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Deficiências dos membros na criança

Ortopedia pediátricaResumo do capítulo8 min de leitura

Terminologia (transversal e longitudinal, terminal e intercalar, ISO/ISPO); deficiência femoral focal proximal (AITKEN A a D, GILLESPIE A a C, PALEY 1, 2a e 2b, quadril em flexão, abdução e rotação externa, hemimelia fibular e cruzados ausentes, anomalias cardíacas, alongamento abaixo de 20 cm); hemimelia fibular (a mais comum, valgo, côndilo lateral e LCA, equinovalgo, coalizão e raios laterais, ACHTERMAN e KALAMCHI, BIRCH e o pé funcional, SYME com 25 cm ou mais); hemimelia tibial (JONES 1a a 4, sem quadríceps e patela, desarticulação do joelho, sinostose); bandas de STREETER.

Atualizado em 30/10/2026 · 8 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 21 · Limb Deficiencies, em Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª edição (2021). Autores do capítulo: John A. Herring (editor), com o capítulo 29 do Campbell's Operative Orthopaedics, 14ª ed. (2021), de Derek M. Kelly.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de ortopedia pediátrica do Tachdjian, capítulo 21, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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No leitor: marcações, notas e as questões no meio do texto, que abrem sem perder o lugar da leitura.

Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado no capítulo 21 do Tachdjian's Pediatric Orthopaedics (6ª edição, 2021), editado por John A. HERRING, e no capítulo 29 do Campbell's Operative Orthopaedics (14ª edição, 2021), de Derek M. KELLY. Os dois livros contam a mesma história com ênfases diferentes, e o texto junta os dois em português, na ordem em que as provas cobram.

As deficiências congênitas dos membros parecem um mar de classificações com nomes próprios. O truque é perceber que quase todas respondem às mesmas perguntas: o que falta, o que sobrou para reconstruir e qual será a discrepância na maturidade. A partir daí, a decisão entre alongar e amputar fica muito mais lógica.

A linguagem das deficiências

Cobrança confirmada · 1 questão

Duas perguntas classificam qualquer deficiência (Tachdjian, cap. 21; FRANTZ e O'RAHILLY):

Terminologia das deficiências congênitas (cap. 21)
PerguntaRespostaExemplo
O defeito atravessa o membro?transversal: toda a larguraamputação congênita, "SYME congênito"
longitudinal (paraxial): só o lado pré ou pós-axialhemimelias fibular, tibial, radial
Há partes normais depois do defeito?terminal: nada distal, na mesma linhahemimelia fibular sem os raios laterais
intercalar: o distal está presentehemimelia fibular com o pé normal; focomelia

A nomenclatura ISO/ISPO troca os nomes antigos por descrições (Box 21.2): a hemimelia fibular com pé normal vira "longitudinal, fibular, completa"; a parcial, "longitudinal, fibular, parcial". O Campbell (cap. 29, Congenital Deficiencies of the Long Bones) dá os mesmos exemplos: hemimelia fibular sem os raios laterais é longitudinal terminal; com o pé normal, intercalar longitudinal, ou paraxial.

Deficiência femoral focal proximal

Cobrança confirmada · 8 questões

O que é. Fêmur curto com descontinuidade aparente entre o colo e a diáfise; em muitos casos, o defeito ossifica com o crescimento. O fêmur curto congênito, sem defeito de ossificação, é a forma mais leve. Na maioria, a causa é desconhecida e não há ligação genética, exceto a hipoplasia femoral com fácies incomum, autossômica dominante (Tachdjian, cap. 21). O Campbell cita incidência de 1 em 50.000 e o diabetes materno na hipoplasia femoral.

AITKEN, o que existe na maturidade (Tachdjian, Fig. 21.13; Campbell, Tabela 29.4)
TipoCabeçaAcetábuloCabeça e diáfise
Apresentenormalunem; a pseudartrose subtrocantérica costuma consolidar, com varo
Bpresenteadequado ou moderadamente displásiconão unem: pseudartrose persistente
Causentedisplásico ou ausentetufo ósseo na ponta proximal
Dausenteausente ou pobrefêmur curtíssimo, sem tufo; muitas vezes bilateral

GILLESPIE, para tratar. A: fêmur até 50% mais curto, quadril e joelho funcionais, pé chega ao meio da tíbia oposta, o fêmur curto congênito: alongamento. B: pé acima do meio da tíbia, muitas vezes no joelho oposto: amputação ou rotacionoplastia com prótese. C: ausência subtotal do fêmur: prótese, sem artrodese do joelho. GILLESPIE e TORODE dividiram em grupo I (hipoplasia reconstruível) e II (DFFP verdadeira).

PALEY, para alongar. Grupo 1 corresponde ao fêmur curto congênito, o melhor para alongar, depois de corrigir o varo do colo e a displasia acetabular. Grupo 2a: pseudartrose móvel do fêmur proximal com a cabeça móvel no acetábulo; primeiro se consolida a pseudartrose, depois se alonga. Grupo 2b: cabeça imóvel ou quadril luxado, que pede osteotomia de apoio pélvico antes do alongamento (Fig. 21.26).

A criança. Coxa muito curta ("chaminé de navio"), quadril em flexão e abdução, membro em rotação externa, joelho com contratura em flexão e pé na altura do joelho oposto (Fig. 21.17). O joelho fica na virilha, como um segmento intercalar instável. A maioria anda na idade esperada.

