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Lesão medular e síndromes medulares

ColunaResumo do capítulo33 min de leitura

Choque neurogênico (bradicardia, hipotensão, pele quente, lesão cervical ou torácica alta, vasopressor alfa e beta) contra choque medular (arreflexia, fim com o bulbocavernoso, em geral 24 a 48 h); ASIA/FRANKEL A a E com preservação sacral S4-S5 e o corte do grau 3; centromedular (a mais comum, idoso, hiperextensão, membros superiores piores), anterior (hiperflexão, artéria espinhal anterior, propriocepção poupada, pior prognóstico), BROWN-SÉQUARD (motor e propriocepção do mesmo lado, dor e temperatura do outro), posterior (só propriocepção), cone e cauda equina; metilprednisolona como opção controversa; SCIWORA na criança pequena, cervical, por flexão-distração.

Atualizado em 02/11/2026 · 33 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 47 · Principles of Spine Trauma Care, em Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025), com o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 48). Autores do capítulo: Harry M. Lightsey, Mitchel B. Harris, and Daniel G. Tobert.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de coluna do Rockwood adulto, capítulo 47, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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No leitor: marcações, notas e as questões no meio do texto, que abrem sem perder o lugar da leitura.

Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo parte do capítulo 47 (Principles of Spine Trauma Care) do Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025), e o completa com os trechos neurológicos dos capítulos 14, 48 e 49 do mesmo livro e com o capítulo 48 do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (2026), que é onde as síndromes medulares estão descritas uma a uma. Para a SCIWORA, que é assunto pediátrico, entram o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 28), o Campbell (cap. 38) e o Rockwood and Wilkins' Fractures in Children, 10ª ed. (cap. 22). As páginas citadas são as impressas.

Quem entende três tratos e duas artérias acerta quase todo o tema. Corticoespinhal (motor) e colunas dorsais (propriocepção) cruzam no bulbo: a lesão medular dá déficit do mesmo lado. O espinotalâmico (dor e temperatura) cruza no nível de entrada: déficit do lado oposto. A artéria espinhal anterior irriga os dois terços anteriores; as posteriores, as colunas dorsais. Com isso as síndromes se montam sem decorar.

A banca cobra quatro blocos quase na mesma medida: os dois choques (neurogênico e medular), a escala ASIA (herdeira da FRANKEL), as síndromes incompletas e os detalhes de conduta (vasopressor, corticoide, SCIWORA, cone e cauda equina).

Quem sofre lesão medular e por que não se pode perder a lesão

Cobrança confirmada · 1 questão

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 47, p. 1884 e 1885), estima a incidência mundial de trauma raquimedular em 10,5 por 100.000, com 10% a 20% dos lesados medulares mortos antes do hospital. As fraturas se concentram nas transições da caixa torácica rígida (toracolombar nas quedas, cervicotorácica nos acidentes em alta velocidade), e o déficit neurológico após fratura da coluna varia de 5% a 39%. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 48, p. 1866), conta cerca de 18.000 lesões medulares novas por ano nos EUA (automóvel 38%, quedas 32%, violência 15%, esportes 8%), idade média que subiu para 43 anos, 79% de homens e a tetraplegia incompleta (47%) como categoria mais comum. A maior parte dos lesados cervicais, portanto, tem alguma preservação: daí o peso das síndromes incompletas. No idoso, o mecanismo é a queda da própria altura, e a mortalidade da fratura cervical chega a 19% em 3 meses e 28% em 1 ano (HARRIS, cap. 47, p. 1896).

O capítulo 48 do Rockwood and Green (p. 1906) traz o número que virou questão: o risco de sequela neurológica aumenta 10 vezes se a lesão cervical não for identificada. Por isso todo paciente com consciência alterada, intoxicação, lesão que distrai, déficit focal ou dor na coluna é tratado como lesado até prova em contrário. O mesmo capítulo lembra que a fratura de pelve multiplica por 9 o risco de lesão cervical e que as lesões não contíguas aparecem em 10% a 15% dos traumatizados (p. 1907), o que obriga a rastrear a coluna inteira. A coluna cervical alta fratura mais, mas lesa menos a medula, porque o canal é mais largo; no subaxial, 40% das lesões ficam em C6 ou C7 (p. 1905 e 1906).

Números que caem (Rockwood and Green 10, cap. 47, p. 1884 a 1896, e cap. 48, p. 1905 a 1907; Campbell 15, cap. 48, p. 1866)
DadoValor
mortos antes do hospital10% a 20%
déficit após fratura da coluna5% a 39%
categoria mais comum (Campbell)tetraplegia incompleta, 47%
lesão cervical despercebidasequela neurológica 10 vezes mais
fratura de pelvelesão cervical 9 vezes mais
lesões não contíguas10% a 15% (até 20%)
idoso com fratura cervicalmortalidade 19% em 3 meses, 28% em 1 ano

A anatomia que explica as síndromes

Fundamento

O capítulo 48 do Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (p. 1930 e 1931), dá a anatomia suficiente.

