Orto Questões

Fratura da diáfise do úmero

Trauma adultoResumo do capítulo56 min de leitura

Nervo radial e HOLSTEIN-LEWIS, órtese funcional de SARMIENTO, tolerâncias (20 graus, 30 graus de rotação, 3 cm), indicações de cirurgia e cotovelo flutuante, vias anterolateral e posterior, placa de 4,5 mm com oito corticais, MIPO e o musculocutâneo, haste com bloqueio distal aberto e pseudartrose atrófica.

Atualizado em 28/10/2026 · 56 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 37 · Humeral Shaft Fractures, em Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025). Autores do capítulo: Dominique M. Rouleau, Claire Bastard, Rocio Branes e Julien Chapleau.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de trauma adulto do Rockwood adulto, capítulo 37, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo foi escrito a partir do capítulo 37 do Rockwood and Green (10ª edição), na ordem em que as provas cobram o tema, e não na ordem do livro. Ele reorganiza as ideias do capítulo em português, explica a razão de cada regra e mostra, no meio do texto, as questões reais do acervo sobre cada ponto. Os números são os do capítulo; quando a banca cobrou algo que o capítulo não traz, o texto avisa.

A diáfise do úmero não cai todo ano, mas cai sempre do mesmo jeito. A banca gira em torno de cinco blocos: o tratamento funcional (a órtese de SARMIENTO, os seus princípios e o que se tolera de desvio), as indicações de cirurgia (com o cotovelo flutuante como resposta clássica), o nervo radial (a lesão primária, a fratura de HOLSTEIN-LEWIS e a lesão iatrogênica), as vias e os nervos em risco em cada técnica (radial na via anterolateral e na posterior, musculocutâneo na janela distal da placa minimamente invasiva, axilar no bloqueio proximal da haste) e a pseudartrose (atrófica, tratada com placa e enxerto). Quase tudo nasce de dois fatos. Primeiro, o braço não carrega o corpo e o ombro e o cotovelo compensam muito desvio, por isso a maioria das fraturas consolida bem sem cirurgia. Segundo, o nervo radial passa colado no osso, no sulco espiral e depois no septo lateral, por isso ele é o nervo da fratura, da redução e de quase toda via.

O tratamento funcional: a órtese de SARMIENTO

Cobrança confirmada · 2 questões

Por que o úmero aceita tratamento sem cirurgia

O primeiro registro de uma fratura do úmero tratada sem cirurgia está no papiro de Edwin Smith, do Egito antigo: tração entre as escápulas e duas talas de linho. O capítulo usa essa história para lembrar que pouco mudou: a diáfise do úmero consolida em pouco tempo, e o ombro e o cotovelo compensam a deformidade residual (figura 37-1). A cirurgia avançou porque o paciente moderno quer voltar mais cedo ao trabalho e às atividades, não porque o tratamento funcional tenha deixado de funcionar.

As fraturas agudas, fechadas, isoladas, em paciente cooperativo e que deambula, consolidam em taxa alta e com bom resultado funcional quando tratadas sem cirurgia. Essa é a indicação forte do tratamento conservador no quadro de indicações do capítulo.

Indicações e contraindicações do tratamento sem cirurgia (quadro do capítulo)
GrauSituação
Indicação fortefratura aguda, fechada e isolada, em paciente cooperativo e que deambula, com desvio aceitável
Indicações relativastipo A da AO; oblíqua longa do terço proximal; segmentar; fratura inicialmente desviada que pode melhorar na órtese
Contraindicações relativaspolitrauma; outra lesão no mesmo membro; disfunção nervosa que persiste ou piora; fraturas bilaterais; periprotética; necessidade de mobilizar e apoiar cedo; partes moles que impedem a órtese
Contraindicaçõesfratura exposta (sem lesão neurovascular, no quadro); lesão vascular importante; fratura patológica; pseudartrose

O quadro tem uma contradição aparente: o tipo A e a oblíqua longa proximal aparecem como indicação relativa do conservador, e o mesmo capítulo mostra que eles são justamente os padrões com mais pseudartrose na órtese (ver adiante). A leitura correta é que podem ser tratados na órtese, mas com o paciente avisado do risco maior; por isso o tipo A do terço médio e a oblíqua longa proximal também aparecem como indicação relativa de cirurgia.

As opções de imobilização

O capítulo lista tração esquelética, enfaixamento de VELPEAU, tipoia com faixa ao tronco, gesso ou tala em abdução, tala em U (coaptação, a "pinça de confeiteiro"), gesso pendente e órtese funcional (figura 37-10). A tração esquelética e o gesso em abdução foram abandonados por serem difíceis de aplicar e mal tolerados.

  • Tipoia com faixa e VELPEAU. Rápidos e baratos. A tipoia sustenta o peso do braço e a faixa prende o braço ao tórax; no VELPEAU a faixa é mais apertada, com o cotovelo fletido e o antebraço contra o peito. Os dois são mal tolerados por mais de alguns dias e devem ser trocados pela órtese assim que possível.
  • Tala em U (coaptação). A mais usada para a imobilização provisória, sobretudo nas fraturas do terço médio e distal. O gesso sai da axila, desce pela face medial do braço, contorna o olécrano e sobe pela face lateral até o acrômio, preso com faixa elástica, com tipoia no início. A desvantagem é afrouxar e escorregar com facilidade, exigindo ajustes.
  • Gesso pendente. Usado há décadas, sobretudo com encurtamento e desvio, em fraturas simples, oblíquas ou espirais do terço médio. Vai de acima da fratura até o punho, com o cotovelo a 90 graus e o antebraço neutro; o paciente mantém o braço pendurado para que a gravidade restaure comprimento e alinhamento. Exige vigilância, porque, esquecido, pode distrair a fratura e atrapalhar a consolidação. Alguns cirurgiões o usam por 7 a 10 dias e depois passam para a órtese.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 37-10. A: enfaixamento de VELPEAU. B: tala em U. C: gesso pendente. D: órtese funcional. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

A órtese funcional: como funciona e como se usa

Desde que SARMIENTO a descreveu, em 1977, a órtese funcional é a técnica definitiva mais usada no tratamento sem cirurgia. O roteiro do capítulo:

1. Imobilização provisória com um dos métodos acima, por no máximo 7 a 10 dias. 2. Quando a dor e o edema cedem, órtese pré-fabricada: duas valvas de plástico em faces opostas do braço (medial e lateral, ou anterior e posterior), unidas por tiras de velcro ajustáveis. Apertar as tiras transforma a peça pronta numa tala "sob medida", que comprime o ventre muscular em volta do úmero e imobiliza a fratura (figuras 37-10D e 37-11). 3. Tipoia de colar e punho, mas com o cotovelo mexido todos os dias para não enrijecer; exercícios pendulares do ombro desde o começo. O paciente aprende a reapertar as tiras quando a órtese afrouxa. 4. Evitar abdução e elevação ativa e, sobretudo, não apoiar o cotovelo no braço da cadeira, na mesa ou no colo: apoiar o cotovelo do membro fraturado no início da consolidação leva ao varo. 5. Radiografias seriadas, mais frequentes que no tratamento cirúrgico, e higiene da pele (inclinado 30 graus para a frente, axila aberta, pele seca antes de recolocar; malha de algodão por baixo), para evitar irritação e micose.

A lógica é a de um cilindro: os músculos do braço, presos dentro de um envoltório rígido, comportam-se como um líquido que não se comprime. Quando o paciente contrai a musculatura, a pressão se distribui por igual e empurra os fragmentos para o alinhamento; o braço pendurado acrescenta a tração da gravidade. Essa é a tríade que a banca cobra: contração muscular ativa, efeito hidráulico das partes moles e gravidade. O capítulo descreve o mecanismo como compressão do ventre muscular; os nomes da tríade vêm da descrição clássica do método.

Resultados: o que a órtese entrega

A maior série é a do próprio SARMIENTO, com 620 pacientes, incluindo 155 fraturas expostas e 67 com paralisia radial. A pseudartrose foi de 2,6% (1,5% nas fechadas e 5,8% nas expostas), com consolidação em média em 9,5 semanas nas fechadas e 14 semanas nas expostas, sem diferença entre os terços nem entre os traços. Os desvios médios finais foram pequenos: 9 graus de varo nas transversas, 4 nas oblíquas e 8 nas cominutas; valgo foi insignificante, e mais de 80% ficaram com menos de 15 graus de angulação anterior ou posterior. Em função, 88,6% perderam menos de 10 graus no ombro e 92% menos de 10 graus no cotovelo.