As associações. O Campbell diz que a maioria, sobretudo os bilaterais, tem anomalias associadas; as mais comuns são a hemimelia fibular e a agenesia dos ligamentos cruzados, e também se descrevem pé torto, coalizões, anomalias cardíacas congênitas, displasias da coluna e da face (p. 1139). No fêmur curto congênito, o Tachdjian descreve arqueamento anterolateral do fêmur, valgo e rotação externa do joelho, ausência do LCA e hemimelia fibular ipsilateral frequente.

Tratamento. Primeiro, decidir se o objetivo é andar com o pé no chão ou com prótese. Estimar a discrepância final pela porcentagem atual (ou pelo multiplicador de PALEY, GREEN e ANDERSON, MOSELEY). No GILLESPIE A, com discrepância final abaixo de 20 cm e fêmur com 40% a 60% ou mais do outro, o alongamento costuma ser o ideal, com quadril e fêmur proximal estáveis. Nos mais graves: artrodese do joelho com amputação de SYME, ou rotacionoplastia (VAN NES; GILLESPIE e TORODE; KRAJBICH), e fusão do fêmur à pelve (STEEL, BROWN) quando o quadril é instável. A DFFP bilateral é tratada sem cirurgia (Campbell).

Hemimelia fibular

Cobrança confirmada · 2 questões

É a deficiência congênita de osso longo mais comum (Campbell, p. 1137), e é uma doença do membro inteiro: o Campbell sugere o nome hipoplasia pós-axial.

De cima para baixo. Fêmur curto (85% na série de BIRCH); joelho valgo, LCA ausente com ausência da espinha tibial, hipoplasia da patela e do côndilo femoral lateral, cruzados instáveis; tíbia curta, com arco anteromedial nas formas graves e epífise distal em cunha; pé em equinovalgo (o mais comum; equinovaro e calcâneo valgo também descritos), coalizão do tarso quase sempre, tornozelo em bola e soquete e raios laterais ausentes (Tachdjian, cap. 21; Campbell, Fig. 29.82 a 29.84). A discrepância final fica entre 12% e 18%, e a porcentagem se mantém em 85%.

Classificações. ACHTERMAN e KALAMCHI: IA, fíbula curta (epífise proximal abaixo da fise tibial, distal acima da cúpula do tálus); IB, 30% a 50% da fíbula ausentes, sem apoio no tornozelo; II, fíbula ausente, com arco e encurtamento da tíbia. COVENTRY e JOHNSON usam ausência parcial, completa e bilateral. BIRCH olha o pé e a discrepância: o pé funcional é plantígrado e tem três raios ou mais (Tabela 29.3).

Tratamento. Pela BIRCH: SYME ou BOYD com prótese quando a discrepância prevista é de 25 cm ou mais, com valgo grave do tornozelo e pé deformado; alongamento quando é de 8 cm ou menos, com pé plantígrado de quatro raios ou mais e tornozelo estável. Discrepância de até 5% com pé funcional: palmilha e epifisiodese do lado normal. Os estudos (McCARTHY, NAUDIE, BIRCH) favorecem a amputação nos casos graves. O valgo progressivo do joelho se trata com crescimento guiado. Não se amputa o pé se ele for substituir uma mão ausente.

Hemimelia tibial

Cobrança confirmada · 1 questão

O que é. Ausência parcial ou completa da tíbia, rara (cerca de 1 em 1 milhão). Há formas autossômicas dominantes, em geral bilaterais, com dedos duplicados e anomalias das mãos; 79% numa série tinham outras anomalias congênitas (Tachdjian, cap. 21).

JONES, pela radiografia do lactente (Fig. 21.34)
TipoO que se vêClínica
1atíbia ausente; núcleo do fêmur distal pequeno ou ausentesem quadríceps, patela ausente, pé em varo grave
1btíbia proximal presente, mas não ossificada; fêmur distal normalquadríceps e joelho funcionam
2tíbia proximal visível, distal ausentejoelho funciona, varo e instabilidade
3tíbia distal visível, proximal ausente (o mais raro)joelho instável, dedos extras
4tíbia curta com diástase tibiofibular distalpé em varo rígido entre tíbia e fíbula

Tratamento. No JONES 1a, a maioria é tratada com desarticulação do joelho, com bom resultado funcional (velocidade de marcha de 81% do normal e gasto energético normal). Nos tipos 1b e 2, a fíbula pode ser unida à tíbia proximal (sinostose), com amputação de SYME. WEBER propôs reconstruções com a patela ou a fíbula centralizada, com resultados iniciais promissores e sem avaliação de longo prazo.

Bandas amnióticas (STREETER)

Fundamento

Faixas de âmnio que apertam o membro: dificultam a drenagem venosa (edema), deixam sulcos profundos, lesam nervos e podem amputar dedos ou segmentos. É incomum que um só membro seja acometido; os dedos são os mais afetados, e a sindactilia fenestrada é a marca no membro. Também são a causa mais comum das deficiências congênitas do pé. No coto, podem surgir hipercrescimento ósseo, partes moles instáveis, cistos de inclusão e infecção (Tachdjian, cap. 21).

Fechamento

Fundamento

Em todas essas doenças, a primeira conta é a da discrepância na maturidade, porque a porcentagem de encurtamento tende a se manter. A segunda é o que sobrou para reconstruir: o quadril na DFFP, o pé na hemimelia fibular, a tíbia proximal na hemimelia tibial. Com essas duas contas, as classificações deixam de ser listas e viram decisões.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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