  • Espinotalâmico lateral: fica na porção anterolateral da medula e leva dor e temperatura. As fibras cruzam no mesmo nível em que entram na medula. A lesão tira dor e temperatura do lado oposto.
  • Corticoespinhais lateral e ventral: levam a ordem motora para baixo. Cruzam acima do forame magno: dentro da medula, a lesão dá perda motora do mesmo lado. Os níveis mais cefálicos ficam na porção interna, anteromedial.
  • Colunas dorsais (fascículos grácil e cuneiforme): levam propriocepção, vibração, pressão e tato discriminativo. Também cruzam acima do forame magno, então a lesão dá déficit ipsilateral. Aqui a disposição é inversa: as fibras dos níveis mais altos ficam laterais.
  • Substância cinzenta: em H, com cornos dorsais sensitivos e anteriores motores; as inervações mais cefálicas ficam no centro, e o livro diz que essa disposição é a explicação fisiológica para o membro superior ser mais acometido na síndrome centromedular.

A irrigação completa o quadro. Há uma artéria espinhal anterior, na linha média, e duas posteriores, alimentadas por artérias segmentares que vêm das vertebrais; a segmentar mais constante fica em C5-C6. Como essas artérias costumam ser segmentos curtos dependentes das segmentares, uma lesão vascular pode causar dano devastador sem grande estreitamento do canal; o capítulo 49 (p. 2011) diz o mesmo para o canal torácico estreito.

Tratos, função e lado do déficit (Rockwood and Green 10, cap. 48, p. 1930 e 1931)
TratoPosiçãoLevaOnde cruzaLesão medular dá déficit
espinotalâmico lateralanterolateraldor e temperaturano nível de entradacontralateral
corticoespinhal lateral e ventrallateral e anteriormotricidadeacima do forame magnoipsilateral
colunas dorsais (grácil e cuneiforme)posteriorpropriocepção, vibração, pressão, tato discriminativoacima do forame magnoipsilateral
substância cinzenta centralcentroneurônios do membro superior mais centraisnão se aplicamembro superior pior (centromedular)

Com essa tabela, cada síndrome vira dedução: tirar a frente da medula leva motor e dor e poupa as colunas dorsais; tirar a metade lateral leva motor e propriocepção de um lado e dor do outro; esmagar o centro castiga as mãos.

Lesão primária e lesão secundária

Cobrança confirmada · 2 questões

O modelo aceito hoje separa duas agressões (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 47, p. 1889). A lesão primária é a mecânica, o trauma em si. A lesão secundária começa minutos depois e progride por dias a semanas: edema local, apoptose celular e, por fim, uma fibrose desorganizada que atrapalha a sinalização e o rebrotamento axonal. Todo tratamento farmacológico tenta frear essa segunda fase. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 48, p. 1876), lista os mecanismos da lesão primária como compressão, distração, cisalhamento ou laceração da medula e afirma que a isquemia é o elemento central da lesão secundária. O capítulo 49 do Rockwood and Green (p. 2013) descreve a lesão primária como uma fase de compressão aguda, seguida de isquemia, radicais livres, vasoconstrição, entrada de cálcio na célula, peroxidação lipídica e excitotoxinas.

Um detalhe do capítulo 47 (p. 1895) ajuda a entender por que a imagem engana: a radiografia e a tomografia são fotografias estáticas e podem subestimar a deformação e o deslocamento no momento do trauma; além disso, mostram só a lesão primária, não a secundária.

As fases da cascata

O mesmo capítulo divide a lesão secundária em quatro fases, e a fase subaguda é onde aparece a gliose.

Fases da lesão secundária (Rockwood and Green 10, cap. 47, p. 1895)
FaseTempoO que acontece
agudaaté 48 hcitocinas (interleucina 6, TNF), células inflamatórias; apoptose de neurônios e oligodendrócitos já em 6 h
subaguda2 dias a 2 semanasedema da medula, comprometimento vascular e gliose; macrófagos retiram hematoma e deixam cavidades císticas
intermediária2 semanas a 6 mesesremodelação vascular, reorganização dos circuitos, astrócitos isolam a lesão
crônicamais de 6 mesescontinua a reorganização; axônios poupados podem dar recuperação funcional

Choque neurogênico

Cobrança confirmada · 4 questões

É o tema mais cobrado do capítulo, e a prova quase sempre o põe contra o choque hemorrágico.

Mecanismo e nível

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 47, p. 1886), define o choque neurogênico como um choque distributivo por desregulação autonômica: o parassimpático (vago) segue intacto, porque sai do tronco encefálico, e o simpático, que desce pela medula e sai pelos segmentos torácicos, é interrompido. Sem simpático, os vasos dilatam (hipotensão) e o coração perde o estímulo que acelera (bradicardia). O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 48, p. 1875), atribui o quadro às lesões medulares rostrais e lista bradicardia, hipotensão e hipotermia (perda da termorregulação).

O capítulo 14 do Rockwood and Green (p. 472) é explícito sobre o nível: é a lesão cervical ou torácica alta que tira o efluxo simpático. O capítulo 47 dá a frequência, cerca de 20% nas lesões cervicais, caindo à medida que o nível desce, e maior na lesão completa. Abaixo da saída simpática, a lesão lombar não produz choque neurogênico.

Como reconhecer

Os sinais clássicos são bradicardia e hipotensão (PAS abaixo de 90 mm Hg). O capítulo 14 (p. 472) acrescenta a pele quente e seca: o sangue se acumula na periferia dilatada e cria uma hipovolemia relativa, sem perda real de volume. Por isso a perfusão periférica e a diurese tendem a se manter no início, ao contrário do hemorrágico, em que as extremidades esfriam e o rim fecha. A diferença prática é a frequência cardíaca: o hipovolêmico faz taquicardia compensatória, o neurogênico faz bradicardia paradoxal (cap. 47, p. 1886; cap. 49, p. 2013). Duas ressalvas pegam o desatento: a fase tardia do choque hemorrágico também pode dar hipotensão com bradicardia, então a hipovolemia deve ser excluída antes (cap. 14, p. 472); e os dois choques costumam coexistir no politraumatizado (cap. 49, p. 2013).

