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Fratura do úmero distal no adulto

Trauma adultoResumo do capítulo35 min de leitura

Duas colunas divergentes (medial 45°, lateral 20°) e a tróclea como tirante; AO 13 (A extra, B parcial, B3 capítulo e tróclea, C completa); HAHN-STEINTHAL, KOCHER-LORENZ, BRYAN e MORREY (III cominutiva) com McKEE (IV com tróclea) e DUBBERLEY; parciais articulares bimodais na mulher e unimodais no homem pelo Rockwood; olecranotomia em chevron para C3, paratricipital para A, B1, B2, C1 e C2, BRYAN-MORREY para ATC; placas paralelas ou ortogonais sem diferença clínica; ATC vinculada no idoso quando a fixação não permite movimento precoce; nervo ulnar o mais acometido; exposição posterior; pseudartrose supracondiliana.

Atualizado em 03/11/2026 · 35 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 39 · Distal Humerus Fractures, em Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025), com o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (caps. 62, 15 e 64). Autores do capítulo: George S. ATHWAL e Ryan GAO.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de trauma adulto do Rockwood adulto, capítulo 39, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado no capítulo 39 (Distal Humerus Fractures) do Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025), escrito por George S. ATHWAL e Ryan GAO, completado pela seção de fraturas do úmero distal do capítulo 62 do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição (2026), e por trechos dos capítulos 15 e 64 do mesmo Campbell. O PDF do Rockwood não tem número de página impressa; as citações dele trazem a página do PDF. As do Campbell são as impressas.

A fratura do úmero distal é multifragmentada, acontece em osso osteopênico, tem anatomia complexa e poucas opções de fixação, e o resultado costuma vir com rigidez, fraqueza e dor (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 39, PDF 1566). A prova cobra seis blocos, na ordem deste resumo: a anatomia das colunas (ângulos, tróclea como tirante, carga), a classificação (AO 13, as do capítulo e DUBBERLEY), a epidemiologia, as vias de acesso (olecranotomia, paratricipital, BRYAN-MORREY), a fixação e a artroplastia e as complicações (nervo ulnar, exposta, pseudartrose).

Uma ideia atravessa o capítulo: o cotovelo não tolera imobilização. Toda decisão (via, placa, artroplastia) é julgada pela mesma pergunta: esta escolha permite mexer o cotovelo nos primeiros dias? É essa pergunta que separa a fixação da artroplastia no idoso.

Epidemiologia e mecanismo de trauma

Cobrança confirmada · 1 questão

Quanto e em quem

Cerca de 7% das fraturas do adulto envolvem o cotovelo, um terço delas no úmero distal, que responde por cerca de 2% de todas as fraturas (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 39, PDF 1567). A distribuição é bimodal: pico entre 12 e 19 anos (homens, alta energia) e outro aos 80 anos ou mais (mulheres); no idoso, mais de 60% vêm de queda da própria altura. Na série de ROBINSON (320 pacientes), a incidência foi de 5,7 por 100.000 por ano, com homens e mulheres quase iguais; o padrão mais comum foi o extra-articular (pouco menos de 40%), seguido do bicolunar (37%). A incidência está subindo, como a do quadril e do punho (PDF 1567). No idoso, 70% caem diretamente sobre o cotovelo, sem conseguir amortecer com a mão; no jovem, a alta energia traz outras fraturas em 16%, exposição e politrauma (PDF 1568).

As parciais articulares têm epidemiologia própria

As parciais articulares (capítulo e tróclea) são um grupo à parte: pegam a superfície articular sem subir acima da fossa do olécrano (PDF 1567). Incidência de 1,5 por 100.000, com marcada predominância feminina (PDF 1568). O mecanismo é o cisalhamento coronal: o capítulo é vulnerável porque seu centro de rotação fica mais anterior em relação à diáfise, e a cabeça do rádio, empurrada na queda sobre a mão espalmada, arranca a frente dele como uma plaina.

O Rockwood separa os sexos: nas mulheres, distribuição bimodal (picos abaixo de 19 e acima de 80 anos; o excesso acima dos 60 é atribuído ao maior ângulo de carregamento e à osteoporose); nos homens, unimodal, com pico abaixo dos 19 anos e alta energia. Lesões associadas (ligamentos, cabeça do rádio) em até 20% (PDF 1568).

Epidemiologia do úmero distal (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 39, PDF 1567 e 1568)
DadoFraturas do úmero distal em geralParciais articulares (capítulo e tróclea)
FrequênciaCerca de 2% de todas as fraturas; um terço das do cotovelo1,5 por 100.000 por ano
SexoHomem e mulher quase iguais (ROBINSON)Marcada predominância feminina
IdadeBimodal: 12 a 19 anos (homens) e 80 anos ou mais (mulheres)Mulher bimodal (abaixo de 19 e acima de 80); homem unimodal (abaixo de 19)
MecanismoQueda da própria altura no idoso (mais de 60%); alta energia no jovemCisalhamento coronal; queda sobre a mão espalmada
Padrão mais comumExtra-articular (pouco menos de 40%); bicolunar 37%Isolada do capítulo é rara; da tróclea, mais rara ainda
AssociadasOutras fraturas em 16% na alta energiaLigamentos e cabeça do rádio em até 20%

Anatomia das colunas: o úmero distal como um arco atirantado

Cobrança confirmada · 2 questões

Duas colunas e um tirante

A diáfise do úmero distal tem secção triangular com ápice anterior. Ao se aproximar do cotovelo, ela se divide em duas colunas corticais divergentes, medial e lateral (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 39, PDF 1579). Os números são os mais cobrados do capítulo:

  • A coluna medial diverge cerca de 45° da diáfise no plano coronal e termina no epicôndilo medial, que não é articular.
  • A coluna lateral diverge cerca de 20° no plano coronal; no plano sagital ela se curva para a frente, formando 35 a 40° com a diáfise, e termina no capítulo (PDF 1579).

