Orto Questões

Luxação acromioclavicular

Trauma adultoResumo do capítulo39 min de leitura

AC seguram o plano horizontal e coracoclaviculares o vertical (conoide contra o desvio anterior e a subida; trapezoide contra o posterior); CC normal de 11 a 13 mm; ZANCA 10 a 15 graus cefálicos, axilar no tipo IV, STRYKER na base do coracoide (variante do III com CC íntegros); ROCKWOOD I a VI (III 25 a 100%, V 100 a 300%); I e II conservadores, III controverso, IV a VI cirúrgicos; WEAVER-DUNN com até 30% de recidiva anteroposterior; MAZZOCCA com túneis a 45 e cerca de 30 mm; esternoclavicular anterior mais comum, serendipity 40 graus cefálicos no esterno, bipolar com SC anterior e AC posterior.

Atualizado em 03/11/2026 · 39 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 32 · Acromioclavicular and Sternoclavicular Joint Injuries, em Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025). Autores do capítulo: Jonah Hebert-Davies, Jhase Sniderman e Aaron Nauth.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de trauma adulto do Rockwood adulto, capítulo 32, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

Ler no leitor do Orto QuestõesCriar conta grátis

No leitor: marcações, notas e as questões no meio do texto, que abrem sem perder o lugar da leitura.

Como ler este capítulo

Fundamento

A acromioclavicular (AC) é a junta que pendura o membro superior na clavícula. Quando ela se rompe, a clavícula quase não sobe: é o ombro que cai. Esse é o fio de todo o capítulo 32 do Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., que trata, no mesmo texto, da AC e da esternoclavicular (SC), as duas pontas da clavícula. A AC é a lesão comum do atleta jovem; a SC é rara, mas a forma posterior pode matar.

As provas de título (TARO, TECOC, SBOT-SP) cobram quatro blocos, nesta ordem: anatomia fina e biomecânica (quem segura a clavícula em cada direção); imagem e classificação (a incidência certa para cada pergunta e os seis tipos de ROCKWOOD); tratamento e técnicas com seus números (BOSWORTH, WEAVER-DUNN, placa gancho, MAZZOCCA); e a esternoclavicular.

Ao lado do Rockwood, entram o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 65 e 66), com a técnica de MAZZOCCA e a visão da clínica Campbell, e o Sizínio Hebert, Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed. (cap. 43), em português. Este resumo conversa com os resumos de fratura da clavícula (capítulo 34) e da escápula (capítulo 33): a fratura do terço distal com a classificação de NEER fica no resumo da clavícula.

A articulação acromioclavicular e seus ligamentos

Cobrança confirmada · 4 questões

A junta

Pelo Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 32, seção Anatomy of the Acromioclavicular Joint), a AC é uma diartrose entre a margem medial do acrômio e a extremidade lateral da clavícula, com um disco fibrocartilaginoso de tamanho e forma muito variáveis. Vista de frente, a interlinha pode ser quase vertical ou inclinada para baixo e medialmente, com a clavícula montando sobre o acrômio num ângulo de até 50 graus; também existe o tipo em que a faceta da clavícula fica por baixo do acrômio. Em cerca de 50% das pessoas a superfície da clavícula sobrepõe a do acrômio, e as superfícies são incongruentes. Por isso uma radiografia "estranha" da AC nem sempre é lesão: a variação anatômica é a regra.

O disco existe em dois tipos, completo e parcial (meniscoide), e degenera com a idade até deixar de funcionar depois da quarta década. O Sizínio Hebert, Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed. (cap. 43), repete o mesmo: disco completo ou parcial, que perde a função após os 40 anos.

A inervação vem de ramos do axilar, do supraescapular e do peitoral lateral. Como o peitoral lateral também inerva a face anterior do ombro, a dor da AC se confunde com dor do ombro.

Os ligamentos acromioclaviculares

São quatro, que formam a cápsula: anterior, posterior, superior e inferior. O superior é o mais forte e se mistura às fibras do deltoide e do trapézio, que se inserem em cima da clavícula e do acrômio; essas inserções musculares somam estabilidade à junta. O papel dos ligamentos AC é segurar a articulação no sentido anteroposterior, isto é, no plano horizontal.

Dois números de anatomia cirúrgica importam para a ressecção da clavícula distal: a inserção do ligamento superior e da cápsula fica a 5,2 a 7 mm da ponta da clavícula nas mulheres e a cerca de 8 mm nos homens. Uma ressecção que passe medialmente a essa inserção desfaz a cápsula e cria instabilidade horizontal.

Os ligamentos coracoclaviculares

O coracoclavicular (CC) é muito forte e pesado, vai da face inferior da clavícula à base do coracoide e tem dois componentes:

  • Conoide: o mais medial, em forma de cone. O ápice se prende na face posteromedial da base do coracoide; a base do cone, no tubérculo conoide, na face posteroinferior da clavícula, no ápice da curva posterior, onde o terço lateral achatado encontra os dois terços mediais triangulares.
  • Trapezoide: nasce do coracoide anterior e lateral ao conoide, logo atrás da inserção do peitoral menor, e sobe até uma linha rugosa na face inferior da clavícula. Suas fibras mais laterais podem estar a apenas 10 mm da ponta da clavícula.

O CC é o principal ligamento suspensor do membro superior: o braço inteiro pende dele. Ele também acopla a abdução e a flexão do ombro à rotação da escápula, porque, quando a clavícula roda para cima, arrasta a escápula pelo conoide e pelo trapezoide.

