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Síndrome do túnel do carpo

Mão e punhoResumo do capítulo32 min de leitura

Teto (retináculo em três partes), conteúdo (mediano e nove tendões) e ramo motor de LANZ (extraligamentar distal na maioria; subligamentar e transligamentar); ramo cutâneo palmar entre palmar longo e FRC; fluxo epineural cai acima de 20 a 30 mm Hg; duplo esmagamento e STC em 21% a 45% dos desfiladeiros; parestesia noturna; DURKAN (30 s, mais sensível e específico), PHALEN sensível, TINEL específico; ENMG mede só fibras grossas; US acima de 10 mm² no pisiforme; órtese noturna em neutro; CHOW com dois portais e AGEE com um; sem neurólise, epineurotomia ou sinovectomia na primária; ramo do terceiro espaço o mais lesado; CAMITZ na sequela grave.

Atualizado em 04/11/2026 · 32 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 31 · Principles of Tendon Transfers of Median, Radial, and Ulnar Nerves (oponentoplastia de CAMITZ), lido com o Capítulo 28 · Compression Neuropathies, eixo do resumo, e os capítulos 29, 53 e 56, em Green's Operative Hand Surgery, 7ª edição (2017), com o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (2026, cap. 82 e 78), e Ortopedia e Traumatologia (Sizínio HEBERT), 5ª ed. (cap. 7). Autores do capítulo: Susan E. Mackinnon e Christine B. Novak (cap. 28); Timothy R. C. Davis (cap. 31).

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de mão e punho do Green, capítulo 31, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado no capítulo 28 (Compression Neuropathies, de Susan E. MACKINNON e Christine B. NOVAK) do Green's Operative Hand Surgery, 7ª edição (2017). O cabeçalho usa o capítulo 31 do mesmo livro, onde está a oponentoplastia de CAMITZ, porque o capítulo 28 da 7ª edição já abre outro resumo da Biblioteca. Completam o texto o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 82, William J. WELLER), e o HEBERT (cap. 7). As páginas citadas são as impressas.

O resumo Neuropatias de compressão no membro superior (Green, 8ª edição) já cobre cubital, GUYON, pronador, radial e desfiladeiro. Aqui o foco é um nervo num túnel, do ligamento ao bisturi. A banca cobra quatro blocos: anatomia (conteúdo, teto, ramo motor, ramo cutâneo palmar), fisiopatologia (pressão, isquemia, duplo esmagamento), diagnóstico (testes, sensibilidade, ENMG, ultrassom) e tratamento (órtese, infiltração, liberação aberta e endoscópica, revisão).

O túnel por dentro: paredes, conteúdo e teto

Cobrança confirmada · 1 questão

O túnel é uma canaleta óssea fechada por uma tampa que não cede. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 82, p. 3542), descreve o assoalho como os ossos do carpo arqueados, a parede medial como hâmulo do hamato e pisiforme e a lateral como tubérculo do escafoide e crista do trapézio. O HEBERT (Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed., cap. 7) chama o ligamento carpal transverso de forte e inextensível: qualquer aumento de conteúdo vira aumento de pressão.

O teto é o retináculo dos flexores (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 28, p. 930), do hamato e piramidal ao escafoide e trapézio. Na figura de COBB (Fig. 28.4) ele tem três partes: proximal (fáscia profunda sob FUC e FRC), média (o ligamento transverso do carpo, preso a pisiforme, hamato, tubérculo do trapézio e tubérculo do escafoide) e distal (aponeurose entre tenar e hipotenar). O Campbell (p. 3547) tira a consequência: a liberação exige dividir os três componentes. A banca troca o teto pelo retináculo extensor, que fica no dorso.

Passam pelo túnel o mediano e nove tendões: flexor longo do polegar, quatro superficiais e quatro profundos (Green, p. 930; HEBERT). O Campbell (p. 3542) dá a posição: o mediano é a estrutura mais palmar, logo sob o retináculo, e os tendões ficam dorsais a ele. O nervo está entre o conteúdo que incha e a tampa rígida.

O Green (p. 930) observa que o túnel, embora aberto nas pontas, mantém pressões próprias, e que é mais estreito a cerca de 2 cm da entrada, exatamente onde o nervo muda de forma. O HEBERT descreve esse ponto na cirurgia: área estreitada de cerca de 2 cm, isquêmica, com pseudoneuroma proximal, nervo em ampulheta.

O túnel do carpo em uma página (Green 7, cap. 28, p. 930; Campbell 15, cap. 82, p. 3542 e 3547; HEBERT 5, cap. 7)
ElementoO que éPor que importa
AssoalhoOssos do carpo em arco dorsalParede rígida
Parede ulnarPisiforme e hâmulo do hamatoGuia do endoscópio (abraçar o hâmulo)
Parede radialTubérculo do escafoide e crista do trapézioLado do ramo motor
TetoRetináculo dos flexores: fáscia proximal, ligamento transverso, aponeurose tenar-hipotenar distalAs três partes precisam ser divididas
ConteúdoMediano, FLP, 4 FSD, 4 FPDNove tendões e um nervo
Estrutura mais palmarNervo medianoPrimeiro a sofrer com a pressão
Ponto mais estreitoCerca de 2 cm da entradaLocal da ampulheta no nervo
Limite distalGordura em torno do arco palmar superficial, 5 a 8 mm distal ao ligamentoSinal de liberação completa e risco do arco

Nenhum dos três livros descreve os tendões em camadas, e o gabarito da questão do TARO aponta os superficiais do médio e do anular como os mais palmares. Um fato do Green (p. 922) ajuda a fixar a ideia de que a parte superficial do túnel é a dos dedos centrais: no início da STC, os fascículos superficiais do nervo, que vão ao médio e ao anular, adoecem antes dos do polegar.

O ramo motor recorrente e as variações de LANZ

Cobrança confirmada · 2 questões

No Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 28, p. 930), o ramo motor recorrente sai na borda distal do retináculo e inerva o abdutor curto do polegar, a cabeça superficial do flexor curto e o oponente; depois o mediano dá os digitais do polegar, indicador, médio e metade radial do anular. O adutor do polegar e os interósseos são do ulnar, o que derruba as alternativas erradas da questão do IAUPE.

