Orto Questões

Fibrocartilagem triangular e punho ulnar

Mão e punhoResumo do capítulo35 min de leitura

Incisura sigmoide rasa com raio maior que o da cabeça ulnar, plana em 42% (a mais instável), tipo C 30%; FCT de PALMER e WERNER com cinco componentes e quatro funções; radioulnares profundos na fóvea (ligamentum subcruentum); só os 15% periféricos do disco vascularizados; PALMER 1A central, 1B ulnar, 1C distal, 1D radial, 2A a 2E com perfuração a partir da 2C; trampolim positivo com gancho negativo = lesão distal; 1B aguda imobilizada, reparo se persistir ou instabilizar, NAKAMURA na foveal; luxação dorsal em pronação e extensão, estável em supinação, palmar estável em pronação; radioulnares toleram 5 a 7 mm de encurtamento; impacto ulnocarpal e preensão pronada; wafer de 2 a 4 mm; SAUVÉ-KAPANDJI, BOWERS e DARRACH, com coto ulnar instável como risco comum.

Atualizado em 03/11/2026 · 35 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 14 · Distal Radioulnar Joint, em Green's Operative Hand Surgery, 7ª edição (2017), com o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (2026), cap. 74, e o Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (2025), caps. 42 e 43. Autores do capítulo: Brian D. Adams e Fraser J. Leversedge.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de mão e punho do Green, capítulo 14, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado no capítulo 14 (Distal Radioulnar Joint, de ADAMS e LEVERSEDGE) do Green's Operative Hand Surgery, 7ª edição (2017), costurado com o capítulo 17 do mesmo livro (Wrist Arthroscopy, de GEISSLER), com o capítulo 74 (Wrist Disorders) do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição (2026), e com os capítulos 42 e 43 do Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025), para a lesão aguda. As páginas citadas são as impressas.

No punho ulnar convivem, em poucos milímetros, uma articulação que gira (a radioulnar distal, ARUD), uma que carrega peso (a ulnocárpica) e uma estrutura que faz as duas coisas (o complexo da fibrocartilagem triangular, FCT). Quase tudo o que a banca pergunta sai de duas ideias:

  • A ARUD é pouco congruente. O osso não segura a articulação; quem segura são os ligamentos radioulnares, sobretudo as fibras profundas da fóvea. Daí vêm a anatomia, os testes, a luxação, a classificação de FERNANDEZ e as reconstruções.
  • A ulna recebe pouca carga, mas muito sensível ao comprimento. Daí vêm o impacto ulnocarpal, as lesões degenerativas de PALMER, o wafer e o encurtamento da ulna.

A ARUD: um encaixe que o osso não segura

Cobrança confirmada · 3 questões

Curvaturas diferentes

O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 14, p. 479), resolve metade das questões de anatomia numa frase: a ARUD é diartrodial e sinovial, pivô da pronossupinação, e, como os raios de curvatura do rádio e da ulna são diferentes, as partes moles são críticas para guiar e conter a articulação. A incisura sigmoide tem raio de 15 a 19 mm; a cabeça ulnar, de cerca de 10 mm (o raio da incisura é 50 a 100% maior, p. 483 aprox.).

É uma bola pequena numa tigela larga: durante a rotação há rolamento e deslizamento, o rádio desliza para palmar na pronação e para dorsal na supinação, e a translação dorsopalmar em neutro chega a 8 a 9 mm em cadáver. O contato é máximo em neutro (cerca de 60% da superfície); nos extremos de rotação sobram 2 mm de contato nas bordas, menos de 10% da área (p. 483 aprox.). O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 74, p. 3315 e 3316), atribui ao contato articular cerca de 20% da estabilidade e fala em translação de cerca de 1 cm.

As bordas ajudam: a dorsal é aguda; a palmar é arredondada e tem um lábio fibrocartilaginoso (proeminente em 80%, sutil em 18%); perdas pós-traumáticas delas reduzem muito a estabilidade (Green, p. 479).

Os dois planos da incisura

Formato das superfícies da ARUD (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 14, p. 479 e 480)
PlanoTipoFrequênciaImportância
CoronalParalela55%A mais frequente
CoronalOblíqua33%Sem efeito provado no estado natural
CoronalOblíqua reversa33%Encurtar a ulna pode concentrar pressão na borda proximal da incisura
TransversalFace plana42%A mais comum; mais propensa à instabilidade; pior ao reparo só de partes moles
TransversalTipo C30%Segunda mais comum
TransversalRampa de esqui14%Menos comum
TransversalTipo S14%Menos comum

No plano transversal, a incisura subtende cerca de 50 graus, e os quatro tipos vêm do estudo de TOLAT em 50 cadáveres (as porcentagens coronais, como impressas, somam mais de 100%). A incisura plana é a mais comum e a que tem menos contraforte ósseo: numa tigela sem borda, o ligamento faz sozinho todo o trabalho.

Cabeça ulnar, domo e fóvea

A ulna é a unidade estável do antebraço. A cabeça é um cilindro parcial assimétrico de cerca de 130 graus, com pequeno efeito came; a inclinação média da incisura é 8 graus e a da cabeça, 21 graus, descompasso que ajuda a explicar sintomas após encurtar a ulna ou mudar o comprimento do rádio (Green, p. 479 e 480). O domo articula com o disco. Na base do estiloide, no centro geométrico da cabeça, fica a fóvea: concavidade rasa, sem cartilagem, cheia de forames vasculares, principal inserção dos radioulnares e ulnocárpicos. O estiloide projeta 2 a 6 mm além do domo e recebe a bainha do ECU e as inserções secundárias dos radioulnares. A variância ulnar média é -0,9 mm (de -4,2 a 2,3), sem diferença entre os sexos (p. 480).

