Como ler este capítulo
Fundamento
Este resumo é inspirado no capítulo 21 do Rockwood and Wilkins' Fractures in Children (10ª edição, 2025), de Rajiv Iyer e Douglas Brockmeyer, e reorganiza as ideias dele em português, na ordem em que as provas cobram o tema. Os números são os do capítulo. Como o arquivo do livro não tem página impressa, as referências apontam capítulo, seção, figura e tabela.
A banca cobra a anatomia que leva a lesão para o alto abaixo de 8 anos, a pseudossubluxação C2-C3 e a linha de SWISCHUK, o odontoide pela sincondrose, a explosão por carga axial e o diagnóstico da luxação atlanto-occipital.
Anatomia, mecanismos e atendimento inicial
Cobrança confirmada · 1 questão
Cerca de 1% das fraturas da criança e 2% das lesões da coluna. Abaixo de 8 anos, lesões altas: coluna hipermóvel por frouxidão ligamentar, facetas horizontais e cabeça grande (fulcro alto); depois, padrão do adulto. Déficit incompleto recupera melhor que no adulto; completo, mal em qualquer idade. Luxação atlanto-occipital = maior mortalidade; 89% das mortes no local.
Mecanismos: parto pélvico = cervical baixa ou torácica alta (tração); cefálico = alta (rotação); bebê hipotônico após parto difícil = pensar em lesão medular. Lactente fora do parto = maus-tratos na maioria. Pequeno: quedas, carro, atropelamento; cadeirinha voltada para a frente = distração alta. Adolescente: esporte e, depois, carro.
Transporte: abaixo de 8 anos, prancha com recesso occipital ou colchão duplo sob o tronco (a prancha comum flete o pescoço, HERZENBERG), mais colar. Intubação: estabilização manual em linha, sem tração. Exame: trauma craniano, marca do cinto, espinhosos C2, C3 e C7, exame neurológico documentado (esfíncter, bulbocavernoso).
Imagem e variantes normais
Cobrança confirmada · 3 questões
Algoritmo de consenso (Delphi): NEXUS para liberar sem radiografia (dor na linha média, déficit focal, consciência alterada, intoxicação, lesão que distrai; nenhum = 99% de sensibilidade); tomografia no gravemente traumatizado; ressonância de apoio (cuidado com falsos positivos). Dor que impede as dinâmicas: colar e retorno em 1 a 2 semanas (adesão baixa).
Pseudossubluxação de C2 sobre C3 (ou C3 sobre C4) até 3 mm, até cerca de 11 anos (prevalência até 20%). SWISCHUK e ROWE: linha da cortical anterior do espinhoso de C1 a C3; a de C2 a até 3 mm; mais = subluxação verdadeira. Afastamento dos espinhosos C1-C2 acima de 10 mm = lesão ligamentar. Fratura ou subluxação cervical = angiotomografia (artéria vertebral). ADI: 3 mm no adulto, até 4,5 a 5 mm na criança.
| Parece | Na verdade |
|---|---|
| Avulsão | Centro apical do odontoide; centros secundários das pontas dos transversos e espinhosos |
| Fratura | Sincondrose na base do odontoide; cunha anterior normal; angulação posterior do odontoide (cerca de 4%) |
| Instabilidade | Pseudossubluxação C2-C3; ossificação incompleta do odontoide; ADI até 4,5 mm |
| Outros | Partes moles alargadas pelo choro; objetos sobrepostos; facetas horizontais; os odontoideum |
Junção occipitocervical
Cobrança confirmada · 1 questão
Côndilo occipital: raro, pede tomografia (nervos cranianos baixos, trauma craniano, dor persistente); hipoglosso pelo canal acima do terço médio do côndilo. ANDERSON e MONTESANO: I impacção, II extensão da base do crânio, III avulsão (alar, pode ser instável); TULI: 1, 2A estável, 2B instável. Estáveis: colar; instáveis: halo.