Choque neurogênico, hipovolêmico e medular (Rockwood and Green 10, cap. 14, p. 472, cap. 47, p. 1886 a 1888, cap. 49, p. 2013; Campbell 15, cap. 48, p. 1875)
AspectoNeurogênicoHipovolêmicoMedular
naturezahemodinâmica (distributivo)hemodinâmica (perda de volume)reflexa; não é choque verdadeiro
causasimpático interrompido, vago intactosangramentoperda do aferente ao arco reflexo
nívelcervical ou torácico altoqualquerabaixo de qualquer lesão medular
frequência cardíacabradicardiataquicardia (bradicardia só na fase tardia)não define
pelequente e secafrianão define
marcahipotensão + bradicardia, hipotermiahipotensão + taquicardiaarreflexia flácida, bulbocavernoso ausente
tratamentovolume com critério e vasopressorvolume e sanguenenhum específico

Tratamento: volume com critério e vasopressor

O capítulo 48 do Rockwood and Green (p. 1907) pede PAS acima de 100 mm Hg e PAM acima de 85 mm Hg no lesado medular e avisa que tratar o choque neurogênico como hemorrágico, com volume agressivo, pode causar edema pulmonar; o manejo é com vasopressores, TRENDELENBURG e líquidos com critério. O capítulo 47 (p. 1886) cita CASHA (PAM acima de 85 mm Hg por 1 semana) e uma metanálise que indica norepinefrina nas lesões cervicais e torácicas altas.

O Campbell (cap. 48, p. 1876) dá a sequência: tratar a hipotensão primeiro como hemorrágica (Ringer lactato, depois sangue); sem resposta e com pressão venosa central normal, vasopressor para PAM entre 75 e 95 mm Hg (KWON), por 3 a 7 dias. E escolhe a droga: dobutamina, dopamina ou norepinefrina, com ação alfa e beta-agonista, são preferidas aos alfa puros como a fenilefrina, que causam bradicardia reflexa. O paciente já está bradicárdico; uma droga que só contrai vaso sobe a pressão e, pelo barorreflexo, baixa ainda mais a frequência. O capítulo 49 do Rockwood and Green (p. 2039) registra a controvérsia (revisão de 2020 sem evidência forte e com eventos cardíacos pelos vasopressores) e o protocolo dos autores, PAM de 80 mm Hg ou mais por 48 a 72 h. A pressão de perfusão medular é a PAM menos a pressão intraespinhal (Campbell, cap. 48, p. 1876).

Alvo e droga em cada fonte (Rockwood and Green 10, cap. 47, p. 1886, cap. 48, p. 1907, cap. 49, p. 2039; Campbell 15, cap. 48, p. 1876 e 1878)
FonteAlvoDuraçãoDroga
Rockwood and Green, cap. 47PAM > 85 mm Hg1 semananorepinefrina (cervical e torácica alta); fenilefrina ou norepinefrina (torácica média e baixa)
Rockwood and Green, cap. 48PAS > 100 e PAM > 85 mm Hgnão definidavasopressor, TRENDELENBURG
Rockwood and Green, cap. 49PAM ≥ 80 mm Hg48 a 72 hnão definida
Campbell, cap. 48PAM 75 a 95 (85 a 90 correlaciona melhor)3 a 7 diasalfa e beta-agonista, não alfa puro

Choque medular e o reflexo bulbocavernoso

Cobrança confirmada · 7 questões

O que é e quanto dura

O choque medular não é hemodinâmico. O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 47, p. 1887), lembra que o termo é de 1841 e descreve a perda de função motora, sensitiva, reflexa e autonômica abaixo da lesão, explicada pela perda do impulso aferente ao arco reflexo; o capítulo 14 (p. 472) insiste que não é choque verdadeiro. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 48, p. 1875), fala em disfunção temporária, com paralisia flácida e ausência do reflexo anal e do bulbocavernoso, sem tratamento específico.

Na duração, os livros divergem. O Campbell (p. 1873 e 1875) diz que o choque termina em geral em 24 a 48 horas, podendo durar semanas ou, raramente, meses. O Rockwood and Green (cap. 47, p. 1888) põe o fim entre 48 horas e 2 semanas, com aumento da espasticidade. As questões do TEOT e da SES-DF usam o número do Campbell.

O motivo de a prova insistir nisso: não se classifica a lesão durante o choque medular. O Campbell (p. 1873 e 1878) diz que nas primeiras 24 horas o paciente costuma ainda estar em choque e que a AIS só pode ser definida depois que ele passa. O Rockwood and Green (cap. 47, p. 1887 e 1888) diz que o choque impede determinar o nível, apresenta a ASIA como determinada após o fim do choque e considera os padrões ASIA pouco confiáveis nas primeiras 72 horas.

