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Artrose do punho e artroscopia

Mão e punhoResumo do capítulo40 min de leitura

SLAC de WATSON começa no estiloide e poupa a radiolunar; LLUCH: I radioescafoide, II escafocapitato, III lunocapitato, IV piramidal-hamato, V radiolunar; AR é a causa mais comum de artrose radiolunar isolada; escafocapitato e STT têm indicações e perda de movimento parecidas; escafoidectomia com quatro cantos no SLAC ou SNAC II e III, preferida abaixo de 45 anos; carpectomia proximal exige capitato e fossa do semilunar sãos e perde a indicação no estágio III; artrodese total com placa em 10 a 20° de extensão alinhada ao 3º metacarpo, cinco articulações, pseudartrose parcial na 3ª CMC (decorticar 80% dorsais), túnel do carpo até 10,5% com 67% de liberação; 3-4 é o portal de visão, 4-5 o de trabalho, 6-U de irrigação, mediocárpicos 1 cm distais; GEISSLER III admite o probe, IV o artroscópio; EWAS IIIB rompe o SL dorsal.

Atualizado em 04/11/2026 · 40 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 12 · Wrist Arthrodesis and Arthroplasty, em Green's Operative Hand Surgery, 7ª edição (2017), com o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (2026), caps. 74, 78 e 57, e o HEBERT (Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed.), cap. 52. Autores do capítulo: Marco Rizzo.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de mão e punho do Green, capítulo 12, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado no capítulo 12 (Wrist Arthrodesis and Arthroplasty, de RIZZO) do Green's Operative Hand Surgery, 7ª edição (2017), costurado com o capítulo 17 do mesmo livro (Wrist Arthroscopy, de GEISSLER), com os trechos de colapso carpal do capítulo 13 (GARCIA-ELIAS e LLUCH), com os capítulos 74 e 78 do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição (2026), e com o capítulo 52 do HEBERT. As páginas citadas são as impressas.

O tema tem duas metades que a prova cobra de formas diferentes. A artrose do punho é um raciocínio de mapa: onde está a cartilagem gasta e onde está a cartilagem boa. Quase toda cirurgia de salvamento é uma forma de tirar do circuito a articulação doente e deixar trabalhar a sadia. A artroscopia é um raciocínio de endereço: entre quais tendões fica cada portal, o que se vê de cada um e qual nervo mora ao lado.

Uma ideia amarra a primeira metade: no colapso do carpo, a articulação radiolunar quase nunca degenera. A fossa do semilunar e o semilunar têm o mesmo raio de curvatura, então o semilunar pode rodar em extensão sem perder o encaixe. É por isso que a escafoidectomia com quatro cantos funciona (apoia o carpo inteiro na radiolunar) e é por isso que a carpectomia proximal precisa, além da fossa do semilunar, da cabeça do capitato inteira.

Como o punho degenera e como se avalia

Fundamento

Por que dói e quanto movimento basta

O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 12, p. 373), abre o capítulo com fisiologia, não com técnica: um punho doloroso, por um reflexo espinhal inconsciente, inibe a musculatura do antebraço e enfraquece a mão; a preensão passa a falhar sem aviso. Por isso o objetivo de qualquer cirurgia de salvamento é um punho sem dor e estável, e o movimento vem em segundo lugar.

A artrose primária do punho é incomum, e o exemplo clássico é a articulação escafotrapeziotrapezoide (STT). O mais comum é a artrose secundária a trauma, instabilidade e luxação, depósito de cristais ou inflamação; mais raramente a paralisia cerebral, a hemofilia, a infecção e a condrólise (p. 373).

Quanto movimento é necessário? Os estudos divergem: PALMER achou 30° de extensão, 5° de flexão, 10° de desvio radial e 15° de ulnar; RYU, que 70% do máximo bastam; NELSON fez 123 atividades com órtese em cerca de 5° para cada lado (p. 373). A lição é que quase tudo se faz com pouco movimento, mas cada paciente tem trabalho e hobbies próprios; daí a recomendação de usar uma órtese antes de uma artrodese total, para sentir a perda (p. 395 e 396).

Exame e imagem

A avaliação pré-operatória tem quatro elementos: prejuízo mensurável, dor (escala visual analógica), incapacidade e radiografia (p. 374). A PA padronizada mostra com facilidade os padrões SLAC e SNAC e as coalizões. A artrose STT associa-se ao depósito de pirofosfato de cálcio, e nesse cenário a radiolunar pode estar envolvida. O mais difícil é ver a artrose capitossemilunar e a hamato-semilunar; para isso serve a série de seis incidências (desvio radial e ulnar e AP com preensão), que mostra o colapso, a diástase escafossemilunar e o impacto do hamato no semilunar (p. 374 e 375).

Uma incidência específica vale ouro: a axial do pisopiramidal (perfil com o punho em 10° de supinação). A artrose pisopiramidal pode coexistir com outras, irritar o nervo ulnar no canal de GUYON e, se não for reconhecida, deixar dor residual que estraga o resultado de outra cirurgia bem feita (p. 374 a 376). A TC mostra melhor osso e articulação; a RM mostra vascularização, medula e partes moles.

Os padrões: SLAC, SNAC e o punho reumatoide

Na artrose, o padrão de progressão é o SLAC de WATSON e BALLET, e o da pseudartrose do escafoide é o SNAC de VENDER (p. 376). A AR não se encaixa nessas classificações e deve ser individualizada pela classificação de WRIGHTINGTON, que pensa em estoque ósseo:

Classificação de WRIGHTINGTON do punho reumatoide (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 12, p. 376 e 377)
FaseRadiografiaConduta sugerida
ConservadoraErosões mínimas, espaços normais, sem perda ósseaSinovectomia, drogas modificadoras, órtese
RestauradoraPerda localizada na radiocárpica, translação do carpo; mediocárpica preservadaArtrodese radiolunar ou radioescafossemilunar
ReconstrutivaPerda difusa, inclusive mediocárpica, com estoque ósseo preservadoArtroplastia total ou artrodese total
SalvamentoPerda importante de estoque ósseoArtrodese; atenção ao semilunar subluxado para volar no perfil

O detalhe da última linha volta na artrodese total: o semilunar subluxado para volar dificulta a redução e, ao realinhar o punho, pode precipitar síndrome do túnel do carpo (p. 377).

