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Exame neurológico e radiculopatias

ColunaResumo do capítulo38 min de leitura

Raiz cervical sai acima do pedículo e a lombar abaixo (C4-5 = C5, C5-6 = C6, C6-7 = C7; L4-5 posterolateral = L5, foraminal = L4); C5 deltoide e bicipital, C6 extensores do punho e braquiorradial, C7 tríceps, flexor radial do carpo e tricipital, C8 sem reflexo; L4 patelar, L5 extensor do hálux e glúteo médio sem reflexo, S1 tríceps sural, glúteo máximo e aquileu; mamilo T4, xifoide T7, umbigo T10; SPURLING 95% sensível; LASÈGUE com dor abaixo do joelho, contralateral patognomônico; estiramento femoral para hérnia alta; HOFFMANN em C5-6 ou acima, BABINSKI, clônus e hiper-reflexia na mielopatia; reflexo abdominal na siringomielia; bulbocavernoso marca o fim do choque medular; cauda equina é a única urgência cirúrgica da hérnia; GUILLAIN-BARRÉ ascendente e arrefléxico.

Atualizado em 03/11/2026 · 38 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 45 · Degenerative Disorders of the Cervical Spine, com o Capítulo 46 · Degenerative Disorders of the Thoracic and Lumbar Spine e os capítulos 40, 43 e 48, em Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição (2026), com o Netter Atlas de Anatomia Ortopédica, 2ª ed., o Sizínio Hebert, 5ª ed., e o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed.. Autores do capítulo: Kirk M. THOMPSON.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de coluna do Campbell, capítulo 45, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado nos capítulos 45 e 46 do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição (2026), de Kirk M. THOMPSON, sobre a doença degenerativa cervical e toracolombar: os quadros de cada raiz (Boxes 45.2 a 45.6 e 46.2 a 46.4), os testes cervicais (Tabela 45.3), a hérnia lombar e a cauda equina. Os capítulos 43, 48 e 40 entram para a saída das raízes, o choque medular e o reflexo abdominal; o Netter Atlas de Anatomia Ortopédica, 2ª ed., e o Sizínio Hebert, 5ª ed., para as tabelas de exame; o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., para a siringomielia e o GUILLAIN-BARRÉ.

O exame neurológico da coluna é uma prova de localização. O examinador pergunta três coisas, nesta ordem: é nervo periférico, é raiz ou é medula? Se for raiz, qual raiz? E, sabendo a raiz, qual disco e em que posição do canal a está comprimindo? Cada uma dessas perguntas tem um conjunto pequeno de fatos que resolvem quase todas as questões: o mapa de dermátomos, miótomos e reflexos; a regra do pedículo; os sinais de liberação piramidal; e os testes de tensão.

As provas cobram a tabela pura ("o reflexo de C8", "o dermátomo do umbigo"), o caso clínico com três achados (sensibilidade, força e reflexo), a semiologia nominal (SPURLING, LASÈGUE, HOFFMANN, LHERMITTE, NACHLAS) e, menos, a conduta: quando a hérnia é urgência.

A anatomia que decide o nível: raiz, pedículo e disco

Cobrança confirmada · 1 questão

A regra do pedículo

Tudo começa num detalhe de contagem. Há sete vértebras cervicais e oito raízes cervicais. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 43, p. 1689; cap. 45, p. 1740), explica a consequência: de C2 a C7, cada raiz sai acima do pedículo da vértebra que lhe dá o nome (a raiz C6 sai entre os pedículos de C5 e C6). A raiz C8 sai entre C7 e T1, e, a partir daí, a relação se inverte: todas as raízes abaixo de C8 saem abaixo do pedículo de mesmo nome (a raiz L4 sai entre os pedículos de L4 e L5).

Os discos recebem o nome da vértebra imediatamente acima. O disco "C6" é o disco C6-C7, e a doença nesse nível acomete tipicamente a raiz C7 (p. 1740). Na cervical, portanto, a conta é simples e vale para hérnia posterolateral e foraminal ao mesmo tempo: o disco Cx-Cy comprime a raiz Cy, a de número maior. C4-C5 comprime C5; C5-C6 comprime C6; C6-C7 comprime C7; C7-T1 comprime C8.

Na lombar, a posição da hérnia muda a raiz

Na coluna lombar o raciocínio exige mais um passo, porque a raiz de um nível cruza o disco de cima ainda dentro do canal e só sai no forame de baixo. O Campbell (cap. 46, p. 1773 e 1774) diz que a raiz sai abaixo do pedículo de mesmo nome e que a patologia do recesso lateral ou a hérnia posterolateral acomete a próxima raiz que sai abaixo daquele disco: a hérnia posterolateral L4-L5 dá sintomas de L5. O Sizínio Hebert, 5ª ed. (cap. 2.4), dá nome a cada zona: hérnia central (entre as bordas da cauda equina), de recesso lateral (entre a borda da cauda equina e o pedículo), que comprime a raiz transeunte, a que vai sair no forame do nível caudal; e hérnia intraforaminal, entre as bordas medial e lateral do pedículo, que comprime a raiz correspondente ao nível do disco, a que está saindo naquele forame. Há ainda a extraforaminal (o disco "far lateral" do Campbell, que exige exposição por fora do canal).

Daí a regra que as bancas exploram: L4-L5 posterolateral comprime L5; L4-L5 foraminal comprime L4. L5-S1 posterolateral comprime S1; L5-S1 foraminal comprime L5. A raiz atingida pela hérnia posterolateral, aquela que "passa" pelo disco e desce para o forame de baixo, é chamada de transeunte, descendente ou, no inglês, "traversing"; a que sai pelo forame daquele nível é a raiz de saída ("exiting"). O Campbell usa "traversing nerve root" na técnica de microdiscectomia (o nervo transeunte está sempre logo medial ao pedículo).