LANZ dividiu as variações do ramo motor em quatro grupos (p. 930 a 932). O padrão extraligamentar e recorrente, saindo distal ao retináculo, é o mais comum (46% a 90%); seguem o subligamentar (31%) e o transligamentar (23%), este perfurando o ligamento. Há ainda saída da borda ulnar e ramo sobre o ligamento; o grupo III é a divisão alta do mediano, separada por artéria mediana persistente ou músculo aberrante; o grupo IV, o ramo tenar acessório proximal ao túnel. O Green cita também mediano bífido com metade em compartimento próprio. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 82, p. 3547, Fig. 82.6), avisa que o ramo pode perfurar o ligamento. A regra prática é do HEBERT (cap. 7): abrir o ligamento do lado ulnar do nervo, porque o ramo motor sai do lado radial.

Variações do ramo motor segundo LANZ (Green 7, cap. 28, p. 930 a 932, Figs. 28.5 a 28.7)
GrupoPadrãoFrequência citadaRisco na cirurgia
IExtraligamentar, recorrente, distal ao retináculo46% a 90% (o mais comum)Baixo se a incisão do ligamento for ulnar
I, subligamentarSai dentro do túnel e corre sob o ligamento31%Fica sob a lâmina se o corte for radial
I, transligamentarAtravessa o ligamento23%O mais exposto ao bisturi
VariaçõesBorda ulnar do mediano; ramo sobre o ligamentoIncomunsCruza por cima do nervo, sob o ligamento
IIIDivisão alta do mediano, com artéria mediana persistente ou músculo aberranteRaroDois troncos no túnel
IVRamo tenar acessório proximal ao túnelRaroRamo fora do campo esperado

Os autores do Green (p. 934 e 935) só exploram o ramo motor quando há dor tenar profunda ou atrofia tenar com pouca queixa sensitiva. Nesses casos ele costuma ter túnel tendíneo próprio ou sair do lado ulnar e cruzar o nervo, mais comprimido. Puxando a folha radial do ligamento e o mediano em direção ao cirurgião, o ramo se tensiona e aparece. O Campbell (Box 82.5, p. 3550) usa o mesmo sinal, atrofia do abdutor curto sem perda sensitiva, para contraindicar a endoscopia.

O ramo cutâneo palmar e o desenho da incisão

Cobrança confirmada · 2 questões

O ramo cutâneo palmar é o nervo das questões de incisão, porque cortado dá cicatriz dolorosa. No Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 28, p. 936), ele sai do mediano cerca de 5 cm proximal à prega do punho, entra num túnel imediatamente medial ao FRC e inerva a pele tenar. A Fig. 28.8 (p. 932) o põe radial ao mediano e ulnar ao FRC, podendo perfurar o ligamento carpal volar, o transverso ou a fáscia antebraquial. No capítulo 31 (p. 1033), ele fica logo radial ao palmar longo; no Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 82, Fig. 82.5), entre o palmar longo e o FRC. Como sai antes do túnel, a sensibilidade tenar é normal na STC e alterada nas compressões altas (HEBERT, cap. 7; Green, p. 936).

A incisão é onde os livros divergem. O Green (p. 934, Fig. 28.9) marca cerca de 6 mm ulnar à prega tenar, curvilínea e paralela a ela, 2 a 3 cm, terminando logo distal à prega do punho; se preciso, cruza o punho em zigue-zague para ulnar, no eixo do anular fletido ou logo ulnar ao palmar longo. TALEISNIK (p. 932) já pedia incisão ulnar ao eixo do anular fletido. O Campbell (técnica 82.2, p. 3547) quer a incisão bem ulnar à prega tenar, mas acha não aconselhável a curva paralela à prega tenar, que põe o ramo cutâneo em risco proximal; prefere o mini-palm (técnica 82.1): longitudinal, logo distal à prega distal do punho, levemente ulnar ao meio do anular, alinhada ao terceiro espaço, e, se estendida, angulada para ulnar, nunca em ângulo reto. O HEBERT descreve a clássica curvilínea paralela à prega tenar com pequena prolongação proximal à prega do punho e a tendência à microincisão, que não cruza a prega.

Se o ramo é cortado, forma neuroma doloroso; o Campbell não repara: secciona mais proximal, sob o superficial do médio (p. 3547).

Fisiopatologia: pressão, isquemia e o nervo que adoece em etapas

Cobrança confirmada · 1 questão

Tudo começa num número do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 82, p. 3542): pressão no túnel acima de 20 a 30 mm Hg impede o fluxo epineural e prejudica a função do nervo. O HEBERT (cap. 7) diz que a compressão compromete a circulação microvascular intraneural e bloqueia a condução metabólica. Na Tabela 82.2, a pressão de repouso de 25 mm Hg ou mais sugere compressão hidrostática como causa.

A posição do punho mexe nessa pressão: flexão e extensão moderadas aumentam a pressão no canal (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 28, p. 923; HEBERT). Daí o PHALEN nas duas posições e a órtese em neutro, o ponto de menor pressão.

O Green (p. 921 e 922, Fig. 28.1) descreve um contínuo que depende de força e tempo: quebra da barreira hematoneural, edema endoneural, espessamento perineural, isquemia dinâmica, desmielinização localizada, depois difusa, e por fim degeneração axonal. A clínica acompanha: parestesia intermitente antes de dormência persistente; limiares alteram cedo, discriminação de dois pontos só na compressão grave. Os fascículos superficiais sofrem primeiro, e no início da STC são os do médio e anular (p. 922). O Green lembra ainda que estirar o nervo 8% obstrui o retorno venoso e 15% causa isquemia (p. 923).