O complexo da fibrocartilagem triangular

Cobrança confirmada · 3 questões

Cinco componentes e quatro funções

O termo foi cunhado por PALMER e WERNER (Green, cap. 14, p. 480 e 481).

Componentes e funções da FCT (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 14, p. 480 e 481; Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 74, p. 3315 e 3329)
ItemGreen, 7ª ed.Campbell, 15ª ed.
Componentes(1) radioulnares palmar e dorsal; (2) disco articular (fibrocartilagem propriamente dita); (3) assoalho da bainha do ECU; (4) homólogo do menisco ulnocárpico; (5) ulnocárpicos palmaresRadioulnares, colateral ulnar, homólogo do menisco, disco, ulnossemilunares, ulnopiramidais e bainha do ECU
Funções(1) estender a superfície lisa do rádio sobre a cabeça ulnar; (2) transmitir a carga axial pela ulnocárpica, absorvendo-a em parte; (3) conexão forte mas flexível que permite a rotação; (4) sustentar o carpo ulnar por conexões com ulna e rádio(1) conexão radioulnar estável; (2) conexão ulnocárpica estável; (3) transmissão de forças; (4) suspensão do carpo ulnar a partir do rádio; (5) superfície divisória para a fileira proximal
Estabilizador primárioRadioulnares, com as inserções foveais como críticasRadioulnares (o Rockwood, cap. 42, concorda)

Cada função tem uma palavra que a banca troca: a carga passa pela ulnocárpica (não pela ARUD), o carpo sustentado é o ulnar (não o radial), a conexão é flexível (uma ligação rígida travaria a rotação).

Os três ulnocárpicos palmares (Green, p. 481 e 482): ulnopiramidal e ulnossemilunar nascem do radioulnar palmar; o ulnocapitato fica logo palmar aos outros dois, nasce da margem volar da cabeça e vai ao capitato. Como partilham a origem foveal, doenças da fóvea afetam as duas articulações: na artrite reumatoide, a sinovite leva à subluxação radioulnar e à supinação do carpo. O homólogo do menisco é tecido frouxo bem vascularizado, de provável origem sinovial, entre cápsula, disco e piramidal; às vezes esconde o lunopiramidal na artroscopia (p. 482).

Os radioulnares: duas camadas e uma fóvea

São de colágeno lamelar longitudinal (resistem à tração) e têm rica vascularização (cicatrizam). Partem das margens distais palmar e dorsal da incisura, convergem em triângulo e se dividem em dois ramos (Green, cap. 14, p. 481):

  • profundo ou proximal, na fóvea: o ligamentum subcruentum;
  • superficial ou distal, na base e no meio do estiloide.

Daí a clínica: a fratura basilar do estiloide desconecta os superficiais e sugere lesão dos profundos; a da ponta não importa, porque a ponta não tem inserções (p. 489). Aqui os livros divergem: o Campbell (cap. 74, p. 3315) põe as fibras superficiais na ponta do estiloide, junto do colateral ulnar.

Qual ligamento segura o quê? Uma teoria diz que o dorsal contém a ulna em pronação e o palmar em supinação; outra, o inverso. A dupla inserção (fóvea e estiloide) reconcilia as duas: um domina, o outro é contenção secundária, e os dois precisam romper para haver luxação completa. Na prática, as inserções foveais são os estabilizadores críticos (p. 482 e 483).

Vascularização: por que o centro não cicatriza

A FCT é irrigada pelas artérias interóssea anterior (ramos dorsal e palmar para as periferias) e ulnar (área do estiloide e periferia volar ulnar). A penetração vai só aos 15% externos do disco; o centro é praticamente avascular, a Figura 14.7 marca regiões avasculares na inserção radial, e a irrigação periférica cai com a idade. Regra: lesão central quase não cicatriza (desbrida-se), periférica cicatriza bem (repara-se) (Green, cap. 14, p. 483).

Estabilizadores secundários

Estabilizadores da ARUD (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 14, p. 481 e 482)
EstruturaTipoComo estabiliza
Radioulnares (inserção foveal)PrimárioTirante e contraforte com as bordas da incisura
Pronador quadradoSecundário dinâmicoCoapta na pronação ativa e na supinação passiva
ECU e sua bainhaSecundário dinâmicoEm pronação eleva o carpo ulnar e deprime a cabeça; a bainha estabiliza por si
Membrana interósseaSecundárioSem ela não há dissociação completa; feixe oblíquo distal dá estabilidade dorsopalmar
Cápsula da ARUDSecundárioPrega palmar redundante forma bolsa para a cabeça em supinação
Disco articularSecundárioPouco contém a translação

Instabilidade grosseira exige lesão de várias estruturas. A banda central da membrana dá 71% da rigidez longitudinal e impede a migração proximal do rádio. O feixe oblíquo distal (DOB) vai da ulna, perto da borda proximal do pronador quadrado, à cápsula e à borda inferior da incisura; encurtar a ulna proximal ao DOB estabiliza mais (Green, p. 482).

Quanto da carga passa pela ulna

Cerca de 20% da carga do punho passa pela ulna (Green, cap. 14, p. 481; Campbell, p. 3316: 80% rádio e 20% ulna). A fração sobe com desvio ulnar e pronação (até 150%); encurtar a ulna 2,5 mm reduz a 4%; alongar 2,5 mm eleva a 42%; retirar dois terços ou mais do disco reduz a 3%. Sob carga, sobretudo em pronação, a deformação concentra-se na porção radial do disco, o que explica as rupturas traumáticas perto da inserção radial, o lugar da 1A.