Entre as duas extremidades fica a tróclea, que é a parte medial do segmento articular, intermediária entre o capítulo e o epicôndilo medial. O conjunto funciona arquitetonicamente como um arco atirantado (PDF 1577). Pense numa ponte em arco: as duas colunas são os pilares e a tróclea é a viga que segura a distância entre eles. Se a viga quebra, os pilares se afastam; se os pilares quebram, a viga cai. Por isso a fixação precisa refazer as duas coisas ao mesmo tempo: o bloco articular e a ligação dele com cada coluna.

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 62), resume a mesma ideia na Tabela 62.9: a classificação de JUPITER e MEHNE/MATTA tem 25 tipos baseados nos conceitos de duas colunas e arco atirantado da estabilidade do cotovelo (p. 2794).

Os ângulos da superfície articular

A tróclea fica mais distal que o capítulo, dando à superfície articular um valgo de 4 a 8°; com a ulna, o ângulo de carregamento em extensão é de 10 a 17°; no plano axial, a superfície está rodada internamente 3 a 8° (Rockwood, PDF 1579). No perfil, o epicôndilo medial fica no eixo da diáfise e o lateral acompanha o capítulo para a frente (PDF 1580).

O capítulo cobre cerca de 180°, só na frente e embaixo; a face posterior da coluna lateral, sem cartilagem, é plana e larga, ideal para placa posterolateral, mas parafusos de trás para a frente podem furar a radiocapitelar (PDF 1579). A tróclea (polia, em grego) tem cartilagem num arco de quase 270° e articula com a crista central da incisura sigmoide maior. As fossas do olécrano e coronoide são separadas por septo fino, às vezes ausente; parafuso na fossa causa impacto e perda de movimento (PDF 1581).

Onde as fraturas costumam passar

O mapeamento por tomografia de WANG (102 fraturas) mostrou zonas quentes em torno das fossas, do capítulo lateral e da tróclea, e zonas frias no côndilo medial e na tróclea medial; no tipo C, a coluna medial concentra mais traços (PDF 1581).

Carga: quem recebe mais peso

O Campbell traz o número que a banca pede: com o cotovelo estendido e carga axial, cerca de 40% da carga passa pela articulação ulnoumeral e 60% pela radiocapitelar (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 15, p. 645). A face radial (capítulo) recebe mais carga em extensão. Isso ajuda a entender por que o capítulo sofre na queda com o braço estendido.

Ligamentos, nervos e vasos

O LUCL sai do ponto isométrico do epicôndilo lateral para a crista supinadora e segura o varo e a instabilidade rotatória posterolateral; a placa lateral não deve expor além do equador do capítulo. O feixe anterior do colateral medial sai da face anteroinferior do epicôndilo medial para o tubérculo sublime e é vulnerável à placa medial que contorna o epicôndilo (Rockwood, PDF 1581).

O nervo ulnar perfura o septo intermuscular medial no terço médio do braço; a arcada de STRUTHERS (70% das pessoas) fica cerca de 8 cm proximal ao epicôndilo medial; no túnel cubital o nervo passa entre epicôndilo medial, olécrano e ligamento de OSBORNE e sai entre as cabeças do flexor ulnar do carpo (PDF 1581). É o nervo mais próximo de tudo o que se faz pela via posterior. O radial perfura o septo lateral cerca de 10 cm proximal ao epicôndilo lateral e corre risco com placas laterais longas; o mediano é protegido pelo braquial (PDF 1582 a 1583). A irrigação vem de três arcadas: lateral (capítulo, cabeça do rádio, tróclea lateral), medial (epicôndilo e tróclea medial) e posterior (fossa do olécrano e região supracondiliana) (PDF 1583 a 1584).

Números da anatomia do úmero distal (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 39, PDF 1579 a 1582; Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 15, p. 645)
EstruturaValor
Coluna medial (coronal)Diverge cerca de 45° da diáfise; termina no epicôndilo medial
Coluna lateral (coronal)Diverge cerca de 20°; termina no capítulo
Coluna lateral (sagital)Curva anterior de 35 a 40°
Superfície articularValgo de 4 a 8°; rotação interna de 3 a 8°
Ângulo de carregamento10 a 17° de valgo em extensão
Arco articularCapítulo cerca de 180°; tróclea quase 270°
Carga axial em extensãoUlnoumeral cerca de 40%; radiocapitelar cerca de 60%
Arcada de STRUTHERS70% da população; cerca de 8 cm proximal ao epicôndilo medial
Nervo radialPerfura o septo lateral cerca de 10 cm proximal ao epicôndilo lateral

Avaliação clínica e imagem

Relevância clínica

A história e o exame

No idoso, que é a maioria, a história procura por que ele caiu (arritmia, doença cerebrovascular, polifarmácia, álcool) e avalia estado mental, deambulação, demanda e dominância, que pesam na escolha entre fixar e substituir (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 39, PDF 1569). As fraturas expostas são comuns e seguem o protocolo padrão. O exame neurológico precisa ser documentado antes e depois da cirurgia: GOFTON encontrou neuropatia ulnar incompleta em 26% na chegada (PDF 1569). A lesão vascular é rara; o índice Doppler braquial-braquial (normal cerca de 0,95, raramente abaixo de 0,85) é tão bom quanto a arteriografia. Na artroplastia, infecção ativa e cobertura inadequada são contraindicações absolutas, mas a ferida pequena e limpa da exposta de baixa energia não é (PDF 1569).

Imagem

AP e perfil costumam bastar; radiografia dentro do gesso esconde o traço; incidências em tração ajudam. A tomografia com 3D é recomendada para planejar uma via menos invasiva, decidir entre fixar e substituir no idoso e confirmar a fragmentação antes da hemiartroplastia (PDF 1569 a 1570); ela mostra a fratura coronal do capítulo ou da tróclea, o traço baixo e o fragmento troclear livre (PDF 1587).