Ligamentos que seguram a clavícula lateral (Rockwood and Green 10, cap. 32)
EstruturaOnde ficaMedidasFunção principal
AC superiorteto da cápsula, fundido ao deltoide e trapézioinserção a 5,2 a 7 mm (mulher) e cerca de 8 mm (homem) da pontao mais forte dos AC; estabilidade horizontal
AC anterior, posterior e inferiordemais paredes da cápsulaidemestabilidade anteroposterior
Conoidemedial; base do coracoide posteromedial ao tubérculo conoide0,7 a 2,5 cm de comprimento; 0,4 a 0,95 cm de larguracontra a subida da clavícula nos grandes desvios (62%); mais papel contra o desvio anterior
Trapezoidelateral; coracoide anterolateral à linha trapezoide0,8 a 2,5 cm de comprimento e de largura; fibras a até 10 mm da pontacontra a compressão da AC; mais papel contra o desvio posterior

Quem segura em cada direção: a biomecânica que cai

O Rockwood resume décadas de estudos em cadáver. URIST mostrou que, retirada a cápsula AC, a clavícula luxa por completo para frente e para trás: a cápsula é a trava horizontal. Outros estudos mostraram que o trapezoide tem papel maior contra o desvio posterior da clavícula e o conoide, contra o desvio anterior. FUKUDA cortou os ligamentos em sequência e mediu a contribuição de cada um:

  • Pequenos desvios: os AC são a restrição primária tanto ao desvio posterior (89%) quanto ao superior (68%), que são os padrões de falha mais comuns na clínica.
  • Grandes desvios: o conoide passa a ser a restrição primária à subida (62%), enquanto os AC continuam primários contra o desvio posterior (90%).
  • Em qualquer desvio: o trapezoide é a restrição primária à compressão da AC.

Daí as conclusões que o livro destaca: a estabilidade horizontal é dada sobretudo pelos ligamentos AC e pela cápsula; a estabilidade vertical, pelos coracoclaviculares.

O raciocínio para a prova sai disso. Quando a pergunta é "quem impede a clavícula de ir para trás", a resposta combina os AC (primários contra o desvio posterior, e o superior é o mais forte) com o trapezoide. Quando é "quem impede de ir para frente", entra o conoide. Um detalhe clínico reforça o plano posterior: na ressecção da clavícula distal crônica, o Rockwood manda tirar menos de 10 mm justamente para não romper as estruturas capsulares superiores e posteriores, cuja lesão deixa instabilidade anteroposterior residual e dor; e já se mostrou que 5 mm bastam para evitar o choque posterior, enquanto ressecções maiores causam translação posterior excessiva.

Restrições da clavícula lateral por direção (Rockwood and Green 10, cap. 32, estudos de URIST e FUKUDA)
Direção do desvio da clavículaRestrição principalDetalhe
Posterior, pequeno desvioligamentos AC (89%)o superior é o mais forte; trapezoide tem papel maior que o conoide
Posterior, grande desvioligamentos AC (90%)ressecção distal larga aumenta a translação posterior
Superior, pequeno desvioligamentos AC (68%)tipo II: AC rotos, CC íntegros, subluxação
Superior, grande desvioconoide (62%)tipo III em diante: CC rotos
Anteriorconoide (papel maior)trapezoide atua mais no posterior
Compressãotrapezoideem pequenos e grandes desvios

Movimento

A clavícula roda 40 a 50 graus na elevação total, mas só 5 a 8 graus em relação ao acrômio (ROCKWOOD): o resto acompanha a escápula. O Sizínio lembra os estabilizadores dinâmicos, deltoide anterior e trapézio superior.

Mecanismo e lesões associadas

Cobrança confirmada · 1 questão

O ombro que cai

Pelo Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 32, seção Mechanisms of Injury), a lesão típica é do homem jovem, com menos de 30 anos, no esporte de contato. Na série de CAVE, com 1.603 lesões da cintura escapular, 85% foram glenoumerais, 12% acromioclaviculares e 3% esternoclaviculares. O Sizínio dá a proporção de 5 a 10 homens para cada mulher, nas três primeiras décadas.

Três mecanismos aparecem:

  • Queda sobre a mão espalmada com o cotovelo estendido: a cabeça do úmero sobe contra o acrômio e lesa, em geral, só os AC (baixo grau). O Sizínio descreve o equivalente com força subindo pelo braço aduzido.
  • Força medial na face lateral do ombro (o jogador de hóquei prensado contra a placa): o acrômio entra por baixo da clavícula, com mais desvio.
  • Queda ou trombada sobre a face lateral do ombro com o braço aduzido, o mais descrito: compressão medial e cisalhamento vertical que rompem AC e CC.

O livro insiste num equívoco comum. A clavícula não sobe: o complexo glenoumeral e a escápula ficam suspensos pela clavícula através da AC e, quando a suspensão se rompe, descem. A força que leva o acrômio para dentro e para baixo produz uma lesão progressiva: primeiro os AC, depois os CC e, por fim, a fáscia deltotrapezial que une as inserções do deltoide e do trapézio sobre a clavícula. Perdida a suspensão, o membro cai pela gravidade; o trapézio pode puxar levemente a clavícula para cima, mas a deformidade grande é a queda do ombro.

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 65, p. 2947), conta a mesma física com outra imagem: a queda direta sobre a ponta do ombro empurra o acrômio para baixo, a clavícula encosta na primeira costela, que a impede de descer junto, e, se ela não fraturar, rompem-se os AC e os CC. Em cadáver (ROSENØRN e PEDERSEN), cortar AC, cápsula e músculos deixa a clavícula subir 0,5 a 1,0 cm, com grande instabilidade anteroposterior; cortar também os CC, 1,5 a 2,5 cm.

Do mecanismo à lesão (Rockwood and Green 10, cap. 32, Tabela 32-1; Campbell 15, p. 2947; Sizínio 5, cap. 43)
MecanismoO que se rompeGrau esperado
Queda sobre a mão espalmada, cotovelo estendidoAC (o úmero sobe contra o acrômio)baixo grau; instabilidade AP sem lesão CC
Golpe direto na ponta do ombro, braço aduzidoAC, depois CC, depois fáscia deltotrapezialalto grau (III a V)
Força medial na face lateralacrômio entra sob a clavículamais desvio
Distração violenta com recuoclavícula sob o coracoidetipo VI; pensar em dissociação escapulotorácica
Sobrecarga crônica (halterofilismo, britadeira)artrose ou osteólise da clavícula distalnão traumático