O exame do punho ulnar

Cobrança confirmada · 2 questões

Palpação e testes

Dor no recesso mole entre FCU, estiloide e piramidal sugere lesão da FCT; crepitação e perda de rotação que pioram ao comprimir a articulação sugerem artrite da ARUD; tendinite do ECU e lesões lunopiramidais imitam a ARUD (Green, cap. 14, p. 484).

Testes do punho ulnar (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 14, p. 484, 489 e 494; Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 74, p. 3316)
TesteComoO que indica
Sinal da fóveaDor volar ao estiloide, entre FCU e estiloideGreen: 1B, desinserção foveal; Campbell: lesão ulnocárpica
Piano keyPronação total, deprimir a cabeça e soltarHipermobilidade com dor ao soltar; a ulna instável translada dorsal e reduz com o polegar
Ballottement da ARUDTranslação da cabeça em neutro, comparando ladosInstabilidade; o mais preciso num modelo de cadáver
Pisiform boostDeprimir a cabeça e empurrar o pisiforme dorsalmente, em neutroCarga central do disco; impacto ulnocarpal
Press testLevantar da cadeira com as mãosPouco específico: instabilidade ou impacto
Shuck testForçar anteroposterior no lado ulnarInstabilidade

O sinal da fóvea diverge entre os livros. O Green liga a dor volar ao estiloide à 1B, por coincidir com a fóvea (p. 489 e 494); o Campbell diz que indica lesão de ligamento ulnocárpico (p. 3316), e uma tabela de testes do carpo do Rockwood (cap. 43, pág. PDF 1873) o atribui ao ulnopiramidal. Na instabilidade, a translação é normalmente maior em neutro, por isso testa-se nas três posições, comparando lados; na subluxação palmar há o dimple sign dorsal (Green, p. 494).

O capítulo 17 (p. 676 e 677) completa: lesão por extensão e pronação com carga axial, comum em raquete, golfe e na furadeira que trava; periférica = dor difusa, clique, dor ao girar maçaneta, dor no recesso pré-estiloide; central = dor sobre a ulna distal; foveal = subluxação dorsal da cabeça.

Imagem

O PA neutro padroniza a variância (ombro e cotovelo a 90 graus; sulco do ECU radial ao eixo do estiloide); pronação, preensão ou as duas promovem variância positiva; mede-se pelo método das perpendiculares (Green, cap. 14, p. 485). O perfil engana: 10 graus de rotação mascaram a subluxação (MINO). Sugerem instabilidade o estiloide deslocado mais de 2 mm e, nas avulsões foveais, translação radial, encurtamento e deslocamento do estiloide de 4 mm ou mais. O osteófito na margem proximal da cabeça é sinal precoce de artrite. A TC dos dois punhos em neutro, supinação e pronação é o exame mais preciso para instabilidade (p. 486 e 494). Na RM, a lesão aparece como hipersinal em T2 (Figura 14.12, lesão periférica ulnar); a cintilografia serve ao impacto (p. 486 e 487).

O Campbell (p. 3316 e 3317) avisa: a RM tem sensibilidade e especificidade perto de 100%, mas muitos assintomáticos são positivos, sobretudo acima dos 40 anos, e numa série detectou só 35% das lesões foveais; a artroscopia é o padrão-ouro.

Calcificação da FCT na pseudogota

O Green (cap. 56, p. 1906) descreve que, raramente, o pirofosfato de cálcio precipita no túnel do carpo e causa tenossinovite aguda com síndrome do túnel do carpo; as radiografias mostram calcificações no túnel e muitas vezes dentro da FCT; os cristais são romboides, de birrefringência fracamente positiva. A Figura 12.1 (cap. 12, p. 375 aprox.) mostra artrose escafotrapeziotrapezoide com a doença e calcificação na FCT.

A artroscopia do punho ulnar

Cobrança confirmada · 2 questões

Portais

O 3-4 é o portal de visão mais comum (1 cm distal ao tubérculo de LISTER, alinhado à borda radial do médio); o 4-5 é o principal portal de trabalho, um pouco proximal ao 3-4 e alinhado ao anular; o 6-R é de trabalho e o 6-U, de influxo (Green, cap. 17, p. 654). Uma sonda no 4-5 ou 6-R palpa o disco, que deve estar tenso como um trampolim; o recesso pré-estiloide é normal e não deve ser tomado por lesão periférica (p. 655 aprox.).

Campo de visão ulnar dos portais (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 17, eTable 17.1, p. 653.e1)
PortalLado ulnar
1-2FCT mal visualizada
3-4Inserção radial, disco central, inserção ulnar, radioulnares, orifício pisopiramidal, recesso pré-estiloide
4-5O mesmo conjunto completo
6-RO mesmo conjunto completo; também ulnossemilunar e ulnopiramidal
6-UVistas oblíquas da FCT
ARUD volarInserção foveal das fibras profundas

Trampolim e gancho

O Green (cap. 14, p. 487) chama de efeito trampolim a FCT frouxa à palpação, sinal de FCT instável, mas que não estabelece instabilidade da ARUD. O Campbell (cap. 74, p. 3317) detalha os dois testes:

  • Trampolim: sonda no 6R (ou 4-5) comprime a FCT; perda da resiliência = lesão; confiabilidade de cerca de 67%.
  • Gancho: sonda no 6R, dentro do recesso pré-estiloide, puxa a FCT; concordância de cerca de 90%; a FCT só se desloca para o centro da radiocárpica quando o componente proximal está roto ou avulsionado da fóvea.