Classificação AO 13 e as outras classificações das colunas

Cobrança confirmada · 2 questões

O que é fratura do úmero distal

MÜLLER definiu em 1990 que a fratura do úmero distal é aquela cujo epicentro fica dentro de um quadrado cuja base é a distância entre os epicôndilos na radiografia AP (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 39, PDF 1570). A definição é geométrica e evita discussão: se o centro do traço está dentro desse quadrado, é úmero distal; acima, é diáfise.

AO/OTA

A AO/OTA atribui ao úmero distal os dígitos 13 e divide pela localização e pelo envolvimento articular (PDF 1570):

  • Tipo A, extra-articular: epicôndilos ou metáfise; um quarto das fraturas (PDF 1570).
  • Tipo B, parcial articular: há continuidade entre a diáfise e parte do segmento articular. A coluna lateral é B1 e a medial B2 (juntas, cerca de 15%); as fraturas de cisalhamento do capítulo, da tróclea ou de ambos são B3, subdivididas em capitelares (B3.1), trocleares (B3.2) e combinadas (B3.3) (PDF 1574, 1577, 1588 e 1611 a 1613).
  • Tipo C, articular completa: sem continuidade; C1 simples, C2 articular simples com metáfise fragmentada, C3 articular e metafisária fragmentadas (PDF 1574 a 1575).

O Campbell lembra que a AO define 61 tipos e subtipos no úmero distal (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 62, p. 2794). Os subgrupos finos do tipo A estão na figura 39-3 do Rockwood, que é imagem; o texto não os descreve. A AO não considera a altura do fragmento distal nem o desvio e ajuda pouco a escolher entre fixar e substituir, mas os autores a preferem por ser intuitiva e oficial (PDF 1575).

MILCH nas fraturas de uma coluna

As fraturas de uma coluna também podem ser classificadas por MILCH, que olha se a crista lateral da tróclea continua presa à diáfise. No tipo I, a coluna (medial ou lateral) fratura, mas a crista lateral da tróclea fica com a diáfise; no tipo II, a crista lateral da tróclea vai junto com o fragmento da coluna (PDF 1574). O Rockwood descreve ainda a fratura unicolunar "divergente" do jovem com abertura septal na fossa do olécrano: a carga axial empurra o olécrano contra a tróclea, a tróclea racha e o traço sobe entre as colunas até sair medial ou lateralmente (PDF 1574).

MEHNE e MATTA

MEHNE e MATTA partem do modelo de JUPITER e dividem em intra-articular (bicolunar, unicolunar, articular), extra-articular intracapsular (transcolunares alta e baixa) e extracapsular (epicôndilos) (PDF 1575). O Campbell lista os padrões bicolunares pelo desenho do traço: T alto ou baixo, Y, H, lambda medial e lateral (p. 2794).

Classificação AO/OTA 13 (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 39, PDF 1570 a 1575 e 1611 a 1613)
TipoDefiniçãoExemplos no capítulo
13AExtra-articular: epicôndilos ou metáfiseA2 e A3 transcolunares; um quarto das fraturas
13B1Parcial articular, coluna lateralVia de KOCHER estendida
13B2Parcial articular, coluna medialVia de HOTCHKISS estendida
13B3Parcial articular de cisalhamento (plano frontal)B3.1 capítulo com ou sem crista lateral da tróclea; B3.2 tróclea; B3.3 capítulo e tróclea
13C1Articular completa, articular e metafisária simplesParatricipital possível
13C2Articular simples, metáfise fragmentadaParatricipital possível
13C3Articular e metafisária fragmentadasOlecranotomia; ATC no idoso irreparável

Capítulo e tróclea: as classificações das fraturas de cisalhamento

Cobrança confirmada · 4 questões

Da história ao tipo IV

As fraturas do capítulo têm nomes de pessoas, e a prova adora esses nomes (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 39, PDF 1577 a 1578):

  • Tipo I, HAHN-STEINTHAL: HAHN descreveu em 1853 e STEINTHAL em 1898. O fragmento leva a superfície articular do capítulo com uma boa porção do osso subcondral. É o fragmento grande, que aceita parafuso.
  • Tipo II, KOCHER-LORENZ: raro; leva a cartilagem do capítulo com uma fina casca de osso subcondral. É quase uma lesão osteocondral, difícil de fixar.
  • Tipo III: acrescentado por BRYAN e MORREY, que modificaram a classificação; é a fratura cominutiva do capítulo.
  • Tipo IV: acrescentado por McKEE; é uma fratura tipo I com extensão medial que inclui a metade lateral da tróclea.

O tipo IV existe porque, olhando com cuidado, muitas fraturas "do capítulo" carregam junto um pedaço da tróclea, e isso muda a via e a fixação. É o fragmento que, no perfil, desenha dois arcos sobrepostos (o do capítulo e o da tróclea); a prova chama esse desenho de sinal do duplo crescente ou do duplo arco.

Fraturas do capítulo: BRYAN e MORREY com modificação de McKEE (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 39, PDF 1577 a 1578 e 1611)
TipoNomeO que o fragmento levaImplicação no tratamento
IHAHN-STEINTHALCartilagem do capítulo com grande parte do osso subcondralFixação com parafusos (anteroposteriores escareados ou posteroanteriores)
IIKOCHER-LORENZCartilagem com fina camada de osso subcondralFixação difícil: pinos absorvíveis, excisão, enxerto osteocondral, artroplastia do capítulo
IIIBRYAN e MORREYCapítulo cominutivoCominuição exige fixação suplementar ou outras soluções
IVModificação de McKEETipo I com extensão medial à metade lateral da trócleaExposição maior da tróclea; fixação rígida

RING: um espectro, não fraturas isoladas

RING estudou as fraturas de cisalhamento articular e percebeu que a fratura que parece isolada do capítulo na radiografia pode ser muito mais complexa na tomografia. Ele descreveu cinco padrões de complexidade crescente (PDF 1577 a 1579): tipo I, capítulo e parte lateral da tróclea (o antigo tipo IV); tipo II, o tipo I mais fratura do epicôndilo lateral; tipo III, o tipo II mais cominuição posterior ao capítulo com impactação; tipo IV, o tipo III mais fratura da tróclea posterior; tipo V, o tipo IV mais fratura do epicôndilo medial.