Do sintoma ao achado: a compressão em estágios (Green 7, cap. 28, p. 921, 922, 928 a 930)
EstágioO que acontece no nervoO que o paciente senteO que o exame e a ENMG mostram
InicialBarreira hematoneural rompida, edema, isquemia dinâmicaParestesia intermitente, noturnaTestes provocativos positivos; ENMG em geral normal
IntermediárioEspessamento perineural, desmielinização localizadaParestesia mais frequenteLimiares (vibração, SEMMES-WEINSTEIN) alterados; latência prolongada
AvançadoDesmielinização difusaDormência persistenteDiscriminação de dois pontos anormal; amplitude do SNAP cai antes do CMAP
TardioDegeneração axonalFraqueza e atrofia tenarFibrilações, recrutamento reduzido, CMAP baixo

Duplo esmagamento e as compressões associadas

Cobrança confirmada · 1 questão

O conceito é de UPTON e McCOMAS (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 28, p. 922): de 115 pacientes com compressão do mediano ou ulnar, 81 tinham lesão de raiz cervical, e a compressão num nível torna o nervo mais suscetível em outro. A hipótese é o fluxo axoplasmático, prejudicado pela compressão proximal e de novo pela distal. LUNDBORG descreveu o reverso: a compressão distal reduz o fluxo de substâncias neurotróficas de volta ao neurônio. HURST, em 1000 STC, ligou a forma bilateral a artrose cervical e diabetes; modelos de NEMOTO (cão) e DELLON e MACKINNON (rato) sustentam as duas versões (p. 922 e 923). Na prática, examinam-se todos os sítios, de distal para proximal, nos dois membros (p. 924).

O capítulo 29 do Green (Thoracic Outlet Compression Syndrome, p. 964) traz o número da SBCM e do SIMÃO: os defensores do duplo esmagamento descrevem STC em 21% a 45% dos pacientes com desfiladeiro torácico, túnel cubital em até 10% e, raramente, túnel radial, pronador e radiculopatia. Os críticos acham que são erros de diagnóstico. Todos concordam em tratar primeiro a compressão distal, mais simples e barata; a ENMG do desfiladeiro serve para afastar compressão distal (p. 968), e os testes do carpo vêm antes das manobras do desfiladeiro (p. 966).

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (Box 82.1, p. 3543), lista o duplo esmagamento entre as causas neuropáticas, e o HEBERT (cap. 7) chama a STC de síndrome compressiva mais frequente do organismo.

Quem tem STC: fatores de risco e associações

Cobrança confirmada · 1 questão

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 82, p. 3542), descreve a doença desde PAGET (1854): mais comum entre 30 e 60 anos, até 10% da população dos EUA, duas vezes mais na mulher, idiopática na maioria, relação com trabalho difícil de provar e mão não dominante frequentemente acometida. O HEBERT (cap. 7) diz mulheres de 40 a 60 anos e bilateral em mais da metade. O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 28, p. 921), aceita o trabalho como causa só na vibração e em algumas ocupações; no resto ele é um fator entre muitos.

O Green (p. 923) liga a STC a diabetes, hipotireoidismo, álcool, obesidade e tabaco, mas num caso-controle o tabagismo não aumentou a incidência, enquanto o Campbell põe o tabaco entre os fatores do paciente. Também destaca a HNPP: autossômica dominante, gene PMP-22 no cromossomo 17, compressões recorrentes e multifocais após trauma mínimo, mais no ulnar e no fibular, com recuperação sem cirurgia. Outras associações do Green: artrose trapeziometacarpiana em até 30% (cap. 11), tuberculose com corpos riziformes (cap. 3), amiloide de diálise e cristais (cap. 56). Na criança, a STC é incomum e sugere doença de depósito lisossômico, anomalias congênitas, hipotireoidismo ou família (Campbell, p. 3542).

Fatores associados à STC (Campbell 15, cap. 82, Box 82.1, p. 3543; Green 7, cap. 28, p. 923; HEBERT 5, cap. 7)
GrupoExemplosMecanismo
PacienteSexo feminino, obesidade, inatividade, tabagismo (Campbell), ocupaçãoPredisposição e carga
InflamatóriosArtrite reumatoide, gota, tenossinovite inespecífica, infecçãoSinóvia aumenta o conteúdo
Túnel menorAnomalias ósseas do carpo, acromegalia, punho fletido ou estendidoContinente diminui
Balanço hídricoGravidez, menopausa, eclâmpsia, hipotireoidismo, insuficiência renal, hemodiálise longaEdema e depósito
Conteúdo maiorFratura de COLLES e do escafoide, luxação do semilunar, osteófitos, músculos aberrantes, tumores, artéria mediana persistente, hematomaOcupação de espaço
NeuropáticosDiabetes, alcoolismo, duplo esmagamento, solventes industriaisNervo mais vulnerável
Autoimunes e outrosAmiloidose, lúpus, esclerodermia, esclerose múltipla, PAGET, RAYNAUDDepósito e vasculopatia
Forças externasVibração, flexão e extensão forçadas repetidas, dormir com punho fletido, pressão direta, traumaPressão mecânica

A artrite reumatoide está em todas as listas pelo mesmo mecanismo, a sinovite das bainhas flexoras (Green, cap. 55; HEBERT). O Campbell (cap. 78, p. 3492) acrescenta que a hipertrofia sinovial volar comprime o mediano mesmo sem ser detectável e que a STC pode abrir o quadro antes da suspeita de AR. O número "duas vezes maior" da questão da USP não aparece nos livros locais.

O quadro clínico

Cobrança confirmada · 1 questão

O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 28, p. 930), descreve parestesia ou dormência no território do mediano (polegar, indicador, médio e lado radial do anular); a parestesia noturna nos três dedos radiais é quase patognomônica. Piora em atividades de punho fixo (ler, dirigir, teclado); há dor tenar e, tardiamente, fraqueza e atrofia do abdutor curto e do oponente. O diagnóstico é clínico.

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 82, p. 3542), chama a parestesia aliviada pelo exercício de sintoma mais frequente e registra atrofia tenar em cerca de metade dos operados. O Box 82.2 lembra que anular e mínimo envolvidos fazem presumir GUYON e que pode haver dor difusa irradiada ao antebraço. O HEBERT (cap. 7) conta a história em ordem: dormência noturna como sintoma inicial, despertares com parestesia, depois sintomas diurnos ao segurar volante, telefone ou secador, coceira na palma e, por fim, fraqueza de oponência e hipotrofia tenar.

