Orto Questões

Fraturas da clavícula e da escápula e lesões acromioclavicular e esternoclavicular na criança

Ortopedia pediátricaResumo do capítulo9 min de leitura

Clavícula com terço médio em até 80%, queda sobre o ombro na idade escolar, fratura de parto à direita, tipoia mesmo nas desviadas do adolescente; terço lateral com o osso saindo pelo periósteo superior e desvio posterior no trapézio; escápula e maus-tratos; acromioclavicular tipo IV; esternoclavicular posterior no centro cirúrgico.

Atualizado em 28/10/2026 · 9 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 20 · Clavicle and Scapula Fractures and Acromioclavicular and Sternoclavicular Injuries, em Rockwood and Wilkins' Fractures in Children, 10ª edição (2025). Autores do capítulo: Benton E. Heyworth.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de ortopedia pediátrica do Rockwood infantil, capítulo 20, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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No leitor: marcações, notas e as questões no meio do texto, que abrem sem perder o lugar da leitura.

Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado no capítulo 20 do Rockwood and Wilkins' Fractures in Children (10ª edição, 2025), de Benton E. Heyworth, e reorganiza as ideias dele em português, na ordem em que as provas cobram o tema. Os números são os do capítulo. Como o arquivo do livro não tem página impressa, as referências apontam capítulo, seção, figura e algoritmo.

Cinco lesões: terço médio da clavícula, terço lateral, escápula, acromioclavicular e esternoclavicular. A banca cobra sobretudo a clavícula: mecanismo na idade escolar, proporção do terço médio, lado da fratura de parto, o periósteo na fratura lateral da criança e a redução da esternoclavicular posterior.

Clavícula: epidemiologia, mecanismos e recém-nascido

Cobrança confirmada · 5 questões

A clavícula responde por 5% a 15% das fraturas pediátricas; terço médio até 80%, terço lateral 10% a 30% (segundo lugar). As pontas são presas pelos ligamentos costoclavicular (medial), conoide e trapezoide (lateral), e a força se concentra no meio. Ossificação intramembranosa com 5 semanas e meia; cresce 8,4 mm por ano até os 12; 80% do comprimento aos 9 anos (F) e 12 (M), mas é o último osso a terminar a ossificação, por volta dos 25 anos. PENNOCK: remodelação completa ou quase em 85% abaixo de 14 anos e 54% a partir dos 14.

Mecanismos por idade. Parto: macrossomia, parto difícil (também na cesárea), incidência até 4,4%; ombro anterior, em geral o direito, porque a apresentação occipito-esquerda-anterior é a mais comum. Pequeno: quedas de altura e maus-tratos (abaixo de 4 anos, 4% contra 1%). Escolar: queda com compressão na face lateral do ombro; trauma direto é menos comum e a queda sobre a mão espalmada em geral não basta. Adolescente: esporte (66% numa série de 545), alta energia; estresse é raro.

Recém-nascido: menos movimento, choro, crepitação, MORO diminuído; HORNER ou dedos parados = plexo grave (raízes baixas). Consolida em 1 a 3 semanas; a pseudoparalisia se separa da paralisia braquial (ERB, C5 e C6) com 3 a 4 semanas. Imobilização simples por cerca de 1 semana. Diferencial: pseudartrose congênita, mais rara, à direita exceto na dextrocardia. Exame do maior: ombro caído, pele em tenda, cordão medial e nervo ulnar, pulso radial. Radiografia em AP e com inclinação cefálica de 15 a 45 graus; tomografia quase só para pseudartrose, refratura, terço lateral e esternoclavicular.

Clavícula: tratamento do terço médio

Possível cobrança

O padrão é não operatório, mesmo nas completamente desviadas. Indicações absolutas de cirurgia: exposta e lesão neurovascular. Relativas: pele em tenda com risco de necrose, ombro flutuante (fixar só a clavícula costuma bastar: a glenoide reduz por ligamentotaxia coracoclavicular), politrauma. A dormência da parede torácica (nervos supraclaviculares) não indica cirurgia: observar 2 a 3 meses. No protocolo do autor também operam refraturas múltiplas e desviadas sintomáticas sem calo entre 6 semanas e 3 meses.

O limiar de 20 mm de encurtamento vem do adulto (ensaio canadense, idade média 33,5 anos). No adolescente, SCHULZ e BAE não viram déficit com mais de 15 a 20 mm, e a medida tradicional superestima o encurtamento. HEYWORTH, prospectivo com 416 desviadas: sem diferença funcional, mais complicações e mais reoperações na cirurgia; pseudartrose 0,4%, retardo 1,9%, viciosa sintomática 0,4%, refratura 2,6%. FACTS (125 operados): complicações em 43% (21% relevantes) e 10% de cirurgia inesperada. Acima de 30 mm ou cominuição grave: decisão compartilhada, ainda recomendando o não operatório. Se operar: placa (superior, incisão 1 a 2 cm abaixo, proteger os supraclaviculares; irritação em cerca de 18%), não haste.

Protocolo: tipoia integral 2 semanas, parcial até 6 semanas; sem contato e musculação com 6 semanas; contato com 3 meses após radiografia de consolidação avançada. Consolida em 4 a 8 semanas sem desvio e 10 a 12 desviada. Pseudartrose rara (25 casos em nove hospitais em 11 anos; único fator de risco, a refratura), tratada com placa.