DUBBERLEY: a que prevê o resultado

DUBBERLEY (2006) criou uma classificação correlacionada ao resultado clínico (PDF 1578): tipo I, principalmente o capítulo, com ou sem a crista lateral da tróclea; tipo II, capítulo e maior parte da tróclea em um só fragmento; tipo III, capítulo e tróclea separados; modificador B quando há cominuição da coluna posterolateral (A quando não há). Quanto mais complexa, pior o resultado; numa série de 45 pacientes, o tipo B teve resultados piores e mais complicações (PDF 1578 e 1617).

DUBBERLEY e RING (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 39, PDF 1578 a 1579)
ClassificaçãoTipoDescrição
DUBBERLEYICapítulo, com ou sem crista lateral da tróclea
DUBBERLEYIICapítulo e maior parte da tróclea em um fragmento
DUBBERLEYIIICapítulo e tróclea separados
DUBBERLEYA ou BSem ou com cominuição posterolateral (B pior)
RINGICapítulo e tróclea lateral
RINGIII mais epicôndilo lateral
RINGIIIII mais cominuição e impactação posterior
RINGIVIII mais tróclea posterior
RINGVIV mais epicôndilo medial

Tratamento não operatório e o momento da cirurgia

Fundamento

Quando não operar

No jovem, o conservador é raro e fica para o clinicamente inapto; a fratura sem desvio pode ter uma tentativa com radiografias semanais por 3 a 4 semanas; e o idoso com fratura irreparável e partes moles que impedem a artroplastia pode esperar (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 39, PDF 1584). O Campbell é direto: a maioria das fraturas do úmero distal do adulto é operada; o "saco de ossos" serve ao idoso de baixa demanda com comorbidades, e idade e osteoporose não impedem bom resultado com RAFI (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 62, p. 2794).

As técnicas e o que elas mostraram

O colar e punho (saco de ossos) foi descrito por EASTWOOD em 1937: cotovelo entre 90 e 120° de flexão, gravidade reduzindo por ligamentotaxia, movimento a partir de 2 semanas; a tração transolecraniana é histórica (Rockwood, PDF 1586). RISEBOROUGH e RADIN (1969) encontraram melhor arco sem cirurgia porque as fixações da época falhavam; a virada veio com os princípios da AO. Hoje, DESLOGES mostrou 68% de bons resultados e 81% de consolidação em idosos de baixa demanda; no paciente ativo, o conservador foi abandonado (PDF 1566 e 1586). No capítulo desviado, a redução fechada usa extensão e supinação; depois se flete para a cabeça do rádio capturar o fragmento (PDF 1586).

Quando operar

O paciente estável com partes moles boas é operado em 48 a 72 horas, o que pode reduzir ossificação heterotópica e rigidez; com partes moles ruins, espera-se (fixador externo se a espera for longa), mas a cirurgia deve acontecer em 2 a 3 semanas (PDF 1586). As indicações de RAFI são as B e C desviadas e as A2 e A3 desviadas ou anguladas; as contraindicações, o inapto e o idoso com osteopenia, cominuição e fragmentação articular (PDF 1586 a 1587). Se não houver estabilidade para mover cedo, a reconstrução articular e o alinhamento vêm primeiro: cotovelo rígido e consolidado se libera depois; pseudartrose articular é quase insalvável (PDF 1587).

Na transcolunar do adulto, os fios cruzados da criança não são recomendados (semirrígidos, exigem tala por 6 semanas, não seguram osso osteopênico); faz-se RAFI bicolunar pela paratricipital, sem osteotomia. Na transcolunar baixa, sobra pouco osso distal: numa série de 14, 86% consolidaram, mas retardo ou pseudartrose e reoperação chegaram a 29% (PDF 1587).

Vias de acesso e olecranotomia

Cobrança confirmada · 1 questão

A regra de ouro da via

A via certa mostra o suficiente para reduzir e fixar e permite mudar de plano (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 39, PDF 1588): a paratricipital aberta para uma C1 ou C2 pode virar olecranotomia; e a olecranotomia não deve ser a via de entrada do idoso com fratura muito cominutiva, porque, se a fratura for irreparável, o olécrano cortado complica a ATC. As vias posteriores são de três famílias: olecranotomia, paratricipital (tríceps preservado) e com desinserção do tríceps (divisão, reflexão, língua) (PDF 1591). A incisão posterior longitudinal dá acesso medial e lateral com menor risco de lesão de nervo cutâneo (PDF 1591).

Olecranotomia

Descrita por MacAUSLAND, a osteotomia do olécrano dá a melhor visualização da superfície articular (PDF 1592): 58% da articulação, contra cerca de um terço na língua do tríceps (PDF 1599). Desvantagens: pseudartrose, consolidação viciosa e irritação pelo implante. É a via do tipo C, sobretudo do C3, e da B cominutiva; uma fratura do olécrano associada vira a osteotomia. Contraindicações relativas: fraturas articulares muito anteriores (B3) e ATC planejada (PDF 1592).

Técnica: identificar a área nua entre as facetas do olécrano e do coronoide; chevron com ápice distal entrando nela; serra em dois terços e osteótomos em alavanca no terço final. O chevron dá estabilidade rotacional, mais superfície de consolidação e protege as inserções dos colaterais; a transversa é mais simples e rápida (PDF 1593 a 1594). A fixação preferida dos autores é a placa de compressão, moldada e pré-fixada antes do corte; o parafuso intramedular pode desviar pelo arco em varo da ulna (PDF 1594). O Campbell descreve o mesmo chevron e alerta que abrir à força com o osteótomo cria um retalho de cartilagem (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 62, p. 2799).