O Green e o Campbell falam em parestesia, o HEBERT em dormência; os três apontam o fenômeno sensitivo, não a dor nem a atrofia, como o achado dominante. Os diferenciais são radiculopatia cervical, desfiladeiro, polineuropatia, doenças inflamatórias (Campbell), neurite do plexo, PARSONAGE-TURNER e neuropatias motoras (Green, p. 921); queixas no dorso dos dedos não são do túnel (Green, p. 954).

Testes provocativos: PHALEN, TINEL e DURKAN

Cobrança confirmada · 4 questões

O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 28, p. 924), dá as regras: cada teste dura 1 minuto, é positivo quando reproduz os sintomas no território, testa-se um sítio por vez, de distal para proximal, nos dois membros. O PHALEN usa a flexão do punho; o TINEL é a percussão com formigamento irradiado. O HEBERT (cap. 7) descreve o PHALEN com flexão forçada por 1 a 2 minutos, o PHALEN invertido em extensão e o TINEL como choque elétrico aos dedos. O DURKAN é a compressão direta do mediano no túnel por 30 segundos, com os polegares ou um bulbo ligado a manômetro (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 82, p. 3542).

Os números vêm do Campbell (p. 3542 e Tabela 82.2). Entre os clássicos, o PHALEN é o mais sensível e o TINEL o mais específico e menos sensível. O DURKAN foi mais específico (90%) e mais sensível (87%) que os dois. Por isso é falso dizer que o PHALEN é o mais sensível e específico (especificidade de só 0,47), e a resposta para o teste de maior sensibilidade e especificidade é o DURKAN.

Testes clínicos da STC (Campbell 15, cap. 82, Tabela 82.2, p. 3544; Green 7, cap. 28, p. 924; HEBERT 5, cap. 7)
TesteComo se fazPositivoSensibilidadeEspecificidade
PHALENCotovelos na mesa, antebraços verticais, punhos fletidos (HEBERT: 1 a 2 min)Dormência nos dedos radiais em até 60 s0,750,47
PHALEN invertidoMesmo teste com punhos estendidosIdemNão citadaNão citada
TINELPercussão leve sobre o mediano, de proximal para distalChoque elétrico irradiado aos dedos0,600,67
DURKANCompressão direta do mediano no túnel (polegares ou bulbo com manômetro)Parestesia em até 30 s0,870,90
Diagrama da mãoPaciente desenha a área alteradaDedos radiais, sem marcar a palma0,960,73 (VPN 0,91)
Volume da mãoDeslocamento de água após estresse de 7 minAumento de 10 mL ou maisSTC dinâmicaNão citada

O CTS-6 do Campbell (Tabela 82.1) soma história e exame; 12 pontos ou mais dão sensibilidade de 95% (91% da ENMG ou do ultrassom) e especificidade de 91% (83% da ENMG, 94% do ultrassom), sem custo nem desconforto, e o escore acompanha a gravidade na ENMG.

CTS-6 (Campbell 15, cap. 82, Tabela 82.1, p. 3543)
AchadoPontos
Dormência predominante ou exclusiva no território do mediano3,5
Sintomas noturnos4
Atrofia ou fraqueza tenar5
PHALEN positivo5
Perda da discriminação de dois pontos (acima de 5 mm)4,5
TINEL positivo4
Corte12 ou mais = STC provável (S 95%, E 91%)

Sensibilidade: limiar contra densidade de inervação

Cobrança confirmada · 1 questão

O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 28, p. 927), separa os receptores da pele glabra: os de adaptação lenta (MERKEL, RUFFINI) respondem ao toque estático; os de adaptação rápida (MEISSNER, PACINI), ao toque em movimento. Cada grupo pode ser medido pelo limiar (menor estímulo percebido: vibração para os rápidos, pressão cutânea de SEMMES-WEINSTEIN para os lentos) ou pela discriminação tátil, que reflete a densidade de inervação e é medida pelos dois pontos. A conclusão: os limiares quantificam as alterações precoces, e a discriminação de dois pontos só fica anormal nas fases graves (p. 927 e 928). Os limiares de pressão são sensíveis na STC (p. 928).

Os monofilamentos são fios de náilon em escala logarítmica, pressionados até curvar; o menor percebido é o limiar (p. 928). No Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (Tabela 82.2), valor acima de 2,83 indica lesão do mediano. A discriminação de dois pontos serve mais para acompanhar reparo nervoso; para o Green, acima de 8 mm é não funcional; no Campbell, falhar em 5 mm (estática) ou 4 mm (móvel) é disfunção avançada. O ten test de STRAUCH (fibras A-beta) foi mais sensível que os dois pontos na STC, e o vibrômetro de frequência única não serviu para rastreio (p. 928).

O que cada exame de sensibilidade mede (Green 7, cap. 28, p. 927 e 928; Campbell 15, cap. 82, Tabela 82.2, p. 3544)
ExameReceptor ou fibraTipo de medidaQuando altera
SEMMES-WEINSTEINAdaptação lenta (MERKEL, RUFFINI)Limiar de pressãoPrecoce; anormal acima de 2,83
Vibrometria (120 Hz)Adaptação rápida (MEISSNER, PACINI)Limiar de vibraçãoPrecoce; S 0,87 no Campbell
Ten testFibras A-beta, toque leve em movimentoEscala comparativa 0 a 10Rastreio rápido
Dois pontos estáticaAdaptação lentaDensidade de inervaçãoTardia; falha em 5 mm (Campbell)
Dois pontos móvelAdaptação rápidaDensidade de inervaçãoTardia; falha em 4 mm (Campbell)
Acima de 8 mmQualquerDiscriminação ausenteNão funcional (Green)

Isso resolve a questão da UFG: o DURKAN é compressão sem dorsiflexão; os monofilamentos são acurados no diagnóstico precoce; o TINEL tem mais especificidade e menos sensibilidade; e a pressão sobe na extensão.