Segundo ATZEI e LUCHETTI, lesão distal isolada = trampolim positivo e gancho negativo; lesão proximal ou completa = os dois positivos. O trampolim mede a tensão da superfície; o gancho só desloca o disco quando a âncora profunda soltou.

A classificação de PALMER

Cobrança confirmada · 12 questões

Duas famílias

PALMER divide as lesões em traumáticas (classe 1), pela localização, e degenerativas (classe 2), pela gravidade (Green, cap. 14, Tabela 14.1, p. 487; Campbell, Box 74.3, p. 3317, que a atribui a PALMER e WERNER).

PALMER: classe 1, traumática (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 14, Tabela 14.1 e p. 487 a 490; cap. 17, p. 677 a 687)
TipoLesãoDetalheTratamento
1APerfuração central2 a 3 mm ulnar à inserção radial, volar-dorsal, 1 a 2 mm de largura; sem instabilidadeConservador; depois desbridamento artroscópico
1BAvulsão ulnarCom ou sem fratura do estiloide; instabilidade possível; sinal da fóveaImobilização acima do cotovelo; reparo se persistir ou instabilizar
1CAvulsão distal (do carpo)Ulnocárpicos rotos; "sag" volar do carpoConservador salvo instabilidade mecânica
1DAvulsão radialCom ou sem fratura da incisura; um ou os dois radioulnaresRedução da fratura do rádio; reparo ao rebordo se instável

Mnemônico anatômico: A no centro, B na ulna, C embaixo, no carpo, D no rádio. A 1D deve ser reservada às desinserções radiais verdadeiras, que alguns confundiram com reparos de 1A (p. 489). A classificação não guia tratamento nem prognóstico e supõe lesões isoladas, quando várias partes rompem juntas (p. 487).

Pelo Green (p. 487), a maioria das traumáticas vem de rotação aguda do antebraço, carga axial com distração ulnar ou queda com o punho pronado; a maioria das agudas isoladas não exige tratamento precoce; a associação com fratura do rádio é de 13 a 60%, mas os problemas persistentes são bem menos frequentes. O Rockwood (cap. 43, pág. PDF 1824) dá 39 a 82%, a maioria avulsões periféricas com fratura do estiloide, e mostra que os operados evoluem como a história natural.

As quatro traumáticas

  • 1A (Green, p. 489): dor na preensão com desvio ulnar ou rotação, clique, sem instabilidade; nasce onde o disco mais se deforma sob carga.
  • 1B (p. 489): avulsão parcial ou completa das inserções ulnares, com ou sem fratura do estiloide. A fratura da base prediz mais instabilidade que a da haste ou ponta, mas a maioria das fraturas do estiloide não instabiliza; pode haver avulsão completa sem fratura ou só uma lasca da fóvea. Clique costuma faltar; dor volar ao estiloide (sinal da fóvea).
  • 1C (p. 489): lesão dos ulnocárpicos, intrassubstancial ou avulsão do carpo, às vezes com 1B ou lunopiramidal; rara, por ser difícil de diagnosticar; sinal = "sag" volar do carpo, como no caput ulnae da AR. O capítulo 17 (p. 682 e 683) acrescenta dor sobre o pisiforme e possível translocação do carpo ulnar.
  • 1D (p. 489): avulsão do rádio, com ou sem fragmento; frequentemente com fratura do rádio distal, e responde à redução precisa da fratura.

A família degenerativa

Resulta de carga ulnocárpica excessiva crônica, componente do impacto ulnar; mas há degeneração natural: perfurações e condromalácia em 30 a 70% dos cadáveres, menos na variância negativa (Green, cap. 14, p. 487 e 488). O Campbell (p. 3318) cita 60% de lesões do disco em cadáveres de 75 anos, 64% delas sem artrose.

PALMER: classe 2, degenerativa (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 14, Tabela 14.1; cap. 17, p. 687 e 688)
TipoAchadoConduta (cap. 17)
2ADesgaste da FCTEncurtamento da ulna
2BDesgaste + condromalácia do semilunar ou da cabeça ulnarEncurtamento da ulna
2CPerfuração + condromaláciaDesbridamento e wafer artroscópico pelo defeito
2D2C + perfuração do lunopiramidalEncurtamento aberto (tensiona os ulnocárpicos)
2E2D + artrite ulnocárpicaTratar a artrite e o impacto

A escada é cumulativa: a perfuração surge na 2C. Na prática, o envolvimento das estruturas varia em qualquer combinação (Green, p. 488). A perfuração degenerativa costuma ser circular, diferente da traumática longitudinal, e a patologia principal não é o disco, é a ulna longa (cap. 17, p. 687).

Tratamento das lesões traumáticas

Cobrança confirmada · 4 questões

1A: desbridar o centro, preservar a borda

Primeiro conservador (repouso, imobilização, anti-inflamatório, às vezes infiltração); ulna positiva responde pior; se persistir, desbridamento artroscópico, preservando 1 a 2 mm periféricos para não lesar os radioulnares (Green, cap. 14, p. 489). Pelo capítulo 17 (p. 677), artroscópio no 3-4 e faca no 6-R; até dois terços do disco saem sem instabilidade, deixando aro de cerca de 2 mm; ideal em ulna neutra ou negativa. O Campbell (p. 3318) dá cerca de 4 semanas de conservador e, se a ulna for positiva, associa wafer ou encurtamento. Não se sutura a 1A: ela está na zona avascular.