Paratricipital (tríceps preservado)

Descrita por ALONSO-LLAMES (1972) para a supracondiliana da criança, abre janelas medial e lateral ao tríceps sem soltar sua inserção; mostra as colunas, a fossa do olécrano e a tróclea posterior, e uma terceira janela no intervalo de BOYD melhora a visão articular (Rockwood, PDF 1594). Vantagens: sem osteotomia, extensão ativa precoce, ancôneo preservado, conversível em olecranotomia ou estendida pela via de GERWIN (95% da diáfise posterior). Desvantagem: visão articular limitada, inadequada para C3. Indicações: A2, A3, B1, B2 e talvez C1 e C2; é a preferida para ATC direta (PDF 1594 a 1595). A paraolecraniana lateral de STUDER usa o intervalo de BOYD distalmente e mostra melhor a articulação, com as mesmas indicações (PDF 1595 a 1598).

Vias que soltam o tríceps

  • Divisão do tríceps (CAMPBELL): corte mediano, reinserção transóssea; simples e de conversão fácil para ATC; visão limitada; McKEE não achou diferença de força extensora em relação à osteotomia (PDF 1598 a 1599).
  • TRAP: solta o tríceps com o ancôneo pelo intervalo de KOCHER; boa exposição, mas risco de deiscência do tríceps (PDF 1599).
  • VAN GORDER (língua do tríceps): corte em V na junção musculotendínea, permite V-Y; mais usada na ATC; na RAFI, indicada quando há laceração completa ou parcial alta do tríceps; WEBER achou neurite ulnar de 33% na osteotomia contra 0% na língua (PDF 1599).

BRYAN-MORREY: a via da artroplastia

A BRYAN-MORREY foi chamada de "poupadora do tríceps", nome que confunde: ela solta o tendão em continuidade com o periósteo da ulna e o ancôneo, como uma manga refletida de medial para lateral, com reparo transósseo (Rockwood, PDF 1622). Sua vantagem, que a torna clássica na ATC, é a melhor visão da ulna proximal para o componente ulnar. O Campbell põe a divisão e a reflexão do tríceps entre as vias para RAFI ou substituição total (Campbell, cap. 62, p. 2795).

Vias laterais, mediais e anterior

Laterais, para capítulo e cabeça do rádio (Rockwood, PDF 1599 a 1601): KOCHER (extensor ulnar do carpo e ancôneo; artrotomia anterior ao LUCL; pronação afasta o interósseo posterior), KAPLAN (extensor radial longo e extensor comum) e divisão do extensor comum no equador da radiocapitelar. Medial: HOTCHKISS ("over-the-top"), que transpõe o ulnar e não disseca logo abaixo do epicôndilo para não lesar o feixe anterior do colateral medial (PDF 1602). A B1 vai pelo KOCHER estendido e a B2 pela HOTCHKISS estendida (PDF 1588). A via anterior limitada serve às fraturas coronais do capítulo e da tróclea com parafusos de frente para trás (PDF 1602).

Vias posteriores do úmero distal (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 39, PDF 1592 a 1599 e 1622; Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 62, p. 2795)
ViaTrícepsVisão articularIndicação típicaProblema principal
Olecranotomia em chevronFica no fragmentoA melhor (58% da articulação)C3; B cominutiva; olécrano já fraturadoPseudartrose, implante sintomático; ruim se ATC planejada
ParatricipitalIntactoLimitadaA2, A3, B1, B2, talvez C1 e C2; ATC diretaInadequada para C3
Paraolecraniana lateralQuase todo intactoMelhor que a paratricipitalMesmas; fratura de reparabilidade incertaMesmas da paratricipital
Divisão do tríceps (CAMPBELL)Dividido e reinseridoLimitadaRAFI com ATC como saídaProteger o reparo
TRAPSolto com ancôneoBoaRAFIDeiscência do tríceps
VAN GORDER (língua)Cortado em VCerca de um terçoATC; RAFI com tríceps laceradoMesmos riscos da TRAP
BRYAN-MORREYSolto em manga com periósteo ulnar e ancôneo, medial para lateralBoa, ulna proximalATCReparo transósseo; insuficiência do tríceps

Técnica de fixação: placas paralelas e ortogonais

Fundamento

O passo a passo da reconstrução

O roteiro do Rockwood para A e C (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 39, PDF 1603 a 1604): nervo ulnar preparado para transposição; preservar as origens tendíneas e ligamentares nos epicôndilos; fios de KIRSCHNER como joysticks e pinça para montar o bloco articular; um ou dois parafusos no eixo capítulo-tróclea ou parafusos pelas placas; fios longitudinais prendendo o bloco à diáfise; placas com o máximo de parafusos longos no segmento articular; primeiros parafusos diafisários excêntricos para comprimir o nível supracondiliano; placas terminando em alturas diferentes; testar o movimento.

Detalhe muito cobrado: comprimir, sim, mas não à custa de estreitar a tróclea. Com cominuição central, usa-se parafuso posicional (totalmente rosqueado, sem sobreperfuração) (PDF 1604). O Campbell concorda: o parafuso de compressão com perda óssea estreita a tróclea e estraga a congruência com a incisura sigmoide (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 62, p. 2798).

Ortogonal, paralela ou tripla

A ortogonal (90-90, popularizada pela AO) põe uma placa posterolateral o mais distal possível (sem passar da cartilagem posterior do capítulo, ou a cabeça do rádio bate nela) e outra medial contornando o epicôndilo (PDF 1608 a 1609). A paralela põe as duas nas cristas supracondilianas medial e lateral, com parafusos longos atravessando o bloco e engatando fragmentos presos à coluna oposta (PDF 1609). A tripla entra quando falta rigidez (PDF 1609).

