Orto Questões

Espondilólise e espondilolistese

ColunaResumo do capítulo36 min de leitura

Pars de L5 quebra por estresse em hiperextensão (ausente ao nascer, 4,4% aos 6 anos, 6% no adulto, até 50% nos Inuit); WILTSE I displásico (L5-S1, meninas, sem lise, maior risco neurológico), II ístmico (lítico, alongado, agudo), III degenerativo (L4-L5, mulher acima de 50, o tipo mais comum), IV traumático fora da pars, V patológico, VI iatrogênico; MARCHETTI e BARTOLOZZI separam desenvolvimento (alta displasia: S1 arredondado e L5 trapezoidal) de adquirida (traumática, pós-cirúrgica, patológica, degenerativa); MEYERDING I a V pela translação no perfil; ângulo de escorregamento acima de 55 graus prevê progressão; PI = SS + PT, pelve desequilibrada de HRESKO com SS baixa e PT alto; criança com dor lombar, isquiotibiais curtos, sacro vertical e pelve retrovertida; cirurgia acima de 50% ou com dor persistente; GILL isolado contraindicado; adulto ístmico com dor de L5 e estabilização do tronco; degenerativa com claudicação neurogênica e progressão lenta.

Atualizado em 02/11/2026 · 36 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 42 · Spondylolisthesis (Adolescent), com a seção Spondylolisthesis do Capítulo 46 · Degenerative Disorders of the Thoracic and Lumbar Spine, em Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição (2026), com o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª edição (2021). Autores do capítulo: William C. WARNER Jr. (cap. 42); Kirk M. THOMPSON (cap. 46); Daniel J. SUCATO, Charles E. JOHNSTON e Brandon A. RAMO (Tachdjian, cap. 11).

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de coluna do Campbell, capítulo 42, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

Ler no leitor do Orto QuestõesCriar conta grátis

No leitor: marcações, notas e as questões no meio do texto, que abrem sem perder o lugar da leitura.

Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo junta o capítulo 42 do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (WARNER: espondilólise e espondilolistese do adolescente), a seção de espondilolistese do capítulo 46 (THOMPSON: classificações, parâmetros pélvicos, formas ístmica e degenerativa do adulto) e o capítulo 11 do Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (SUCATO, JOHNSTON e RAMO). As páginas citadas são as impressas.

O tema inteiro gira em torno de uma pergunta: o que segura L5 em cima do sacro? Em pé, o peso do tronco sobre uma coluna lordótica e a contração dos eretores empurram L5 para a frente e para baixo, ladeira abaixo no platô sacral. Quem resiste é o gancho ósseo posterior (pedículo, pars, facetas inferiores de L5 e facetas superiores do sacro), o ânulo e o disco. Cada tipo de espondilolistese é uma maneira diferente de esse freio falhar.

As provas cobram quatro blocos: classificações (WILTSE, MARCHETTI e BARTOLOZZI, MEYERDING, HRESKO), epidemiologia e nível (quem, onde, em que idade), parâmetros radiográficos (ângulo de escorregamento, incidência pélvica, inclinação sacral, versão pélvica) e conduta (quando observar, quando operar, o que é a operação de GILL e por que ela não se faz sozinha).

O que é, quem tem e por que a pars quebra

Cobrança confirmada · 3 questões

Definições e um pouco de história

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 42, p. 1665) define espondilolistese como o escorregamento anterior ou posterior de um segmento da coluna sobre o segmento inferior, e espondilólise como o defeito unilateral ou bilateral da pars interarticularis. O primeiro relato é atribuído a HERBINIAUX, obstetra belga que notou uma proeminência óssea à frente do sacro atrapalhando o parto; o termo foi usado por KILIAN em 1854, do grego spondylos (vértebra) e olisthenein (escorregar). O capítulo 46 (p. 1823) data a descrição de HERBINAUX em 1782.

A pars é a ponte de osso que liga a faceta articular superior à inferior. Na radiografia oblíqua, o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (p. 274) a descreve como o pescoço do cachorrinho escocês: as articulares superior e inferior com a pars entre elas. Quando a pars quebra dos dois lados, o corpo vai para a frente e o arco posterior fica para trás: o canal se alarga e sobra uma lâmina solta.

Força, idade e postura

O capítulo 46 (p. 1823) explica o vetor: a contração dos eretores, posteriores à coluna, somada à gravidade sobre a lordose lombossacra, cria uma força dirigida para a frente. Por isso a deformidade não aparece antes de a criança andar. O defeito nunca foi visto ao nascer nem em acamados crônicos (cap. 42, p. 1665), nem em primatas sem marcha bípede (Tachdjian, p. 274). Essa é a base para chamar a lise de adquirida, e não de congênita.

Na flexoextensão, a carga sobre o arco posterior cresce de L1 para L5, e o maior estresse fica na pars de L5. O Campbell descreve o mecanismo de pinça: a lâmina de L5 é pinçada entre as facetas inferiores de L4 e as superiores de S1 na hiperextensão repetida (cap. 42, p. 1665). O Tachdjian chama isso de quebra-nozes (nutcracker), típico de incidência pélvica baixa; com incidência alta, o mecanismo é de cisalhamento (shear) (p. 272 e 274).

Números de prevalência

  • 5% a 8% da população, homem:mulher 2:1 (Campbell, cap. 42, Box 42.3, p. 1667).
  • Estudo de 500 crianças da primeira série: lise em 4,4%, chegando a 6% no adulto; o Tachdjian (p. 271) dá 4,4% aos 6 anos e 6% aos 18; o capítulo 46 (p. 1824) fala em 0% ao nascer e 7% aos 18 anos.
  • Inuit: até 50%; homens brancos 6% a 7%; mulheres negras adultas 1,1% (cap. 42, p. 1665). Isso mostra predisposição genética. Cerca de 26% dos ístmicos têm um parente de primeiro grau com o mesmo problema (cap. 46, p. 1828).
  • Esportes com hiperextensão e rotação repetidas (ginástica, levantamento de peso, natação, luta, remo): prevalência de 11% a 30%, até 47% em atletas de elite de salto ornamental e ginástica (Box 42.3, p. 1667).
  • Nível: L5 87%, L4 10%, L3 3% (Tachdjian, p. 272). Na ístmica do adulto, 90% a 95% em L5-S1 (cap. 46, p. 1832).
  • Espinha bífida oculta em 92% das crianças com lise (FREDRICKSON), persistindo em 70% no adulto; cerca de 90% em outra série (cap. 46, p. 1824 e 1828).
  • A lise é bilateral em 80% (cap. 46, p. 1830).

