abaixo do qual pode ser carregado infinitas vezes): qualquer carga deixa microdano, e o dano se acumula até quebrar. In vivo, as unidades multicelulares básicas (os antigos "cones de corte") reparam as fissuras, e o osso saudável vive em equilíbrio entre criar e reparar microdano. A remodelação adaptativa que fortalece o osso carregado é a lei de WOLFF. O capítulo lembra a particularidade: o osso se repara com osso novo, que volta a ser tão forte quanto o antigo, algo que o miocárdio infartado e o cérebro após um AVC não fazem.

O músculo protege e agride

A hipótese neuromuscular explica por que o cansaço precede a fratura. A contração muscular gera cargas internas (compressão, tensão e rotação, como a torção do úmero no arremesso), que criam microdano. Mas o músculo condicionado também absorve o impacto das forças de reação do solo e distribui a carga externa. Quando o músculo fadiga, perde essa função de amortecedor, e o osso passa a absorver a energia direto, acumulando microtrauma mais rápido. Daí o perfil duplo do capítulo: o atleta supertreinado e o não atleta subtreinado.

Estresse, insuficiência e fragilidade

As duas nascem da perda do equilíbrio entre criar e reparar microdano, mas por lados opostos da balança:

Fratura por estresse e fratura por insuficiência
Por estresse (fadiga)Por insuficiência
Cargaelevada, repetitivanormal
Ossorelativamente normalpatológico, com reparo comprometido
Paciente típicoatleta, recruta, bailarinomulher idosa
Causas de basetreino, técnica, calçado, superfícieosteoporose (a mais frequente), deficiência de vitamina D, imobilização longa, artrite reumatoide, corticoide crônico, radioterapia, área doadora de enxerto

A lesão por estresse é um contínuo: lesão por estresse, reação de estresse (edema medular) e, no fim, fratura por estresse, definida como descontinuidade da cortical. Esse contínuo acontece em osso normal; a insuficiência acontece em osso doente. A OMS define a fratura por fragilidade como a causada por um trauma que não quebraria um osso normal.

No osso osteoporótico, a radiografia penetra demais e esconde traços sutis, por isso a TC costuma ser necessária. No idoso frágil, quando a fratura por insuficiência precisa de fixação (a pelve da figura 24-1, com fraturas em fases diferentes de consolidação), o capítulo prefere técnicas que dão rigidez com pouca agressão, como os corredores percutâneos.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 24-1. Fratura por fragilidade da pelve numa idosa osteoporótica, com fraturas em diferentes fases de consolidação (radiografias e TC), tratada com fixação percutânea transóssea e intramedular. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Fatores de risco e a tríade da mulher atleta

Cobrança confirmada · 7 questões

O que aumenta o risco

O capítulo lista fatores biológicos e mecânicos. Biológicos: sexo, idade, etnia, estado hormonal, nutrição, função neuromuscular e genética. Mecânicos: alinhamento ósseo anormal, técnica e biomecânica ruins, forma de corrida inadequada, irrigação pobre de certos ossos, calçado inadequado ou gasto e superfície de treino dura.

Os fatores modificáveis principais são o condicionamento prévio do osso e a frequência, duração e intensidade da atividade. Sem pré-condicionamento e aclimatação, o risco sobe muito: é o recruta na primeira semana de marcha e o corredor que dobra a quilometragem.

O tratamento, por isso, é holístico: para criar menos microfissuras, avaliar treino, biomecânica e equipamento; para reparar melhor, avaliar saúde geral, nutrição, hormônios, estado emocional e medicamentos.

A tríade da mulher atleta

A tríade é a interação e coexistência frequente de distúrbio alimentar, amenorreia e fratura por estresse em atletas de resistência. Na definição atual do capítulo: irregularidade menstrual, ingestão calórica inadequada e baixa densidade mineral óssea.

O elo entre as três é a hipótese do dreno de energia: com pouca caloria, a produção de estrogênio e progesterona cai na lista de prioridades do corpo, os ciclos param, e o estrogênio baixo libera a atividade osteoclástica. O treino de alta intensidade, por si só, também suprime a menstruação. A fratura por estresse se associa a menor ingestão de gordura, menor ingestão calórica, transtornos alimentares e peso abaixo de 75% do ideal. A tríade ajuda a explicar por que atletas e recrutas mulheres quebram mais do que homens na mesma atividade.