1B: proteger primeiro, reparar quem precisa

A 1B pode progredir, por isso o Green (cap. 14, p. 489 e 490) indica imobilização acima do cotovelo por 4 a 6 semanas, em rotação neutra; a maioria responde; cirurgia para sintomas persistentes ou instabilidade, por reparo artroscópico (transósseo ou capsular) ou aberto nas lesões grosseiramente instáveis ou crônicas com bom tecido. O Campbell (p. 3318) dá 6 semanas. O reparo funciona porque a periferia é vascularizada (cap. 17, p. 678): WHIPPLE prende o disco ao assoalho da bainha do ECU; GEISSLER usa âncora sem nó na fóvea. No reparo aberto (p. 490 e 491), pontos em U da periferia ulnar amarrados sobre o colo da ulna, antebraço neutro, tala a 45 graus para o lado estável; com variância positiva, somar encurtamento da ulna, que descarrega a FCT e tensiona o DOB.

NAKAMURA: a sutura transóssea foveal

O Campbell (cap. 74, p. 3319) descreve a técnica artroscópica de NAKAMURA, com suturas transósseas de fora para dentro, para a desinserção foveal completa ou parcial, em punhos com variância neutra ou negativa (na positiva, o cisalhamento rompe as suturas). A referência: uma linha de um ponto da cortical ulnar 15 mm proximal à ponta do estiloide até a metade ulnar da fibrocartilagem passa pela fóvea. O Green lembra que a artroscopia guia esses reparos transósseos (cap. 14, p. 487) e indica a reinserção foveal quando a ARUD segue instável após reduzir o rádio, sem fratura basistiloide (cap. 15, p. 563 aprox.).

1C e 1D

Na 1C, conservador salvo instabilidade mecânica; há sutura (TRUMBLE), desbridamento e retração térmica (Green, cap. 14, p. 489; cap. 17, p. 683). Na 1D, a redução precisa da fratura do rádio costuma resolver; quando preciso, repara-se o disco ao rebordo raspado até sangrar, para levar vasos do osso; redução aberta para grandes fragmentos deslocados da borda da incisura, e a perda do contraforte volar é particularmente desestabilizante (cap. 14, p. 490).

Instabilidade aguda da ARUD

Relevância clínica

Como luxa e onde fica estável

Por convenção, nomeia-se pela posição da cabeça ulnar (Green, cap. 14, p. 491 e 492). Reconhecida cedo, a redução é fácil, salvo interposição do ECU; depois, testa-se a estabilidade em todo o arco. Dor profunda na membrana e na radioulnar proximal sugere ESSEX-LOPRESTI.

Luxação isolada da ARUD (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 14, p. 491 e 492)
ItemDorsalPalmar
FrequênciaMais comumMenos comum
MecanismoHiperpronação com extensão (queda sobre a mão estendida)Carga axial em supinação ou golpe direto na borda ulnar
Mais estável após reduzirSupinaçãoPronação
FCTRompe quase sempre na ulnaRompe quase sempre na ulna
Estável em rotação aceitávelGesso acima do cotovelo 3 a 4 semanas + curto 2 a 3Idem
Estável só nos extremosFixação radioulnar ou reparo da FCTIdem

Fratura do rádio, encurtamento e coluna ulnar

A fratura do rádio distal é a causa mais frequente de instabilidade, embora ela seja incomum após redução precisa. Os fatores de risco são grande deslocamento inicial e encurtamento radial grave: os radioulnares toleram no máximo 5 a 7 mm; sem fratura da incisura, a FCT rompe na ulna (Green, cap. 14, p. 491). O Campbell (p. 3324): mais de 5 mm implica lesão significativa. O capítulo 15 (p. 559 aprox.): as queixas residuais mais frequentes após fratura consolidada do rádio vêm da coluna ulnar, e toda fratura desviada tem algum envolvimento da ARUD.

Instabilidade após fixar o rádio: imobilizar na posição estável ou fixar a ulna ao rádio com fios de pelo menos 0,062 pol, proximais à ARUD, nas quatro corticais; se grave ou bidirecional, fixar o estiloide ou reparar a FCT (Green, p. 492). Na GALEAZZI, a 1B é quase inevitável e o risco cresce com fratura a até 7,5 cm da articulação; o Rockwood (cap. 42, pág. PDF 1765) usa o mesmo corte e chama de complexas as luxações irredutíveis por interposição do ECU ou do extensor do mínimo.

O estiloide e o shift coronal

FRYKMAN: fratura do estiloide em cerca de 61% das fraturas do rádio; a ponta não se trata; a base, sobretudo desviada, tem mais risco, e sua fixação restaura a estabilidade se a ARUD seguir instável após fixar o rádio (Green, cap. 14, p. 493). O Rockwood (cap. 43, pág. PDF 1850) relativiza: dois ensaios randomizados com placa volar mostraram que o estiloide não reparado, em qualquer nível ou desvio, não afeta a função nem a estabilidade; testa-se a ARUD e fixa-se só se ela seguir instável. O capítulo 15 do Green (p. 562) também nota essa falta de correlação e aponta outro culpado, o shift coronal: só a translação radial foi preditor independente de avulsão foveal (NAKAMURA), e 2 mm de shift produzem instabilidade com DOB íntegro (DY).

FERNANDEZ: as lesões da ARUD

O Green (cap. 15, p. 527) baseia a estabilidade após realinhar o rádio em duas condições: integridade da incisura e continuidade dos radioulnares na fóvea. O Rockwood (cap. 43, pág. PDF 1829) confirma que FERNANDEZ inclui as lesões ulnares, com foco na estabilidade da ARUD.