Lesões que vêm junto

  • Lesão bipolar ("clavícula flutuante", luxação panclavicular). Quando as duas pontas da clavícula luxam, quase sempre uma absorve o trauma e a outra fica com lesão de baixo grau. Nos casos descritos de dupla luxação desviada, o padrão é luxação anterior da esternoclavicular com luxação posterior da acromioclavicular. SANDERS relatou seis pacientes: dois, de baixa demanda, foram bem sem cirurgia; os outros quatro ficaram com sintomas localizados na AC e melhoraram com a reconstrução da AC. São lesões de alta energia, às vezes com sintomas neurológicos; já se usaram placas gancho bilaterais (BALSER) com bons resultados.
  • Lesão intra-articular glenoumeral. Nos graus III a V, SLAP em 18,2% e lesões em 15% em outra série; não há dados para artrorressonância de rotina.
  • Fraturas. A mais comum junto da lesão do aparelho suspensor é a da clavícula distal. A base ou o colo do coracoide pode fraturar com os CC presos ao fragmento, e a apresentação é a de uma luxação AC de alto grau. Fratura do terço médio da clavícula com luxação AC é rara (WURTZ, quatro casos).
  • Ossificação coracoclavicular e osteólise da clavícula distal: a ossificação é cicatrização dos CC, sem pior função; a osteólise vem de microtrauma repetido (MADSEN; a britadeira) e, se bilateral, manda pensar em artrite reumatoide, hiperparatireoidismo e esclerodermia.
  • Dissociação escapulotorácica: pode passar por uma AC de alto grau, uma clavícula desviada ou uma SC. A pista é o desvio lateral da escápula (e não só superior) no doente inconsciente; mortalidade de até 10% e amputação em 21%; a plexopatia completa prevê pior função (ZELLE).

Quadro clínico e exame

Relevância clínica

O que o paciente mostra

Pelo Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 32, seção Signs and Symptoms), a AC lesada aparece com deformidade, dor focal e edema; como a junta é subcutânea, a deformidade é evidente e, depois que a dor passa, vira a queixa principal. O grau de deformidade, edema e equimose acompanha a gravidade. Nas lesões de alto grau o paciente segura o braço aduzido e elevado para aliviar a AC; o ombro caído é característico, e a clavícula pode tensionar a pele. A dor piora com qualquer movimento, sobretudo a abdução, e é referida na face anterossuperior do ombro. GERBER mostrou que a irritação da AC dá dor sobre a AC, na região anterolateral do pescoço e na região anterolateral do deltoide.

Os testes

  • Palpação: toda a clavícula (para não perder fratura da diáfise), a AC, o espaço coracoclavicular e a face superior da clavícula lateral.
  • Instabilidade nos dois planos: segurando o acrômio com uma mão e a clavícula com a outra, a clavícula de um tipo III translada 3 a 5 cm no sentido anteroposterior (Fig. 32-8).
  • Teste do encolher (shrug test): se a AC reduz com pressão para cima sob o cotovelo, ou quando o paciente encolhe ativamente o ombro, é tipo III (redutível). Os tipos IV e V não reduzem quando a fáscia deltotrapezial está interposta.
  • Visto de cima: no tipo IV a clavícula está posterior, "abotoada" no trapézio, às vezes com a pele posterior em tenda, e em geral não reduz manualmente.
  • Adução cruzada (cross-body): braço elevado a 90 graus, aduzido através do tórax com o cotovelo a cerca de 90 graus; o teste é positivo quando dói especificamente na AC, porque o movimento comprime a junta.
  • Compressão ativa de O'BRIEN: em 88% (55 de 62) dos pacientes com dor na AC no teste havia alteração confirmada na cirurgia ou na radiografia.
  • Infiltração guiada por ultrassom: ajuda a separar dor intra-articular de dor da AC.

Imagem: uma incidência para cada pergunta

Cobrança confirmada · 1 questão

Por que a radiografia de "ombro" não serve

Pelo Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 32, seção Imaging), uma boa radiografia da AC precisa de um terço a metade da penetração usada para a glenoumeral. Feita com a técnica de ombro, sai escura (hiperpenetrada) e as fraturas pequenas somem. Por isso o pedido deve dizer "articulação acromioclavicular", e não "ombro". A Tabela 32-1 fala em 50% da penetração do AP.

ZANCA: a AC de frente e sem sobreposição

No AP comum, com o paciente em pé ou sentado, costas no chassi e braços pendentes, a clavícula distal e o acrômio se sobrepõem à espinha da escápula, e fraturas sutis da clavícula distal escapam. ZANCA notou isso revendo 1.000 radiografias de ombros dolorosos e propôs inclinar o raio 10 a 15 graus no sentido cefálico. A inclinação expõe a junta e, de quebra, padroniza a distância coracoclavicular, que aumenta numa incidência mais anteroposterior por paralaxe e pelo contorno ósseo. Hoje a ZANCA é a rotina na avaliação da AC, de preferência bilateral num só chassi, para comparar com o lado são, e serve também para achar pequenos fragmentos e corpos livres.

O Sizínio Hebert, Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed. (cap. 43), e o Rockwood and Wilkins' Fractures in Children, 10ª ed. (cap. 20), dão os mesmos 10 a 15 graus cefálicos, com o paciente em pé e o braço pendente pela gravidade.

Axilar: o plano que mostra o tipo IV

A axilar deve ser feita sempre que se suspeita de luxação AC, com o chassi em cima do ombro e medial o bastante para pegar o terço lateral da clavícula. Ela mostra o desvio posterior da clavícula (o tipo IV) e pequenas fraturas do coracoide que o AP não mostra. Se a axilar for impossível (ombro grosso, politrauma), a tomografia dos dois ombros confirma o desvio posterior.

STRYKER: a base do coracoide

Uma variante da lesão AC é a fratura do processo coracoide. A pista está na própria radiografia: luxação AC no AP com distância coracoclavicular normal, igual à do lado contralateral. Se a AC luxou e a distância CC não aumentou, os CC não romperam; quem cedeu foi o coracoide, que subiu junto com a clavícula. A incidência de STRYKER (notch view) põe o coracoide de perfil e é a melhor para essa lesão: paciente em supino, braço elevado acima da cabeça com a palma atrás da cabeça, úmero paralelo ao eixo longo do corpo e cotovelo apontado para o teto. No caso da Fig. 32-22, a axilar mostrou a fratura da ponta, mas não a da base; a West Point mostrou bem a ponta do coracoide e a STRYKER, a base.

Estresse com pesos: história, não rotina

A radiografia com pesos nos punhos foi feita durante muito tempo para "abrir" o espaço CC e, em tese, julgar a fáscia deltotrapezial e separar o tipo III do V. O Rockwood lembra que isso nunca foi validado contra os achados cirúrgicos, que o exame não aumenta a sensibilidade, não muda o grau nem o tratamento e é muito doloroso no agudo; os autores não recomendam o uso de rotina. O Sizínio cita BOSSART, que chegou à mesma conclusão.