Eletroneuromiografia: o que ela vê e o que ela não vê

Relevância clínica

O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 28, p. 928), avisa que a ENMG não substitui o exame clínico. A condução avalia só as fibras grossas mielinizadas: motoras e sensitivas de vibração e tato leve, não as finas de dor e temperatura. A latência mede as fibras mais bem mielinizadas e pode ser normal com muitas fibras doentes; as primeiras alterações ocorrem nas não mielinizadas, que o exame não vê, e por isso a dor e a parestesia iniciais escapam. Esta é a resposta do SIMÃO: fibras grossas, de sensibilidade vibratória.

Os parâmetros (p. 929 e 930): a fibrilação é o sinal mais precoce de desnervação (após 2 semanas) e o mais sensível de perda axonal; a amplitude conta axônios; latência e velocidade medem as fibras mais rápidas; o SNAP cai antes do CMAP. Na STC, latências prolongadas e EMG normal até tarde, com desmielinização focal típica. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 82, p. 3542 e 3544), dá os cortes (motora acima de 4,5 ms, sensitiva acima de 3,5 ms), sensibilidade de 90% e especificidade de 60%, falso-negativo de 10%, falso-positivo de 43% com CTS-6 zero, e reserva o exame para o diagnóstico duvidoso e a recorrência.

Eletroneuromiografia na STC (Campbell 15, cap. 82, p. 3542 e Tabela 82.2; Green 7, cap. 28, p. 928 a 930)
ParâmetroValor ou significadoFonte
Latência sensitiva distalAnormal acima de 3,5 ms ou assimetria acima de 0,5 m/sCampbell
Latência motora distalAnormal acima de 4,5 ms ou assimetria acima de 1 m/sCampbell
Fibras avaliadasSó grossas mielinizadas (motoras, vibração, tato)Green
Fibras não avaliadasFinas de dor e temperatura; não mielinizadasGreen
Primeira a cairAmplitude do SNAP, antes do CMAPGreen
Sinal mais precoce de desnervaçãoFibrilação, após 2 semanasGreen
AcuráciaSensibilidade 90%, especificidade 60%; falso-negativo 10%Campbell
Valor prognósticoEstadia e ajuda a prever o tempo de recuperação (Green, HEBERT); não prediz retorno ao trabalho (Campbell)Divergência de ênfase

Há divergência de ênfase. O Green (p. 930 e 935) usa a ENMG para estadiar e antecipar o tempo de recuperação, e o HEBERT (cap. 7) diz que ela ajuda a prever o tratamento cirúrgico; o Campbell afirma que ela não prediz recuperação funcional nem retorno ao trabalho. A ENMG diz quão doente está o nervo, não quanto o paciente vai trabalhar.

Ultrassom e ressonância

Cobrança confirmada · 1 questão

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 82, p. 3545), dá o número do TEOT: sensibilidade acima de 97% quando a área do mediano passa de 10 mm² no nível do pisiforme. Com ENMG negativa e clínica positiva, o corte de 9,4 mm² na entrada teve sensibilidade de 73%. A ressonância não é útil. O nervo incha proximal ao estreitamento (o pseudoneuroma do HEBERT), e o pisiforme marca a entrada; o capitato fica no meio do túnel, onde o nervo está achatado. Para o Campbell, os exames auxiliares ficam para quem não tem quadro claro.

Tratamento conservador: órtese, infiltração e deslizamento

Cobrança confirmada · 2 questões

O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 28, p. 932), explica a posição: as órteses prontas vêm na posição funcional de 30 graus de extensão, mas a pressão no túnel sobe ainda mais em extensão; por isso são mais eficazes em neutro. Como o neutro atrapalha o uso da mão, os autores não usam a órtese de dia, só à noite, em neutro; a indicação cirúrgica é a falha da órtese noturna em neutro (p. 935). O HEBERT (cap. 7) prescreve a órtese noturna a 0 grau, e o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 82, p. 3546), a órtese noturna na forma leve. Nenhum livro apoia bloquear a flexão dos dedos.

O Campbell (Box 82.3) prevê falha do conservador com três ou mais: idade acima de 50 anos, duração acima de 10 meses, parestesia constante, tenossinovite estenosante e PHALEN positivo em menos de 30 segundos. O HEBERT reserva o conservador ao fator transitório (gravidez), aos sintomas leves e recentes (até seis meses) e ao comprometimento só sensitivo na ENMG.

Quando tratar sem cirurgia (Campbell 15, cap. 82, Box 82.3 e Campbell's Concepts, p. 3546; HEBERT 5, cap. 7; Green 7, cap. 28, p. 932 e 933)
PontoCampbell 15HEBERT 5Green 7
Indicação do conservadorLeve a moderada, sem atrofiaFator transitório (gravidez), leve e recente (até 6 meses), só sensitivoSTC responde pior ao conservador que as outras compressões
ÓrteseNoturnaNoturna, punho a 0 grauNoturna, neutro; não de dia
InfiltraçãoAlívio temporário; benefício longo em cerca de 10%Uma só, com tala por 2 semanas e AINENão de rotina; dexametasona a menos tóxica
Prever falha3 ou mais: mais de 50 anos, mais de 10 meses, parestesia constante, tenossinovite estenosante, PHALEN abaixo de 30 sFalha ou longa duração com déficit motorFalha da órtese noturna em neutro
Intermediária e avançadaMelhor com liberação precoceCirurgia se há comprometimento motorCirurgia

A infiltração trata pouco, mas diagnostica e prevê. No Campbell's Concepts (p. 3546), órtese e corticoide dão alívio temporário, duradouro em cerca de 10%; não se injeta no nervo; 90% dos que melhoram com a injeção melhoram com a cirurgia; a maioria dos casos é edema sinovial inespecífico, que responde melhor. O Green (p. 932 e 933) cita ATROSHI (melhora temporária, pouca diferença na cirurgia em 1 ano), CELIKER (corticoide, AINE e órtese melhoram, 8 semanas) e GREEN (alívio temporário é excelente fator prognóstico da cirurgia); no rato, a dexametasona não lesou o nervo nem injetada dentro dele, ao contrário dos outros corticoides; os autores não infiltram de rotina. O HEBERT combina uma só infiltração, tala por 2 semanas e AINE. Exercícios de deslizamento evitaram cirurgia em até 80% dos leves e moderados (SERADGE, p. 933).