Números do capítulo que têm cara de prova:

  • Em 390 atletas mulheres, as adolescentes de 14 a 19 anos tiveram mais risco que as de 20 anos ou mais. A amenorreia secundária (3 meses ou mais sem menstruar) aumentou o risco 12,9 vezes; o escore Z da densidade óssea abaixo de −1,0, 4,5 vezes; o IMC abaixo de 17,5, 1,1 vez.
  • Em 210 atletas de elite, a amenorreia secundária por pelo menos 1 ano na adolescência, somada ao IMC baixo, associou-se a baixa densidade óssea aos 20 e poucos anos.
  • Corredoras com IMC de 19 ou menos tiveram mais fraturas e demoraram mais para voltar ao treino.
  • O escore cumulativo da tríade se correlacionou com lesões nas regiões ricas em osso trabecular; as lesões em osso cortical dependem mais de biomecânica. Nos militares, colo do fêmur e diáfise da tíbia vieram com IMC mais baixo que as do tornozelo e do pé, mas peso adequado não protege: a recruta de peso normal e mal condicionada também quebra mais.

O escore de risco da tríade

Em 2014, a coalizão da tríade criou o Triad Cumulative Risk Assessment: seis critérios, cada um com 0 (baixo), 1 (moderado) ou 2 pontos (alto).

Escore cumulativo de risco da tríade (2014)
Critérios pontuadosSomaConduta
baixa disponibilidade de energia, IMC, idade da menarca, oligo ou amenorreia nos últimos 12 meses, reação ou fratura por estresse prévia, densidade óssea (escore Z)0 a 1baixo risco: liberação total
2 a 5risco moderado: liberação provisória ou limitada
mais de 5alto risco: restrição de treino e competição

O homem atleta de resistência

A tríade é mais estudada nas mulheres, mas o capítulo dedica uma seção ao corredor homem, que pode ter baixa densidade óssea, sobretudo na coluna lombar e no rádio. As causas são multifatoriais: ingestão calórica inadequada, testosterona baixa (presente em quem faz provas longas de resistência) e predisposição genética; a baixa disponibilidade de energia parece ser o fator-chave. O conceito que engloba os dois sexos é a deficiência energética relativa no esporte (RED-S): seus parâmetros estão mais definidos para as mulheres, e os pontos de corte masculinos são diferentes e ainda em estudo.

Vitamina D

O capítulo dá uma seção inteira à vitamina D, com números que a banca pode usar:

  • O exame de escolha é a 25(OH)D sérica: acima de 30 ng/mL é suficiente, 20 a 29 ng/mL é insuficiente e abaixo de 20 ng/mL é deficiente.
  • A recomendação diária da FDA para adultos e crianças acima de 4 anos é 20 mcg (800 UI); o limite superior tolerável é 4.000 UI/dia.
  • Nos recrutas, 74% dos que tiveram fratura por estresse tinham vitamina D baixa, e esses demoraram mais para se recuperar. (O capítulo cita um corte basal de "50 ng/mL" num estudo militar; esse corte provavelmente está em nmol/L, unidade comum nos estudos britânicos, e 50 nmol/L equivalem a cerca de 20 ng/mL, o mesmo limite da deficiência.)
  • Num ensaio randomizado duplo-cego em 5.201 recrutas da Marinha americana, a suplementação de cálcio 2.000 mg/dia com vitamina D 800 UI/dia reduziu a incidência de fratura por estresse em 20% (estudo nível 1).
  • Os militares recomendam ingestão natural acima de 600 UI/dia; quem não atinge recebe ergocalciferol 50.000 UI por semana por 12 semanas, nova dosagem e manutenção de 1.500 a 2.000 UI/dia. Em atletas universitários de alto risco com 25(OH)D abaixo de 30 ng/mL, 50.000 UI por semana por 8 semanas baixaram a taxa de fratura de 7,51% para 1,65%.

Alto risco e baixo risco

Cobrança confirmada · 2 questões

A regra mecânica

Esta é a divisão que organiza o tratamento inteiro. Uma fratura por estresse é de alto risco quando tem pelo menos uma destas características: risco de retardo de consolidação ou pseudartrose, risco de refratura e consequência grave a longo prazo se completar. A maioria fica no lado de tensão do osso, onde a carga abre a fissura em vez de fechá-la, e todas pioram com o atraso no diagnóstico. As de baixo risco ficam no lado de compressão, têm história natural favorável, respondem a modificação de atividade e, mesmo se completarem, raramente complicam.

Sítios de fratura por estresse pelo risco
Alto risco (tabela 24-1)Baixo risco
colo do fêmur, lado de tensão (superior)diáfise do fêmur
patela, lado de tensão (anterior)tíbia medial (posteromedial, compressão)
cortical anterior da tíbiacostelas
maléolo medialdiáfise da ulna
cortical dorsal do navicularprimeiro ao quarto metatarsos
metáfise proximal do quinto metatarso
sesamoides do hálux

A distinção diz ao médico, logo na primeira consulta, se o protocolo é agressivo (repouso completo, imobilização, cirurgia) ou conservador (repouso relativo e treino cruzado). O capítulo resume o custo de errar para cada lado: tratar demais uma lesão de baixo risco só custa descondicionamento e tempo de jogo; tratar de menos uma de alto risco expõe a complicações graves.

