Orto Questões

Fraturas do rádio e da ulna distais na criança

Ortopedia pediátricaResumo do capítulo41 min de leitura

Toro, galho verde e baioneta; a rotação de cada ápice; periósteo íntegro e o que se interpõe; THURSTON-HOLLAND e a fise que não se força depois de 7 dias; perda de redução em 20% a 30% e índice do gesso de 0,7; Galeazzi conservador; parada fisária de 4% no rádio e até 55% na ulna; a ginasta e o impacto ulnocarpal.

Atualizado em 28/10/2026 · 41 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 8 · Fractures of the Distal Radius and Ulna, em Rockwood and Wilkins' Fractures in Children, 9ª edição (2020). Autores do capítulo: William L. Hennrikus e Donald S. Bae.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de ortopedia pediátrica do Rockwood infantil, capítulo 8, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo foi escrito a partir do capítulo 8 do Rockwood and Wilkins' Fractures in Children, de Hennrikus e Bae, na ordem em que as provas cobram o tema. Ele reorganiza as ideias do capítulo em português, explica o porquê de cada regra e mostra, no meio do texto, as questões reais do acervo sobre cada ponto. Os números são os do capítulo. A edição não aparece impressa nas páginas enviadas; pela numeração (capítulo 8, páginas 385 a 466) e pela bibliografia, trata-se muito provavelmente da 9ª edição.

O punho da criança cai quase todo ano no TARO e no TEOT, e a banca gira em poucos blocos: a rotação que produz cada galho verde (ápice volar com supinação, ápice dorsal com pronação) e a manobra que a desfaz; o periósteo (qual lado fica íntegro na baioneta e o que se interpõe na fratura irredutível); a fise distal do rádio (SALTER-HARRIS II, THURSTON-HOLLAND, a redução que não se força depois de 7 dias); as complicações (a perda de redução e a consolidação viciosa); o Galeazzi da criança, que, ao contrário do adulto, é tratado sem cirurgia; e a lesão fisária por estresse da ginasta. Por baixo de tudo está uma ideia só: o rádio distal da criança tem uma fise muito ativa ao lado e um periósteo grosso em volta, e por isso remodela muito, reduz bem e quase nunca precisa de placa.

A fronteira com o capítulo vizinho (fraturas diafisárias do rádio e da ulna) é a diáfise: deformidade plástica, galho verde diafisário, refratura e haste intramedular elástica ficam lá. Aqui ficam a metáfise e a fise distais, o Galeazzi, a ulna distal e a fibrocartilagem triangular.

Epidemiologia e quem se machuca

Cobrança confirmada · 2 questões

As fraturas do antebraço são as fraturas de ossos longos mais comuns da criança: incidência anual de cerca de 1,5 por 100 crianças e até 40% de todas as fraturas pediátricas. Dentro do antebraço, o rádio e a ulna distais são os mais acometidos, e a metáfise distal do rádio é o local de fratura mais comum do antebraço na criança e no adolescente. Os picos de incidência ocorrem no estirão de crescimento pré-adolescente, e o membro mais atingido é o não dominante, no sexo masculino.

Por que ali e por que nessa idade. Os estudos de carga sobre resistência mostram que, no estirão, o crescimento longitudinal anda mais rápido que a mineralização, e o osso fica temporariamente mais fraco. A fise distal do rádio faz a maior parte do crescimento do rádio e recebe cerca de 70% da carga do punho; a cortical da metáfise é fina e porosa. Por isso a fratura mais comum é a metafisária, seguida da fisária. O rádio quebra muito mais que a ulna, e a fratura da ulna distal costuma vir junto com a do rádio.

Os outros fatores que o capítulo lista:

  • sexo: cerca de três vezes mais em meninos, provavelmente por comportamento e atividades de mais risco, embora a qualidade óssea preveja risco menor neles (salvo no início da puberdade); a participação crescente das meninas no esporte pode mudar a razão;
  • estação: mais fraturas e mais graves no verão; num estudo galês, a incidência no inverno foi cerca da metade (5,9 contra 10,7 por 1.000 ao ano);
  • risco individual: sobrepeso, equilíbrio postural ruim, frouxidão ligamentar e menor mineralização;
  • esporte: esqui e snowboard, basquete, futebol, futebol americano, patins e hóquei; a munhequeira reduz a lesão no snowboard, sobretudo no iniciante e no equipamento alugado;
  • tendência: a frequência está aumentando, pela menor densidade óssea, maior índice de massa corporal, atividades de mais risco e início mais precoce no esporte.

O mecanismo e a regra da rotação

Cobrança confirmada · 4 questões

O mecanismo habitual é a queda com a mão estendida. Com o punho em extensão no momento da carga, a face volar do antebraço distal falha por tensão e a dorsal por compressão: o fragmento distal vai para dorsal e a angulação tem ápice volar (figura 8-1). Ao contrário, a carga axial com o punho fletido leva o fragmento distal para volar, com ápice dorsal (figura 8-2). Golpe direto também fratura e desvia. Além da angulação, há rotação, conforme a posição do antebraço e as forças de torção na queda.

O espectro depende da energia: do toro sem desvio, típico da criança pequena com queda mínima, até a fratura com desvio dorsal e ápice volar, mais comum na criança maior com trauma de mais energia; o desvio pode chegar ao encurtamento com aposição em baioneta, e há fraturas articulares do tipo adulto. Quedas de altura podem associar o rádio distal a uma fratura mais proximal do antebraço ou do cotovelo, o "cotovelo flutuante", de mais energia, com mais risco de lesão neurovascular e de síndrome compartimental (figura 8-3).