A pergunta do TARO sobre sexo e idade com resposta mais rápida à infiltração não tem apoio nos livros locais; o Campbell, ao contrário, põe a idade acima de 50 anos entre os fatores de falha.

Liberação aberta: o passo a passo e o que não fazer

Cobrança confirmada · 1 questão

O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 28, p. 933), atribui a primeira liberação a Herbert GALLOWAY (1924) e manda escolher o método com melhor visão do mediano. A técnica dos autores (p. 934 e 935) usa BIER com dexmedetomidina e torniquete de antebraço no obeso, para evitar torniquete venoso. Os passos cobrados:

  • Incisão cerca de 6 mm ulnar à prega tenar, 2 a 3 cm, maior no obeso; ramo cutâneo do ulnar cruzando a parte distal em cerca de 15%.
  • Retináculo cortado pelo lado ulnar, de proximal para distal, até a gordura do arco palmar superficial, sinal de liberação distal completa.
  • Fáscia antebraquial liberada sob visão direta; inspecionar o assoalho (gânglios).
  • Sem neurólise, sem epineurotomia e sem sinovectomia na liberação primária.

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 82, p. 3546 e 3547), deixa 2 a 3 mm do ligamento no hâmulo para evitar a subluxação ulnar dos flexores, confirma a divisão pela gordura palmar profunda e lembra que o arco palmar superficial fica 5 a 8 mm distal ao ligamento. Para ele, neurólise interna não melhora e epineurotomia não traz benefício; o HEBERT (cap. 7) diz que endoneurólise não está indicada e trata a sinovectomia como controversa e opcional.

O que fazer e o que não fazer na liberação primária (Green 7, cap. 28, p. 934 e 935; Campbell 15, cap. 82, p. 3546 e 3547; HEBERT 5, cap. 7)
GestoGreen 7Campbell 15HEBERT 5
Lado do corte no ligamentoUlnarUlnar, deixando 2 a 3 mm no hâmuloUlnar ao nervo
Limite distalGordura do arco superficialGordura palmar profunda; arco 5 a 8 mm distalNão detalha
Fáscia antebraquialSob visão direta2 cm distais com tesoura rombaNão detalha
NeuróliseNão na primária (só na revisão)Interna não melhora; externa se aderidoEndoneurólise não indicada
EpineurotomiaSem benefícioSem benefícioNão cita
SinovectomiaNão indicada na primáriaOcasional: AR, suspeita de amiloidoseControversa e opcional
ImobilizaçãoNeutro, 2 dias; órtese noturna 2 a 3 semanasCurativo compressivo leve, tala volarCurativo compressivo por 1 semana

Quando entra a tenossinovectomia? O Campbell (técnica 82.2, passo 9, p. 3547): ocasionalmente, sobretudo na artrite reumatoide ou na suspeita de amiloidose. O Green 7 local diz que a sinovectomia não é indicada na primária (p. 935), mas, no capítulo 56 (p. 1906), trata a STC amiloide dos dialíticos com descompressão e desbridamento completo do tenossinóvio, por exposição mais extensa, com sintomas que em geral não voltam. A proteína é a beta-2-microglobulina, que não passa pela membrana de diálise; a gravidade cresce com o tempo de hemodiálise, e parestesia com rigidez num dialítico sugere amiloide no canal.

Liberação endoscópica: CHOW, AGEE e os limites

Cobrança confirmada · 2 questões

No Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 28, p. 933), CHOW usa dois portais. A entrada é no punho: linha 1 a 1,5 cm radial ao polo proximal do pisiforme, outra 0,5 cm proximal, incisão transversa de 1 cm. A saída é na palma: 0,5 cm, 1 cm proximal à linha que bissecta o ângulo entre o polegar abduzido e o terceiro espaço; anestesia local sem adrenalina. AGEE usa portal único: incisão transversa de 2 a 3 cm na prega distal do punho, entre FRC e FUC, retalho fascial em U de base distal, sonda radial ao hâmulo, punho em leve extensão e lâmina que sobe de dentro do aparelho; sem visão completa, converte-se para aberta.

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 82, p. 3550), detalha AGEE: instrumentos alinhados ao anular, abraçando o hâmulo; zona segura entre a metade ulnar da borda distal do ligamento, a borda ulnar do mediano, o digital comum do terceiro espaço e o arco superficial; liberar primeiro a metade a dois terços distais; defeito em V é incompleto. As dez regras de AGEE incluem conferir que a lâmina está no túnel e não no GUYON e terminam em "na dúvida, saia"; a conversão foi de 1%.

Uma armadilha documental: o Campbell (p. 3550) escreve "portal único (CHOW) e dois portais (AGEE)", invertendo os nomes, embora a sua técnica 82.3 seja AGEE por incisão única. Para a prova vale o Green: CHOW dois portais, AGEE um.

Na evidência (Campbell, p. 3546 e 3549), a endoscopia dá retorno mais cedo, força melhor no início e menos dor do pilar; aos 6 meses é igual, com mais lesão nervosa, custo 20% maior e mais revisão em 1 ano. A metanálise do Green (p. 933) achou dados inconclusivos e mais lesão nervosa reversível. O HEBERT (cap. 7) aponta custo, curva de aprendizado, abertura incompleta e lesão do arco, do mediano ou do ramo motor. O Box 82.5 do Campbell contraindica a endoscopia na revisão, quando há necessidade de neurólise, tenossinovectomia ou abertura do GUYON, lesão expansiva, variação anatômica suspeita, cirurgia flexora prévia e extensão do punho limitada.