Somando os estudos das últimas três décadas, a consolidação média ficou em 93,5% (77,4% a 100%), em 6,5 a 22 semanas (média de 10,7 semanas). Uma revisão de 18 estudos achou 94,5% de consolidação.

O que se perde. A rotação externa do ombro: FJALESTAD viu 38% de perda importante de rotação externa e atribuiu à consolidação viciosa rotacional (tomografia), propondo colocar a órtese cedo; SARMIENTO já tinha visto 45% perdendo 5 a 45 graus de rotação externa, que atribuiu à contratura da cápsula. Outras séries mostraram ombro simétrico em só 58,3% e pacientes que não voltaram às atividades por causa do ombro. Na diáfise distal, SARMIENTO teve 96% de consolidação em 65 fraturas, e as 12 paralisias radiais recuperaram parcial ou totalmente; PEHLIVAN, por outro lado, viu varo importante em 38% das distais.

Quem vai mal na órtese. Os fatores de falha do tratamento sem cirurgia que o capítulo reúne:

  • fratura do tipo A da AO (traço simples): pseudartrose média de 15,4%, contra uma consolidação global de 94,5%;
  • terço proximal da diáfise: TOIVANEN viu 54% de pseudartrose no terço proximal (e 23% no tipo A);
  • afastamento (gap) entre os fragmentos;
  • ausência de calo em ponte 6 semanas depois do trauma.

Nem todos os estudos acharam a localização um fator decisivo, mas é ela que a banca cobra. O raciocínio: no traço simples transverso, a superfície de contato é pequena e qualquer afastamento deixa o foco sem calo; no terço proximal, o deltoide e o peitoral puxam os fragmentos e a órtese segura mal o segmento curto.

Sem calo em 6 semanas com alinhamento adequado, o capítulo propõe adjuvantes: ultrassom pulsado de baixa intensidade e vitamina D, e uma lista de exames para investigar o retardo (vitamina D, pré-albumina, proteína C reativa, TSH, hemoglobina glicada, ureia, cálcio, potássio, cloro, magnésio, fósforo, FSH, zinco, paratormônio e creatinina, tabela 37-5).

A preferência dos autores

Fratura simples, sem outra lesão que exija internação: tala em U no pronto-socorro e retorno em uma semana; aí a tala vira órtese funcional e radiografias em AP e oblíqua confirmam que o alinhamento é aceitável. Nova radiografia em 2 semanas (a órtese pode ser angulada para corrigir a deformidade). A órtese fica até o calo em ponte, em geral com 10 a 12 semanas; depois, fisioterapia e retorno gradual, evitando esforço forte por mais 6 a 8 semanas. Vitamina D, parar de fumar e controlar a glicemia são rotina.

Quanto se tolera e quando operar

Cobrança confirmada · 3 questões

As tolerâncias de desvio

O capítulo dá os números em três lugares, e eles não são idênticos:

Desvios aceitáveis na diáfise do úmero (números do capítulo)
Onde apareceAngulaçãoRotaçãoEncurtamentoContato
Quadro do tratamento sem cirurgia20 graus ou menos30 graus ou menos3 cm ou menosalgum contato ósseo
Texto das indicações cirúrgicasnão aceitar mais de 15 a 20 graus em qualquer direçãonão aceitar mais de 30 graus2 a 3 cm no paciente ativo (até 5 cm já foi relatado)
Série de SARMIENTOaté 20 graus anterior ou posterior e 15 graus de varo bem tolerados

Todos os autores insistem que esses números são arbitrários (opinião de especialista, nível V) e que a decisão depende do paciente: dominância, trabalho, comorbidades e nível funcional. CRESPO, com osteotomias em cadáver e modelo 3D, mostrou que a direção e o tamanho do desvio afetam, de forma independente, a capacidade de levar a mão ao espaço, e que o membro pode ser mais sensível ao desvio do que se pensava; DEVERS mostrou que a deformidade visível é mais comum do que se imaginava e incomoda o paciente. Por isso o capítulo prevê que as indicações de cirurgia ainda vão crescer.

Os números clássicos de KLENERMAN (20 graus de angulação anterior, 30 graus de varo e 3 cm de encurtamento), muito usados nos comentários de prova, não aparecem neste capítulo. A diferença que importa é o varo: o capítulo é mais rígido (15 graus pela série de SARMIENTO, 15 a 20 graus em qualquer direção no texto).

As indicações de cirurgia

Indicações do tratamento cirúrgico (quadro do capítulo)
GrauSituação
Indicaçõesredução insatisfatória que não se mantém por meios fechados (20 graus ou mais de angulação, 30 graus ou mais de rotação, 3 cm ou mais de encurtamento, nenhum contato ósseo); politrauma; fraturas bilaterais; cotovelo flutuante; extensão intra-articular; paralisia nervosa progressiva ou que surge após manipulação fechada; lesão vascular importante; déficit neurológico após trauma penetrante; pseudartrose, infectada ou não; fratura patológica; fratura exposta
Indicações relativasfratura segmentar; paciente que não colabora; obesidade e mamas volumosas (impedem a órtese); periprotética; tipo A do terço médio, sobretudo se distraída; oblíqua longa proximal, sobretudo em varo; necessidade de mobilização e apoio rápidos, no idoso ou no jovem ativo

A razão de cada indicação é o que a banca explora:

  • Politrauma. O paciente fica deitado dias ou semanas e consolida em posição viciosa; como vai ao centro cirúrgico para outras lesões, o úmero é fixado no mesmo tempo, e enfermagem, higiene e conforto ficam mais fáceis. Com placa estável, ele pode apoiar o peso nas muletas (TINGSTAD).
  • Fraturas bilaterais e outra lesão no mesmo membro (cotovelo flutuante, fratura-luxação proximal com diáfise): operar tudo para mexer cedo as articulações e devolver independência.
  • Paralisia progressiva, laceração de nervo ou vaso por trauma penetrante: explorar e reparar, e então fixar obrigatoriamente a fratura para proteger o reparo e permitir curativos sem fragmentos soltos.
  • Lesão do plexo braquial: o braço perde parte do suporte muscular e o retardo e a pseudartrose são comuns, por isso a fratura é fixada.
  • Fratura patológica: fixar para paliação se a expectativa de vida passa de 3 meses e o estado geral permite.
  • Exposta: ver a seção de situações especiais (o grau I pode ir para a órtese, o II costuma ser operado conforme a contaminação e o III deve ser operado).
  • Obesidade e mamas volumosas: maior risco de consolidação viciosa e pseudartrose, mas também de complicação anestésica; o capítulo trata como indicação relativa e individualizada.
  • Paciente que não colabora e indigente: SARMIENTO via perda de seguimento e propôs não tratá-los na órtese; o capítulo lembra que eles também não seguem a reabilitação depois da cirurgia.
  • Idade e osteoporose não estão na lista: não há evidência forte de que a osteoporose atrapalhe a consolidação, embora o idoso tolere mal a órtese.
  • Paralisia radial primária numa fratura fechada não é, isoladamente, indicação de cirurgia.

Historicamente, BANDI foi o primeiro a definir as indicações (posição inaceitável após tratamento conservador, exposta, transversa, cominuta com paralisia radial e pseudartrose); em 1996 a lista já incluía segmentar, patológica, bilateral, cotovelo flutuante, politrauma, déficit após trauma penetrante, lesão vascular e extensão articular.

O cotovelo flutuante

É a combinação de fratura da diáfise do úmero com fratura da parte média a proximal do rádio e da ulna, com ou sem lesão grave das partes moles do cotovelo, quase sempre por alta energia, deixando o cotovelo entre dois segmentos instáveis (figura 37-6). É mais comum na criança, mas também foi estudado no adulto: cinco séries retrospectivas desde 1980, de 9 a 21 pacientes, muitas incluindo fraturas articulares.