A rotação de cada ápice

Para o galho verde, o capítulo amarra cada ápice a uma rotação e daí tira a manobra:

Rotação e redução do galho verde do rádio distal
AngulaçãoFragmento distalRotação do mecanismoRotação na reduçãoForça no fragmento distal
Ápice volar (o mais comum)dorsalsupinação (com extensão)pronaçãode dorsal para volar
Ápice dorsalvolarpronação (com flexão)supinaçãode volar para dorsal

A lógica é desfazer a rotação que produziu a fratura. A mesma regra reaparece no Galeazzi (ápice volar com a ulna luxada para volar reduz em pronação) e no gesso, que é moldado em três pontos conforme o padrão (figura 8-28): no ápice volar, os pontos proximal e distal ficam na face dorsal e o ponto médio na face volar, logo acima do foco; no ápice dorsal, o contrário.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 8-28. Molde em três pontos. Em cima, para as fraturas anguladas para dorsal (ápice volar): pontos proximal e distal na face dorsal do gesso e ponto médio na face volar, logo proximal ao foco. Embaixo, para as anguladas para volar, com o periósteo íntegro do lado volar: pontos proximal e distal na face volar e ponto médio na dorsal. Rockwood and Wilkins' Fractures in Children, 9ª edição (2020).

A posição do gesso depois da redução é controversa. A justificativa da pronação é corrigir a deformidade em supinação do ápice volar; POLLEN achava o braquiorradial uma força deformante em pronação, relaxado em supinação (figura 8-61), e defendia a supinação para todos; KASSER, leve supinação; outros, posição neutra, pelo espaço interósseo; GUPTA e DANIELSSON encontraram resultado melhor em supinação no galho verde metafisário, mas BOYER, em 109 fraturas do terço distal, não viu diferença entre neutro, supinação e pronação.

Toro, galho verde, completa e baioneta: o periósteo decide

Cobrança confirmada · 3 questões

O capítulo classifica as fraturas do rádio e da ulna distais pelo padrão, pelo tipo de fratura associada da ulna e pela direção do desvio, da angulação e da rotação, e depois pela relação com a fise. As fisárias seguem SALTER-HARRIS (próxima seção). As metafisárias são diferentes das do adulto por causa do periósteo grosso em volta de uma cortical fina, e se dividem em três padrões biomecânicos (figura 8-17), com boa concordância entre observadores:

Os padrões metafisários
PadrãoForçaO que aconteceEstabilidade
Toro (abaulamento)compressão axiala cortical se dobra; falha na transição metáfise-diáfise; periósteo íntegrointrinsecamente estável
Galho verde (incompleta)compressão, tensão e rotaçãouma cortical rompe por completo e a outra se deforma plasticamente; no padrão comum, a volar rompe por tensão e a dorsal é comprimidabem mais instável que o toro
Completacarga maioras duas corticais rompem; o comprimento pode ficar mantido ou o fragmento distal cavalga dorsal e proximal (baioneta)a mais instável

A fratura da ulna associada pode estar na metáfise, na fise ou no estiloide, completa ou incompleta. O rádio distal também pode vir com fratura mais proximal do antebraço, Monteggia, supracondiliana do úmero (o cotovelo flutuante da criança, instável e com mais risco de consolidação viciosa e de síndrome compartimental) ou fratura do carpo.

O periósteo na baioneta e o que se interpõe

Na fratura completa desviada, o periósteo do lado para onde o fragmento distal foi fica íntegro e o do lado oposto se rompe, e a ponta do fragmento proximal sai pelo rasgo:

  • baioneta dorsal (o padrão comum, ápice volar): o periósteo dorsal fica íntegro e o volar se rompe (figura 8-9);
  • baioneta volar ou reversa (ápice dorsal): o periósteo volar fica íntegro e o dorsal se rompe; a ponta distal do fragmento proximal com frequência atravessa os tendões extensores como uma casa de botão, e os extensores ficam afastados para os lados do fragmento (figura 8-2).

A manga íntegra é a aliada da redução: funciona como banda de tensão. É por isso que a tração pura falha na baioneta e que a manobra começa pela hiperextensão (próxima seção sobre a redução). Quando a fratura não reduz, o tecido interposto vem do lado roto:

Fratura irredutível do rádio distal da criança
Desvio do fragmento distalEstrutura interposta
Dorsalperiósteo volar ou pronador quadrado; raramente tendões flexores ou estruturas neurovasculares
Volarperiósteo ou tendões extensores (lado dorsal)

Na via volar, o pronador quadrado é levantado da borda radial para a ulnar e só então aparece o periósteo volar, que é o interposto mais frequente; ele é retirado da fise com cuidado. No descolamento fisário irredutível, a exposição é feita pelo lado do periósteo rompido: volar na fratura com desvio dorsal. A redução fechada raramente falha sem interposição; várias tentativas numa baioneta podem produzir edema que a impede, e, se a criança já não tem idade para remodelar a baioneta, a redução aberta é a conduta.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 8-2. Baioneta reversa. A: a baioneta volar típica; muitas vezes a extremidade distal do fragmento proximal atravessa os tendões extensores como uma casa de botão (setas). B: periósteo volar íntegro e dorsal rompido; os extensores ficam afastados para os dois lados do fragmento proximal. Rockwood and Wilkins' Fractures in Children, 9ª edição (2020).

A fise distal do rádio: SALTER-HARRIS e THURSTON-HOLLAND

Cobrança confirmada · 4 questões

As fraturas fisárias seguem a classificação de SALTER-HARRIS, e a maioria é tipo II. No padrão comum, de ápice volar, a epífise e o fragmento metafisário dorsal de THURSTON-HOLLAND vão para dorsal, como se vê no perfil (figura 8-12); o tipo I também costuma desviar para dorsal. O desvio volar dos tipos I e II é menos comum (figura 8-13, com um fragmento metafisário volar grande).

O tipo I sem desvio pode ter como único sinal o deslocamento do coxim gorduroso do pronador quadrado (hemorragia subperiosteal que empurra a gordura para volar; figura 8-14), a ultrassonografia ou a dor à palpação da fise; o coxim gorduroso do escafoide sugere fratura do escafoide (figura 8-15). Duas semanas depois, a neoformação periosteal confirma a fratura.

O tipo III é raro e decorre de compressão, cisalhamento ou avulsão da origem radial dos ligamentos radiocárpicos volares (figura 8-16). As fraturas equivalentes à triplanar (tipos II e III em planos diferentes) também são raras. Tomografia pode ser necessária para definir o padrão e o desvio articular.