SLAC e SNAC: os estágios

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A mecânica das duas colheres

O Green (cap. 13, p. 435) explica a origem do SLAC. Quando a dissociação escafossemilunar fica completa, o polo proximal do escafoide sobe para dorsal e radial, e a carga se concentra na borda dorsolateral da fossa do escafoide; WATSON comparou com duas colheres empilhadas com os cabos desalinhados. O semilunar vai para extensão, mas continua estável com o rádio, porque as duas superfícies têm o mesmo raio de curvatura. Por isso a radiolunar raramente degenera.

A Figura 12.4 do capítulo 12 (p. 377) descreve a sequência clássica de três estágios: I na ponta do estiloide, II na fossa do escafoide proximal, III na articulação capitossemilunar; o semilunar cai em DISI, o escafoide em flexão, e a radiolunar se mantém até tarde. No SNAC (Figura 12.5), o estágio I é no segmento distal do escafoide contra o estiloide (o fragmento proximal fica poupado), e o II é escafocapitato.

LLUCH: cinco estágios

O capítulo 13 é escrito pelo próprio LLUCH, e por isso traz a versão expandida: WATSON propôs três estágios, mas LLUCH identificou cinco (cap. 13, p. 435):

Estágios do SLAC segundo LLUCH e o início do SNAC (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 13, p. 435; cap. 12, p. 377)
Estágio de LLUCHArticulação acometidaComentário
IRadioescafoideNo SLAC, polo proximal do escafoide e borda dorsal do rádio; no SNAC, escafoide distal e estiloide
IIEscafocapitatoPrimeira mediocárpica
IIILunocapitatoEntra a capitossemilunar: muda a cirurgia
IVPiramidal-hamatoMediocárpica ulnar
VRadiolunarA última, por causa do encaixe esférico

A diferença do estágio I é importante: no SLAC, a artrose começa entre o polo proximal do escafoide e a borda dorsal do rádio; no SNAC, entre o escafoide distal e o estiloide radial, com o fragmento proximal livre de doença.

Onde os livros divergem

O HEBERT (cap. 52, quadro 52.4) traz uma "classificação de WATSON" com estágio I radioescafoide, II semilunar-capitato (e, menos frequente, STT) e III rádio-semilunar. É a divergência mais perigosa do tema: o Green (cap. 12, p. 377; cap. 13, p. 449) e o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 74, p. 3358), dizem que a radiolunar é notavelmente preservada, e no LLUCH ela é só o estágio V. O próprio HEBERT, no parágrafo seguinte, explica que a congruência esférica do semilunar faz a radiolunar praticamente não degenerar e descreve as pseudartroses em três tipos (estiloide-escafoide; mais capitato-escafoide; mais capitato-semilunar), que batem com o Green. O HEBERT atribui o termo SNAC a COONEY.

Artroses parciais: radiocárpica, radiolunar e STT

Relevância clínica

Radiolunar: a artrose do reumatoide

O Green (cap. 12, p. 377) é direto: a artrite reumatoide é a causa mais comum de artrose radiolunar isolada. As indicações da artrodese radiolunar são a translação volar, a translocação ulnar do carpo, instabilidades complexas e a artrose radiolunar localizada, vista na AR e também após fratura em die punch da fossa do semilunar. O die punch desarranja a mecânica, gera dissociação escafossemilunar e flexão do escafoide, costuma vir com impacto ulnar (o semilunar afunda) e melhora com a artrodese desde que a altura do carpo seja restaurada.

A técnica ensina três princípios que se repetem no capítulo: neurectomia do interósseo posterior (excisar 1 cm evita neuroma e alivia dor; o autor a faz de rotina, p. 380); reduzir a extensão do semilunar (fundido em DISI, bloqueia a flexão; alvo neutro ou 10° de dorsiflexão, p. 380); e altura na medida (supercorrigir sobrecarrega a mediocárpica, p. 379). Se a capitossemilunar estiver degenerada na inspeção, vai-se para artrodese total. Espera-se perda de cerca de 50% da flexoextensão e pseudartrose de cerca de 10% (p. 380 e 381).

Radioescafossemilunar

Na prática, o autor faz mais radioescafossemilunar (RSL) que radiolunar, porque artrose radiolunar realmente isolada é rara na AR e na OA (p. 385). A indicação típica é a destruição da fileira proximal pós-traumática (fratura articular do rádio), além de condrólise, infecção e AR com mediocárpica poupada. A contraindicação é infecção ativa ou degeneração mediocárpica (p. 385 e 388).

Dois truques técnicos aparecem na prova: o escafoide é fixado a 45° de flexão, e por isso o desvio radial fica muito limitado; a solução é excisar o polo distal do escafoide (o autor começa por 20%) e, para alguns, o piramidal, liberando o movimento no plano do arremessador de dardo (extensão com desvio radial para flexão com desvio ulnar), que é mediocárpico (p. 386). Com semilunar tipo II (faceta para o hamato), amputa-se 2 a 3 mm da ponta proximal do hamato para evitar o impacto hamato-semilunar (p. 386 e 388).

O capítulo 13 (p. 448 e 449) defende o mesmo (GARCIA-ELIAS: mais de 50% do movimento preservado). A expectativa é arco de 70° de flexoextensão e 35° de desvios; a pseudartrose, antes de 30%, caiu com fixação rígida e nem sempre dói (p. 386 e 388).

As artrodeses que falham: escafossemilunar, lunopiramidal e piramidal-hamato

Três fusões pequenas têm números ruins que a banca gosta: a escafossemilunar tem pseudartrose de 50 a 85% e não é satisfatória para a dissociação (p. 387; o capítulo 13, p. 447, diz que consolida em só 50%, porque o capitato força a separação dos dois ossos). A lunopiramidal tem pseudartrose de 30%, e o ramo dorsal do ulnar é vulnerável a fios percutâneos (p. 388 e 389). A piramidal-hamato, para instabilidade mediocárpica, falhou em quase 50% (RAO e CULVER) e não é recomendada (p. 389).