Por fim, a medula termina como cone medular na altura da segunda vértebra lombar no adulto e da terceira no recém-nascido, segundo o Campbell (cap. 43, p. 1688); o Sizínio fala em L1-L2, e o Netter Atlas de Anatomia Ortopédica, 2ª ed. (cap. 2), põe o cone em L1. Abaixo disso só há raízes: lesão de neurônio motor inferior.

Qual raiz cada hérnia comprime (Campbell, caps. 43, 45 e 46; Sizínio, cap. 2.4)
DiscoHérnia posterolateral (recesso)Hérnia foraminal
C4-C5C5C5
C5-C6C6C6
C6-C7C7C7
C7-T1C8C8
L3-L4L4L3
L4-L5L5L4
L5-S1S1L5

Dermátomos, miótomos e reflexos: a lógica do exame

Cobrança confirmada · 2 questões

Por que o exame precisa de três eixos

Cada raiz tem um dermátomo, um miótomo e, às vezes, um reflexo, com muita superposição: o Sizínio (cap. 40) lembra que as raízes inervam vários músculos e os músculos recebem várias raízes; o Campbell (cap. 45, p. 1748) manda somar vários grupos motores, reflexos e sensibilidade e confirmar com a RM. Com os três dados, raramente se erra a raiz.

O reflexo profundo é um arco: fuso muscular, raiz sensitiva, célula do corno anterior, raiz motora. O córtex exerce ação inibidora sobre esse arco. Disso saem as duas grandes regras do Sizínio (cap. 40): reflexo diminuído ou ausente indica interrupção do arco, ou seja, lesão de raiz ou nervo periférico (ou choque medular, uma depressão temporária da medula); reflexo exaltado indica perda da inibição cortical, ou seja, lesão do neurônio motor superior (medula ou acima). Uma hérnia que comprime uma raiz deixa o reflexo daquela raiz hipoativo; uma hérnia que comprime a medula deixa os reflexos abaixo do nível exaltados.

Os cinco reflexos que caem

O Sizínio (cap. 40) lista os reflexos profundos de maior importância clínica: bicipital (C5), estilorradial ou braquiorradial (C6), tricipital (C7), patelar (L4) e do calcâneo ou aquileu (S1). O Netter (cap. 2, p. 50 e 51) traz a mesma lista. Essa é a tabela a decorar, e dela saem duas pegadinhas frequentes. A primeira: não há reflexo profundo de rotina para C8 nem para L5. O Campbell é explícito: na compressão de C8, "nenhuma alteração reflexa" (Box 45.5, p. 1750); na de L5, "geralmente nenhuma", com o tibial posterior possível, mas difícil de obter (Box 46.3, p. 1786). A segunda: os reflexos são multissegmentares. O Campbell atribui o bicipital a C5 e C6 (por isso aparece nos Boxes de C5 e de C6), e o patelar a L2, L3 e L4 (p. 1786). A banca, porém, cobra o segmento principal, que é o da tabela.

Reflexos profundos e superficiais (Sizínio, cap. 40; Netter, cap. 2; Campbell, caps. 45, 46 e 48)
ReflexoRaiz principalO que a alteração sugere
bicipitalC5 (com C6)hipoativo: radiculopatia C5
braquiorradial (estilorradial)C6hipoativo: C6; invertido (braquiorradial fraco com flexão dos dedos exaltada): mielopatia em C5-6
tricipitalC7hipoativo: C7
C8 e T1nenhumausência de reflexo é o esperado
patelarL4 (L2 a L4)hipoativo: L4 (hérnia L3-L4)
tibial posteriorL5difícil de obter; em geral L5 não altera reflexo
aquileuS1reduzido ou ausente: S1 (hérnia L5-S1)
bulbocavernosoS2 a S4 (S2-S3 no Netter)ausente: lesão sacral ou choque medular
abdominais e cremastéricotronco (neurônio motor superior)abolidos na lesão medular; assimetria na siringomielia

O capítulo 48 do Campbell traz os miótomos-chave da ficha da ASIA, uma tabela que vale ouro porque cada raiz ganha um único movimento representativo (Tabela 48.3, p. 1875).

Miótomos-chave da ASIA (Campbell, cap. 48, Tabela 48.3)
RaizMovimento / músculo-chave
C5flexão do cotovelo (bíceps, braquial)
C6extensão do punho (extensores radiais longo e curto do carpo)
C7extensão do cotovelo (tríceps)
C8flexão dos dedos (flexor profundo do dedo médio)
T1abdução do dedo mínimo
L2flexão do quadril (iliopsoas)
L3extensão do joelho (quadríceps)
L4dorsiflexão do tornozelo (tibial anterior)
L5extensão do hálux (extensor longo do hálux)
S1flexão plantar (gastrocnêmio, sóleo)

Note uma diferença que confunde: na tabela da ASIA, o C5 é a flexão do cotovelo (bíceps), enquanto nos Boxes de radiculopatia do Campbell e no Netter o músculo-marcador do C5 é o deltoide, quase exclusivamente C5 (cap. 45, p. 1748). O bíceps tem inervação dupla (C5 e C6). Na prova de radiculopatia, deltoide = C5; na prova de trauma medular, flexores do cotovelo = C5.

Membro superior: C5 a T1, raiz por raiz

Cobrança confirmada · 9 questões

C5: ombro, deltoide e bicipital

A hérnia C4-C5 comprime a raiz C5. O Campbell (Box 45.2, p. 1748) descreve fraqueza do deltoide e do bíceps, com a ressalva de que o deltoide é quase todo C5 e o bíceps é dividido com C6; o reflexo bicipital pode diminuir (variável, pela mesma razão); a sensibilidade cai numa mancha na face lateral proximal do braço e no cotovelo. O Netter (p. 50) põe o território sensitivo de C5 na porção lateral do ombro e o motor no deltoide (abdução resistida); o Sizínio (Quadro 2.1.1) diz: face lateral do braço; deltoide e flexores do cotovelo; reflexo bicipital. As três fontes concordam no essencial, que é o trio "face lateral do braço, deltoide, bicipital".