KAEDING-MILLER e o algoritmo de tratamento

Cobrança confirmada · 2 questões

A classificação

O sítio diz se a lesão é de alto ou baixo risco; o grau diz quanto dano já acumulou. A classificação de KAEDING e MILLER (2013, criada pelos autores da edição anterior do capítulo) junta dor e imagem (radiografia, TC, RM ou cintilografia), vale para qualquer osso, tem alta reprodutibilidade entre e no mesmo observador e prevê o tempo de consolidação e de retorno ao esporte.

Classificação de KAEDING-MILLER (tabela 24-2)
GrauDorImagem
Inãosinal de lesão por estresse, sem traço
IIsimsinal de lesão por estresse, sem traço
IIIsimtraço sem desvio
IVsimfratura desviada (mais de 2 mm)
Vsimpseudartrose

O que separa o I do II é só a dor: a figura 24-5A mostra uma corredora com edema nas duas tíbias, assintomático à direita (grau I) e doloroso à esquerda (grau II). O que separa o II do III é o traço; o III do IV, o desvio de 2 mm; o V é a pseudartrose (a figura 24-5D é uma ulna de quem usou muletas por 6 semanas após fraturar o tornozelo).

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 24-5. Exemplos de KAEDING-MILLER: A, edema tibial assintomático (I) e sintomático (II) na RM em T2; B, grau III no quinto metatarso de um jogador de futebol; C, grau IV na diáfise do úmero de um arremessador; D, grau V na diáfise da ulna. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

O algoritmo dos autores

O algoritmo 24-1 começa, para todo paciente, por otimizar o estado nutricional, hormonal e psicológico, e então segue o grau e o sítio:

Algoritmo 24-1 (resumido)
GrauBaixo riscoAlto risco
Iobservação, retorno à atividade com seguimento próximoobservação
IIrepouso relativo; sem melhora ou sem sinal de consolidação em 6 semanas, repouso completo; persistindo mais 6 semanas, cirurgiarepouso completo; sem consolidação em 6 semanas, fixação
IIIrepouso completo; sem consolidação em 6 semanas, fixaçãofixação cirúrgica
IVfixação cirúrgicafixação cirúrgica
Vfixação com enxerto ósseofixação com enxerto ósseo

"Repouso relativo" é diminuir frequência ou intensidade da atividade causadora, com treino cruzado; "repouso completo" é parar toda atividade que carrega o local, às vezes com imobilização.

Como tratar cada grupo

Alto risco. A decisão se baseia na imagem, mais do que na dor. O objetivo é evitar a progressão e consolidar, o que costuma exigir retirar toda a carga ou estabilizar cirurgicamente. O capítulo dá degraus claros:

  • reação precoce em sítio de alto risco: em geral consolida sem cirurgia, com repouso completo até sumirem os sintomas e retorno gradual; a diferença para o baixo risco é que o alto risco precisa consolidar antes de voltar;
  • traço incompleto na radiografia, ou fratura vista na RM ou na TC: imobilização e carga zero estrita;
  • traço visível na radiografia simples: considerar cirurgia;
  • piora dos sintomas ou progressão na imagem apesar do tratamento: fixação;
  • fratura completa: considerar seriamente a cirurgia.

A cirurgia acelera a consolidação e o retorno, reduz pseudartrose, retardo e refratura, e evita a progressão catastrófica, como no colo do fêmur do lado de tensão. Continuar a atividade causadora não é recomendado no alto risco.

Baixo risco. Tratamento sem cirurgia, com repouso relativo e modificação de atividade, guiado pelos sintomas. Quem tem dor que limita a função faz repouso relativo ou completo. Quem tem dor sem limitação funcional pode continuar, usando a dor como guia, desde que entenda e aceite o risco de completar a fratura (o atleta no meio da temporada costuma escolher terminar e tratar depois; o que está no fim da temporada costuma querer consolidar antes). Treino cruzado com bicicleta, natação ou corrida na água mantém o condicionamento, desde que não doa (figura 24-6, esteira aquática). As de baixo risco costumam consolidar com 4 a 8 semanas de atividade sem dor; o aumento gradual começa quando o paciente não tem dor nas atividades diárias e o local não dói à palpação. Se não consolidar ou os sintomas persistirem além de 4 a 6 semanas, as opções passam a ser imobilização com carga zero ou cirurgia.

A volta ao esporte é uma decisão conjunta de médico, preparador, técnico e atleta, e o paciente tem de entender o risco de não seguir o plano, sobretudo no alto risco.

