Orto Questões

Fraturas patológicas e maus-tratos na criança

Ortopedia pediátricaResumo do capítulo6 min de leitura

Cisto ósseo simples e aneurismático, fibroma não ossificante, displasia fibrosa, osteogênese imperfeita, escorbuto e fraturas nas doenças neuromusculares; nos maus-tratos, KLEINMAN (metafisária clássica, costela posterior, escápula, processo espinhoso, esterno), inventário esquelético abaixo de 2 anos repetido em 2 semanas, equimoses, queimaduras, fêmur e conduta.

Atualizado em 28/10/2026 · 6 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 7 · Pathologic Fractures and Nonaccidental Injuries, em Rockwood and Wilkins' Fractures in Children, 10ª edição (2025). Autores do capítulo: Alexandre Arkader e Karim Masrouha.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de ortopedia pediátrica do Rockwood infantil, capítulo 7, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

Ler no leitor do Orto QuestõesCriar conta grátis

No leitor: marcações, notas e as questões no meio do texto, que abrem sem perder o lugar da leitura.

Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado no capítulo 7 do Rockwood and Wilkins' Fractures in Children (10ª edição, 2025), de Alexandre Arkader e Karim Masrouha, e reorganiza as ideias dele em português, na ordem em que as provas cobram o tema. Os números são os do capítulo. Como o arquivo do livro não tem página impressa, as referências apontam capítulo, seção, figura e tabela.

O capítulo tem duas metades: as fraturas patológicas (osso doente, local ou generalizado) e os maus-tratos. A banca cobra muito a segunda: a especificidade das fraturas segundo KLEINMAN, a lesão metafisária clássica e o tipo mais frequente de maus-tratos.

Fraturas patológicas: princípios

Fundamento

A fratura é consequência da doença de base, e o tratamento deve considerá-la; sem diagnóstico claro, usar métodos temporários (gesso, órtese, tração) para não complicar o tratamento da doença. Biópsia com cuidado: furo oval de bordas lisas, em área de menor carga; hoje a maioria por via percutânea guiada por imagem.

Lesões tumorais e pseudotumorais

Possível cobrança

Lesões que fraturam (cap. 7)
LesãoMarcaFratura e conduta
Cisto ósseo simplesCentral, cavidade única, úmero e fêmur proximais; fragmento caído80% se apresentam com fratura; membro superior = conservador (cerca de 10% cicatrizam); quadril = cirurgia; curetagem e enxerto cicatrizam mais de 80%
Cisto ósseo aneurismáticoExcêntrico, septado, expande além da fise, níveis líquidos; t(16;17) USP6Fratura em 11% a 35%; não cicatriza sozinho; recidiva até 30% (mais nos pequenos); ressecção em 4 passos, cerca de 8%
Defeito fibroso e fibroma não ossificanteCortical, excêntrico, borda esclerótica; 20% das criançasRisco acima de 50% do diâmetro, RITSCHL B; imobilizar, a lesão persiste; cirurgia depois de consolidar
EncondromaCalcificação pontilhada; falanges; OLLIERCuretagem se dor ou fratura repetida
OsteocondromaContinuidade cortical e medularFratura rara, na base do pedículo
Displasia fibrosaVidro fosco, diafisária; McCUNE-ALBRIGHTEnxerto vira displasia (cortical resiste mais); haste intramedular; cajado de pastor no fêmur proximal

Osteossarcoma e EWING podem se apresentar com fratura; com quimioterapia neoadjuvante e boa conduta da fratura, a cirurgia de preservação do membro é possível, sem aumento da recidiva local, e numa análise de 2.193 crianças a fratura não alterou a sobrevida em 5 anos.

Doenças sistêmicas

Possível cobrança

Osteogênese imperfeita. Colágeno tipo I (COL1A1, COL1A2); 1 em 20.000. Fraturas transversas, diafisárias, pouco desviadas, consolidação quase normal; fêmur o mais comum; calo hiperplásico em borboleta imita infecção ou tumor; avulsão da apófise do olécrano quase patognomônica. Evitar imobilização longa (ciclo de osteopenia); hastes intramedulares, de preferência a partir de 6 a 7 anos, extensíveis no imaturo; bisfosfonatos nos graves. Antes do diagnóstico, afastamento da criança em 70%; o teste genético acha a mutação em 98% dos quadros típicos.