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 65, p. 2948), ainda descreve a técnica: 10 a 15 libras (4,5 a 6,8 kg) amarradas aos punhos, para o paciente relaxar sem segurar o peso, AP bilateral em pé. Na subluxação importante, a clavícula fica acima do acrômio mais que metade da sua espessura; na luxação, uma espessura inteira ou mais. A Tabela 32-1 do Rockwood cita ainda a incidência de estresse em adução cruzada (BASMANIA), um AP com o braço aduzido.

Incidências da acromioclavicular (Rockwood and Green 10, cap. 32, Tabela 32-1; Campbell 15, p. 2948)
IncidênciaTécnicaPara que serve
AP com técnica de ACum terço a metade da penetração do ombroevitar imagem escura que esconde fraturas
ZANCA10 a 15 graus cefálicos, bilateralgrau de desvio e distância CC comparada; fraturas e corpos livres
Axilarchassi sobre o ombro, medialdesvio posterior (tipo IV); fraturas do coracoide
STRYKER (notch)supino, palma atrás da cabeça, cotovelo para o tetofratura da base do coracoide (AC luxada com CC normal)
West Pointperfil da glenoideponta do coracoide
BASMANIAAP com o braço em adução cruzadaestresse horizontal
Estresse com pesos4,5 a 6,8 kg nos punhos, AP bilateralhistórica; não recomendada de rotina
Tomografia bilateralquando a axilar é impossívelconfirmar o tipo IV

Classificação de ROCKWOOD e os valores normais

Cobrança confirmada · 3 questões

O normal antes do anormal

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 32, seção Classification), começa pelo normal, porque a variação individual é grande e um normal não deve virar lesão:

  • Largura da AC no plano coronal: 1 a 3 mm. PETERSSON e REDLUND-JOHNELL, medindo 151 pessoas normais, viram que o espaço diminui com a idade: 0,5 mm pode ser normal acima dos 60 anos; mais de 7 mm no homem e de 6 mm na mulher é patológico.
  • Distância coracoclavicular: média de 1,1 a 1,3 cm, isto é, 11 a 13 mm, medida da face inferior da clavícula ao topo do coracoide. Um aumento de 50% sobre o lado normal significa luxação completa, mas já se viu luxação completa com apenas 25% de aumento.

Para classificar, o livro pede ZANCA bilateral sem pesos e duas medidas: (1) quanto a clavícula distal está acima do acrômio, em porcentagem da largura da clavícula ou em milímetros entre os bordos superiores; (2) a distância CC (Fig. 32-10).

Os seis tipos

ROCKWOOD ampliou, a partir do trabalho de TOSSY (1963), a classificação mais aceita, baseada na gravidade anatômica: o quanto foram lesados os ligamentos capsulares (AC), os extracapsulares (CC) e a musculatura de suporte (deltoide e trapézio). O Rockwood and Wilkins' Fractures in Children, 10ª ed. (cap. 20), lembra que as descrições clássicas foram de TOSSY e de ALLMAN, modificadas depois por ROCKWOOD.

  • Tipo I. Força leve na ponta do ombro distende as fibras dos AC; os ligamentos ficam íntegros e a junta, estável. A radiografia é normal, só com edema de partes moles.
  • Tipo II. Força moderada rompe os AC. A clavícula distal fica instável no plano horizontal (anteroposterior), mas a estabilidade vertical é mantida pelos CC, lesados mas íntegros. A escápula pode rodar medialmente e alargar a AC; pode haver pequena subida relativa da clavícula por estiramento dos CC. Na ZANCA bilateral, a subluxação é parcial, menor que 50% da largura da clavícula, e o espaço CC é igual ao do lado normal.
  • Tipo III. Força intensa rompe AC e CC: luxação completa. A clavícula parece deslocada para cima porque a escápula e o ombro caem para baixo e para dentro. A clavícula distal fica inteiramente acima do bordo superior do acrômio, e o espaço CC fica 25 a 100% maior que o normal. Podem coexistir fraturas da clavícula distal ou do acrômio.
  • Tipo IV. Luxação posterior da clavícula distal, para dentro ou através do trapézio, porque a força no acrômio leva a escápula para frente e para baixo. Relativamente rara. Melhor vista na axilar: clavícula atrás da glenoide e da ponta do acrômio; pode haver aumento do CC; a pele posterior pode ficar em tenda.
  • Tipo V. Versão muito mais grave do III. A clavícula distal é despida de todas as inserções: AC, CC e as inserções do deltoide e do trapézio; fica subcutânea. Radiograficamente, o espaço CC aumenta mais de 100% (o livro detalha 100 a 300%). Apesar da aparência, a clavícula está no mesmo nível da contralateral: é a escápula que caiu. A clavícula costuma estar "abotoada" através da fáscia deltotrapezial e é irredutível.
  • Tipo VI. Luxação inferior, muito rara, de trauma grave com lesões múltiplas. O mecanismo é hiperabdução e rotação externa do braço com retração da escápula. Há duas formas: subacromial, com distância CC diminuída e CC íntegro; e subcoracoide, com distância CC invertida, clavícula abaixo do coracoide e atrás dos tendões do bíceps e do coracobraquial, e CC roto. Os AC estão rotos nas duas. Procurar fraturas de clavícula e costelas e lesão intratorácica.

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 65, p. 2947 e 2948), descreve o tipo II com a clavícula acima do acrômio menos que a sua espessura, o III com pelo menos uma espessura e com desinserção do deltoide da clavícula distal, o V com deltoide e trapézio soltos da metade distal da clavícula e desvio de 100% a 300%, e o VI com a clavícula sob o coracoide e atrás dos tendões conjuntos. Cita ainda uma série em que 30% dos pacientes tinham lesão associada que precisou de cirurgia junto com o reparo da AC. O Sizínio repete: II com entorse dos CC e subluxação; III com incongruência de 25 a 100%; V até a metade distal, com 100 a 300%; VI subcoracoide ou subacromial.

