Como ler este capítulo
Fundamento
Este resumo é inspirado no capítulo 31 do Rockwood and Wilkins' Fractures in Children (10ª edição, 2025), de Amy L. McIntosh, e reorganiza as ideias dele em português, na ordem em que as provas cobram o tema. Os números são os do capítulo. Como o arquivo do livro não tem página impressa, as referências apontam capítulo, seção, figura, tabela e algoritmo.
O pé da criança é quase todo cartilagem: absorve energia, esconde fraturas na radiografia e remodela. A banca cobra o tálus (processo lateral, osteocondral), o quinto metatarsal, o metatarsal mais fraturado, a fratura de estresse e o LISFRANC.
Tálus
Cobrança confirmada · 2 questões
Raro; em geral no colo; força quase o dobro dos outros ossos do tarso (procurar lesões associadas). Mecanismo: dorsiflexão forçada (colo contra a tíbia). Dois terços de cartilagem, sem inserção tendínea; principal artéria = canal do tarso (tibial posterior), ramo deltoide ao terço medial; também pediosa e fibular (seio do tarso) (Fig. 31-6).
HAWKINS: I sem desvio; II subtalar; III subtalar e tibiotalar; IV (CANALE e KELLY) também talonavicular. Necrose no adulto 0-10%, 20-50%, 80-100%, 100%; na criança 0% a 20%, nenhuma abaixo de 12 anos numa série. I = gesso sem carga 6 a 8 semanas; II = redução em flexão plantar e pronação, gesso em flexão plantar, fios se instável (até 10 graus aceitáveis); III e IV = cirurgia urgente; via posterolateral poupa mais os vasos; parafusos de titânio. Sinal de HAWKINS (radiolucência subcondral em 6 a 8 semanas) = vascularizado; ausente aos 3 meses = ressonância; necrose: evitar impacto.
Processo lateral: dorsiflexão + inversão (snowboard, 13,5%); 42% perdidas; incidência do encaixe, tomografia; degrau acima de 2 a 3 mm = parafuso. Osteocondral: criança 79% medial (profunda, microtrauma); lateral fina, traumática, sintomática; BERNDT e HARTY I a IV, IIa com cisto = cirurgia; I a III conservador por 6 meses; IV artroscopia.
Calcâneo e luxação subtalar
Possível cobrança
Calcâneo: raro (1 em 100.000); queda de altura; abaixo de 14 anos extra-articular (78%); 44% a 55% perdidas, radiografia de 2 semanas; BOHLER 20 a 40 no adulto, menor na criança (comparar o outro lado); GISSANE 95 a 105; tomografia é o melhor exame. Abaixo de 10 anos, quase tudo conservador, até intra-articular desviada; extra-articular gesso 6 semanas; língua com afastamento menor que 1 cm conservadora; adolescente intra-articular desviada = redução aberta após o edema (via em L, cuidado com o sural). Complicações: deiscência (a mais comum), síndrome dolorosa complexa regional (meninas, puberdade), tendões fibulares. Diferencial: SEVER (apófise, 6 a 10 anos).
Luxação subtalar: rara; medial (85%) por inversão, calcaneonavicular íntegro, tálus no encaixe, navicular vazio; reduzir com joelho fletido; irredutível: tibial posterior interposto.
Mediopé e LISFRANC
Cobrança confirmada · 1 questão
Cuboide no pré-escolar: marcha na borda externa, quebra-nozes (calcanhar fixo, antepé abduzido), radiografia inicial normal em 71%, gesso 2 a 3 semanas. KOHLER (navicular, 2 a 5 anos) e navicular acessório imitam fratura.
LISFRANC: ponta do pé (56%); segundo metatarsal encaixado; ligamento de LISFRANC do cuneiforme medial ao segundo metatarsal; equimose plantar; radiografias com carga e do outro pé; acima de 6 anos, primeiro-segundo metatarsal menor que 3 mm e cuneiforme medial-segundo menor que 2 mm; base do segundo metatarsal + cuboide = altamente sugestivo. Criança = HARDCASTLE B com desvio mínimo. Menor que 1 a 2 mm: gesso sem carga 6 semanas; maior: redução e fios (chave: segundo metatarsal ao cuneiforme medial); aberta com parafusos evitando a fise do primeiro metatarsal. Complicação mais comum: artrose; diagnóstico após 6 semanas = pior.
Metatarsais e quinto metatarsal
Cobrança confirmada · 3 questões
Fraturas mais comuns do pé (até 60%); até 5 anos = primeiro (51%); acima = quinto (55%), o mais fraturado. Reduzir se dorsal acima de 20 graus ou encurtamento acima de 5 mm; primeiro metatarsal com 10 graus ou qualquer encurtamento.
Base do quinto: apófise (os vesalianum) longitudinal, aparece aos 9, une 12 a 15; 47% das "fraturas" eram apófise. Zonas: 1 tuberosidade (gesso de marcha 3 a 6 semanas; parafuso se intra-articular desviada mais de 3 a 4 mm no atleta); 2 JONES, divisor de águas (sem carga 6 semanas; acima de 13 anos, mais retardo e refratura: fixação primária); 3 estresse. Crônica: parafuso intramedular com enxerto. Complicação mais comum: pseudartrose.
Estresse, falanges e outras lesões
Cobrança confirmada · 1 questão
Estresse: colo do segundo metatarsal (o mais comum); bota 4 a 6 semanas, sem gesso; navicular sagital no terço médio (basquete, barreiras), ressonância e tomografia, retorno 5,6 meses. Investigar amenorreia, transtorno alimentar.
Falanges: quase uma em cada cinco fraturas do pé; esparadrapo ao dedo vizinho; ferida na base da unha = SALTER-HARRIS exposta com lesão do leito: desbridar, reparar, fio, antibiótico. Hálux intra-articular acima de 25% e 2 a 3 mm: reduzir. Sesamoides: bipartido em 19% a 31% (dez vezes mais no medial); fratura aguda é transversal, serrilhada; conservador.
Cortador de grama: espectadores, 78% meninos; cefalosporina, aminoglicosídeo e penicilina; desbridamentos a cada 24 a 48 horas; enxerto parcial funciona em apoio. Compartimental: 9 compartimentos; medir o calcâneo (o mais sensível); mais de 30 mmHg = fasciotomia; liberar todos por três incisões (duas dorsais e uma medial). Prego através do tênis = Pseudomonas; infecção profunda em geral = S. aureus e estreptococo A; internar, ressonância, desbridar.
Fechamento
Fundamento