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Fratura da fise proximal e da tuberosidade da tíbia na criança

Ortopedia pediátricaResumo do capítulo13 min de leitura

Fise estável pelos contrafortes (colateral medial na metáfise, fíbula), menino adolescente que salta e arranca a tuberosidade, OGDEN modificada em cinco tipos, poplítea na hiperextensão e recorrente tibial anterior na tuberosidade, internar sempre, desvio residual acima de 2 a 3 mm, recurvato e o valgo de COZEN da metáfise.

Atualizado em 28/10/2026 · 13 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 27 · Proximal Tibial Physeal Fractures, em Rockwood and Wilkins' Fractures in Children, 10ª edição (2025). Autores do capítulo: Benjamin J. Shore e Eric W. Edmonds.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de ortopedia pediátrica do Rockwood infantil, capítulo 27, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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No leitor: marcações, notas e as questões no meio do texto, que abrem sem perder o lugar da leitura.

Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado no capítulo 27 do Rockwood and Wilkins' Fractures in Children (10ª edição, 2025), de Benjamin J. Shore e Eric W. Edmonds, e reorganiza as ideias dele em português, na ordem em que as provas cobram o tema. Os números são os do capítulo. Como o arquivo do livro não tem página impressa, as referências apontam capítulo, seção, figura e tabela.

O capítulo trata de duas lesões vizinhas e diferentes: a fratura da fise proximal da tíbia, rara, de alta energia e perigosa pela artéria poplítea; e a avulsão da tuberosidade da tíbia, do menino adolescente que salta, perigosa pelo compartimento anterior. A banca cobra quase tudo pela tuberosidade: quem tem, como acontece e a classificação de WATSON-JONES modificada por OGDEN comparada à de SALTER-HARRIS. A fratura metafisária da criança pequena, com o valgo de COZEN, aparece aqui só de passagem; ela é muito cobrada e fica para o capítulo da diáfise da tíbia.

Por que a fise proximal da tíbia quebra pouco

Possível cobrança

As fraturas da fise proximal da tíbia são menos de 1% das lesões fisárias e exigem muita energia: trânsito, esporte, cortador de grama. O motivo é a anatomia dos colaterais. A porção superficial do colateral medial desce além da fise e se insere na metáfise, amarrando os dois lados da fise como um contraforte medial; o colateral lateral se insere na cabeça da fíbula, e esse conjunto é um contraforte lateral. Na frente, o tendão patelar preso à tuberosidade, que se apoia sobre a metáfise, segura o desvio posterior (seções Introduction e Pathoanatomy).

O contraste com o fêmur distal é a chave: lá, os ligamentos se inserem na epífise e puxam a fise; aqui, o colateral medial cruza a fise. Por isso a fise proximal da tíbia tem estabilidade contra varo, valgo e translação lateral, e a maioria das fraturas desvia a epífise para anterior, anterolateral ou anteromedial. No raro desvio posterior, epífise e tuberosidade vão juntas.

Crescimento e fechamento

O núcleo de ossificação da epífise proximal da tíbia está presente ao nascimento. O centro secundário da tuberosidade aparece entre 9 e 14 anos. A tíbia proximal cresce em média 6 mm por ano, e a fise fecha por volta dos 14 anos nas meninas e 16 nos meninos (com a união dos centros entre 10 e 15 anos nas meninas e 11 e 17 nos meninos). EHRENBORG descreveu os estágios da tuberosidade: cartilaginoso (até cerca de 9 anos nas meninas e 10 nos meninos), apofisário, epifisário e ósseo.

A ordem do fechamento explica a fratura do adolescente. No plano sagital, a fise fecha de posterior para anterior, avançando depois para a tuberosidade, que fecha de proximal para distal; no coronal, de medial para lateral; no axial, de posteromedial para anterolateral. No adolescente, a frente, junto da tuberosidade, é a última a fechar e o ponto fraco.

A tuberosidade: quem quebra e como

Cobrança confirmada · 3 questões

A inserção final do quadríceps, pelo tendão patelar, fica na fronteira entre o centro da tuberosidade e a epífise. O risco é mínimo até a adolescência, quando o aparelho extensor fica forte. Por isso a avulsão da tuberosidade é quase exclusiva de meninos adolescentes, e responde por menos de 1% das lesões epifisárias e cerca de 3% das fraturas da tíbia proximal (seções Introduction e Mechanisms of Injury).

Os dois mecanismos mais relatados acontecem no salto: a contração forte do quadríceps durante a extensão do joelho e a flexão passiva rápida do joelho contra o quadríceps contraído na aterrissagem (Fig. 27-2). O ângulo de flexão muda o traço: com o joelho em extensão ou até 30 graus, sai só a tuberosidade; acima de 30 graus, saem tuberosidade e epífise, a maioria do tipo III.

