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Sindactilia e polidactilia

Mão e punhoResumo do capítulo35 min de leitura

Falha da apoptose interdigital mediada por BMP; simples, complexa (sinoníquia), complicada, completa e incompleta; 1:2.000, bilateral em 50%, meninos 2:1, família em 10 a 40%; isolada na 3ª comissura (57%) e na 4ª (27%), 1ª e 2ª nas sindrômicas; borda cedo, centrais após 18 meses; um lado do dedo por vez; comissura com retalho dorsal e sem enxerto; BUCK-GRAMCKO; web creep; APERT (UPTON, KELLAM, FGFR2), POLAND e acrossindactilia (PATTERSON 3); pós-axial (A e B, negros, AD de penetrância variável, síndrome no branco), central (anular, bilateral, sinpolidactilia, HOXD13, STELLING e TUREK) e polegar (WASSEL IV, preservar o ulnar, abdutor curto com o colateral radial, BILHAUT-CLOQUET nos I e II simétricos).

Atualizado em 04/11/2026 · 35 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 36 · Deformities of the Hand and Fingers, em Green's Operative Hand Surgery, 7ª edição (2017), com o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., o Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed., e o HEBERT. Autores do capítulo: Simon P. Kay, David B. McCombe e Scott H. Kozin (cap. 36); Scott H. Kozin (cap. 37, Deformities of the Thumb).

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de mão e punho do Green, capítulo 36, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado nos capítulos 36 (Deformities of the Hand and Fingers) e 37 (Deformities of the Thumb) do Green's Operative Hand Surgery, 7ª edição (2017), lidos lado a lado com o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics (6ª ed., cap. 12), o Campbell's Operative Orthopaedics (15ª ed., cap. 85), o Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics (7ª ed., cap. 22) e o HEBERT (cap. 6). O panorama das malformações (SWANSON, OMT, deficiências, sinostose, MADELUNG) está no resumo green8-malformacoes-congenitas; aqui o foco é mais fundo e mais estreito: os dedos que não se separaram e os dedos que sobraram.

Sindactilia e polidactilia dividem o posto de anomalia congênita mais comum da mão (Tachdjian, p. 368), e as bancas voltam sempre aos mesmos pontos. Quatro perguntas organizam tudo:

1. Por que aconteceu? A mão começa como um remo; a membrana some por apoptose. Se a apoptose falha, sindactilia; se a crista apical se divide demais, polidactilia. 2. Qual é a peça típica? A terceira comissura na sindactilia isolada, o mínimo no negro, o polegar no branco, o anular na central, o WASSEL IV no polegar. 3. Quando operar? Dedos de comprimentos diferentes cedo; dedos parecidos depois; dedo pendurado no berçário; polegar perto de 1 ano. 4. Como não estragar? Um lado do dedo por vez, comissura dorsal sem enxerto, polegar ulnar preservado, abdutor curto reinserido.

A embriologia: apoptose interdigital

Cobrança confirmada · 1 questão

O Green (cap. 35, p. 1208) dá o relógio: broto aos 26 dias, dedos totalmente separados aos 52 a 53 dias, embriogênese completa com 8 semanas; a maioria das anomalias do membro superior acontece entre a 4ª e a 8ª semana. O Lovell and Winter (p. 943) situa a diferenciação dos dedos entre a 5ª e a 8ª semana; o Campbell (p. 3667) e o HEBERT põem a separação por volta da 7ª semana.

Como os dedos aparecem? O Green (cap. 36, p. 1217): os dígitos se formam como condensações de mesoderma na placa terminal do broto, e os espaços entre eles se abrem de distal para proximal, até a comissura, por apoptose regulada, dependente da crista ectodérmica apical e de BMP, TGF-beta, FGF e ácido retinoico. O capítulo de embriologia (p. 1208 e 1209) completa: os dedos começam palmados; a falha da apoptose interdigital resulta em sindactilia; as BMP disparam a apoptose do mesênquima interdigital (bloqueá-las impede a separação, e é por isso que o morcego tem asas palmadas); e na APERT o sinal alterado do FGF anula a apoptose mediada por BMP.

O Tachdjian (p. 368) descreve o gatilho: a membrana regride quando as células da periferia param de produzir o fator de manutenção da crista apical. O Lovell and Winter (p. 943) acrescenta que a terceira comissura é normalmente a última a se separar e que ossos, tendões e feixes se separam antes da pele: por isso, na sindactilia simples, há dois dedos completos sob uma pele única.

Os três centros do broto estão no resumo green8-malformacoes-congenitas; esta tabela só liga cada eixo ao tema.

Os eixos do broto e este tema (Green, cap. 35, p. 1209 e 1210; Tachdjian, p. 358)
CentroEixoMoléculaLigação com o tema
crista ectodérmica apicalproximodistalFGFa membrana regride quando cessa o fator que a mantém; na polidactilia, a crista se divide demais
zona de atividade polarizadoraradioulnar (pré e pós-axial)sonic hedgehogZPA na borda anterior = mão em espelho; o Campbell (p. 3659) liga a pré-axial à via do sonic hedgehog
centro WntdorsoventralWnt, Lmx-1unha e polpa; não é o eixo da sindactilia

Para a polidactilia, o Tachdjian (p. 358) dá a imagem: não é excesso de substrato, e sim um aumento da partição da crista apical; e os genes HOX estão alterados na sinpolidactilia, que o Green (p. 1234) liga ao HOXD13.

Os tipos de sindactilia

Cobrança confirmada · 1 questão

A classificação tem dois eixos independentes: até onde vai a união e o que está unido (Green, cap. 36, p. 1217).

  • Completa: até a ponta. Incompleta: para entre a comissura e a ponta.
  • Simples: só partes moles; articulações normais, tendões independentes, feixes normais (a bifurcação pode ser distal).
  • Complexa: anomalia esquelética, em geral fusão lado a lado do tufo distal, refletida numa sinoníquia com perda da prega paroniquial.
  • Complicada: falanges ou dedos acessórios interpostos; formas atípicas, sindrômicas (Green, p. 1232). O termo é de DOBYNS, que incluiu a polidactilia, as coalizões extensas e os elementos transversos (Tachdjian, p. 369).
  • Acrossindactilia: pontas fundidas com fenestrações proximais. O Tachdjian reserva o termo à banda congênita (STREETER), por ser lesão fetal traumática, não falha de formação.
  • Braquissindactilia: sindactilia com dedos curtos (Campbell, p. 3667).