Lesões da ARUD na fratura do rádio, segundo FERNANDEZ (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 15, p. 527 e 563 aprox.)
TipoDefiniçãoExemplosTratamento
IEstável após reduzir o rádio; inserção foveal intactaAvulsão da ponta do estiloide; fratura estável do colo da ulnaMobilização precoce
IIInstável apesar da boa reduçãoRuptura maciça da FCT; avulsão do estiloide através ou abaixo da fóveaGesso na posição estável (em geral supinação) 4 semanas; fios; reparo da FCT; fixar o basistiloide
IIILesão articularCominuição da incisura ou da cabeça ulnarReduzir e estabilizar; cabeça não fixável: movimento precoce

Instabilidade crônica da ARUD

Cobrança confirmada · 1 questão

Quando o osso é o culpado

Pelo Green (cap. 14, p. 494):

  • angulação dorsal residual acima de 20 a 30 graus aumenta a carga ulnar, gera incongruência, distorce a FCT e se associa a instabilidade palmar;
  • com DOB presente, shift coronal de 2 mm ou mais já prejudica a estabilidade;
  • a perda isolada de comprimento radial raramente tira rotação ou instabiliza, mas dá impacto;
  • as deformidades angulares causam instabilidade grosseira e perda unidirecional de movimento;
  • discrepâncias proximais crônicas (ESSEX-LOPRESTI) dão sintomas no eixo inteiro do antebraço;
  • MADELUNG comporta-se como as pós-traumáticas, mais devagar.

O Campbell (p. 3324) fala em convexidade volar acima de 20 a 30 graus e em instabilidade crônica com deslocamento dorsal da ulna, a mesma situação vista pelo outro osso. A regra terapêutica: partes moles reconstruídas sobre deformidade óssea falham; corrige-se o rádio (que costuma restaurar a incisura) e o comprimento, e um DARRACH sobre consolidação viciosa deixa o coto instável (Green, p. 498 a 500).

Quando o ligamento é o culpado

Sem fratura, após queda ou torção (a furadeira que trava): dor intermitente, fraqueza ao girar com força e, nos graves, clunk doloroso; raramente melhora sozinha (Green, cap. 14, p. 494). Imobilização de 4 a 6 semanas só na leve, baixa demanda. Incisura plana com hipermobilidade bilateral responde menos previsivelmente à reconstrução; em jovens, pode-se aceitar luxações até a maturidade. Sem deformidade nem artrite, o reparo tardio da 1B vale se os radioulnares forem robustos; a pseudartrose sintomática do estiloide pede excisão subperiosteal (p. 494 e 495).

As reconstruções

Indicadas com FCT irreparável e incisura competente (Green, cap. 14, p. 495).

Reconstruções para instabilidade crônica da ARUD (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 14, p. 495 a 498; Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 74, p. 3324 a 3327)
CategoriaTécnicasEstruturaPonto-chave
Amarra radioulnar extrínsecaTethers proximais à articulaçãoTendão ou fitaNão anatômica
Tipoia ulnocárpica ou tenodeseBOYES e BUNNELL; HUI e LINSCHEIDTira de base distal do FCU (ulnocárpicos volares)Aplicáveis quando a instabilidade ulnocárpica é o problema principal; usadas também com DARRACH
Reconstrução dos radioulnaresSCHEKER (só o dorsal); JOHNSTON JONES e SANDERS; ADAMS e BERGER (origem e inserção anatômicas dos dois)Palmar longo (ou tira de FCU) por túneis no rádio e da fóvea ao colo da ulnaA mais anatômica; exige incisura competente

Em ADAMS e BERGER, o enxerto passa por túneis no rádio e da fóvea ao colo da ulna e é amarrado em neutro. Resultados: estabilidade em 12 de 14, 85% de força e movimento; as falhas vieram de defeito da borda palmar e de instabilidade ulnocárpica persistente (Green, p. 496 a 498). O Campbell (p. 3324) cita 95 casos com 90% estáveis em 65 meses e sucesso em 86%. Com incisura deficiente, soma-se a osteoplastia de WALLWORK e BAIN (retalho osteocartilaginoso com enxerto) (Green, p. 498). Divergência: o Campbell cita GUPTA, em cadáver, sugerindo que os ulnocárpicos podem não precisar de reconstrução em todos.

Impacto ulnocarpal

Cobrança confirmada · 4 questões

A ulna longa demais

A ulnocárpica transmite carga por área pequena e degenera fácil: é a síndrome do impacto ulnar (Green, cap. 14, p. 500). A variância positiva adquirida é o fator de risco: +2,5 mm = +42% de carga ulnocárpica, e 40 graus de inclinação dorsal levam a carga ulnar de 21 para 65% (o Campbell, p. 3328, diz 65% com 45 graus). Causas: encurtamento radial por fratura, ESSEX-LOPRESTI, lesão fisária. PALMER achou perfuração em 73% dos punhos neutros ou positivos contra 17% dos negativos (disco mais fino na ulna positiva); a variância sobe 2 mm na preensão, sobretudo pronada. Em risco: cabeça ulnar, semilunar, piramidal e lunopiramidal.

Clínica: dor ulnar que piora com desvio ulnar na preensão com prono-supinação, dor na cabeça ulnar e no piramidal, pisiform boost doloroso (Green, p. 500 e 501). O Campbell (p. 3328) separa o impacto ulnocárpico (dor com desvio ulnar e pronação ou neutro) do ulnoestiloide (desvio ulnar e supinação, comum na pseudartrose antiga do estiloide, tratado por estiloidectomia).

A imagem: PA pronado, preensão ou preensão pronada; em 22 pacientes, a preensão pronada aumentou a variância em média de 2,5 mm (Green, p. 501; o Campbell, p. 3329, credita TOMAINO). Há cistos no semilunar e na cabeça ulnar (Campbell, p. 3329; Figura 14.28 do Green) e captação na cintilografia. Perfuração central com edema subcondral do semilunar é a assinatura do impacto.