Luxação atlanto-occipital: aceleração e desaceleração; estabilizadores primários = cápsulas, secundários = alares e membrana tectória. Pistas: sangue subaracnoide em torno do tronco, fraqueza sem explicação, desmame difícil. Tomografia com o CCI de PANG: normal menor que 3 mm; acima de 3,5 mm = ressonância; acima de 4 mm = forte evidência (0 a 3 anos, a cartilagem aumenta o CCI). POWERS e básio-dente: ultrapassados na criança. Tratamento: lesão ligamentar, halo falha; artrodese occipital a C2 posterior rígida (não O-C1 isolada; C1 não precisa ser instrumentado); C2 pela pars ou translaminar; colar até a fusão (3 a 4 meses).
C1 e C2: atlas, odontoide e enforcado
Cobrança confirmada · 2 questões
JEFFERSON (menos de 5%): carga axial; na criança, um traço pode "dobrar" numa sincondrose, ou só deformação plástica. Tomografia; ressonância para o ligamento transverso. SPENCE (6,9 mm) questionada. DICKMAN: I ruptura intrínseca = artrodese C1-C2; II avulsão óssea = halo (75%). Maioria estável: órtese por cerca de 8 semanas.
Odontoide: cerca de 10% das cervicais, idade média 4 anos, cadeirinha voltada para a frente. Sincondrose dentocentral fecha aos 7 a 9 anos: a fratura passa por ela = SALTER-HARRIS I. HOSALKAR (Tabela 21-1): I pela sincondrose (IA menor que 10%, IB 10% a 100%, IC mais de 100%), II acima. Consolida melhor que no adulto; redução em extensão; imobilização e controle em 8 semanas; instável: C1-C2 posterior (HARMS e MELCHER, transarticular de MAGERL; artéria vertebral alta impede em cerca de 11%).
Enforcado (pars de C2): hiperextensão e carga axial; mais comum no pequeno; afastar maus-tratos. Diferenciar da espondilólise congênita (falha simétrica, lisa, sem edema, na sincondrose neurocentral). LEVINE e EDWARDS (do adulto). Estável: imobilização 8 a 12 semanas.
Cervical baixa (C3 a C7)
Cobrança confirmada · 1 questão
Padrões do adulto são raros e aparecem no adolescente; o ligamento pesa tanto quanto o osso. Compressão: a mais comum (flexão e carga axial), estável, colar 3 a 6 semanas. Explosão: carga axial de alta energia; tomografia para retropulsão; sem déficit e alinhada, órtese; senão corpectomia anterior. Luxação facetária: adolescente; redução fechada com tração ou aberta; ressonância antes (hérnia, anel apofisário). Complexo discoligamentar: lesão isolada de uma coluna costuma ser estável.
| Fator | Pontos |
|---|---|
| Morfologia: compressão 1, explosão 2, distração 3, rotação ou translação 4 | 0 a 4 |
| Discoligamentar: indeterminado 1, rompido 2 | 0 a 2 |
| Neurológico: raiz 1, completa 2, incompleta 3; compressão persistente +1 | 0 a 4 |
Órteses, halo, corticoide e cirurgia
Possível cobrança
Colar rígido nas lesões leves; órtese moldada nas maiores. Halo a partir de cerca de 1 ano, com mais pinos (até 8) e menor torque; complicações em 68% (sobretudo infecção superficial e afrouxamento do pino). Metilprednisolona em dose alta: apenas opção (pouco ou nenhum benefício, mais complicações; CARUSO, 354 crianças). Cirurgia: colar até a mesa, MAYFIELD ou halo, rolamento em bloco, monitorização (potenciais motores e somatossensitivos). Via posterior: dissecção lateral de C1 até 8 mm abaixo de 2 anos, 10 mm de 2 a 8 e 12 mm nos maiores (artéria vertebral). Massas laterais: ROY-CAMILLE ou MAGERL (este dá parafuso mais longo, preferido nas pequenas).
Fechamento
Fundamento