O tratamento do descolamento desviado tipos I e II é a redução fechada atraumática (sedação consciente, analgesia ou, raramente, anestesia), por tração suave e flexão da epífise, do carpo e da mão sobre a metáfise, usando o periósteo dorsal íntegro como banda de tensão (figura 8-32). Ao contrário do adulto, a tração com dedeiras e pesos costuma atrapalhar; as dedeiras servem para apoiar o membro com pouco peso. O gesso faz três pontos sobre o rádio distal e segue o contorno do antebraço; o molde dorsal distal não pode ser fundo e distal a ponto de bloquear as veias dorsais da mão.

Anatomia que explica as regras

Cobrança confirmada · 1 questão

Ossificação e crescimento

A epífise distal do rádio aparece entre 0,5 e 2,3 anos nos meninos e 0,4 e 1,7 ano nas meninas; começa transversa e logo fica triangular, e o estiloide radial se alonga com a maturidade (figura 8-18). O centro secundário da ulna distal aparece por volta dos 7 anos; o estiloide ulnar surge com o estirão. A fise distal da ulna fecha em média aos 16 anos nas meninas e 17 nos meninos, e a do rádio cerca de 6 meses depois.

As fises distais do rádio e da ulna fazem cerca de 75% a 80% do crescimento do antebraço e 40% do crescimento do membro superior. É esse motor de crescimento ao lado da fratura que explica a remodelação.

Punho, radioulnar distal e fibrocartilagem triangular

O rádio distal tem três concavidades: as fossas do escafoide e do semilunar e a incisura sigmoide para a cabeça da ulna. Os ligamentos volares são os estabilizadores principais do radiocarpo: colateral radial, radioescafocapitato, radiossemilunopiramidal (radiossemilunar longo) e radioescafossemilunar (radiossemilunar curto); os dorsais (radioescafoide e radiopiramidal) importam menos. O punho normal faz 120 graus de flexão e extensão, 50 graus de desvio radial e ulnar e 150 graus de rotação do antebraço.

O complexo da fibrocartilagem triangular é o estabilizador principal das articulações ulnocárpica e radioulnar distal. Sai da incisura sigmoide do rádio, cruza a radioulnar distal e se insere na base do estiloide da ulna; segue para distal como ulnossemilunar, ulnopiramidal e colateral ulnar até o carpo ulnar e a base do quinto metacarpo; o centro é o disco articular (figura 8-19). Os ligamentos ulnocárpicos volares (o ligamento em V) são estabilizadores importantes.

A incisura sigmoide, côncava, não casa perfeitamente com a cabeça da ulna, convexa e assimétrica, e permite alguma translação na rotação. A radioulnar distal é mais estável nos extremos da rotação. Em pronação, a estabilidade depende da tensão na margem volar da fibrocartilagem e da compressão entre ulna e rádio; romper a margem volar deixa a ulna escapar para dorsal em pronação. Em supinação, o inverso (figura 8-23). A membrana interóssea liga rádio e ulna na diáfise, correndo obliquamente do rádio proximal para a ulna distal, mas não se insere no rádio distal; para MOORE, a lesão da fibrocartilagem e da membrana explica o encurtamento progressivo do rádio no Galeazzi.

Variância ulnar

É a relação de comprimento entre rádio e ulna no punho: iguais, neutra; ulna mais longa, positiva; mais curta, negativa, medida em milímetros. No adulto, mede-se entre os cantos articulares; na criança, a técnica de HAFNER mede de metáfise a metáfise, para fugir do tamanho e da forma variáveis da epífise (figura 8-21). A medida não depende do comprimento do estiloide, mas depende da posição do antebraço: a radiografia é padronizada com ombro abduzido 90 graus, cotovelo fletido 90 graus e antebraço em rotação neutra (figura 8-22).

Normalmente o radiocarpo recebe cerca de 80% da carga axial do punho e o ulnocarpo 20%; 2,5 mm de variância positiva dobram a carga ulnocárpica. A variância positiva se associa a lesões da fibrocartilagem; a negativa, à doença de KIENBÖCK. É a base para entender o que acontece quando uma das fises para.

Exame, nervos e imagem

Cobrança confirmada · 2 questões

A criança chega com dor, edema e deformidade do antebraço distal (figura 8-9). O toro sem desvio dói pouco e às vezes só é levado ao médico dias depois; muitas fisárias sem desvio só têm dor à palpação da fise. No desvio dorsal com ápice volar, a deformidade em extensão é evidente. A pele é inspecionada atrás de feridas e fratura exposta, e o membro inteiro é examinado: 3% a 13% das fraturas do rádio distal têm outra fratura ipsilateral (carpo, antebraço, cotovelo), e a presença dela indica trauma mais grave. As lesões associadas são bem menos frequentes no esqueleto imaturo que no maduro.

O exame neurológico antes de tudo

Mesmo com dor e ansiedade, o exame motor e sensitivo do radial, do mediano e do ulnar é obrigatório antes de tratar. Um estudo prospectivo encontrou 8% de lesão nervosa nas fraturas do rádio distal da criança; o mediano é o mais acometido.

  • Mediano: abdutor curto do polegar (intrínseco) e flexor longo do polegar (extrínseco).
  • Ulnar: primeiro interósseo dorsal e abdutor do dedo mínimo (intrínsecos) e flexor profundo do dedo mínimo (extrínseco).
  • Radial: extensores comuns (extensão das metacarpofalângicas) e extensor longo do polegar.
  • Sensibilidade: tato leve e discriminação de dois pontos (normal abaixo de 5 mm, pouco confiável abaixo de 5 a 7 anos); o teste com agulha só assusta e deve ser evitado.

Os mecanismos da neuropatia do mediano são a contusão no desvio, a pressão ou tração do fragmento não reduzido (a figura 8-7 mostra o nervo preso entre a metáfise e a fratura fisária desviada para dorsal, com o ligamento transverso do carpo tenso e o hematoma) e a síndrome compartimental aguda. O ulnar tem mecanismos parecidos, inclusive o aprisionamento no foco. No Galeazzi foram descritas lesões do ulnar e do interósseo anterior, com recuperação espontânea. Mediano e ulnar se lesam menos nas metafisárias que nas fisárias.