A classificação de OGDEN modificada

Cobrança confirmada · 7 questões

WATSON-JONES descreveu três tipos de avulsão da tuberosidade; OGDEN e colaboradores acrescentaram subtipos pelo desvio e pela cominuição; RYU e DEBENHAM e INOUE propuseram o tipo IV. A revisão sistemática de PRETELL-MAZZINI resumiu em cinco grupos, que a 10ª edição adota (seção Classification e Fig. 27-11). Cada tipo pode ser com ou sem desvio, ou cominuto.

OGDEN modificada (cap. 27)
TipoO que é
IApófise, na inserção do tendão patelar
IIApófise e epífise, sem entrar na articulação
IIIApófise e epífise, com extensão intra-articular
IVToda a fise proximal da tíbia, com ou sem fragmento de THURSTON HOLLAND posterior
VSem fratura: avulsão pura do tendão patelar

O caminho do traço organiza a memória: ponta da apófise, epífise, articulação, fise inteira. O tipo III é o que entra na articulação e o que mais se associa a lesão interna do joelho; o IV se comporta como uma fratura fisária completa. Uma classificação tridimensional mais recente chamou a atenção para as lesões associadas no planejamento da fixação, e há autores que recomendam tomografia ou ressonância antes de operar para ver o que a radiografia perde.

A fise proximal: mecanismos e direção

Cobrança confirmada · 4 questões

Na fise proximal, a força pode ser em valgo, que abre a fise do lado medial com a fíbula resistindo do lado lateral, em varo ou em hiperextensão, que leva a metáfise para trás, contra a poplítea. A flexão raramente produz tipo II ou III, num padrão parecido com a avulsão da tuberosidade. O trampolim é um mecanismo comum de valgo e varo na criança pequena (Fig. 27-1). Já houve tipo II em maus-tratos e tipo I em criança com artrogripose durante alongamento.

Direção da força e desvio (cap. 27)
ForçaDesvio resultante
ValgoMedial
VaroLateral
HiperextensãoPosterior

Vasos, compartimentos e nervo

Cobrança confirmada · 3 questões

A parte distal da poplítea fica presa à face posterior da tíbia proximal por septos firmes e pelos ramos (tibial posterior sob o arco do sóleo, tibial anterior por cima da membrana interóssea). Presa assim, ela não foge: na hiperextensão, a metáfise vai para trás e estira ou rasga a artéria (Fig. 27-3), e mesmo um desvio posterior mínimo obstrui o fluxo. A fratura que chega sem desvio pode ter desviado muito no trauma.

Na tuberosidade, o vaso em risco é a recorrente tibial anterior, que cruza a base da tuberosidade e irriga o plexo atrás do tendão patelar. Ela sangra no compartimento anterior, e a isquemia é indireta, pela síndrome compartimental (seções Injuries Associated e Pathoanatomy). O fibular pode ser lesado na fratura fisária e costuma se recuperar sozinho. Nos tipos III e IV da fise proximal, lesões ligamentares e internas do joelho chegam a 40%; nas fraturas da tuberosidade, a revisão sistemática encontrou poucas avulsões de tendão (2%), lesões meniscais (2%) e frouxidão do cruzado (1%).

Conduta. Todo paciente com fratura da fise proximal ou avulsão desviada da tuberosidade fica internado para observação, com gesso aberto ou acolchoado e avaliação seriada dos compartimentos; a arteriografia não é rotina se houver vigilância de 24 a 48 horas.

A fasciotomia profilática perdeu força

A fasciotomia profilática do compartimento anterior chegou a ser descrita na redução aberta da tuberosidade. A 10ª edição diz que ela parece desnecessária na maioria e ficaria para os tipos IV ou V de OGDEN com a cortical posterior rompida. Séries recentes não encontraram síndrome compartimental após fratura da tuberosidade (0% na revisão de 336 fraturas; 0,4% numa série de 241 crianças), e o capítulo sugere que a preocupação talvez seja maior do que os dados sustentam. A vigilância continua obrigatória.

Diagnóstico e imagem

Relevância clínica

As duas lesões doem e incham o joelho, com derrame e hemartrose. O achado mais sensível é a incapacidade de estender o joelho ativamente por completo nas fraturas desviadas. A fise dói abaixo da linha articular; a tuberosidade, na frente. Na tuberosidade, um fragmento solto pode ser palpado sob a pele; na fise, a metáfise vai para trás e deixa uma concavidade na frente. Patela alta sugere desvio grande ou ruptura do tendão. Metáfise saliente na face medial do joelho sugere ruptura distal do colateral medial associada.