Diagnóstico: clínica e imagem

Cobrança confirmada · 3 questões

O quadro clínico

A dor aparece só durante a atividade, de início insidioso, sem trauma lembrado. Se a atividade não muda, a dor persiste ou piora, passa a aparecer nas atividades diárias e pode terminar na fratura completa. O exame mostra dor reproduzível à palpação direta do ponto do osso, com ou sem edema ou reação palpável. Dois testes são citados: o teste do fulcro para os ossos longos e o teste do salto unipodal (single-leg hop) para a pelve e o membro inferior.

A imagem, exame por exame

Imagem na fratura por estresse
ExameO que o capítulo diz
Radiografianegativa no início, sobretudo nas primeiras 2 a 3 semanas; dois terços das iniciais são negativas e metade fica positiva quando começa a consolidar: específica, pouco sensível
Ultrassonografianão confiável para lesão óssea por estresse
Cintilografiaquase 100% sensível, menos específica que a RM; positiva 1 a 2 semanas antes da radiografia; leva 12 a 18 meses para normalizar, por isso não serve para liberar o retorno nem para julgar a consolidação
SPECTmais específica que a cintilografia plana; útil na pars interarticular, na pelve e no colo do fêmur
TCdefine bem o osso: navicular, pars, fraturas lineares; mostra a consolidação e se a fratura é completa
RMo exame mais sensível e específico; sensibilidade parecida com a cintilografia, mas muito mais precisa em local e extensão; mostra partes moles; é cada vez mais o exame principal

A cintilografia trifásica e a canelite. A fratura por estresse é positiva nas três fases do tecnécio (angiográfica, de pool sanguíneo e tardia) e aparece como um ponto quente focal (na tíbia, fusiforme). A síndrome do estresse tibial medial (canelite, periostite) costuma ser negativa nas duas primeiras fases e positiva só na tardia, com captação linear e difusa ao longo da borda medial da tíbia. Há fraturas negativas na cintilografia e positivas na RM.

A RM em T2. O achado típico é uma faixa de hipossinal (o traço) cercada de hipersinal difuso (o edema medular). Para a tíbia, o capítulo diz que a RM é a mais útil para graduar e dar prognóstico de retorno e cita o sistema de graduação por RM de FREDERICSON, sem detalhar os graus; não há questão de prova sobre ele no acervo.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 24-2. Cintilografia de uma remadora de 20 anos com dor torácica baixa à esquerda: fratura por estresse da sexta costela na linha axilar média. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Colo do fêmur

Cobrança confirmada · 5 questões

Por que é o sítio mais perigoso

No fêmur, as fraturas por estresse aparecem na diáfise, na região intertrocantérica e no colo. No colo, o comportamento depende do lado do traço, porque o colo funciona como uma viga em balanço: na carga, a cortical superior (lateral) é tracionada e a inferior (medial) é comprimida.

  • Lado de tensão (superior): é o de maior risco de progressão. A fissura abre a cada passo, propaga-se pelo colo e pode virar fratura completa e desviada, com pseudartrose e necrose da cabeça femoral. O diagnóstico perdido ou atrasado aumenta muito o risco dessa fratura catastrófica.
  • Lado de compressão (inferior): a carga fecha o traço; é mais estável.

Quem, como e com que exame

Aparece em corredores, bailarinos e recrutas militares e, com frequência, o diagnóstico atrasa até 3 meses. A queixa é dor vaga no quadril ou na virilha de quem corre. Conforme o estágio, há marcha antálgica, dor à palpação da virilha, do quadril ou da face anterior da coxa, dor nos extremos do movimento do quadril e perda sutil de flexão e rotação interna, com ou sem rolamento (log roll) positivo.

A radiografia atrasa em relação aos sintomas e tem alta taxa de falso negativo. A cintilografia e a SPECT ajudam no início, mas há falso negativo até 12 dias após o início dos sintomas. A RM é a mais sensível e específica para o edema medular precoce, que costuma resolver em 8 a 12 semanas.

O tratamento

Fratura por estresse do colo do fêmur
LadoConduta do capítulo
Compressão (inferior)carga restrita por 6 semanas ou mais; radiografias semanais até andar sem dor com bengala; retorno ao esporte pode levar até 2 anos
Tensão (superior)fixação cirúrgica com parafusos paralelos ou parafuso deslizante do quadril; sem cirurgia, carga zero completa

A figura 24-8 mostra a fratura do lado de tensão fixada por via percutânea com parafusos canulados grandes, de rosca parcial, em triângulo invertido. O reconhecimento e o tratamento imediato do lado de tensão são o que impede a fratura completa, a pseudartrose e a osteonecrose.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 24-8. Fratura por estresse do colo do fêmur no lado de tensão (radiografia e TC coronal) e a fixação percutânea com parafusos canulados de rosca parcial em triângulo invertido. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Tíbia: posteromedial e a linha negra temida

Cobrança confirmada · 4 questões

Três entidades diferentes

A tíbia responde por 20% a 75% de todas as fraturas por estresse em atletas. Para tratá-la, é preciso separar três coisas:

  • Síndrome do estresse tibial medial (canelite): periostite difusa da borda medial, sem fratura; cintilografia linear, só na fase tardia.
  • Fratura do lado de compressão, na cortical posteromedial: o tipo predominante, de baixo risco.
  • Fratura do lado de tensão, na cortical anterior (o capítulo diz anterolateral, no terço médio da diáfise): muito menos comum e de alto risco; na radiografia em perfil é a "linha negra temida" (dreaded black line), um traço radiotransparente numa cortical anterior espessada.