C6: polegar, indicador, extensores do punho e braquiorradial

A hérnia C5-C6 comprime C6. O Campbell (Box 45.3, p. 1748 e 1749) dá fraqueza do bíceps e dos extensores radiais longo e curto do carpo, reflexos bicipital e braquiorradial diminuídos e sensibilidade reduzida na face lateral proximal do antebraço, no polegar e no indicador. O Campbell avisa que C6 "pode ser confundida com outros níveis" pela inervação dupla: o bíceps é C5 e C6; os extensores longos, C6 e C7. O Sizínio resume: primeiro e segundo dedos; extensores do punho; braquiorradial. O Netter põe o polegar como território sensitivo de C6 e o braquiorradial como reflexo de C6.

Isso explica três questões clássicas. Paresia do bíceps e dos extensores radiais do carpo com o reflexo estilorradial diminuído é C6. Déficit na face lateral do antebraço com reflexo braquiorradial alterado é C6. Dor irradiada para a face lateral do antebraço, primeiro e segundo dedos, com braquiorradial diminuído, aponta a hérnia C5-C6.

C7: dedo médio, tríceps, flexor radial do carpo e tricipital

A hérnia C6-C7 comprime C7. O Campbell (Box 45.4, p. 1749) dá fraqueza do tríceps e dos extensores dos dedos como achados comuns e acrescenta que a fraqueza dos flexores do punho, sobretudo o flexor radial do carpo, é mais indicativa de C7; o extensor comum dos dedos pode revelar a lesão antes do tríceps, porque é normalmente mais fraco; o flexor ulnar do carpo é mais de C8. O reflexo tricipital pode diminuir. A sensibilidade cai no dedo médio, mas o dermátomo de C7 é estreito, a superposição é grande e a alteração "pode ser difícil de documentar".

O Sizínio (Quadro 2.1.1) põe C7 em segundo e terceiro dedos; extensor do cotovelo; reflexo tricipital; o Netter, no dedo médio e no tríceps (extensão resistida do cotovelo). Aqui está uma divergência útil: a banca que pergunta "qual movimento avalia C7" e oferece abdução do ombro, extensão do punho, flexão do punho e flexão dos dedos quer flexão do punho, que é o que o Campbell diz; extensão do punho é C6, flexão dos dedos é C8, abdução do ombro é C5. Se a alternativa fosse "extensão do cotovelo", ela também seria C7, e é essa a escolha do Netter e do Sizínio.

C8 e T1: borda ulnar, intrínsecos e nenhum reflexo

A hérnia C7-T1 comprime C8. O Campbell (Box 45.5, p. 1749 e 1750) dá fraqueza dos flexores dos dedos e dos interósseos, às vezes do flexor ulnar do carpo, e perda de sensibilidade na borda ulnar da palma, no anular e no mínimo, sem nenhuma alteração reflexa. O Sizínio põe o motor de C8 no flexor profundo do terceiro dedo; a ASIA usa a mesma referência. A compressão de T1 (Box 45.6, p. 1750) dá fraqueza dos interósseos, hipoestesia na face medial do cotovelo e, outra vez, nenhum reflexo. O Netter põe T1 no antebraço ulnar e na mão.

As raízes cervicais em uma tabela (Campbell, Boxes 45.2 a 45.6; Sizínio, Quadro 2.1.1; Netter, cap. 2)
Raiz (disco)SensibilidadeForçaReflexo
C5 (C4-C5)face lateral do braço; ombro lateral (Netter)deltoide; bíceps variávelbicipital
C6 (C5-C6)face lateral do antebraço, polegar e indicadorbíceps, extensores radiais do carpobraquiorradial (e bicipital)
C7 (C6-C7)dedo médio (segundo e terceiro no Sizínio)tríceps, flexor radial do carpo, extensores dos dedostricipital
C8 (C7-T1)anular, mínimo, borda ulnar da palmaflexores dos dedos, interósseosnenhum
T1 (T1-T2)face medial do cotovelointerósseosnenhum

O que separa a raiz cervical do nervo periférico e do ombro

O Campbell (p. 1750) começa o exame com uma advertência: diante de sintomas radiculares, examinar o membro para afastar compressões mais distais, como o desfiladeiro torácico, o túnel do carpo e o túnel cubital. O Sizínio (cap. 2.1) chama as síndromes compressivas periféricas de "os diagnósticos diferenciais mais importantes" da cervicobraquialgia e lembra que geralmente o exame físico as separa; na dúvida, a eletroneuromiografia ajuda. O raciocínio é de território: o mediano no carpo poupa a face lateral do antebraço e o braquiorradial, que são C6; o ulnar no cotovelo poupa a borda medial do antebraço proximal e o reflexo, mas a C8 também não tem reflexo, e é aí que o exame de território decide.

Testes de raiz cervical: SPURLING, distração e abdução

Cobrança confirmada · 1 questão

A Tabela 45.3 do Campbell (p. 1750) reúne os testes de compressão radicular cervical. O mais importante é o de SPURLING: o examinador vira a cabeça do paciente para o lado afetado, estende o pescoço e aplica pressão para baixo; é positivo quando a dor irradia no dermátomo, do mesmo lado. O mecanismo é fechar o forame: extensão e inclinação ipsilateral reduzem o espaço por onde a raiz sai, e a carga axial aumenta a pressão. O Campbell dá números: 95% de sensibilidade e 94% de especificidade para doença da raiz cervical. Ele observa ainda que não existe, no membro superior, um teste equivalente à elevação da perna estendida, e que o SPURLING é o que mais se aproxima. O Netter (p. 52) descreve uma variante: carga axial, depois flexão e rotação lateral do pescoço; dor irradiada indica compressão da raiz.

O sinal do alívio pela abdução do ombro é o contrário do SPURLING: o paciente põe a mão sobre a cabeça, com o ombro abduzido e o cotovelo fletido, o que afrouxa a raiz; é positivo quando a dor no braço alivia. Se a posição, mantida por 1 a 2 minutos, piorar a dor, deve-se suspeitar de compressão distal (túnel cubital) ou doença do ombro. O Campbell o chama de "um teste muito bom para distinguir doença cervical de doença do ombro".