O Green (p. 1217) lembra que anomalias de tendões e feixes aumentam com a complexidade.

A classificação da sindactilia (Green, p. 1217 e 1232; Tachdjian, p. 369; Campbell, p. 3667)
TermoDefinePistaExemplo
completamembrana até a pontaunhas lado a ladomédio-anular até a ponta
incompletamembrana antes da pontacomissura distalaté a falange média
simplessó pele e partes molesmovimento diferencial, sem pontefamiliar da 3ª comissura
complexaponte óssea, em geral distalsinoníquiafusão dos tufos
complicada (DOBYNS)ossos acessórios ou transversos; síndromeselementos fora de posiçãoAPERT, sinpolidactilia
acrossindactiliapontas fundidas, seio proximaljanela, anéisbanda (PATTERSON 3)

Duas armadilhas. Sinoníquia não é sinônimo de complexa: o Tachdjian (p. 368) diz que a unha fundida é um sinal clínico útil da fusão do tufo, porque unha e tufo têm a mesma origem ectodérmica; mas o Campbell (p. 3667) lembra que os dedos podem só compartilhar uma unha. Sem ponte óssea na radiografia, a sindactilia é simples, e a unha única se descreve à parte: completa e simples, com sinoníquia. E completa e complexa medem coisas diferentes: membrana até a ponta sem fusão nem falange acessória é simples e completa.

Quem tem e qual comissura

Cobrança confirmada · 5 questões

O Green (p. 1217) dá o pacote: isolada em cerca de 1 em 2.000, bilateral em 50%, história familiar em 10 a 40% (autossômica dominante), e a expressividade variável com penetrância incompleta explica o predomínio masculino (2:1). Os outros livros mudam detalhes:

Epidemiologia da sindactilia em cada livro
DadoGreen (p. 1217)Tachdjian (p. 369)Campbell (p. 3667)Lovell and Winter (p. 943)HEBERT
incidência1:2.0001:2.0001:2.000 a 3.0001:2.000 a 2.5001:2.000
ladobilateral 50%bilateral = unilateralbilateral em metadebilateral em até 50%"normalmente bilateral"
sexomasculino 2:1meninos 2 vezesmeninosmeninosmasculino
família10 a 40%, AD15 a 40%, AD; familiares mais complexas40% (FLATT)parente com forma leve é comum10 a 40%, AD
raça10 vezes mais em brancosmais em brancos

A comissura é o número mais cobrado. Green (p. 1217): na isolada, médio-anular (3ª) em 57%, anular-mínimo (4ª) em 27%; polegar-indicador e indicador-médio são as menos comuns. Nas sindrômicas, polegar-indicador e indicador-médio ficam relativamente mais frequentes. O Tachdjian (p. 369) atribui a raridade da primeira à sua separação mais precoce na vida fetal; o HEBERT, ao fato de os dedos com maior diferença de tamanho se separarem cedo. A sindactilia completa da primeira comissura é menos de 10% das isoladas (Tachdjian, p. 376).

Ordem das comissuras na sindactilia isolada
Livro1º2º3º4º
Green (p. 1217)3ª, 57%4ª, 27%1ª e 2ª, as menos comuns
Tachdjian (p. 369)3ª, "de longe"1ª, a mais rara
Campbell (p. 3667)3ª, mais de 50%4ª2ª1ª
Lovell and Winter (p. 943)3ª4ª2ª1ª
HEBERT3ª2ª (indicador-médio)4ª1ª, muito rara

A ordem segura é 3ª > 4ª > 2ª > 1ª; o HEBERT inverte a segunda e a quarta. Os distratores são sempre os mesmos números deslocados: 80% bilateral, 4:1, família em mais de 60% ou 90%, 1 em 100, 57% na quarta, bilateral em 25%, sindrômicas poupando a 1ª e a 2ª.

Antes de operar: o que há por baixo da pele

Cobrança confirmada · 1 questão

O Green (p. 1217) resume o problema: a pele dos dedos unidos não basta para cobrir cada dedo separado, e uma fáscia lateral espessada atravessa a futura comissura. O Tachdjian (p. 368 e 369) detalha:

  • pele e subcutâneo normais em qualidade: falta quantidade (há quem desengordure e quem não, para não afinar o dedo adulto);
  • CLELAND e GRAYSON coalescidos e espessados; fáscia palmar mais extensa na primeira comissura;
  • tendões normais na forma cutânea, muito alterados nas acrocefalossindactilias;
  • nervos e vasos normais, com um conjunto completo para cada dedo na cutânea; nas complexas, bifurcação distal ou um único vaso para os dois dedos (APERT, fenda).

O exame (Green, p. 1217) vê comissura, extensão, unha e anomalias; falta de movimento diferencial sugere fusão óssea ou dedo escondido; examinam-se o membro todo, a mão oposta, a parede torácica e os pés. A radiografia mostra fusão e sinpolidactilia oculta; ultrassonografia ou ressonância ajudam nos complexos. Mas o Tachdjian (p. 369) avisa que a radiografia do lactente engana: falso-negativo para coalizões, falanges delta, duplicações e sinfalangismo, e falso-positivo de articulação. Arteriografia não tem lugar na simples.

Quando não operar (Green, p. 1218): incompleta leve sem prejuízo funcional, contraindicação clínica, e complexas em que separar pioraria a função (braquissindactilia central, sinpolidactilia). O Lovell and Winter (p. 945) acrescenta que a incompleta que não passa da interfalângica proximal não limita a função.

Quando operar: o comprimento dos dedos

Cobrança confirmada · 4 questões

A sindactilia da primeira comissura prejudica a preensão e a pinça; as outras limitam a abdução e a envergadura (Green, p. 1218). O que manda na época é outra coisa: entre dedos de comprimentos diferentes, o mais longo fica preso, desvia em direção ao mais curto e desenvolve contratura em flexão da interfalângica proximal que progride com o crescimento. O Campbell (p. 3667) diz que, na anular-mínimo e na polegar-indicador, flexão, desvio e rotação aparecem já no primeiro ano; nas centrais, devagar.