Por que a anterior é a perigosa? Na corrida e no salto, a tíbia se curva com o ápice para a frente: a cortical anterior fica em tensão e a posteromedial em compressão. A fissura anterior abre a cada carga, de modo que consolida mal, faz retardo e pseudartrose e pode virar fratura completa (a figura 24-10 mostra um saltador cuja linha negra virou uma fratura exposta da tíbia durante o treino).

Quadro e imagem

É típica de esportes de corrida e salto (futebol, atletismo, basquete, balé). A dor vem primeiro depois da atividade, depois durante a corrida e, por fim, nas atividades diárias. Há dor pontual na tíbia anterior ou medial, às vezes edema, espessamento periosteal palpável e dor à percussão. O teste do diapasão existe, mas quase não se usa (falso negativo alto). A radiografia pode ficar positiva com 4 a 6 semanas de sintomas; a cintilografia mostra captação focal fusiforme (contra a linear da canelite); a RM é a melhor para graduar e dar prognóstico.

Tratamento

  • Controle da dor e limitação ou suspensão de corrida e salto; muletas, imobilização e carga limitada conforme sintomas e grau. Diagnosticada cedo, muitas vezes basta limitar o treino e manter as competições. Sem dor, treino cruzado de baixo impacto e retorno gradual à corrida.
  • Compressão (posteromedial): consolida em 2 a 12 semanas.
  • Tensão (anterior): as opções são 4 a 6 meses de repouso, enxerto ósseo, estimulação elétrica ou haste intramedular. Para quem quer voltar a treinar na mesma intensidade ou mais, a haste intramedular é a recomendação habitual e dá retorno mais rápido (figura 24-9: bailarina de 19 anos tratada com haste). A placa anterior em banda de tensão teve bons resultados em séries de atletas de alto rendimento e evita a dor anterior no joelho da haste.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 24-9. Bailarina de 19 anos com dor tibial anterior crônica e fratura por estresse da cortical anterior da tíbia, tratada com haste intramedular; o espessamento cortical persiste 6 meses depois. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

O pé: navicular, quinto metatarso e a fratura de marcha

Cobrança confirmada · 10 questões

Navicular

É fratura de alto risco, em atletas de salto e corrida: em algumas séries, mais de 98% ocorreram em atletas, com mediana de idade em torno de 25 anos. Os sintomas são vagos (mediopé e arco medial, de início insidioso), e o diagnóstico atrasa de 2 a 7 meses. Há dor no "ponto N", a face dorsal do navicular, mas a dor pode ser difusa.

  • Onde: a maioria ocorre no plano sagital, no terço central da cortical dorsal; a radiografia costuma ser negativa.
  • Por quê: o terço central tem irrigação pobre e coincide com o plano de maior cisalhamento durante a flexão plantar com pronação.
  • Fatores do pé: primeiro metatarso curto, segundo metatarso longo e coalizão calcaneonavicular.
  • Imagem: a cintilografia confirma; a TC (ou a RM) define local, extensão, consolidação e pseudartrose.
Classificação de SAXENA por TC (tabela 24-3)
TipoAchado
0,5TC normal, reação de estresse na RM
1fratura da cortical dorsal
2traço até o meio do navicular
3as duas corticais

Tratamento. A chave é diagnóstico precoce e tratamento agressivo. Incompleta: gesso sem carga por 6 a 8 semanas e reabilitação gradual, com palmilha se houver alteração biomecânica. Cirurgia (com ou sem enxerto) para a fratura completa, com esclerose nas bordas ou que falhou no tratamento conservador; pela irrigação pobre, imobiliza-se também depois da cirurgia até consolidar. Retorno só com consolidação clínica e confirmada por TC. A figura 24-4 mostra o que acontece sem isso: uma bailarina com navicular grau IV que, após 3 meses de tratamento conservador, evoluiu para pseudartrose.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 24-4. Fratura por estresse de alto risco: navicular desviado (grau IV) na RM de uma bailarina e, 3 meses depois, a pseudartrose na TC 3D. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Base do quinto metatarso

A metáfise proximal do quinto metatarso é sítio de alto risco: pela irrigação pobre, tanto a lesão por estresse quanto a traumática tendem à pseudartrose. A figura 24-11 divide a região em três zonas.