Classificação de ROCKWOOD (Rockwood and Green 10, cap. 32; Campbell 15, p. 2947 e 2948)
TipoACCCDeltoide e trapézioImagem
Ientorseíntegrosíntegrosnormal
IIrotosíntegros (estirados)íntegrossubluxação menor que 50% da largura; CC igual ao normal
IIIrotosrotoslesão leve (deltoide distal)clavícula toda acima do acrômio; CC 25 a 100% maior
IVrotosrotostrapézio perfuradoclavícula posterior na axilar
Vrotosrotosdespidos da metade distalCC mais de 100% (100 a 300%); irredutível
VIrotosíntegro (subacromial) ou roto (subcoracoide)lesadosCC diminuído ou invertido

A variante do tipo III com fratura do coracoide

Uma variação extremamente incomum do tipo III é a separação completa das superfícies da AC com fratura do processo coracoide. Na maioria dos casos, os CC permanecem íntegros e presos ao fragmento do coracoide, cuja fratura ocorre mais na base. Por isso a distância CC fica normal e a STRYKER é a incidência de escolha. Os resultados de operar ou não são parecidos, e a maioria dos autores trata sem cirurgia. Em geral a fratura é extra-articular; quando o fragmento leva parte da glenoide, o tendão conjunto roda o coracoide e a glenoide para baixo e para fora, e a fixação depende do desvio articular. Os autores do Rockwood operam com 5 mm ou mais de desvio da glenoide, avaliado pela tomografia.

Na criança, a fise da clavícula distal fica medial à cápsula, e muitas "luxações" são fraturas fisárias SALTER-HARRIS II, com os CC presos à manga periosteal (Fig. 32-23); o Sizínio põe a lesão fisária e a fratura do coracoide como "variantes do tipo 3".

A instabilidade horizontal e as subclassificações modernas

O Rockwood mostra, na biomecânica, que a lesão AC tem dois planos: o vertical, medido pela distância CC, e o horizontal, dos AC e da cápsula, que gera a translação anteroposterior dinâmica vista no tipo III (3 a 5 cm na Fig. 32-8). A prova de ombro e cotovelo já cobrou uma subclassificação, atribuída a SCHEIBEL, cujas alternativas cruzam exatamente esses dois planos: instabilidade vertical parcial ou completa e presença ou ausência de translação horizontal dinâmica. Essa classificação, porém, não está descrita nos livros lidos; o que eles dão é a base para entendê-la. A translação horizontal depende dos AC e da cápsula, que já estão rotos desde o tipo II; a instabilidade vertical completa depende da rotura dos CC, que define o tipo III.

Tratamento conservador: tipos I e II, e a controvérsia do III

Relevância clínica

O consenso dos tipos I e II

Pelo Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 32, seção Nonoperative Treatment), há consenso em tratar sem cirurgia os tipos I e II. As indicações formais do tratamento não operatório são os tipos I, II e III; as contraindicações relativas são a lesão crônica sintomática, a falha do tratamento e alguns perfis: atleta, politraumatizado e trabalhador braçal.

Isso não quer dizer que o tipo I ou II seja sempre inocente. MOUHSINE achou 52% de pacientes com tipos I e II ainda sintomáticos em média 6 anos depois. As causas listadas são a artrose pós-traumática, a osteólise da clavícula distal, a subluxação anteroposterior recorrente, ligamentos capsulares rotos presos na junta, fragmentos de cartilagem, o menisco destacado e fragmentos de fratura intra-articular. Ainda assim, VERSTIFT não viu diferença clínica com o ombro são em 7 anos; deformidade, osteólise e ossificação foram mais frequentes no lado lesado, sem pior escore.

Como se trata

A tipoia simples substituiu enfaixamentos, órteses e gessos: sustenta o peso do membro e tira tensão dos ligamentos. Na prática dos autores:

  • Fase aguda: tipoia, gelo e analgésico; o objetivo é controlar a dor. Usar o braço conforme tolerado.
  • Baixo grau: amplitude de movimento a partir de 1 semana; em geral sem dor em 2 a 3 semanas.
  • Alto grau tratado sem cirurgia: fisioterapia com fortalecimento periescapular a partir de 2 semanas.
  • Retorno: carga, levantamento e contato só com amplitude completa e sem dor à palpação; o contato volta com 4 a 6 semanas. Relatos recentes falam em 10 a 15 dias de retorno ao esporte de contato nos tipos I e II, embora jogar sem dor possa demorar mais, e o atleta muitas vezes pede infiltração anestésica para jogar. Nenhum estudo mostrou progressão do desvio com o retorno precoce.
  • Prazo de teste: 6 semanas de tratamento conservador antes de pensar em cirurgia, salvo problema de pele ou neurológico.

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 65, p. 2948), concorda: tipo I com gelo, analgésico, tipoia e movimento precoce; tipo II igual, salvo instabilidade importante, com 2 a 3 semanas de tipoia quando a clavícula sobe até metade da espessura, e 6 semanas antes de carga pesada ou contato.

O tipo III: o pêndulo da história

O tipo III é o mais discutido, em parte porque é difícil separá-lo dos tipos IV e V. As preferências oscilaram: conservador nas décadas de 1930 e 1940; cirurgia entre 1950 e 1970 (no levantamento de POWERS e BACH, em 1974, a maioria das residências americanas operava, 60% com fixação AC temporária e 35% com fixação CC); de volta ao conservador a partir dos anos 1990, depois de ensaios clínicos que mostraram pouco benefício da redução aberta e reabilitação mais rápida sem cirurgia.

Os ensaios recentes reforçaram a tendência:

  • Canadian Orthopaedic Trauma Society (COTS): tipos III, IV e V randomizados entre placa gancho e tipoia por 4 semanas com fisioterapia; resistência liberada com 6 semanas nos dois grupos; placa retirada em média com 8,2 meses. O grupo conservador teve melhores escores com 6 semanas, 3 e 6 meses e voltou antes ao trabalho.
  • MURRAY: redução aberta com dispositivo de suspensão (Tightrope) contra tipoia por 3 semanas; o conservador foi melhor com 6 semanas e igual com 1 ano.
  • Seguimentos longos do III conservador: retorno ao trabalho em 2,1 semanas com força igual (WOJTYS e NELSON); bons resultados com 12,5 anos apesar da AC luxada (RAWES e DIAS); função preservada e artrose igual à dos operados com 18 a 20 anos (JOUKAINEN).

Mesmo assim, uma pequena porcentagem dos III, IV e V tratados sem cirurgia fica insatisfeita e volta para reconstrução tardia. O politraumatizado é exceção: GALLAY mostrou pior função quando a AC fazia parte de um politrauma, e esses pacientes recebem mais indicação cirúrgica.