O teste de distração põe as mãos do examinador no occipital e na mandíbula e traciona a coluna em posição neutra. Alívio com o pescoço em extensão sugere síndrome de hiperextensão e lesão ligamentar posterior; alívio com distração e flexão sugere compressão radicular (disco mole ou, mais provavelmente, esporões foraminais). A compressão piora qualquer condição. Duas cautelas: antes de comprimir ou distrair, afastar instabilidade ou fratura; e a doença da ATM também piora com a distração (p. 1750). O Netter resume a distração assim: o alívio dos sintomas indica compressão foraminal da raiz.

Testes de compressão da raiz cervical (Campbell, Tabela 45.3; Netter, cap. 2)
TesteManobraPositivo / significado
SPURLINGcabeça girada para o lado afetado, pescoço estendido, pressão para baixodor irradiada no dermátomo ipsilateral; 95% sensível, 94% específico
alívio pela abduçãomão sobre a cabeçaalivia a dor do braço = raiz; piora em 1 a 2 min = túnel cubital ou ombro
distraçãomãos no occipital e na mandíbula, tração em neutroalívio = compressão foraminal; alívio em extensão = lesão ligamentar posterior
compressãocarga axialdói em qualquer condição; afastar instabilidade antes
HOFFMANNsegurar o dedo médio na falange distal e "petelecar" a unhaflexão do indicador e do polegar = medula (não é teste de raiz)

Tronco: dermátomos torácicos e reflexos superficiais

Cobrança confirmada · 6 questões

Três referências que resolvem o tórax e o abdome

No tronco não há reflexo profundo útil nem músculo-chave na ficha da ASIA, e o nível se determina pela sensibilidade. O Campbell (cap. 48, p. 1873) lista os marcos da ficha da ISCoS, que testa 28 dermátomos de cada lado com tato leve e picada (agulha estéril, não roda de alfinetes): linha mamilar T4, processo xifoide T7, umbigo T10, região inguinal T12 e L1, região perianal S4 e S5. O Sizínio (cap. 40) traz os mesmos marcos, com a região perineal em S2, S3 e S4. A sequência T4, T7, T10 cai de forma literal.

O umbigo em T10 também explica um achado clínico do Campbell (cap. 46, p. 1781): na hérnia de disco torácica, a dor radicular em faixa intercostal mais relatada é a de T10, uma faixa que contorna o tórax inferior e desce até o umbigo, qualquer que seja o nível da hérnia. Numa fratura torácica com perda de movimento das pernas e de sensibilidade a partir da cicatriz umbilical, o nível sensitivo é T10.

Marcos sensitivos do tronco e do períneo (Campbell, cap. 48; Sizínio, cap. 40)
MarcoDermátomo
linha mamilarT4
processo xifoideT7
umbigoT10
região inguinalT12 e L1
região perianalS4 e S5 (Campbell); perineal S2 a S4 (Sizínio)

Reflexos superficiais: abdominal e cremastérico

O reflexo cutâneo abdominal e o cremastérico são reflexos superficiais, polissinápticos, que dependem da integridade do neurônio motor superior. O Sizínio (cap. 40) diz que eles são testes do neurônio motor superior e que a ausência sinaliza lesão desse neurônio. Na mielopatia cervical, o mesmo autor descreve o padrão inverso dos dois tipos de reflexo: os miotendíneos ficam exaltados e os cutâneos, abolidos (cap. 2.1). O Campbell (cap. 46, p. 1781) inclui os reflexos abdominais e o cremastérico no exame "meticuloso" da hérnia torácica, que tem poucos achados localizadores.

O reflexo abdominal e a siringomielia

O papel mais cobrado do reflexo abdominal é na escoliose. O Campbell (cap. 40, p. 1540) manda dar "atenção especial aos reflexos abdominais", porque muitas vezes são a única anormalidade neurológica de distúrbios intraespinhais; na escoliose de início precoce, a alteração do reflexo abdominal superficial indica RM (p. 1528). Na siringomielia (p. 1601), a escoliose aparece em 63% a 73% das crianças e pode ser a primeira manifestação, com atrofia dos intrínsecos, pé cavo, cefaleia occipital e perda dos reflexos abdominais; a curva tende a ser à esquerda, com cifose torácica. O Tachdjian (cap. 34, p. 1701) acrescenta que a assimetria dos reflexos abdominais sustenta o diagnóstico.

Cremastérico: as raízes

O cremastérico (estímulo na face medial da coxa, elevação do testículo) testa o arco do nervo genitofemoral. O Netter (cap. 8) dá ao genitofemoral as raízes L1 e L2, com função motora no músculo cremaster; o Campbell e o Sizínio situam a região inguinal no dermátomo T12 a L1. Os livros conferidos não trazem uma linha dizendo "cremastérico = T12-L1" ou "= L1-L2", e a banca usa a primeira forma.

Membro inferior: L4, L5 e S1

Cobrança confirmada · 9 questões

A história típica da hérnia lombar

O Campbell (cap. 46, p. 1784 e 1785) descreve a história típica: adulto na terceira ou quarta década, com dor lombar recorrente aliviada por repouso, até que um episódio, muitas vezes de flexão, traz a dor na perna, que passa do joelho, segue o dermátomo e é igual ou maior que a lombar (se a lombar predomina, cautela com o diagnóstico). Piora sentado, dirigindo, com tosse e espirro; alivia em semi-FOWLER. Queixas generalizadas fazem duvidar de hérnia unilateral simples. A hérnia mais comum é a L4-L5, seguida da L5-S1 (Sizínio, cap. 2.4); mais de 95% estão nesses dois níveis (Campbell, p. 1787).

