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Fraturas do colo do fêmur e luxação traumática do quadril na criança

Ortopedia pediátricaResumo do capítulo7 min de leitura

DELBET (I transepifisária, II transcervical a mais comum, III cervicotrocantérica, IV intertrocantérica) com necrose de 38, 28, 18 e 5%, irrigação pela circunflexa medial, redução anatômica e fixação que pode cruzar a fise, RATLIFF, coxa vara e pseudartrose, fratura por estresse, luxação traumática posterior e o tempo até reduzir.

Atualizado em 28/10/2026 · 7 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 24 · Fractures and Traumatic Dislocations of the Hip in Children, em Rockwood and Wilkins' Fractures in Children, 10ª edição (2025). Autores do capítulo: Chinmay Paranjape e Vidyadhar Upasani.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de ortopedia pediátrica do Rockwood infantil, capítulo 24, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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No leitor: marcações, notas e as questões no meio do texto, que abrem sem perder o lugar da leitura.

Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado no capítulo 24 do Rockwood and Wilkins' Fractures in Children (10ª edição, 2025), de Chinmay Paranjape e Vidyadhar Upasani, e reorganiza as ideias dele em português, na ordem em que as provas cobram o tema. Os números são os do capítulo. Como o arquivo do livro não tem página impressa, as referências apontam capítulo, seção, figura e tabela.

As fraturas do quadril são menos de 1% das fraturas da criança, quase sempre de alta energia (30% com outras lesões), ao contrário do idoso. Trauma mínimo sugere osso doente (cisto, tumor, doença metabólica) ou maus-tratos no lactente. São temidas pelas complicações: necrose, coxa vara, fechamento fisário e pseudartrose. A banca cobra a classificação de DELBET e a necrose.

Anatomia e irrigação

Possível cobrança

O núcleo da cabeça ossifica por volta de 4 meses nas meninas e 5 a 6 nos meninos; o do trocânter, aos 4 anos; as fises proximal e trocantérica fecham por volta de 14 (meninas) e 16 anos (meninos). A fise proximal faz o crescimento metafisário do colo; o trocânter, o crescimento aposicional dele.

A fise é uma barreira: a irrigação metafisária da cabeça é praticamente inexistente por volta dos 4 anos. Daí em diante predominam os ramos retinaculares posterossuperiores da circunflexa femoral medial (vasos epifisários laterais, cervical ascendente lateral), que sobem pela face posterior e superior do colo. O ligamento redondo quase não contribui (20% no adulto). Muitos vasos pequenos viram poucos grandes, e a lesão de um só pode necrosar a porção anterolateral da cabeça. A cápsula espessa rasga pouco, e o hemartro pode tamponar os vasos. Capsulotomia anterior, longe da incisura intertrocantérica.

Classificação de DELBET

Cobrança confirmada · 7 questões

DELBET (cap. 24)
TipoLesãoFrequênciaNecrose
IATransepifisária sem luxaçãoTipo I: 8%Tipo I: 38% a 100%
IBTransepifisária com luxação da cabeçaPraticamente 100% (com fechamento fisário)
IITranscervical, intracapsular45% a 50%, a mais comum28% a 60%
IIICervicotrocantérica (basocervical)cerca de 34%18% a 27%
IVIntertrocantérica, extracapsularcerca de 12%cerca de 5%

Necrose por tipo na metanálise de MOON e MEHLMAN: 38, 28, 18 e 5%. Os tipos III e IV têm, em compensação, mais varo se mal tratados. A necrose aumenta com o desvio e com a idade acima de 10 anos. O tipo I é de alta energia na criança pequena, diferente da epifisiólise instável (trauma mínimo, pródromos, adolescente); pode ocorrer também na redução de uma luxação.

Tratamento

Cobrança confirmada · 2 questões

Objetivo: união anatômica. A conservadora gerou coxa vara demais; redução anatômica (fechada ou aberta) com fixação interna e gesso seletivo reduziu necrose, coxa vara e pseudartrose. Conservador só em: tipo I estável de 0 a 2 anos, II e III sem desvio de 0 a 5 anos e estresse sem desvio.