Aberta e endoscópica (Green 7, cap. 28, p. 933 e 934; Campbell 15, cap. 82, p. 3546, 3549 e 3550, Boxes 82.4 e 82.5; HEBERT 5, cap. 7)
PontoAbertaCHOWAGEE
PortaisUma incisão palmarDois: entrada no punho (a partir do pisiforme), saída na palmaUm: prega distal do punho, entre FRC e FUC
Anestesia na descriçãoBIER (Green)Local sem adrenalinaGeral ou regional no início; local com experiência
Visão do nervo e variaçõesDiretaLimitadaLimitada
VantagemVisualização, lida com variaçõesRetorno precoce, menos dor no pilarIdem
RiscoDor na cicatriz e no pilarLesão nervosa, arco superficial, liberação incompletaIdem; lâmina no GUYON
Contraindicação da endoscópicaNão se aplicaRevisão, tenossinovectomia, neurólise, lesão expansiva, variação suspeita, extensão limitadaIdem

A liberação endoscópica é feita fora da articulação; a artroscopia do punho trata fratura do rádio distal e examina fibrocartilagem triangular, escafossemilunar e semilunar na KIENBÖCK, mas não libera o túnel.

Depois da liberação: o que esperar e quando transferir tendão

Cobrança confirmada · 2 questões

O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 28, p. 935), reduziu a imobilização, que antes servia para evitar a corda de arco dos flexores: curativo por 2 dias, movimento precoce, órtese noturna em neutro por 2 a 3 semanas, pontos em 12 a 14 dias, trabalho com 1 mês e atividade livre com 6 a 8 semanas, evitando fletir o cotovelo (cubital) e imobilizar o ombro.

Na compressão leve e moderada, voltam a sensibilidade "indolor" e a reinervação tenar (p. 935). Na grave, com atrofia e perda sensitiva densa, a liberação só interrompe a progressão (p. 930). O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 82, p. 3545 e 3546), dá o prognóstico: melhora máxima nos 6 primeiros meses, sem ganho depois em TINEL, PHALEN, pinça e latência; atrofia tenar resolve devagar, se resolver; alívio incompleto acima de 70 anos; diabéticos piores em 10 anos; na doença eletrofisiologicamente grave (SNAP ausente, CMAP baixo ou ausente), melhora lenta e incompleta em 1 ano; acidentados de trabalho com 3 vezes mais complicações. Assim, quem só tem latência aumentada (desmielinização) recupera mais rápido que quem perdeu CMAP (axônio), e a força tenar é a última a voltar.

CAMITZ: a transferência da sequela grave

O Green (cap. 28, p. 935) diz que, na STC grave com atrofia, a transferência do palmar longo (CAMITZ) é a ideal para a abdução tenar: mínimo déficit doador e mesma incisão. É raramente necessária: o paciente se adaptou, a lesão é em continuidade e o idoso pode não tolerar o gesso. O capítulo 31 (Timothy R. C. DAVIS, p. 1033) descreve a técnica de CAMITZ (1929): palmar longo alongado com uma tira de aponeurose palmar, fixado na inserção do abdutor curto. É usada na perda de abdução e oposição como complicação da STC grave, pode ser feita junto da liberação e restaura a abdução palmar mais que a oposição, por não usar polia. Não é indicada na lesão traumática do mediano, porque palmar longo e pele estão cicatrizados. Confirma-se o palmar longo opondo polegar e mínimo com o punho fletido; o ramo cutâneo palmar está logo radial ao tendão. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (Fig. 82.1), indica o CAMITZ no idoso com atrofia e oposição ruim.

Complicações, recidiva e revisão

Cobrança confirmada · 2 questões

O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 28, p. 953 e 954), divide as falhas em três grupos: mesmos sintomas sem alívio; alívio e volta após 6 meses ou mais; sintomas novos, o grupo mais difícil, com dor e lesão nervosa. Na persistência, a causa mais comum é a liberação incompleta (ZIESKE: retináculo incompleto e mediano aderido), muitas vezes por incisão curta no obeso, ou diagnóstico errado. Na recorrência, há neurite de tração por cicatriz, favorecida por incisões sobre o nervo. Nos sintomas novos, a SDRC é incomum; as lesões menores do mediano e do cutâneo palmar são as complicações reconhecidas. Mais de duas cirurgias prévias tornam a terceira pouco útil, e a ENMG ajuda pouco porque operados com sucesso mantêm alterações elétricas.

O fato da USP: com a percussão proximal, o paciente aponta o território lesado, e tipicamente o ramo mais superficial, para o terceiro espaço (lado radial do anular e ulnar do médio), é o lesado ou preso na cicatriz (p. 954). Ele sai do lado ulnar do mediano, o lado em que se corta o ligamento.

A revisão (p. 954 e 955) inverte regras da primária: incisão bem ulnar à prega tenar, estendida além da anterior; dissecção de proximal para distal; nervo aderido sob o retináculo; micro neurólise interna quase sempre necessária na recorrência e nunca na primária, até as bandas de FONTANA; cobertura com retalho do abdutor do mínimo ou gordura do GUYON; neuroma do cutâneo palmar transposto entre os flexores; fascículos do terceiro espaço com enxerto ou transposição; pregabalina ou nortriptilina para a dor.

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 82, p. 3552 e 3553), dá recorrência de 2% a 5%, falhas de 3% a 19% e reoperação em 12%. Achados: liberação incompleta, retináculo reformado, cicatriz, neuromas, tenossinovite granulomatosa ou inflamatória. Pioram o prognóstico a ENMG pré normal, a compensação trabalhista, os sintomas ulnares e o diabetes; o alívio após infiltração é bom sinal. A gordura hipotenar teve os melhores resultados na revisão sistemática.

Falhas da liberação e o que fazer (Green 7, cap. 28, p. 953 a 955; Campbell 15, cap. 82, p. 3552 e 3553)
SituaçãoCausa provávelConduta
Mesmos sintomas, sem alívioLiberação incompleta (retináculo distal ou fáscia proximal), incisão curta no obeso, diagnóstico erradoReexplorar e reliberar; rever o diagnóstico
Alívio e volta após 6 meses ou maisCicatriz e neurite de tração; retináculo reformadoNeurólise interna, cobertura com abdutor do mínimo, gordura hipotenar ou do GUYON
Sintomas novos com dorLesão do ramo do terceiro espaço ou do cutâneo palmar; SDRC (incomum)Terapia, pregabalina ou nortriptilina; neuroma: transposição proximal ou enxerto
Tenossinovite recorrenteAR, granulomatosa (fungo, micobactéria)Tenossinovectomia, reliberação, tratamento clínico ou antibiótico
Cicatriz dolorosaFibrose cutâneaExcisão, Z-plastia
Prognóstico piorENMG pré normal, compensação, sintomas ulnares, diabetes, mais de uma cirurgiaCautela na indicação

A SDRC aparece no capítulo 53 do Green (p. 1801 aprox.): quatro mulheres para cada homem, idade média de 46 a 53 anos, também em crianças, mais no membro superior, com fratura como desencadeante mais comum, sobretudo do rádio distal com gesso apertado ou compressão do mediano; o capítulo usa a distrofia após cirurgia do túnel como exemplo (Fig. 53.4). Por isso a SDRC ocorre após trauma ou após a liberação, e não predomina em homens.