O Tachdjian (cap. 7, p. 74) lembra que espondilólise e espondilolistese são as causas mais comuns de dor lombar identificável no adolescente ativo, e que a lise costuma ser assintomática antes do estirão.

A classificação de WILTSE, NEWMAN e MACNAB

Cobrança confirmada · 5 questões

Seis tipos pelo ponto em que o freio falha

A classificação de WILTSE, NEWMAN e MACNAB é etiológica e topográfica: diz onde está a deficiência dos elementos posteriores, mas, segundo o Campbell (cap. 42, p. 1665), prevê mal a progressão e a resposta à cirurgia. Eram cinco tipos; o iatrogênico foi acrescentado depois como sexto (cap. 46, p. 1824).

Classificação de WILTSE (Campbell 15, cap. 42, Box 42.1, p. 1667, e cap. 46, Box 46.7, p. 1825 e 1826; Tachdjian 6, Tabela 11.1, p. 271)
TipoNomeO que falhaPontos de prova
IDisplásicoFacetas superiores do sacro ou inferiores de L5 malformadasSem defeito da pars; só L5-S1; mais em meninas; maior risco neurológico
IIÍstmicoPars: lise por fratura de estresse, pars alongada intacta ou fratura agudaLítico é o subtipo mais comum; pars cortical consolida mal
IIIDegenerativoInstabilidade intersegmentar longa com remodelação das articularesAdulto; L4-L5; mulher acima de 50 anos; pars intacta
IVTraumáticoFratura do gancho ósseo fora da pars (pedículo, lâmina, faceta)Raro; alta energia
VPatológicoDoença óssea generalizada ou localOsteogênese imperfeita; infecção, PAGET (cap. 46)
VIIatrogênicoCirurgia no segmentoFacetectomia ou pars afinada demais

O capítulo 46 (p. 1824) diz que os três tipos mais comuns são displásico, ístmico e degenerativo, e que o degenerativo é o tipo mais comum de todos (p. 1825 e 1838). Faz sentido: a degenerativa é doença do envelhecimento e atinge uma população enorme, enquanto as formas ístmica e displásica nascem na infância.

Tipo I, displásico: o mais perigoso para os nervos

No displásico, a pars está intacta, mas a articulação L5-S1 é incompetente desde o nascimento. O Tachdjian (p. 270) é taxativo: ocorre só em L5-S1, por displasia congênita das facetas, com associação frequente a espinha bífida oculta de L5 e do sacro, é mais comum no sexo feminino e mais frequente em parentes de primeiro grau. O detalhe mecânico decide tudo: como o arco posterior vai para a frente junto com o corpo, um escorregamento acima de 25% quase certamente produz déficit neurológico, porque o arco comprime a dura. O Box do Campbell (cap. 42, p. 1667) diz o mesmo de outro modo: o displásico tem maior risco de lesão neural porque o arco intacto cria estenose do canal com cerca de 50% de escorregamento. O quadro costuma aparecer no estirão pré-puberal, com dor na perna, espasmo dos isquiotibiais e alteração da marcha.

Quando, além da displasia, a pars também se alonga ou quebra, o deslocamento pode ficar grande sem déficit, porque o saco dural deixa de ser estrangulado pelo arco (Tachdjian, p. 270).

Tipo II, ístmico: o mais comum na criança

A marca é o defeito da pars, que pode ser lítico (fratura de estresse, o mais comum), alongado (microfraturas que consolidam e esticam a pars) ou uma fratura aguda (Campbell, cap. 46, p. 1825). Aparece na criança, no adolescente e no adulto jovem, mas pode surgir até a quinta década. A pars é osso cortical, de consolidação pobre. O Tachdjian (p. 271) chama a forma ístmica de mais comum e mais benigna, raramente com déficit neurológico ou alteração da marcha.

MARCHETTI e BARTOLOZZI, HERMAN e PIZZUTILLO e a displasia

Cobrança confirmada · 2 questões

Desenvolvimento contra adquirida

A classificação de MARCHETTI e BARTOLOZZI (1982, revista em 1994) divide a espondilolistese em do desenvolvimento e adquirida (Campbell, cap. 46, p. 1826). Ela tira a lise do papel principal e põe a displasia no centro (cap. 42, p. 1665). A pergunta-chave deixa de ser "a pars está quebrada?" e passa a ser "a anatomia lombossacra é normal?". Se é anormal, é do desenvolvimento; se é normal e algo de fora a lesou (trauma, degeneração, doença, cirurgia), é adquirida. Por isso, para eles, a lise por estresse num jovem com anatomia normal é adquirida traumática (Tachdjian, p. 271).

Classificação de MARCHETTI e BARTOLOZZI (Campbell 15, cap. 42, Box 42.2, p. 1667, e cap. 46, Box 46.8, p. 1826)
GrupoSubgrupoVariantes
DesenvolvimentoAlta displasiaCom lise; com alongamento
DesenvolvimentoBaixa displasiaCom lise; com alongamento
AdquiridaTraumáticaFratura aguda; fratura de estresse
AdquiridaPós-cirúrgicaDireta (no nível operado); indireta (adjacente a uma fusão)
AdquiridaPatológicaLocal; sistêmica
AdquiridaDegenerativaPrimária; secundária

Note que a pars alongada aparece dentro do grupo do desenvolvimento, nas duas displasias; não é uma lesão adquirida. Já a traumática, inclusive a fratura de estresse, é o exemplo clássico de lesão adquirida.

Alta e baixa displasia

O capítulo 46 (p. 1826) descreve as duas pontas. Na baixa displasia, o platô de S1 e o corpo de L5 mantêm a forma: L4 e L5 retangulares, S1 plano, sem hiperlordose nem verticalização do sacro; a progressão é incomum e, quando ocorre, é pequena e só translacional. Na alta displasia, há deficiência grave do arco posterior, dos discos, do platô de S1, que fica arredondado (em cúpula), e do corpo de L5, que fica trapezoidal; a pars está alongada ou lítica; no adolescente o nível é L5-S1, e a progressão antes da vida adulta é comum, com risco diretamente proporcional ao grau de displasia.