STT: a artrose primária

A artrose STT é dor ao desvio radial e à preensão, muitas vezes com pirofosfato de cálcio; artrose primária dessa articulação não é incomum (p. 389). A artrodese STT (a triscafoide de WATSON) também serve para subluxação rotatória do escafoide, pseudartrose, KIENBÖCK, dissociação escafossemilunar, instabilidade mediocárpica e sincondrose congênita.

As contraindicações seguem a lógica da carga: depois da STT, a radioescafoide recebe mais carga; portanto, estreitamento radioescafoide contraindica (degeneraria). Também contraindicam a artrose trapeziometacárpica, o escafoide hipermóvel (cada desvio radial subluxaria a radioescafoide; prefere-se artroplastia de interposição ou excisão) e a perda óssea do polo distal (melhor a excisão do polo distal) (p. 389). Se a radioescafoide estiver degenerada na inspeção, muda-se o plano: carpectomia se o capitato estiver bom, quatro cantos se fossa e capitato estiverem gastos (p. 390). O escafoide é fixado a cerca de 55° de flexão. O Campbell (cap. 74, p. 3354) repete as indicações de WATSON e a contraindicação por artrose radioescafoide ou SLAC inicial.

Os resultados dividem os autores: WATSON relata 70 a 80% do movimento, mas KLEINMAN e CARROLL tiveram 52% de complicações; a pseudartrose passa de 20% (14% de média no capítulo 13, p. 447), e o impacto estiloide-escafoide faz da estiloidectomia parte do procedimento (p. 390 e 391).

Escafocapitato e STT: irmãs de indicação

Cobrança confirmada · 1 questão

Indicações e contraindicações

O Green (cap. 12, p. 380) apresenta a artrodese escafocapitato (SC) como alternativa à STT para estabilizar o escafoide. As indicações, por isso, são as mesmas: subluxação rotatória dinâmica ou estática do escafoide, pseudartrose do escafoide, KIENBÖCK e instabilidade mediocárpica. Na pseudartrose crônica ela tem uma vantagem própria: amplia a área de consolidação do escafoide distal para o proximal e o capitato. As contraindicações também se espelham: anormalidade radioescafoide e, para a SC, degeneração STT (p. 383).

Movimento depois da fusão

WATSON achou mais movimento com a STT, mas estudos de cadáver não acharam diferença, e ambas reduzem a força na radiolunar e na capitossemilunar (p. 380). O capítulo 13 (p. 448) resume: consequências semelhantes, com perda significativa do movimento mediocárpico, sobretudo nos desvios, e cerca de 30% de degeneração radioescafoide no longo prazo.

Os números da SC (cap. 12, p. 384): ângulo radioescafoide de 40 a 50°, 50 a 60% do arco, 80% da preensão e 15% de pseudartrose; extensão do escafoide acima de 50° limita o desvio radial e a extensão. O movimento que sobra é sobretudo radiocárpico.

Escafoidectomia e quatro cantos

Cobrança confirmada · 1 questão

A lógica

SLAC e SNAC poupam a radiolunar. Então, retirar o escafoide (fonte da dor radioescafoide) e fundir capitato, hamato, semilunar e piramidal transfere todo o punho para a radiolunar sadia. O Green (cap. 12, p. 391) chama esse procedimento de procedimento de escolha, sobretudo quando a mediocárpica está artrósica. A excisão do escafoide exige estabilizar o restante do carpo, senão ele colapsa: por isso os quatro cantos, ou só a capitossemilunar (que expõe menos osso e pode ser menos confiável).

A indicação formal (p. 395): SLAC ou SNAC estágio II ou III, e a quatro cantos é preferida à carpectomia proximal abaixo dos 45 anos. Degeneração radioescafoide mais mediocárpica define o SLAC III; se a capitossemilunar estiver preservada, a carpectomia é alternativa (p. 391). A contraindicação é a fossa do semilunar doente (cristais, inflamação) (p. 392).

A técnica que decide o resultado

O passo mais importante é reduzir a dorsiflexão do semilunar (joystick no semilunar) antes de fixar; senão, o capitato fica subluxado para dorsal, há impacto radiocapitato e a extensão fica bloqueada, porque após a quatro cantos a extensão ocorre só na radiolunar (p. 392 e Figura 12.24). O capítulo 13 (p. 449) lista esse impacto dorsal como complicação frequente e lembra que as placas circulares devem ser rebaixadas.

Outros detalhes cobrados (p. 392 a 395):

  • Proteger os ligamentos palmares radioescafocapitato (RSC) e radiolunar longo na escafoidectomia, para evitar translação ulnar do carpo.
  • Não supercorrigir o capitato no plano coronal: os extrínsecos palmares apertam e limitam o desvio ulnar.
  • Na placa circular, não perfurar a cortical oposta do piramidal e do semilunar (irrita pisopiramidal e radiolunar).
  • A carpintaria importa mais que o implante: decorticar até esponjoso sangrante; o autor imobiliza 6 semanas.

Números e comparação com a carpectomia

Quatro cantos e carpectomia proximal lado a lado (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., caps. 12, 13 e 16; Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 74, p. 3295, 3296 e 3355)
ItemEscafoidectomia + quatro cantosCarpectomia proximal
Pré-requisitoRadiolunar íntegraCabeça do capitato e fossa do semilunar íntegras
EstágiosSLAC ou SNAC II e III (Green p. 395)SNAC II ou III sem artrose capitossemilunar (Green p. 623 aprox.)
IdadePreferida abaixo de 45 anos (Green) ou para jovens e trabalho pesado (Campbell)Acima de 40 anos (Green cap. 16) ou de 35 a 40 anos (Campbell)
Movimento50 a 60% do arco; NEUBRECH 62% flexoextensão e 68% desvios50 a 60% do arco; WALL arco total de 68°
PreensãoQuase 90% (NEUBRECH); 65% em WAGNER70 a 80%; 54% em WAGNER
Pseudartrose10 a 15% (11% em NEUBRECH; 8,9% na metanálise)Não existe: não há fusão
Conversão para artrodese totalMenos de 7% (NEUBRECH); 11% na metanálise5,2% na metanálise; WALL 35% em 20 anos
ImobilizaçãoCerca de 6 semanasCurta

O Campbell (p. 3355) traz uma metanálise com mais de 3.100 punhos em que a carpectomia teve movimento e dor um pouco melhores, e a quatro cantos teve 8,9% de pseudartrose e 11% de conversão contra 5,2%; a artrodese de dois cantos (capitossemilunar) rende resultados semelhantes, com pseudartrose de 10% contra 7% da quatro cantos. O Green (p. 394 e 395) acrescenta a capitossemilunar com excisão do piramidal, que melhora os desvios.