L4: face medial da perna, tibial anterior e patelar

Hérnia L3-L4 comprime L4, que cruza o disco antes de sair no forame L4-L5. O Campbell (Box 46.2, p. 1786) dá dor na face medial da perna; dormência na face anteromedial da perna, com zona autônoma no maléolo medial; fraqueza do tibial anterior (o paciente não consegue andar nos calcanhares), do quadríceps e dos adutores (estes dois inervados por L2, L3 e L4, e variáveis); reflexo patelar diminuído ou ausente, ou tibial anterior. O Box lista a sensibilidade como face posterolateral da coxa, anterior do joelho e medial da perna. O Netter (p. 51) põe L4 na parte medial da perna e tornozelo, o tibial anterior (dorsiflexão do tornozelo) e o reflexo patelar; o Sizínio, no maléolo medial, na "extensão do pé" e no patelar.

L5: dorso do pé, hálux, glúteo médio e nenhum reflexo

Hérnia L4-L5 comprime L5. O Campbell (Box 46.3, p. 1786) dá dormência na face anterolateral da perna, dorso do pé e hálux, com zona autônoma no primeiro espaço dorsal e no dorso do terceiro dedo; fraqueza do extensor longo do hálux, do glúteo médio e dos extensores longo e curto dos dedos; reflexo geralmente nenhum (o tibial posterior é possível, mas difícil). O Sizínio (cap. 2.4) traz a consequência clínica da fraqueza do glúteo médio: a compressão grave de L5 dá marcha de TRENDELENBURG, por fraqueza abdutora; a paresia extensora de L4 e L5 dá marcha em pé caído. A ciática de L5, segundo o Sizínio, percorre a face lateral da coxa, a perna e o dorso do pé.

S1: borda lateral do pé, tríceps sural, glúteo máximo e aquileu

Hérnia L5-S1 posterolateral comprime S1. O Campbell (Box 46.4, p. 1786 e 1787) dá dor e dormência no dermátomo de S1: maléolo lateral, face lateral e plantar do pé, às vezes o calcanhar, os três dedos laterais, com zona autônoma no dorso do quinto dedo; fraqueza dos fibulares longo e curto, do gastrocnêmio-sóleo e do glúteo máximo; e o reflexo aquileu reduzido ou ausente. O Netter (p. 51) põe S1 na planta e região lateral do pé, o gastrocnêmio (flexão plantar) e o reflexo do tornozelo; o Sizínio, na face lateral do calcâneo, na "flexão do pé" e no aquileu. A ciática de S1, no Sizínio, desce da região glútea pela face posterior da coxa, panturrilha e parte lateral da planta do pé.

Traduzindo o exame para o caso: paresia da flexão plantar (tríceps sural) e da extensão do quadril (glúteo máximo) é S1. Hipoestesia na face lateral da perna, dorso do pé e hálux não é S1, é L5. Fraqueza do extensor longo do hálux e dos extensores dos dedos também é L5. Um dermátomo que "desce pela face posterolateral da coxa e da perna e vai até a região lateral do pé" é S1; o que "desce pela face lateral da coxa, cruza a perna e vai ao dorso do pé e do hálux" é L5; o que cruza o joelho e desce pela face medial da perna é L4.

Um detalhe do Campbell que as provas usam em julgamento de itens: "em geral, a fraqueza não é um achado habitual na radiculopatia S1"; às vezes só aparece como fadiga assimétrica ao exercitar esses grupos (p. 1787).

As raízes lombossacras em uma tabela (Campbell, Boxes 46.2 a 46.4; Netter, cap. 2; Sizínio, cap. 2.4)
Raiz (hérnia posterolateral)SensibilidadeForçaReflexo
L2coxa anteromedial (Sizínio)flexão do quadril (iliopsoas)nenhum de rotina
L3face anterior e medial da coxa; côndilo medialextensão do joelho (quadríceps)patelar (com L4)
L4 (L3-L4)face medial da perna, maléolo medialtibial anterior; quadríceps e adutores variáveispatelar
L5 (L4-L5)face anterolateral da perna, dorso do pé, hálux, primeiro espaçoextensor longo do hálux, glúteo médio, extensores dos dedosnenhum (tibial posterior difícil)
S1 (L5-S1)maléolo lateral, borda lateral e planta do pé, calcanhartríceps sural, fibulares, glúteo máximoaquileu
S2 a S4perianalesfíncter analbulbocavernoso

Testes de tensão: LASÈGUE, contralateral, sentado e estiramento femoral

Cobrança confirmada · 3 questões

O LASÈGUE e a elevação da perna estendida

Os testes de tensão estiram a raiz contra a hérnia. Elevar a perna estendida estira o ciático e, por ele, as raízes L4, L5 e S1; se uma delas está presa contra um fragmento, a tração dói no seu território.

O Campbell (p. 1785 e 1786) diz que, havendo irritação radicular, a dor se concentra no trajeto do ciático (incisura isquiática, fossa poplítea) e que o estiramento do ciático no joelho deve reproduzir dor na nádega, coxa e perna, ou seja, abaixo do joelho. O LASÈGUE costuma ser positivo do lado acometido, e um LASÈGUE positivo deve provocar dor abaixo do joelho; dor só lombar ou na coxa posterior não conta. A ausência do LASÈGUE deve deixar o examinador cético quanto à hérnia, com uma exceção: pacientes mais velhos podem não tê-lo e tendem a sintomas mais claudicantes (estenose). Inconsistências, como elevação da perna limitada deitado e livre sentado, são em geral não orgânicas (sinais de WADDELL, Tabela 46.4; três ou mais tornam mais provável outra explicação).

O Sizínio (cap. 2.4) dá o ângulo: o teste é positivo quando a dor ciática é reproduzida entre 35 e 70 graus de elevação, é útil para L4, L5 e S1 e é positivo em 90% das compressões radiculares.

O Netter (p. 52) descreve a mesma manobra com um complemento: flexionar o quadril até surgir a dor e fazer a dorsiflexão do pé, o que as provas chamam de BRAGARD. Traz também o BOWSTRING (perna elevada, joelho fletido, pressão na fossa poplítea: dor radicular aponta o ciático) e a raiz sentada (sentado, estender o joelho: o paciente com ciática arqueia para trás), que o Campbell chama de "flip sign", com o paciente apoiado em tripé.