Os resultados mostram muitas complicações: rigidez do cotovelo, pseudartrose do úmero e do rádio, infecção profunda, miosite ossificante, lesão neurovascular grave com recuperação incompleta, falha da fixação e até artroplastia do cotovelo e amputação. Todas as séries defendem operar todas as fraturas e reabilitar cedo; as fechadas foram melhor que as expostas, e lesão nervosa e extensão articular pioram o resultado (uma série de 14 pacientes, de YOKOYAMA, não achou essa relação). O denominador comum: lesão grave, cirúrgica, com taxa alta de complicação e, não raro, resultado ruim.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 37-6. A: cotovelo flutuante, com fraturas das diáfises do úmero, do rádio e da ulna do mesmo lado. B, C: redução aberta e fixação imediata de todas as fraturas, com bom resultado. D: fraturas mais perto do cotovelo; mesmo com fixação imediata, houve miosite ossificante e rigidez importante. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

O nervo radial

Cobrança confirmada · 1 questão

A lesão primária: 10% a 12% das fechadas

A lesão do nervo radial é a lesão associada mais comum da fratura fechada da diáfise, em 10% a 12%. O quadro é a incapacidade de estender o punho e os dedos (e as metacarpofalângicas e o polegar), com dormência no dorso radial da mão e no dorso dos três dedos e meio radiais (figura 37-3). O mediano (1,3%) e o ulnar (2,4%) se lesam bem menos, e o capítulo recomenda tratá-los com a mesma política do radial.

A razão anatômica: o radial entra no compartimento posterior entre as cabeças longa e lateral do tríceps, corre no sulco espiral, colado ao osso, e sai pela face lateral perfurando o septo intermuscular, 10 a 15 cm acima do epicôndilo lateral. É o único nervo do braço preso ao úmero numa extensão longa, e por isso o que sofre com o deslocamento do traço.

A fratura de HOLSTEIN-LEWIS. Em 1963, HOLSTEIN e LEWIS descreveram uma fratura espiral simples, desviada, do terço distal da diáfise, com a ponta do fragmento distal desviada para o lado radial, em cerca de 7% das fraturas da diáfise, com mais paralisia radial e alta frequência de nervo preso no traço; por isso recomendaram explorar o nervo quando houvesse paralisia (figura 37-4). Os estudos seguintes confirmaram o risco maior, mas defenderam o tratamento sem cirurgia mesmo com paralisia, porque o nervo costuma recuperar sozinho qualquer que seja o padrão e o nível da fratura. (O capítulo escreve "fratura do úmero distal"; a fratura é da diáfise, no terço distal.)

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 37-4. A fratura de HOLSTEIN-LEWIS. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Conduta: esperar, com exceções

Há controvérsia histórica, mas a política preferida é a conduta expectante inicial:

  • SHAO revisou a literatura de 1964 a 2004 e concluiu que esperar é melhor que explorar cedo, com espera total que não passe de 6 meses.
  • LIU, em revisão sistemática e metanálise de nove estudos, mostrou que a cirurgia não melhora a recuperação da paralisia e que o tratamento sem cirurgia teve menos complicações: a recuperação não depende da conduta inicial e o prognóstico é bom com a espera.
  • PAILHÉ, contra a corrente, propôs fixar cedo a fratura com paralisia, mesmo sem explorar o nervo se ele não estiver preso, para dar melhores condições de recuperação.

Indicações aceitas de exploração precoce: lesão vascular associada, ferimento por arma de fogo, fratura exposta ou lesão grave de partes moles e ferimento cortante ou penetrante. Na alta energia, VENOUZIOU lembra que o nervo costuma ter neurotmese ou contusão grave e que o paciente deve ser avisado do prognóstico ruim e da alta chance de transferência tendínea. ERRA, com ultrassom, achou lesão do interósseo posterior em 18 de 35 pacientes com paralisia radial após fratura da diáfise, o que pode pesar na decisão no futuro.

A sequência do capítulo:

1. A indicação de fixar a fratura continua sendo dada pelo desvio e pela consolidação, não pelo nervo. 2. Se a fratura for operada, explorar o nervo, de preferência com um cirurgião de nervo periférico. Nervo em continuidade fica na posição anatômica e se anota onde ele está em relação ao implante; nervo seccionado: reparo primário ou enxerto depois de fixar a fratura. 3. Se a fratura for tratada sem cirurgia: equipe multidisciplinar; terapeuta de mão cedo, para manter o movimento e fazer órtese funcional de punho; eletroneuromiografia por volta de 3 meses se não houver recuperação (o capítulo de imagem aceita pedi-la já com 6 semanas se os sintomas persistem). 4. Sem recuperação em 6 meses: enxerto de nervo, com ou sem transferência tendínea. 5. Parar de fumar, controlar a glicemia e tratar a dor neuropática (pregabalina), com o especialista em dor.

A lesão secundária e a iatrogênica

Depois de manipulação fechada. A literatura é pobre. BÖSTMAN tratou 16 casos com espera e a propôs como conduta inicial; GREGORY também; SCHATZKER defendia explorar logo, porque o nervo pode estar preso no traço e a exploração tardia, no meio do calo, é mais difícil. O quadro de indicações do capítulo, porém, põe a paralisia que surge após manipulação fechada e a paralisia progressiva entre as indicações de cirurgia.

Depois da cirurgia. Costuma ser transitória, mas é definitiva em 2% a 3%. Prevenção: conhecer o trajeto do radial, identificá-lo e protegê-lo sempre que estiver perto do campo, evitar tração excessiva nos afastadores e cuidado com cerclagens, brocas e parafusos que passam da cortical oposta. A conduta é expectante, salvo erro técnico evidente; sem recuperação em 4 a 6 meses, pensar em explorar e reparar ou em transferência tendínea (há relato, controverso, de que a transferência dá recuperação melhor e mais cedo que o reparo do nervo).

Na pseudartrose operada, a paralisia radial pós-operatória chega a 18,5%, cerca de três vezes a da fratura aguda, pela fibrose e pelo calo que envolvem o nervo (KAKAZU).

Vias de acesso e os nervos em risco

Cobrança confirmada · 3 questões

Anatomia aplicada

A diáfise vai do colo cirúrgico, logo abaixo dos tubérculos, até a crista supracondiliana. A secção é redonda em cima e triangular embaixo, com o canal estreitando no terço distal. Isso explica duas regras: as placas assentam melhor nas superfícies planas, e a haste retrógrada é difícil de passar pelo canal distal estreito e triangular. A superfície tem três faces (anterolateral, anteromedial e posterior), separadas por cristas que vão dos tubérculos à região supracondiliana. Dois marcos: a tuberosidade deltoidea, na face anterolateral, na junção dos terços proximal e médio, e o sulco espiral, na face posterior média, com o nervo radial e a artéria braquial profunda.

Músculos e desvios. Deltoide, peitoral maior, redondo maior, grande dorsal, coracobraquial, braquial, braquiorradial e tríceps envolvem o osso; conhecer as inserções explica o desvio dos fragmentos. O exemplo do capítulo: na fratura acima da inserção do peitoral maior, o fragmento proximal vai para abdução, puxado pelo deltoide.

Compartimentos. O anterior tem os flexores do cotovelo (bíceps, braquial e coracobraquial); o posterior, o tríceps com as três cabeças. A síndrome compartimental do braço é rara, vista sobretudo com distúrbio de coagulação (doença ou medicação); se suspeitada, medem-se as pressões dos dois compartimentos, e uma via anterior com drenagem do hematoma e fasciotomia anterior costuma aliviar os dois.

Os nervos do braço e onde eles correm perigo
NervoTrajeto que importaOnde corre risco
Radialentre as cabeças longa e lateral do tríceps, sulco espiral (atrás da tuberosidade deltoidea), sai lateral 10 a 15 cm acima do epicôndilo lateral; ao ficar anterior, nunca a menos de 7,5 cm da superfície articularfratura (sobretudo terço distal), vias anterolateral, lateral e posterior, cerclagem, broca da cortical oposta, fresagem da haste, pinos do fixador
Musculocutâneono compartimento anterior, cruza o úmero distal em sentido longitudinal, lateral ao mediano e à artéria braquialbloqueio distal anteroposterior da haste anterógrada e janela distal da MIPO
Mediano e artéria braquialjuntos, na face medial do compartimento anterior; no cotovelo, entre o pronador redondo e o tendão do bícepsvia medial, pinos e parafusos mediais
Ulnarperto do mediano no compartimento anterior; na arcada de STRUTHERS, cerca de 8 cm do epicôndilo medial, passa ao compartimento posterior e segue para o túnel cubitalpinos laterais do fixador que atravessam demais, via medial
Axilarcontorna o úmero proximal de trás para a frente, a 4 a 7 cm da ponta do acrômiovia lateral estendida proximal, bloqueio proximal da haste, pinos proximais do fixador

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 37-9. A anatomia neurovascular do braço. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

O úmero proximal na haste. A haste anterógrada passa pelo manguito rotador, e os parafusos proximais atravessam o deltoide e o subescapular. O supraespinal é pouco vascularizado perto da inserção no tubérculo maior, e por isso o portal deve ser aberto na parte musculotendínea, em incisão longitudinal no sentido das fibras. As artérias circunflexas anterior e posterior podem ser lesadas pela broca ou pelos parafusos proximais. (O capítulo diz que o úmero proximal é tratado "no capítulo 37"; é no capítulo 36 desta edição.)