O bulbocavernoso

O Rockwood and Green (cap. 47, p. 1888) explica por que esse reflexo é o relógio: seu arco fica no ponto mais caudal da medula, no cone, e avalia os neurônios de S2 a S4. Aperta-se a glande ou o clitóris, ou traciona-se a sonda vesical, e observa-se a contração do esfíncter anal. O Campbell acrescenta o reflexo anal (contração do esfíncter à picada perianal). Pelo estudo de KO, os reflexos cutâneos polissinápticos voltam antes dos profundos, na ordem plantar profundo, bulbocavernoso, cremastérico, aquileu, BABINSKI e patelar. O capítulo 49 (p. 2013 e 2014) dá três nuances: bulbocavernoso hiperativo sugere lesão completa; ausente pode significar choque ainda em curso; e nas lesões do cone e da cauda equina o reflexo demora, porque o próprio arco foi lesado (o Campbell diz que no cone ele pode nunca voltar). A lesão de raízes abaixo do cone não produz choque medular (cap. 47, p. 1888).

Choque medular em cada fonte (Rockwood and Green 10, cap. 47, p. 1887 e 1888, cap. 49, p. 2014; Campbell 15, cap. 48, p. 1873, 1875 e 1878)
PontoRockwood and GreenCampbell
fim48 h a 2 semanasem geral 24 a 48 h
sinal do fimvolta dos reflexos, sobretudo o bulbocavernosovolta do bulbocavernoso e do reflexo anal
classificarapós o fim; ASIA pouco confiável nas primeiras 72 hsó após o fim; nas primeiras 24 h costuma haver choque
arco do bulbocavernosoS2 a S4 (cone)não especifica
lesão do conereflexo atrasadopode nunca voltar

O exame neurológico e a escala ASIA

Cobrança confirmada · 5 questões

Como se examina

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 47, p. 1886), põe o exame da coluna na avaliação secundária: rolamento em bloco, palpação da linha média do occipício ao sacro e, no paciente alerta, sensibilidade perianal e contração voluntária do esfíncter anal. No obnubilado, o capítulo 48 (p. 1907) limita o exame a movimento espontâneo, retirada à dor, tônus retal e bulbocavernoso. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 48, p. 1873), descreve o formulário ISCoS/ASIA: tato leve e picada em 28 dermátomos de cada lado (2 normal, 1 alterado, 0 ausente), força de 0 a 5 em 10 miótomos-chave por lado, contração anal voluntária e pressão anal profunda, repetido a cada 4 a 6 horas nas primeiras 24 horas. A lesão aguda dá paralisia flácida e arreflexia; BABINSKI, HOFFMANN ou clônus na chegada indicam processo antigo, como a estenose prévia de quem faz uma centromedular (p. 1873 e 1875).

Completa, incompleta e preservação sacral

Completa é a lesão sem função sensitiva nem motora abaixo do nível; incompleta tem alguma preservação (Rockwood and Green, cap. 48, p. 1907). A ASIA torna isso objetivo com S4-S5: completa é a que não tem nenhuma função em S4-S5. O capítulo 49 (p. 2013) diz que a sensibilidade perianal pode ser o único sinal de preservação sacral e, portanto, de lesão incompleta, e que ela é fator prognóstico positivo. Quem parece completo nos membros, mas sente a picada no ânus, é incompleto. A anatomia ajuda: as fibras sacrais ficam na periferia dos tratos longos, e uma lesão central pode poupá-las, como na centromedular, que costuma preservar a dor sacral (Campbell, cap. 48, p. 1878).

Os graus

O capítulo 14 do Rockwood and Green (Tabela 14-6, p. 483) e o Campbell (cap. 48, p. 1873) trazem a ASIA de 2019:

  • A, completa: nada em S4-S5; registra-se a zona de preservação parcial.
  • B, sensitiva incompleta: sensibilidade abaixo do nível incluindo S4-S5 e nenhum motor mais de três níveis abaixo do nível motor.
  • C, motora incompleta: contração anal voluntária, ou sensibilidade sacral com algum motor mais de três níveis abaixo; menos da metade dos músculos-chave abaixo do nível com grau 3 ou mais.
  • D: pelo menos metade dos músculos-chave com grau 3 ou mais.
  • E: normal em quem tinha déficit; quem nunca teve lesão não recebe grau.

A fronteira C/D é a força 3: vencer a gravidade em toda a amplitude. A escala do capítulo 49 (p. 2013): 0 nada; 1 contração palpável; 2 movimento sem gravidade; 3 contra a gravidade; 4 resistência parcial; 5 resistência plena.

ASIA nos textos (Rockwood and Green 10, cap. 14, Tabela 14-6, p. 483, e cap. 47, Tabela 47-1, p. 1887; Campbell 15, cap. 48, p. 1873)
GrauTipoASIA 2019 (cap. 14 e Campbell)Tabela 47-1 resumida
Acompletanada em S4-S5sem função motora e sensitiva
Bsensitiva incompletasensibilidade incluindo S4-S5; sem motor > 3 níveis abaixosem motor, incluindo sacral; sensibilidade intacta
Cmotora incompletamenos da metade dos músculos-chave com grau ≥ 3maioria < grau 3
Dmotora incompletapelo menos metade com grau ≥ 3maioria > grau 3
Enormalnormal em quem teve déficitfunção normal

FRANKEL

O Rockwood and Green (cap. 47, p. 1887) diz que a ASIA foi influenciada pela classificação de FRANKEL, a mãe com as mesmas letras: A sem nada, B só sensibilidade, C motor inútil, D motor útil, E normal. A Tabela 48-3 (cap. 48, p. 1908) é a versão mais próxima dela.