Tipo I. Até 2 anos, estável: gesso em abdução e rotação neutra (tende a varo e rotação externa); instável: fios lisos de 2 mm cruzando a fise + gesso 6 semanas. Acima de 2 anos, fixar sempre, mesmo sem desvio, cruzando a fise (parafusos canulados nos maiores). IB: uma tentativa fechada; falhou, redução aberta imediata pela direção da luxação (em geral posterior).

Tipos II e III. Redução fechada com tração, abdução e rotação interna; os autores abrem diante de qualquer desvio ou cominuição (SMITH-PETERSEN anterior + incisão lateral, ou luxação cirúrgica com o piriforme íntegro). Parafusos de 4 a 4,5 mm até 8 anos, de 6,5 a 7,3 mm depois, acima do trocânter menor; o tipo II pode cruzar a fise se a estabilidade exigir (as sequelas fisárias são menores que as da pseudartrose e da necrose); o III em geral não precisa. Fise não cruzada = gesso por 6 semanas (abaixo de 10 anos, em geral; acima de 12, a fixação transfisária dispensa).

Tipo IV. Sem desvio abaixo de 3 a 4 anos: gesso 6 a 12 semanas. Desviada acima de 3 anos ou acima de 10: parafuso deslizante ou placa bloqueada pediátrica, sem cruzar a fise.

Necrose

Cobrança confirmada · 3 questões

É a complicação mais grave e frequente, cerca de 30%, maior nos desviados IB, II e III, com o desvio e com a idade. O fator modificável mais importante é a qualidade da redução. Tratar em até 24 horas parece ajudar (razão de chances de 4,2 após 24 horas numa revisão), embora haja estudos contrários. A capsulotomia não reduziu a necrose. Sinais em média aos 11 meses, até 2 anos. Resultados ruins em mais de 60%, piores acima de 10 anos; bisfosfonato precoce ajudou numa série.

RATLIFF (cap. 24)
TipoÁreaPrognóstico
ICabeça inteiraO mais comum e o pior
IIParte da cabeçaIntermediário
IIIColo, da fratura até a fiseRaro, bom se a fratura consolida

Coxa vara, fise e pseudartrose

Possível cobrança

Coxa vara em 20% a 30% (menos com fixação): remodela abaixo de 8 anos ou com ângulo acima de 110 graus; senão, osteotomia valgizante subtrocantérica. Fechamento fisário em cerca de 28% (implante cruzando a fise, necrose); a fise proximal faz só 13% do membro (3 mm por ano), e a discrepância só pesa na criança pequena; tratar se 2,5 cm ou mais; epifisiodese do trocânter até 8 anos. Pseudartrose em 7% (tipos II e III), por redução não anatômica: com fixação estável, osteotomia valgizante subtrocantérica; senão, refixar de forma rígida.

Fratura por estresse do colo

Possível cobrança

Rara na criança; atividade nova ou aumentada, vitamina D baixa, tríade da atleta. Dor na virilha, coxa ou joelho; radiografia normal por 4 a 6 semanas; ressonância. Compressão (cortical inferior): sem carga, carga parcial em 6 a 8 semanas. Tensão (cortical superior, transversa): instável, parafusos in situ. Qualquer varo: fixar.

Luxação traumática do quadril

Cobrança confirmada · 2 questões

Menos de 5% das luxações da criança. Posterior em mais de 90% (quadril fletido e aduzido); anterior menos de 10%. Abaixo de 6 anos: baixa energia, isolada, com hiperfrouxidão, coxa valga ou pouca cobertura; acima: alta energia e lesões associadas. Classificações: direção, STEWART-MILFORD (fraturas associadas) e PIPKIN (cabeça).

Redução = urgência: mais de 6 horas é o maior fator de risco para necrose (cerca de 10%). Entre 12 e 16 anos, reduzir com anestesia geral, relaxamento e radioscopia (risco de descolar a epífise). Imagem pós-redução sempre: espaço alargado (até 26%) que persiste = interposição (lábio, cápsula, fragmento) → ressonância, retirada aberta ou artroscópica. A parede posterior cartilaginosa é subestimada na tomografia. Gesso 4 a 6 semanas nos pequenos; seguir 2 anos. Isquiático em cerca de 5%: lesado antes da redução, observar; durante a manobra, explorar. Anterior: feixe femoral em até 25%. Condrólise até 6%, coxa magna 0% a 47%, recidiva menos de 3% (abaixo de 8 anos, frouxidão).

Fechamento

Fundamento

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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