Orto Questões

Fraturas da pelve e do acetábulo na criança

Ortopedia pediátricaResumo do capítulo8 min de leitura

TORODE e ZIEG modificada (IIIA, IIIB, IV), avulsões das apófises (anteroinferior a mais comum, isquiática a mais problemática), lesões associadas como causa de morte, assimetria de 1,1 cm que não remodela, maturidade pela trirradiada (SILBER e FLYNN), BUCHOLZ e a displasia pós-traumática, ressonância no acetábulo.

Atualizado em 28/10/2026 · 8 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 23 · Pelvic and Acetabular Fractures, em Rockwood and Wilkins' Fractures in Children, 10ª edição (2025). Autores do capítulo: Julia S. Sanders e Wudbhav N. Sankar.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de ortopedia pediátrica do Rockwood infantil, capítulo 23, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

Ler no leitor do Orto QuestõesCriar conta grátis

No leitor: marcações, notas e as questões no meio do texto, que abrem sem perder o lugar da leitura.

Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado no capítulo 23 do Rockwood and Wilkins' Fractures in Children (10ª edição, 2025), de Julia S. Sanders e Wudbhav N. Sankar, e reorganiza as ideias dele em português, na ordem em que as provas cobram o tema. Os números são os do capítulo. Como o arquivo do livro não tem página impressa, as referências apontam capítulo, seção, figura e tabela.

As fraturas da pelve são menos de 1% das fraturas da criança, mas até 5% das crianças internadas por trauma contuso em centros nível 1. A maioria é de baixa energia (avulsões e lesões estáveis do anel); as instáveis são raras e perigosas, sobretudo pelas lesões associadas. A banca cobra a classificação de TORODE e ZIEG, as avulsões e a trirradiada.

A pelve da criança

Fundamento

Mais plasticidade óssea, mais elasticidade das sacroilíacas e da sínfise, periósteo espesso, cartilagens estruturais (a trirradiada) e apófises que se arrancam. A pelve absorve mais energia antes de quebrar; uma só quebra do anel é comum, ao contrário da dupla quebra do adulto, e a deformidade plástica pode ser grande. Uma fratura pequena pode esconder trauma de alta energia.

Desenvolvimento. Ílio, ísquio e púbis se encontram na trirradiada, que fecha por volta dos 12 anos nas meninas e 14 nos meninos. Ísquio e púbis se fundem no ramo inferior aos 6 ou 7 anos (a sincondrose isquiopúbica, que pode simular fratura ou tumor; a hiperostose dolorosa por volta dos 7 anos é a doença de VAN NECK, autolimitada). Centros secundários: crista ilíaca (aparece 13 a 15, funde 15 a 17, base do RISSER), ísquio (15 a 17, funde por volta dos 19 a 25), espinha anterossuperior (13, funde por volta de 15), anteroinferior (14, funde 16). No acetábulo, o os acetabuli forma a parede anterior e a epífise acetabular parte do teto, ambos de 8 a 18 anos.

Lesões associadas e avaliação

Cobrança confirmada · 1 questão

Quarenta a 80% vêm de acidentes com veículos, sobretudo atropelamentos; o esporte responde por 4% a 11%, quase sempre avulsões. A hemorragia da pelve mata menos de 1% das crianças (3,4% no adulto): vasos mais contráteis e predomínio de compressão lateral, que abre pouco o anel. Ainda assim, a transfusão chega a 67% nas instáveis. De 58% a 87% têm lesão associada: outras fraturas em quase metade; traumatismo craniano (9% a 50%), a comorbidade que mais pesa e a principal causa de morte; toracoabdominais (14% a 33%), a segunda. Lacerações vaginais e retais 2% a 18%, uretra e bexiga 4% (hematúria até 50%), nervos menos de 3%. O toque retal sozinho não serve de triagem.

Imagem: AP da bacia no trauma; inlet (60 graus caudal) para desvio posterior; outlet (45 graus cefálico) para desvio superior; JUDET para o acetábulo; tomografia para sacro, sacroilíacas e acetábulo; ressonância em todas as fraturas do acetábulo da criança. Comparar o outro lado nas avulsões.

Classificação

Cobrança confirmada · 4 questões

TORODE e ZIEG modificada (cap. 23)
TipoLesão
IAvulsão
IIAsa do ilíaco (IIa apófise; IIb asa)
IIIAAnel anterior simples, estável
IIIBAnéis anterior e posterior, estável
IVaRamos superiores e inferiores bilaterais (straddle)
IVbRamos ou sínfise + posterior (sacroilíaca, asa do sacro)
IVcSegmento instável entre anel anterior e acetábulo

O IV tem mais morbidade e mortalidade, mas o IIIB, embora estável, tem mais transfusão, UTI e lesões associadas que o IIIA (Fig. 23-7). SILBER e FLYNN: pelve imatura (trirradiada aberta) foca nas lesões associadas e raramente opera; pelve madura (trirradiada fechada) é tratada como a do adulto: vale a maturidade, não a idade. Classificações do adulto: PENNAL (modificada por TILE e por BURGESS) e OTA/AO. Qualquer que seja a idade, anel muito deformado, lesão posterior desviada ou trirradiada desviada são instáveis.