Carpectomia da fileira proximal

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O que ela faz

A carpectomia retira escafoide, semilunar e piramidal e cria uma nova articulação entre a cabeça do capitato e a fossa do semilunar do rádio (Green, cap. 13, p. 450). Mecanicamente, transforma uma articulação composta em uma bola e soquete com superfícies que não combinam; o punho só tolera essa incongruência se houver boa cartilagem na cabeça do capitato e na fossa do semilunar. As vantagens sobre a artrodese mediocárpica são reais: sem imobilização longa, sem risco de pseudartrose, e conversão possível para artrodese ou artroplastia.

O capítulo 16 (p. 623 aprox.) define o candidato ideal: paciente de baixa demanda, acima de 40 anos, com SNAC II ou III sem ou com mínima artrose capitossemilunar (pode ter alteração escafocapitato); trabalhador braçal costuma ficar de fora. Na técnica, o RSC precisa ser preservado, porque o outro grande ligamento palmar (o radiolunar longo, ou radiolunopiramidal) sai junto com a fileira, e é o RSC que impede a translocação ulnar depois da cirurgia.

Por que ela perde a indicação no estágio III

O estágio III do SLAC é a artrose capitossemilunar: a cabeça do capitato, que seria a nova superfície articular, está gasta. É exatamente o que a carpectomia não tolera. O Campbell (cap. 74, p. 3295) é um pouco mais flexível: artrose capitossemilunar não contraindica absolutamente, porque se pode ressecar o polo proximal do capitato e interpor uma aba de cápsula dorsal; mas, se a degeneração for significativa, considera-se outro procedimento.

Resultados de longo prazo

A degeneração radiocapitato, muitas vezes assintomática, aparece em cerca de um terço após 10 anos; na série de WALL, o sucesso em 20 anos foi de 65%, e os 35% de falha foram para artrodese radiocárpica em média 11 anos depois (cap. 13, p. 450; cap. 16, p. 623 aprox.). A idade de corte varia: 35 anos no capítulo 13, 40 anos nos capítulos 12 e 16; o Campbell (p. 3296) diz 35 a 40 anos, mas cita WAGNER (abaixo de 45 anos), com mais movimento e menos complicações na carpectomia e mais força e melhor DASH na quatro cantos.

Carpectomia no KIENBÖCK

No KIENBÖCK, o colapso do semilunar com instabilidade do carpo é o estágio IIIB de LICHTMAN; aí os procedimentos de nivelamento deixam de fazer sentido e entram os salvamentos: artrodeses intercárpicas (STT, SC) e a carpectomia proximal (Green, cap. 16, p. 646). A classificação artroscópica de BAIN e BEGG (cap. 17, p. 692) refina a escolha pela cartilagem: com as superfícies proximal e distal do semilunar não funcionais (grau IIb), a carpectomia é o tratamento de escolha desde que a fossa do semilunar no rádio esteja íntegra.

Estiloidectomia, denervação e excisão do escafoide

Relevância clínica

Estiloidectomia: quanto tirar

A estiloidectomia alivia o impacto entre o estiloide e o escafoide distal desalinhado, mas o SLAC continua progredindo (Green, cap. 13, p. 449). Isolada é insatisfatória no SNAC; associada, melhora o enxerto no SNAC I (cap. 16, p. 622). O risco é ligamentar: na margem palmar do estiloide nasce o RSC, e tirá-lo leva a translação ulnar. Os livros dão números diferentes:

Quanto do estiloide se pode ressecar (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed.; Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed.; HEBERT)
FonteLimite ou cuidadoJustificativa
Green, cap. 16, p. 622Mais de 1 cm compromete muito a origem do RSCInstabilidade
Green, cap. 13, p. 449Não desinserir os radiocárpicos na margem palmar; proteger o radial superficialInstabilidade adicional
Green, cap. 17, p. 689 e 690Artroscópica: cerca de 4 mm, com fluoroscopiaPreserva o RSC e evita translação ulnar iatrogênica
Campbell, cap. 74, p. 3294No máximo 4 mmAcima de 4 mm, o deslocamento ulnar e palmar do carpo aumenta muito
HEBERT, cap. 52De preferência em segundo tempoEvitar aumento de instabilidade

Denervação

O Green (cap. 12, p. 373) lista a denervação parcial entre as opções que preservam movimento; a neurectomia do interósseo posterior é rotina nas artrodeses (p. 380 e 397), e a dor persistente após artrodese consolidada é testada com bloqueios seletivos (p. 401). O Campbell (cap. 74, p. 3304) dá a técnica de BERGER: retirar 1 cm do interósseo posterior e 1 cm do anterior por uma incisão dorsal proximal à ARUD, através da membrana interóssea; WEINSTEIN e BERGER tiveram melhora em 76% (a denervação total varia de 12 a 95%). O HEBERT (cap. 52) chama as neurectomias de coadjuvantes de grande valia.

Excisão do escafoide distal e do polo proximal

A ressecção do fragmento distal do escafoide (MALERICH) é uma saída simples para a pseudartrose de cintura com SNAC I (estiloide-escafoide), perda de dorsiflexão e desvio radial; a cronicidade é favorável. Contraindicações: DISI de 60° ou mais, subluxação mediocárpica ou insuficiência escafossemilunar. A preensão subiu de 36% para 83%; se o capitato subluxar após a ressecção, vai-se para salvamento (Green, cap. 16, p. 622). O Campbell (p. 3295) lembra que excisar os dois fragmentos sem estabilizar leva à migração do capitato.