Imagem

AP e perfil bastam na maioria; punho, antebraço e cotovelo inteiros no trauma de alta energia ou com suspeita de lesão ipsilateral. Tomografia e ressonância ficam para fratura articular e lesões do carpo (escafoide, gancho do hamato, instabilidade perilunar), mais comuns no adolescente maior. A ultrassonografia à beira do leito mostrou-se viável e precisa para fraturas sem desvio, útil quando a radiografia é normal e na criança pequena, de ossificação incompleta.

No adulto, a inclinação radial média é 22 graus no AP e a inclinação volar 11 graus no perfil. Na criança os valores variam com a maturidade: a inclinação radial costuma ser menor que 22 graus na criança mais nova, enquanto a volar é mais constante. O perfil ideal da superfície articular usa o raio inclinado 15 graus em sentido cefálico (figura 8-10). No Galeazzi, a fratura do rádio é óbvia, e o perfil verdadeiro é essencial para ver a ulna e decidir a manobra (figura 8-11).

Remodelação e o que se aceita

Cobrança confirmada · 1 questão

O objetivo do tratamento é a consolidação dentro de parâmetros aceitáveis, para a função de longo prazo. Tudo é dominado pela remodelação, que depende de três fatores: 1. o crescimento que falta; 2. a proximidade da fise; 3. a relação da deformidade com o plano de movimento da articulação vizinha.

Fratura em criança muito nova, junto da fise distal do rádio, com angulação sagital, tem a maior capacidade de remodelação. A remodelação se faz por crescimento fisário assimétrico (figura 8-24, com correção anatômica em 5 meses). Os números que o capítulo junta:

  • sagital: de 10 a 35 graus aceitos abaixo de 5 anos e de 10 a 25 graus abaixo de 10 anos; em geral, 10 a 30 graus sagitais, 10 a 15 graus radioulnares e até a baioneta completa remodelam na criança mais nova com pelo menos 2 anos de crescimento;
  • frontal: a fratura tende a desviar para radial com ápice ulnar; remodela, mas menos; a maioria aceita 10 graus ou menos, porque mais que isso pode não remodelar e limitar a rotação;
  • malrotação: não remodela;
  • articular: degrau acima de 2 mm não se aceita.
Tabela 8-1: correções angulares em graus (angulação residual que leva à correção radiográfica e funcional total)
Idade (anos)Sagital, meninosSagital, meninasFrontal
4 a 9201515
9 a 1115105
11 a 1310100
acima de 13500

Nos estudos de cadáver, mais de 20 graus de angulação do rádio ou da ulna reduziram a rotação do antebraço, e menos de 10 graus não alteraram; a consolidação viciosa do terço distal afeta menos a rotação que a do terço médio ou proximal, e a radioulnar afeta mais que a volar-dorsal. Excesso de angulação pode tirar rotação numa razão de 1 para 2 graus; a malrotação, de 1 para 1. O problema funcional é real quando o ombro não consegue compensar a perda de supinação.

Tratamento conservador: toro, galho verde, completa e gesso

Possível cobrança

A maioria das fraturas do rádio distal da criança é tratada sem cirurgia (sem redução ou com redução fechada e gesso). Indicações do conservador: toro, fraturas sem desvio, desviadas dentro do aceitável, desviadas inaceitáveis mas redutíveis, fisárias que chegam tarde e lesão fisária por estresse. Contraindicações relativas: fratura exposta, lesão neurovascular ou edema que impedem o gesso circular, fratura irredutível em alinhamento inaceitável, fratura instável que falhou à redução e desvio que não vai remodelar o suficiente.

Toro

Fratura de compressão, estável. DAVIDSON (201 crianças) e PLINT (87) compararam gesso e tala removível por 3 semanas: consolidação universal, e a tala teve função precoce melhor. WEST comparou gesso e enfaixamento macio, com o mesmo resultado; SYMONS e KHAN mostraram que tirar a tala ou o gesso macio em casa funciona e é o que as famílias preferem; o programa de padronização de Boston cortou gessos, radiografias e custos, com seguimento por telefone. Consolida em 3 a 4 semanas, sem sequelas. Método dos autores: tala removível por 3 semanas.

Fratura sem desvio ou com desvio mínimo

Gesso até a consolidação e o fim da dor. A estabilidade é difícil de julgar e há risco de desvio tardio (figura 8-26): radiografias seriadas nas primeiras 2 a 3 semanas. Consolida em 4 a 6 semanas. Nos menores de 10 anos com desvio mínimo, a tala também é opção (um ensaio com 96 crianças de 5 a 12 anos e menos de 15 graus não viu diferença). HOVE e BRUDVIK viram oito perdas acima de 15 a 20 graus em 88 crianças, todas remodeladas; AL-ANSARI, remodelação completa mesmo com 30 a 35 graus. CRAWFORD imobilizou sem reduzir 51 menores de 10 anos com fratura encurtada em baioneta, com remodelação e movimento completos.

Galho verde

Com deformidade inaceitável, redução fechada (com sedação consciente) pela regra da rotação, fluoroscopia e gesso com molde de três pontos. Gesso longo nas primeiras 4 semanas e consolidação em 6 na maioria; o gesso curto com bons índices é igualmente eficaz. Ao contrário do toro, os autores não usam enfaixamento macio no galho verde, que é bem mais instável. Método dos autores: redução e gesso axilopalmar quando a angulação passa de 10 graus, com a radioulnar distal reduzida pela rotação adequada, gesso longo com três pontos por 3 a 4 semanas, radiografias a cada 7 a 10 dias e gesso curto ou tala até 4 a 6 semanas. Completar a fratura é controverso: tira a banda de tensão do periósteo, mas aumenta a instabilidade e a consolidação viciosa.