Via anterolateral

É a via dos terços proximal e médio. A incisão começa na ponta do coracoide, segue o sulco deltopeitoral até a inserção do deltoide e depois desce pela borda lateral do bíceps até cerca de 5 cm acima da prega do cotovelo (figura 37-12). Pode ser muito extensa e ainda assim dar boa função, porque é intermuscular e entre territórios nervosos.

  • Proximal: veia cefálica no sulco deltopeitoral; deltoide para lateral e peitoral maior para medial; cuidado com o afastamento excessivo do deltoide, que comprime o axilar e paralisa a metade anterior do músculo. Incisa-se o periósteo lateral à cabeça longa do bíceps e pode-se desinserir parte do peitoral maior; a circunflexa anterior deve ser preservada se possível.
  • Médio: a fáscia é aberta, o bíceps vai para medial e aparece o braquial, que é dividido longitudinalmente na linha média. A divisão protege a inervação do braquial: metade lateral pelo radial, metade medial pelo musculocutâneo. A metade lateral do braquial protege o radial, e um ramo nervoso importante pode aparecer e deve ser preservado. Fletir o cotovelo ajuda.
  • Distal: perto do cotovelo, a via segue entre o braquial (medial) e o braquiorradial (lateral), e ali o radial, lateral, e o musculocutâneo, medial, precisam ser protegidos.

O risco ao radial gerou modificações da via, ainda por validar.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 37-12. Via anterolateral do úmero direito. A: incisão. B: deltoide para lateral e cabeça longa do bíceps para medial mostram o tendão do peitoral maior em cima e o braquial embaixo. C: desinserção parcial do peitoral maior e divisão do braquial expõem a diáfise anterolateral. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Via posterior

Expõe os dois terços distais da face posterior, da fossa do olécrano até a junção dos terços proximal e médio. Paciente em decúbito ventral ou lateral, braço abduzido 90 graus num apoio radiotransparente; incisão na linha média posterior, da ponta do olécrano a 5 a 10 cm abaixo do acrômio (figura 37-14).

A dissecção começa em cima: abre-se, com dissecção romba, o intervalo entre as cabeças longa e lateral do tríceps; o tendão comum é incisado em linha média até o olécrano. Afastando a cabeça lateral para lateral e a longa para medial, aparecem o nervo radial e a artéria braquial profunda juntos no sulco espiral. A cabeça medial fica por baixo das outras duas e nasce logo abaixo do sulco; a sua divisão longitudinal mostra o periósteo, cuja elevação protege o radial, o ulnar e o cutâneo lateral do braço.

A regra para achar o radial: num estudo em cadáver, ele estava a 39 ± 2,1 mm do ponto de confluência entre as cabeças longa e lateral e a aponeurose do tríceps (SEIGERMAN). Outra forma: seguir o septo lateral até o primeiro ramo, o sensitivo lateral do radial, e daí subir até o tronco.

A variante paratricipital (que poupa o tríceps) trabalha pelos lados do músculo, evita lesá-lo, tem menos risco de desnervar parte do tríceps ou o ancôneo e pode melhorar a função do cotovelo; pode ser estendida para cima, sobretudo pelo lado lateral, mobilizando o radial.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 37-14. Via posterior do úmero distal. A: incisão. B: o intervalo entre as cabeças longa e lateral do tríceps mostra o nervo radial saindo pelo sulco espiral. C: a divisão longitudinal da cabeça medial mostra o periósteo da face posterior. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Via lateral e via anteromedial

Lateral. Da inserção do deltoide ao epicôndilo lateral, pelo intervalo entre o septo intermuscular lateral e o tríceps, em decúbito dorsal ou lateral, podendo subir pela borda anterior do deltoide ou dividindo o tríceps. O radial é achado na gordura junto ao tríceps, quando sai de trás do úmero, e seguido entre o braquial e o braquiorradial (figura 37-15). Liberando o septo, ele é mobilizado e afastado, expondo os dois terços distais. Serve muito para explorar o radial. Na diáfise distal, lateral e posterior deram bons resultados, mas a lateral teve menos complicações.

Anteromedial. Raramente usada para fixar a fratura; dá acesso à artéria braquial e aos nervos mediano e ulnar, e é usada quando eles estão lesados. A incisão segue a borda medial do bíceps até o epicôndilo medial; o ulnar é afastado para posteromedial e o mediano com a artéria para anterolateral; muitos ramos arteriais precisam ser ligados; o septo medial pode ser ressecado em parte, o tríceps é afastado para trás e o coracobraquial para a frente (figura 37-16). A cicatriz fica escondida, mas há estruturas demais para proteger e a extensão proximal é difícil.

Placa: técnica, números e resultados

Cobrança confirmada · 2 questões

Planejamento e posição

Radiografias do úmero inteiro (AP neutro e oblíqua-perfil), medida do comprimento corrigindo a magnificação, estimativa do tamanho da placa e, se o traço chega perto da metáfise, plano B para o segmento curto. Tomografia só se o traço se aproxima da articulação e persiste a dúvida. A fixação dos terços médio e proximal costuma ser feita pela via anterolateral, em cadeira de praia ou decúbito dorsal com mesa de braço; o intensificador pode ficar do outro lado da mesa se o arco alcançar.

Os números da placa

  • Implante clássico: placa DCP estreita de 4,5 mm ou LC-DCP de 4,5 mm (de contato limitado). A DCP larga já foi usada pelos parafusos escalonados, mas no úmero estreito a estreita permite parafusos divergentes com o mesmo efeito; a LC-DCP é mais fácil de moldar, protege mais o periósteo e reduz a proteção de tensões (stress shielding).
  • Pelo menos três a quatro furos de cada lado da fratura; placa de 8 a 10 furos no traço simples; na cominução, placa em ponte sobre toda a área cominuta, mais longa.
  • Sem parafuso de tração: quatro parafusos (oito corticais) acima e abaixo. Com um bom parafuso interfragmentar, três parafusos (seis corticais) de cada lado bastam. Cominução, osso ruim ou má pega pedem placa mais longa e mais parafusos.
  • Traço simples: placa em compressão, pelos furos de compressão dinâmica ou por parafuso de tração. Fratura cominuta: ponte.
  • Placa bloqueada: o primeiro estudo biomecânico não mostrou vantagem sobre a convencional, apesar do custo; os seguintes mostraram desempenho melhor no osso osteoporótico, com dois parafusos bloqueados por segmento bastando. A biomecânica apoia acrescentar 1 ou 2 parafusos bloqueados de cada lado no osso osteopênico ou na cominução.
  • Duas placas de 3,5 mm ortogonais (ou miniplacas bloqueadas): menos volumosas e mais rígidas à rotação, o esforço que mais carrega o úmero (rotação interna e externa do ombro). Num modelo de elementos finitos, a melhor configuração foi uma placa de nove furos anterior e uma de sete furos lateral (KOSMOPOULOS). São mais bem toleradas no paciente magro.
  • Placa periarticular de 3,5 mm bloqueada quando a fratura fica perto da articulação.

Os passos técnicos que a banca gosta: não desperiostizar fragmentos (redução anatômica é preferida, mas não obrigatória, se custar a vascularização); reduzir de forma direta com mínima dissecção e o resto de forma indireta (tração, fixador, distrator); manter a redução com pinça, parafuso interfragmentar ou fio de Kirschner; aplicar a placa antes, como instrumento de redução indireta, se a pinça atrapalhar; fixar a placa num lado com um parafuso, alinhar o outro lado a ela, prender com pinça, conferir e só então completar. Evitar parafusos na zona de cominução. Placa centrada sobre a fratura, com o mesmo número de parafusos dos dois lados. Antes de fechar, conferir redução e comprimento dos parafusos em vários ângulos e registrar a relação do radial com a placa (para a futura retirada).