Artrodese total do punho

Cobrança confirmada · 6 questões

Indicações e posição

As indicações formais (Green, cap. 12, p. 400): artrose pancárpica, falha de artrodese parcial, falha de artroplastia, paralisia, reconstrução após tumor, infecção ou perda segmentar, e artrite inflamatória com bom osso. Ela ainda é a escolha para o trabalho manual pesado (cap. 13, p. 450).

A posição é o fato mais cobrado, e o Campbell (cap. 74, p. 3340) a define: a que não cansa e dá máxima força de preensão, 10 a 20° de extensão, com o eixo do 3º metacarpo alinhado ao do rádio, a postura do punho cerrado com força. As placas do Green já dão leve extensão (p. 398).

Posição da artrodese total segundo cada fonte (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed.; Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed.)
FontePosiçãoContexto
Campbell, cap. 74, p. 334010 a 20° de extensão, 3º metacarpo alinhado ao rádioRegra geral, força máxima de preensão
Campbell, cap. 78, p. 349410 a 30° de extensão; posição controversaReumatoide; bilateral: um em extensão e outro em flexão, pela higiene
Green, cap. 12, p. 398Leve extensão dada pela placa pré-contornadaPlaca dorsal
Green, cap. 55, p. 1865 aprox.Neutro, metacarpo alinhado ao rádioPino único de MILLENDER e NALEBUFF na AR; ajuste só de 5 a 10°
Green, cap. 12, p. 401Pino retrógrado pelo 2º espaço intermetacárpico deixa leve desvio ulnarMecanicamente vantajoso

O que se funde: cinco articulações

O método preferido do autor é a placa dorsal pré-contornada, com parafusos de 3,5 mm no rádio e 2,7 mm no metacarpo (p. 396), via na linha do 3º metacarpo, EPL transposto, 1 a 2 cm do interósseo posterior ressecados e tubérculo de Lister retirado (p. 397). Cinco articulações são necessárias: radiolunar, radioescafoide, lunocapitato, escafocapitato e 3ª carpometacárpica (p. 397); HADDAD e RIORDAN incluíam a 2ª e a 3ª CMC (Campbell, p. 3340).

A 3ª CMC é o ponto fraco: com o carpo rígido, a tensão se concentra nela, o micromovimento gera união fibrosa, e a pseudartrose parcial ocorre mais ali. A prevenção é decorticar os 80% dorsais da 3ª CMC até o esponjoso; quem a deixa fora da fusão precisa retirar a placa depois (p. 401).

Complicações com números

O Green (p. 399 a 402) dá a lista que a banca transforma em questão:

Complicações da artrodese total com placa (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 12, p. 399 a 402)
ComplicaçãoNúmero ou regraComentário
ConsolidaçãoQuase 100% com placa e enxerto localLARSSON 0 de 23 e WEISS e HASTINGS 0 de 28 pseudartroses
Pseudartrose parcialMais na 3ª CMCDecorticar 80% dorsais
Material com placa 3,5 mm padrão19%, a maioria no metacarpoRetirada por dor em 12%; placa de baixo perfil quase nunca sai
Síndrome do túnel do carpo após placa AOAté 10,5%Cerca de 67% precisaram de liberação
Dor na ARUD1 em 85Resolveu com infiltração de betametasona
Impacto ulnocárpicoDiscrepância de altura entre os lados radial e ulnarExcisar o piramidal ou fazer carpectomia antes
Dor inexplicadaMais após múltiplas cirurgiasBloqueios seletivos e denervação
Parafuso longo no capitatoPode entrar no canal do carpoConferir com fluoroscopia
Parafuso não autoperfurante no metacarpoPode lesar o ramo motor profundo do ulnarCuidado com a ponta

O túnel do carpo após placa AO chega a 10,5%, e cerca de 67% desses pacientes precisaram de liberação; procuram-se sintomas pré-operatórios (p. 401). Com pino intramedular, libera-se o túnel junto, mesmo com sintomas leves, e resseca-se a prateleira anterior da fossa do semilunar (p. 404).

Pino intramedular e o punho reumatoide

A técnica de CLAYTON, popularizada por MILLENDER e NALEBUFF, usa um Steinmann pelo 3º metacarpo até o rádio, simples e eficaz na AR com osso ruim (Green, cap. 12, p. 401). Viola a 3ª MCF e, se a 3ª CMC não consolidar, o pino solta e migra para distal; por isso alguns o passam retrógrado pelo carpo, saindo no 2º espaço intermetacárpico, e depois anterógrado no rádio, o que deixa leve desvio ulnar, mecanicamente vantajoso. FELDON usa dois pinos finos pelo 2º e 3º espaços, com estabilidade rotacional (cap. 55, p. 1865 aprox.).

Variantes: carpectomia junto, estiloide e translocação

Duas variantes respondem a problemas mecânicos: alguns cirurgiões fazem a carpectomia antes e fundem só rádio-capitato e 3ª CMC, simplificando e evitando o impacto ulnocárpico (p. 401; BOLANO e GREEN não acharam diferença de preensão, p. 403); e, na AR com translação ulnar, remove-se parte do estiloide radial para realinhar (p. 400; vale também para prótese e pino, p. 404 e 415).

Depois da artrodese

O paciente deve saber que 92% das tarefas saem normais, que a preensão leva um ano para estabilizar em cerca de 72% do normal e que as maiores dificuldades são higiene perineal, levantar um copo de uma mesa baixa e usar chave de fenda na horizontal (p. 403 e 404). Após artroplastia falha, a pseudartrose chega a 35 a 50% (p. 404).

Artroplastia total do punho

Relevância clínica

Para quem

Pacientes com artrodese de um lado e prótese do outro preferem a prótese (Green, cap. 12, p. 404), mas, como a artroplastia tem mais riscos, os candidatos são de baixa demanda (p. 405). O modo de falha dominante é a soltura do componente distal: a Universal II baixou a instabilidade para 1 a 2%, mas teve revisão em 40% em reumatoides (p. 406).