Fratura completa desviada: a manobra

A redução fechada com gesso é o padrão. Com o periósteo dorsal grosso e íntegro, a tração longitudinal pura costuma ser insuficiente, sobretudo na baioneta, e pesos nas dedeiras podem atrapalhar por tensionar o periósteo dorsal. A sequência é (figura 8-27): 1. hiperextensão do fragmento distal, exagerando a deformidade (o polegar empurra o fragmento até quase 90 graus), o que relaxa a manga dorsal; 2. tração longitudinal com contratração, até recuperar o comprimento; 3. flexão do fragmento distal, corrigindo a translação e a angulação, com a correção rotacional; 4. fluoroscopia e gesso bem moldado.

Foi descrita também uma técnica com o membro inferior do cirurgião ajudando a redução da baioneta (LEAFR). No método dos autores, o gesso longo vai com cotovelo a 90 graus, punho em leve flexão palmar e rotação de estabilidade; três pontos no foco, borda ulnar reta, espaço interósseo e linha posterior do úmero retos: um "gesso em caixa", e não um "gesso em banana". Gesso aberto diante de qualquer sinal de compressão, elevação por 48 a 72 horas.

Gesso longo ou curto, e o índice do gesso

BOHM (102 crianças acima de 4 anos) e WEBB (103) randomizaram gesso curto e longo depois da redução: mesma taxa de perda de redução; com o curto, menos dias de escola perdidos e menos ajuda nas atividades diárias. Uma metanálise com mais de 300 crianças confirmou. Mais importante que o tamanho é o molde no foco: três pontos e molde interósseo.

O índice do gesso é a razão entre o diâmetro interno do gesso no perfil e no AP, no nível da fratura (figura 8-29A); 0,7 ou menos indica gesso bem moldado (CHESS: "o gesso do antebraço deve ser chato, não redondo"). Há também os índices de três pontos, de espaço, de acolchoamento e de CANTERBURY e o ângulo segundo metacarpo e rádio distal; o índice do gesso é o mais usado, e alguns preferem o de três pontos para prever o redesvio.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 8-29. Avaliação radiográfica do molde. A: índice do gesso (x/y), razão entre o diâmetro interno do gesso no foco no perfil (x) e no AP (y). B: índice de três pontos, soma dos três espaços críticos dividida pela área de contato dos fragmentos, no AP e no perfil. Rockwood and Wilkins' Fractures in Children, 9ª edição (2020).

Perda de redução e consolidação viciosa

Cobrança confirmada · 2 questões

A perda de redução depois de redução fechada e gesso é comum: 20% a 30% (figura 8-30, com a perda lenta típica entre o 3º e o 10º dia), e a fratura completa perde mais que a incompleta. Por isso, na criança, instável é a fratura em que a redução fechada não se mantém, sem as classificações de estabilidade do adulto.

Fatores de risco que o capítulo reúne:

  • gesso ruim, baioneta, idade acima de 10 anos;
  • translação acima de 50% do diâmetro do rádio (para MANI, o preditor isolado mais confiável), apex volar acima de 30 graus;
  • fratura isolada do rádio, rádio e ulna metafisários no mesmo nível, fratura associada da ulna distal;
  • desvio inicial completo (52% de redesvio, PROCTOR, e 23% de remanipulação), translação residual acima de 10% no perfil (2,7 vezes mais perda, PRETELL), obliquidade acima de 30 graus (11,7 vezes, ALEMDAROĞLU);
  • mesmo com gesso ideal, MILLER viu 30% de remanipulação nos de alto risco.

Prevenção e correção. Redução o mais perfeita possível, nenhuma malrotação aceita, gesso moldado, radiografia semanal nas primeiras 2 a 3 semanas. Até 2 a 3 semanas, a perda pode ser corrigida com cunha no gesso; os autores usam a cunha de abertura, porque a de fechamento belisca a pele, acumula algodão, encurta o gesso e reduz a estabilidade (WELLS corrigiu até 5 graus em 90% dos modelos). Os autores avisam às famílias que até 30% voltam para cunha, nova redução ou fio nas 3 primeiras semanas, e reduzem de novo qualquer perda acima de 10 graus, em geral com fio percutâneo (figura 8-49). A metanálise de gesso contra fixação imediata mostra resultado igual a longo prazo, com mais perda de redução no gesso e mais complicações de pino na fixação.

Consolidação viciosa. DE COURTIVRON encontrou 14% de consolidação viciosa inicial acima de 5 graus em 602 fraturas. Muitas surgem porque se decide não remanipular a fise depois de 7 dias ou porque a criança falta ao retorno. A maioria remodela com crescimento suficiente; observa-se por 6 a 12 meses. Sem remodelação, a extensão persistente da superfície articular arrisca instabilidade mediocárpica e artrose (embora um estudo recente questione se o alinhamento imperfeito leva mesmo à artrose sintomática); a correção é a osteotomia de abertura (dorsal ou volar) com enxerto ilíaco trapezoidal e placa ou fixador. A consolidação viciosa articular, com degrau acima de 2 mm, arrisca artrose; RM, TC e artroscopia ajudam, e a osteotomia intra-articular é arriscada e controversa. No Galeazzi, a consolidação viciosa do rádio subluxa a radioulnar distal; se a causa é o rádio, a reconstrução de partes moles da radioulnar sozinha falha.

Fise: a redução tardia e a parada do crescimento

Cobrança confirmada · 1 questão

Os descolamentos fisários costumam ficar estáveis depois da redução. Se a redução se perde depois de 7 dias, o capítulo manda desconfiar de nova manipulação: a remanipulação forçada aumenta o risco de parada iatrogênica do crescimento. A recomendação atual é a redução atraumática antes de 7 dias da lesão. Felizmente, a deformidade em extensão remodela com frequência se a criança tem mais de 2 anos de crescimento e a deformidade é menor que 20 graus, e até deformidades grandes remodelam no plano de movimento do punho. A tabela de contraindicações da cirurgia traz a "fise com mais de 5 dias depois da redução inicial que perdeu a redução" e a criança com mais de 2 anos de crescimento, fratura extra-articular e desvio menor que 20 graus no plano de movimento.