Falha óssea. Até 2 a 3 cm se resolvem encurtando, porque o braço acomoda; falhas maiores pedem enxerto, de preferência autólogo. A técnica de MASQUELET também serve: cimento na falha e, depois de 6 a 8 semanas, enxerto dentro da membrana induzida, irrigando enquanto o cimento cura para não queimar os nervos vizinhos.

Minifragmentos como auxiliares de redução

O TARO 2024 cobrou a técnica de EGLSEDER: o uso auxiliar de miniplacas para segurar fragmentos (borboletas, cunhas) enquanto se aplica a placa principal. O capítulo não usa esse nome, mas mostra a mesma ideia: na figura 37-17, uma placa de 2,4 mm segura o fragmento em borboleta de uma fratura transversa médio-distal fixada pela via posterior, e o quadro técnico admite miniplacas bloqueadas em configuração dupla.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 37-17. A: fratura transversa da diáfise médio-distal. B, C: fixação com placa convencional pela via posterior; uma placa de 2,4 mm foi usada para o fragmento em borboleta. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Cuidados depois e resultados

Tipoia; com fixação estável, fisioterapia em 2 a 3 dias com ombro e cotovelo conforme a dor. A maioria dos cirurgiões só permite movimento simples por 3 a 4 semanas, mas TINGSTAD não viu diferença de consolidação nem de desvio com carga imediata pelo braço (muletas e andador no politraumatizado), em 83 fraturas, 86% com DCP de 4,5 mm e 94% de consolidação.

Para muitos, a placa é o tratamento cirúrgico de escolha: consolidação acima de 95% na maioria das séries, pouca morbidade do ombro e do cotovelo, retorno rápido, serve na fratura periarticular e na exposta. Complicações pouco frequentes: paralisia radial de 2% a 5%, quase sempre neuropraxia, e infecção de 1% a 2% nas fechadas e 2% a 5% nas expostas. PARIS mostrou o outro lado: 87% de consolidação em 156 pacientes, oito paralisias radiais transitórias, duas infecções profundas, dez revisões, e só 54% com recuperação completa. NIALL teve 96% em 9 semanas; IDOINE, 94,7% em politraumatizados, mas com placas de 3,5 mm e quatro falhas do implante.

Diáfise distal. O segmento curto e o cotovelo difícil complicam: a placa posterior central pode invadir a fossa do olécrano e limitar a fixação distal. Soluções descritas: placa de "cabeça de tíbia" de 4,5 mm modificada (LEVY), placa extra-articular pré-moldada com distal em "taco de hóquei" com uma placa de reconstrução lateral como guia (PRASARN), placa híbrida com furos de 3,5 mm no lado metafisário e de 4,5 mm no diafisário (SPITZER), ou uma única LCP de 4,5 mm com dois parafusos no fragmento distal (KUMAR). A placa posterolateral permite parafusos na coluna lateral (figura 37-19).

Armadilhas da placa e como evitá-las (quadro do capítulo)
ArmadilhaPrevenção
Desperiostização excessivaconhecer a anatomia; dissecção cuidadosa
Redução inaceitávelexposição adequada; intensificador; até 2 a 3 cm de encurtamento são aceitos; enxerto nas falhas maiores; fixar a placa numa ponta para ajudar a reduzir
Fixação instávelDCP de 4,5 mm; mínimo de 3, ideal de 4 parafusos por fragmento; bloqueados nas instáveis à rotação; parafuso de tração quando possível; duas placas de 3,5 mm; incluir os côndilos ou duas placas na diáfise distal
Lesão neurovascular iatrogênicaanatomia; dissecção cuidadosa; hemostasia; identificar e proteger; não afastar demais; evitar cerclagem; cuidado com broca e parafusos da cortical oposta

Placa minimamente invasiva (MIPO)

Cobrança confirmada · 3 questões

A técnica anterior e o musculocutâneo

A MIPO ganhou espaço nas últimas duas décadas, mas está perdendo terreno à medida que as hastes ficam mais disponíveis. No braço, o argumento das incisões pequenas é fraco: duas incisões de 5 cm num fêmur de 40 cm fazem sentido, duas de 10 cm num úmero de 25 cm, nem tanto; os estudos não mostraram superioridade sobre a placa aberta. Os autores não recomendam a MIPO no úmero, salvo para o cirurgião experiente. Antes de indicá-la, confirmar (com tomografia, se preciso) que o traço não chega à metáfise.

A via anterior, a mais usada, serve à fratura do terço médio, com duas janelas (figura 37-20):

  • Proximal: 3 a 5 cm, entre a borda lateral do bíceps proximal e a borda medial do deltoide.
  • Distal: 3 a 5 cm, ao longo da borda lateral do bíceps, 5 cm acima da prega do cotovelo. Identifica-se o intervalo entre bíceps e braquial, com cuidado com o musculocutâneo, e divide-se o braquial na linha média: o musculocutâneo vai com a metade medial, e a metade lateral protege o radial. APIVATTHAKAKUL confirmou em cadáver que o musculocutâneo corre risco na janela distal pequena e recomenda supinação completa do antebraço e abertura suficiente para ver e proteger o nervo.
  • Um túnel extraperiosteal é aberto junto ao osso; a placa (DCP ou LCP de 4,5 mm) é amarrada à ponta do instrumento de tunelização e puxada de uma janela à outra; um parafuso num fragmento principal, redução, um parafuso no outro, conferência e o restante.

A placa lateral (duas ou três janelas, a proximal 3 a 5 cm abaixo do acrômio e a distal entre braquiorradial e braquial, com uma janela média entre bíceps e tríceps, deixando uma camada de músculo entre o radial e a placa) e a posterior (duas janelas, com exploração do radial) também foram descritas, com risco maior ao radial; os autores não as usam.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 37-20. Via anterior para a placa minimamente invasiva. A: as janelas proximal e distal. B: a passagem da placa com o instrumento de tunelização. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

O radial continua perto da placa

O risco mais preocupante da MIPO é o dano neurológico pela placa e pelos parafusos. LIVANI e BELANGERO mediram com ultrassom a distância do radial ao implante em 19 pacientes: 9,3 mm em média nas fraturas médias (1,6 a 19,6) e 4 mm nas distais (1 a 8,1). Em cadáver, a zona de perigo foi calculada em porcentagem do comprimento do úmero, a partir do epicôndilo lateral: 18% a 43% para o musculocutâneo, 36% a 59% para o radial, e os parafusos mais perigosos para o radial ficaram entre 47% e 53%. Um parafuso anteroposterior percutâneo pôs em risco os dois nervos.

As regras que saem daí: não usar MIPO com paralisia radial pré-operatória; não usar afastadores pontiagudos (lesam o radial no lado medial da janela proximal ou no lateral da distal); evitar furar de frente para trás e parafusos bicorticais no terço médio. A fratura transversa precisa ser trazida ao comprimento, ou consolida angulada; e a redução, fácil na via aberta, é difícil fechada.

Resultados. LIVANI e BELANGERO publicaram uma das primeiras séries (15 pacientes, DCP de 4,5 mm, dois parafusos por fragmento, um afrouxamento, uma infecção superficial e uma pseudartrose). As séries seguintes somaram 127 fraturas com 97,6% de consolidação em 13,3 semanas; CONCHA teve 91,5%, dois casos de infecção e três de varo acima de 15 graus, com contratura em flexão do cotovelo. A placa lateral (JI) e a posterior também foram boas.

Haste intramedular

Cobrança confirmada · 5 questões

Anterógrada: entrada, fresagem e bloqueio

Posição: decúbito dorsal ou cadeira de praia, com o braço lesado para fora da mesa e o intensificador do mesmo lado ou do outro (conferir antes se o arco alcança, figura 37-22). O anestesista precisa de extensões para o acesso venoso no braço sadio, que fica preso junto ao tronco.

Entrada: incisão de 2 a 3 cm da borda anterolateral do acrômio para a frente, dividindo o deltoide no sentido das fibras até a bursa e o manguito (figura 37-23). O ponto ideal fica alinhado com o canal no AP e no perfil, no sulco ou na sua borda medial, e a haste deve passar o manguito na porção musculotendínea; o manguito é incisado no sentido das fibras do supraespinal, em 1 a 1,5 cm; ver a cabeça diretamente não é preciso. O furador costuma encostar no acrômio, com leve obliquidade para a cortical medial, e entra 4 a 5 cm na cabeça. Aduzir o braço para alcançar a cabeça costuma falhar (o tórax impede e o deltoide mantém o fragmento abduzido); com acrômio largo, deixar o braço pendente ou puxar a cabeça com gancho. Alternativas para poupar o manguito: entrada lateral abaixo da inserção do manguito (com haste articulada ou rígida), pelo intervalo dos rotadores ou pelo portal de NEVIASER, medial ao acrômio, atrás da acromioclavicular.