Indicações e contraindicações da artroplastia total (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 12, p. 415; Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 78, p. 3498)
ItemGreenCampbell
IndicaçõesArtrose pancárpica em baixa demanda; falha de artrodese parcial; AR e inflamatórias com translocação ulnar; SLAC em idosos de baixa demanda; necrose avascular dos ossos do carpoUso cauteloso, sobretudo na AR; não supera a artrodese em evidência
ContraindicaçõesSubluxação palmar extrema do carpo; ruptura dos extensores radiais e ulnar do carpoSubluxação crônica, osso ruim, infecção prévia, déficit motor ou neurológico, uso de andador ou bengala, extensores comprometidos
ArmadilhasGrande defeito na fossa do semilunar; prateleira anterior não tratada causa túnel do carpo agudo; sobrecarregar a articulação limita o movimentoTaxa de complicações maior que a da artrodese

O que esperar

Espera-se 25 a 35° de extensão e 30 a 40° de flexão; buscar amplitude normal aumenta luxação e soltura (p. 414). Para jovens pós-traumáticos e braçais, a prótese raramente é aceitável (cap. 13, p. 450).

Artroses periféricas: ARUD e pisopiramidal

Relevância clínica

O punho artrósico não termina no carpo. Na ARUD, o Green (cap. 14, p. 503 e 504) descreve a hemirressecção com interposição de BOWERS, criada porque o DARRACH às vezes instabiliza o coto: retira-se a superfície articular da cabeça da ulna e preservam-se as inserções ulnares críticas da fibrocartilagem triangular, a ideia de DINGMAN (melhores DARRACH com ressecção mínima e regeneração na manga periosteal), preenchendo o espaço com cápsula, tendão ou músculo. A indicação principal é a artrite pós-traumática ou degenerativa da ARUD; a variância ulnar positiva é contraindicação relativa (a convergência provoca impacto estiloide-piramidal), a translação ulnar do carpo é contraindicação e a FCT irreparável tira a vantagem sobre o DARRACH.

A pisopiramidal é o lembrete de imagem: a incidência axial com 10° de supinação mostra a artrose, que pode irritar o ulnar no canal de GUYON e manter a dor depois de outra cirurgia (Green, cap. 12, p. 374 a 376). Na artroscopia, o orifício pisopiramidal é visto dos portais 3-4, 4-5 e 6-R (eTable 17.1, p. 653.e1).

Artroscopia do punho: montagem e portais

Cobrança confirmada · 6 questões

Instrumental e tração

O Green (cap. 17, p. 653) exige óptica de 2,7 mm ou menos e tração de cerca de 7 a 10 libras, com o punho em leve flexão; o Campbell (cap. 74, p. 3280) usa 4 a 10 libras e cotovelo a 80 a 90°. Os portais têm o nome dos compartimentos extensores. Para entrar: agulha antes, pele puxada contra a lâmina 11, dissecção romba e trocarte rombo inclinado cerca de 10° (Green, p. 655 e 656) ou 12 a 15° (Campbell, p. 3281), seguindo a inclinação volar do rádio.

Os portais dorsais radiocárpicos

Portais dorsais radiocárpicos e estruturas em risco (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 17, p. 654 e 657; Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 74, p. 3280 e 3281)
PortalLimitesReferênciaFunçãoEstrutura em risco
1-2Entre o 1º (APL e EPB) e o 2º compartimentoJunto à borda radial do EPL, distal ao estiloideEstiloidectomia, reparo periférico da FCT, trabalho no lado radialArtéria radial a cerca de 3 mm; ramos do radial superficial de 3 mm radial a 5 mm ulnar (outro estudo 1,8 mm)
3-4Entre o 3º (EPL) e o 4º (extensores dos dedos)1 cm distal ao tubérculo de Lister, em linha com a borda radial do dedo médioPortal de visão mais comumExtensores; cartilagem se a agulha errar
4-5Entre o 4º (extensores dos dedos) e o 5º (extensor do dedo mínimo)Um pouco proximal ao 3-4 pela inclinação radial; em linha com o eixo do anelarPrincipal portal de trabalhoTendões vizinhos
6-RRadial ao ECU (entre 5º e 6º)Borda radial do ECUTrabalho e visão do lado ulnarRamo dorsal sensitivo do ulnar
6-UUlnar ao ECUBorda ulnar do ECUEntrada de líquido, frequentementeRamo dorsal sensitivo do ulnar

O 6-U é usado para a entrada do líquido (3 a 5 ml abaulam o dorso do 3-4 e ajudam a localizá-lo); o autor prefere entrada pelo 6-U e saída pela camisa do artroscópio (Green, p. 654 e 656). O Campbell (p. 3281) usa o portal 6 ulnar ao ECU para irrigação contínua, evitando o ramo dorsal sensitivo do ulnar.

O nervo do portal 6R

Do lado ulnar, o risco é o ramo dorsal sensitivo do nervo ulnar: a Figura 17.4 do Green o mostra junto aos portais dorsoulnares (p. 655), o portal foveal exige protegê-lo (p. 657), e o Campbell (p. 3279 e 3281) o cita no portal 6 e no reparo da FCT. Do lado radial, o vizinho é o ramo superficial do radial (1-2 e STT).

Os portais mediocárpicos

Os mediocárpicos ficam cerca de 1 cm distais ao 3-4 e ao 4-5 (Green, p. 656). O radial (MCR) fica em linha com a margem radial do 3º metacarpo, entre o ECRB e o 4º compartimento, e é mais apertado. O ulnar (MCU) fica no cruzamento dos quatro cantos, em linha com o 4º metacarpo, 1 a 1,5 cm distal ao 4-5, entre o extensor comum e o do dedo mínimo (p. 657). O Campbell (p. 3280 e 3282) confirma as duas medidas. Há ainda o STT (ressecção do polo distal do escafoide), o piramidal-hamato e os da ARUD; no portal proximal da ARUD, o risco é o interósseo posterior (Campbell, p. 3280).

Os portais volares

O Green (p. 655) faz o volar radial entre o radioescafocapitato e o radiolunar longo, de dentro para fora pela cânula do 3-4, que faz tenda na pele perto da artéria radial. O Campbell (p. 3280) dá a referência de superfície: lateral (radial) ao flexor radial do carpo, na prega proximal. É o melhor acesso ao ligamento radiocárpico dorsal (p. 665). O volar ulnar (SLUTSKY) entra entre o ulnossemilunar e o ulnopiramidal, com o feixe ulnar a cerca de 5 mm (p. 656).