Situações especiais: artrite reumatoide, STC aguda, gestação e cristais

Relevância clínica

Na artrite reumatoide, a pergunta é o que comprime. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 78, p. 3492), manda operar se órtese e infiltração falharem e, com hipertrofia evidente do tenossinóvio volar, fazer tenossinovectomia flexora, que alivia a dor e previne ruptura, frequente no túnel. A Fig. 82.1 põe a tenossinovite florida na linha da tenossinovectomia junto da liberação, e o Box 82.5 contraindica a endoscopia quando há tenossinovectomia. O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 55), descreve a sinovite flexora que comprime o mediano. Logo: AR com tenossinovite volumosa, liberação aberta com tenossinovectomia; AR leve sem tenossinovite, órtese e medidas conservadoras. A classificação de SHINODA não está nos livros locais; o raciocínio, sim.

Na STC aguda, o Campbell (Fig. 82.1) manda tratar a causa: após fratura de COLLES imobilizada em flexão, afrouxar gesso e curativo e pôr o punho em neutro; se persistir, cirurgia. O Green acrescenta pseudogota e hidroxiapatita, com tenossinovite fulminante tratada por descompressão precoce (cap. 56, p. 1906), a STC aguda da luxação perilunar, que pede o acesso estendido do túnel (cap. 13), e a infecção do espaço de PARONA com sintomas agudos do mediano (cap. 2).

Na gestação, o Campbell (Box 82.1) fala em alteração do balanço hídrico, e o HEBERT (cap. 7) a usa como fator transitório: conservador, órtese noturna, sem anti-inflamatório, sempre com o obstetra.

Situações especiais (Campbell 15, cap. 82, Fig. 82.1 e Box 82.1, p. 3543 e 3545; cap. 78, p. 3492; Green 7, caps. 12, 13, 55 e 56; HEBERT 5, cap. 7)
SituaçãoMecanismoConduta nos livros
AR com tenossinovite volumosaSinóvia ocupa o túnel e ameaça os tendõesLiberação aberta com tenossinovectomia flexora; endoscopia contraindicada
AR leve sem tenossinoviteCompressão discretaÓrtese e infiltração; cirurgia se falharem
Após fratura de COLLES em flexãoPressão aguda no túnelAfrouxar, punho neutro; persistindo, liberação
Pseudogota, hidroxiapatitaTenossinovite cristalina fulminanteDescompressão precoce e retirada dos cristais
GestaçãoRetenção hídrica, causa transitóriaConservador, sem AINE, ouvir o obstetra
HemodiáliseAmiloide (beta-2-microglobulina)Liberação com desbridamento extenso; tenossinovectomia
CriançaDepósito lisossômico, anomalias, famíliaInvestigar; liberação na forma progressiva

Onde os livros divergem

Fundamento

Os três livros concordam no essencial; os detalhes que divergem estão reunidos abaixo.

Divergências entre Green 7, Campbell 15 e HEBERT 5
TemaGreen 7Campbell 15HEBERT 5
Sintoma principalParestesia; noturna quase patognomônicaParestesia aliviada com exercício é o mais frequenteDormência noturna, depois dor e fraqueza
Idade e sexoNão detalha30 a 60 anos; mulher 2:1Mulheres de 40 a 60; bilateral em mais da metade
TabagismoNão aumentou a incidência (caso-controle)Fator do paciente (Box 82.1)Não cita
IncisãoCurvilínea paralela à prega tenar, 6 mm ulnarCurva paralela à prega tenar não aconselhável; mini-palm alinhado ao 3º espaçoCurvilínea paralela à prega tenar, pequena prolongação proximal
SinovectomiaNão indicada na primáriaOcasional na AR e na amiloidoseControversa e opcional
InfiltraçãoNão de rotinaDiagnóstica e prognóstica; benefício longo em 10%Uma só, com tala e AINE
Valor da ENMGEstadia e prevê o tempo de recuperaçãoNão prediz recuperação nem retornoAjuda a prever o tratamento
Portais endoscópicosCHOW dois, AGEE umFrase isolada inverte; a técnica de AGEE é de incisão únicaNão nomeia
TestesValoriza limiares para o precoceDURKAN o mais sensível e específicoTINEL e PHALEN como típicos

Fechamento

Fundamento

A STC é a doença de um continente rígido com conteúdo que incha. O teto é o retináculo dos flexores em três partes; dentro, o mediano, a estrutura mais palmar, e nove tendões. Acima de 20 a 30 mm Hg o fluxo epineural cai, e o nervo vai da isquemia dinâmica à desmielinização e à perda axonal; por isso a parestesia noturna precede a atrofia, os limiares alteram antes dos dois pontos, e a ENMG, que só vê fibras grossas, pode ser normal no começo. O nervo doente num ponto fica vulnerável em outro (duplo esmagamento).

No exame, o DURKAN é o mais sensível e específico; o ultrassom confirma acima de 10 mm² no pisiforme. A órtese é noturna e neutra; a infiltração prevê bom resultado cirúrgico. Na liberação, corta-se pelo lado ulnar, longe do ramo motor de LANZ e do ramo cutâneo palmar, até a gordura do arco superficial; sem neurólise, epineurotomia ou sinovectomia na primária, salvo AR e amiloide. CHOW tem dois portais e AGEE um. A falha mais comum é a liberação incompleta, o ramo mais lesado é o do terceiro espaço, e o CAMITZ devolve a abdução na sequela grave.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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