Contralateral: o sinal mais específico

O Campbell (p. 1786) é categórico: a dor na perna contralateral provocada pela elevação da perna sã deve ser considerada patognomônica de hérnia de disco. O Sizínio repete e localiza a hérnia: provavelmente na axila da raiz, entre a raiz e o saco dural. Quando a banca pergunta qual teste não se espera positivo num caso de S1, as alternativas trazem o LASÈGUE contralateral, o BRAGARD e o VALSALVA (a dor discal piora com esforço, tosse e espirro), ao lado do teste de raiz alta.

Estiramento femoral (NACHLAS) e a hérnia alta

As hérnias altas (L2-L3, L3-L4) pegam raízes do femoral, que passa à frente do quadril e é estirado pela extensão do quadril e flexão do joelho, não pela elevação da perna estendida. O Campbell (p. 1787) explica que as rupturas em níveis mais altos muitas vezes não têm elevação da perna positiva e que, nesses casos, ajuda o teste de estiramento femoral: paciente em decúbito ventral, flexão aguda do joelho com a mão na fossa poplítea; dor na face anterior da coxa é positiva e faz suspeitar de lesão alta. Essas hérnias podem dar queixas neurológicas mais difusas, sem sinais localizadores, e às vezes dor na virilha ou no testículo (p. 1785). As provas brasileiras chamam a flexão do joelho em decúbito ventral de NACHLAS, e o relacionam às raízes L2-L3 (e L4). Os livros conferidos não usam o epônimo, mas a manobra e o significado são os do estiramento femoral.

Testes de tensão radicular lombar (Campbell, cap. 46; Netter, cap. 2; Sizínio, cap. 2.4)
TesteManobraRaízes / significado
LASÈGUE (elevação da perna estendida)decúbito dorsal, elevar a perna pelo calcanhar com joelho estendidoL4, L5, S1; positivo entre 35 e 70 graus, com dor abaixo do joelho
elevação contralateralelevar a perna sãdor na perna doente: patognomônica de hérnia (axilar)
BRAGARDno ângulo de dor, baixar um pouco e fazer dorsiflexão do pésensibiliza a tensão do ciático
LASÈGUE sentado / flip signsentado, estender o joelhopaciente arqueia para trás; confere o deitado (WADDELL)
BOWSTRINGperna elevada, joelho fletido, pressão na fossa poplíteador radicular: ciático
estiramento femoral (NACHLAS)decúbito ventral, flexão do joelhodor na face anterior da coxa: hérnia alta (L2 a L4)
VALSALVAprender a respiração e fazer forçareproduz a piora da dor discal com esforço, tosse e espirro

Hérnia lombar: história natural e quando operar

Cobrança confirmada · 3 questões

O exame decide a conduta porque a história natural é boa. O Campbell (p. 1775) diz que a hérnia lombar sintomática tem evolução favorável na maioria, que o benefício da cirurgia aparece sobretudo no primeiro ano (SPORT) e que déficits neurológicos não progressivos, exceto a síndrome da cauda equina, podem ser tratados sem cirurgia, com melhora esperada; se a cirurgia for necessária, pode esperar 6 a 12 semanas. O tratamento inicial (p. 1787 e 1788) é repouso relativo de cerca de dois dias, semi-FOWLER, gelo, anti-inflamatório e retorno precoce à atividade; cerca de 95% voltam ao trabalho em três meses.

O paciente ideal para operar (p. 1788) tem dor predominante, unilateral, abaixo do joelho, há pelo menos 6 semanas, que melhorou com repouso, medicação ou epidural mas voltou após 6 a 8 semanas de conservador, com sinais de tensão e, se possível, déficit localizador, e com imagem concordante. A remoção do disco é obrigatória e urgente só na cauda equina; as demais excisões são eletivas, e a pressa em operar por dor, sem investigação, costuma ser lamentada depois.

O Sizínio (cap. 2.4) concorda: a maioria melhora sem cirurgia; as indicações absolutas são cauda equina e compressão medular agudas; opera-se cedo o déficit agudo com força menor que 3; as relativas incluem a radiculopatia que persiste além de seis semanas.

A instabilidade é outra pergunta do exame. O Campbell (p. 1776) diz que radiografias laterais em flexão e extensão podem revelar instabilidade segmentar, com uma ressalva técnica: a flexão só é válida sentado, posição que maximiza a cifose lombar. O Sizínio (cap. 2.1) usa as dinâmicas para documentar instabilidade cervical.

Mielopatia: os sinais de liberação piramidal

Cobrança confirmada · 3 questões

O quadro clínico

O Campbell (cap. 45, p. 1748) separa os sintomas da doença discal cervical em dor da coluna, compressão de raiz e mielopatia. Esta é traiçoeira: dor mal localizada, fraqueza e instabilidade nas pernas, dormência global das mãos, perda da coordenação fina; distúrbio de marcha e dificuldade na marcha em tandem podem ser os primeiros sintomas. O Sizínio (cap. 2.1): início insidioso, quedas, esfíncter tardio; testes de abrir e fechar a mão 20 vezes em 10 segundos e do quinto dedo (escapa em flexão e abdução); marcha de base alargada.

A mielopatia é uma doença da hérnia mediana e da espondilose com barra transversa: o Campbell (p. 1751) classifica a doença discal cervical em quatro grupos, dois radiculares (disco mole unilateral; esporão foraminal ou "disco duro") e dois medulares (disco mole medial; barra transversa ou espondilose), e resume: lesão central dá compressão medular; lesão lateral dá sintomas radiculares. O Sizínio dá a anatomia: a medula ocupa até 60% do canal cervical, e o movimento em flexão e extensão de um segmento hipermóvel pode comprimir de forma dinâmica.