O que se vê de cada portal

Pela eTable 17.1 do Green (p. 653.e1), a FCT completa, com o orifício pisopiramidal, aparece do 3-4, do 4-5 e do 6-R; do 6-U, só em vistas oblíquas; o lunopiramidal é bem visto do 4-5 ou 6-R (p. 660). O Campbell (p. 3280 e 3281) diz que o 4-5 permite melhor inspeção da FCT e que do 6R se veem a FCT, os ulnocárpicos e o lunopiramidal.

Campo de visão por portal (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 17, eTable 17.1, p. 653.e1)
PortalCentralVolarUlnar
1-2Escafoide e semilunarOblíquas de RSC e radiolunaresFCT mal vista
3-4Escafoide, semilunar, SLILRSC, TESTUT, radiolunar longo, ulnossemilunarFCT completa, orifício pisopiramidal
4-5Semilunar, piramidal, LTILTESTUT, radiolunar longo, ulnossemilunarFCT completa, orifício pisopiramidal
6-RSemilunar, piramidal, LTILUlnossemilunar, ulnopiramidalFCT completa, orifício pisopiramidal
6-UPiramidal, LTIL membranosoOblíquasFCT só em vistas oblíquas
Mediocárpico radialSLIL, STTRamo radial do arqueado (RSC)LTIL
Mediocárpico ulnarSLIL, semilunar e piramidal distaisRamo volar do arqueadoLTIL, piramidal

Anatomia artroscópica e classificações

Cobrança confirmada · 1 questão

O passeio de radial para ulnar

O exame começa no 3-4 e vai de radial para ulnar (Green, cap. 17, p. 658): estiloide e polo proximal do escafoide (condromalácia no SLAC); o radioescafocapitato, extrínseco mais radial; o radiolunar longo, 2 a 3 vezes mais largo; o radiolunar curto; e, logo volar ao intervalo escafossemilunar, o ligamento de TESTUT (radioescafossemilunar), vascularizado (Figura 17.11). Depois, o escafossemilunar côncavo, o disco da FCT tenso como trampolim e o recesso pré-estiloide, normal, que não é lesão periférica (p. 658 e 659). O Campbell (p. 3281) concorda.

GEISSLER: o que o probe e o artroscópio atravessam

O ligamento interósseo se alonga muito antes de romper, e rompe de volar para dorsal (p. 661). GEISSLER classificou as lesões escafossemilunares e lunopiramidais vistas em fraturas do rádio, e a classificação exige olhar os dois espaços, porque o mediocárpico mostra a rotação melhor:

Classificação artroscópica de GEISSLER (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 17, Tabela 17.1, p. 661 e 662)
GrauEspaço radiocárpicoEspaço mediocárpicoConduta citada
IAtenuação ou hemorragia; ligamento convexoSem incongruênciaResolve com imobilização
IIAtenuação ou hemorragiaIncongruência ou degrau; pode haver pequeno espaço, menor que o probeRedução e pinagem se agudo
IIIIncongruência; espaço visívelDegrau; o probe passa entre os ossosRedução e pinagem se agudo
IVInstabilidade grosseiraO artroscópio de 2,7 mm passa entre os ossos (drive-through)Reparo direto por pequena artrotomia

Lesões agudas com incongruência são reduzidas e pinadas por cerca de 8 semanas (WHIPPLE: 83% de alívio com até 3 meses e gap de até 3 mm); o encolhimento térmico serve para lesões crônicas grau I ou II (p. 663 e 664).

EWAS: qual parte do ligamento rompeu

A European Wrist Arthroscopy Society propôs subdividir o GEISSLER, e LLUCH e GARCIA-ELIAS recomendam a modificação (Green, cap. 13, p. 438). O teste é feito pelo mediocárpico radial, com o probe no intervalo escafossemilunar:

Classificação artroscópica EWAS das lesões escafossemilunares (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 13, Tabela 13.4, p. 438)
EstágioLesãoTeste pelo mediocárpico radial
IAlongamentoO probe não passa
IIRuptura da membrana proximalA ponta do probe entra sem alargar
IIIAII + ruptura do ligamento escafossemilunar volarAlargamento volar (lassidão anterior)
IIIBII + ruptura do ligamento escafossemilunar dorsalAlargamento dorsal (lassidão posterior)
IIICII + ruptura volar e dorsalAlargamento global, redutível ao retirar o probe
IVIIIC + gap escafossemilunar sem desalinhamentoO artroscópio passa
VIV + desalinhamento do carpoGap largo com alterações radiográficas

O tratamento segue a anatomia (cap. 13, p. 439 e 440): lesões subtotais agudas (GEISSLER II ou III; EWAS II ou IIIA) recebem fixação com fios; completas agudas sem desalinhamento (EWAS IIIB e IIIC) pedem reparo aberto em jovens. O ponto fino é a propriocepção dos supinadores intracárpicos (o APL e o ECRL, que estendem e inclinam o punho para radial, p. 450): ela só é recomendada em EWAS II e IIIA, porque nesses o ligamento escafossemilunar dorsal está íntegro. Se o dorsal rompeu, a supinação da fileira distal não reduz a escafossemilunar e ainda cria um vetor que subluxa o polo proximal do escafoide para dorsal.

A FCT pela artroscopia

O Campbell (cap. 74, p. 3317) ensina os dois testes: com a óptica no 3-4 e o probe no 6R ou 4-5, o trampolim comprime o disco e mede sua resiliência (confiabilidade de cerca de 67%); o gancho, com o probe no recesso pré-estiloide, tenta puxar a FCT em várias direções (concordância de cerca de 90%). A FCT só se desloca para o centro da articulação quando o componente proximal está solto da fóvea. Segundo ATZEI e LUCHETTI, lesão distal isolada dá trampolim positivo e gancho negativo; lesão proximal ou completa dá os dois positivos.