A posição dos autores do Rockwood: todos os I e II e a maioria dos III sem cirurgia, com observação próxima; alguns III e a maioria dos IV e V operados no jovem ativo. O Campbell trata todos os III inicialmente sem cirurgia, com reconstrução tardia se necessário, e diz que o tema ficou "menos controverso": o teste isocinético mostra força e resistência iguais aos do lado são, e só atletas de contato e arremesso se queixam de dor. O Sizínio, em português, é mais cirúrgico: indica cirurgia no tipo III do jovem ou do trabalhador braçal e conservador no idoso ou em quem pouco usa o membro.

O tipo III segundo cada livro (Rockwood and Green 10, cap. 32; Campbell 15, p. 2948; Sizínio 5, cap. 43)
FonteConduta inicial no tipo IIIQuando operar
Rockwood and Green 10conservador na maioria, 3 a 6 mesesjovem ativo com atividade acima da cabeça; falha com dor ou incapacidade
Campbell 15todos conservadorreconstrução tardia se necessário
Sizínio 5conservador no idoso ou de baixa demandajovem ou trabalhador braçal
Evidência (COTS, MURRAY)conservador recupera mais rápidonenhum estudo de alta qualidade mostrou benefício da cirurgia

Para o Campbell, o conservador falha sobretudo pela interposição do disco, de restos de cápsula e de fragmentos de cartilagem entre acrômio e clavícula; a cirurgia, por sua vez, cobra infecção, migração e quebra de implantes, erosão da clavícula distal e segunda operação para retirar material.

Cirurgia: indicações e técnicas

Cobrança confirmada · 4 questões

Quem opera

Pelo Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 32, seção Operative Treatment), nenhum estudo prospectivo de alta qualidade mostrou benefício da cirurgia no tipo III, e os tipos I a III podem fazer 6 semanas de reabilitação supervisionada com excelentes resultados de uma reconstrução tardia, se ela for necessária. Os autores recomendam 3 a 6 meses de conservador na maioria e consideram fixação aguda no jovem ativo com atividade acima da cabeça. Nos tipos IV, V e VI, a cirurgia é o padrão no paciente ativo e saudável, pela morbidade de uma AC luxada e instável, com cinemática escapular alterada. Se for operar no agudo, a preferência dos autores é redução aberta e placa gancho. Na variante com fratura do coracoide, conservador, salvo extensão para a glenoide com 5 mm ou mais de desvio.

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 65, p. 2949), agrupa as cirurgias em cinco famílias: redução e fixação AC; reparo CC com fixação CC; a combinação das duas; excisão da clavícula distal; transferências musculares (DEWAR e BARRINGTON transferiam o coracoide para a clavícula). E dá três requisitos para qualquer técnica: expor e desbridar a AC; reparar ou reconstruir os CC e os AC; obter redução estável.

As técnicas clássicas

  • Fixação transarticular com fios: uma das primeiras; abandonada por falha, perda de redução e migração "desastrosa" dos fios.
  • BOSWORTH (1941): parafuso da clavícula ao coracoide, extra-articular e temporário, para a luxação aguda redutível, dando tempo para os CC cicatrizarem. Por ser rígido contra o movimento natural entre clavícula e escápula, teve falhas, migração e fraturas do coracoide.
  • Suspensão CC flexível: Dacron, fios, suturas; menos rígida, mantendo a distância CC enquanto os ligamentos cicatrizam.
  • WEAVER e DUNN (1972): ressecção da clavícula distal e transferência do ligamento coracoacromial (solto do acrômio) para a clavícula distal, para reconstruir os CC, no agudo e no crônico. A ideia vem de CADENAT, em 1917. É técnica aberta e não anatômica. A versão modificada acrescenta uma sutura de reforço para estabilidade inicial; na Fig. 32-37, o ligamento entra no canal medular e as suturas passam por dois furos na face posterossuperior da clavícula.

Os números do WEAVER-DUNN: bons a excelentes em 75%; carga de falha 39% menor que a dos controles; e taxa de até 30% de instabilidade recorrente, tipicamente no sentido anteroposterior da AC. O Campbell (cap. 66, p. 2963) acrescenta que o relato original teve 27% de redução incompleta, que uma metanálise mostrou o WEAVER-DUNN superado pelas reconstruções coracoclaviculares e que a descrição original "caiu em desuso". Na lista de complicações, o Rockwood avisa que a transferência isolada do coracoacromial não é forte o bastante e precisa de fixação adicional.

A placa gancho

As placas superiores da clavícula com gancho lateral existem desde os anos 1980, com bons resultados. O gancho passa por baixo do acrômio e mantém a clavícula reduzida, elevando o complexo glenoumeral. As complicações são inerentes ao desenho: fratura ou erosão do acrômio e irritação. Para evitá-las, retira-se a placa em data marcada (6 meses após fixação aguda; 9 a 12 meses após reconstrução crônica) e evita-se a hiper-redução. O paciente deve saber que serão duas cirurgias. É a técnica preferida dos autores em alguns III agudos e na maioria dos IV e V.

Artroscopia e botões

As técnicas assistidas por artroscopia com botões corticais e suturas fazem a fixação CC, com enxerto e reparo capsular quando preciso; feitas cedo (menos de 1 semana), deixam os ligamentos cicatrizarem na posição reduzida. Uma metanálise não achou diferença entre aberta e artroscópica em complicações, perda de redução e revisões.

A lesão crônica

Nos tipos I e II com dor tardia: anti-inflamatório, evitar posições dolorosas, infiltração com corticoide. Se falhar, ressecção da clavícula distal, aberta ou artroscópica, sempre preservando ou reparando a cápsula, com menos de 10 mm de ressecção. O Campbell (cap. 66, p. 2962) chama a ressecção de MUMFORD e a indica no crônico grau I ou II, com CC íntegros: se os CC estiverem rotos, a clavícula fica hipermóvel. Na técnica artroscópica tiram-se 0,5 a 1 cm.

Nos tipos III, IV e V crônicos, nunca ressecção isolada: ela só encurta a clavícula sem estabilizá-la. Ressecção e estabilização andam juntas, em três categorias: transferência ligamentar (WEAVER-DUNN modificado, inclusive com um fragmento do acrômio para cicatrização osso a osso); fixação não biológica (enxerto sintético ou alça de sutura); reconstrução biológica com auto ou aloenxerto. Uma revisão sistemática não achou diferença em complicações, mas a função foi melhor com o enxerto biológico, como no estudo de FAUCI com 40 casos crônicos citado pelo Campbell.

