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Fraturas da tíbia e da fíbula na criança

Ortopedia pediátricaResumo do capítulo14 min de leitura

Metáfise proximal da criança de 3 a 6 anos e o valgo de COZEN (história natural, molde em varo, observar), diáfise com fíbula íntegra em varo e com fíbula fraturada em valgo, Tabela 29-5 de alinhamento aceitável, cunha de abertura, hastes flexíveis, síndrome compartimental, fratura do lactente e fratura por estresse.

Atualizado em 28/10/2026 · 14 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 29 · Fractures of the Shaft of the Tibia and Fibula, em Rockwood and Wilkins' Fractures in Children, 10ª edição (2025). Autores do capítulo: Brendan A. Williams e Christine Ann Ho.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de ortopedia pediátrica do Rockwood infantil, capítulo 29, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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No leitor: marcações, notas e as questões no meio do texto, que abrem sem perder o lugar da leitura.

Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado no capítulo 29 do Rockwood and Wilkins' Fractures in Children (10ª edição, 2025), de Brendan A. Williams e Christine Ann Ho, e reorganiza as ideias dele em português, na ordem em que as provas cobram o tema. Os números são os do capítulo. Como o arquivo do livro não tem página impressa, as referências apontam capítulo, seção, figura e tabela.

O capítulo divide a perna em três regiões: metáfise proximal, diáfise e metáfise distal, mais as fraturas especiais (do lactente, joelho flutuante, estresse). A banca cobra sobretudo duas coisas: o valgo de COZEN da fratura metafisária proximal e o desvio da diáfise conforme a fíbula esteja inteira ou quebrada.

Epidemiologia e anatomia

Fundamento

As fraturas da diáfise da tíbia e da fíbula são as segundas fraturas de ossos longos mais comuns na criança, depois do antebraço, e as segundas nas internações por trauma ortopédico pediátrico, depois do fêmur. Pico entre 10 e 14 anos, dois meninos para cada menina. Setenta por cento são isoladas da tíbia; a fíbula quebra junto em 30%. Na série de SHANNAK, 51% no terço distal e 39% no médio. A tíbia é um dos ossos longos mais fraturados nos maus-tratos (11% a 26% das crianças maltratadas com fratura de osso longo). As lesões associadas mais comuns são do tornozelo e do pé (seção Introduction).

A tíbia tem três centros de ossificação: diáfise (7ª semana de gestação), epífise proximal (logo após o nascimento, fecha entre 14 e 16 anos) e epífise distal (segundo ano de vida, fecha entre 14 e 15 anos). Na fíbula, o centro distal aparece por volta de 2 anos e o proximal por volta de 4; a fise distal fecha por volta de 16 anos e a proximal entre 15 e 18.

A artéria poplítea termina na borda distal do músculo poplíteo, dividindo-se em tibial anterior, que atravessa a membrana interóssea na altura do colo da fíbula para o compartimento anterior, e tibial posterior, que dá a fibular. O fibular comum contorna o colo da fíbula. Os quatro compartimentos: anterior (tibial anterior, extensores longos, artéria tibial anterior, fibular profundo), lateral (fibulares longo e curto, fibular superficial), posterior superficial (sóleo e gastrocnêmio) e posterior profundo (flexores longos, tibial posterior, artérias tibial posterior e fibular, nervo tibial) (Fig. 29-2).

Metáfise proximal: a fratura de COZEN

Cobrança confirmada · 11 questões

É a menos comum das fraturas não fisárias da tíbia, com pico entre 3 e 6 anos. O mecanismo mais comum é uma força de baixa energia na face lateral do joelho em extensão, direta ou por carga axial (o trampolim é o exemplo). A cortical medial falha em tensão, quase sempre em galho verde; toro e fratura completa são menos comuns, e a fíbula costuma escapar. A ordem das forças é valgo, varo, extensão e flexão; o varo é raro, talvez porque a fíbula proteja o lado lateral. Lesões associadas são poucas; a poplítea só corre risco na fratura completamente desviada, incomum nessa idade. Na fratura por carga axial sutil, o perfil pode mostrar só o aumento da inclinação anterior da fise (Fig. 29-3).