Grau motor e sensibilidade caudal à lesão (Rockwood and Green 10, cap. 48, Tabela 48-3, p. 1908)
GrauMotorSensibilidade
A0/5perda completa
B0/5incompleta
C< 3/5incompleta
D> 3/5incompleta
E5/5sem déficit

Nível neurológico, miótomos e dermátomos

Fundamento

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 48, p. 1873), define o nível neurológico da lesão como o miótomo mais caudal com pelo menos 3/5, desde que todos os de cima tenham 5/5 e sensibilidade normal; onde não há miótomo-chave (tórax), decide a sensibilidade. Os marcos sensitivos: mamilo T4, xifoide T7, umbigo T10, região inguinal T12 e L1, perianal S4 e S5.

Miótomos-chave do formulário ASIA (Campbell 15, cap. 48, Tabela 48.3, p. 1875)
NívelMúsculos-chave
C5flexores do cotovelo
C6extensores do punho
C7extensores do cotovelo
C8flexor profundo do dedo médio
T1abdutor do dedo mínimo
L2flexores do quadril
L3extensores do joelho
L4dorsiflexores do tornozelo
L5extensor longo do hálux
S1flexores plantares
Motor, sensibilidade e reflexo por nível (Rockwood and Green 10, cap. 48, Tabela 48-1, p. 1907)
NívelMotorSensibilidadeReflexo
C5deltoideface lateral do ombro e do braçobicipital
C6bíceps e extensão do punhoantebraço lateral, polegar e indicadorbraquiorradial
C7tríceps e flexão do punhodedo médiotricipital
C8intrínsecos e flexores dos dedosanelar, mínimo e antebraço medialnão citado
T1abdução dos dedosbraço medial e axilanão citado
S5tônus retalperianalbulbocavernoso

O nível também define a respiração. A lesão acima de C5 pode paralisar o diafragma, e em qualquer nível a perda de intercostais e abdominais reduz a função pulmonar, com padrão paradoxal (Rockwood and Green, cap. 47, p. 1886); a hipoxemia piora a isquemia medular, e por isso a saturação deve ficar perto de 100% (Campbell, cap. 48, p. 1876). Depois da fase aguda vêm hipotensão ortostática, disreflexia autonômica, bexiga neurogênica, espasticidade e ossificação heterotópica (Rockwood and Green, cap. 49, p. 2013); na criança, a escoliose é a complicação mais comum, com 85% a 100% quando a lesão ocorre antes do estirão (Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., cap. 28, p. 1174).

As síndromes medulares incompletas: visão geral

Cobrança confirmada · 2 questões

Para o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 48, p. 1878), na lesão completa só se recupera algo na zona de preservação parcial; na incompleta, a síndrome dá prognóstico geral. Quatro generalizações valem para todas:

1. quanto maior a preservação motora e sensitiva abaixo da lesão, maior a recuperação esperada; 2. quanto mais cedo a recuperação começa e mais rápido progride, melhor; 3. pacientes com menos de 50 anos têm prognóstico melhor do que os mais velhos com o mesmo déficit; 4. a recuperação pode ocorrer por 12 a 15 meses, mas, quando o progresso para, não se deve esperar mais.

As síndromes lado a lado (Campbell 15, cap. 48, p. 1878 a 1880; Rockwood and Green 10, cap. 48, p. 1931 e 2001)
SíndromeFrequênciaMecanismo típicoPerdePreservaPrognóstico
centromedulara mais comum (até 70% das incompletas)hiperextensão em idoso com espondilosemotor dos membros superiores mais que dos inferiores, distal mais que proximalem geral sensibilidade sacral à doro melhor; mais de 50% andam e controlam esfíncteres
BROWN-SÉQUARDrarafratura unilateral de lâmina ou pedículo, penetrante, rotação com subluxaçãomotor (e propriocepção) do lado da lesão; dor e temperatura do outroo restantebom se a compressão for tratada; ruim na secção penetrante
anteriornão quantificadahiperflexão; osso ou disco comprimindo a artéria espinhal anteriormotor completo, dor e temperatura abaixo da lesãotato profundo, posição e vibraçãoo pior
posteriorraraem geral tumor; às vezes extensãopropriocepção e vibraçãomotricidade e demais sensibilidadesnão citado
cone medularnão quantificadaT11 a L2bexiga e intestino arreflexos, períneo, membros inferioresraízes L1 a L4 se poupadaslesão sacral irreversível
cauda equinanão quantificadaabaixo do conebexiga, intestino, reflexos dos membros inferioresdepende das raízesraízes podem recuperar (neurônio motor inferior)

Síndrome centromedular

Cobrança confirmada · 7 questões

Quem tem e por quê

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 48, p. 1878), chama a centromedular de a síndrome incompleta mais comum e a de melhor prognóstico: a forma traumática aguda responde por até 70% das incompletas (AIS B a E). A distribuição é bimodal (jovens com alta energia, acima de 50 anos com baixa energia), mas o retrato clássico é o idoso com estenose cervical prévia, às vezes já com mielopatia, que cai e bate o rosto, muitas vezes sem fratura nem instabilidade. O mecanismo é a hiperextensão numa coluna com osteoartrite: a medula fica pinçada entre o complexo disco-osteófito na frente e o ligamento amarelo dobrado e a lâmina atrás. O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 48, p. 2001), descreve a mesma coisa como lesão medular sem instabilidade na coluna espondilótica ou congenitamente estreita.