Parada do crescimento do rádio

Cerca de 4% a 5% das fraturas fisárias desviadas. CANNATA, com seguimento médio de 25,5 anos, viu diferença de 1 cm ou mais em 4,4% das fisárias do rádio e em 50% das da ulna; BAE e WATERS, 4% em 290 crianças. A causa é o trauma da cartilagem pelo desvio e pela compressão; não se sabe ainda a relação com o grau de desvio, o tipo ou a forma de redução. Depois de fratura metafisária, a parada é raríssima (cinco casos), provavelmente fraturas que chegam à fise, como o tipo I de PETERSON (figura 8-57), que deve ser acompanhado. DE PABLOS descreveu subcrescimento e sobrecrescimento (média de 3 mm, de menos 5 a mais 10 mm, máximo aos 9 a 12 anos), sem importância se não houver sintomas.

Com o rádio parado, a ulna cresce: incongruência da radioulnar distal, impacto ulnocarpal e lesão da fibrocartilagem (figura 8-55), desvio radial do punho, dor e estalido. A radiografia 6 a 12 meses depois detecta a parada cedo. A RM mapeia a barra:

  • menos de 45% da fise: ressecção com interposição de gordura (figura 8-56);
  • mais de 45%: a ressecção tende a falhar; a epifisiodese da ulna precoce evita o desequilíbrio;
  • variância positiva sintomática: encurtamento da ulna (oblíquo ou em Z, mais distal na metáfise; o transverso tem mais pseudartrose), reparo da fibrocartilagem, epifisiodese da ulna se aberta; deformidade radial acentuada (inclinação radial menor que 11 graus no AP, critério dos autores) pede osteotomia do rádio; na parada completa muito precoce, alongar o rádio é melhor que encurtar a ulna.

Parada do crescimento da ulna

É frequente: 10% a 55% (GOLZ; 10% em 18 casos dele), 55% no equivalente de Galeazzi. A complicação mais comum da fratura fisária da ulna distal é a parada do crescimento, e não se sabe por que ela para mais que o rádio. Na criança pequena, o rádio continua crescendo, arqueia, a superfície articular se inclina para a ulna curta, a ulna perde a incisura sigmoide e entalha a metáfise do rádio, com dor e limitação da rotação (figura 8-59). A ressecção da barra na ulna geralmente falha; a epifisiodese do rádio evita a deformidade, em geral perto do fim do crescimento. Na deformidade estabelecida: hemiepifisiodese do rádio, osteotomia de cunha de fechamento do rádio, alongamento da ulna (figura 8-59B) e reconstrução da radioulnar distal, com parada completa da fise radial se ela ainda tiver muito crescimento.

O Galeazzi da criança

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A carga axial no punho com a rotação extrema do antebraço (figura 8-5) produz a fratura do rádio distal com lesão da radioulnar distal: o "Galeazzi pediátrico". É raro, cerca de 3% das fraturas do rádio distal da criança. No adulto, o mecanismo é a queda com hiperpronação, com ruptura ligamentar e luxação dorsal da ulna. Na criança, há dois mecanismos:

Os dois tipos do Galeazzi da criança
TipoRádioUlna distalRedução e gesso
I, de supinaçãoápice volar, desvio dorsaldesviada para volarpronação, força no foco do rádio
II, de pronaçãoápice dorsal, desvio volardesviada para dorsalsupinação

O mecanismo fica mais claro quando a fratura do rádio é incompleta. Na completa, o rádio encurta e a mão desvia para radial. Na criança, a lesão envolve a ruptura dos ligamentos da radioulnar distal ou, mais comumente, a fratura da fise distal da ulna (figura 8-6, com periósteo interposto bloqueando a redução da fise ulnar). WILKINS e O'BRIEN dividiram o rádio em fratura incompleta ou completa e a ulna em luxação verdadeira (o Galeazzi verdadeiro) ou fratura fisária (o equivalente de Galeazzi); LETTS classificava pelo lado da ulna, volar ou dorsal. A clínica: dor, rotação limitada, flexão e extensão do punho limitadas, cabeça da ulna proeminente na luxação; a lesão neurovascular é rara. O perfil verdadeiro decide o sentido e a manobra; TC e RM raramente são necessárias.

Tratamento. Ao contrário do adulto ("fratura da necessidade"), o conservador é a primeira linha, porque a fratura do rádio costuma ser em galho verde e estável depois da redução. Fratura incompleta com luxação verdadeira ou fratura fisária da ulna: redução fechada, fluoroscopia dinâmica da radioulnar distal e gesso axilopalmar na rotação de estabilidade por 6 semanas. No equivalente com fratura completa do rádio, reduzem-se os dois ossos; a fise ulnar com desvio de menos de 10 graus remodela na criança pequena se a radioulnar estiver reduzida. Se o desvio é grande, a radioulnar não reduz ou a criança é velha para remodelar: redução aberta e fios lisos.

Cirurgia para o adolescente com fratura completa e desviada (comportamento de adulto) ou falha em obter ou manter a redução: via volar e placa de compressão (preferida à fixação intramedular ou aos fios cruzados), que quase sempre reduz a radioulnar (figura 8-48). Se ela não reduz, reavalia-se a redução do rádio e procura-se interposição de periósteo, extensor ulnar do carpo, extensor do dedo mínimo ou ligamentos, pela via ulnar ampliada ou de BOWERS (figura 8-47; na figura 8-46, a ulna saiu da cápsula como casa de botão, com fibrocartilagem e periósteo presos). Na fise ulnar irredutível, interpõem-se periósteo, extensores ou cápsula, e a redução aberta poupa a fise. Radioulnar redutível e instável: fio liso transverso da ulna ao rádio em supinação, retirado com 4 semanas, gesso até 6 semanas. A parada da fise ulnar depois do equivalente chega a 55%.

A ginasta: lesão fisária por estresse

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A carga axial repetitiva no punho causa lesão fisária por estresse, quase sempre do rádio, sobretudo na ginástica de competição (também em luta, break dance e líderes de torcida). Predispõem o treino excessivo, a técnica ruim e a progressão rápida de nível. A dor é recorrente, ligada à atividade, difusa, na metáfise e na fise distal do rádio, reproduzida nos extremos de flexão e extensão e na extensão contra resistência, com dor à palpação da fise dorsal; pode haver edema fusiforme. Diagnóstico diferencial: ganglião, artrite inflamatória, lesão ligamentar ou da fibrocartilagem, tendinose, fratura do carpo e osteonecrose do escafoide (PREISER) ou do semilunar (KIENBÖCK).