Daí a regra: dedos de borda cedo, centrais de comprimento parecido depois. Esperar ajuda: a mão dobra de tamanho nos três primeiros anos e a cicatriz do lactente não perdoa erro de desenho (Tachdjian, p. 369); FLATT e GER tiveram melhores resultados após 18 meses (Green, p. 1218); e operar cedo aumenta a migração distal da comissura, risco que o Campbell (p. 3668) aceita só quando a deformidade dos dedos desiguais ameaça.

A época da separação em cada livro
SituaçãoGreen (p. 1218, 1219, 1232)Tachdjian (p. 308, 369)Campbell (p. 3667, 3668)Lovell and Winter (p. 946)HEBERT
borda (polegar-indicador, anular-mínimo)"primeiros meses de vida"após 6 meses e antes de 1 ano6 a 12 mesesantes das centraiscerca de 12 meses
complexa com ossos transversosse o desvio progridesegunda metade do 1º ano6 a 12 meses se dedos desiguais
centrais (2ª e 3ª)podem esperar; melhor após 18 meses12 a 18 mesesao menos 18 mesescerca de 12 meses; 18 meses dá menos cicatrizcerca de 18 meses
metatudo até a idade escolarantes da idade escolarterminar até 24 meses

O Lovell and Winter (p. 946) acrescenta que, depois dos 6 meses, o risco anestésico é igual em toda a infância e que a separação neonatal teve mais complicações.

Como as provas cobraram: a primeira comissura apareceu como "6 meses" (IAUPE 2025), "3 a 6 meses" (INTO 2026) e "3 a 6 meses, pelos autores do Green" (SIMÃO 2022); em todas, a ideia é que é a que se opera mais cedo. A terceira apareceu como "18 a 24 meses" (INTO 2023), de acordo com o Green, o Campbell e o HEBERT. O SIMÃO 2026 deu um lactente de 5 meses com sindactilia anular-mínimo e o anular já desviando: borda, dedos desiguais, deformidade em instalação, separar por volta dos 6 meses; os distratores aplicavam a regra da terceira comissura ou liberavam os dois lados do anular juntos. A PUC-SP 2023 só tinha uma afirmação sustentada: segunda ou terceira comissura entre 18 e 24 meses.

Como separar: os princípios

Cobrança confirmada · 2 questões

O Tachdjian (p. 370) avisa que "simples" é um nome infeliz: a operação não é para novato, e as complicações, quase sempre do desenho ruim, do fechamento apertado e da necrose de retalho ou enxerto, são difíceis de consertar. O Green (p. 1222) diz que a cirurgia exige planejamento tridimensional e fechamento meticuloso.

Um lado do dedo de cada vez

A regra mais cobrada (Green, p. 1219 e 1232): só um lado de um dedo se libera de cada vez, para não comprometer a circulação. O motivo: a bifurcação da artéria digital comum costuma ser distal à nova comissura, e muitas vezes é preciso ligar uma artéria digital própria; cada dedo precisa manter ao menos uma (Green, p. 1221). O Lovell and Winter (p. 949) diz que esse axioma evita a complicação mais temida, o dedo avascular; o Campbell (p. 3668) chama a liberação dos dois lados de contraindicada.

Na sindactilia de todas as comissuras, o Green (p. 1219) faz dois tempos: primeiro polegar-indicador e médio-anular (1ª e 3ª); três meses depois, indicador-médio e anular-mínimo (2ª e 4ª); o primeiro tempo pode soltar as pontas fundidas de todos. O Lovell and Winter (p. 946) usa a mesma dupla na acrossindactilia, com 3 a 6 meses; o Campbell libera a borda primeiro e espera 6 meses; o HEBERT fala em seis meses.

A comissura: retalho dorsal, sem enxerto

A comissura normal desce 45 graus de dorsal para palmar, da cabeça dos metacarpos ao meio da falange proximal; a 2ª e a 4ª são mais largas que a 3ª (Green, p. 1217). O HEBERT dá cerca de 40 graus e a abdução normal mínima: 35 graus entre os dedos longos e 70 entre polegar e indicador.

Reconstrói-se com retalho local, e o mais usado é o retalho dorsal retangular de base proximal (Green, p. 1219). O porquê vem de LITTLER e HENTZ (Tachdjian, p. 370): a pele da comissura tem qualidade de pele dorsal, e o retalho deve ser longo para entrar um pouco na palma, tirando a cicatriz da aresta. E a regra final (Green, p. 1232): a comissura deve ser livre de enxerto; o enxerto vai nas faces laterais. O retalho tem nomes: BAUER (Lovell and Winter, p. 947: da metacarpofalângica a dois terços do caminho até a interfalângica proximal); BARABAS e PICKFORD, modificando BAUER e FLATT (Campbell, p. 3671: das cabeças dos metacarpos a dois terços da falange proximal); FLATT (HEBERT: dorsal de base larga, suturado em incisão palmar transversal). No Green (p. 1223), o retalho tem forma de ampulheta.

Alternativas (Green, p. 1219): trapezoide, com asas, ilha dorsal em V-Y, triângulos opostos; na incompleta, zetaplastia simples, de quatro retalhos ou borboleta (duplo Z oposto, de OSTROWSKI pelo HEBERT). A incompleta engana: falta pele proximal depois de feita a comissura. O Campbell (p. 3669) compara: retalho dorsal retangular com 3% de revisão contra 63% dos triangulares.