O tratamento {radar=confirmado}

Sem desvio: gesso inguinopodálico bem acolchoado por 4 a 6 semanas. Nas fraturas mediais comuns, molde em varo, porque a fratura tende a ir para valgo; o capítulo chama isso de uma das raras situações em que um varo inicial ajuda. Desviadas: redução sob sedação ou anestesia, com fluoroscopia, e leve molde em varo. O joelho perto da extensão facilita moldar e medir o alinhamento (Fig. 29-5), e a maioria aceita carga conforme tolerado.

Cirurgia é rara: quando a redução não se obtém ou não se mantém, em geral por interposição de partes moles do lado medial (periósteo, colateral medial, pata de ganso). A via segura é a anteromedial, longe da poplítea, da tibial anterior e do fibular comum, e permite reparar a pata de ganso. Fios lisos ou fixador externo ficam para casos raros (politrauma, partes moles ruins), evitando a fise e a articulação.

O valgo pós-fratura {radar=confirmado}

É a sequela tardia mais conhecida (Figs. 29-7 e 29-8). COZEN descreveu quatro casos em 1953: dois já em valgo na retirada do gesso, dois que entortaram com o crescimento. NENOPOULOS relatou valgo progressivo em 90% das fraturas sem desvio ou minimamente desviadas; ROBERT viu valgo em 12 de 25, nenhum nas fraturas em toro. Um estudo recente de 181 lesões, porém, achou poucos casos com angulação relevante e nenhum que precisasse de correção: o fenômeno de COZEN clinicamente importante pode ser menos comum do que se pensava.

Causas propostas para o valgo (Tabela 29-3, cap. 29)
Causa
Hipercrescimento do calo medial ou da fise medial (periósteo medial preso, mais fluxo e captação na fise medial)
Parada do crescimento da fise lateral
Redução inadequada ou perdida
Partes moles interpostas (colateral medial, pata de ganso, periósteo)
Perda da amarração da pata de ganso sobre a fise medial
Amarração pela fíbula
Carga precoce

O valgo surge mesmo em fraturas sem desvio e recidiva após osteotomia, o que sustenta o crescimento fisário assimétrico como causa da maioria dos casos.

História natural. A deformidade fica evidente por volta de 6 meses, progride até 18 a 24 meses e depois corrige aos poucos, em 18 a 36 meses. ZIONTS e MACEWEN: seis de sete corrigiram sozinhas, todas abaixo de 10 graus em 39 meses, com correção mantida em cerca de 15 anos. Órtese não muda a evolução. Osteotomia na criança com crescimento restante recidiva (Fig. 29-9) e já causou síndrome compartimental. Cirurgia só depois de 18 meses com desvio do eixo acima de 10 graus, de preferência por hemiepifisiodese medial (Fig. 29-10). A família deve ser avisada desde a primeira consulta.

Diáfise: o desvio depende da fíbula

Cobrança confirmada · 3 questões

Abaixo de 11 anos, a maioria das fraturas é por torção (corpo girando sobre o pé fixo), oblíqua ou espiral, no terço distal, com traço da face anteromedial distal para posterolateral proximal. Transversas e cominutas isoladas vêm de trauma direto.

Com a fíbula íntegra, não há encurtamento importante, mas cerca de 60% das fraturas isoladas da tíbia desenvolvem varo nas primeiras 2 semanas: a fíbula converte a força dos flexores longos em momento angular (Fig. 29-11). A transversa com fíbula íntegra costuma ser estável; a cominuta ou segmentar também tende ao varo. Com a fíbula fraturada e desviada, a tendência é o valgo, pela musculatura anterolateral e pela perda do contraforte lateral (Fig. 29-12); a lesão da fíbula, inclusive a deformidade plástica, deve ser corrigida. Fratura isolada da fíbula é rara, por golpe direto lateral, e vai bem com tratamento sintomático. Radiografar joelho e tornozelo: uma série achou fratura transicional do tornozelo associada em 33% das fraturas do terço distal (Fig. 29-15).