Zonas do quinto metatarso proximal (figura 24-11)
ZonaRegião
Ituberosidade
IIjunção metáfise-diáfise: a zona de divisor de águas, avascular, com o maior risco de retardo
IIIdiáfise proximal

Aparece em jogadores de basquete e corredores, com dor lateral no pé que piora durante e depois da corrida ou do salto e vai aumentando; não é raro a fratura aguda completa surgir depois de dias ou semanas de dor prévia. A dor à palpação fica distal à tuberosidade, em geral na zona III, e a radiografia costuma mostrar esclerose ao redor do traço (a figura 24-5B é um grau III num jogador de futebol).

Tratamento, sempre agressivo:

  • Não atleta: gesso ou órtese curta sem carga por 6 a 8 semanas, mais tempo se não houver sinal de consolidação. Mesmo assim, pela consolidação lenta e pelo risco de refratura e pseudartrose, a tendência atual é a fixação cirúrgica como tratamento primário.
  • Atleta de alta demanda: parafuso intramedular canulado de 4,0 ou 4,5 mm, porque o gesso falha muito nessa população. Parafuso canulado e sólido consolidam igual. Enxerto só se já houver pseudartrose. Carga com 7 a 14 dias, atividade plena em cerca de 9 semanas.
  • Números: na NBA, consolidação radiográfica em 7,5 semanas, retorno em cerca de 10 semanas, mas refratura em 30%. Retorno ao esporte mais cedo com cirurgia (13,8 contra 19,2 semanas). Uma metanálise de 2015 achou pseudartrose de 11% a 50% sem cirurgia contra 0% a 11% com cirurgia.

Primeiro ao quarto metatarsos: a fratura de marcha

São de baixo risco. Excluído o quinto, o primeiro metatarso faz 10% das fraturas por estresse metatarsais (ligado à hiperpronação na corrida); os 90% restantes se dividem entre segundo, terceiro e quarto. Associam-se a correr mais de 20 milhas (cerca de 32 km) por semana, e o pé plano aumenta o impacto nos quatro metatarsos mediais.

  • No corredor: a maioria fica na diáfise distal.
  • Na bailarina: pode ser proximal, na borda medial da base do segundo metatarso, pela carga na ponta (en pointe). Essa pode evoluir para pseudartrose e é tratada com gesso ou órtese até a consolidação radiográfica (em geral 6 a 8 semanas).

O paciente chega com dor localizada e edema, sem trauma, depois de aumentar o treino; a inspeção pode mostrar arco baixo, hiperpronação e dor pontual sobre o metatarso, e a dor piora com a inversão do pé. Radiografias com carga (AP, perfil e oblíqua); na bailarina com dor no segundo metatarso, oblíquas interna e externa. Tratamento: repouso e sapato de sola rígida ou bota para diminuir a flexão no mediopé, recondicionamento em degraus (corrida na piscina, depois bicicleta, depois corrida no chão) e palmilha após consolidar se a biomecânica for anormal.

Calcâneo

Típica de corredores de longa distância e recrutas. A dor é difusa no calcanhar ao correr, piora na ponta dos pés ou na fase de impulso. O exame mostra edema e teste de compressão do calcanhar positivo (apertar o corpo do calcâneo entre as palmas das mãos), além de dor ao saltar. A radiografia fica positiva em 2 a 4 semanas, com uma linha esclerótica com calo perpendicular às trabéculas da tuberosidade. Tratamento: menos atividade e calcanheira amortecedora até melhorar e consolidar; gesso ou órtese e um curto período sem carga se andar doer. Retorno estimado em 3 a 8 semanas. É de baixo risco (o capítulo não a põe na tabela de alto risco).

Sesamoides do hálux

Fratura rara e de diagnóstico difícil, que precisa ser separada de sesamoidite, sesamoide bipartido ou tripartido, hálux rígido e calosidade dolorosa. O sesamoide medial é o mais acometido, porque o peso passa pela face medial do primeiro metatarso no impulso, e ele recebe tensão e compressão. A dor fica na face plantar da cabeça do primeiro metatarso, piora com carga e no impulso, à palpação, à flexão plantar resistida do hálux e ao alongamento em dorsiflexão máxima da metatarsofalângica. A radiografia quase não mostra a fratura sem desvio; cintilografia ou RM mostram o edema e separam do bipartido.

Tratamento inicial: gesso sem carga por 6 semanas, impedindo a dorsiflexão do primeiro raio, e depois palmilha; a resolução pode levar 4 a 6 meses. Excisão para retardo ou dor crônica, mas a retirada completa do medial enfraquece a inserção do flexor curto do hálux e deixa o hálux desviar em valgo. A sesamoidectomia parcial é a alternativa: numa série de 24 pacientes, retorno em 11,6 semanas e só um hálux valgo. Cirurgia é o último recurso no atleta.