As regras da separação
RegraPor quêFonte
um lado do dedo por vezligar uma artéria própria; cada dedo precisa de umaGreen, p. 1219 e 1221; Campbell, p. 3668
dois tempos: 1ª e 3ª, depois 2ª e 4ª, com 3 mesesnunca comissuras consecutivas juntasGreen, p. 1219
retalho dorsal de base proximala pele da comissura é dorsalGreen, p. 1219; Tachdjian, p. 370
comissura sem enxertoenxerto retrai e puxa a comissuraGreen, p. 1232
zigue-zague (CRONIN)cicatriz reta retrai e flexionaGreen, p. 1220
enxerto de pele total nas lateraisdois círculos não cabem numa elipse; a parcial retraiTachdjian, p. 371; Green, p. 1221
fechamento sem tensãoevita deiscência e necroseGreen, p. 1223
prega paroniquial (BUCK-GRAMCKO)evita unha em bicoGreen, p. 1221

Separar e cobrir

O desenho de CRONIN, com triângulos palmares e dorsais em zigue-zague casado, é a base da maioria das técnicas (Green, p. 1220); há variações para cobrir um dedo inteiro com retalhos, incisões retas com enxerto, fechamento direto após desengordurar e o "dedo aberto" de SOMMERLAD, pouco aceito. O déficit de pele é geométrico: a pele de dois dedos juntos não cobre os dois separados (Tachdjian, p. 371; Campbell, p. 3669). Por isso o enxerto de pele total, preferido ao parcial porque retrai menos. Doadoras: virilha, fossa antecubital, hipotênar, punho; o Green prefere a face medial do braço (menos pelos e pigmento), o Tachdjian (p. 374) o punho volar. Na dissecção, a artéria que bifurca distal se liga (em geral a menor; na dúvida, pinças microvasculares e torniquete solto); o nervo se divide por dissecção interfascicular (Green, p. 1221 e 1226).

A polpa e a unha: BUCK-GRAMCKO

Na completa com fusão distal é preciso formar a prega paroniquial. A técnica de BUCK-GRAMCKO (Green, p. 1221) usa retalhos triangulares longos e estreitos, de base lateral, do hiponíquio da massa conjunta, dobrados para formar a prega ungueal lateral. Alternativas: retalho de polpa, retalho tenar (segundo tempo, risco de contratura) ou enxerto composto do dedo do pé. O Tachdjian (p. 375) chama a técnica de "retalho estilete" e avisa que osso exposto coberto por enxerto fino dá unha deformada e dolorosa. O Campbell (p. 3670) cita melhor aparência com BUCK-GRAMCKO do que com enxerto.

O curativo faz parte da operação (Green, p. 1226): compressão suave nos enxertos, gesso acima do cotovelo com flexão de 90 graus, retirada em 3 semanas, luva compressiva por até 3 meses.

A primeira comissura

Cobrança confirmada · 1 questão

A sindactilia polegar-indicador é mais comum nas síndromes (APERT), vem com deformidade do polegar e prejudica a função mais que as outras (Green, p. 1220). Para o Tachdjian (p. 375), nenhuma cirurgia congênita da mão dá mais ganho funcional que reconstruir essa comissura.

A primeira comissura por gravidade (Green, p. 1220; Tachdjian, p. 376 e 377)
GravidadeOpções
leve a moderadazetaplastia de quatro retalhos; transposição do indicador; V-Y
cutânea mais completaretalho dorsal com enxertos; liberar fáscia e interósseos, raramente a carpometacarpal
gravepele do dorso da mão (expansão prévia ou rotação e avanço)
extrema (síndromes)pediculados (radial do antebraço) ou livres (inguinal)

Assim, a sindactilia completa da primeira comissura precisa de cirurgia e, em geral, de retalhos do dorso da mão, pediculados do antebraço ou microcirúrgicos. O ligamento de VICKERS é da deformidade de MADELUNG.

As complicações

Relevância clínica

O Green (p. 1223) separa:

  • precoces: comprometimento vascular, infecção, deiscência e perda do enxerto;
  • tardias: web creep (a comissura puxada para distal pela cicatriz), contraturas das interfalângicas por cicatriz palmar, unha em bico e instabilidade depois das complexas.

O web creep tem quatro causas (Green, p. 1223): cicatriz longitudinal na base do dedo, perda de enxerto com cicatrização por segunda intenção, enxerto de pele parcial e deiscência do retalho. O Campbell (p. 3670) soma a idade (antes de 18 meses); o Tachdjian (p. 371) diz que o desenho ruim pesa muito mais que o "enxerto que não cresce", e cita web creep significativo em 8% numa série de 5 anos (p. 378).

Frequência das complicações nos livros
ComplicaçãoO que dizem
deformidade cicatriciala mais comum (Campbell, p. 3670)
web creepcomum com o crescimento (Lovell and Winter, p. 949); 8% (Tachdjian, p. 378)
contratura e necrose de retalho"mais comuns" (Lovell and Winter, p. 949)
infecçãorara (Lovell and Winter); 1,6%, complicações gerais em torno de 2% (Campbell)
queloideraro, ligado a dedo previamente aumentado (Lovell and Winter)
dedo avascularquase nunca, se só um lado é operado; a mais catastrófica (Campbell)

Nas complexas, deformidades rotacionais e angulares e problemas das paredes da unha são comuns, e alguns dedos ficam melhor sem separar (Tachdjian, p. 378); o resultado depende da fusão óssea (Green, p. 1232).

Acrossindactilia e banda de constrição

Cobrança confirmada · 2 questões

A acrossindactilia é a sindactilia com fenestração proximal à fusão distal, típica da banda de constrição; é bilateral em 50% e tem dedos ausentes em 50% (Green, p. 1227). O seio costuma ficar distal à comissura normal. Não é falha de formação: o Lovell and Winter (p. 943) a chama de disrupção, e o Green (p. 1255) lembra que a banda é deficiência transversal com estruturas proximais quase normais (o que permite, por exemplo, transferir um dedo do pé), ao contrário da deficiência longitudinal.

Classificação de PATTERSON (Green, Tabela 36.8, p. 1256)
TipoDescrição
1anel simples
2anel com deformidade distal, com ou sem linfedema
3anel com fusão distal: acrossindactilia (I pontas unidas; II comissuras distais; III sem comissura, complexa com seio)
4amputação

O tratamento (Green, p. 1256 e 1257):

  • membro ameaçado: liberação rara; a fetoscopia tem risco de aborto de 6 a 10%;
  • paralisia de nervo sob o anel, presente desde o nascimento: há sucesso relatado com descompressão, mas também casos com pouca continuidade e nenhuma melhora, e a exploração já mostrou ausência do nervo distal;
  • anel: excisão com Z ou W-plastia; a excisão circunferencial completa é segura, exceto em dois anéis muito próximos, liberados um de cada vez;
  • acrossindactilia: separa-se pelos princípios da sindactilia; como os dedos unidos têm comprimentos diferentes, soltar cedo a ponte distal basta para tirar a tração, e a comissura fica para depois (Green, p. 1227 e 1257).