Gesso, alinhamento aceitável e cunha {radar=oportunidade}

A maioria das fraturas fechadas sem complicação se trata com redução e gesso: primeiro um gesso curto com molde em varo ou valgo conforme o padrão, depois estendido até a coxa; nas instáveis, joelho a 45 graus para controlar a rotação e evitar a carga, e o tornozelo em leve flexão plantar para não gerar recurvato. Gesso aberto ou bivalvado diante de edema, e internação para elevação e vigilância nas de maior energia. Controle radiográfico semanal nas primeiras 2 ou 3 semanas. O gesso dura em média 2,5 meses, às vezes mais de 3 no adolescente. O sucesso do gesso varia de 60% a 96%; cunha ou troca foi necessária em 21% dos adolescentes de uma série.

Alinhamento aceitável na diáfise da tíbia (Tabela 29-5, cap. 29)
ParâmetroAbaixo de 8 anos8 anos ou mais
Valgo5 graus5 graus
Varo10 graus5 graus
Angulação anterior10 graus5 graus
Angulação posterior5 graus0 grau
Encurtamento10 mm5 mm
Rotação5 graus5 graus

Cunha. Feita em geral 7 a 14 dias após a lesão. Na tíbia, prefere-se a cunha de abertura: corte do lado oposto ao ápice, deixando cerca de 25% do gesso intacto sobre o ápice, com cerca de 1 cm de cunha para cada 10 graus; a cunha de fechamento encurta e pinça partes moles. Depois, observar sinais de síndrome compartimental.

Cirurgia: hastes flexíveis {radar=oportunidade}

Indicação absoluta: não obter ou não manter a redução. Relativas: fratura exposta, lesão importante de partes moles, síndrome compartimental, joelho flutuante, segmentar, traumatismo craniano ou politrauma, criança grande ou obesa. As hastes flexíveis são o método operatório preferido: entrada proximal, medial e lateral, na altura da tuberosidade ou logo acima, longe da fise e da apófise; 60% a 80% de preenchimento total do canal; duas hastes iguais do mesmo material; assentar 1 cm acima da fise distal; gesso ou tala complementar com frequência. Metanálise de 835 pacientes: 97,5% de consolidação em cerca de 12 semanas, infecção e síndrome compartimental em 1% a 3%. Ao contrário do fêmur, o peso não piorou a consolidação, mas numa série 83% das crianças com 50 kg ou mais tiveram síndrome compartimental. Mais complicações no grupo operado que no gesso (24% contra 9%), com grupos diferentes; os autores defendem tentar o gesso primeiro. O fixador externo fica para cominutas muito instáveis, perda de partes moles e controle de danos, com pinos na face anteromedial subcutânea. Haste rígida só perto da maturidade; evitar implante que cruze a fise se restarem mais de 2 anos de crescimento.

Fratura exposta

Relevância clínica

Princípios de adulto, com vantagens da criança: partes moles e osso cicatrizam melhor, sobretudo abaixo de 11 anos; osso desvitalizado limpo e coberto pode ser incorporado; o periósteo regenera osso; feridas grau I limpas podem ser fechadas primariamente; e gesso pode bastar em expostas estáveis selecionadas. Antibiótico imediato, desbridamento, estabilização (fios no grau I; fixador ou hastes na maioria dos II e em todos os III). Infecção ausente no grau I, cerca de 3% no II e 8% no III numa série; nenhuma infecção com ferida fechada em até 8 dias, e daí a recomendação de cobrir em até 7 dias. Lesão vascular em cerca de 5% das expostas; amputação até 79% no IIIC. Acima de 12 anos, consolidação mais lenta e mais sequelas.