Conservador primeiro, depois descarga

A degeneração ulnocárpica é comum e natural: meses de conservador antes; cirurgia sem artrite da ARUD (Green, cap. 14, p. 501):

  • variância negativa ou neutra: desbridamento artroscópico do disco, cartilagens e lunopiramidal;
  • variância positiva estática ou dinâmica: encurtamento (diafisário ou metafisário) ou ressecção parcial distal (wafer).

O encurtamento distal não tensiona os estabilizadores secundários; com instabilidade sutil associada, prefere-se o diafisário. Pelo capítulo 17 (p. 687 e 688): 2A e 2B, encurtamento; 2C, desbridamento e wafer artroscópico; 2D, encurtamento aberto; 2E, tratar a artrite.

Wafer x encurtamento

O wafer de FELDON retira os 2 a 4 mm distais da cabeça ulnar, preserva estiloide e inserções foveais e não deve violar a ARUD (no máximo 3 a 4 mm); aberto ou artroscópico; resultados quase idênticos ao encurtamento, com menos reoperações (no encurtamento, retira-se placa), mas recuperação longa (Green, cap. 14, p. 501). Encurtar a cabeça em 3 mm reduz a força pela ulna em 50% (cap. 17, p. 688). O Campbell (p. 3332) marca a contraindicação: wafer não é indicado na instabilidade da ARUD, na artrite da ARUD ou na instabilidade do carpo.

O encurtamento diafisário, descrito por MILCH em 1941 após COLLES, preserva o domo, não viola articulações e tensiona os ulnocárpicos (e, proximal ao DOB, a cápsula); o preço é que 2 mm já reduzem o contato e aumentam a pressão na ARUD, sobretudo na inclinação oblíqua reversa e na incisura profunda (Green, p. 501 e 502).

Wafer x encurtamento da ulna (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 14, p. 501 a 503; cap. 17, p. 688; Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 74, p. 3332)
AspectoWafer (FELDON)Encurtamento diafisário (CHUN e PALMER)
O que retira2 a 4 mm do domoSegmento da diáfise; alvo variância 0 ou -1 mm (2 a 3 mm nos neutros)
PreservaEstiloide, fóvea, cartilagem da incisuraDomo, ARUD e ulnocárpica
EstabilidadeNão tensiona; contraindicado na instabilidadeTensiona ulnocárpicos e cápsula
FixaçãoNenhumaPlaca 3,5 mm de 6 a 7 furos, corte oblíquo a 45 graus, parafuso interfragmentar
ProblemasRecuperação longaRetardo de consolidação; retirada de placa
ResultadosQuase idênticos88% bons ou excelentes; 1% de pseudartrose

Artrite da ARUD e salvamentos

Cobrança confirmada · 5 questões

Diferenciar do impacto

A artrite da ARUD é pós-traumática, inflamatória ou artrose, raramente por instabilidade antiga; dói à rotação com compressão manual; começa na porção proximal, com osteófitos na margem proximal da cabeça (Green, cap. 14, p. 503). Na inicial, o encurtamento da ulna tira a margem proximal da incisura. Na avançada, elimina-se a articulação: DARRACH, SAUVÉ-KAPANDJI, BOWERS, implante; ressecção ampla e antebraço de um osso ficam para o salvamento final. Nenhum restaura a anatomia.

Salvamentos da ARUD (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 14, p. 503 a 510; Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 74, p. 3329 a 3336)
ProcedimentoO que fazMelhor indicaçãoLimites
BOWERS (hemirressecção-interposição)Retira a superfície articular da cabeça; mantém estiloide, inserções da FCT e manga periosteal; interpõe cápsula, retináculo ou tendãoArtrite pós-traumática ou degenerativa; na AR, só inicialVariância positiva e FCT irreparável: contraindicações relativas; translação ulnar do carpo: contraindicação
SAUVÉ-KAPANDJIArtrodese da cabeça na incisura + pseudartrose no colo (gap de cerca de 1 cm)Pós-traumática, AR, artrose; na AR mantém o apoio do carpo ulnarCoto proximal instável; regeneração do gap; anquilose
DARRACHRessecção da ulna distal no nível da margem proximal da incisuraBaixa demanda com incongruência ou artriteCoto instável, convergência, impacto radioulnar; translação ulnar na AR
Prótese de cabeça ulnarCabeça total ou parcial; modelos ligados (SCHEKER)Falha de ressecção, artrite primária, fratura irreparávelPartes moles ruins após várias cirurgias

BOWERS

BOWERS criou a técnica porque o DARRACH às vezes instabiliza: tira-se a cartilagem da cabeça e preservam-se as inserções ulnares críticas da FCT, ideia vinda de DINGMAN (melhores DARRACH com mínima ressecção e regeneração na manga periosteal). Contraindicações são mecânicas: variância positiva (impacto estiloide-piramidal com a convergência), translação ulnar do carpo (piora) e FCT irreparável (sem vantagem sobre o DARRACH); cautela com artrite mais instabilidade e em jovens. Resultados excelentes na artrite degenerativa ou pós-traumática; falhas por impacto residual; na AR, hoje só em fase inicial (Green, cap. 14, p. 503 e 504).

SAUVÉ-KAPANDJI

Em 1936, SAUVÉ e depois KAPANDJI descreveram a artrodese radioulnar distal com pseudartrose proximal à fusão, alternativa à ressecção, com as indicações do DARRACH (pós-traumática, AR, artrose). Na AR mantém o suporte do carpo ulnar e reduz a translação ulnar; talvez seja melhor no jovem ativo pós-traumático. Complicações: coto ulnar instável e regeneração do segmento com perda de movimento (Green, cap. 14, p. 504). Técnica: ressecar 1 cm do colo (mais se a variância for positiva), fixar a cabeça na incisura com dois parafusos canulados 3,5 em neutro, pronador quadrado no gap; no jovem, tenodese com tira distal do FCU (FERNANDEZ) (p. 504 e 505). O Campbell (p. 3334 a 3336) fala em 15 mm de gap, ou 10 mm na modificação de LAMEY e FERNANDEZ, e lembra a pseudartrose dolorosa e a anquilose.