Os sinais

O Campbell (p. 1750) diz que os sinais da hérnia mediana são os da compressão medular. Na lesão alta, aparecem nas mãos parestesia, fraqueza, atrofia e às vezes fasciculações. Os primeiros e mais proeminentes sinais são os do trato corticospinal: clônus sustentado, hiper-reflexia e BABINSKI. Menos importantes: espasticidade, fraqueza nas pernas, perda da propriocepção (colunas posteriores). Dor e temperatura raramente se perdem.

O sinal de HOFFMANN está na Tabela 45.3: o examinador segura o dedo médio na articulação distal e dá uma peteleca na unha; é positivo quando o indicador e o polegar se movem (fletem). O Sizínio descreve a versão de "extensão abrupta da interfalângica distal do terceiro dedo", com flexão da interfalângica distal do primeiro e do segundo dedos; o Netter, beliscar o dedo médio, patológico se a interfalângica do polegar fletir. Os três concordam no essencial: estímulo no dedo médio, resposta em polegar e indicador. É patológico (o Netter e o Sizínio o listam como sinal de mielopatia), e o Campbell dá o nível: o HOFFMANN (medula cervical alta) ou o reflexo radial invertido aparece quando a doença está em C5-C6 ou acima. Uma compressão torácica ou lombar não o produz.

O reflexo radial invertido merece atenção porque mistura raiz e medula num só gesto: percutir o tendão do braquiorradial produz braquiorradial hipoativo e flexão dos dedos exaltada (Netter, p. 50). A lesão em C5-C6 interrompe o arco do braquiorradial (C6, sinal de raiz) e, ao mesmo tempo, libera os segmentos abaixo (flexores dos dedos, sinal de medula).

O BABINSKI (Netter, p. 51): passar uma caneta ao longo da borda da planta; o hálux se move para cima, sinal de neurônio motor superior. O Sizínio usa um objeto rombo na face lateral do pé e cita o OPPENHEIM como outro reflexo patológico. O clônus do tornozelo (Netter): dorsiflexão rápida e mantida; múltiplas contrações e relaxamentos são de neurônio motor superior.

Sinais de liberação piramidal (Campbell, cap. 45; Netter, cap. 2; Sizínio, caps. 2.1 e 40)
SinalComo se pesquisaSignificado
HOFFMANNpeteleca na unha do dedo médio, segurando a falange distalflexão do polegar e do indicador; lesão em C5-6 ou acima
reflexo radial invertidopercussão do braquiorradialbraquiorradial fraco e flexão dos dedos: mielopatia em C5-6
BABINSKIestímulo na borda lateral da plantaextensão do hálux
OPPENHEIMreflexo patológico do membro inferior (Sizínio)neurônio motor superior
clônusdorsiflexão rápida e mantida do tornozelocontrações repetidas, sustentadas
hiper-reflexiareflexos profundosabaixo do nível da lesão
reflexos cutâneosabdominal, cremastéricoabolidos

O sinal de LHERMITTE

O LHERMITTE é um sintoma provocado: uma sensação de choque elétrico que desce pela coluna e pelos membros ao movimentar o pescoço. O nome vem da esclerose múltipla, e o sinal aponta doença da medula cervical, não da raiz. O Campbell (p. 1748) o cita ao descrever a mielopatia: formigamento generalizado ou dor aguda "com a extensão do pescoço, semelhante ao sinal de LHERMITTE da esclerose múltipla"; e, no Box de instabilidade cervical da artrite reumatoide (p. 1767), "sintomas semelhantes ao LHERMITTE" ao lado de HOFFMANN, BABINSKI e hiper-reflexia. A manobra clássica cobrada pelas bancas é a flexão da cabeça contra o tórax, com o paciente sentado, que estira a medula cervical.

Radiculopatia ou mielopatia: o diagnóstico que vem antes do nível

Fundamento

Antes do nível, a pergunta é raiz ou medula. A raiz é neurônio motor inferior; a medula, a via do superior. O Sizínio (cap. 2.1) põe a regra: sem compressão medular, os reflexos ficam hipoativos ou abolidos; reflexos exaltados ou patológicos mandam procurar compressão medular. As duas podem coexistir: lesão em C5-C6 com braquiorradial fraco (raiz C6) e HOFFMANN (medula), que é o reflexo radial invertido.

O prognóstico difere. A radiculopatia cervical responde ao conservador em 70% a 80% dos casos, inclusive com fraqueza não progressiva, e as hérnias agudas diminuem com o tempo (Campbell, p. 1751). A mielopatia progride de forma previsível pela história natural e é, por si, indicação cirúrgica no Campbell; o Sizínio diz que ela não tem bons resultados com o tratamento não cirúrgico. A cirurgia de urgência na radiculopatia cervical é rara e fica para o déficit grave e rapidamente progressivo; nos demais, depois de pelo menos três meses de tratamento adequado (Sizínio).

Radiculopatia, mielopatia e neuropatia periférica
AchadoRadiculopatia (raiz)Mielopatia (medula)Neuropatia periférica
distribuiçãoum dermátomo e um miótomo, unilateraldifusa, bilateral, abaixo do nívelterritório de um nervo, ou distal em bota e luva
dorirradiada, piora com tensão (LASÈGUE, SPURLING)mal localizada, às vezes discretalocal ou distal
reflexo do segmentohipoativo ou ausenteexaltado abaixo da lesãohipoativo
reflexos patológicosausentesHOFFMANN, BABINSKI, clônusausentes
reflexos cutâneosnormaisabolidosnormais
marchaantálgica, TRENDELENBURG, pé caídobase alargada, tandem difícilvariável
exame complementar que separaRMRMeletroneuromiografia

Cauda equina, cone medular e choque medular

Cobrança confirmada · 2 questões

Síndrome da cauda equina por hérnia

O Campbell (cap. 46, p. 1785 e 1787) descreve a síndrome quando um fragmento grande, uma hérnia alta ou uma extrusão maciça ocupa todo o diâmetro do canal: dormência e fraqueza nas duas pernas, dor retal, dormência perineal e paralisia dos esfíncteres; as pernas podem ficar paralisadas, os esfíncteres incontinentes e os aquileus ausentes. É a primeira hipótese diante de perda súbita do controle intestinal ou vesical, e a avaliação e o tratamento devem ser agressivos. O resíduo pós-miccional é um exame auxiliar útil, e 200 mL foi o melhor ponto de corte numa meta-análise recente. O Sizínio (cap. 2.4) chama a síndrome de a manifestação mais grave da hérnia e de urgência cirúrgica, com dor lombar intensa, ciática bilateral, anestesia em sela (face interna das coxas, períneo e região perianal), fraqueza abaixo da compressão e disfunção esfincteriana com retenção ou incontinência urinária e fecal.