A radiografia costuma diagnosticar: alargamento da fise, alterações císticas e escleróticas na face metafisária, bico da epífise e neoformação reativa (figura 8-4); nos casos avançados, fechamento precoce ou barra. No início a radiografia pode ser normal: cintilografia sensível e pouco específica; RM em geral diagnóstica.

Tratamento: repouso, gesso curto por algumas semanas se for o único jeito de tirar a carga, ou tala no colaborativo, até sumir a dor; retorno gradual em 3 a 6 meses, corrigindo técnica e treino. A grande preocupação é a parada do rádio, com crescimento excessivo da ulna, variância ulnar positiva, impacto ulnocarpal e lesão da fibrocartilagem; acompanhar os de alto risco com exame e radiografias. A parada por estresse é difusa, e a ressecção da barra quase nunca é possível: sem crescimento excessivo da ulna, epifisiodese distal da ulna; com crescimento excessivo e dor, encurtamento da ulna, avaliando e reparando a fibrocartilagem. O impacto ulnocarpal dói no desvio ulnar, na extensão e na compressão, e é comum também no hóquei de campo e no lacrosse.

Tratamento cirúrgico: quando e como

Fundamento

Indicações do capítulo: fratura exposta, irredutível, cotovelo flutuante, fratura articular desviada, adolescente com menos de 2 anos de crescimento com fratura irredutível ou que perdeu a redução, fratura com neuropatia do mediano e Galeazzi completo do adolescente. Contraindicações: criança com mais de 2 anos de crescimento, fratura extra-articular com desvio menor que 20 graus no plano de movimento; fise com mais de 5 dias que perdeu a redução. As fraturas irredutíveis vêm do periósteo ou do pronador quadrado presos.

Neuropatia, edema e cotovelo flutuante

Talvez a melhor indicação de fixação seja a fratura fisária desviada com neuropatia do mediano e grande edema volar (figura 8-34). O periósteo volar roto deixa o sangue dissecar os compartimentos volares e o túnel do carpo; um gesso apertado com molde volar sobe as pressões. O fio percutâneo permite curativo, tala ou gesso frouxos. Posições extremas, sobretudo a flexão excessiva do punho, mantêm a neuropatia e aumentam o risco de síndrome compartimental. No cotovelo flutuante (supracondiliana e rádio distal desviados), fixam-se as duas fraturas por via percutânea (figura 8-51).

Neuropatia por contusão ou tração costuma melhorar depois da redução (acompanhar o TINEL que avança). A do túnel do carpo só melhora com descompressão: depois de reduzir e fixar, medir as pressões volares e do túnel, esperando 20 minutos (GELBERMAN); acima de 40 mm Hg, ou diferença para a diastólica menor que 30 mm Hg, liberar já, pela incisão palmar na linha do quarto raio (cuidado com o arco palmar e o ulnar saindo do canal de GUYON), com zetaplastia do ligamento transverso do carpo, para evitar o arco de corda do mediano, e fasciotomia volar. Nervo bom antes e ruim depois da redução sugere aprisionamento e pode pedir exploração.

Fios, placas e fixador

  • Fios lisos de pequeno diâmetro (0,045 ou 0,062 polegada), por pequena incisão sobre o estiloide radial, que protege o ramo sensitivo do radial e os extensores (ou técnica oscilante): do fragmento distal, cruzando o foco, até a cortical ulnar do proximal. Um fio muitas vezes basta (figura 8-36); o segundo pode ser paralelo ou cruzado, do canto dorsoulnar da epífise, entre o quarto e o quinto compartimentos, para a metáfise radial proximal (figura 8-38). Pode-se atravessar a fise ou ficar logo acima dela (sem prova de vantagem). Fios dobrados fora da pele, retirados no consultório com cerca de 4 semanas. O risco de parada vem mais da fratura que do fio liso por 3 a 4 semanas, que é "extremamente pequeno". Fios intrafocais servem de alavanca na baioneta irredutível (figura 8-39).
  • Placa raramente antes da maturidade, pelo risco fisário; fica para o adolescente maduro ou perto disso, a articular, o politraumatizado, a cominuta, a refratura e a da junção metáfise-diáfise. Na criança menor, placas de 2,4 ou 2,7 mm ou duas de um terço de tubo; duas corticais distais podem bastar; poupar a fise. Via volar entre o flexor radial do carpo e a artéria radial ou pela bainha do flexor radial do carpo; pronador quadrado levantado da borda radial. Na placa bloqueada volar, cuidado com parafusos na radiocárpica e com a proeminência dorsal (ruptura tardia de extensores).
  • Fratura exposta: cerca de 1% das metafisárias; irrigação e desbridamento no centro cirúrgico, fixação em geral com dois fios lisos, ferida não fechada primariamente, antibiótico; fixador externo se a lesão de partes moles for grave.
  • Fixador externo raramente: lesão grave de partes moles, esmagamento, reimplante, cominução importante; em geral transarticular, com pinos no segundo metacarpo e na diáfise do rádio, pela "área nua" entre o primeiro e o segundo compartimentos, protegendo o ramo sensitivo do radial.

Fratura articular

SALTER-HARRIS III ou IV e triplanar desviadas exigem redução anatômica: o texto diz que mesmo desvio acima de 2 mm não se aceita, e o método dos autores opera acima de 1 mm. TC ou RM no planejamento; fixação intraepifisária, sem atravessar a fise quando possível; artroscopia com tração de 10 a 12 libras pelos dedos indicador e médio e portais 3-4 e 4-5 ajuda a reduzir e a colocar os fios (figura 8-44). Perto da maturidade, placa bloqueada volar como no adulto; fragmentos do estiloide e da faceta dorsal do semilunar podem pedir via dorsal ao lado do tubérculo de LISTER.