Complicações

Cobrança confirmada · 1 questão

Síndrome compartimental. Pode ocorrer em qualquer fratura. SHORE: 11,6% em 216 fraturas, com 14 anos ou mais e acidente automobilístico como preditores; expostas e fechadas tiveram taxas parecidas após hastes. O sinal precoce mais importante na criança é a dor crescente, com cada vez mais analgésico, e a dor ao estiramento passivo; alteração sensitiva, motora e de pulso é tardia. Abrir gesso e acolchoamento; persistindo, fasciotomia de emergência (pressão acima de 30 mm Hg ajuda quando medida), em duas incisões. Fibulectomia não na criança: o resto distal da fíbula sobe e dá valgo do tornozelo. Sequelas tardias: dedos em garra, joanete dorsal, rigidez subtalar. A maioria tem bom resultado.

Vascular. A fratura metafisária proximal desviada é a que mais se associa a lesão vascular, da tibial anterior que passa entre tíbia e fíbula. Tibial anterior e fibular isoladas têm bom prognóstico; poplítea e tibial posterior, pior.

Deformidade angular e rotação. A tíbia remodela pouco: correção moderada até 8 a 10 anos, cerca de 50% entre 9 e 12, no máximo 25% acima de 13; nenhuma remodelação completa na série de HANSEN (cerca de 13,5%). A menor correção é da angulação posterior, depois do valgo; o varo corrige melhor (WEBER: 5 a 13 graus corrigiram na fise). A remodelação se limita aos primeiros 18 meses. A rotação não corrige; acima de 20 a 30 graus pode exigir osteotomia supramaleolar.

Comprimento e fise anterior. O hipercrescimento da tíbia é menor que o do fêmur, cerca de 4,5 mm, mais abaixo de 10 anos e nas cominutas; acima disso pode haver leve inibição. O fechamento precoce da fise anterior da tíbia proximal (pino de tração, gesso com pinos, fixador ou lesão não percebida) gera recurvato progressivo. Pseudartrose é rara nas fechadas de baixa energia (cerca de 5% com hastes, menos de 2% reoperados); na pseudartrose ou retardo, a fibulectomia de 1 cm aumenta a compressão no foco; o enxerto posterolateral é uma boa técnica.

Metáfise distal

Possível cobrança

Fratura incomum (0,35% a 0,45% das fraturas da criança), em geral galho verde por carga axial com o pé em dorsiflexão: a cortical anterior impacta, a posterior abre, e surge valgo com recurvato. Reduz-se e mantém-se com o tornozelo em flexão plantar, voltando a neutro em 3 a 4 semanas (Fig. 29-39). As instáveis vão para fios, hastes, placa ou redução aberta; fixar a fíbula ajuda.

Fraturas especiais

Possível cobrança

Fratura do lactente (toddler's fracture). Espiral da tíbia sem fratura da fíbula, por rotação externa do pé com o joelho fixo, 83% abaixo de 2,5 anos na série original, trauma muitas vezes não visto. Claudicação ou recusa de apoio; examinar primeiro o lado são. Frente, perfil e oblíqua em rotação interna, que pode ser a única a mostrar a fratura. Radiografia normal com quadro compatível: imobilizar e repetir; a reação periosteal aparece em 10 a 14 dias. Lembrar a osteomielite. Tratamento por 3 a 4 semanas com gesso, bota ou até sem imobilização. Lesões suspeitas de maus-tratos apareceram nessas fraturas de baixo risco em taxa semelhante às de risco moderado.

Joelho flutuante. Fêmur e tíbia ipsilaterais, quase sempre trânsito, muitas expostas. Fixa-se o fêmur, e a tíbia vai para gesso ou fixação; no estudo multicêntrico de 130 casos, mais de 90% tiveram bom ou excelente resultado, sem diferença entre estratégias.

Fratura por estresse. Na criança, a tíbia é mais acometida que a fíbula (o inverso do adulto), sobretudo no terço proximal, com dor medial insidiosa que piora com a atividade. A radiografia pode ser normal e muda em cerca de 2 semanas; a ressonância diferencia de tumor. Bota por 4 a 6 semanas. Na fíbula, entre 2 e 8 anos, terço distal, calo em "casca de ovo".

Fechamento

Fundamento

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