O quadro

A lesão pega o centro da medula e sobretudo a porção interna dos corticoespinhais laterais. Como os neurônios do membro superior são mais centrais, eles sofrem mais: tetraparesia com membros superiores mais fracos que os inferiores, e distal mais que proximal (as mãos são o pior). A sensibilidade varia, com preservação sacral da dor em geral; esfíncteres variam (Campbell, cap. 48, p. 1878; Rockwood and Green, cap. 48, p. 1931 e 2001).

Tratamento e prognóstico

Mais de 50% recuperam esfíncteres, marcha e parte da mão, e 70% a 80% recuperam bexiga e marcha, embora a recuperação completa seja incomum (Campbell, cap. 48, p. 1878 e 1879). O tratamento é controverso, porque o grupo é heterogêneo (com ou sem instabilidade, com ou sem compressão persistente, AIS D ou B e C). A revisão de KUMAR, citada pelo Campbell, achou evidência fraca de mais melhora neurológica com cirurgia, um pouco melhor em 24 horas, mas o octogenário operado tem mais TVP e pneumonia. A conduta do Campbell: instabilidade, cirurgia em menos de 24 horas; sem instabilidade e AIS B ou C, cirurgia precoce; déficit leve, tratamento clínico e decisão no platô.

O Rockwood and Green (cap. 48, p. 2003) mostra o outro lado: muitos resolvem quase tudo só com observação; FEHLINGS e ARVIN defendem descompressão precoce; CHEN viu recuperação mais rápida com cirurgia, mas igual em 2 anos; GUEST achou a cirurgia em 24 horas segura e custo-efetiva. Os autores esperam o fim do choque medular, observam 2 a 3 dias e descomprimem se não houver melhora. Fatores de bom prognóstico: idade jovem, escolaridade, RM sem sinal medular, boa função motora inicial, sem espasticidade; de mau: comorbidades, instabilidade, grande compressão.

Prognóstico da centromedular (Rockwood and Green 10, cap. 48, p. 2003; Campbell 15, cap. 48, p. 1878 e 1879)
FatorEfeito
idade jovem (menos de 50 anos)melhor (os dois livros)
boa função motora inicial, RM sem sinal, sem espasticidademelhor (Rockwood and Green)
recuperação precoce e rápidamelhor (Campbell)
cirurgia, sobretudo em 24 hevidência fraca de mais melhora (Campbell, KUMAR)
comorbidades, instabilidade, grande compressãopior (Rockwood and Green)

Síndrome medular anterior

Cobrança confirmada · 2 questões

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 48, p. 1880), descreve a síndrome medular anterior como em geral causada por uma lesão em hiperflexão, em que fragmentos de osso ou disco comprimem a artéria espinhal anterior e a medula. A anatomia faz o resto: a artéria espinhal anterior irriga os dois terços anteriores, onde estão os corticoespinhais e os espinotalâmicos. Por isso o quadro é de perda motora completa e perda de dor e temperatura abaixo da lesão, enquanto as colunas posteriores, irrigadas pelas artérias espinhais posteriores, ficam poupadas em graus variáveis. Ficam preservados o tato profundo, a posição (propriocepção) e a vibração. O prognóstico de recuperação significativa é ruim, o pior entre as síndromes.

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 48, p. 1931; cap. 49, p. 2011), explica por que a lesão vascular pesa tanto: as artérias espinhais podem ser segmentos curtos dependentes das segmentares, e a oclusão da anterior pode dar déficit grave mesmo com pouca invasão do canal.

Note o raciocínio que a banca exige: o paciente "não mexe e não sente a picada, mas sabe onde está o dedo do pé". Isso é a medular anterior. A pergunta pode vir por exclusão: lesão dos tratos corticoespinhal e espinotalâmico com propriocepção preservada.

Síndrome de BROWN-SÉQUARD

Cobrança confirmada · 3 questões

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 48, p. 1879 e 1880), descreve a BROWN-SÉQUARD como uma lesão rara de um dos lados da medula, resultado de uma hemissecção funcional ou anatômica. As causas são a fratura unilateral de lâmina ou pedículo, o ferimento penetrante ou uma lesão rotacional que causa subluxação. O quadro é de fraqueza motora do lado da lesão com perda de dor e temperatura do lado oposto.

A anatomia do Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 48, p. 1931), completa o que o Campbell não detalha: as colunas dorsais, que levam a propriocepção e a vibração, cruzam acima do forame magno, então a hemissecção tira a propriocepção do mesmo lado, junto com o motor. O espinotalâmico já cruzou no nível de entrada, então a dor e a temperatura somem do outro lado. A fórmula fica:

  • ipsilateral: déficit motor e proprioceptivo (e vibratório);
  • contralateral: perda da sensibilidade dolorosa e térmica.

O prognóstico é bom se a compressão e a instabilidade forem tratadas cirurgicamente; se a causa for penetrante, com secção anatômica, a recuperação significativa é improvável. A maior parte da recuperação acontece nos primeiros meses, mas pode seguir por 2 anos, e a marcha costuma voltar em 6 meses. Junto com a centromedular, é a única associada estatisticamente a melhor recuperação em 2 anos; em casos selecionados, transferências de nervo ou tendão podem ajudar (Campbell, cap. 48, p. 1880).