A bexiga sem as raízes sacrais fica arreflexa: não esvazia (retenção) e só depois transborda. O Campbell (cap. 48, p. 1880) descreve, no cone medular, essa bexiga arreflexa com retenção urinária e incontinência por transbordamento, e o resíduo pós-miccional (corte de 200 mL) é o marcador objetivo que ele recomenda.

Cone medular e cauda equina no trauma

O Campbell (cap. 48, p. 1880) separa as duas lesões. Cone medular (medula sacral, em geral entre T11 e L2): bexiga e intestino arreflexos, fraqueza das pernas e ausência persistente do bulbocavernoso e do reflexo anal, sinal de lesão sacral irreversível. Cauda equina (raízes abaixo do cone): na lesão completa somem o bulbocavernoso, o anal e todos os reflexos das pernas; é neurônio motor inferior e pode recuperar; em geral é incompleta. O Sizínio (cap. 41) põe o cone em T12-L1, com anestesia em sela.

Choque medular e o bulbocavernoso

O Campbell (cap. 48, p. 1875) define o choque medular como uma disfunção temporária da medula, com perda dos reflexos e da função sensitivo-motora abaixo da lesão; manifesta-se pela ausência do reflexo anal e do bulbocavernoso e por paralisia flácida; costuma passar em 24 a 48 horas, mas pode durar semanas. Não se classifica a lesão (ASIA) antes de sair do choque, e o fim do choque é indicado pelo retorno do bulbocavernoso e do reflexo anal (p. 1873). O Sizínio (cap. 40) descreve a manobra: estímulo do pênis ou do clitóris que provoca contração do esfíncter anal; o retorno indica o término do choque e permite determinar o déficit; nas lesões completas da cauda equina, o reflexo não reaparece. O Netter (p. 51) dá ao bulbocavernoso as raízes S2-S3, com ausência = radiculopatia sacral ou choque medular.

Não confundir com o choque neurogênico (Campbell, p. 1875), hemodinâmico: perda do tônus simpático nas lesões altas, com bradicardia e hipotensão. Quem diz se o paciente saiu do choque medular é o bulbocavernoso.

Choque medular, choque neurogênico, cone e cauda equina (Campbell, cap. 48; Sizínio, caps. 40 e 41)
EntidadeO que éMarca clínica
choque medularperda temporária da função e dos reflexos abaixo da lesãoparalisia flácida, bulbocavernoso e anal ausentes; volta em 24 a 48 h
choque neurogênicoperda do tônus simpático (lesão alta)hipotensão com bradicardia, hipotermia
cone medularmedula sacral, T11 a L2bexiga arreflexa, retenção com transbordamento, bulbocavernoso ausente para sempre
cauda equinaraízes abaixo do coneneurônio motor inferior, arreflexia, pode recuperar; em geral incompleta

Diagnóstico diferencial: neuropatia periférica e GUILLAIN-BARRÉ

Cobrança confirmada · 1 questão

O que imita a hérnia

O Campbell (cap. 46, p. 1787) lembra que as hérnias assintomáticas são frequentes (20% a 36% de voluntários normais, p. 1775) e que o exame completo vem antes do diagnóstico. Imitadores comuns: espondilite anquilosante, mieloma, insuficiência vascular, artrose do quadril, fratura osteoporótica, tumores extradurais, neuropatia periférica e herpes-zóster; raros: cisto sinovial, rotura do gastrocnêmio medial, sacroilíaca, fratura do ísquio. A dor de raiz alta não chega ao pé e se confunde com o quadril (Sizínio).

Neuropatia periférica

A neuropatia periférica se separa pelo território: a raiz dá faixa dermatomal com dor que piora com a tensão; o nervo, o seu território; a polineuropatia, padrão distal e simétrico. O Sizínio (cap. 2.4) diz que parestesia em "bota" ou "meia" sugere neuropatia periférica. A eletroneuromiografia separa: identifica neuropatia periférica e envolvimento difuso e ajuda quando a imagem é inconclusiva (Campbell, p. 1778). Um diabético com fraqueza do tríceps sural e aquileu diminuído de um lado tem padrão de raiz (S1); a polineuropatia seria bilateral e distal.

GUILLAIN-BARRÉ

A síndrome de GUILLAIN-BARRÉ (polirradiculoneurite aguda), segundo o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 34, p. 1701 e 1703), é hoje a causa mais comum de paralisia flácida aguda na criança: paralisia flácida ascendente, arreflexia e disestesia por desmielinização dos nervos periféricos, em geral após doença gastrointestinal ou respiratória benigna; monofásica, com nadir em semanas, tratada com imunomodulação. A paralisia é simétrica, mais distal que proximal, e pode subir até a respiração e os nervos cranianos; a criança pode chegar ao ortopedista por não conseguir andar ou por dor nas pernas e nas costas. O Campbell (cap. 36) a cita no diferencial da poliomielite.

Fechamento

Fundamento

O exame neurológico da coluna é uma sequência fixa de perguntas. Onde está a lesão: reflexo exaltado, HOFFMANN, BABINSKI e clônus põem o problema na medula; um segmento com reflexo diminuído, dor dermatomal e teste de tensão positivo, na raiz; bota e luva, na periferia. Qual raiz: o trio sensibilidade, força e reflexo. Qual disco: na cervical, a raiz de número maior; na lombar, a de baixo na posterolateral e a de cima na foraminal. Qual conduta: conservador como regra, mielopatia progride, cauda equina é urgência.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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