Técnicas cirúrgicas da acromioclavicular (Rockwood and Green 10, cap. 32; Campbell 15, cap. 65 e 66)
TécnicaPrincípioNúmeros e problemas
Fios transarticularesfixação AC temporáriamigração; abandonada
BOSWORTH (1941)parafuso clavícula-coracoiderígido; falha, migração, fratura do coracoide
WEAVER-DUNN (1972)ressecção distal + coracoacromial para a clavícula75% bons; falha 39% menor; até 30% de recidiva AP; 27% de redução incompleta
Placa ganchogancho sob o acrômioerosão e fratura do acrômio; retirar com 6 ou 9 a 12 meses
Botões corticaissuspensão CCperda de redução de 33% nos primeiros relatos; hoje semelhantes ao enxerto
Reconstrução anatômica (MAZZOCCA)enxerto em túneis do conoide e do trapezoidecomplicações de 13 a 27%; excelente função em 2 anos
MUMFORDressecção da clavícula distalsó com CC íntegros (I e II crônicos)

A reconstrução anatômica de MAZZOCCA

A reconstrução anatômica dos coracoclaviculares (ACCR) põe um enxerto de tendão em dois túneis da clavícula, nos pontos de inserção do conoide e do trapezoide, e usa o ramo que sobra para reconstruir os AC. O Rockwood descreve a versão dos autores, com uma placa gancho acrescentada para proteger o enxerto até que amadureça.

Os passos que viram pergunta:

  • Posição e acesso: cadeira de praia, quadril a 60 a 70 graus, paciente bem lateral na mesa; incisão em sabre, ou curvilínea nas linhas de LANGER, a cerca de 3,5 cm da AC, em direção ao coracoide. A fáscia deltotrapezial é levantada em retalhos espessos até expor a inserção do conoide, a cerca de 46 mm (mais ou menos 5) da ponta da clavícula.
  • Ressecção distal: se feita, 8 a 10 mm, biselando o terço posterior; os autores raramente precisam.
  • Túnel do conoide: 45 mm medial à clavícula distal, posterior à linha média no plano coronal. Na dúvida, ir mais medial, onde o osso é melhor.
  • Túnel do trapezoide: 15 mm lateral ao conoide, logo anterior à linha média, e nunca a menos de 25 mm da extremidade. A legenda da Fig. 32-42 fala em pelo menos 25 mm de ponte óssea e 20 a 25 mm da clavícula distal.
  • Segurança: pelo menos 3 mm da cortical; túneis não maiores que 5,5 mm, macheados antes dos parafusos de interferência de PEEK (5,5 x 8 mm). A fratura da clavícula no túnel é complicação real.
  • Enxerto: semitendíneo autólogo preferido; aloenxerto com 5 mm ou mais de diâmetro e pelo menos 230 mm (mínimo útil de cerca de 110 mm). Passa sob o coracoide em oito, sem cruzar em volta do colo; o ramo curto (cerca de 2 cm) sai pelo túnel do conoide e o longo pelo trapezoide, para recriar os AC superior e anterior (na Fig. 32-44, também reforça a cápsula posterior). O conoide é fixado primeiro.
  • Pós-operatório: tipoia ou órtese por 4 a 6 semanas; fortalecimento entre 6 e 12 semanas; musculação aos 3 meses; contato aos 6 meses; pico de força entre 9 meses e 1 ano; placa gancho retirada com 9 a 12 meses.

O Campbell (cap. 65, p. 2949 e 2950, técnica 65.5) descreve o MAZZOCCA com ressecção dos últimos 10 mm da clavícula, enxerto e cerclagem sob o coracoide de medial para lateral, leve hiper-redução e conferência com ZANCA; a clínica prefere essa reconstrução com ressecção distal de rotina, mas abandonou os túneis ósseos depois de fraturas raras e catastróficas da clavícula (PANARELLO). Na técnica de KOBAYASHI, o túnel do conoide também fica a cerca de 4,5 cm da ponta (p. 2964).

Medidas da reconstrução anatômica (Rockwood and Green 10, cap. 32, Fig. 32-41 e 32-42; Campbell 15, p. 2949 a 2964)
MedidaValor
Inserção do conoidecerca de 46 mm (mais ou menos 5) da ponta
Túnel do conoide45 mm da clavícula distal, posterior à linha média
Túnel do trapezoide15 mm lateral ao conoide (cerca de 30 mm da ponta), anterior; nunca menos de 25 mm
Distância à corticalpelo menos 3 mm
Diâmetro do túnelaté 5,5 mm
Ressecção distal8 a 10 mm (Rockwood) ou 10 mm (Campbell)
Retorno ao contato6 meses

Complicações

Relevância clínica

Pelo Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 32, seção Management of Adverse Outcomes), além de infecção e osteomielite, a cirurgia da AC traz:

  • Perda de redução: 10 a 30%, variando pela medida radiográfica; o membro inteiro pende de uma área pequena de fixação. Para os autores, a placa gancho bem feita é o meio mais confiável de evitá-la.
  • Falha de implante: botões, tightropes e placas gancho podem falhar. Os erros da placa são hiper-redução por gancho raso demais (medir a espessura da clavícula na radiografia ajuda), gancho mal moldado com carga pontual no acrômio e fixação medial insuficiente, com arrancamento. Falha tardia de implante moderno deve levantar suspeita de infecção.
  • Placa gancho: retirada na maioria, pelo risco de osteólise e erosão do acrômio.
  • Reparo só de partes moles: tende a falhar, sobretudo no crônico; o WEAVER-DUNN isolado não basta.
  • Artrose AC: excisar 8 a 10 mm distais. Não há consenso sobre a excisão primária no agudo; os autores preservam a AC e, se ressecam, tiram mais da borda posterior, onde a clavícula bate no acrômio.
  • Fratura da clavícula nos túneis: túneis pequenos e ponte óssea adequada.

O Campbell e o Sizínio acrescentam a erosão da clavícula ou do coracoide pelas cerclagens sintéticas, a migração de fios e a quebra do parafuso coracoclavicular.