Como montar a BROWN-SÉQUARD (Rockwood and Green 10, cap. 48, p. 1931; Campbell 15, cap. 48, p. 1880)
FunçãoTratoLado do déficit
motricidadecorticoespinhalmesmo lado da lesão
propriocepção e vibraçãocolunas dorsaismesmo lado da lesão
dor e temperaturaespinotalâmico laterallado oposto

Síndrome medular posterior

Cobrança confirmada · 1 questão

É a mais rara e a mais curta de descrever. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 48, p. 1880), diz que ela acomete as colunas dorsais e produz perda da propriocepção e da sensibilidade vibratória, preservando a motricidade e as demais sensibilidades (dor, temperatura e tato grosseiro). É rara, costuma ser causada por tumores e pode ocorrer em lesão em extensão. A anatomia do Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 48, p. 1931), confirma: as colunas dorsais levam propriocepção, vibração, pressão e tato discriminativo, e a lesão dá déficit ipsilateral.

É o espelho da medular anterior: a anterior tira motor e dor e poupa a propriocepção; a posterior tira a propriocepção e poupa motor e dor. Na prática, o paciente anda mal porque não sabe onde estão os pés, apesar de ter força.

Cone medular e cauda equina

Cobrança confirmada · 2 questões

No adulto a medula termina em L1, e o cone medular fica entre T11 e L1; abaixo, o canal largo guarda só raízes, a cauda equina, e tolera mais compressão (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 49, p. 2012).

Cone medular. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 48, p. 1880), descreve a lesão da medula sacral e das raízes lombares no canal: bexiga arreflexa com retenção e incontinência por transbordamento, intestino arreflexo e fraqueza dos membros inferiores, inicialmente flácida, com tônus que pode aumentar. A maioria ocorre entre T11 e L2, com perda de todo o controle vesical e perianal; a ausência persistente do bulbocavernoso e do reflexo anal mostra que a lesão sacral é irreversível, e só se raízes forem poupadas haverá função de L1 a L4. O Rockwood and Green (cap. 49, p. 2012) a chama de emergência neurológica, com sinais de neurônio motor superior e inferior misturados, disfunção sexual e anestesia em sela.

Cauda equina. Para o Campbell (cap. 48, p. 1880), é a lesão entre o cone e as raízes lombossacras: bexiga e intestino arreflexos, fraqueza e, na forma completa, ausência do bulbocavernoso, do reflexo anal e de todos os reflexos dos membros inferiores. A diferença de prognóstico: é lesão de neurônio motor inferior, e as raízes podem recuperar se não forem seccionadas; na maioria das vezes é incompleta.

Fora do trauma, o Campbell descreve a cauda equina da hérnia discal maciça (cap. 46, p. 1787 e 1788): dor lombar e nas pernas, às vezes perineal, paralisia, incontinência esfincteriana, aquileus ausentes, resíduo pós-miccional (corte de 200 mL), com cirurgia mandatória e urgente. E na espondilolistese de alto grau (cap. 42, p. 1675 e 1676) as raízes sacrais ficam esticadas sobre o dorso de S1; a lesão da cauda equina pode ocorrer até após artrodese in situ, o risco cresce com ângulo de escorregamento acima de 45 graus, a redução aumenta o risco neurológico, e o períneo, a bexiga e o tônus retal são examinados antes e depois da cirurgia nos graus III e IV.

Cone medular contra cauda equina (Campbell 15, cap. 48, p. 1880; Rockwood and Green 10, cap. 47, p. 1888, e cap. 49, p. 2012 e 2014)
AspectoCone medularCauda equina
localmedula sacral, T11 a L2raízes abaixo do cone
neurôniosuperior e inferior misturadosinferior
esfíncteresarreflexos, retenção com transbordamentoarreflexos
períneoanestesia em selaperda na lesão completa
bulbocavernosoausência persistenteausente na lesão completa
choque medularreflexo atrasadonão causa choque medular
recuperaçãosacral irreversívelpossível; em geral incompleta

Corticoide e cirurgia precoce

Relevância clínica

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 47, p. 1889), resume os NASCIS. O I comparou dose baixa e alta de metilprednisolona: sem diferença. O II comparou 24 horas de dose alta com naloxona e placebo: sem diferença no desfecho primário, com subgrupo post hoc favorável quando iniciada até 8 horas. O III comparou 24 e 48 horas: sem diferença primária, com subgrupo post hoc favorável às 48 horas entre 3 e 8 horas. As doses (cap. 49, p. 2039): bolo de 30 mg/kg e 5,4 mg/kg/h por 23 horas; 24 horas se iniciado até 3 horas, 48 horas se entre 3 e 8 horas.

Caiu por três motivos: taxas inaceitáveis de pneumonia, sepse, complicações de ferida e morte (cap. 47, p. 1889); a janela de 8 horas veio de análise post hoc, fora da pergunta original (cap. 48, p. 1907); e o efeito era pequeno. HURLBERT chamou a droga de experimental; ITO viu melhora neurológica de 63% sem corticoide contra 45% com o NASCIS (cap. 48, p. 1907). Hoje é opção controversa, não padrão: o guia AOSpine aceita a infusão de 24 horas dentro de 8 horas, não depois, e não vê papel para 48 horas (cap. 47, p. 1889); a CNS/AANS chamou de opção em 2002, recomendou contra em 2013, e o guia mais recente voltou à opção de 24 horas em 8 horas, com uso seletivo em pacientes saudáveis (cap. 49, p. 2039). O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 48, p. 1878), é o mais duro: nenhum tratamento reverte a lesão medular (nível I), e a metilprednisolona segue controversa e arriscada. "Corticoide em alta dose faz parte do protocolo inicial" é, portanto, falso.