Para reinserir a fóvea, o Campbell (p. 3319) descreve a técnica de NAKAMURA: suturas transósseas de fora para dentro para a desinserção foveal completa ou parcial, em punhos com variância neutra ou negativa (na positiva, o cisalhamento entre a cabeça e a sutura a rompe). A referência anatômica: uma linha de um ponto da cortical ulnar 15 mm proximal à ponta do estiloide até a metade ulnar da fibrocartilagem passa pela fóvea.

Nas lesões degenerativas (PALMER classe II), o problema é a ulna longa: sem perfuração (IIA e IIB), encurtamento da ulna; com perfuração (IIC), o wafer artroscópico pela perfuração, ressecando 3 a 4 mm; limitar a 2 a 4 mm preserva a ARUD, e encurtar 3 mm reduz em 50% a força na ulna (Green, cap. 17, p. 687 e 688).

Indicações e procedimentos artroscópicos

Cobrança confirmada · 3 questões

A lista de indicações

O Green (cap. 17, p. 653) cita lesões interósseas, o lado ulnar e a FCT, fraturas do rádio e do escafoide e lesões condrais. O Campbell (cap. 74, p. 3278 e 3279) organiza o Box 74.1:

Procedimentos artroscópicos do punho (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 74, Box 74.1, p. 3279)
GrupoProcedimentos
Fibrocartilagem triangularReparo e desbridamento
Instabilidade do carpoDesbridamento dos ligamentos escafossemilunar e lunopiramidal; pinagem percutânea
FraturasRádio distal; escafoide
Lesões condrais e cistoDesbridamento; excisão de cisto sinovial dorsal
Ressecções ósseasEstiloidectomia radial; excisão da ulna distal; ressecção parcial (wafer); carpectomia proximal; excisão do polo proximal do escafoide; excisão do semilunar no KIENBÖCK; retirada de corpo livre
DiversosSinovectomia; liberação de aderências intra-articulares; lavagem do punho séptico

Note o que não está na lista: reparo de tendão flexor, reabordagem de fratura com material falho, retardo de consolidação do escafoide por via fechada e liberação do túnel do carpo, que são cirurgias abertas ou de outro compartimento.

Cisto sinovial

A excisão artroscópica do cisto dorsal (OSTERMAN e RAPHAEL) deixa menos cicatriz e devolve a flexão mais cedo que a aberta, com recidiva baixa e comparável (Green, cap. 17, p. 688): óptica no 4-5 ou 6-R, defeito capsular de cerca de 1 cm na junção da cápsula com o escafossemilunar, até ver um tendão extensor, e movimento no dia seguinte. No cisto volar, shaver no 1-2, entre o RSC e os radiolunares, sem tirar a parede (p. 689).

Escafoide pela artroscopia

Na técnica de GEISSLER (Green, cap. 17, p. 666 e 669), a óptica vai no 6-R e uma agulha 14 entra pelo 3-4 no polo proximal, junto à inserção da membrana escafossemilunar; o fio-guia segue o eixo central, e o parafuso deve ser pelo menos 4 mm mais curto que a medida. Para conferir a redução, a óptica vai ao mediocárpico: as fraturas do polo proximal se veem melhor pelo mediocárpico ulnar, e as da cintura, pelo mediocárpico radial. É indicada nas agudas e nas pseudartroses sem humpback nem DISI.

Salvamentos pela artroscopia

A artroscopia gradua a cartilagem do capitato e da fossa do semilunar e ajuda a escolher entre quatro cantos e carpectomia (Green, cap. 13, p. 449; cap. 17, p. 665). A carpectomia artroscópica (WEISS) tem as mesmas indicações da aberta e permite movimento imediato: óptica no mediocárpico ulnar, broca no mediocárpico radial, escafoide de ulnar para radial (polo distal pelo STT), depois semilunar e piramidal; em 35 pacientes, 78% do arco, preensão de 83% e 94% de satisfação (Green, p. 690; Campbell, p. 3296 e 3298). Na artrodese parcial artroscópica (HO), as superfícies são removidas pelo mediocárpico radial (Green, p. 690).

A sinovectomia reumatoide (ADOLFSSON) se indica após 6 meses de remédio sem melhora, com degeneração só inicial (p. 689); a artrólise é contraindicada com instabilidade do carpo ou artrose (p. 691).

Complicações da artroscopia

Cobrança confirmada · 1 questão

O Green (cap. 17, p. 694) diz que as complicações são raras. BEREDJIKLIAN teve 11 em 211: duas maiores (artrofibrose grave e um cisto no portal 3-4) e nove menores (neurapraxia ulnar transitória, rigidez transitória do punho e dos dedos, queimadura de pele, infecção de portal, tendinite do ECU). PELL e UHL tiveram três rupturas tendíneas em 47 ablações térmicas. A prevenção é técnica: agulha antes de cortar, trocarte rombo, entrada e saída separadas, Ringer lactato (reabsorvível, reduz o risco de síndrome compartimental) e fios com protetor ou em oscilação para poupar os ramos sensitivos.

O Campbell (cap. 74, p. 3278 e 3279) dá a taxa (1,2 a 5,2%; 4,7% em 895 procedimentos) e a classificação que a banca usa:

Quatro categorias de complicações da artroscopia do punho (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 74, p. 3279)
CategoriaExemplos
Tração e posição do braçoLesão de pele, rigidez articular, lesão de nervo periférico
Portais e instrumentosNervos cutâneos, vasos, tendões flexores e extensores, ligamentos, cartilagem
Relacionadas ao procedimentoSíndrome compartimental por extravasamento no tratamento de fraturas; ramo dorsal sensitivo do ulnar no reparo da FCT; nervos sensitivos na passagem de fios
GeraisFalha de equipamento, infecção

Fechamento

Fundamento

Três imagens resolvem o tema. O semilunar que roda sem gastar: a radiolunar sobrevive porque é esférica, e a cirurgia se escolhe pelo que ainda tem cartilagem (radiolunar boa e mediocárpica gasta: quatro cantos; capitato e fossa bons: carpectomia; tudo gasto: artrodese total, ou prótese em quem pede pouco). A placa do rádio ao 3º metacarpo: cinco articulações, a 3ª CMC como ponto fraco, o punho em leve extensão. E o dorso como régua de compartimentos, com os nervos nas pontas: radial superficial de um lado, ramo dorsal do ulnar do outro.

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