A UFG 2017 cobrou a definição da acrossindactilia; os distratores vêm do mesmo capítulo do Green: clinodactilia é angulação no plano radioulnar, distal à metacarpofalângica (p. 1270); braquidactilia é o dedo curto com elementos presentes mas reduzidos (p. 1238); macrodactilia é o dedo desproporcionalmente grande, em geral com lipofibromatose do nervo (p. 1275).

A mão de APERT

Cobrança confirmada · 1 questão

A síndrome

A APERT junta craniossinostose bicoronal, hipoplasia mediofacial e sindactilia complexa grave das mãos e dos pés, por mutação do FGFR2 no cromossomo 10q (Green, p. 1227 e 1228). O Tachdjian (p. 390 e 391): a mais comum das acrocefalossindactilias; dita autossômica dominante, mas quase sempre mutação nova; cerca de 1 em 100.000. O HEBERT: 1/100.000 a 1/160.000, mais em asiáticos, idade paterna avançada, diferencial com CARPENTER, PFEIFFER e CROUZON.

A APERT fora da sindactilia das mãos e dos pés
RegiãoAlteraçãoFonte
crâniosuturas coronais (e muitas vezes lambdoides) fechadas cedo; crânio alto; braquicefaliaGreen, p. 1227; Tachdjian, p. 391; HEBERT
órbitasórbitas rasas, exoftalmo; hipertelorismoTachdjian, p. 391; HEBERT
face e bocamaxila hipoplásica, nariz em bico de papagaio, palato alto (às vezes fenda), apinhamento dentário, cáries e abscessos; obstrução de via aéreaTachdjian, p. 391; HEBERT
ombrotubérculo maior grande, cabeça medial e glenoide inferior hipoplásicas, acrômio proeminente; perda progressiva de abduçãoGreen, p. 1228; Tachdjian, p. 392
cotoveloanomalias radiocapitelaresGreen, p. 1228
carpocoalizão capitato-hamato; sinostose do 4º e 5º metacarposGreen, p. 1228
intelectodeficiência mental comumHEBERT

Há divergência: o Tachdjian diz que, fora o musculoesquelético, não há outras alterações; o HEBERT descreve deficiência mental e problemas de fala.

A mão

O Green (p. 1228): sindactilia complexa do indicador, médio e anular, simples entre anular e mínimo, primeira comissura variável agravada pela clinodactilia radial do polegar; interfalângicas rígidas; nas graves, a mão em botão de rosa; paroníquias; capitato-hamato e sinostose 4º-5º metacarpos, que impede o mínimo de se opor; e gravidade da mão inversa à da face. O Tachdjian (p. 392) acrescenta a falange proximal do polegar em delta, o sinfalangismo e o quinto raio como o mais normal. É a resposta do SIMÃO 2023: fusão dos dedos centrais, com polegar e mínimo podendo estar envolvidos.

Classificação da mão de APERT (UPTON; Green, Tabela 36.1, p. 1228)
TipoApelidoPrimeira comissuraMassa centralQuarta comissura
Iobstetra ou pásimples incompletaplana, boas metacarpofalângicassimples incompleta
IIluva ou colhersimples completacôncava, pontas fundidas, sinoníquiasimples completa
IIIcasco ou botão de rosacomplexa completa, polegar na massaconcha fechada; sinoníquia de todos menos o mínimo; alterações do raio do indicadorsimples, sinostose 4º-5º metacarpos

O HEBERT descreve os mesmos três tipos (pá, colher, casco ou "pata de vaca"); o Tachdjian só fala em pá e colher. A KELLAM (Green, Tabela 36.3, p. 1240) agrupa síndromes pela braquidactilia: a APERT é braquidactilia com sindactilia, com CORNELIA DE LANGE; com polidactilia ficam ELLIS-VAN CREVELD e a orofaciodigital.

O tratamento

Coordenado com a equipe craniofacial; o crânio tem prioridade quando há risco de hipertensão intracraniana (HEBERT). A meta do Green (p. 1228) é separar os dedos e corrigir o polegar antes dos 2 anos; o Tachdjian (p. 392) começa antes de 1 ano, com duas equipes, e quer quase tudo pronto aos 5 anos.

1. Primeira comissura primeiro (Green, p. 1228): pele, fáscia, intrínsecos e cápsula da carpometacarpal, até 45 graus de abdução; zetaplastia, retalho dorsal ou retalho inguinal livre nas graves (p. 1230). 2. Polegar: osteotomia de cunha de abertura com enxerto, que pode vir da sinostose 4-5 (p. 1230); o HEBERT também reposiciona o abdutor curto. 3. Pontas: no botão de rosa, soltar as uniões distais converte a mão em pá (tipo I) e acaba com as paroníquias (p. 1230). 4. Dedos em estágios, nunca os dois lados juntos; incisão reta é aceitável nos dedos rígidos (p. 1231). 5. Mínimo: liberar a sinostose 4-5 com interposição; UPTON adia até os 5 anos (p. 1231).

E ressecar um raio? O Green (p. 1230) admite sacrificar um indicador muito deformado, embora prefira preservar todos; o HEBERT, nos casos mais complexos, reconstrói dois dedos a partir de três, amputando o médio. Como isso é reservado às mãos mais graves, pertence ao tipo III, que já traz as alterações do raio do indicador.

POLAND e as outras associações

Relevância clínica

POLAND (Green, p. 1231) é atribuída à disrupção da artéria subclávia no embrião. Combina ausência de um músculo da cintura (cabeça esternocostal do peitoral maior) com alterações da mão, sem correlação de gravidade entre os componentes: braquidactilia de indicador, médio e anular por falange média curta, hipoplasia e sindactilia simples, completa ou incompleta; no tórax, hipoplasia da mama, falta do peitoral menor e do grande dorsal. O Campbell (p. 3667) descreve o mesmo. É por isso que o exame da sindactilia inclui a parede torácica.