Patela, diáfise do fêmur, maléolo medial e fíbula

Cobrança confirmada · 1 questão

Patela

Rara e problemática, mais em jogadores de basquete e futebol e saltadores em altura. Os fatores de risco para a fratura do lado de tensão (cortical anterior) são a contratura em flexão do joelho e a retirada de enxerto do tendão patelar para o LCA. Dor anterior que piora ao saltar, dor pontual na face anterior da patela e mais dor à extensão resistida. Os traços podem ser longitudinais ou transversos e precisam ser separados da patela bipartida ou tripartida, o que a cintilografia ou a RM (edema ósseo) esclarecem.

O traço transverso tende a desviar, pela distração do aparelho extensor. Sem desvio: órtese articulada travada em extensão total por 4 a 6 semanas, depois ganho de movimento e quadríceps. Desviada, crônica ou que falhou no tratamento conservador: redução aberta e fixação.

Diáfise do fêmur

De baixo risco. Mais em corredores, em particular mulheres, e na junção dos terços proximal e médio. A história é a de sempre (aumento recente de frequência, intensidade ou duração); a dor da corrida passa às atividades diárias. O exame tem marcha antálgica com quadril e joelho normais, dor na face anterior da coxa e dor ao saltar sobre a perna. O teste do fulcro ("perna pendente"): paciente sentado na beira da mesa, perna solta; aplica-se uma força de flexão de três pontos na coxa, com a borda da mesa como fulcro, e a dor sugere a fratura. Calo e traço aparecem em 2 a 6 semanas.

Tratamento sem cirurgia, quase sempre com sucesso: muletas com carga protegida por 1 a 4 semanas, treino cruzado, reabilitação de baixo impacto se não houver dor com 2 semanas; recuperação em 5 a 10 semanas e retorno pleno em 8 a 16 semanas.

Maléolo medial

Relativamente rara, de corrida e salto, instável e propensa à pseudartrose (por isso de alto risco). Dor medial insidiosa que piora com exercício, dor à palpação do maléolo e derrame articular. O varo do membro sobrecarrega o lado medial. Na radiografia, o traço sai vertical ou horizontal da superfície articular medial do pilão. Incompleta no paciente de baixa demanda: carga zero e imobilização; no atleta que quer voltar cedo, abordagem mais agressiva. Completa: redução aberta e parafusos maleolares, com retorno em 6 a 8 semanas, como na fratura maleolar traumática. Pseudartrose: enxerto e parafusos.

Fíbula

Rara, porque a fíbula carrega pouco peso. O local mais comum é o terço distal da diáfise, logo acima da sindesmose, associado a hiperpronação e retropé valgo. Dor lateral na perna e no tornozelo, edema leve, às vezes claudicação; dor à palpação ou ao teste de compressão da sindesmose (squeeze). Tratamento: carga conforme tolerado em órtese e retorno gradual; com diagnóstico precoce, volta ao esporte após 3 a 6 semanas, e a consolidação se completa em 8 a 12 semanas.

Coluna: espondilólise

Cobrança confirmada · 2 questões

A espondilólise é a fratura por estresse da pars interarticular, mais em quem faz hiperextensão repetida (ginastas, líderes de torcida, saltadores ornamentais, halterofilistas), e é causa comum de dor lombar na criança e no adolescente. Os níveis mais acometidos são L4 e L5. A dor é insidiosa, com espasmo, e costuma ser confundida com distensão lombar; o repouso alivia, e a volta à atividade piora na hora.

Exame: hiperlordose, dor à palpação do nível e dor intensa com defesa muscular na extensão do tronco em apoio uni ou bipodal; também dor à rotação com extensão, à extensão do quadril e do tronco em decúbito ventral. O neurológico costuma ser normal (às vezes há radiculopatia).

Imagem: a radiografia tem baixa sensibilidade (AP, perfil e oblíquas; quando positiva, mostra a "coleira" no pescoço do cachorrinho escocês nas oblíquas) e caiu em desuso pela radiação. A SPECT é mais sensível e está virando o padrão-ouro (figura 24-3); a TC de cortes finos (1,5 a 2 mm) mostra extensão e idade da lesão, e a combinação das duas ajuda a prever a consolidação.

Tratamento (controverso): modificar a atividade e evitar a hiperextensão; se persistir, colete não rígido; após 2 a 4 semanas, fisioterapia de estabilização do tronco, core e flexibilidade; dor ainda com 4 semanas, TLSO ou colete antilordótico rígido de Boston. A consolidação completa pode levar 3 a 6 meses (TC axial de controle). Retorno ao esporte a partir de 8 semanas, se não houver dor em repouso, em hiperextensão e na atividade. Cirurgia se a dor persistir apesar do colete rígido, sobretudo com sintomas neurológicos.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 24-3. SPECT com captação aumentada nas fraturas por estresse bilaterais da pars interarticular de L4 numa ginasta de 15 anos. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Membro superior e costelas

Cobrança confirmada · 2 questões

As fraturas por estresse do membro superior são menos de 10% do total, comuns em arremessadores e remadores, e a grande maioria é de baixo risco, com consolidação só com modificação da atividade. Qualquer atleta ou trabalhador de movimento repetido acima da cabeça com dor sem trauma, exame normal e dor só na atividade deve ser visto como possível fratura por estresse.