O Campbell (cap. 42, p. 1665) coloca o L5 trapezoidal e o sacro em cúpula entre os sinais de instabilidade, ao lado da cifose local (ângulo de escorregamento alto), da linha de gravidade anteriorizada e do disco incompetente. O índice de cúpula do Spinal Deformity Study Group tem limite de 25% (cap. 46, p. 1829).

Baixa e alta displasia (Campbell 15, cap. 46, p. 1826 e 1829; cap. 42, p. 1665)
AspectoBaixa displasiaAlta displasia
Corpo de L5RetangularTrapezoidal
Platô de S1PlanoArredondado (cúpula)
SacroSem verticalizaçãoVertical
LordoseSem hiperlordoseHiperlordose compensatória acima
Cifose lombossacraPequenaÂngulo de escorregamento alto
ProgressãoRara e só translacionalFrequente antes da vida adulta

HERMAN e PIZZUTILLO

O Campbell (cap. 42, Box 42.4, p. 1667) traz ainda a classificação de HERMAN e PIZZUTILLO, baseada na apresentação clínica: I displásico, II do desenvolvimento, III traumático (agudo ou crônico: reação de estresse, fratura de estresse, defeito espondilolítico com pseudartrose da pars) e IV patológico.

O quadro clínico na criança e no adolescente

Cobrança confirmada · 2 questões

Dor lombar mecânica primeiro

O Campbell (cap. 42, p. 1666 e 1667) descreve a apresentação típica: dor lombar mecânica que piora com atividade intensa e esporte competitivo e melhora com repouso e restrição. A dor aparece sobretudo no estirão do adolescente e é predominantemente lombar, com dor na perna só ocasional; quando há dor na perna, ela costuma vir da irritação da raiz de L5. Às vezes não há dor: a família procura o médico por causa da postura ou da marcha. O Tachdjian (p. 274) concorda: a lise se manifesta como dor lombar só, às vezes irradiada para nádegas e face posterior das coxas por instabilidade mecânica; dor lombar mecânica numa criança é sempre suspeita e exige radiografia, sobretudo em atletas e bailarinos.

Exame

  • Dor na hiperextensão lombar; o teste da cegonha (hiperextensão apoiado numa perna) reproduz a dor do lado afetado (cap. 42, p. 1667).
  • Pérola do Campbell: se fletir dói mais que estender, a dor provavelmente não vem da pars.
  • Déficit de L5 ou S1 em 15%; isquiotibiais encurtados em 80% dos sintomáticos; degrau palpável na junção lombossacra nos escorregamentos grandes; mobilidade lombar restrita.
  • A criança, ao contrário do adulto, raramente tem sinal objetivo de compressão radicular; os isquiotibiais encurtados muitas vezes são o único achado (cap. 42, p. 1669).

A postura do escorregamento grave

À medida que L5 vai para a frente, o paciente faz lordose acima do escorregamento para compensar. O sacro verticaliza, as nádegas ficam em forma de coração pela proeminência sacral, o tronco encurta e a cintura desaparece. A marcha vira o "rebolado pélvico" (pelvic waddle), pelo encurtamento dos isquiotibiais e pela cifose lombossacra (cap. 42, p. 1667).

O Tachdjian (p. 274 e 275) explica o mecanismo que as provas exploram: o encurtamento dos isquiotibiais não é por compressão de raiz, e sim pela instabilidade lombossacra com rotação do sacro para uma posição vertical, que retroverte a pelve. Daí a postura com quadris e joelhos fletidos, a marcha com passo curto e até na ponta dos pés, a elevação da perna estendida muito limitada, a pelve inclinada para trás com prega abdominal e a proeminência sacral. Pode haver fraqueza de L5, perda do aquileu e alteração de bexiga e intestino, que precisam ser examinadas.

A escoliose que acompanha

O Campbell (cap. 42, p. 1669) separa três escolioses. A ciática (reacional) é uma curva lombar por espasmo, não estrutural, que some com o decúbito ou o alívio da dor. A olistética é torcional, com rotação que se mistura ao defeito, causada pelo escorregamento assimétrico; geralmente resolve com o tratamento da listese, mas as graves podem estruturar. A idiopática coexistente deve ser tratada como problema separado; a fusão lombossacra não corrige curvas torácicas ou toracolombares.

Imagem e medidas: MEYERDING e ângulo de escorregamento

Cobrança confirmada · 1 questão

Radiografias primeiro

O Campbell (cap. 42, p. 1669) põe a chave do diagnóstico na radiografia simples: AP e perfil, com o perfil em pé, porque a carga aumenta o escorregamento em 26% em relação ao decúbito. As oblíquas caíram em desuso pelo excesso de radiação (Campbell's Concepts, p. 1669). O Tachdjian (p. 274) pede o perfil em pé com quadris e joelhos estendidos e as cabeças femorais visíveis. No alto grau, a incidência de FERGUSON mostra L5 e S1 em AP verdadeiro (p. 276).

Cintilografia, SPECT, TC e RM

Exames na espondilólise (Campbell 15, cap. 42, p. 1669 e 1670, e cap. 46, p. 1830 e 1831; Tachdjian 6, p. 274)
ExameForçaFraqueza
Radiografia AP e perfil em péPrimeira linha; mede o escorregamentoLise sem listese difícil de ver
Cintilografia e SPECTDetectam a reação de estresse antes da fratura; SPECT a mais sensível na lesão agudaInespecíficos; SPECT vê só 17% das crônicas; 7 a 9 vezes a radiação de duas radiografias
TCPadrão-ouro para fratura; melhor para seguir a consolidação; corte axial abaixo dos pedículosSepara mal lesão ativa de pseudartrose; dobro da radiação de duas radiografias
RMEdema da medula óssea em T2 com supressão de gordura; disco e raízes; dispensa cintilografiaMenos sensível que SPECT e TC para a fratura; a mais cara

O Tachdjian (p. 274) prefere a TC de L4 e L5: mostra se há lise, se é uni ou bilateral e há quanto tempo existe. Defeito largo e de bordas lisas sugere lesão crônica; bordas irregulares, processo agudo, que justifica tentar consolidar com imobilização. O Campbell (cap. 42, p. 1669) lembra que lesões crônicas têm margens escleróticas.