Não há superioridade clínica demonstrada entre ortogonal e paralela (PDF 1606 e 1614). Os autores do Rockwood preferem a paralela; na bancada há estudos para os dois lados, e no de CARAVAGGI a paralela bloqueada teve maior rigidez axial e resistência, com as bloqueadas superando as não bloqueadas (PDF 1614). O que não se discute: a placa um terço tubular é fraca, quebra, e só pode ser a terceira placa (PDF 1614); a figura 39-43, de pseudartrose, mostra exatamente uma um terço tubular medial revisada com placas paralelas pré-moldadas (PDF 1636). As bloqueadas e pré-moldadas não têm vantagem clínica provada (PDF 1610).

O Campbell tem outro tom: o padrão é a ortogonal (90-90), mas a placa medial e lateral direta (paralela) é biomecanicamente vantajosa, com maior rigidez axial, e as bloqueadas de ângulo variável são hoje o padrão (Campbell, p. 2797 a 2798). Os dois livros concordam que as duas montagens são aceitáveis.

Os princípios de SANCHEZ-SOTELO e O'DRISCOLL

O Campbell adota os objetivos de SANCHEZ-SOTELO, TORCHIA e O'DRISCOLL (Box 62.5, p. 2798): todo parafuso passa por uma placa e engata um fragmento do lado oposto também preso a placa; o máximo de parafusos distais, longos, pegando o máximo de fragmentos; compressão supracondiliana nas duas colunas; placas fortes o bastante para não quebrar antes da consolidação.

Placas no úmero distal (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 39, PDF 1606 a 1614; Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 62, p. 2797 a 2798)
ConfiguraçãoComo ficaO que os livros dizem
Ortogonal (90-90)Posterolateral distal e medial contornando o epicôndiloPadrão AO e do Campbell; mais rigidez sagital em alguns estudos; mais ossificação heterotópica que a paralela (FORURIA)
Paralela (180°)Medial e lateral nas cristas supracondilianasPreferida pelos autores do Rockwood; maior rigidez axial e resistência na bancada; placa lateral pode incomodar
TriplaDuas principais mais uma suplementarQuando falta rigidez; ajuda nas fraturas coronais
Um terço tubularPlaca finaInsuficiente; quebra; só como terceira placa
BloqueadaÂngulo fixo ou variávelMelhor na bancada e no osso fraco; sem vantagem clínica provada

Uma coluna só

Nas fraturas B1 e B2, os mesmos princípios valem. Elas podem ser fixadas com múltiplos parafusos ou com placa na coluna, que funciona como antideslizante no traço proximal entre a coluna e a diáfise; os autores do Rockwood preferem a placa (Rockwood, PDF 1611 e 1633). O Campbell diz que as fraturas de coluna lateral ou medial (tipo B) em geral se reduzem por via direta e se fixam com placa de suporte simples (Campbell, p. 2794).

Pós-operatório

Rockwood: tala anterior em extensão, cotovelo mexendo entre o 2º e o 7º dia, extensão passiva só se o extensor foi desinserido, fortalecimento com 12 semanas (PDF 1614). Campbell: movimento no primeiro dia, braço sobre o rosto, carga por volta de 10 semanas (p. 2800).

Resultados da fixação

Com redução anatômica, placas nas duas colunas e fixação rígida para movimento precoce, os resultados são bons: a média dos estudos de 2002 a 2022 dá 86% de bons e excelentes em 46 meses, e o resultado se mantém em 12 a 30 anos. Perde-se algum arco, mas o arco funcional (de 3 a 130°) costuma ser alcançado. Na série de GOFTON (placas ortogonais em tipo C), DASH médio de 12, perto do normal; McKEE encontrou força do cotovelo em cerca de 75% do normal (Rockwood, PDF 1617).

Capítulo e tróclea: tratamento e complicações

Cobrança confirmada · 2 questões

Fixar o capítulo

Na B3.1, a via profunda é o intervalo de KOCHER, com artrotomia anterior ao LUCL (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 39, PDF 1611). O fragmento, desviado para a frente, reduz com extensão, supinação e leve varo e se fixa com parafusos escareados de frente para trás ou retrógrados de trás para a frente, que são mais estáveis e não violam a cartilagem. Cominuição posterior (RING III, DUBBERLEY B) pede desimpactação, enxerto e placa posterolateral; o epicôndilo lateral fraturado (RING II) vira osteotomia natural. A KOCHER-LORENZ é difícil de fixar: pinos absorvíveis, excisão, enxerto osteocondral ou artroplastia do capítulo (PDF 1611). A B3.3 exige expor a tróclea (abrir em dobradiça sobre o colateral medial, via medial associada, via anterior ou osteotomia); a tróclea isolada (B3.2) é rara e vai para RAFI (PDF 1611 a 1613).

Resultados e complicações

A RAFI do capítulo com ou sem a crista lateral da tróclea dá resultados previsivelmente bons, que pioram com a complexidade e com a cominuição posterior (Rockwood, PDF 1617); a série da via anterior consolidou sem osteonecrose (PDF 1602).

O Rockwood não ranqueia as complicações da fratura do capítulo. Para o úmero distal em geral, lista consolidação viciosa, pseudartrose, contratura (rigidez), necrose avascular e ossificação heterotópica (PDF 1566 a 1567); o Campbell (Box 62.6) lista rigidez (se imobilizado mais de 2 a 3 semanas), neuropatia ulnar, artrose, osteonecrose, implante sintomático e ferida (Campbell, p. 2799). O raciocínio: a perda de movimento é a queixa mais universal de qualquer fratura articular do cotovelo; a osteonecrose é o risco próprio do fragmento solto, que perde a irrigação da arcada lateral.