Redução e fresagem: tração suave, antebraço em supinação e cotovelo a 90 graus; como o perfil no foco é difícil, usa-se o AP com rotação interna e externa de 45 graus. Fresar 0,5 a 1 mm acima do diâmetro da haste distalmente e 1 a 1,5 mm proximalmente. Começar a fresar com a fresa já dentro da cabeça e parar ainda dentro dela ao retirar; na fratura média ou distal, parar a fresa e empurrá-la manualmente pelo foco, para não enrolar o radial. Lavar o debris da fresagem sob o manguito.

Haste e bloqueio: nunca distrair o foco, nunca deixar a haste saliente na cabeça (a figura 37-26 mostra uma haste que parecia dentro em duas incidências e saía na tomografia) e nunca deixar a haste sem bloqueio. O bloqueio proximal é fácil com o guia acoplado. Para o distal, um parafuso basta na maioria dos padrões; os guias longos não são confiáveis (comprimento, furos estreitos e osso redondo e escorregadio), e a técnica dos autores é aberta: imagem com o furo perfeitamente redondo, incisão sobre ele, dissecção até o osso e broca e parafuso sob visão. Bloqueio anteroposterior distal ameaça o musculocutâneo; o lateral, o radial; o proximal, o axilar. No fim, reparar o manguito.

Pós-operatório: uma dose de antibiótico na indução basta na fratura fechada isolada, e profilaxia de trombose não é necessária; tipoia e movimento de ombro e cotovelo no segundo dia, "até onde a dor deixar"; o politraumatizado pode usar muletas axilares em até 2 semanas; controles a cada 4 a 6 semanas até consolidar.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 37-25. Haste anterógrada numa fratura diafisária proximal. A: o portal com o furador. B: o fio-guia no fragmento distal. C: redução antes de passar a haste. D: a haste no fragmento distal. E: bloqueio proximal. F, G: bloqueio distal à mão livre. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Armadilhas e complicações da haste anterógrada

Armadilhas da haste anterógrada (quadro do capítulo)
ArmadilhaPrevenção
Intensificadorposicionar e testar a imagem antes da antissepsia; sem metal no caminho; se do lado oposto, sem obstáculos (perna da mesa)
Haste sem bloqueio distalse for a opção, usar outra forma de fixação distal (haste expansível)
Desvio rotacionalconferir a rotação antes de bloquear, sobretudo na transversa; bordas do traço e espessura das corticais guiam
Lesão do manguitoponto de entrada correto; incisão de no máximo 1 a 1,5 cm
Parafusos às cegas perto de estruturas nobresvia aberta para os parafusos próximos às partes moles vulneráveis
  • Ombro. Dor e disfunção do ombro são o problema mais comum da haste anterógrada, embora muitos autores achem que a haste não é a única culpada. A haste saliente com impacto no acrômio é erro técnico, não complicação do implante: ela tem de ficar enterrada na cabeça.
  • Parafusos proximais que saem (back-out), pela pega fraca no osso esponjoso da cabeça osteoporótica; algumas hastes têm parafusos bloqueados ou uma cobertura de polietileno nos furos.
  • Rotação. LIN recomenda fazer a haste com o braço na posição de repouso; LI achou mais desvio rotacional com a haste que com a placa.
  • Haste apertada para fugir do bloqueio. Uma haste encravada no canal distal para evitar os parafusos aumenta o risco de fratura na ponta da haste (figura 37-27).
  • Outras: fratura da diáfise e supracondiliana, falha do bloqueio, parafusos longos, necrose da cabeça, quebra da haste, necrose segmentar da diáfise pelo calor e ossificação heterotópica do deltoide (atribuídas à fresagem).
  • Lesão da cabeça longa do bíceps e do axilar: evitar o parafuso proximal anteroposterior que muitas hastes oferecem.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 37-27. Nova fratura na ponta de uma haste "fixa" que foi introduzida apertada demais para evitar o bloqueio distal com parafusos. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Retrógrada: a fratura supracondiliana

Posição: decúbito ventral (preferido, mostra melhor o úmero inteiro) ou lateral, intensificador do lado lesado, apoio que permita 100 a 110 graus de flexão do cotovelo (figura 37-28); nessa posição a rotação já fica correta.

Entrada: incisão de 4 a 5 cm da ponta do olécrano para cima; o tendão do tríceps é dividido de forma romba até a fossa do olécrano (não há estruturas vulneráveis, e a via não tem variantes). O portal, na cortical posterior supracondiliana, é feito com vários furos unidos por osteótomo, com no mínimo 10 mm por 20 a 25 mm, bordas alisadas e o teto proximal rebaixado com broca. Como não há estruturas em risco atrás do úmero distal, fresa-se suavemente o canal distal estreito (de preferência à mão), sempre cuidando do radial se a fratura for média ou distal.

Bloqueio: distal com guia e proximal à mão livre, obrigatório, porque o canal proximal é mais largo que o distal; o bloqueio proximal fica abaixo do colo cirúrgico e é feito por incisão que permita ver o axilar (figura 37-30).

A complicação específica: fratura supracondiliana iatrogênica, na fresagem ou na introdução. Causas: canal distal estreito, osso duro e entrada excêntrica por causa do olécrano. Prevenção: portal grande, rebaixar o teto, fresar à mão o canal distal, fletir o cotovelo além de 100 graus e usar haste não rígida.

O que o capítulo diz da haste em canal estreito e na paralisia radial

O TARO 2006 afirmou que se deve evitar a haste bloqueada com canal menor que 9 mm ou com paralisia radial. O capítulo não traz o limite de 9 mm. O que ele traz: CHENG e LIN recomendaram a retrógrada no canal largo ou no ombro já doente e a anterógrada no jovem ou no canal estreito; a fresagem pode lesar o radial nas fraturas médias e distais; e a contraindicação explícita com paralisia radial pré-operatória é a da MIPO, não a da haste. Nas fraturas com paralisia que vão para cirurgia, a recomendação é explorar o nervo, o que favorece a via aberta.

Placa, haste ou MIPO: o que as comparações mostram

Fundamento

Placa ou haste

Sete ensaios randomizados desde 2000 compararam a haste anterógrada "fixa" com a placa, com resultados divergentes:

  • Equivalência de consolidação e de complicações: CHAPMAN (84 fraturas) e KULKARNI (56).
  • A favor da placa: MCCORMACK (mais complicações com a haste, inclusive impacto no ombro); DENIES, que propôs a placa como método de escolha e a haste para patológicas, obesos mórbidos, osteopênicos e segmentares longas; AKALIN (melhor ombro e menos dor com a placa); a metanálise de HEINEMAN atualizada com PUTTI; KURUP (mais impacto, mais limitação do ombro e mais retirada de material com a haste); DAI (mais complicações do método e do ombro com a haste, mas menos infecção e menos paralisia pós-operatória).
  • A favor da haste: CHANGULANI e FAN (menos sangramento, cirurgia e internação mais curtas, consolidação mais rápida).
  • HEINEMAN também calculou que a haste aumenta em até 74% a chance de revisão e em quase 90% a de impacto no ombro, com revisão de 18% contra 6% e queixa do ombro de 21% contra 1%; retardo e pseudartrose de 11% contra 6%.
  • Uma metanálise de 2022 (fraturas agudas fechadas sem paralisia prévia) não achou diferença de pseudartrose, mas sugeriu mais paralisia radial iatrogênica e consolidação mais lenta com a placa.
  • No banco do American Board (2004 a 2013), 79% das fixações em 2013 eram com placa, sem diferença de pseudartrose e com menos infecção e paralisia no grupo da haste (GOTTSCHALK); a mudança foi atribuída às publicações sobre complicações da haste e ao custo.
  • CHEN, numa coorte do Medicare, achou haste mais rápida, sem diferença de reoperação e de mortalidade em 1 ano; o ombro foi o problema da anterógrada. FLINKKILÄ não achou diferença de ombro entre haste e placa; LI achou ombro pior e mais desvio rotacional com a haste.