DARRACH e o coto que balança

A indicação geral do DARRACH é incongruência ou artrite da ARUD com dor ou rigidez, sobretudo no baixa demanda com incisura destruída por fratura articular. DINGMAN mostrou que só a quantidade de osso ressecado se correlacionou com o resultado: ressecar só o adjacente à incisura, de forma subperiosteal, mantendo o estiloide (Green, cap. 14, p. 505). Instabilidade e impacto crescem com a ressecção e os resultados pioram na alta demanda; na AR com sinovite e frouxidão, há risco de translação ulnar do carpo; usa-se seletivamente, considerando artrodese do punho na AR (p. 506). Na AR, o ECU costuma estar subluxado para volar (junto do caput ulnae), e o Green recomenda considerar seu reposicionamento dorsal em toda ressecção da ulna distal (p. 511).

A complicação típica é o coto instável, nos planos anteroposterior e coronal, e a convergência com impacto radioulnar doloroso; é mais associada ao DARRACH, mas ocorre também após BOWERS e SAUVÉ-KAPANDJI (p. 506 e 507). Para estabilizar, o Green prefere no idoso ou na AR um retalho da cápsula ulnocárpica palmar com o ECU dorsal; na alta demanda, BREEN e JUPITER (metade distal do FCU e metade proximal do ECU no canal) (p. 506 e 507). Na falha, o Green prefere a prótese de cabeça ulnar, deixando o antebraço de um osso para o fim (p. 507 e 508).

O ECU: tenossinovite e instabilidade

Relevância clínica

O ECU faz trajeto angulado sobre a cabeça ulnar em supinação, acentuado por flexão e desvio ulnar; quem o segura é a subbainha, porque o retináculo verdadeiro passa por cima sem se prender à ulna (Green, cap. 14, p. 511). O estresse repetido dá tenossinovite estenosante ou instabilidade por atenuação ou ruptura da subbainha. O paciente reproduz dor ou estalo com supinação e desvio ulnar contra resistência. Tratamento agudo: repouso, imobilização com antebraço em pronação e punho neutro, anti-inflamatório; infiltração na forma estenosante. Cirurgia nos recalcitrantes: liberação (baixa demanda), reparo da subbainha (menos de 6 meses, sulco liso) ou reconstrução, que só se faz se houver estalo audível na rotação passiva. O ultrassom dinâmico é o exame (p. 485 e caso 14.1). O Campbell (p. 3319) lembra que a lesão da bainha do ECU pode acompanhar a lesão traumática da FCT.

MADELUNG e o punho ulnar

Cobrança confirmada · 1 questão

MADELUNG é causa do desenvolvimento de variância ulnar positiva (Campbell, cap. 74, p. 3328). O Green (cap. 38, p. 1339) a define como angulação radial e palmar excessiva do rádio distal por distúrbio da porção palmar e ulnar da fise, por lesão óssea e/ou um ligamento palmar anormal que prende o semilunar ao rádio proximal à fise, o ligamento de VICKERS. É bilateral, aparece na adolescência e muitas vezes vem da discondrosteose de LERI-WEILL (gene SHOX). A ulna fica proeminente dorsalmente. Indolor, não se trata; no imaturo, fisiólise com liberação do VICKERS; no maduro, osteotomias do rádio com encurtamento ou ressecção da ulna, ou SAUVÉ-KAPANDJI. Resultados (p. 1344): a dor dorsal do punho é aliviada pela osteotomia do rádio e a dor da ARUD pelo encurtamento da ulna, que também reduz a proeminência dorsal.

Onde os livros divergem

Fundamento

Divergências entre as fontes (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed.; Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed.; Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed.)
PontoGreen, 7ª ed.Outra fonte
Ramos superficiais dos radioulnaresBase e meio do estiloide; ponta sem inserções (p. 481 e 489)Campbell: ponta do estiloide (p. 3315)
Sinal da fóveaLesão 1B, foveal (p. 489)Campbell: ulnocárpico (p. 3316); Rockwood: ulnopiramidal
Fratura basilar do estiloideMaior risco; fixar se seguir instável (p. 493)Rockwood: ensaios randomizados sem efeito do não reparo (cap. 43)
FCT na fratura do rádio13 a 60% (p. 487)Rockwood: 39 a 82% (cap. 43)
Gap do SAUVÉ-KAPANDJI1 cm (p. 504)Campbell: 15 mm, ou 10 mm (LAMEY e FERNANDEZ)
Ulnocárpicos na reconstruçãoTenodese quando o problema é ulnocárpico (p. 495)Campbell: GUPTA, nem todos precisam (p. 3324)

Fechamento

Fundamento

Duas imagens resolvem o punho ulnar. A bola pequena na tigela larga: a incisura rasa não segura a ARUD; seguram os radioulnares, sobretudo o ramo profundo da fóvea. Dela saem a incisura plana instável, os testes, a luxação, FERNANDEZ e as reconstruções. A ulna longa demais: 20% da carga passa pela ulna, e 2,5 mm a mais a sobem para 42%; daí as degenerativas de PALMER, o impacto, o wafer e o encurtamento. A vascularização decide o resto: o centro avascular se desbrida, a periferia se repara.

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