Ulna distal, estiloide e fibrocartilagem triangular

Possível cobrança

Mais de 50% das fraturas fisárias do rádio distal têm fratura da ulna associada, em geral do estiloide, mas também deformidade plástica, galho verde ou fratura completa da ulna distal. A fratura fisária isolada da ulna é rara. A avulsão do estiloide é uma avulsão epifisária, que representa o arrancamento da inserção ulnar da fibrocartilagem ou dos ligamentos ulnocárpicos, e raramente dá problema de crescimento.

Fratura fisária da ulna distal. Opções iguais às do rádio. Imobilização por 3 a 6 semanas; redução fechada se a translação passa de 50% ou a angulação de 20 graus. A ulna costuma reduzir junto com o rádio, pelos ligamentos da radioulnar e pela fibrocartilagem; se não reduz, há partes moles interpostas (periósteo, extensores, abdutor do dedo mínimo, flexores) e indica-se redução aberta, pelo lado da ruptura do periósteo (na fisária, oposto ao THURSTON-HOLLAND; na metafisária, oposto ao desvio), entre o extensor ulnar e o flexor ulnar do carpo ou entre o extensor do dedo mínimo e o extensor ulnar do carpo. Fixação com um fio liso oblíquo, dois fios com banda de tensão no maior (figura 8-45) ou placa no maduro, poupando a fise, com radioulnar conferida na cirurgia.

Fibrocartilagem triangular. As lesões periféricas traumáticas devem ser reparadas. A pseudartrose da base do estiloide muitas vezes indica lesão periférica; a pseudartrose sintomática é ressecada e a fibrocartilagem reinserida na base, com gesso axilopalmar por 4 semanas e antebraquiopalmar por mais 2. Sem pseudartrose, a artroscopia define a lesão.

Lesões da fibrocartilagem triangular na criança
LesãoFrequênciaTratamento
Periféricaa mais comumreparo artroscópico de fora para dentro
Na incisura sigmoidea seguinte, nos adolescentessuturas transradiais com artroscopia
Centralraradesbridamento, que na criança geralmente não alivia a dor
Distal volarrarareparo aberto, às vezes com reconstrução ligamentar

A consolidação hipertrófica do estiloide funciona como uma falsa variância positiva e dá impacto ulnocarpal; a pseudartrose dá dor ulnar e pode vir com lesão da fibrocartilagem. Compressão do semilunar ou do piramidal contra a ulna reproduz a dor; estalido na compressão ou na rotação sugere lesão da fibrocartilagem ou condromalacia. O impacto ulnocarpal por desequilíbrio de crescimento se corrige com encurtamento da ulna (ou alongamento do rádio), epifisiodese da ulna se aberta, e osteotomia do rádio se a deformidade for acentuada (figura 8-60).

Outras complicações

Relevância clínica

  • Pseudartrose: rara; na criança, sempre ligada a doença do osso ou da vascularização. Suspeitar de pseudartrose congênita ou neurofibromatose na criança pequena com pseudartrose depois de trauma banal, sobretudo da ulna isolada (figura 8-53), com osso distal fino, esclerótico e deformado; raramente consolida com imobilização e costuma pedir fíbula vascularizada (com transferência epifisária na criança muito nova). Também por isquemia (supracondiliana com oclusão da braquial, que consolidou depois da revascularização) e por osteomielite com perda óssea.
  • Sinostose radioulnar: rara, depois de alta energia e fixação interna; um fio atravessando os dois ossos aumenta o risco. A ressecção raramente devolve todo o movimento; procurar malrotação associada.
  • Refratura: rara no rádio distal, muito menos que na diáfise e que no adulto, porque o osso da criança remineraliza rápido depois da fratura. Ocorre com a retirada precoce da imobilização ou o retorno cedo ao risco: proteger até a consolidação clínica e radiográfica (cerca de 6 semanas), restringir até recuperar movimento e força (mais 1 a 6 semanas) e usar tala por mais tempo em esqui, snowboard e skate.
  • Infecção: rara, ligada à fratura exposta ou à cirurgia. FEE descreveu gangrena gasosa em quatro crianças depois de pequenas feridas puntiformes ou lacerações tratadas só com limpeza local; três perderam o membro. Infecção superficial do pino: retirar o fio e dar antibiótico. Estudos retrospectivos mostram infecção de 2,5% a 4% nas expostas grau 1 tratadas sem cirurgia, comparável à do tratamento cirúrgico (2,5%), mas o padrão continua sendo o desbridamento no centro cirúrgico.
  • Lesão do radial na exposição cirúrgica: MOORE descreveu 8% de lesão do nervo radial na exposição do rádio para fixação.

Controvérsias e o recado final

Fundamento

  • Deformidade aceitável: depende da idade; a volar-dorsal é a que mais remodela, a radioulnar acentuada remodela menos e a malrotação não remodela. Um estudo prospectivo mostrou bons resultados de longo prazo, com menor custo, moldando o gesso sem sedação nas fraturas desviadas de pré-adolescentes.
  • Completar o galho verde: tira a banda de tensão da cortical côncava, mas aumenta a instabilidade e a consolidação viciosa.
  • Posição do gesso: pronação, supinação ou neutro, sem consenso; nos ensaios mais recentes, sem diferença.
  • Gesso curto ou longo: CHESS (com índice de 0,7 ou menos), BOHM, WEBB e a metanálise mostram que o curto bem moldado equivale ao longo.
  • Fixação imediata: cresceu, mas a metanálise mostra resultado de longo prazo igual ao do gesso. Indicações citadas: instabilidade e alto risco de perda de redução, edema que ameaça o feixe, cotovelo flutuante e até a preferência do cirurgião num consultório movimentado.
  • Exposta grau 1 sem centro cirúrgico: protocolos retrospectivos (como o de IOBST) com limpeza no pronto-socorro, redução e antibiótico, sem desbridamento formal, deram infecção comparável; falta estudo prospectivo, e a gangrena gasosa é rara demais para aparecer nos números.

O recado do capítulo: perto das fises distais, o rádio e a ulna da criança remodelam muito, e a maioria das fraturas se trata sem cirurgia; o desafio do futuro é prever quais fraturas, pela alta taxa de perda de redução, se beneficiam de redução e fixação desde o início.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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