Artroplastia total do cotovelo e hemiartroplastia no idoso

Cobrança confirmada · 2 questões

Por que substituir

A RAFI é o padrão-ouro, mas pode não ser possível no idoso com osteopenia, cominuição e fragmentação articular, ou em quem já tem doença do cotovelo, como artrite reumatoide. Nesses casos, se a fixação rígida não permite movimento precoce, a imobilização prolongada que se segue leva a mau resultado; a ATC é uma opção confiável, com bons resultados (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 39, PDF 1617). O raciocínio que a prova testa é exatamente este: a ATC não entra por causa da idade em si; entra porque não se consegue estabilidade para mexer cedo.

As indicações de ATC no Rockwood: idoso com osteopenia, cominuição e fragmentação articular; artrite reumatoide ou outra doença prévia do cotovelo. As contraindicações: jovem ativo de alta demanda (a mais importante contraindicação relativa), infecção ativa e cobertura insuficiente de partes moles (estas duas absolutas) (PDF 1617 e 1619). A fratura exposta grau I de baixa energia no idoso, geralmente uma punção limpa, não é contraindicação absoluta; se houve demora ou a ferida está suja, faz-se primeiro o desbridamento e depois a artroplastia (PDF 1619).

A cirurgia

As vias posteriores são as preferidas; a ATC pela olecranotomia é possível, mas não encorajada (fixação ulnar e consolidação) (Rockwood, PDF 1622). Os autores usam a paraolecraniana lateral para a ATC direta e a divisão do tríceps quando tentam uma RAFI completa com a ATC como saída. Prefere-se o implante vinculado; o não vinculado exige fixar as colunas para tensionar os colaterais (PDF 1624 a 1625). McKEE mostrou que ressecar os côndilos não altera força nem função (PDF 1624). Alinhamento: componente umeral rodado internamente cerca de 14° em relação à cortical posterior; eixo ulnar bissectando a cabeça do rádio; cimento com antibiótico; enxerto sob a flange anterior (PDF 1623 a 1624).

O que os estudos mostraram

A maioria usou o COONRAD-MORREY, vinculado e semiconstrito (PDF 1625). McKEE fez o único ensaio randomizado RAFI contra ATC em idosos com fratura cominutiva: 5 dos 21 da RAFI foram convertidos na mesa; aos 2 anos o MEPS foi melhor na ATC, DASH igual, reoperação 12% contra 27% sem significância; DEHGHAN, aos 12,5 anos, confirmou a ATC como confiável. Mas BAIK (acima de 65 anos) achou RAFI melhor, e LOPIZ (acima de 75) achou 60% de reoperação da ATC aos 72 meses; CELLI mostrou que fixar os côndilos aumenta a sobrevida; o sexo masculino foi o principal fator de revisão (BARCO) (PDF 1625).

O Campbell resume: a artroplastia teve melhor resultado funcional que a RAFI aos 2 anos, com tendência não significativa a mais reoperações após RAFI, e o tratamento deve ser individualizado (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 62, p. 2794); o preço é a restrição vitalícia de levantar 0,9 kg repetidamente ou 4,5 kg de uma vez (cap. 64, p. 2933).

Hemiartroplastia

A hemiartroplastia substitui só a tróclea e o capítulo; a vantagem teórica é não ter polietileno (sem desgaste e osteólise) (Rockwood, PDF 1619 e 1627). Exige colunas reconstrutíveis, colaterais íntegros ou reparáveis, cabeça do rádio e coronoide íntegros; sem isso, ATC vinculada (PDF 1628). Reoperação de 17% na revisão de PIGGOTT; a metanálise de BURDEN favoreceu a hemi no DASH, com evidência fraca (PDF 1630 a 1632).

Fixar, substituir ou hemi (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 39, PDF 1586 a 1587, 1617 a 1619, 1628 e 1633)
OpçãoPara quemContraindicações
RAFI com duas placasPadrão-ouro; jovem; B e C desviadas; A2 e A3Clinicamente inapto; idoso com osteopenia, cominuição e fragmentação articular
ATC vinculadaIdoso osteopênico com fratura irreparável; artrite reumatoide; fixação que não permite movimento precoceJovem ativo de alta demanda; infecção ativa; partes moles insuficientes
HemiartroplastiaCominuição articular com colunas reconstrutíveis, colaterais, cabeça do rádio e coronoide íntegrosColunas ou colaterais deficientes; cabeça do rádio ou coronoide não fixáveis
Saco de ossosIdoso de baixa demanda e clinicamente inaptoPaciente ativo

Nervo ulnar: o nervo do úmero distal

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Por que o ulnar

O Rockwood é categórico: o nervo ulnar é o mais comumente acometido nas fraturas do úmero distal (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 39, PDF 1638). Ele passa colado à coluna medial, atrás do epicôndilo, e pode ser lesado na fratura (impacto ou tração; 26% na chegada segundo GOFTON), na cirurgia (tração, manipulação, isquemia) e no pós-operatório (dobra, cicatriz, atrito com o implante) (PDF 1569 e 1638). Por isso é também a complicação neurológica mais comum do tratamento cirúrgico: 62% de alteração na eletroneuromiografia em 6 semanas no ensaio randomizado, 16% clínicos em WIGGERS (mais nas colunares), 33% após olecranotomia em WEBER, e na ATC por trauma persistente em até 28% (PDF 1593, 1599, 1638 e 1639). O Campbell também a lista no Box 62.6 (p. 2799). O prognóstico com nervo íntegro é bom, mas sem volta completa ao normal (PDF 1638).

Transpor ou não transpor

A transposição é controversa (Rockwood, PDF 1593 e 1638): WIGGERS achou a neuropatia independente da transposição; CHEN achou quase quatro vezes mais neuropatia com transposição e recomendou não transpor; o único ensaio nível 1 (in situ contra transposição anterior após placas bicolunares) mostrou resultados equivalentes, e qualquer estratégia é aceitável. O Campbell cita o mesmo estudo canadense (p. 2796). Os autores do Rockwood transpõem em todos, por preferência.