A simbraquidactilia ("dedos curtos e palmados") é esporádica, quase sempre unilateral e pode fazer parte da POLAND; nos dedos bem formados, libera-se a sindactilia sem criar comissura em V (Green, p. 1231). Na epidermólise bolhosa distrófica, a "sindactilia" é cicatricial (pseudossindactilia em casulo, colágeno VII), a primeira comissura é a chave e a reoperação passa de 50% (Green, p. 1231 e 1232).

A sindactilia acompanha polidactilia, clinodactilia, braquidactilia, sinfalangismo e sinostose (Green, p. 1217); o Tachdjian (Box 12.6, p. 370) lista dezenas de síndromes (APERT, CARPENTER, PFEIFFER, SAETHRE-CHOTZEN, trissomias 13 e 21, HOLT-ORAM, POLAND, CORNELIA DE LANGE). Duas associações caíram com números:

  • clinodactilia: na classificação de COONEY (Green, Tabela 36.10, p. 1271), a complexa (osso e partes moles, menos de 45 graus) associa-se à sindactilia; a complexa complicada, à polidactilia ou macrodactilia (detalhes em green-deformidades-dedos);
  • deficiência ulnar (Green, cap. 38, p. 1334): cerca de 90% das mãos com dedos ausentes, 30% com sindactilia e 70% com anomalias do polegar.
Sindactilia nas síndromes que mais caem
CondiçãoSindactiliaFonte
APERTcomplexa do indicador ao anular, simples na 4ªGreen, p. 1228
POLANDsimples dos dedos centrais curtosGreen, p. 1231
bandaacrossindactiliaGreen, p. 1227
sinpolidactiliadedo extra escondido na 3ª comissuraGreen, p. 1234
clinodactilia complexa (COONEY)associadaGreen, p. 1271
deficiência ulnar30% das mãosGreen, p. 1334

A polidactilia: lado e raça

Cobrança confirmada · 1 questão

A raça muda o lado. A pós-axial (mínimo) é dos africanos e afro-americanos; a pré-axial (polegar), dos caucasianos, além de indígenas e asiáticos (Green, p. 1232 e 1304). O Tachdjian (p. 358): 1 em 300 negros e 1 em 3.000 brancos; nos brancos predomina o radial, nos negros o ulnar; e, citando FLATT, no branco o dedo extra pede exame completo, porque se associa a anomalias e síndromes, enquanto a pós-axial do negro raramente se associa.

Os três tipos de polidactilia
Pré-axialPós-axialCentral
quembrancos, indígenas, asiáticosnegros (1:143 no Green; 1:300 no Tachdjian)rara; mais em meninas
ladomaioria unilateralpode ser bilateralfrequentemente bilateral
herançaesporádica; AD com trifalângicoAD de penetrância variávelAD; HOXD13
associaçõesHOLT-ORAM, FANCONI, sindactiliano branco, ELLIS-VAN CREVELDsindactilia, fenda, pés
classificaçãoWASSEL, EZAKIA e B; STELLING e TUREKSTELLING e TUREK modificada

STELLING e TUREK classificaram pelo esqueleto (Tachdjian, p. 358): I sem ligação esquelética; II ligação esquelética a uma falange ou metacarpo alargado ou bífido; III duplicação completa com metacarpo (a mais rara). O Lovell and Winter (p. 949) e o HEBERT aplicam à pós-axial (II = duplicação falangeana sobre cabeça de metacarpo única ou bífida). É o tipo II que a UFG 2021 descreveu.

A polidactilia pós-axial

Cobrança confirmada · 3 questões

O dedo extra é bem desenvolvido (tipo A) ou rudimentar e pedunculado (tipo B) (Green, p. 1233), classificação de TEMTAMY e McKUSICK (Campbell, p. 3666). O Green (p. 1232 e 1234) fixa a frase que vira alternativa correta: é frequentemente autossômica dominante, com penetrância variável; mais comum em afro-americanos (1:143 contra 1:1.339 caucasianos); num caucasiano pode indicar síndrome, como a displasia condroectodérmica (ELLIS-VAN CREVELD), com unhas displásicas.

O Campbell (p. 3666) refina: o tipo A é raro e igual nas raças; o tipo B é 10 vezes mais comum em negros; pais A têm filhos A ou B, pais B só B; em negros não há anomalias graves, em brancos a associação mais comum é a sindactilia. O HEBERT concorda e diz que, ao contrário da pré-axial, a pós-axial costuma ser bilateral.

Tipo B: ligar a base no berçário ou retirar com anestesia local e eletrocautério; o nódulo residual é a complicação mais comum (Green, p. 1233). O Tachdjian (p. 308 e 367) trata a polidactilia flutuante nos primeiros dias, só se o pedículo é estreito; o clipe faz o dedo cair em cerca de 3 semanas; a cicatriz pode doer por neuroma. O Campbell (p. 3666) pesa contra a ligadura: 42% de revisão contra nenhuma com a excisão; o HEBERT prefere a excisão elíptica (a ligadura pode levar 30 dias).

Tipo A: ablação cirúrgica com transferência do colateral ulnar e do abdutor do mínimo para o dedo vizinho (Green, p. 1233), por volta de 1 ano (Campbell) ou entre 12 e 24 meses (HEBERT).

Os distratores da USP vêm de outros capítulos: policização (hipoplasia do polegar), BILHAUT-CLOQUET (polegar simétrico), WASSEL (polegar) e herança recessiva.

A polidactilia central e a sinpolidactilia

Relevância clínica

O anular

A central é um dedo extra dentro da mão e é incomum perto das de borda (Green, p. 1234). A ordem: anular, depois médio, por último indicador. O Tachdjian (p. 359) diz o mesmo: duplicações mais comuns do lado ulnar, a do indicador a mais rara. É a questão mais repetida do tema (SIMÃO 2023, 2024 e 2026; SBCM 2022 e 2023), e a pegadinha é marcar o médio, o dedo "do centro".

O Tachdjian (p. 359 e 360) completa: frequentemente bilateral, autossômica dominante, muitas vezes com sindactilia; central, sindactilia e fenda andam juntas (fenda de um lado, central do outro); pés acometidos. O Campbell (p. 3679): até 55% de história familiar, bilateral, membros inferiores. O Lovell and Winter (p. 949): mais meninas, dedos raramente normais. O HEBERT: a mais rara das polidactilias, mais no sexo feminino, bilateral, e com sindactilia (polissindactilia) afeta a terceira comissura. Daí o SIMÃO 2022: anular e bilateralidade.