  • Fise: a radiografia é a base, mas a fratura sem desvio pode não aparecer; um derrame com apagamento dos planos de gordura, a perda da borda nítida atrás do tendão do quadríceps, pode ser o único sinal (Fig. 27-4). A incidência oblíqua mostra traços escondidos. Entre 2 e 5 anos, medir a inclinação anterior da fise no perfil ajuda. A ressonância separa fratura de lesão ligamentar com mais segurança que a radiografia em estresse; a tomografia define a articulação nos tipos III, IV e na tuberosidade complexa.
  • Tuberosidade: o perfil é o exame, feito com a tíbia levemente rodada para dentro, porque a tuberosidade é um pouco lateral. Na criança nova, a fratura pode ser só uma lasca (Fig. 27-8). A ossificação normal pode vir de mais de um centro; compare com o outro lado, mas a patela alta é mais confiável.

Tratamento

Relevância clínica

Conservador: fratura sem desvio (até 2 mm) e estável vai para gesso inguinopodálico, em geral em extensão, aberto ou acolchoado, com internação quase sempre; radiografia em 1 semana; gesso por 4 a 6 semanas. Avulsões pequenas e pouco desviadas da tuberosidade, com gesso cilíndrico ou inguinopodálico em extensão completa. Contraindicações relativas: desvio, articulação, síndrome compartimental, fratura exposta e joelho flutuante desviado.

Cirúrgico: fratura redutível mas instável, com fios lisos cruzados ou parafusos; irredutível, redução aberta para tirar a interposição (periósteo, pata de ganso); todo tipo III desviado, redução aberta; desvio residual acima de 2 a 3 mm na tuberosidade, porque deixa déficit de extensão e fraqueza do quadríceps.

Técnica: redução com tração, sem refazer a deformidade; aspiração do derrame com anestésico é opção, mas muitas crianças precisam de sedação ou anestesia geral. Fios lisos na epífise (0,062 polegada a 2,5 mm), de preferência extra-articulares, saindo distalmente, para evitar joelho séptico. Na tuberosidade, parafusos são mais fortes, e fechar a apófise perto do fim do crescimento não preocupa; os autores usam vários parafusos de 4,5 mm sem arruela, o primeiro parcialmente rosqueado. Não perfurar a cortical posterior. Via logo lateral à tuberosidade, cuidando do anel pericondral de LACROIX; a lesão das partes moles costuma descer pela diáfise. O garrote pode prender o quadríceps e impedir a redução: desinsufle. Tuberosidade isolada se reduz com o joelho reto; tipo IV com 90% de tração e 10% de alavanca. A banda de tensão serve para avulsões de partes moles ou fragmentos pequenos e cominutos.

Pós-operatório: gesso ou órtese em quase extensão; com dois ou mais parafusos, órtese articulada; movimento e quadríceps com 6 semanas; atividades em cerca de 12 semanas; controle da fise com 4 a 6 meses.

Complicações

Cobrança confirmada · 7 questões

Complicações na revisão de 336 fraturas da tuberosidade (cap. 27)
ComplicaçãoProporção entre as complicações
Irritação pelo material e bursite56%
Dor ou proeminência da tuberosidade18%
Refratura6%
Discrepância de comprimento5%
Recurvato4%
Infecção da ferida, rigidez3% cada
Lesão vascular, trombose, instabilidade, falha do material1% cada
Síndrome compartimental0%

A taxa geral de complicações foi de 28%. Cerca de metade dos pacientes precisa de nova cirurgia para retirar o material. A consolidação ocorreu em 99%, e 94% voltaram às atividades em média em 28,9 semanas.

O recurvato e o valgo de COZEN

Qualquer fratura da fise proximal pode parar o crescimento, e a redução anatômica com fixação reduz, mas não elimina, esse risco. A deformidade mais comum depois de uma lesão fisária, sobretudo da tuberosidade, é o recurvato: a frente para e o fundo continua crescendo (Fig. 27-22). Segue-se com radiografias comparadas ao outro lado; a ponte pode ser ressecada com enxerto de gordura conforme o crescimento restante e o local, e a deformidade tardia vai para osteotomia.

Não confundir com a fratura metafisária proximal da criança de 3 a 6 anos, completa ou em galho verde, que pode evoluir com o valgo de COZEN. O capítulo diz que esse valgo pode se corrigir sozinho e merece observação, e que sua incidência real parece bem menor do que se pensava: numa série de 181 fraturas, com idade média de 4,5 anos, só 2% tiveram valgo acima de 5 graus. A interposição da pata de ganso é citada entre as causas de redução impossível. O tema é aprofundado no capítulo da diáfise da tíbia.

Fechamento

Fundamento

O capítulo termina com uma frase curta: são fraturas relativamente incomuns, mas que podem ter consequências graves se mal conduzidas, e uma síndrome compartimental ou uma lesão arterial não reconhecida seria devastadora para um membro jovem.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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