A RM tem uma classificação própria da espondilólise (cap. 42, p. 1669):

Classificação da espondilólise na RM (Campbell 15, cap. 42, p. 1669)
GrauAchado
0Normal
1Edema ósseo com corticais íntegras (reação de estresse)
2Fratura incompleta
3Fratura completa ativa com edema
4Fratura completa sem edema (crônica)

MEYERDING

O sistema mais usado é o de MEYERDING: a borda superior de S1 é dividida em quatro partes e o grau depende de onde cai o canto posteroinferior de L5. O Campbell (cap. 42, p. 1669) descreve a razão entre o deslocamento e o diâmetro anteroposterior do topo de S1; o capítulo 46 (Tabela 46.7, p. 1825) dá os números e frisa que a medida é no perfil.

Graus de MEYERDING (Campbell 15, cap. 46, Tabela 46.7, p. 1825; cap. 42, p. 1669)
GrauDeslocamento
I0% a 25%
II26% a 50%
III51% a 75%
IV76% a 100%
VMais de 100%: L5 inteiro abaixo do topo do sacro (espondiloptose)

O capítulo 42 escreve os limites como "25% ou menos" e "entre 25% e 50%"; o capítulo 46 usa 0 a 25% e 26 a 50%; a ideia é a mesma. O Tachdjian (p. 276) cita também a porcentagem de TAILLARD (A/B). Baixo grau é menos de 50%; alto grau, 50% ou mais.

Ângulo de escorregamento: o melhor preditor

O Campbell (cap. 42, p. 1670) diz que as relações angulares são os melhores preditores de instabilidade e progressão. O ângulo de escorregamento é formado por uma linha paralela à borda inferior (ou superior) de L5 e uma perpendicular à face posterior de S1. Normalmente é lordótico; no alto grau, vira cifótico, e essa cifose segmentar L5-S1 pode ser grande. Um ângulo acima de 55 graus foi correlacionado com progressão. O capítulo 46 (p. 1828) dá outro corte: ângulo de escorregamento com valor preditivo acima de 30 graus e ângulo lombossacro com valor preditivo acima de 10 graus. No intraoperatório, o capítulo 42 (p. 1675) marca acima de 45 graus como o grupo com mais risco de lesão da cauda equina após fusão in situ.

Os cortes do ângulo de escorregamento nos livros (Campbell 15, cap. 42, p. 1670 e 1675, e cap. 46, p. 1828; Tachdjian 6, p. 285)
ValorO que significaFonte
LordóticoNormalCampbell, cap. 42
Acima de 20 grausCifose lombossacra do alto grauTachdjian
Acima de 30 grausValor preditivo de progressãoCampbell, cap. 46
Acima de 45 grausMaior risco de cauda equina após fusão in situCampbell, cap. 42
Acima de 55 grausCorrelacionado com progressãoCampbell, cap. 42
Ângulo lombossacro acima de 10 grausAlgum valor preditivo; pelve desequilibradaCampbell, cap. 46; Tachdjian

Parâmetros espinopélvicos: incidência, inclinação sacral e versão pélvica

Cobrança confirmada · 3 questões

Três ângulos, uma soma

O Campbell (cap. 46, p. 1827 e 1828) e o Tachdjian (p. 276) definem os três parâmetros no perfil em pé com as cabeças femorais:

  • Incidência pélvica (PI): ângulo entre a perpendicular ao platô de S1 no seu ponto médio e a linha que vai do ponto médio do platô ao centro das cabeças femorais. É morfológica: depende da anatomia de cada um e não muda com a posição (em pé, sentado ou deitado). Aumenta um pouco no crescimento e se estabiliza no adulto.
  • Inclinação sacral (SS, sacral slope): ângulo entre o platô sacral e a horizontal.
  • Versão pélvica (PT, pelvic tilt): ângulo entre a vertical que passa pelo eixo dos quadris e a linha do eixo dos quadris ao ponto médio do platô.
  • PI = SS + PT, sempre, para o mesmo indivíduo em pé.

SS e PT são posicionais: mudam quando a pelve gira. A PI é fixa. Por isso, se a pelve roda para trás (retroversão), a PT sobe e a SS cai na mesma medida, e a soma continua igual. Quando a prova mostra uma figura com dois ângulos no sacro, a regra prática é: o que parte da perpendicular ao platô e vai à cabeça femoral é a incidência; o que se mede contra a horizontal é a inclinação sacral; o que se mede contra a vertical pela cabeça femoral é a versão.

Parâmetros espinopélvicos (Campbell 15, cap. 46, p. 1827 e 1828, e cap. 42, p. 1670; Tachdjian 6, p. 276 e 279)
ParâmetroComo se medeNaturezaNa espondilolistese
Incidência pélvicaPerpendicular ao platô de S1 contra linha platô-cabeça femoralMorfológica, constante no adultoAumentada; normal ~50°, listese 70° a 79°; cresce com o grau
Inclinação sacralPlatô sacral contra a horizontalPosicionalAlta na pelve equilibrada; baixa na desequilibrada
Versão pélvicaVertical pelo eixo dos quadris contra linha eixo-platôPosicionalBaixa na equilibrada; alta na desequilibrada (retroversão)
L5 incidenceMesma construção usando o platô superior de L5Útil quando S1 está em cúpula60° separa equilíbrio de desequilíbrio (SEBAALY)
Prumo de C7Vertical de C7Equilíbrio globalColuna desequilibrada se cai à frente das cabeças femorais

O Tachdjian (p. 279) dá os números: PI normal em torno de 50 graus; na espondilolistese, 70 a 79 graus, crescendo com a gravidade. Mas ele também adverte que a PI alta não provou prever progressão; a porcentagem de escorregamento, o grau de MEYERDING e o ângulo de escorregamento, sim. Quando o platô de S1 está arredondado, a L5 incidence é mais reprodutível (cap. 46, p. 1829).

A pelve equilibrada e a desequilibrada de HRESKO

No alto grau, HRESKO e colaboradores descreveram dois padrões (Campbell, cap. 42, p. 1670; cap. 46, Fig. 46.41, p. 1827):

  • Pelve equilibrada: SS alta e PT baixo, valores parecidos com os de quem não tem listese.
  • Pelve desequilibrada (retrovertida): sacro vertical, SS baixa e PT alto.

O raciocínio: para manter o tronco sobre os quadris, o corpo aumenta a lordose acima e retroverte a pelve. Quando a retroversão chega ao limite, a pelve está "desequilibrada". O Tachdjian (p. 279) completa com a coluna: o prumo de C7 sobre ou atrás das cabeças femorais = coluna equilibrada; à frente = coluna desequilibrada, com balanço positivo. Um nomograma de HRESKO relaciona PT e SS para separar os grupos (cap. 46, Fig. 46.42).