A sinpolidactilia e o tratamento

A central pode estar escondida numa sindactilia, a sinpolidactilia; o reconhecimento exige radiografia; a forma do anular com sindactilia é familiar e ligada ao HOXD13 no cromossomo 2 (Green, p. 1234).

Polidactilia central: STELLING e TUREK modificada (Tachdjian, p. 360)
TipoDescrição
Ipartes moles sem ligação esquelética
IIduplicação sobre metacarpo ou falange comum: IIA sem sindactilia; IIB com sindactilia (dedo escondido)
IIIduplicação completa com metacarpo (rara)

O Tachdjian não dá frequências por tipo, mas chama o III de raro; como a central aparece frequentemente com sindactilia, o II (sobretudo o IIB) é a forma habitual. O Campbell (p. 3680) usa a classificação radiográfica de WALL.

O tratamento é um dos mais difíceis da mão congênita (Green, p. 1235 e 1236; Tachdjian, p. 366 e 367):

  • dedo central completo e funcional não precisa sair;
  • isolado com pouco movimento: ressecção do raio, com transposição ou reconstrução do ligamento intermetacarpal;
  • sinpolidactilia: separar e reduzir, mas a cirurgia raramente restaura movimento, a ressecção costuma ser incompleta, várias cirurgias podem ser necessárias e o resultado pode decepcionar; conexões complicadas podem ficar sem separar;
  • o dedo central rígido e insensível é um "parasita funcional"; elementos transversos pedem excisão precoce (Tachdjian);
  • o Campbell (p. 3680) reconstrói até os 6 meses; o HEBERT diz que o resultado é pior que o da sindactilia simples.

O caso do SIMÃO 2026 (sindactilia médio-anular bilateral com esqueleto extra e o pai com os pés acometidos) é sinpolidactilia familiar; correta: resultados menos previsíveis, com rigidez, desvio e novas cirurgias. ELLIS-VAN CREVELD é da pós-axial, e a ligadura só vale para o tipo B. O SIMÃO 2023 cobrou a epidemiologia: a central se associa à sindactilia na maioria dos casos; no Ocidente, a ulnar é mais frequente, a central é bilateral e é familiar.

A duplicação do polegar: WASSEL

Cobrança confirmada · 9 questões

O polegar não é verdadeiramente duplicado: nenhum componente é tão robusto quanto um normal, e o termo "polegar dividido" prepara os pais para um polegar reconstruído mais fino, de comprimento parecido (Green, p. 1305). O Tachdjian (p. 358) manda mostrar isso antes da cirurgia; o Lovell and Winter (p. 956 a 959) chama "duplicação" de termo impróprio; o HEBERT lista a hipoplasia (uma artéria por dedo, músculos anômalos, tendões únicos que se dividem).

A pré-axial é dos caucasianos, mas a maioria é unilateral, esporádica e sem doença sistêmica (Green, p. 1304). O Campbell (p. 3659): 1 em 3.000, via do sonic hedgehog, AD quando há trifalângico, associações raras (HOLT-ORAM, RUBINSTEIN-TAYBI, FANCONI). O HEBERT: associação esquelética em até 50%, com a sindactilia como a mais frequente.

WASSEL (1969), a partir dos casos de FLATT, conta o nível de distal para proximal e alterna bífido (unido proximalmente) e duplicado (separado) (Green, p. 1304).

Classificação de WASSEL (Green, Tabela 37.4, p. 1304; leitura do Campbell e do HEBERT)
TipoGreenLeitura prática
Idistal bífidaepífise comum
IIdistal duplicadacada distal com sua epífise, proximal única
IIIproximal bífidadistal duplicada, proximal incompleta
IVproximal duplicada (a mais comum)distal e proximal duplicadas, cabeça do metacarpo alargada ou bífida
Vmetacarpo bífidocom metacarpo bifurcado
VImetacarpo duplicadoraio inteiro
VIItrifalângicoqualquer nível com polegar trifalângico

Regra para não errar: ímpar é bífido, par é duplicado, subindo de dois em dois (distal, proximal, metacarpo); VII é o trifalângico. O Green (p. 1304) dá duas pistas: pouco movimento na bifurcação do polegar menor sugere tipo ímpar; e uma conexão cartilaginosa achada na cirurgia reclassifica II em I e IV em III. Nas radiografias da USP: distal completa com proximal parcial e metacarpo normal = III; distal e proximal completas com metacarpo normal = IV.

Frequência dos tipos de WASSEL em cada livro
TipoTachdjian, texto (p. 359)Tachdjian, figura (FLATT)Campbell (p. 3659)Lovell and WinterGreen (p. 1304)
I3%2%
II19%15%15%cerca de 20%
III8%6%
IV53%43%47%cerca de 40%cerca de 50%
V12%10%
VI5%4%
VII20%20%cerca de 20%

O segundo lugar muda: o VII pelo Campbell e por FLATT, o II pelo texto do Tachdjian.

O Tachdjian (Box 12.5, p. 359) traz EZAKI (de TEMTAMY e McKUSICK): I = WASSEL I a VI; II oponível com trifalângico (A duplicado = WASSEL VII; B não duplicado); III duplicação não oponível do indicador (mão de cinco dedos). O Campbell cita Rotterdam e Chung, mas WASSEL segue a mais usada; o HEBERT cita as subdivisões do IV de HUNG.

A UFG 2020 escolheu "no tipo II as unhas não são fundidas". Os livros não fazem disso regra: o Green (p. 1305) diz que um I ou II sutil pode ser reconhecido só pela unha alargada; o HEBERT, que no I geralmente há duas unhas, mas pode haver uma. As demais alternativas são falsas pelos livros (o mais comum é o IV; duplicação até o metacarpo é o VI; trifalângico é o VII).