Osteopetrose: falha dos osteoclastos, ossos densos e quebradiços, coluna em "camisa de rúgbi", frasco de ERLENMEYER; maioria conservadora, cirurgia no colo e na coxa vara. Raquitismo: tratar a causa; epifisiólise bilateral na osteodistrofia renal. Escorbuto: linha de FRÄNKEL, zona de TRÜMMERFELD, esporão de PELKEN, sinal do canto, anel de WIMBERGER. Leucemia: osteopenia difusa, linhas lucentes justaepifisárias, fraturas vertebrais (risco cerca de 20%). Anemia falciforme: tratar sem cirurgia quando possível; transfundir a 10 g/dL antes de cirurgia eletiva.

Doenças neuromusculares. Paralisia cerebral (GMFCS 4 e 5, contraturas, convulsões): fraturas de 4% a 14%, sobretudo diáfise do fêmur, 20% de refratura. Mielomeningocele: 12% a 31% (torácica cerca de 40%); diáfise do fêmur a mais comum, depois o fêmur distal; a fratura fisária imita infecção e pede imobilização longa sem carga; látex em 18% a 40%. DUCHENNE: 1 semana de cadeira pode encerrar a marcha; haste e mobilização precoce. Artrogripose: fraturas em 25% dos lactentes.

Maus-tratos: epidemiologia e risco

Cobrança confirmada · 1 questão

Cerca de 60% negligência, 16% físico, 10% sexual, 7% psicológico. Maior taxa de vítimas nos lactentes; o abuso é a segunda causa de morte entre 1 e 6 meses. Casa com adulto sem parentesco: morte 50 vezes maior (agressor em 83,9%). Crises familiares, drogas, mãe abaixo de 20 anos, depressão. Maioria abaixo de 3 anos (78% das fraturas); prematuros, enteados, crianças com deficiência, gêmeos.

Reconhecimento

Cobrança confirmada · 10 questões

Ortopedistas atendem 30% a 50% dos maltratados; criança devolvida sem diagnóstico tem 25% de nova lesão grave e 5% de morte. História: quem viu, quando, demora em procurar atendimento; queda de pequena altura raramente mata. Partes moles em 81% a 92% (o achado mais comum): equimose em quem não anda (abaixo de 5 meses, só 1,3% acidental), longe de proeminências, em orelhas, face, nádegas, abdome; fotografar antes de gessar. Queimaduras (cerca de 20%): imersão intencional com linha d'água nítida, profundidade uniforme, prega glútea e fossas poplíteas poupadas.

Especificidade de KLEINMAN (Tabela 7-7, cap. 7)
EspecificidadeLesões
AltaMetafisária clássica; costela posterior; escápula; processo espinhoso; esterno
ModeradaMúltiplas (bilaterais); fases diferentes de consolidação; descolamento epifisário; corpo vertebral; dedos; crânio complexo
BaixaClavícula; diáfise de osso longo; crânio linear

A lesão metafisária clássica (canto ou alça de balde), fratura pela esponjosa primária logo acima da zona de calcificação provisória, por sacudidas ou tração, é quase patognomônica, mas não a mais comum (15% a 32%). Costelas: valor preditivo de 95% abaixo de 3 anos, posteriores entre T4 e T9, pela alavanca sobre o processo transverso. Na série de KING, 60% das fraturas ficaram em proporções parecidas entre úmero, fêmur e tíbia; em AKBARNIA, as costelas foram duas vezes mais frequentes que qualquer osso longo. Fêmur: 42% de abuso no lactente que não anda, 2,6% no que anda; transversa em 71% das diafisárias dos maltratados.

Inventário esquelético e conduta

Possível cobrança

Inventário obrigatório abaixo de 2 anos com suspeita, individualizado de 2 a 5, pouco útil acima de 5; também para irmãos abaixo de 2 anos (11,9% positivos). Incidências separadas, oblíquas do tórax, perfil de toda a coluna; sem babygrama. Repetir em 2 semanas: 27% mais fraturas. Datação inexata: reação periosteal a partir de 4 dias, em 50% até 2 semanas. Exames: hemograma, VHS, função hepática, urina, coagulação ampla se houver sangramento; cálcio, fósforo, fosfatase e vitamina D no prematuro. Diagnóstico diferencial: osteogênese imperfeita, raquitismo, escorbuto, leucemia, CAFFEY, osteomielite, sífilis congênita, variantes metafisárias normais; doença metabólica não exclui abuso.

Conduta: internar (ambiente seguro e avaliação social), acionar a equipe de proteção e notificar a suspeita (falso positivo é preferível; boa-fé protege o médico). No tribunal, o ortopedista pode ser testemunha de fato ou perito.

Fechamento

Fundamento

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

Abrir no leitorCriar conta grátis

No leitor do aplicativo, quem não tem conta lê as 6 primeiras partes; a leitura completa é grátis com a conta.

Continue estudando