Os seis tipos do Spinal Deformity Study Group

O Campbell (cap. 42, p. 1665) cita a classificação de LABELLE baseada em grau, incidência e alinhamento, com seis tipos; o Tachdjian (p. 270 e Tabela 11.1, p. 271) dá os cortes:

Classificação do Spinal Deformity Study Group (Tachdjian 6, p. 270 e Tabela 11.1, p. 271)
GrauTipoDefinição
Baixo (menos de 50%, MEYERDING 0 a 2)1 (quebra-nozes)PI menor que 45°
Baixo2 (normal)PI de 45° a 60°
Baixo3 (cisalhamento)PI maior que 60°
Alto (50% ou mais, MEYERDING 3 ou mais)4Pelve equilibrada
Alto5Pelve retrovertida, coluna equilibrada
Alto6Pelve retrovertida, coluna desequilibrada

Essa classificação serve para decidir a cirurgia: o Tachdjian (p. 286) reserva a redução para a pelve retrovertida (SS baixa, PT alto, PI acima de 60 graus ou L5 incidence acima de 45 graus). No adulto degenerativo, a correção da relação de HRESKO não se correlacionou com melhores desfechos relatados pelo paciente (cap. 46, p. 1829), e um SVA acima de 50 mm piorou o resultado da descompressão com fusão (p. 1828).

História natural: quem progride

Cobrança confirmada · 2 questões

Quase sempre benigna

O Campbell (cap. 42, p. 1665 e 1666) resume o estudo das 500 crianças acompanhadas por quatro décadas: os defeitos unilaterais nunca escorregaram, a progressão desacelerou a cada década, não houve relação entre progressão e dor lombar, e o curso foi benigno nos primeiros 50 anos. BEUTLER, com 45 anos de seguimento, encontrou risco de progressão muito pequeno, nenhum unilateral progredindo e nenhuma diferença de dor entre a população geral e os graus I e II (cap. 46, p. 1828).

Quando o escorregamento aumenta, isso acontece entre 9 e 15 anos e raramente depois dos 20 (cap. 42, p. 1666): é o estirão que empurra. Mesmo os graus III e IV sem tratamento evoluíram bem no longo prazo: 36% assintomáticos e 55% com sintomas leves, todos ativos; no grupo operado com artrodese in situ, 57% e 38% (cap. 42, p. 1666).

O Tachdjian (p. 280) é ainda mais direto: progressão é rara (5%) e vem acompanhada de sintomas; abaixo de 30%, a progressão é inesperada salvo no imaturo, e mesmo assim rara nas ístmicas; tratamento profilático do baixo grau não se justifica.

Os fatores de risco

Fatores ligados à progressão (Campbell 15, cap. 42, p. 1665 a 1670, e cap. 46, p. 1824 e 1828; Tachdjian 6, p. 279 a 281)
FatorComentário
Displasia (tipo I, alta displasia)Progride mais que a espondilolítica; risco proporcional à displasia
L5 trapezoidal e S1 em cúpulaSinais de instabilidade; cúpula é fator de risco
Ângulo de escorregamento altoMelhor preditor angular
Escorregamento acima de 50% ao diagnósticoMaior chance de progredir
Diagnóstico antes do estirão; idade abaixo de 10 anosMais crescimento pela frente
Sexo femininoMais progressão em algumas séries
Pelve retrovertida com PT altoMuito provável progredir mesmo com coluna equilibrada
Disco degenerado e PI altaFatores para o alto grau
Defeito unilateralProtetor: não progride

A adolescente madura e assintomática

Se o escorregamento cresce entre 9 e 15 anos e quase nunca depois dos 20, a paciente com RISSER 5, anos depois da menarca e sem dor, já passou da fase de risco. O Tachdjian (p. 280 e 281) diz que o paciente assintomático não precisa de tratamento e que a progressão de translação ou cifose é incomum após a maturidade em deformidades abaixo de 50%. Ele também manda acompanhar com radiografia a cada 6 meses só as crianças abaixo de 10 anos, abandonando o seguimento perto da puberdade (11 anos nas meninas, 13 nos meninos).

Tratamento da espondilólise no jovem

Relevância clínica

Aguda ou crônica decide

O Campbell (cap. 42, p. 1670) divide pela idade da lesão. A lise aguda num jovem pode consolidar com gesso ou órtese; costuma haver início súbito, um episódio claro e um esporte de hiperextensão repetida, como ginástica. RM ou SPECT mostram edema e separam agudo de crônico; a TC separa reação de estresse de fratura e é o melhor exame para documentar consolidação.

O tratamento começa com repouso e restrição de atividades (adesão de só 42%). A TLSO não imobiliza de fato a junção lombossacra; dá alguma restrição global e funciona sobretudo forçando a parada. A reabilitação estruturada tem quatro fases (aguda, subaguda, pré-esporte e condicionamento esportivo), dura em geral 12 semanas, às vezes 4 a 5 meses (p. 1670 e 1671).

A lise crônica recebe restrição, exercícios de dorso, abdome e core, e órtese breve se a dor for forte. Durante o crescimento rápido, radiografia de perfil anual em pé. Se o paciente fica assintomático, não é preciso proibir esportes de contato. Se não melhora, procurar infecção, tumor, osteoma osteoide e hérnia discal (cap. 42, p. 1671).

O Tachdjian (p. 280 e 281) usa TLSO antilordótica nas horas acordado por 3 meses com fisioterapia de core e alongamento dos isquiotibiais, repete a TC e prolonga mais 3 meses se a consolidação estiver em curso. Lesões unilaterais consolidam mais; FUJII viu consolidar quase 90% das lesões precoces de L4, mas só 45% das de L5; lesões tardias raramente consolidam. A consolidação radiográfica nem sempre importa para a dor: a meta-análise mostra 84% de sucesso do tratamento não operatório em um ano.

O capítulo 46 (p. 1831) usa órtese rígida por 6 a 10 semanas quando há fratura e só repouso relativo quando não há, guiando o retorno pela clínica; SAKAI consolidou 100% das lesões mais agudas e 80% das crônicas.

Quando operar a lise e como

A indicação principal é falha de 6 meses de tratamento não operatório com dor persistente (cap. 42, p. 1671). Os princípios são os de qualquer pseudartrose: desbridar, enxertar com osso autólogo e comprimir.