A regra sem controvérsia: com neuropatia pré-operatória, o nervo deve ser explorado, descomprimido e examinado com lupa; lacerado, reparo microcirúrgico; íntegro, neurólise completa (PDF 1638). Neuropatia nova num nervo transposto é observada (PDF 1638).

Fratura exposta, pseudartrose e as outras complicações

Cobrança confirmada · 2 questões

Fratura exposta

Cerca de 7% das fraturas do úmero distal são expostas (GUSTILO e ANDERSON) (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 39, PDF 1634). O dado de prova: a maioria das feridas puntiformes grau I fica na face posterior ou posterolateral do cotovelo, com laceração do tríceps associada. A ponta do fragmento diafisário perfura o tríceps e a pele posterior; por isso, na fratura articular com tríceps lacerado, preferem-se a língua de VAN GORDER ou a divisão do tríceps, que evitam lesar o extensor uma segunda vez com a osteotomia (PDF 1634). Grandes fragmentos articulares, mesmo expostos, são limpos e preservados sempre que possível. Na série de McKEE (26 expostas), infecção de 11% e retardo de 15% (PDF 1634).

Pseudartrose

A pseudartrose ocorre em cerca de 6% (0 a 25%) com duas placas, no nível supracondiliano, raramente intra-articular, quase sempre por fixação inadequada; fatores de risco: tipo baixo, cominuição e osteopenia (Rockwood, PDF 1634). O bloco articular é esponjoso e bem irrigado; o nível supracondiliano é estreito, cortical e sofre grandes momentos de flexão, e é ali que a placa fraca falha. O Campbell concorda: a fixação inicial ruim é a principal causa da pseudartrose supracondiliana, e a que se estende à tróclea vai pior (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 64, p. 2933). A revisão usa olecranotomia, fixação bicolunar rígida, enxerto autólogo, capsulectomia e neurólise do ulnar, com consolidação acima de 90%; sem chance de fixar, ATC (Rockwood, PDF 1637).

Rigidez e ossificação heterotópica

Fatores de risco: traumatismo craniano, politrauma, lesão grave de partes moles, atraso cirúrgico, imobilização prolongada e exposição; a ossificação também se associou à placa perpendicular (mais que à paralela) e ao enxerto (Rockwood, PDF 1637). Incidência de 0 a 49% (FORURIA, 42%). MORREY divide a contratura em intrínseca, extrínseca e mista; a profilaxia de alto risco é indometacina e/ou radioterapia; a ressecção espera a ossificação corticalizar (PDF 1637).

Classificação de HASTINGS e GRAHAM da ossificação heterotópica (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 39, PDF 1637)
ClasseSubtipoDescrição
IOssificação radiográfica sem limitação funcional
IIALimitação da flexoextensão
IIBLimitação da pronossupinação
IICLimitação nos dois planos
IIIAnquilose óssea do cotovelo ou do antebraço

Infecção, olecranotomia e ATC

Infecção profunda após RAFI de 0 a 10% (Rockwood, PDF 1638). Complicações da olecranotomia de 0 a 31%, pseudartrose ou retardo em até 10%; em 129 chevrons recentes não houve pseudartrose, mas 14% retiraram o material por irritação (PDF 1638). Na ATC: infecção profunda de 2 a 5%, neuropatia ulnar, insuficiência do tríceps em até 11% com vias que o soltam, instabilidade dos não vinculados, desgaste e osteólise, fadiga do metal e fratura periprotética (PDF 1638 a 1639). O Campbell estima que um em cada oito operados precisa de segunda cirurgia (p. 2798).

Taxas de complicação (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 39, PDF 1569, 1593, 1634 a 1639; Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 62, p. 2798)
ComplicaçãoTaxa
Neuropatia ulnar na apresentação26% (GOFTON)
Neuropatia ulnar pós-operatória16% (WIGGERS); 62% na eletroneuromiografia em 6 semanas
Pseudartrose com duas placasCerca de 6% (0 a 25%), supracondiliana
Ossificação heterotópica0 a 49%; 42% (FORURIA)
Infecção profunda após RAFI0 a 10%
Complicações da olecranotomia0 a 31%; pseudartrose ou retardo até 10%
Infecção profunda na ATC2 a 5%
Neuropatia ulnar após ATCPersistente até 28%; permanente até 10%
Insuficiência do tríceps na ATCAté 11% com vias que o desinserem
Segunda cirurgia após RAFIUm em cada oito (Campbell)

Perda óssea articular e perda metafisária

Perda metafisária: encurtamento supracondiliano com recriação das fossas, ponte com enxerto ou MASQUELET (Rockwood, PDF 1609); perda articular no jovem: aloenxerto osteocondral (PDF 1634).

Fechamento

Fundamento

O úmero distal é um arco atirantado: duas colunas divergentes (a medial a cerca de 45°, a lateral a cerca de 20°) seguram a tróclea, e o tratamento só funciona quando refaz o bloco articular e o prende às duas colunas com rigidez suficiente para o cotovelo mexer nos primeiros dias. A AO 13 separa extra-articular (A), parcial articular (B, com B3 para o cisalhamento do capítulo e da tróclea) e articular completa (C). No capítulo, HAHN-STEINTHAL leva osso, KOCHER-LORENZ é uma casca, BRYAN e MORREY acrescentaram a cominutiva e McKEE a que leva a tróclea; DUBBERLEY mostra que o resultado piora com a complexidade e com a cominuição posterior.

A olecranotomia em chevron dá a melhor visão e serve à C3; a paratricipital preserva o tríceps e serve às fraturas mais simples e à artroplastia; a BRYAN-MORREY é a via clássica da ATC. Placas paralelas e ortogonais são aceitáveis; a um terço tubular, não. No idoso osteopênico com fratura que não aceita fixação rígida, a ATC vinculada é confiável. O ulnar é o nervo que mais sofre, a transposição é controversa, a exposta é posterior e a pseudartrose é supracondiliana.

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