Três mecanismos geram a carga: o torque rotacional de balançar ou arremessar, a tensão ou compressão da contração muscular e a carga axial repetida. Em 40 fraturas das costelas e do membro superior, quem fazia apoio com os membros superiores (ginástica, líderes de torcida) teve todas as fraturas distais ao cotovelo. A diáfise da ulna quebra por dois caminhos: no softbol com arremesso por baixo (windmill), por rotação e flexão da ulna triangular no antebraço pronado; e no ginasta ou em exercícios de flexão de braço, por carga axial.

A exceção cirúrgica é o olécrano do arremessador competitivo: pode consolidar sem cirurgia, mas, com traço visível (grau III), o tratamento ideal é a fixação interna. As costelas estão entre as de baixo risco; a figura 24-2 é uma remadora com fratura da sexta costela na linha axilar média.

Pelve e sacro

Possível cobrança

São incomuns e, na maioria, nos ramos púbicos. Aparecem mais em mulheres, recrutas militares e corredores depois de aumentar duração, frequência ou intensidade do impacto. O ramo púbico dói na região inguinal, perineal ou dos adutores e alivia com repouso; o sacro dá dor vaga e mal localizada na nádega ou na virilha. No homem jovem, pensar nas espondiloartropatias soronegativas, como a espondilite anquilosante.

No exame: marcha antálgica, movimento completo, dor sobre o ramo ou incapacidade de ficar em pé sem apoio sobre a perna afetada. O sacro também dói na flexão, abdução e rotação externa do quadril e ao saltar, com movimento de quadril e coluna normais e dor profunda na virilha nos extremos. A radiografia é negativa no início na maioria (o calo aparece depois); cintilografia ou RM fazem o diagnóstico precoce (figura 24-7, ramo púbico inferior de uma corredora de 21 anos).

Tratamento: parar corrida e salto, carga protegida e repouso relativo por 6 semanas a 8 meses; às vezes um curto período sem carga, pela dor. Diagnosticada a tempo, não costuma precisar de cirurgia.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 24-7. Corredora de 21 anos com dor pélvica direita: fratura por estresse do ramo púbico inferior minimamente desviada (grau IV) na radiografia e reação de estresse com calo inicial na RM. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Prevenção e tratamentos biológicos

Possível cobrança

Prevenção é o tratamento ideal. Avaliar o risco no exame pré-participação, sobretudo de quem já teve fratura por estresse; corrigir a amenorreia, suplementar cálcio e vitamina D e otimizar a nutrição; órteses para alterações biomecânicas e, se preciso, análise da marcha e correção da técnica de corrida.

Biológicos (para casos refratários, alto risco ou pseudartrose):

  • Campos eletromagnéticos pulsados (PEMF) e ultrassom pulsado de baixa intensidade (LIPUS): aprovados pela FDA, não invasivos. O PEMF ativa reações que aumentam fatores de crescimento (BMP, TGF-β, calmodulina); o LIPUS age em canais iônicos por mecanorreceptores dos osteócitos. Faltam resultados definitivos para recomendar o uso rotineiro.
  • Aspirado de medula concentrado (BMAC) e plasma rico em plaquetas (PRP): promissores, sem padronização nem ensaios de qualidade.
  • Teriparatida (PTH pulsado): resultados mistos, mas atingiu o desfecho de consolidação acelerada com mais calo precoce que o placebo.
  • Ondas de choque extracorpóreas (ESWT): não invasivas, para a fratura refratária; estimulam osteoblastos e angiogênese, e um estudo em militares (FURIA) mostrou resultado igual ao da cirurgia em fraturas por estresse, retardos e pseudartroses.
  • A subcondroplastia também é citada entre as modalidades.

Resumo final do capítulo

Fundamento

A fratura por estresse é comum no atleta de resistência e no recruta, e o diagnóstico pede alto índice de suspeita e o exame de imagem certo. O tratamento é holístico (nutrição, hormônios, psicológico e biomecânica) e individualizado pelo sítio (alto ou baixo risco), pelo grau (KAEDING-MILLER), pelo nível de atividade, pelo momento da temporada e pela tolerância ao risco. As de alto risco são carregadas em tensão, têm história natural ruim e muitas vezes precisam de cirurgia; as de baixo risco são carregadas em compressão, têm bom prognóstico e raramente completam.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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