Reparo direto da pars (Campbell 15, cap. 42, p. 1671 a 1674, e cap. 46, p. 1831; Tachdjian 6, p. 281)
TécnicaComo funcionaO que o livro destaca
SCOTTFios do transverso ao espinhoso comprimindo o defeitoMenos rígida; consolidação perto de 80%
BUCK (1970)Parafuso intralaminar cruzando o defeito93% bons; minimamente invasivo; preserva movimento
Parafuso pedicular com gancho laminar (KAKIUCHI)Haste comprime entre parafuso e ganchoA montagem mais rígida
U-rod ou V-rodHaste em U ou V sob o espinhoso, presa aos parafusosPreferida no cap. 46; sem órtese no pós-operatório

Retorno ao esporte em 80% a 90% com qualquer técnica (cap. 42, p. 1671). Para o reparo, o capítulo 46 (p. 1831) exige: sem listese, sem degeneração discal (RM), sem artrose facetária (TC) e sem displasia (espinha bífida oculta, pars alongada, facetas displásicas). Em L5, reparo e fusão L5-S1 dão resultados semelhantes; com doença discal ou displasia, prefere-se a fusão; em L4 ou L3, reparo direto (cap. 42, p. 1671); o Tachdjian (p. 281) reserva o reparo para L4 e acima. A artrodese posterolateral é o tratamento convencional da lise sintomática de L5, com fusão em cerca de 90%; estender a L4 é desnecessário; e a operação de GILL ou a laminectomia ampla na criança não são necessárias (cap. 42, p. 1674).

Espondilolistese do desenvolvimento: conservar ou operar

Cobrança confirmada · 2 questões

Baixo grau

Cirurgia não é obrigatória, sobretudo no baixo grau. Restrição, reabilitação muscular (dorso, abdome e tronco) e órtese rígida intermitente bastam quando os sintomas são mínimos e o escorregamento é pequeno. Nos graus leves, a restrição de atividades é desnecessária. No paciente sem sintomas com 25% a 50%, o Campbell (cap. 42, p. 1674) desaconselha esportes de contato e de risco e pede perfil em pé a cada 6 a 12 meses até o fim do crescimento.

O Tachdjian (p. 281) divide pela causa. O ístmico de baixo grau assintomático, sem displasia e com PI abaixo de 60 graus, não precisa de tratamento ativo; o sintomático responde ao conservador em cerca de 60%, chegando a 83% no longo prazo. O displásico com PI acima de 60 graus pede seguimento próximo e fusão profilática pode ser considerada; a listese sem lise tem indicação de fusão pelo risco de estrangular a cauda equina; e o baixo grau com PI e SS altas e ângulo de escorregamento acima de 10 graus pode merecer fusão precoce.

Indicações cirúrgicas

O Campbell (cap. 42, p. 1674) lista: progressão do escorregamento; sintomas persistentes apesar de 6 meses a 1 ano de tratamento; isquiotibiais encurtados persistentes; marcha anormal; deformidade pelve-tronco; e déficit neurológico. E acrescenta a regra que as provas adoram: paciente assintomático com escorregamento acima de 50% provavelmente tem alta displasia com progressão, e a cirurgia está indicada.

O algoritmo do Tachdjian (Tabela 11.2, p. 288) segue o tipo do Spinal Deformity Study Group: lise e tipos 1 e 2 começam com menos atividade, AINE, TLSO e exercícios de estabilização, e só recidiva leva à artrodese posterolateral in situ (ou reparo); o tipo 3 já pode receber artrodese; os tipos 5 e 6 (pelve retrovertida) recebem fixação, redução parcial e fusão interssomática L5-S1, com descompressão se houver sinal neurológico.

Como se opera o baixo grau

Abaixo de 50%, sintomático apesar do conservador: artrodese posterolateral L5-sacro, in situ ou com redução parcial; sem cifose importante, não há necessidade de redução anatômica. Parafusos pediculares dispensam imobilização pós-operatória; PLIF ou TLIF permitem fusão circunferencial. Isquiotibiais muito encurtados, aquileu diminuído e até pé caído podem melhorar só com a artrodese sólida. Uma laminectomia descompressiva pode ser necessária, mas a laminectomia isolada na criança em crescimento é contraindicada, porque o escorregamento aumenta (Campbell, cap. 42, p. 1674).

O Tachdjian (p. 282 a 285) considera a fusão intertransversa de WILTSE por via paraespinal (dissecção romba entre os músculos, preservando as estruturas da linha média) o padrão-ouro do baixo grau: 83% a 95% de fusão e 75% a 100% de bons resultados. A dor radicular do adolescente costuma sumir só com a fusão; a descompressão raramente é necessária e só é indicada por déficit motor objetivo, não por dor radicular nem por isquiotibiais encurtados. Quando os sintomas mecânicos voltam com fusão sólida, pensar numa nova lise no segmento acima.

Alto grau e espondiloptose

Acima de 50%, a maioria concorda que é preciso fundir (Campbell, cap. 42, p. 1674). A fusão pode ter de chegar a L4 ou à pelve. A redução corrige a translação e a cifose lombossacra, aumenta a área de fusão, põe o enxerto em compressão, melhora o equilíbrio sagital e a aparência e permite descompressão direta; o preço é o risco neurológico. Por isso se preferem reduções parciais, que corrigem mais a cifose que a translação. O objetivo é restaurar o equilíbrio sagital global, e corrigir a cifose importa mais que corrigir a translação (p. 1675). LENKE viu 21% das fusões in situ sem consolidação, mas melhora clínica em mais de 80% (p. 1674).

Fusão in situ contra redução no alto grau (Campbell 15, cap. 42, p. 1674 a 1683; Tachdjian 6, p. 286 a 289)
PontoFusão in situRedução (em geral parcial)
Déficit neurológico (SRS)2,1%10% (cinco vezes mais)
Meta-análise de oito estudos8,9% de déficit7,8% de déficit
Pseudartrose17,8%5,5%
Equilíbrio sagitalNão corrigeCorrige a cifose e o balanço
Indicação preferida no TachdjianTipo 4 e alguns 5Pelve retrovertida (tipos 5 e 6), PI acima de 60°
Recomendação da SRSCircunferencial melhora resultados (HELENIUS)Se reduzir, fusão circunferencial instrumentada

A cauda equina é a complicação temida. No escorregamento grave, as raízes sacrais ficam esticadas sobre o dorso de S1, e o relaxamento muscular da anestesia com a dissecção pode deixar L5 escorregar mais. O risco é maior com ângulo acima de 45 graus. Nos graus III e IV, examinar antes e depois a sensibilidade perineal, a bexiga e o tônus retal. Se há déficit antes, descomprimir na artrodese retirando o lábio posterossuperior do sacro; se a cauda equina aparece após uma artrodese in situ sem intercorrências, descomprimir prontamente com ressecção da parte posterior de S1 (cap. 42, p. 1675 e 1676). O Tachdjian (p. 285) chama isso de sacroplastia.