O tratamento do polegar duplicado

Cobrança confirmada · 3 questões

A reconstrução alinha o eixo, estabiliza as articulações, equilibra os motores, dá uma unha sem deformidade e um tamanho suficiente, usando o melhor de cada componente (spare parts); os colaterais são críticos nos tipos que nascem de uma articulação, II, IV e VI (Green, p. 1305). A época: cerca de 1 ano, antes da pinça (Green); 6 a 18 meses (Tachdjian, p. 362); 12 a 18 meses, até 5 anos (Campbell, p. 3660); 1 a 3 anos (HEBERT). Só o polegar de pedículo estreito se liga cedo; a reconstrução quase nunca é uma simples amputação (Tachdjian).

O polegar ulnar e o abdutor curto

Em geral o ulnar é o dominante (Campbell, p. 3659; HEBERT). Se os dois são iguais, preserva-se o ulnar, para manter o colateral ulnar da metacarpofalângica, que resiste à pinça (Green, p. 1307; Tachdjian, p. 362).

O SIMÃO 2024 cobrou os músculos. O Campbell (p. 3660): os intrínsecos de inervação ulnar (adutor, cabeça profunda do flexor curto) inserem no polegar ulnar; os de inervação mediana (abdutor curto, cabeça superficial do flexor curto, oponente) no polegar radial. O HEBERT diz o mesmo. Daí a regra do Green (p. 1309): o abdutor curto insere no polegar radial e deve ser destacado com uma manga osteoperiosteal junto com o colateral radial e reinserido no polegar ulnar, devolvendo estabilidade e abdução. O Tachdjian (p. 366) reinsere o abdutor curto sobre o reparo do colateral radial.

O tratamento por tipo (Green, p. 1305 a 1310; Tachdjian, p. 362 a 366)
TipoConduta
I e II sutis, unha comum, alinhadosnão tratar
I e II assimétricosretirar o menor; transferir o colateral; centralizar o extensor
I e II simétricos e pequenosBILHAUT-CLOQUET ou BAEK
III e IVpreservar o dominante (em geral o ulnar); manga osteoperiosteal com colateral radial e abdutor curto; retirar a faceta da cabeça do metacarpo; centralizar tendões; no III, poupar fise e colateral
V e VImesmos princípios, mais intrínsecos e primeira comissura
VIIcondrodese da articulação menos móvel; on-top-plasty

No WASSEL IV, o que evita o polegar em zigue-zague (Green, p. 1308 e 1309; Tachdjian, p. 363 a 366): colateral radial levantado com manga de periósteo; retirar a faceta radial da cabeça do metacarpo (deixá-la dá protuberância e compromete o colateral); osteotomia se há desvio; centralizar flexor e extensor, que inserem de modo excêntrico; reinserir o abdutor curto; fio de Kirschner e gesso por 4 a 5 semanas (Green) ou 4 a 6 (Tachdjian). Osteotomias angulares ficam para os 6 a 10 anos (Tachdjian, p. 365).

BILHAUT-CLOQUET

É a resposta para dois polegares pequenos e simétricos: ressecção em cunha da parte central do osso e da unha de cada componente e união das bordas restantes, poupando as epífises (Green, p. 1307). O Tachdjian (p. 362): retirar um inteiro deixaria um polegar pequeno e artificial; a ponta fica larga mas funcional, quase sempre com sulco na unha.

A indicação: a maioria abandonou a técnica ou a reserva para duplicações distais simétricas dos tipos I e II (Green, p. 1313); I e talvez II de tamanho quase igual, com unha conjunta (Campbell, p. 3660); o Tachdjian a admite no III verdadeiramente bífido, com interfalângica limitada; o HEBERT diz que foi descrita para os tipos I e II e pode ser usada nos III, IV e V. O Lovell and Winter chama os resultados nos I e II de decepcionantes. Complicações: deformidade da unha e rigidez da interfalângica (Green), lesão fisária e polegar largo (HEBERT, Campbell). A modificação de BAEK é extra-articular, preserva uma fise e serve aos II e III simétricos com unha menor que dois terços da contralateral (Green, p. 1307).

Na USP 2026, a on-top-plasty era o distrator vizinho: ponta melhor de um polegar sobre a base melhor do outro (Green, p. 1310).

Resultados

Bons nos tipos I, II e IV, piores nos III, V, VI e trifalângicos; polegar 25 a 33% mais fino; reoperação de 20 a 25% (Green, p. 1310 e 1313). Desvio de eixo, instabilidade ou tendão desalinhado levam à deformidade em Z; a artrodese ou condrodese é preferida para estabilizar; a protuberância na metacarpofalângica do IV costuma ser a faceta esquecida (Green, p. 1315). O Campbell (p. 3660) dá angulação tardia em até 46% e revisões de 19 a 40%.

Fechamento

Fundamento

A sindactilia é a falha da apoptose interdigital disparada pelas BMP (anulada pelo FGF alterado na APERT). Classifica-se pela extensão (completa, incompleta) e pelo tecido (simples, complexa com sinoníquia, complicada de DOBYNS); a acrossindactilia é da banda, PATTERSON 3. Isolada: 1:2.000, bilateral em 50%, 2:1, família em 10 a 40%, 3ª comissura (57%), depois 4ª (27%); 1ª e 2ª pesam nas sindrômicas. Época pelo comprimento dos dedos: borda cedo, centrais após 18 meses. Técnica: um lado do dedo por vez, dois tempos (1ª e 3ª, depois 2ª e 4ª), retalho dorsal sem enxerto (BAUER, FLATT), CRONIN, pele total, BUCK-GRAMCKO; o web creep é a complicação tardia típica. APERT: FGFR2, UPTON (pá, colher, botão de rosa), primeira comissura primeiro, tudo antes dos 2 anos, KELLAM com sindactilia. POLAND: peitoral esternocostal ausente e sindactilia simples dos centrais curtos.

A polidactilia depende do lado e da raça. Pós-axial: negros, AD de penetrância variável, A com esqueleto e B pendurado; no branco, ELLIS-VAN CREVELD; B se liga ou se excisa, A se resseca transferindo colateral ulnar e abdutor do mínimo. Central: rara, anular, bilateral, AD, sinpolidactilia (HOXD13), resultados ruins. Pré-axial: branco, unilateral, esporádica; WASSEL IV o mais comum; preservar o ulnar; abdutor curto com o colateral radial; BILHAUT-CLOQUET nos I e II simétricos.

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