Anterógrada ou retrógrada. Evidência fraca. CHENG e LIN (89 fraturas do terço médio, mesma haste): retrógrada com cirurgia mais longa, consolidação igual (95% e 93%), ombro mais lento na anterógrada e cotovelo mais lento na retrógrada. Uma metanálise de 384 pacientes achou menos complicações com a retrógrada e cirurgia mais curta com a anterógrada. A escolha depende da experiência do cirurgião e do nível da fratura.

Placa aberta ou MIPO. As primeiras comparações (AN, OH, KIM) favoreceram a MIPO (menos paralisia, consolidação mais rápida, cirurgia mais curta); WANG achou mais desvio rotacional com a MIPO, sem ganho de função. MIPO contra haste: LIAN (MIPO melhor nas complexas, haste nas simples), BENEGAS (sem diferença de ombro em 1 ano), KULKARNI (nenhuma pseudartrose com MIPO, contra 10 com haste e 5 com placa aberta). Metanálises sugerem vantagem da MIPO, com estudos de qualidade discutível. MATSUNAGA, em ensaio randomizado, achou a MIPO melhor que a órtese no DASH aos 6 meses, na pseudartrose e no desvio coronal.

A preferência dos autores na cirurgia

Jovem ativo que quer voltar cedo ao trabalho e idoso que precisa usar andador são candidatos à cirurgia. A técnica preferida é a redução aberta com placa (algoritmo 37-1): relativamente fácil, permite ver e proteger os nervos e serve ao cirurgião experiente e ao menos experiente. Na fratura patológica, a escolha é a haste bloqueada: rápida, pouco traumática, protege o osso inteiro e facilita a radioterapia no foco.

Fixador externo

No agudo, é procedimento de urgência para salvar o membro ou a vida (controle de danos), mas pode acabar sendo o definitivo, por isso precisa ser bem montado. Indicações: controle de danos no politrauma, fratura exposta grave e pseudartrose infectada; relativas: fratura distal, bilateral, paralisia radial pós-traumática, lesão vascular, queimadura e interposição de partes moles. No geral, é provisório e convertido em placa ou haste assim que possível; SUZUKI converteu em placa até 2 semanas com segurança em politraumatizados com exposta grave.

Técnica: os pinos não podem ser percutâneos no braço, porque a anatomia está alterada e o radial, o ulnar, o mediano e o musculocutâneo correm risco: colocação aberta sempre. De preferência, fixador que não cruza articulação; pinos proximais laterais logo acima da inserção do deltoide (o axilar fica acima); distais por incisão lateral 5 cm acima do epicôndilo, vendo o radial; e cuidado com o ulnar na ponta dos pinos laterais. Dois ou três pinos acima e abaixo; cuidado diário dos pinos.

Resultados: nas séries de casos graves, quase metade teve infecção no trajeto dos pinos, além de refratura depois da retirada, pseudartrose e consolidação viciosa; nas séries de fraturas menos graves (CATAGNI, 84 fraturas), todas consolidaram em 6 meses, com 12% de infecção superficial de pino.

Pseudartrose

Cobrança confirmada · 1 questão

Quanto e por quê

A pseudartrose da diáfise do úmero é relatada em 1% a 10% depois do tratamento sem cirurgia e em 10% a 15% depois da cirurgia. A taxa cirúrgica maior reflete viés de seleção: as fraturas simples ficam na órtese e as difíceis vão para a cirurgia. Por definição, têm mais risco as expostas, segmentares, transversas, muito cominutas, muito desviadas, com perda óssea e as do politraumatizado. Também pesam cigarro, diabetes, anti-inflamatório não hormonal, desnutrição e não adesão, além de rigidez prévia do ombro ou do cotovelo e infecção local. Depois da cirurgia, a pseudartrose costuma ser erro técnico (fixação insuficiente, distração do foco) ou falha mecânica.

Tratamento

A maioria das pseudartroses do úmero é atrófica, então o tratamento precisa de estabilidade mecânica e estímulo biológico. O mais usado é redução aberta com placa e enxerto autólogo:

  • amplo acesso, retirada do material anterior e desbridamento até osso que sangra dos dois lados (figura 37-32);
  • placa forte (DCP de 4,5 mm, larga ou estreita) com quatro parafusos acima e quatro abaixo; com parafuso de tração, três de cada lado;
  • enxerto autólogo da crista ilíaca; a matriz óssea desmineralizada deu 97% de consolidação contra 100% do autólogo (HIERHOLZER) e evita a morbidade da área doadora; aloenxerto intra ou extramedular também funciona; no osteoporótico, BMP e células-tronco com placa e aloenxerto estrutural;
  • o paciente com pseudartrose atrófica deve ser avisado da possível necessidade de autoenxerto, aloenxerto, BMP ou encurtamento se houver falha óssea.

Complicações da placa com enxerto: persistência da pseudartrose em até 20%, infecção de 0% a 10% e paralisia radial transitória de 0% a 18,5%. Uma placa contra duas: 92% de consolidação, sem benefício detectável da segunda placa. A revisão sistemática de PETERS apontou a placa com enxerto autólogo como a melhor opção (maior consolidação, poucas complicações).

Pseudartrose depois de haste. Manter a haste e acrescentar uma placa de compressão (placa de aumento), com ou sem enxerto: a haste divide carga e resiste à flexão e à carga axial, e a placa acrescenta o controle rotacional, já que a instabilidade, sobretudo rotacional, é tida como a causa principal da pseudartrose asséptica do osso com haste. A troca para haste também foi usada, com resultados variáveis: a dinamização não funciona bem no membro superior, nem toda haste tem compressão e a fresagem é discutida no úmero. MARTINEZ e SINGH acharam haste e placa equivalentes na pseudartrose asséptica, com enxerto em todos.

Fixador e outros. O monolateral é pouco popular (anatomia, pinos, radial), mas funcionou com decorticação e enxerto (LAVINI); o de ILIZAROV serve aos três tipos (atrófica, hipertrófica e infectada, figura 37-34). ATALAR não achou diferença entre placa, circular e monolateral. Fíbula intramedular para as difíceis; enxerto vascularizado só nas recalcitrantes. Estimulador elétrico não na pseudartrose instável, infectada ou com deformidade inaceitável.

Infecção

É rara no úmero pela boa vascularização e cobertura de partes moles, e aparece sobretudo depois de exposta ou de cirurgia (tamanho da ferida, desperiostização, fragmentos desvitalizados, tempo de cirurgia). Princípios gerais: diagnóstico, cultura, antibiótico venoso e desbridamento; substituto ósseo com antibiótico deu erradicação em 23 de 25 casos. Fixação estável pode ficar; instável sai e é trocada por fixador externo, provisório ou definitivo. A infecção profunda do úmero não se trata sem cirurgia.

Lesões associadas, exame e imagem

Cobrança confirmada · 1 questão

O que vem junto

  • Luxação do ombro do mesmo lado: rara (13 relatos desde 1990); exige alto índice de suspeita, sobretudo na posterior. A luxação é reduzida na hora, sob anestesia; a fratura pode ser tratada com ou sem cirurgia, com bons resultados (figura 37-5).
  • Fratura da cabeça umeral com a diáfise: rara, associada a mortalidade alta, e quase todos operam (a cabeça consolidada viciosa com imobilização longa incapacita). A preferência dos autores: via anterolateral estendida, parafusos interfragmentários na diáfise, suturas e fios na cabeça, e uma placa periarticular longa com parafusos bloqueados na cabeça (pelo menos 5 mm mais curtos que a superfície articular) e corticais na diáfise. GARNAVOS usou haste com bons resultados.
  • Outras lesões do ombro: a ressonância mostrou alteração em 63,6% (bursite, rotura do manguito, acromioclavicular, fratura do coracoide), o que pode explicar parte da dor atribuída à haste anterógrada.
  • Traumatismo craniano leve: até 30% das fraturas do úmero. Procurar cefaleia, perda de consciência, vômitos e amnésia do evento e encaminhar ao especialista; o paciente sem diagnóstico relata mais dor e fica mais tempo fora do trabalho.
  • Síndrome compartimental: rara (ver anatomia).
  • Cotovelo flutuante: ver acima.