A espondiloptose existe quando o corpo de L5 está inteiro abaixo do topo de S1 no perfil em pé (cap. 42, p. 1683). GAINES descreveu a vertebrectomia de L5 em dois tempos (anterior e posterior), com L4 encostando em S1 e as raízes de L5 e S1 livres (p. 1683 a 1686); o Tachdjian (p. 291) lembra que falha de material, déficit permanente de L5 e ejaculação retrógrada foram comuns e que a indicação ficou restrita. BOHLMAN descreveu descompressão com enxerto de fíbula transsacral do sacro ao corpo de L5 (cap. 42, p. 1681; Tachdjian, p. 291).

A operação de GILL e a descompressão

Cobrança confirmada · 2 questões

O que é

A laminectomia de GILL é a retirada do arco posterior solto de L5 com o tecido fibrocartilaginoso da pseudartrose, liberando as raízes. O Campbell (cap. 42, p. 1676) a descreve no passo da técnica de LENKE e BRIDWELL como "remoção da lâmina solta e do material fibrocartilaginoso" com descompressão bilateral de L5 e S1; o capítulo 46 (p. 1835) fala no "fragmento de GILL"; o Tachdjian (p. 285) define a operação de GILL como a remoção da lâmina solta de L5, seguida da descompressão da raiz de L5 até a asa sacral. É, portanto, uma laminectomia descompressiva de L5, e só faz sentido onde há lâmina solta: na forma ístmica.

Por que nunca sozinha

Tirar o arco que está solto parece inofensivo, mas ele ainda participa da estabilidade pelos ligamentos e músculos. O Campbell é duro nos dois capítulos. Na criança, a laminectomia isolada em crescimento é contraindicada porque o escorregamento aumenta, e a operação de GILL ou a laminectomia ampla não são necessárias na artrodese da lise de L5 (cap. 42, p. 1674). No adulto ístmico, como há instabilidade por definição, a laminectomia total (GILL) isolada é contraindicada (cap. 46, p. 1833). Quando é feita, vem associada à fusão: o capítulo 46 (p. 1835) diz que, com o TLIF, a laminectomia completa de GILL "geralmente é feita" para descompressão direta.

Espondilolistese ístmica do adulto

Cobrança confirmada · 4 questões

Quem é e de onde vem a dor

É o segundo grupo mais comum que chega ao cirurgião de coluna; só a degenerativa é mais frequente (Campbell, cap. 46, p. 1831). A maioria tem baixo grau (abaixo de 50%); 90% a 95% em L5-S1, 5% a 8% em L4-L5; o baixo grau é dez vezes mais comum que o alto (p. 1832). Como 7% da população tem lise e a maioria não sente nada, achar a lise não basta para explicar a dor (p. 1832).

O quadro típico é dor lombar axial mecânica com dor radicular no território de L5 (p. 1832). A dor mecânica pode vir da pars ou do disco, que degenera cedo. O mecanismo da carga é elegante: normalmente 20% da carga axial passa pela coluna posterior e 80% pela anterior; com a pars quebrada, nada passa atrás e o disco recebe tudo, o que acelera a degeneração (p. 1833).

Por que a raiz é a de L5

Na listese L5-S1, a raiz que sai pelo forame L5-S1 é a L5. O Campbell (cap. 46, p. 1832) mostra três mecanismos que estreitam esse forame: a perda de altura do disco reduz a dimensão craniocaudal; o ânulo, preso à placa inferior de L5, fica atrás da vértebra que andou para a frente (pseudo-hérnia) e ocupa o forame; e a fibrocartilagem da pseudartrose da pars invade o forame por trás. A L5 também pode sofrer com estenose do recesso L4-L5 ou hérnia do disco L4 (p. 1833). Os sintomas neurológicos são raros nos jovens e costumam surgir na terceira a quarta décadas (p. 1833).

Tratamento não operatório

A maioria tem entre 20 e 45 anos ao se apresentar. Sem déficit importante: repouso breve, anti-inflamatório e relaxante muscular, opioide muito pouco e mobilização precoce. Quando a dor aguda cede, entra um programa de exercício aeróbico de baixo impacto, estabilização do tronco evitando extensão e alongamento dos isquiotibiais, que costuma devolver a atividade plena em 8 a 12 semanas. O paciente precisa saber que os exercícios de estabilização serão para sempre, porque a dor volta em episódios (Campbell, cap. 46, p. 1832 e 1833). No adolescente com escorregamento acima de 2 mm, a órtese não é recomendada, porque a fratura deslocada dificilmente consolida (p. 1832).

Quando e como operar

Indicação: déficit neurológico significativo ou mais de 6 meses de dor não controlada (Campbell, cap. 46, p. 1833). Contraindicados: GILL isolado e dispositivo de distração posterior (não se distrai através de uma lise). O reparo da pars raramente serve ao adulto, que quase sempre já tem degeneração discal e artrose facetária.

O transverso de L5 precisa de pelo menos 2 cm² para a artrodese posterolateral; se for hipoplásico, faz-se fusão interssomática (p. 1833 e 1835).