Metilprednisolona em cada texto (Rockwood and Green 10, cap. 47, p. 1889, cap. 48, p. 1907, cap. 49, p. 2039; Campbell 15, cap. 48, p. 1878; Tachdjian 6, cap. 28, p. 1173)
FontePosição
NASCIS IIsem diferença primária; subgrupo post hoc até 8 h
NASCIS III24 h se até 3 h; 48 h se 3 a 8 h; mais sepse e pneumonia
Rockwood and Green, cap. 47 (AOSpine)24 h pode ser oferecida até 8 h; sem papel para 48 h
Rockwood and Green, cap. 48opção, não padrão; ITO 63% sem contra 45% com
Rockwood and Green, cap. 49uso seletivo em pacientes saudáveis
Campbell, cap. 48nada reverte a lesão; controversa, riscos significativos
Tachdjian, cap. 28autores seguem o NASCIS III na criança

O que sobrou foi reduzir a lesão secundária: realinhar rápido, PAM de 75 a 95 mm Hg, saturação de 100% e descompressão e estabilização em até 24 horas quando possível (Campbell, cap. 48, p. 1875 e 1878). O STASCIS mostrou melhor recuperação neurológica aos 6 meses com cirurgia antes de 24 horas nas lesões cervicais, com a ressalva de que as centromedulares puxaram o resultado a favor (Rockwood and Green, cap. 47, p. 1895 e 1896). Na luxação facetária com déficit, o Campbell (p. 1876 a 1878) reduz com tração no paciente acordado, sem esperar RM: menos de 1% de piora permanente em mais de 1.200 casos e sucesso em cerca de 80%.

SCIWORA: lesão medular sem anormalidade radiográfica

Cobrança confirmada · 5 questões

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 38, p. 1408 e 1409), define a SCIWORA como lesão medular, completa ou incompleta, sem anormalidade radiográfica, própria da criança e atribuída a uma flexão-distração grave da coluna cervical. O número que explica tudo: pela frouxidão ligamentar, a coluna infantil se distende 4 a 5 cm antes de romper, e a medula, só 4 a 5 mm. Há também um mecanismo vascular por estiramento. O déficit tardio aparece em 50%, às vezes após sinais transitórios.

O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 28, p. 1173), completa: a coluna, mais elástica que a medula, estica e volta ao lugar, deixando a medula lesada e a radiografia normal; o termo é de PANG e WILBERGER (1982); a lesão é esmagadoramente pediátrica (no adulto costuma haver lesão ligamentar na RM) e responde por 15% a 35% das lesões medulares da criança. Pode ocorrer em qualquer idade e local, mas é mais comum na coluna cervical. A criança pequena tem mais lesões completas cervicais, de prognóstico ruim, porque a cabeça grande deforma a coluna além do limite da medula; o adolescente tem mais lesões incompletas. O Rockwood and Wilkins' Fractures in Children, 10ª ed. (cap. 22), acrescenta que os menores de 8 anos têm envolvimento neurológico mais grave.

SCIWORA por idade (Tachdjian 6, cap. 28, p. 1173; Campbell 15, cap. 38, p. 1408 e 1409; Rockwood and Wilkins 10, cap. 22)
AspectoMenor de 8 anosAdolescente
local mais comumcoluna cervicalainda cervical, mas qualquer nível
tipocompleta com mais frequênciaincompleta com mais frequência
prognósticoruimmelhor
motor do mecanismocabeça grande, frouxidão, flexão-distraçãocoluna mais madura

É diagnóstico de exclusão: radiografia, TC se indicada e RM, que mostra sinal medular anormal sem lesão da coluna; como quase todos têm algum achado na RM, o termo é considerado ultrapassado (Tachdjian, cap. 28, p. 1173; Rockwood and Wilkins, cap. 22). A imobilização é polêmica. PANG e POLLACK viram 15% de segunda SCIWORA entre 3 dias e 10 semanas e propuseram imobilizar; BRESNAN não viu déficit permanente por recorrência nem benefício do colete. O Tachdjian (p. 1174) conclui que o risco é baixo, a decisão é individual, e que, embora ainda imobilize o déficit significativo, o colete na SCIWORA de baixa energia provavelmente não se justifica.

Fechamento

Fundamento

Tudo sai de uma cadeia de raciocínio. Motor e propriocepção cruzam no bulbo (déficit do mesmo lado); dor e temperatura cruzam no nível de entrada (do outro lado); a artéria espinhal anterior irriga a frente; o centro guarda as mãos. Daí a anterior (hiperflexão, sem motor e sem dor, propriocepção poupada, pior prognóstico), a posterior (só propriocepção), a BROWN-SÉQUARD (hemissecção) e a centromedular (idoso, hiperextensão, mãos piores, a mais comum e a melhor).

Os dois choques são coisas diferentes: o neurogênico é hemodinâmico (cervical ou torácico alto, bradicardia, hipotensão, pele quente, vasopressor alfa e beta, pouco volume); o medular é reflexo (arreflexia flácida até o bulbocavernoso voltar), e durante ele não se classifica. A ASIA, filha da FRANKEL, gira em torno de S4-S5 e do grau 3. O corticoide virou opção controversa; para a lesão secundária restam pressão, oxigênio e descompressão em 24 horas.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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