A articulação esternoclavicular

Cobrança confirmada · 3 questões

Anatomia

Pelo Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 32, seção Anatomy of the Sternoclavicular Joint), a SC é uma diartrose em sela e a única articulação verdadeira entre o membro superior e o esqueleto axial. A superfície da clavícula é muito maior que a do esterno, e a incongruência faz a estabilidade depender dos ligamentos:

  • Disco intra-articular: nasce da junção da primeira costela com o esterno, divide a junta em dois espaços e trava o desvio medial da clavícula.
  • Costoclavicular (romboide): curto e forte, com fascículos anterior e posterior (CAVE: 1,3 cm de comprimento). O anterior resiste à rotação para cima e ao desvio lateral; o posterior, à rotação para baixo e ao desvio medial.
  • Interclavicular: une as duas clavículas pelo alto do esterno; ajuda a "segurar o ombro" e fica tenso com os braços pendentes.
  • Capsular: espessamento anterossuperior e posterior; para BEARN, o mais forte e o principal contra a subida da clavícula medial. SPENCER mostrou que a cápsula posterior é a estrutura mais importante contra a translação anterior e posterior.

Atrás da junta, depois de uma "cortina" muscular, ficam tronco e veia braquiocefálicos, vago, frênico, jugular interna, traqueia e esôfago. A fise medial da clavícula é a última a aparecer (18 a 20 anos) e a fechar (23 a 25 anos, às vezes até 31), e muitas "luxações" do jovem são fraturas fisárias (até 16%).

Mecanismo e direção

A força indireta é a causa mais comum: com o ombro comprimido e rodado para frente, a SC luxa para trás; rodado para trás, luxa para frente. A força direta na face anteromedial da clavícula empurra a ponta para trás, rumo ao mediastino. A causa mais comum é o acidente de trânsito, seguido do esporte. A maioria é anterior: NETTLES e LINSCHEID viram 57 anteriores e 3 posteriores; FERY e SOMMELET, 40 para 8. O Sizínio dá 20 para 1. O Campbell (cap. 65, p. 2946) também chama a anterior de a mais frequente.

Imagem

A clínica não separa com segurança a anterior da posterior: a tomografia dos dois lados é o padrão-ouro, e a angio-TC é obrigatória se houver suspeita vascular ou apresentação tardia. A RM separa luxação de lesão fisária. Na radiografia, a incidência de rotina é a serendipity, "a melhor coisa depois de um perfil cefalocaudal verdadeiro": paciente em supino, tubo inclinado 40 graus a partir da vertical, no sentido cefálico, e centrado diretamente no esterno (manúbrio); distância de 114,3 cm na criança e 152,4 cm no adulto. A leitura compara as duas clavículas com uma linha horizontal imaginária: no normal, as duas estão na mesma linha; na anterior, a clavícula luxada projeta-se acima da linha da contralateral; na posterior, abaixo. O Sizínio descreve a mesma incidência com 40 graus craniais. HEINIG e HOBBS são alternativas raramente usadas quando há tomografia.

Incidências da esternoclavicular (Rockwood and Green 10, cap. 32, Fig. 32-13 a 32-16; Sizínio 5, cap. 43)
ExameTécnicaLeitura
Serendipitysupino, 40 graus cefálicos, centrada no esternoanterior acima da linha da contralateral; posterior abaixo
HEINIGraio tangente à junta, paralelo à clavícula opostarelação clavícula-manúbrio
HOBBSsentado, inclinado sobre a mesa, raio pela nucaperfil das duas SC
Tomografia bilateralsupino, posição neutrapadrão-ouro; mais de 10% de assimetria em normais
Angio-TCsuspeita vascular ou caso tardiopadrão-ouro vascular

Classificação

O Rockwood classifica a SC por posição (anterior, a mais comum, e posterior, incomum) e por etiologia. Na entorse leve ou moderada, os ligamentos ficam íntegros e a junta estável, mas pode haver subluxação; a cápsula, o disco e o costoclavicular podem estar parcialmente rotos. Na luxação, a cápsula e o disco estão rotos. A forma atraumática é da mulher jovem com frouxidão, autolimitada, sem cirurgia. O Sizínio separa entorse leve (ligamentos íntegros), moderada (lesão parcial com subluxação) e grave (ruptura completa com luxação), além de luxação recidivante, não reduzida, espontânea e congênita.

Tratamento

Entorse e subluxação: conservador, gelo nas primeiras 12 horas, calor por 24 a 48 horas, tipoia e 4 a 6 semanas antes do contato. A anterior aguda recebe tentativa de redução fechada; se fica luxada, causa poucos sintomas e a cirurgia é só para casos extremos (o Campbell aceita a deformidade). A posterior aguda é emergência ortopédica verdadeira: examinar traqueia, esôfago, plexo, grandes vasos e pulmões. A redução fechada costuma dar certo até 48 horas (relatada até 10 dias; no Campbell, GROH mostrou que reconhecer a lesão antes de 10 dias aumenta a chance de redução fechada) por abdução-tração, com coxim entre as escápulas e tração no braço abduzido levado à extensão, ajudada por pinça de campo estéril na clavícula, ou pela técnica de BUCKERFIELD-CASTLE (tração em adução com pressão para baixo no ombro). Reduzida, costuma ser estável; tipoia por 2 a 4 semanas. Na fisária posterior, a redução fechada falhou em todos os casos de LAFOSSE (0%), contra 50% nas luxações. Se for preciso abrir, chamar o cirurgião torácico; os fios de KIRSCHNER e STEINMANN são contraindicados pela migração, e a reconstrução em oito com semitendíneo teve a melhor resistência inicial (SPENCER). Complicações graves da posterior: 26,7% (WORMAN e LEAGUS).

Fechamento

Fundamento

O capítulo se resolve com uma imagem: o braço pendurado na clavícula pelos coracoclaviculares, com a cápsula AC travando o vaivém horizontal. Rompeu só a cápsula, é tipo II; rompeu também o conoide e o trapezoide, o ombro cai e vem o tipo III em diante, medido contra a distância normal de 11 a 13 mm. O WEAVER-DUNN repõe uma trava vertical não anatômica e recidiva no plano horizontal; o MAZZOCCA recria os dois ligamentos nos seus pontos e reforça os AC. Na outra ponta, a SC luxa quase sempre para frente, mas é a posterior que mata.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

Abrir no leitorCriar conta grátis

No leitor do aplicativo, quem não tem conta lê as 6 primeiras partes; a leitura completa é grátis com a conta.

Continue estudando