Exame e imagem

O paciente segura o braço com a outra mão e evita mexer ombro e cotovelo; o braço está inchado e deformado. Antes de olhar só o braço, excluir lesões da cabeça, do pescoço, do tórax e do abdome (ATLS no politraumatizado). Inspecionar o braço e a axila atrás de feridas; palpar os pulsos radial e ulnar; examinar o radial (extensão do punho e das metacarpofalângicas, sensibilidade do dorso da mão e dos três primeiros dedos). No paciente inconsciente, registrar que o nervo não pôde ser examinado, nunca escrever "neurovascular íntegro" sem exame.

Radiografias em dois planos a 90 graus, incluindo ombro e cotovelo; quase sempre bastam. Tomografia se houver suspeita de traço articular. Sinais vasculares: oxímetro ou Doppler e, na lesão grave, angiografia (figura 37-7). Ultrassom ajuda a ver a lesão nervosa; a eletroneuromiografia mede a função e a recuperação do nervo e pode ser feita a partir de 6 semanas se os sintomas persistem.

Consolidação. Pelo critério geral, calo em ponte em duas incidências ortogonais ou em três das quatro corticais; para o úmero, SARMIENTO definiu consolidação como ponte óssea entre os fragmentos principais em pelo menos uma radiografia, sem dor no foco. Tomografia só quando a consolidação não progride.

Classificação e escores

AO/OTA (segmento 12): o úmero é o osso 1, dividido em proximal (11), diáfise (12) e distal (13). 12-A simples (dois fragmentos principais), 12-B em cunha (um ou mais fragmentos intermediários, com contato entre os principais depois da redução) e 12-C complexa (mais cominução, sem contato entre os principais). Cada tipo tem três grupos, do "benigno" (1) ao "difícil" (3), e cada grupo três subgrupos pela zona (proximal, média ou distal). É útil em pesquisa, mas complexa, com concordância moderada entre observadores e substancial do mesmo observador.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 37-8. Classificação OTA/AO das fraturas da diáfise do úmero. Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025).

Partes moles: exposta por GUSTILO e ANDERSON (I, ferida puntiforme de dentro para fora em baixa energia; II, maior que 1 cm sem dano extenso; IIIA com cobertura adequada, IIIB com perda de partes moles, desperiostização e osso exposto que precisará de retalho, IIIC com lesão vascular que exige reparo); a classificação da OTA para expostas (pele, músculo, artéria, contaminação e perda óssea, tabela 37-1); e TSCHERNE e GOTZEN para a fechada (graus 0 a III, tabela 37-2).

Escores: DASH (30 itens, 0 a 100, maior é pior; o QuickDASH tem 11 itens e não pode ser calculado com dois itens faltando), considerado superior ao CONSTANT-MURLEY pela confiabilidade no úmero; CONSTANT-MURLEY (100 pontos: dor 15, função 20, amplitude 40 e força 25); ASES do ombro e do cotovelo; e o MEPI do cotovelo, em que a dor pesa mais que função e movimento. Idade, doença psiquiátrica, tipo de seguro, localização da fratura e índice de CHARLSON influenciam os escores relatados pelo paciente.

Situações especiais

Cobrança confirmada · 1 questão

Fratura exposta

Historicamente, SARMIENTO tratou expostas na órtese com ótima consolidação (146 de 155) e sem infecção, e ZAGORSKI tratou 43 (35 por arma de fogo) com exploração, desbridamento, antibiótico, feridas abertas e órtese a partir do segundo ou terceiro dia, com uma pseudartrose. Hoje, para a maioria: graus I e II com irrigação, desbridamento, redução e fixação; grau III operado. Nas graves, placa ou haste com fechamento primário ou cobertura precoce pela cirurgia plástica, ou fixador provisório ou definitivo (figura 37-31). A placa imediata (CONNOLLY, 46 expostas, consolidação em 18,4 semanas) e a haste imediata deram bons resultados, mas a evidência é insuficiente. A exposta perde o hematoma fraturário no desbridamento, por isso costuma ser fixada logo.

Osteoporose

A ideia de que a osteoporose sozinha não atrapalha a consolidação foi questionada. O problema é a pega dos parafusos: a haste, que divide carga, é considerada confiável no idoso, e as placas bloqueadas (ângulo fixo) são vantajosas. Na revisão, placa mais longa com enxerto e órtese de SARMIENTO depois (figura 37-35).

Fratura patológica

Indicação de cirurgia nem sempre clara na lesão sem fratura (mieloma, linfoma, metástase única): sobrevida, local e extensão, origem do tumor e comorbidades decidem. Mas a maioria das lesões extensas, das fraturas iminentes e das patológicas é operada, para estabilizar o osso pelo resto da vida do paciente. Há consenso de que a haste é o tratamento de escolha, porque protege o úmero inteiro (figura 37-36); a fixação fechada permite radioterapia sem medo de deiscência. SARAHRUDI reserva a placa para as metafisárias, a metástase única e o melhor prognóstico. Como a consolidação não é esperada, acrescenta-se cimento nas falhas. Complicações: 8,5% de reoperação e 5,8% de complicações sistêmicas, mais no câncer avançado (JANSSEN).

Fratura periprotética

Cresce com as artroplastias de ombro e cotovelo e com a longevidade. Fatores de risco: erros técnicos na artroplastia primária ou na revisão, fresagem excessiva do canal, artrite reumatoide, osteoporose, revisão e osteólise ou soltura.

  • WRIGHT e COFIELD (ombro): tipo A começa na ponta da haste e sobe; tipo B fica em volta da ponta; tipo C fica abaixo da ponta.
  • O'DRISCOLL e MORREY (cotovelo, classificação da Mayo): I periarticular ou metafisária (côndilos ou olécrano), II na altura da haste, III além da ponta, na diáfise.

Conduta: depende da estabilidade da prótese, do nível e do osso. Com prótese estável, tentar o tratamento sem cirurgia, desviada ou não; operar quando ele falha, o que é mais comum nos tipos B e C do ombro e no III do cotovelo. Prótese solta: revisão com haste mais longa, cimentada ou não, que ultrapasse a fratura em pelo menos dois diâmetros corticais, sem deixar o cimento entrar no foco; em geral com placa lateral e cerclagens. Complicações de até 39%. Na revisão de prótese reversa, 16% de fraturas intraoperatórias, que, bem fixadas, não mudam o resultado.

Epidemiologia e mecanismo

Fundamento

A fratura da diáfise do úmero responde por 1% a 2% de todas as fraturas e 13% a 14% das fraturas do úmero, com incidência de 10 a 20 por 100 mil por ano. A distribuição é bimodal: jovem por alta energia e idoso por queda. Nos homens, dois picos (terceira e décima décadas); nas mulheres, um pico na nona década. Depois dos 60 anos, predomina a mulher, por queda da própria altura (figura 37-2). Projeta-se que o número quase dobre entre 2008 e 2030.

Onde e como quebra. Numa revisão, 15% a 25% no terço proximal (em geral oblíquas), 49% a 64% no terço médio (em geral transversas) e 11% a 35% no terço distal (muitas com lesão do radial); o traço costuma ser simples (56% a 63%). Numa série de 800 fraturas, 47,6% no terço médio, 30,5% no proximal e 21,9% no distal. A queda da própria altura é a causa mais comum, seguida do acidente de trânsito (razão de 9 para 1 nos Estados Unidos e de 3,5 para 1 no Reino Unido); esporte, trabalho, queda de altura, violência e osso patológico somam menos de 10%. Fraturas patológicas (1,3% a 8%) e expostas (1,2% a 5%) são incomuns. Baixa energia na mulher idosa; alta energia no homem jovem, com queda de altura e esporte em 5% a 8%. No trauma mínimo, pensar em osso patológico.

Tendências e controvérsias

Fundamento

O capítulo fecha defendendo que o tratamento funcional continua valioso por três razões: é simples (tala, paciente em casa, sem internação), a anatomia do braço aumenta o risco da cirurgia e não há consenso sobre a hora e as indicações da cirurgia, sobre a haste (anterógrada ou retrógrada, fresada ou não, estática ou dinâmica, fixa ou flexível) e sobre o papel da MIPO, que não serve a todas as fraturas. A tendência é a mobilização precoce e a volta rápida às atividades, com os cirurgiões abandonando a MIPO quando ela não traz benefício claro: muitas vezes, uma via aberta bem feita é mais rápida e mais segura. No futuro, a escolha deve depender mais da fratura (padrão, nível, momento) e do paciente (idade, comorbidades, profissão) do que da preferência do cirurgião.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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