Clavícula: terço lateral

Cobrança confirmada · 3 questões

Mecanismo: golpe direto ou queda sobre o acrômio com o braço aduzido. Na criança, o osso sai do tubo de periósteo, rasgando o periósteo superior, e os coracoclaviculares continuam presos ao periósteo inferior: lesão desses ligamentos é rara. Coracoclavicular: trapezoide a cerca de 2 cm da acromioclavicular, conoide a cerca de 4 cm; espaço de 1,1 a 1,3 cm.

Terço lateral: NEER modificada por CRAIG (cap. 20)
TipoTraçoDesvio
ILateral aos coracoclaviculares, fora da articulaçãoPouco
II AMedial aos coracoclavicularesProximal sobe
II BEntre os coracoclaviculares, lesão do conoideProximal sobe
IIILateral aos coracoclaviculares, entra na acromioclavicularPouco
IVMedial à fise (só no imaturo), análogo ao II AGrande
VFragmento cortical inferior preso aos coracoclavicularesInstável

Palpar atrás da acromioclavicular: o fragmento pode estar encarcerado no trapézio. Axilar é crítica (e tomografia quando não basta). Quase todas sem cirurgia (tipoia 6 semanas; contato com 2 a 3 meses). Absolutas: exposta, pele comprometida, intra-articular desviada, lesão neurovascular. A indicação mais comum na criança é o desvio posterior importante (descontinuidade ou trapézio). Técnica: sutura do periósteo nos menores; placa anatômica nos maiores; placa em gancho como último recurso (retirada sempre); evitar fios lisos (migram para pulmão, mediastino e vasos). Pseudartrose do tipo II é alta no adulto (25% a 44%), rara na criança.

Escápula

Possível cobrança

Cerca de 1% das fraturas do adulto, menos na criança: corpo 45%, colo da glenoide 25%, cavidade 10%, acrômio 8%, coracoide 7%, espinha 5%. Osso coberto por 17 inserções musculares: só quebra com alta energia ou maus-tratos. BULLOCK: maior risco de abuso depois de costela e esterno. Lesões associadas graves (crânio, tórax, vísceras); na suspeita de abuso, tomografia de crânio, oftalmologia, inventário esquelético e serviço social. Os acromiale é variante normal, não fratura. Coracoide: avulsão pela fise na base (tração ligamentar) ou na ponta (tendão conjunto).

Colo da glenoide: tipo I (menos de 1 cm e 40 graus, 90%) e tipo II (mais de 1 cm e 40 graus). Cavidade glenoidal: seis tipos (Fig. 20-12). Cirurgia: exposta, lesão neurovascular, dissociação escapulotorácica, rebordo grande com luxação, colo tipo II, coracoide mais de 2 cm, cavidade mais de 5 mm; degrau final menos de 2 mm (80% a 90% bons no adulto). O resto: tipoia 3 a 4 semanas, esporte em 8 a 12.

Acromioclavicular

Possível cobrança

Rara na criança: muitas vezes é pseudoluxação (separação epifisária do terço lateral). Golpe no acrômio com o ombro aduzido. ROCKWOOD (Fig. 20-13): I entorse; II ruptura acromioclavicular; III ruptura também dos coracoclaviculares, 25% a 100% acima; IV posterior no trapézio; V mais de 100%, subcutânea; VI subacromial ou subcoracoide. Na criança, o osso reproduz os tipos saindo do periósteo. Radiografia: AP, axilar e ZANCA (10 a 15 graus cefálicos); com peso separa II de III; tipo IV pede tomografia.

Tratamento: I, II e a maioria dos III sem cirurgia (tipoia 2 a 4 semanas, contato evitado por 6 a 12). IV, V e VI operados; o mais operado nos jovens é o IV com encarceramento no trapézio, o mais perdido no AP. Na criança, reduzir e suturar o periósteo; placa em gancho nos maiores, retirada com cerca de 12 semanas.

Esternoclavicular

Cobrança confirmada · 2 questões

Menos de 5% da cintura escapular; mais de 80% por carro ou esporte (71% esporte: futebol americano, rúgbi, luta). Anterior por golpe lateral com o ombro estendido (a maioria das anteriores é atraumática, com frouxidão); posterior por força com o ombro aduzido e fletido ou golpe direto. Disfagia ou dispneia em até 30%. A epífise medial só ossifica aos 18 a 20 anos e fecha aos 22 a 25; a fise medial faz 80% do crescimento; luxação e fratura fisária têm incidência quase igual. Imagem: incidência serendipity (40 graus cefálicos: anterior parece mais alta, posterior mais baixa), mas a tomografia é o exame de escolha.

Anterior atraumática: imobilizar e reabilitar. Posterior: redução fechada no centro cirúrgico com cirurgião vascular de prontidão, decúbito dorsal, coxim espesso entre as escápulas, braço abduzido em linha com a clavícula com tração, depois extensão; pinça de campo se falhar. Sucesso cai depois de 24 a 48 horas. Com sintomas mediastinais, aberta. O autor opera todas as posteriores: sutura não absorvível em oito, com cirurgião torácico disponível e tórax preparado (96% sem dor e sem recidiva). Evitar fios e Dacron; cuidado com a hiper-redução.

Fechamento

Fundamento

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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