Avulsões (tipo I)

Cobrança confirmada · 1 questão

Contração violenta de músculos que cruzam quadril e joelho, entre 11 e 17 anos. Futebol: anterossuperior (sartório) e anteroinferior (reto femoral); ginástica: isquiática (isquiotibiais ou adutores); corrida longa: apofisite da crista (oblíquos externos).

Avulsões da pelve (cap. 23)
LocalFrequênciaMúsculo
Espinha anteroinferior37%Reto femoral
Tuberosidade isquiática31%Isquiotibiais
Espinha anterossuperior25%Sartório
Crista ilíaca6%Oblíquos

Tratamento quase sempre conservador: repouso, posição que relaxe o músculo, carga parcial por 2 semanas ou mais, retorno em 6 a 8 semanas. A anteroinferior tem 4,47 vezes mais dor crônica; 3% vão para cirurgia. A isquiática é a que mais gera incapacidade e pseudartrose (4 de 5 operadas numa série); fixar se desvio grande (acima de 1 a 2 cm; os autores, acima de 2 cm) ou sintomas persistentes, por via glútea protegendo o isquiático.

Asa, sacro, cóccix e anel estável (tipos II e III)

Possível cobrança

Asa do ilíaco: trauma direto, TRENDELENBURG doloroso; desvio pequeno pelos músculos e periósteo; sintomático. Sacro: frequentemente perdido na radiografia (3 na radiografia contra 9 na tomografia em 103 crianças); sintomático. Cóccix: radiografia lateral com quadris fletidos; resolve em 4 a 6 semanas. Estresse: adolescente corredor, ressonância, 4 a 6 semanas sem a atividade.

Tipo III: sintomáticos, carga protegida, retorno em 6 a 8 semanas. Fratura dos dois ramos do mesmo lado (18%): afastar bexiga. Sínfise: elasticidade normal; diferença acima de 1 cm com compressão = separação; 2,5 cm ou mais ou rotação acima de 15 graus = reduzir; abaixo de 2 cm, sintomático. Sacroilíaca: na criança, a separação muitas vezes passa pela "fise" do ilíaco junto da articulação; diagnóstico por tomografia; a fratura em crescente pode ser rotacionalmente instável.

Fraturas instáveis (tipo IV)

Possível cobrança

Cerca de 10% das fraturas da pelve, mais acima de 12 anos e com trirradiada fechada. Straddle (IVa): fragmento sobe pelo reto abdominal; afastar bexiga e uretra; cinta pélvica contraindicada (empurra o ilíaco para dentro); tratar como IIIB. Anterior e posterior: o mais perigoso, com hemorragia; reanimação primeiro; cinta ou lençol no adolescente quando abre o anel; embolização raramente, porque o sangramento costuma ser venoso.

A pelve não remodela a assimetria: SMITH mostrou sintomas em todos com mais de 1,1 cm de assimetria; HOLDEN indica reduzir desvios acima de 2 cm; os autores fixam o tipo IV desviado e as fraturas do anel com desvio acima de 1 cm e lesão anterior e posterior. Fixador externo anterior (pinos na crista ou supra-acetabulares), placa na sínfise, parafuso sacroilíaco (relatado a partir de 6 anos; corredor de S2 muitas vezes melhor que S1; retirado depois na criança) ou placa posterior.

Acetábulo

Possível cobrança

Dois a 17% das fraturas da pelve. Objetivos: articulação congruente e estável e trirradiada alinhada. Ressonância em todas, porque a parede posterior é cartilaginosa; lasca após luxação do quadril pede ressonância. Até 2 mm, sobretudo fora do teto: sem carga 6 a 8 semanas (gesso nas pequenas). Operar se instável, incongruente ou com trirradiada desalinhada, de preferência cedo. Vias: KOCHER-LANGENBECK posterior, ilioinguinal anterior; evitar laterais estendidas. Lesão da trirradiada é perdida em 47%.

BUCHOLZ: SH I e II da trirradiada, bom prognóstico; SH V (esmagamento), ponte medial e fechamento prematuro. Abaixo de 10 anos, o risco de displasia é alto; ressecar a ponte nessa idade. Fechamento prematuro em menos de 5% (0% a 11%). A displasia pós-traumática tem lateralização e retroversão (diferente da DDQ) e costuma exigir osteotomia de redirecionamento completa. O braço ilioisquiático pesa mais no crescimento.

Complicações

Relevância clínica

Os principais desfechos adversos são a consolidação viciosa do anel (discrepância, dor lombar e sacroilíaca, escoliose, assoalho pélvico e canal de parto, com pelvimetria antes da gravidez, embora o parto vaginal costume ser seguro) e o fechamento prematuro da trirradiada. Ossificação heterotópica, lesões geniturinárias, plexo lombossacral e trombose completam a lista. Pseudartrose e perda da redução são raras pela consolidação rápida.

Fechamento

Fundamento

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

Abrir no leitorCriar conta grátis

No leitor do aplicativo, quem não tem conta lê as 6 primeiras partes; a leitura completa é grátis com a conta.

Continue estudando