Fusão na ístmica do adulto (Campbell 15, cap. 46, p. 1834 e 1835)
ComparaçãoResultado
Com parafusos pediculares contra semFusão 90% contra 77% (KWON e ALBERT)
Circunferencial contra só anterior contra só posteriorFusão 98%, 75% e 83%; sucesso clínico 86%, 79% e 75%
BMP-7 contra osso ilíaco autólogoFusão 54% contra 74%; não recomendam BMP na fusão posterior instrumentada
Redução do baixo grau contra in situSem melhora do desfecho (BAI)
Via de WILTSE e SPENCEREntre multífido e longuíssimo; menos lesão muscular; não serve para descompressão direta
Procedimento mais usado pelos autoresTLIF com artrodese posterolateral, em geral com laminectomia de GILL

O enxerto pesa muito. No reparo da pars, o capítulo 46 (p. 1831) diz que a fonte do enxerto e a técnica de enxertia são provavelmente o aspecto mais crítico, e usa crista ilíaca autóloga, de baixa morbidade nos jovens. Na fusão, o ensaio randomizado mostrou o osso ilíaco autólogo superior à BMP-7 (74% contra 54%) (p. 1835). O Campbell (cap. 42, p. 1671) também põe o enxerto autólogo entre os princípios do reparo. A ALIF fica para transversos pequenos demais ou como salvamento de pseudartrose posterolateral, com o risco de ejaculação retrógrada no homem jovem (cap. 46, p. 1837).

Espondilolistese degenerativa

Cobrança confirmada · 4 questões

Quem tem

É a forma mais comum no adulto e mais homogênea, porque em geral não há displasia por trás (Campbell, cap. 46, p. 1838). Predomina em mulheres acima de 50 anos, sobretudo de ascendência africana, e no nível L4-L5, acometido seis vezes mais que os outros; é quatro vezes mais provável acima de uma L5 sacralizada. Está presente em 10% das mulheres acima de 60 anos, muitas sem sintomas.

O mecanismo

Vem da cascata degenerativa de KIRKALDY-WILLIS: o disco perde altura, a vértebra de cima anda para a frente, e as facetas e o ligamento amarelo hipertrofiados causam estenose central e do recesso lateral, mais do que nas outras formas (cap. 46, p. 1824). A diferença decisiva para a ístmica é a pars intacta: o arco inteiro acompanha o corpo de L4 para a frente, e o canal estreita em vez de alargar (p. 1838). BODEN viu que facetas sagitais (mais de 45 graus em L4-L5) dão 25 vezes mais chance (p. 1838).

Ístmica e degenerativa no adulto (Campbell 15, cap. 46, p. 1824, 1825 e 1831 a 1842)
AspectoÍstmicaDegenerativa
Frequência no adultoSegundaPrimeira (tipo mais comum)
NívelL5-S1 (90% a 95%)L4-L5 (seis vezes mais)
Sexo e idadeJovens e adultos de 20 a 45 anosMulheres acima de 50 anos
ParsQuebrada ou alongadaIntacta
CanalAlarga (arco fica atrás)Estreita (arco vai junto): estenose
Raiz típicaL5 no forame L5-S1L5 no recesso L4-L5; L4 no forame
Queixa típicaDor axial mecânica e radicular de L5Dor axial e claudicação neurogênica
GrauBaixo, às vezes altoQuase sempre I ou II

Quadro clínico

O capítulo 46 (p. 1824) diz que dor axial e claudicação neurogênica, com redução da tolerância para andar e ficar em pé, são os achados mais comuns. Na página 1839, descreve os sintomas como estáveis ou de progressão lenta: dor lombar e dor e fraqueza nos membros inferiores de caráter claudicante, que pioram com a marcha e a posição em pé. Os sintomas neurológicos vêm da estenose, no nível da listese e em outros níveis degenerados. A raiz de L5 costuma ser comprimida no recesso lateral L4-L5, e a L4 no forame, pela pseudo-hérnia contra o pedículo (p. 1841 e 1842).

História natural e imagem

O escorregamento progride em cerca de 30% (30% a 34%), em geral pouco; o estreitamento contínuo do disco parece autoestabilizar e a dor lombar até melhora. Já os pacientes com sintomas neurológicos, incluindo claudicação e distúrbio vesicorretal, pioram e têm mau prognóstico (cap. 46, p. 1839). MATSUNAGA: 76% dos sem sintomas neurológicos ficaram estáveis em 10 a 18 anos (p. 1829). Fatores de progressão: listese em L4-L5 antes dos 60, sexo feminino, facetas sagitais, PI alta (p. 1829).

As radiografias em pé e dinâmicas são obrigatórias: 15% das listeses reduzem no decúbito e somem na RM. Instabilidade = 4 mm de translação ou 10 graus de rotação a mais que o nível vizinho. Derrame facetário acima de 2 mm sugere instabilidade; SNODDY calculou 42% de probabilidade de instabilidade dinâmica para cada milímetro (p. 1841 e 1842).

Tratamento

Conservador por longo prazo: core evitando extensão, aeróbico e anti-inflamatório; 12 semanas de tratamento dirigido antes de operar, salvo déficit progressivo; uma infiltração epidural bem feita (p. 1839 e 1840).

Só 10% a 15% chegam à cirurgia. Quem tem claudicação neurogênica ou radiculopatia melhora mais que quem tem dor axial pura. O estudo SPORT mostrou benefício da descompressão com fusão sobre o tratamento não operatório; nos EUA, quase 95% fazem fusão na descompressão, a maioria instrumentada (p. 1840). Sem fusão, numa meta-análise, 69% ficaram satisfeitos e 31% progrediram (p. 1842). O procedimento preferido pelos autores é descompressão com artrodese posterolateral e TLIF; a descompressão isolada pode servir a idosos frágeis e a quem tem dor de perna sem instabilidade dinâmica (p. 1842 a 1844).

Complicações da cirurgia

Relevância clínica

As mais comuns são pseudartrose, falha do material, déficit neurológico, tromboembolismo e infecção (Campbell, cap. 46, p. 1846). A raiz mais exposta é a L5: só 21% da tensão sobre o nervo surge na primeira metade da redução e 79% na metade final, o que justifica as reduções parciais; joelhos fletidos aliviam a raiz. Cauda equina pós-operatória por hematoma pede descompressão imediata. A via anterior traz risco de ejaculação retrógrada. Diabetes controlado (HbA1c abaixo de 7,5) e fim da nicotina reduzem infecção e pseudartrose (p. 1845 e 1846).

Fechamento

Fundamento

A espondilolistese é a história de um freio que falha: na criança, o perigo é a displasia que progride no estirão; no adulto, a ístmica de L5-S1 dói pela raiz de L5 e a degenerativa de L4-L5 estreita o canal. Em qualquer idade, tirar o arco solto sem fundir desestabiliza.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

Abrir no leitorCriar conta grátis

No leitor do aplicativo, quem não tem conta lê as 6 primeiras partes; a leitura completa é grátis com a conta.

Continue estudando