Como ler este capítulo
Fundamento
Este resumo é inspirado no capítulo 6 do Rockwood and Wilkins' Fractures in Children (10ª edição, 2025), de Haleh Badkoobehi, John M. Flynn e Milan V. Stevanovic, e reorganiza as ideias dele em português, na ordem em que as provas cobram o tema. Os números são os do capítulo. Como o arquivo do livro não tem página impressa, as referências apontam capítulo, seção, figura e tabela.
A banca cobra a síndrome compartimental da criança pelo cotovelo: a supracondiliana de risco e a contratura de VOLKMANN. O capítulo acrescenta o diagnóstico próprio da criança (três As, pressão basal mais alta), a técnica de cada segmento e o prognóstico.
Diagnóstico na criança
Cobrança confirmada · 1 questão
Causas intrínsecas (fratura, partes moles, lesão vascular, infiltração venosa ou intraóssea, coagulopatia, reperfusão, osteotomias) e extrínsecas (gesso, curativos compressivos, calça antichoque, escara); a flexão excessiva no gesso longo está entre as causas. Até 4 vezes mais em meninos (Tabela 6-1). Os seis Ps são pouco confiáveis na criança; a paralisia é tardia. Valem os três As: ansiedade, agitação e aumento da necessidade de analgésico (BAE: o preditor mais confiável). Dor desproporcional e ao estiramento passivo é precoce; edema e dor crescente em 100% numa série de 21. Existe a síndrome silenciosa, sem dor (lesão nervosa).
Pressões: absoluta 30 mmHg ou mais; delta = diastólica menos compartimento, diagnóstica abaixo de 30. Basal da perna: adulto 5,2 a 9,7, criança 13,3 a 16,6 mmHg; de 15 antebraços com mais de 30, só 1 fez a síndrome. Sem padrão-ouro: exame seriado e fasciotomia com sinais clínicos e pressões elevadas; medir sob sedação, em vários pontos, perto da fratura; monitorar mais tempo (o pico pode vir tarde). O infravermelho próximo ainda precisa de validação.
Primeiro passo: retirar gesso, algodão e curativos circulares; membro nem pendente nem acima do coração (elevar piorou fluxo e oxigenação); tratar choque e hipóxia.
Membro superior e antebraço
Cobrança confirmada · 1 questão
O antebraço é o mais acometido, com fratura dos dois ossos ou supracondiliana (cerca de 1% após lesões do membro superior; supracondiliana isolada 0,2%, com lesão neurovascular 4,5%). Alto risco: supracondiliana com lesão do mediano (dor mascarada), cotovelo flutuante (até 33%), MONTEGGIA operado (15,3% contra 0,9% da supracondiliana III operada), tempo cirúrgico e de fluoroscopia longos, sexo masculino.
| Compartimento | Conteúdo |
|---|---|
| Volar superficial | Flexor radial do carpo, palmar longo, pronador redondo, flexor ulnar do carpo, flexor superficial dos dedos |
| Volar profundo | Flexor profundo dos dedos, flexor longo do polegar, pronador quadrado; nervo e artéria interósseos anteriores |
| Dorsal | Musculatura móvel (braquiorradial, extensores radiais) e extensores |
Fasciotomia: incisão volar extensível (do braço ao túnel do carpo); abrir a fáscia antebraquial do lacerto ao punho; o flexor profundo, primeiro e mais afetado, pelo intervalo flexor ulnar do carpo e flexor superficial (o passo mais importante); músculo pálido: abrir o epimísio; dorsal se ainda tenso.
Mão: 10 compartimentos; começar pelo túnel do carpo estendido; interósseos por incisões dorsais entre 2º-3º e 4º-5º metacarpais e no primeiro espaço; tenar e hipotenar separadas; dedos tensos: dermotomia médio-axial (CLELAND e GRAYSON comprimem os vasos digitais).
Membro inferior
Possível cobrança
Perna: a apresentação mais comum na criança (0,6% das fraturas da tíbia, 5,5% das expostas, 7,4% após a alta). Risco: 14 anos ou mais (acima de 13 quadruplica), IMC alto, cominutiva, fíbula fraturada, mais de 50 kg, déficit neurológico, hastes flexíveis, osteotomias. Abrir os quatro compartimentos (anterior, lateral, posterior superficial e profundo), por uma ou duas incisões (Tabela 6-4, Fig. 6-10).
Coxa: rara (trauma, calça antichoque, lesão vascular, tração); 3 compartimentos (anterior, medial, posterior); incisão lateral longa, às vezes medial. Pé: raro, esmagamento, LISFRANC; 9 compartimentos; duas incisões dorsais (2º e 4º metatarsais) e muitas vezes uma medial. Na criança com crescimento a fazer, limiar baixo (risco de parada fisária), ao contrário da tendência em alguns adultos (Tabelas 6-3 e 6-5).
Formas especiais e tratamento
Possível cobrança
Sem fratura: 39 casos, 74% na perna, causa mais comum lesão vascular, atraso de até 48 horas, mionecrose em 54%; infiltração venosa (crianças 40% dos casos). Do esforço: isquemia reversível, adolescente corredora; refratária: fasciotomia (retorno 79,5%; dois compartimentos em vez de quatro: reoperação 3,4 vezes). Neonatal: lesões de pele confundidas, diagnóstico tardio; contratura estabelecida não melhora. Lactente: atraso mais de 24 horas, bons resultados mesmo com fasciotomia em 48 a 72 horas.
Tratamento: fasciotomia de emergência; na dúvida, não ressecar (a criança recupera muito); necrótico = cinza, marrom ou preto, fétido, sem contração; reavaliações seriadas; incisões abertas, sem suturas de retenção, troca em 24 a 48 horas; só o túnel do carpo fecha retardado. Tardia sem função em nenhum segmento: sem fasciotomia, órtese funcional, hidratação contra a mioglobinúria.
Contratura de VOLKMANN e prognóstico
Cobrança confirmada · 2 questões
TSUGE: leve (flexor profundo do médio e anular, adulto jovem, trauma direto); moderada (FPD e FLP, superficial parcial, mediano pior, intrínseca negativa, supracondiliana de 5 a 10 anos); grave (todos os flexores dos dedos e do punho, contraturas fixas). Tratamento: órteses e terapia primeiro; não encurtar rádio e ulna; excisão do infarto, alongamentos, deslizamento dos flexores, neurólise, transferências, transferência muscular livre funcional; artrodeses após a maturidade; alongamento isolado recidiva; órtese funcional até os 18 anos.
Prognóstico: bons a excelentes em mais de 90%; piores no membro superior e sem fratura. O tempo de pressão elevada é o fator principal (adulto 8 horas; criança, risco após 6 a 8 horas), mas há bons resultados até 72 horas, sem justificar atraso. Processos: 73% dos casos fechados a favor do paciente.
Fechamento
Fundamento